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terça-feira, 21 de julho de 2026

Ditador anuncia que não haverá mais eleições na Nicarágua

Depois de prender todos os candidatos da oposição à última eleição presidencial, o ditador Daniel Ortega anunciou no domingo, durante a comemoração dos 47 anos da vitória da Revolução Sandinista, que não vai haver mais eleições na Nicarágua.

Daniel Ortega Saavedra era um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979. Foi presidente interino, foi eleito presidente em 1984 e perdeu a reeleição para Violeta Chamorro em 1990.

Desde que voltou ao poder em 2007, em aliança com o somozismo, nomeou juízes para ter uma Corte Suprema submissa que acabou com os limites à reeleição, reprimiu protestos da oposição com mais de 350 mortes em 2018 e 2019, prendeu e expulsou do país todos os candidatos oposicionistas à eleição de 2021, persegue a Igreja Católica e agora acabou com as eleições. A oposição pede apoio internacional para isolar a ditadura.

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sábado, 13 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com 5 navios e 164 homens, o corsário inglês Sir Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico. Termina por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Subcomandante da esquadra que derrota a Armada Invencível da Espanha em 1558, começa a trabalhar em 1368 como corsário (pirata real) para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que leva dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perde a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, rica em carvão, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estima que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condena Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares em 7 de setembro, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados em 1974.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walesa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika). Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266 por causa dos 25 votos eleitorais da Flórida.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020 e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral. Até hoje, depois de voltar à Casa Branca, ainda insiste na mentira que houve fraude.

"Aceito o resultado final, que será ratificado na segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1988, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança de mais de 34 países, inclusive muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait. Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade no fim da guerra, esperando apoio da aliança anti-Saddam. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador em 9 de abril, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa jamais são encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?"

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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Trump e Rubio querem derrubar regimes da Venezuela e de Cuba

O presidente Donald Trump reuniu o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos nesta noite para discutir os próximos passos do que parece uma tentativa de derrubar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e por tabela o regime comunista de Cuba.

Trump deu um ultimato em 21 de novembro. Pressionou Maduro a renunciar em uma semana. O ditador venezuelano aceitou, em princípio, a ideia de ir para o exílio, mas exigiu anistia para si, a familía e mais de 100 altos dirigentes venezuelanos.

Em agosto, os EUA começaram a enviar navios de guerra para perto da costa da Venezuela sob o pretexto de combater o tráfico de drogas. O maior navio de guerra do mundo, o porta-aviões Gerald Ford, chegou em novembro. Hoje, há 11 navios da Marinha com 15 mil soldados dos EUA a bordo.

É uma força-tarefa formidável. Indica que os objetivos de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, de origem cubana, vão muito além do narcotráfico. A Venezuela não é um dos países mais importantes no tráfico de drogas para os EUA. Mas é pouco provável uma invasão em larga escala, com uma operação terrestre. Morreriam muitos norte-americanos, o que provocaria uma forte reação interna nos EUA, inclusive dos partidários de Trump, que são isolacionistas. Não querem o país envolvido em guerras no exterior.

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com 5 navios e 164 homens, o corsário inglês Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico. Termina por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Em 1568, começa a trabalhar como corsário para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que levava dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perde a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estima que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condena Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares em 7 de setembro, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walesa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política e reforma econômica. Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020 e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral.

"Aceito o resultado final, que será ratificado segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1988, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança, inclusive com países muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait, mas Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador em 9 de abril, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa jamais são encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?" 

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anuncia vitória de Maduro

Depois de muita tensão e ataques de encapuçados a lugares de votação, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela acaba de anunciar a vitória do ditador Nicolás Maduro. Com 80% das urnas apuradas, supostamente Maduro recebeu 5.150.092 votos (51,2%) contra 4.496.978 (44,2%) para o oposicionista Edmundo González. É mais uma eleição fraudada pela ditadura chavista.

O CNE declarou que houve um ataque terrorista ao sistema de votação que será investigado. Maduro prometeu uma punição rigorosa. O alvo de sua ameaça é a líder oposicionista María Corina Machado, que era a favorita para ser a candidata da oposição, mas foi considerada inelegível pela Corte Suprema, conivente com a ditadura.

A oposição convocou o povo a sair às ruas pacificamente com toda a família para evitar uma repressão violenta e acusações do governo de que querem a violência, "É uma festa cívica", disse María Corina, e "ninguém leva a família para atos de violência".
 
O governo brasileiro, aliado da ditadura de Maduro, enviou o assessor de política internacional do Palácio do Planalto, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, como observador da eleição. Vamos ver qual a reação do governo Lula diante de mais uma farsa eleitoral na Venezuela.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Líder da oposição na Rússia morre no gulag do século 21

 Em mais um crime da ditadura de Vladimir Putin, o líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, morreu hoje aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus.

Navalny era advogado. Ganhou prestígio com um blog em que denunciava a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin teve mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, conseguiu reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaçou Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny foi candidato a prefeito de Moscou em 2013, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, foi envenado quando fazia campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou foi obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autorizou que ele fosse levado para tratamento em Berlim, que identificou a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny foi preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena foi revogada e a sentença foi de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, foi condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro do ano passado, Navalny desapareceu por quase três semanas e reapareceu numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny foi silenciado, no fim do comentário cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

  DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com cinco navios e 164 homens, o corsário inglês Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico, terminando por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Em 1568, começa a trabalhar como corsário para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que levava dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perda a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estimou que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condenou Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra barata, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walensa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política e reforma econômica. Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral.

"Aceito o resultado final, que será ratificado segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1990, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança, inclusive com países muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait, mas Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa nunca foram encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?"