A milícia rebelde Séléka aceita entregar as armas em troca de participação no governo da República Centro-Africana, reportou hoje a agência de notícias Bloomberg citando como fonte um comandante do grupo.
A proposta foi apresentada a repórteres em Bangui, a capital do país, por Abdoulaye Hissene, um comandante da Séléka que fugiu da cadeia em março de 2016.
Também em março, a França anunciou o fim da intervenção militar iniciada em dezembro de 2013 para conter a violência generalizada entre cristãos e muçulmanos, que ameaçava provocar uma guerra civil na RCA.
O líder da Séléka, Michel Djotodia, chegou a presidir o país de março de 2013 a janeiro de 2014.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 25 de maio de 2016
domingo, 10 de maio de 2015
Milícias rivais fazem acordo de paz na República Centro-Africana
Dois grupos armados rivais da República Centro-Africana concordaram com um acordo de paz que exige que se desarmem e se submetam a processos por crimes de guerra, anunciou hoje o ministro da Defesa, citado pela agência de notícias Reuters.
O acordo assinado num fórum da paz realizado na capital centro-africana, Bangui, acaba com uma guerra civil de dois anos entre a milícia cristã Anti-Balaka e a milícia muçulmana Séléka. A França enviou tropas ao país e as Nações Unidas devem mandar uma força de paz de 10 mil soldados.
A milícia Anti-Balaka foi formada por cristãos depois da ascensão ao poder na República Centro-Africana de Michel Djotodia, em 2013.
O acordo assinado num fórum da paz realizado na capital centro-africana, Bangui, acaba com uma guerra civil de dois anos entre a milícia cristã Anti-Balaka e a milícia muçulmana Séléka. A França enviou tropas ao país e as Nações Unidas devem mandar uma força de paz de 10 mil soldados.
A milícia Anti-Balaka foi formada por cristãos depois da ascensão ao poder na República Centro-Africana de Michel Djotodia, em 2013.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
UE aprova envio de forças à República Centro-Africana
O Conselho de Ministros do Exterior da União Europeia aprovou hoje o início de uma operação militar na República Centro-Africana.
Cerca de 500 soldados europeus vão apoiar as forças da França e da União Africana que tentam manter a paz no país, abalado por uma rebelião que levou à queda dos ditadores François Bozizé, em 15 de março de 2013, e Michel Djotodia, em 10 de janeiro de 2014.
Hoje a prefeita da capital, Bangui, Catherine Samba-Panza, foi eleita presidente interina.
Cerca de 500 soldados europeus vão apoiar as forças da França e da União Africana que tentam manter a paz no país, abalado por uma rebelião que levou à queda dos ditadores François Bozizé, em 15 de março de 2013, e Michel Djotodia, em 10 de janeiro de 2014.
Hoje a prefeita da capital, Bangui, Catherine Samba-Panza, foi eleita presidente interina.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Líderes golpistas da República Centro-Africana renunciam
O presidente da República Centro-Africana, Michel Djotodia, e o primeiro-ministro Nicolas Tiangaye renunciaram e deixaram o país ontem em meio a uma crise política, com temor de massacres de muçulmanos por cristãos depois de vários dias de confrontos de milícias.
Djotodia estava no poder desde 24 de março de 2013, quando o então presidente François Bozizé foi deposto pelo avanço da milícia muçulmana Séléka. Depois de semanas de conflito, fugiu para Cotonou, capital do Benin, que fica na região do Golfo da Guiné, na costa da África no Oceano Atlântico.
Há o temor agora de que grupos cristãos queiram se vingar de massacres cometidos nos últimos meses.
Djotodia estava no poder desde 24 de março de 2013, quando o então presidente François Bozizé foi deposto pelo avanço da milícia muçulmana Séléka. Depois de semanas de conflito, fugiu para Cotonou, capital do Benin, que fica na região do Golfo da Guiné, na costa da África no Oceano Atlântico.
Há o temor agora de que grupos cristãos queiram se vingar de massacres cometidos nos últimos meses.
quarta-feira, 27 de março de 2013
República Centro-Africana repete história de golpes
Desde que a República Centro-Africana se tornou independente da França, em 1960, nenhum presidente transferiu o poder pacificamente a um sucessor eleito democraticamente. O ditador Jean-Bedel Bokassa chegou a se declarar imperador. Foi coroado Bokassa I em 1977 numa cerimônia inspirada por Napoleão.
A queda do presidente François Bozizé, derrubado por uma ofensiva rebelde do grupo Seleka (Aliança) é mais um capítulo repetitivo na história de um país "pobre em infraestrutura, mas rico em diamantes e golpes de Estado", como definiu o jornal Cameroon Tribune, da vizinha República dos Camarões.
Se desta vez a tomada do poder foi menos sangrenta, os habitantes da capital, Bangui, temem represálias e as organizações de ajuda humanitária denunciam assassinatos, violações e saques.
Apesar da promessa do líder rebelde Michel Djotodia de formar um governo de união nacional e de não lançar uma "caça às bruxas", o novo regime pode ser ainda mais autoritário, teme o professor Andreas Mehler, do Instituto Alemão de Estudos Globais.
"É possível uma política menos inclusive, sobretudo em relação aos muçulmanos", adverte Mehler em entrevista à televisão árabe especializada em notícias Al Jazira. "Pelo menos alguns componentes da aliança rebelde têm essa proposta".
Com ironia, o jornal digital Slate Africa diz que, "por ora, a ditadura da Seleka vai bem", lembrando que Djotodia pretende governar por decreto até convocar eleições "dentro de dois a três anos".
Enquanto o presidente deposto e a família se refugiam na República Democrática do Congo, são aos 4,5 milhões de habitantes da República Centro-Africana que vão pagar o preço da forte instabilidade política e da ditadura.
Como nota o jornal Le Pays, de Burkina Fasso, os golpes de Estado não podem trazer nenhuma solução para os problemas que afligem a África: "A sociedade centro-africana é uma sociedade onde os indivíduos, de maneira hobbesiana, vivem numa guerra permanente".
A queda do presidente François Bozizé, derrubado por uma ofensiva rebelde do grupo Seleka (Aliança) é mais um capítulo repetitivo na história de um país "pobre em infraestrutura, mas rico em diamantes e golpes de Estado", como definiu o jornal Cameroon Tribune, da vizinha República dos Camarões.
Se desta vez a tomada do poder foi menos sangrenta, os habitantes da capital, Bangui, temem represálias e as organizações de ajuda humanitária denunciam assassinatos, violações e saques.
Apesar da promessa do líder rebelde Michel Djotodia de formar um governo de união nacional e de não lançar uma "caça às bruxas", o novo regime pode ser ainda mais autoritário, teme o professor Andreas Mehler, do Instituto Alemão de Estudos Globais.
"É possível uma política menos inclusive, sobretudo em relação aos muçulmanos", adverte Mehler em entrevista à televisão árabe especializada em notícias Al Jazira. "Pelo menos alguns componentes da aliança rebelde têm essa proposta".
Com ironia, o jornal digital Slate Africa diz que, "por ora, a ditadura da Seleka vai bem", lembrando que Djotodia pretende governar por decreto até convocar eleições "dentro de dois a três anos".
Enquanto o presidente deposto e a família se refugiam na República Democrática do Congo, são aos 4,5 milhões de habitantes da República Centro-Africana que vão pagar o preço da forte instabilidade política e da ditadura.
Como nota o jornal Le Pays, de Burkina Fasso, os golpes de Estado não podem trazer nenhuma solução para os problemas que afligem a África: "A sociedade centro-africana é uma sociedade onde os indivíduos, de maneira hobbesiana, vivem numa guerra permanente".
segunda-feira, 25 de março de 2013
Líder rebelde se declara presidente centro-africano
O líder do grupo rebelde Seleka (Aliança), Michel Djotodia, que tomou ontem a capital da República Centro-Africana depois da fuga do ditador François Bozizé, se declarou presidente e prometeu formar um governo amplo.
As Nações Unidas e a União Africana condenaram a tomada violenta do poder. Os Estados Unidos, a França e o Chade pediram respeito ao acordo de paz negociado em janeiro em Libreville, a capital do Gabão.
"Respeitamos o acordo de Libreville", declarou Eric Massi, porta-voz dos rebeldes, por telefone, prometendo uma "transição política de dois a três anos antes de eleições. O atual primeiro-ministro fica no cargo e o ministério será levemente reformado".
Bangui, a capital do país, estava em relativa calma na manhã desta segunda-feira, depois de uma onda de saques no domingo.
A Seleka, uma aliança de cinco grupos rebeldes, lançou sua ofensiva na quinta-feira, depois de acusar o governo de ignorar o acordo fechado em janeiro. Pelo menos nove soldados sul-africanos de uma força de paz foram mortos, reporta a agência Reuters.
As Nações Unidas e a União Africana condenaram a tomada violenta do poder. Os Estados Unidos, a França e o Chade pediram respeito ao acordo de paz negociado em janeiro em Libreville, a capital do Gabão.
"Respeitamos o acordo de Libreville", declarou Eric Massi, porta-voz dos rebeldes, por telefone, prometendo uma "transição política de dois a três anos antes de eleições. O atual primeiro-ministro fica no cargo e o ministério será levemente reformado".
Bangui, a capital do país, estava em relativa calma na manhã desta segunda-feira, depois de uma onda de saques no domingo.
A Seleka, uma aliança de cinco grupos rebeldes, lançou sua ofensiva na quinta-feira, depois de acusar o governo de ignorar o acordo fechado em janeiro. Pelo menos nove soldados sul-africanos de uma força de paz foram mortos, reporta a agência Reuters.
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