Um ataque com granadas abala a frágil paz na República Centro-Africana, para onde o Brasil deve mandar soldados para uma força internacional, se aceitar o pedido feito oficialmente ontem pelas Nações Unidas, advertiu hoje o boletim Africa Confidential.
Em 11 de novembro, dois homens de motocicleta jogaram granadas num bar onde havia um concerto pela paz e a reconciliação nacional, em Bangui, a capital do país. Eles escolheram um dos bairros que foram palco de conflitos violentos há três anos, quando a República Dominicana esteve à beira do caos.
Sete pessoas morreram e outras 20 saíram feridas no ataque ao bairro PK5, informou a agência Reuters. É um enclave muçulmano na cidade majoritariamente cristã.
"Três ou quatro jovens nossos foram mortos, aparentemente em represália porque pensaram que muçulmanos estavam por trás do ataque com granadas", disse Habib Soule, um morador muçulmano do PK5. "Erguemos barricadas para garantir que os provocadores não entrem no bairro."
Cada vez mais o presidente Faustin-Archange Touadéra, um membro da elite dominante cristã eleito em fevereiro de 2016, é acusado de não dialogar com a oposição e a minoria muçulmana.
O Secretariado da ONU pediu ao Brasil 750 soldados de infantaria para a Missão Integrada Multidimensional para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca). No momento, a ONU tem 12 mil soldados no país.
A República Centro-Africa tem 623 mil quilômetros quadrados e cerca de 5 milhões de habitantes, com produto interno bruto de US$ 1,85 bilhão e renda média de US 370 por pessoa. É um dos países mais pobres do mundo, muito mais pobre do que o Haiti. O governo brasileiro tem até 15 de dezembro para dar uma resposta.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, admitiu na semana passada a possibilidade de enviar até mil soldados: "O Brasil gostaria de assumir o comando, mas a palavra final é da ONU. Mesmo sem o comando, o Brasil vai participar. Temos responsabilidades globais com a estabilidade e a paz no mundo."
"Será muito mais difícil do que no Haiti", afirmou ontem o último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil, general Ajax Porto Pinheiro, ao fazer um balanço da participação brasileira na sede da ONU no Rio de Janeiro, no Palácio do Itamaraty.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 24 de novembro de 2017
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
ONU convida Brasil para missão de paz na República Centro-Africana
As Nações Unidas convidaram ontem oficialmente o Brasil a integrar a força internacional de paz na República Centro-Africana, um país sem governo estável, que fica no coração da África, na região do Sahel, ao Sul do Deserto do Saara, onde há atividade de extremistas muçulmanos da Mauritânia à Somália, passando pelo Burkina Fasso, Mali, Nigéria, Níger, Chade, Camarões, Etiópia e Somália, e armas em abundância da guerra civil na Líbia.
"Será muito mais difícil", admitiu hoje o general Ajax Porto Pinheiro, último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil desde seu início, em 2004, até seu encerramento, em outubro de 2017. Ele fez um balanço da operação hoje na sede da ONU, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.
Com entusiasmo e olhar no futuro, o general declarou que "o Haiti é passado". Pinheiro chegou ao país como coronel no pior momento da história haitiana recente, logo depois de terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou de 200 a 300 mil pessoas. O país virou uma "república das organizações não governamentais", comentou o general Pinheiro. "Eram 300 antes do terremoto, 20 mil depois."
Apesar da promessa de ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti depois do terremoto, mais uma vez a sociedade internacional ficou devendo. "O país melhorou muito. A capital, Porto Príncipe, é um exemplo: ruas asfaltadas, canais drenados, a economia reagiu, há novos hotéis turísticos, mas não foi o que foi prometido", constatou.
"No primeiro impacto, todos querem ajudar. Surgem outros problemas e os recursos não chegam. Depois do furacão Matthew, no ano passado, não houve a mesma ajuda. O centro da cidade, já degradado, continua abandonado. O aeroporto melhorou e o porto é melhor do que antes", avaliou.
Na sua opinião, "o Haiti precisa de um projeto socioeconômico com energia, reflorestamento e controle da natalidade, um verdadeiro Plano Marshall", referência à reconstrução da Europa financiada pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial.
Sua missão inicial, em 2010, era colaborar na realização de eleições. Com a tragédia, em que morreram soldados e oficiais brasileiros, a tropa precisou prestar ajuda humanitária. "As eleições duraram um ano e meio. Passei por quatro eleições, dois furacões e um terremoto", recordou.
"O Exército não foi para o Haiti para controlar a Cité Soleil", uma favela de Porto Príncipe, para treinar para ocupar favelas na periferia das grandes cidades brasileiras. "Fomos pacificar o país e evitar uma guerra civil", enfatizou o ex-comandante da missão da ONU no Haiti
Para ser um soldado da ONU, é preciso respeitar rigorosamente as regras da organização. Em seu preparo, o general e toda a tropa tiveram de estudar a trágica e tumultuada história do Haiti, uma colônia francesa onde os escravos se revoltaram em 1791, dois anos depois da Revolução Francesa de 1789. Depois que Napoleão assumiu o poder, em 1803, a França entrou em guerra com o governo revolucionário.
Os haitianos ganharam, mas logo começaram a brigar entre si pelo poder. "Jean-Jacques Dessalines se proclamou imperador. O país foi dividido em dois: Henri Christophe, no Norte, e Alexandre Pétion, no Sul." Isolado pelo resto do mundo, o país destruiu seus recursos naturais, suas florestas e fontes de água doce.
É hoje o país mais pobre da América, com produto interno bruto de US$ 9 bilhões, assolado por secas, enchentes, furacões e terremotos, "sem água, sem energia, sem infraestrutura e sem empregos", observou o ex-comandante da Minustah.
Num paralelo com a República Centro-Africana, o ditador Jean-Bédel Bokassa se coroou imperador com uma pompa napoleônica. De 1965 até uma intervenção militar da França, em 1979, o país se chamou Império Centro-Africano.
Durante a Guerra Fria, o Haiti foi governado pelo ditador François Duvalier (1957-71), o Papa Doc, e suas gangues de assassinos os Tontons Macoutes. Ele foi sucedido pelo filho Jean-Claude Duvalier (1971-86), o Baby Doc. Desde 1986, o Haiti teve 15 presidentes.
Em fevereiro de 1991, o padre Jean-Baptiste Aristide assumiu como primeiro presidente eleito da história do país. Seu governo durou sete meses. Foi derrubado pelo comandante das Forças Armadas, general Raoul Cédras, hoje exilado no Panamá.
Sob pressão dos EUA, os militares devolveram o poder a Aristide em 1994. Ele presidiu o Haiti até 1996. Foi sucedido por René Préval (1996-2001), na primeira transição de poder democrática da história do país.
Reeleito em 2001, Aristide governou até 2004. Caiu sob pressão dos Estados Unidos e da França, em meio a uma rebelião de paramilitares liderada por Guy Philippe. Aristide havia dissolvido as Forças Armadas em 1995, mas os ex-militares continuavam conspirando.
Em plena invasão do Iraque por ordem do presidente George W. Bush, os EUA pediram ao Brasil que assumisse o comando da missão de estabilização do Haiti. Uma das primeiras preocupações dos militares brasileiros foi fazer um plano para impedir um assalto das forças de Philippe à capital haitiana.
As eleições que Pinheiro ajudaria a organizar, previstas para 28 de fevereiro de 2010, foram realizadas em 28 de novembro, e o segundo turno em 20 de março de 2011. A vitória do cantor pop Michel Martelly foi anunciada em 21 de abril.
Ao todo, mais de 27 mil militares brasileiros estiveram no Haiti, mais do que os 25 mil que participaram da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. "Foi o maior envio de tropas ao exterior desde a Guerra da Tríplice Aliança", mais conhecida como Guerra do Paraguai (1864-70). Vinte e cinco brasileiros morreram, inclusive dois generais; 18 mortes foram no terremoto.
No comando da missão, cargo que ocupou de outubro de 2015 até outubro de 2017, "não tem com quem compartilhar os erros. É um risco diário, o medo de falhar, o medo de Ruanda, onde a ONU ficou devendo."
A missão de paz na República Centro-Africana ocorre sob o espectro da Síndrome de Ruanda, onde um batalhão da ONU não foi capaz de impedir o genocídio de 800 mil pessoas de abril a junho de 1994.
Depois do Haiti, Pinheiro acredita que o Brasil está preparado: "É precisa ser adaptável. Os soldados brasileiros se integram bem, são adaptáveis, estão sempre de bom humor e não cometemos nenhum abuso sexual, o que desmoraliza a tropa."
O comandante, acrescentou, precisa de liberdade para agir, tem de ter iniciativa, não pode consultar a ONU a cada decisão: "É preciso passar do planejamento à execução em pouco tempo."
Ajax Pinheiro gostaria de aumentar o período de permanência dos soldados no exterior de seis para nove meses: "Quando as tropas estão preparadas, conhecem o Sistema ONU, têm de voltar."
"A profissão militar é arriscada. Exige grande motivação. Na República Centro-Africana, eles podem ficar 4 a 6 meses longe da base, como uma tropa expedicionária, como fazemos na Amazônia", ponderou o ex-comandante da Minustah.
"Os soldados brasileiros vão desembarcar na República de Camarões, viajar mais mil quilômetros por terra até a República Centro-Africana e mais 400 km até a base. Vão atuar no campo. Vai ter pane. Vai haver ataques. Eles vão ficar sem comunicações. Vai morrer gente", previu o general.
"Soldado de força de paz tem ser bom atirador", advertiu. "Não pode errar o primeiro tiro. Tem de ter bom condicionamento físico. Não pode ter problema de saúde. Não cheguem como salvadores da pátria. Tenham menos impulsividade no início."
À espreita, estarão grupos rebeldes como a Séléka, uma aliança de milícia e grupo terrorista majoritariamente muçulmano formado em agosto de 2012. Isso envolve a República Centro-Africana no movimento jihadista num momento de competição entre a rede terrorista Al Caeda e o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Segundo grupo extremista muçulmano mais assassino, depois do Estado Islâmico, a milícia nigeriana Boko Haram, que jurou lealdade ao Estado Islâmico, age na Nigéria, no Níger, em Camarões e no Chade, enquanto Al Caeda no Magreb (a região muçulmano do Norte da África) atua no Mali e a milícia somaliana Al Chababe ataca na Somália e na Etiópia.
Do outro lado, estão as milícias cristãs conhecidas como Anti-Balaka (Anti-Espada ou Anti-Machete), formadas durante o governo golpista de Michel Djotodia, entre março de 2013 e janeiro de 2014. A Presidência foi entregue à presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza. Depois das eleições de dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, venceu o ex-primeiro-ministro Faustin-Archange Touadéra, atual presidente.
No fim de 2014, a República Centro-Africana estava literalmente dividida entre a ex-Séléka (oficialmente dissolvida em 2013), no Nordeste, e a Anti-Balaka, no Sudoeste. Com a desmobilização inicial da Séléka, a Anti-Balaka ficou mais forte. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou em 2014 vários massacres que deflagaram a fuga em massa de milhares de muçulmanos.
Em dezembro de 2015, os líderes da ex-Séléka declararam a independência da República de Logone.
"Será muito mais difícil", admitiu hoje o general Ajax Porto Pinheiro, último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil desde seu início, em 2004, até seu encerramento, em outubro de 2017. Ele fez um balanço da operação hoje na sede da ONU, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.
Com entusiasmo e olhar no futuro, o general declarou que "o Haiti é passado". Pinheiro chegou ao país como coronel no pior momento da história haitiana recente, logo depois de terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou de 200 a 300 mil pessoas. O país virou uma "república das organizações não governamentais", comentou o general Pinheiro. "Eram 300 antes do terremoto, 20 mil depois."
Apesar da promessa de ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti depois do terremoto, mais uma vez a sociedade internacional ficou devendo. "O país melhorou muito. A capital, Porto Príncipe, é um exemplo: ruas asfaltadas, canais drenados, a economia reagiu, há novos hotéis turísticos, mas não foi o que foi prometido", constatou.
"No primeiro impacto, todos querem ajudar. Surgem outros problemas e os recursos não chegam. Depois do furacão Matthew, no ano passado, não houve a mesma ajuda. O centro da cidade, já degradado, continua abandonado. O aeroporto melhorou e o porto é melhor do que antes", avaliou.
Na sua opinião, "o Haiti precisa de um projeto socioeconômico com energia, reflorestamento e controle da natalidade, um verdadeiro Plano Marshall", referência à reconstrução da Europa financiada pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial.
Sua missão inicial, em 2010, era colaborar na realização de eleições. Com a tragédia, em que morreram soldados e oficiais brasileiros, a tropa precisou prestar ajuda humanitária. "As eleições duraram um ano e meio. Passei por quatro eleições, dois furacões e um terremoto", recordou.
"O Exército não foi para o Haiti para controlar a Cité Soleil", uma favela de Porto Príncipe, para treinar para ocupar favelas na periferia das grandes cidades brasileiras. "Fomos pacificar o país e evitar uma guerra civil", enfatizou o ex-comandante da missão da ONU no Haiti
Para ser um soldado da ONU, é preciso respeitar rigorosamente as regras da organização. Em seu preparo, o general e toda a tropa tiveram de estudar a trágica e tumultuada história do Haiti, uma colônia francesa onde os escravos se revoltaram em 1791, dois anos depois da Revolução Francesa de 1789. Depois que Napoleão assumiu o poder, em 1803, a França entrou em guerra com o governo revolucionário.
Os haitianos ganharam, mas logo começaram a brigar entre si pelo poder. "Jean-Jacques Dessalines se proclamou imperador. O país foi dividido em dois: Henri Christophe, no Norte, e Alexandre Pétion, no Sul." Isolado pelo resto do mundo, o país destruiu seus recursos naturais, suas florestas e fontes de água doce.
É hoje o país mais pobre da América, com produto interno bruto de US$ 9 bilhões, assolado por secas, enchentes, furacões e terremotos, "sem água, sem energia, sem infraestrutura e sem empregos", observou o ex-comandante da Minustah.
Num paralelo com a República Centro-Africana, o ditador Jean-Bédel Bokassa se coroou imperador com uma pompa napoleônica. De 1965 até uma intervenção militar da França, em 1979, o país se chamou Império Centro-Africano.
Durante a Guerra Fria, o Haiti foi governado pelo ditador François Duvalier (1957-71), o Papa Doc, e suas gangues de assassinos os Tontons Macoutes. Ele foi sucedido pelo filho Jean-Claude Duvalier (1971-86), o Baby Doc. Desde 1986, o Haiti teve 15 presidentes.
Em fevereiro de 1991, o padre Jean-Baptiste Aristide assumiu como primeiro presidente eleito da história do país. Seu governo durou sete meses. Foi derrubado pelo comandante das Forças Armadas, general Raoul Cédras, hoje exilado no Panamá.
Sob pressão dos EUA, os militares devolveram o poder a Aristide em 1994. Ele presidiu o Haiti até 1996. Foi sucedido por René Préval (1996-2001), na primeira transição de poder democrática da história do país.
Reeleito em 2001, Aristide governou até 2004. Caiu sob pressão dos Estados Unidos e da França, em meio a uma rebelião de paramilitares liderada por Guy Philippe. Aristide havia dissolvido as Forças Armadas em 1995, mas os ex-militares continuavam conspirando.
Em plena invasão do Iraque por ordem do presidente George W. Bush, os EUA pediram ao Brasil que assumisse o comando da missão de estabilização do Haiti. Uma das primeiras preocupações dos militares brasileiros foi fazer um plano para impedir um assalto das forças de Philippe à capital haitiana.
As eleições que Pinheiro ajudaria a organizar, previstas para 28 de fevereiro de 2010, foram realizadas em 28 de novembro, e o segundo turno em 20 de março de 2011. A vitória do cantor pop Michel Martelly foi anunciada em 21 de abril.
Ao todo, mais de 27 mil militares brasileiros estiveram no Haiti, mais do que os 25 mil que participaram da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. "Foi o maior envio de tropas ao exterior desde a Guerra da Tríplice Aliança", mais conhecida como Guerra do Paraguai (1864-70). Vinte e cinco brasileiros morreram, inclusive dois generais; 18 mortes foram no terremoto.
No comando da missão, cargo que ocupou de outubro de 2015 até outubro de 2017, "não tem com quem compartilhar os erros. É um risco diário, o medo de falhar, o medo de Ruanda, onde a ONU ficou devendo."
A missão de paz na República Centro-Africana ocorre sob o espectro da Síndrome de Ruanda, onde um batalhão da ONU não foi capaz de impedir o genocídio de 800 mil pessoas de abril a junho de 1994.
Depois do Haiti, Pinheiro acredita que o Brasil está preparado: "É precisa ser adaptável. Os soldados brasileiros se integram bem, são adaptáveis, estão sempre de bom humor e não cometemos nenhum abuso sexual, o que desmoraliza a tropa."
O comandante, acrescentou, precisa de liberdade para agir, tem de ter iniciativa, não pode consultar a ONU a cada decisão: "É preciso passar do planejamento à execução em pouco tempo."
Ajax Pinheiro gostaria de aumentar o período de permanência dos soldados no exterior de seis para nove meses: "Quando as tropas estão preparadas, conhecem o Sistema ONU, têm de voltar."
"A profissão militar é arriscada. Exige grande motivação. Na República Centro-Africana, eles podem ficar 4 a 6 meses longe da base, como uma tropa expedicionária, como fazemos na Amazônia", ponderou o ex-comandante da Minustah.
"Os soldados brasileiros vão desembarcar na República de Camarões, viajar mais mil quilômetros por terra até a República Centro-Africana e mais 400 km até a base. Vão atuar no campo. Vai ter pane. Vai haver ataques. Eles vão ficar sem comunicações. Vai morrer gente", previu o general.
"Soldado de força de paz tem ser bom atirador", advertiu. "Não pode errar o primeiro tiro. Tem de ter bom condicionamento físico. Não pode ter problema de saúde. Não cheguem como salvadores da pátria. Tenham menos impulsividade no início."
À espreita, estarão grupos rebeldes como a Séléka, uma aliança de milícia e grupo terrorista majoritariamente muçulmano formado em agosto de 2012. Isso envolve a República Centro-Africana no movimento jihadista num momento de competição entre a rede terrorista Al Caeda e o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Segundo grupo extremista muçulmano mais assassino, depois do Estado Islâmico, a milícia nigeriana Boko Haram, que jurou lealdade ao Estado Islâmico, age na Nigéria, no Níger, em Camarões e no Chade, enquanto Al Caeda no Magreb (a região muçulmano do Norte da África) atua no Mali e a milícia somaliana Al Chababe ataca na Somália e na Etiópia.
Do outro lado, estão as milícias cristãs conhecidas como Anti-Balaka (Anti-Espada ou Anti-Machete), formadas durante o governo golpista de Michel Djotodia, entre março de 2013 e janeiro de 2014. A Presidência foi entregue à presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza. Depois das eleições de dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, venceu o ex-primeiro-ministro Faustin-Archange Touadéra, atual presidente.
No fim de 2014, a República Centro-Africana estava literalmente dividida entre a ex-Séléka (oficialmente dissolvida em 2013), no Nordeste, e a Anti-Balaka, no Sudoeste. Com a desmobilização inicial da Séléka, a Anti-Balaka ficou mais forte. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou em 2014 vários massacres que deflagaram a fuga em massa de milhares de muçulmanos.
Em dezembro de 2015, os líderes da ex-Séléka declararam a independência da República de Logone.
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terça-feira, 1 de novembro de 2016
França encerra intervenção militar na República Centro-Africana
Depois de quase três anos, o ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, anunciou hoje em Bangui, a capital da da República Centro-Africana, o fim da Operação Sangaris, lançada em dezembro de 2013 para acabar com os massacres promovidos por milícias muçulmanas e cristãs depois da queda presidente François Bozizé.
A retirada de 2 mil soldados franceses acontece num momento de denúncias sobre uma nova onda de massacres no país centro-africano. Cerca de 350 militares franceses vão ficar na República Centro-Africana para dar apoio a uma missão de paz das Nações Unidas.
Com o fim da Operação Sangaris, a missão da ONU será a única responsável pela segurança no país. Quando as tropas francesas deixarem as ruas da capital, é provável que as milícias testem a capacidade de reação das tropas da ONU.
A retirada de 2 mil soldados franceses acontece num momento de denúncias sobre uma nova onda de massacres no país centro-africano. Cerca de 350 militares franceses vão ficar na República Centro-Africana para dar apoio a uma missão de paz das Nações Unidas.
Com o fim da Operação Sangaris, a missão da ONU será a única responsável pela segurança no país. Quando as tropas francesas deixarem as ruas da capital, é provável que as milícias testem a capacidade de reação das tropas da ONU.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Milícia quer trocar armas por cargos na República Centro-Africana
A milícia rebelde Séléka aceita entregar as armas em troca de participação no governo da República Centro-Africana, reportou hoje a agência de notícias Bloomberg citando como fonte um comandante do grupo.
A proposta foi apresentada a repórteres em Bangui, a capital do país, por Abdoulaye Hissene, um comandante da Séléka que fugiu da cadeia em março de 2016.
Também em março, a França anunciou o fim da intervenção militar iniciada em dezembro de 2013 para conter a violência generalizada entre cristãos e muçulmanos, que ameaçava provocar uma guerra civil na RCA.
O líder da Séléka, Michel Djotodia, chegou a presidir o país de março de 2013 a janeiro de 2014.
A proposta foi apresentada a repórteres em Bangui, a capital do país, por Abdoulaye Hissene, um comandante da Séléka que fugiu da cadeia em março de 2016.
Também em março, a França anunciou o fim da intervenção militar iniciada em dezembro de 2013 para conter a violência generalizada entre cristãos e muçulmanos, que ameaçava provocar uma guerra civil na RCA.
O líder da Séléka, Michel Djotodia, chegou a presidir o país de março de 2013 a janeiro de 2014.
domingo, 10 de maio de 2015
Milícias rivais fazem acordo de paz na República Centro-Africana
Dois grupos armados rivais da República Centro-Africana concordaram com um acordo de paz que exige que se desarmem e se submetam a processos por crimes de guerra, anunciou hoje o ministro da Defesa, citado pela agência de notícias Reuters.
O acordo assinado num fórum da paz realizado na capital centro-africana, Bangui, acaba com uma guerra civil de dois anos entre a milícia cristã Anti-Balaka e a milícia muçulmana Séléka. A França enviou tropas ao país e as Nações Unidas devem mandar uma força de paz de 10 mil soldados.
A milícia Anti-Balaka foi formada por cristãos depois da ascensão ao poder na República Centro-Africana de Michel Djotodia, em 2013.
O acordo assinado num fórum da paz realizado na capital centro-africana, Bangui, acaba com uma guerra civil de dois anos entre a milícia cristã Anti-Balaka e a milícia muçulmana Séléka. A França enviou tropas ao país e as Nações Unidas devem mandar uma força de paz de 10 mil soldados.
A milícia Anti-Balaka foi formada por cristãos depois da ascensão ao poder na República Centro-Africana de Michel Djotodia, em 2013.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
França reforça o orçamento de defesa para combater o terrorismo
Em plena crise, com a economia estagnada, o presidente François Hollande anunciou hoje um aumento de 3,8 bilhões de euros (US$ 4,2 bilhões) no orçamento de defesa da França nos próximos quatro anos para financiar o combate ao terrorismo. O dinheiro vai sair do orçamento de outros ministérios.
Desde os atentados terroristas de janeiro de 2015 contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico, 10 mil soldados do Exército participam regularmente do patrulhamento de escolas, embaixadas, templos e locais turísticos, ao custo de 1 milhão de euros por dia. Para cada soldado em operação, há outro de prontidão no quartel e um terceiro em treinamento.
No momento, a França mantém 9 mil soldados em ação no exterior. Tem forças terrestres no Mali e na República Centro-Africana, duas ex-colônias africanas, e participa dos bombardeios aéreos da aliança liderada pelos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico no Iraque. O custo é estimado em 1,1 milhão de euros por dia, sem contar a depreciação dos equipamentos militares.
Desde os atentados terroristas de janeiro de 2015 contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico, 10 mil soldados do Exército participam regularmente do patrulhamento de escolas, embaixadas, templos e locais turísticos, ao custo de 1 milhão de euros por dia. Para cada soldado em operação, há outro de prontidão no quartel e um terceiro em treinamento.
No momento, a França mantém 9 mil soldados em ação no exterior. Tem forças terrestres no Mali e na República Centro-Africana, duas ex-colônias africanas, e participa dos bombardeios aéreos da aliança liderada pelos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico no Iraque. O custo é estimado em 1,1 milhão de euros por dia, sem contar a depreciação dos equipamentos militares.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
ONU envia missão de paz à República Centro-Africana
Por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje o envio de uma força de paz de 12 mil homens para a República Centro-Africana, onde a queda de um governo golpista sustentado por milícias muçulmanas deflagrou uma onda de violência étnico-religiosa. Mas as forças da ONU só chegam lá em setembro.
Mais de mil pessoas foram mortas desde a queda do regime golpista de François Bozizé. O governo provisório, chefiado pela presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza, é incapaz de controlar a situação mesmo com ajuda internacional.
A ONU estima que 1,3 milhão de pessoas precisem de ajuda no país. A França já tem 2 mil soldados no país e a União Africana, outros 5 mil. A partir de agora, eles têm autorização para "usar todos os meios necessários", a linguagem diplomática para aprovar o uso da força".
Há um colapso da autoridade do Estado na República Centro-Africana. Sem polícia nem sistema prisional, o país está entregue a gangues da bandidos, disse à BBC o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
"Milícias cristãs e muçulmanas deixaram a República Centro-Africana à beira de um desastre", afirmou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, que esteve ontem em Bangui, onde agradeceu à França e aos soldados de sete países africanos que formam a força de paz da UA.
Mais de mil pessoas foram mortas desde a queda do regime golpista de François Bozizé. O governo provisório, chefiado pela presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza, é incapaz de controlar a situação mesmo com ajuda internacional.
A ONU estima que 1,3 milhão de pessoas precisem de ajuda no país. A França já tem 2 mil soldados no país e a União Africana, outros 5 mil. A partir de agora, eles têm autorização para "usar todos os meios necessários", a linguagem diplomática para aprovar o uso da força".
Há um colapso da autoridade do Estado na República Centro-Africana. Sem polícia nem sistema prisional, o país está entregue a gangues da bandidos, disse à BBC o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
"Milícias cristãs e muçulmanas deixaram a República Centro-Africana à beira de um desastre", afirmou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, que esteve ontem em Bangui, onde agradeceu à França e aos soldados de sete países africanos que formam a força de paz da UA.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
UE aprova envio de forças à República Centro-Africana
O Conselho de Ministros do Exterior da União Europeia aprovou hoje o início de uma operação militar na República Centro-Africana.
Cerca de 500 soldados europeus vão apoiar as forças da França e da União Africana que tentam manter a paz no país, abalado por uma rebelião que levou à queda dos ditadores François Bozizé, em 15 de março de 2013, e Michel Djotodia, em 10 de janeiro de 2014.
Hoje a prefeita da capital, Bangui, Catherine Samba-Panza, foi eleita presidente interina.
Cerca de 500 soldados europeus vão apoiar as forças da França e da União Africana que tentam manter a paz no país, abalado por uma rebelião que levou à queda dos ditadores François Bozizé, em 15 de março de 2013, e Michel Djotodia, em 10 de janeiro de 2014.
Hoje a prefeita da capital, Bangui, Catherine Samba-Panza, foi eleita presidente interina.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Líderes golpistas da República Centro-Africana renunciam
O presidente da República Centro-Africana, Michel Djotodia, e o primeiro-ministro Nicolas Tiangaye renunciaram e deixaram o país ontem em meio a uma crise política, com temor de massacres de muçulmanos por cristãos depois de vários dias de confrontos de milícias.
Djotodia estava no poder desde 24 de março de 2013, quando o então presidente François Bozizé foi deposto pelo avanço da milícia muçulmana Séléka. Depois de semanas de conflito, fugiu para Cotonou, capital do Benin, que fica na região do Golfo da Guiné, na costa da África no Oceano Atlântico.
Há o temor agora de que grupos cristãos queiram se vingar de massacres cometidos nos últimos meses.
Djotodia estava no poder desde 24 de março de 2013, quando o então presidente François Bozizé foi deposto pelo avanço da milícia muçulmana Séléka. Depois de semanas de conflito, fugiu para Cotonou, capital do Benin, que fica na região do Golfo da Guiné, na costa da África no Oceano Atlântico.
Há o temor agora de que grupos cristãos queiram se vingar de massacres cometidos nos últimos meses.
sábado, 27 de abril de 2013
Sudão nega presença de Joseph Kony na fronteira
O Exército do Sudão negou hoje que o guerrilheiro ugandês Joseph Kony, comandante do Exército de Libertação do Senhor, esteja refugiado em áreas próximas à fronteira do país, declarando não ter interesse em apoiar ou acolher rebeldes.
Kony luta barbaramente há dez anos para impor um governo teocrático a Uganda. Ele ficou famoso quando um videoclip denunciando seus crimes de guerra, especialmente o recrutamento forçado de menores para seu grupo armado, Kony 2012, bombou na Internet.
Historicamente o Exército de Libertação do Senhor se refugia nas selvas da fronteira entre a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana.
O presidente Barack Obama enviou uma força especial de com cem soldados dos Estados Unidos à África para ajudar na sua captura, sob protesto de deputados republicanos ignorantes que o acusaram de apoiar muçulmanos em guerra contra cristãos. Até agora, os militares não tiveram sucesso. Kony continua solto.
Kony luta barbaramente há dez anos para impor um governo teocrático a Uganda. Ele ficou famoso quando um videoclip denunciando seus crimes de guerra, especialmente o recrutamento forçado de menores para seu grupo armado, Kony 2012, bombou na Internet.
Historicamente o Exército de Libertação do Senhor se refugia nas selvas da fronteira entre a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana.
O presidente Barack Obama enviou uma força especial de com cem soldados dos Estados Unidos à África para ajudar na sua captura, sob protesto de deputados republicanos ignorantes que o acusaram de apoiar muçulmanos em guerra contra cristãos. Até agora, os militares não tiveram sucesso. Kony continua solto.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Líderes regionais propõem transição na República Centro-Africana
A Comunidade Econômica dos Países Centro-Africanos, formada por dez países, propôs hoje um período de transição de um ano e meio na República Centro-Africana, onde o presidente François Bozizé foi derrubado por rebeldes em 24 de março de 2013.
Durante a transição, seria convocada uma Assembleia Nacional Constituinte e o país seria governado por um conselho executivo, diz uma nota publicada no sítio do governo do Chade, que presidente a organização regional.
Os rebeldes da Séléka (Aliança), que tomaram o poder em Bangui não teriam capacidade ou interesse para governar além da capital, mas podem usar seus recursos para apoiar grupos rebeldes em países vizinhos, inclusive no Chade.
Durante a transição, seria convocada uma Assembleia Nacional Constituinte e o país seria governado por um conselho executivo, diz uma nota publicada no sítio do governo do Chade, que presidente a organização regional.
Os rebeldes da Séléka (Aliança), que tomaram o poder em Bangui não teriam capacidade ou interesse para governar além da capital, mas podem usar seus recursos para apoiar grupos rebeldes em países vizinhos, inclusive no Chade.
quarta-feira, 27 de março de 2013
República Centro-Africana repete história de golpes
Desde que a República Centro-Africana se tornou independente da França, em 1960, nenhum presidente transferiu o poder pacificamente a um sucessor eleito democraticamente. O ditador Jean-Bedel Bokassa chegou a se declarar imperador. Foi coroado Bokassa I em 1977 numa cerimônia inspirada por Napoleão.
A queda do presidente François Bozizé, derrubado por uma ofensiva rebelde do grupo Seleka (Aliança) é mais um capítulo repetitivo na história de um país "pobre em infraestrutura, mas rico em diamantes e golpes de Estado", como definiu o jornal Cameroon Tribune, da vizinha República dos Camarões.
Se desta vez a tomada do poder foi menos sangrenta, os habitantes da capital, Bangui, temem represálias e as organizações de ajuda humanitária denunciam assassinatos, violações e saques.
Apesar da promessa do líder rebelde Michel Djotodia de formar um governo de união nacional e de não lançar uma "caça às bruxas", o novo regime pode ser ainda mais autoritário, teme o professor Andreas Mehler, do Instituto Alemão de Estudos Globais.
"É possível uma política menos inclusive, sobretudo em relação aos muçulmanos", adverte Mehler em entrevista à televisão árabe especializada em notícias Al Jazira. "Pelo menos alguns componentes da aliança rebelde têm essa proposta".
Com ironia, o jornal digital Slate Africa diz que, "por ora, a ditadura da Seleka vai bem", lembrando que Djotodia pretende governar por decreto até convocar eleições "dentro de dois a três anos".
Enquanto o presidente deposto e a família se refugiam na República Democrática do Congo, são aos 4,5 milhões de habitantes da República Centro-Africana que vão pagar o preço da forte instabilidade política e da ditadura.
Como nota o jornal Le Pays, de Burkina Fasso, os golpes de Estado não podem trazer nenhuma solução para os problemas que afligem a África: "A sociedade centro-africana é uma sociedade onde os indivíduos, de maneira hobbesiana, vivem numa guerra permanente".
A queda do presidente François Bozizé, derrubado por uma ofensiva rebelde do grupo Seleka (Aliança) é mais um capítulo repetitivo na história de um país "pobre em infraestrutura, mas rico em diamantes e golpes de Estado", como definiu o jornal Cameroon Tribune, da vizinha República dos Camarões.
Se desta vez a tomada do poder foi menos sangrenta, os habitantes da capital, Bangui, temem represálias e as organizações de ajuda humanitária denunciam assassinatos, violações e saques.
Apesar da promessa do líder rebelde Michel Djotodia de formar um governo de união nacional e de não lançar uma "caça às bruxas", o novo regime pode ser ainda mais autoritário, teme o professor Andreas Mehler, do Instituto Alemão de Estudos Globais.
"É possível uma política menos inclusive, sobretudo em relação aos muçulmanos", adverte Mehler em entrevista à televisão árabe especializada em notícias Al Jazira. "Pelo menos alguns componentes da aliança rebelde têm essa proposta".
Com ironia, o jornal digital Slate Africa diz que, "por ora, a ditadura da Seleka vai bem", lembrando que Djotodia pretende governar por decreto até convocar eleições "dentro de dois a três anos".
Enquanto o presidente deposto e a família se refugiam na República Democrática do Congo, são aos 4,5 milhões de habitantes da República Centro-Africana que vão pagar o preço da forte instabilidade política e da ditadura.
Como nota o jornal Le Pays, de Burkina Fasso, os golpes de Estado não podem trazer nenhuma solução para os problemas que afligem a África: "A sociedade centro-africana é uma sociedade onde os indivíduos, de maneira hobbesiana, vivem numa guerra permanente".
segunda-feira, 25 de março de 2013
União Africana suspende República Centro-Africana
A União Africana decidiu hoje suspender a participação da República Centro-Africana e impor sanções ao país em retaliação aos rebeldes que tomaram o poder ontem em Bangui depois da fuga do ditador François Bozizé e sua família para a República Democrática do Congo, informa o jornal francês Le Monde.
O líder rebelde, Michel Djotodia, anulou a Constituição, dissolveu as instituições do país e prometeu realizar eleições "dentro de dois a três anos".
O líder rebelde, Michel Djotodia, anulou a Constituição, dissolveu as instituições do país e prometeu realizar eleições "dentro de dois a três anos".
Líder rebelde se declara presidente centro-africano
O líder do grupo rebelde Seleka (Aliança), Michel Djotodia, que tomou ontem a capital da República Centro-Africana depois da fuga do ditador François Bozizé, se declarou presidente e prometeu formar um governo amplo.
As Nações Unidas e a União Africana condenaram a tomada violenta do poder. Os Estados Unidos, a França e o Chade pediram respeito ao acordo de paz negociado em janeiro em Libreville, a capital do Gabão.
"Respeitamos o acordo de Libreville", declarou Eric Massi, porta-voz dos rebeldes, por telefone, prometendo uma "transição política de dois a três anos antes de eleições. O atual primeiro-ministro fica no cargo e o ministério será levemente reformado".
Bangui, a capital do país, estava em relativa calma na manhã desta segunda-feira, depois de uma onda de saques no domingo.
A Seleka, uma aliança de cinco grupos rebeldes, lançou sua ofensiva na quinta-feira, depois de acusar o governo de ignorar o acordo fechado em janeiro. Pelo menos nove soldados sul-africanos de uma força de paz foram mortos, reporta a agência Reuters.
As Nações Unidas e a União Africana condenaram a tomada violenta do poder. Os Estados Unidos, a França e o Chade pediram respeito ao acordo de paz negociado em janeiro em Libreville, a capital do Gabão.
"Respeitamos o acordo de Libreville", declarou Eric Massi, porta-voz dos rebeldes, por telefone, prometendo uma "transição política de dois a três anos antes de eleições. O atual primeiro-ministro fica no cargo e o ministério será levemente reformado".
Bangui, a capital do país, estava em relativa calma na manhã desta segunda-feira, depois de uma onda de saques no domingo.
A Seleka, uma aliança de cinco grupos rebeldes, lançou sua ofensiva na quinta-feira, depois de acusar o governo de ignorar o acordo fechado em janeiro. Pelo menos nove soldados sul-africanos de uma força de paz foram mortos, reporta a agência Reuters.
domingo, 24 de março de 2013
Rebeldes derrubam governo da República Centro-Africana
Um grupo rebelde tomou o poder hoje na República Centro-Africana, com a fuga do presidente François Bozizé e de sua família para a República Democrática do Congo, enquanto o comércio da capital, Bangui, está sendo saqueado.
A Seleka (Aliança, na língua sango) reúne a União das Forças Democráticas pela Unidade, a União das Forças Republicanas e a Convenção dos Patriotas por Justiça e Paz. Em 2007, esses três grupos fizeram um acordo com o governo para integrar seus milicianos ao Exército. No ano passado, uma parte desertou a voltou à luta armada.
O rebelião foi reiniciada em dezembro. Depois de negociações, os rebeldes aderiram ao governo em janeiro. Eles acusavam o presidente de quebrar o acordo ao não libertar os presos políticos do país.
Para a BBC Africa, o presidente Bozizé enfraqueceu o Exército por medo de ser derrubado depois de tomar o poder num golpe de Estado em 2003.
Desde a independência da França, em 1960, a República Centro-Africana passou por uma série de golpes e rebeliões. Fui até império sob a ditadura de Jean-Bedel Bokassa (1965-79), reabilitado em 2010 por Bozize.
A Seleka (Aliança, na língua sango) reúne a União das Forças Democráticas pela Unidade, a União das Forças Republicanas e a Convenção dos Patriotas por Justiça e Paz. Em 2007, esses três grupos fizeram um acordo com o governo para integrar seus milicianos ao Exército. No ano passado, uma parte desertou a voltou à luta armada.
O rebelião foi reiniciada em dezembro. Depois de negociações, os rebeldes aderiram ao governo em janeiro. Eles acusavam o presidente de quebrar o acordo ao não libertar os presos políticos do país.
Para a BBC Africa, o presidente Bozizé enfraqueceu o Exército por medo de ser derrubado depois de tomar o poder num golpe de Estado em 2003.
Desde a independência da França, em 1960, a República Centro-Africana passou por uma série de golpes e rebeliões. Fui até império sob a ditadura de Jean-Bedel Bokassa (1965-79), reabilitado em 2010 por Bozize.
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