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sábado, 13 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com 5 navios e 164 homens, o corsário inglês Sir Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico. Termina por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Subcomandante da esquadra que derrota a Armada Invencível da Espanha em 1558, começa a trabalhar em 1368 como corsário (pirata real) para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que leva dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perde a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, rica em carvão, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estima que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condena Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares em 7 de setembro, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados em 1974.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walesa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika). Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266 por causa dos 25 votos eleitorais da Flórida.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020 e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral. Até hoje, depois de voltar à Casa Branca, ainda insiste na mentira que houve fraude.

"Aceito o resultado final, que será ratificado na segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1988, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança de mais de 34 países, inclusive muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait. Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade no fim da guerra, esperando apoio da aliança anti-Saddam. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador em 9 de abril, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa jamais são encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?"

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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Setembro

 DRAKE COMPLETA VOLTA AO MUNDO

    Em 1580, ao ancorar em Plymouth, na Inglaterra, o navegador e corsário inglês Francis Drake se torna o primeiro comandante a completar a volta ao mundo, já que o português Fernão de Magalhães morre nas Filipinas na primeira viagem de circunavegação da Terra (1520-21), completada por seu subcomandante, Juan Sebastián Elcano.

Drake sai da Inglaterra em 13 de dezembro de 1577 para saquear colônias da Espanha no Oceano Pacífico. Dos cinco navios, só um, o Golden Hind, atravessa o Estreito de Magalhães, ataca as colônias espanholas da costa do Oceano Pacífico da América do Sul e segue rumo à América do Norte em busca de uma passagem ao norte para voltar ao Oceano Atlântico.

Golden Hind vai até a altura de onde fica hoje o estado de Washington, nos Estados Unidos, e antes de atravessar o Pacífico para perto da Baía de São Francisco para reparos. Drake chama o local de Nova Albion. É o primeiro a reivindicar para a coroa da Inglaterra a soberania sobre o que é hoje parte dos EUA.

Ao visitar seu navio em 1581, a rainha Elizabeth I o ordena cavaleiro. Drake é um dos comandantes responsáveis pela vitória sobre a Armada Invencível da Espanha, em 1588.

SANTA ALIANÇA

    Em 1815, depois da derrota final de Napoleão Bonaparte, a Áustria, a Prússia e a Rússia formam a Santa Aliança para restaurar as monarquias europeias atacadas pelo imperador da França.

O czar Alexandre I, da Rússia, o imperador Francisco I, da Áustria, e o rei Frederico Guilherme III, da Prússia, formam a aliança em Paris, enquanto negociam a paz com a França, com o objetivo de restaurar os antigos regimes monárquicos baseados nos valores cristãos e em privilégios feudais.

A Santa Aliança é uma consequência do Congresso de Viena, realizado de 18 de setembro de 1814 a 9 de junho de 1815, nove dias antes da derrota de Napoleão em Waterloo, na Bélgica. 

Todos os reis da Europa aderem, menos o príncipe-regente do Reino Unido, o futuro George IV, o papa e o sultão do Império Otomano. Para grandes diplomatas da época, como o príncipe Klemens von Metternich, da Áustria, e o Visconde de Castelreagh, secretário de Estado do Reino Unido, a Santa Aliança é irrelevante e efêmera, mas é um embrião de organizações internacionais.

PRIMEIRO DEBATE PRESIDENCIAL NA TV

    Em 1960, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon fazem em Chicago o primeiro debate na televisão de dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos. 

Kennedy é considerado vencedor por ficar mais a vontade diante das câmeras, enquanto Nixon não usa maquiagem e parece nervoso. 

O sociólogo canadense Marshall McLuhan, o papa da comunicação, observa que Kennedy parecia o xerife simpático e bonachão de uma pequena cidade do interior, enquanto Nixon agia como o advogado da companhia ferroviária que vai ferrar a cidade.

Nixon teria saído um pouco melhor no segundo e no terceiro debates. O quarto e último é em 21 de outubro.

Em 8 de novembro, JFK vence a eleição com 34.220.984 votos (49,7%) contra 34.108.157 (49,6%) de Nixon e por 303-219 no Colégio Eleitoral.

Com o assassinato de Kennedy, em 22 de novembro de 1963, assume a Presidência o vice-presidente Lyndon Johnson, que se nega a debater na TV na eleição de 1964. 

Por causa de sua impopularidade causada pela Guerra do Vietnã, Johnson desiste de disputar a reeleição em 1968.  O favorito é Robert Kennedy, baleado mortalmente em 5 de junho, no dia em que garante a indicação ao vencer a eleição primária da Califórnia.

Nixon é o candidato do Partido Republicano e se nega a debater com o democrata Hubert Humphrey. Os debates voltam em 1976, quando Gerald Ford, o único presidente não eleito numa chapa presidencial nos EUA (é presidente da Câmara quando Nixon renuncia; o vice-presidente Spiro Agnew havia sido afastado por corrupção), perde a reeleição para o ex-governador democrata da Geórgia Jimmy Carter.

Nos debates entre Carter e Ronald Reagan, em 1980, o republicano repete várias frases de Kennedy, como "déficits não importam" e "se você está melhor de vida do que oito anos atrás, vote nele; se não melhorou, me dê uma chance." E vence Carter, abatido pela inflação e pela crise dos reféns na Embaixada dos EUA no Irã.

ÚLTIMO DOS BEATLES

    Em 1969, The Beatles lançam o excelente Abbey Road, o último disco que gravaram. Let it be, gravado antes, é lançado em 1970, quando a banda se dissolve.

John Lennon e Paul McCartney, dois garotos de classe média de Liverpool, um porto decadente por causa do declínio do comércio transatlântico, mas que recebe discos de rock dos Estados Unidos, começam a tocar juntos em 1957. George Harrison entra para a banda no fim do ano.

De 1960 a 1962, os Beatles tocam em Hamburgo, na Alemanha. No outono de 1961, Brian Epstein, gerente de uma loja de discos de Liverpool, vê a banda, decide se tornar empresário do grupo e bombardeia as gravadoras com cartas e fitas gravadas dos Beatles.

Depois de muito insistir, Epstein consegue um contrato com a Parlaphone, uma subsidiária da EMI, onde o produtor é George Martin, um músico de formação clássica. Sugere a contratação de um baterista melhor, Ringo Starr, e muda o arranjo do segundo compacto dos Beatles, Please Please Me, de um lamento para um ritmo forte, animado e positivo, para cima.

Na primavera de 1963, o Reino Unido estava tomado pela Beatlemania, que desembarca nos EUA no início de 1964. Os Beatles são a banda que mais vende discos na história, com total estimado em 500 milhões.

GUERRA NUCLEAR EVITADA

    Em 1983, o tenente-coronel soviético Stanislav Petrov decide que um alerta de computador sobre um ataque de mísseis dos Estados Unidos contra a União Soviética é falso. Assim, evita a deflagração de uma guerra nuclear.

Stanislav Yevgrafovich Petrov nasceu em 7 de setembro de 1939 em Vladivostok, no extremo leste da Rússia. Filho de um piloto que lutou na Segunda Guerra Mundial (1939-45), cresce num lar abusivo, mas "com a sensibilidade de um artista", na visão do escritor e historiador Dan McEwen.

Seus pais o obrigam a entrar para as Forças Armadas, onde os oficiais encarregados do treinamento percebem seu talento e criatividade. Stanislav vai para o Colégio Superior de Engenharia Radiotécnica, da Força Aérea, em Kiev, na Ucrânia. Quando se forma, vira pesquisador de defesa aérea da Força Aérea.

Na noite calma de 26 de setembro de 1983, a Lua quase cheia ilumina com luz pálida a base de Surpukhov-15, uma pequena vila militar a 130 quilômetros ao sul de Moscou. Duas semanas antes, a União Soviética abate um Boeing 747 da companhia South Korea Air e mata todas as 269 pessoas a bordo, inclusive um deputado do Congresso dos EUA.

O tenente-coronel Petrov está no controle do computador quando toca uma sirene e a tela fica vermelha. Em segundos, ele percebe que é um alerta de lançamento de mísseis. Quinze segundos depois, outro aviso: são cinco mísseis nucleares disparados de uma base norte-americana em Dakota do Norte.

Ele estima em 50% a probabilidade de ser um ataque nuclear verdadeiro e decide caracterizar como um alarme falso. Em entrevista à revista Time, em 2015, declara que "não queria ser responsável por começar a Terceira Guerra Mundial", mas falando em 2013 à rádio e televisão britânica BBC admite que "ninguém seria capaz de corrigir meu erro, se eu tivesse errado."

Petrov é o único homem da base com educação civil. Todos os outros são soldados profissionais acostumados e dar e receber ordens. Se outro estivesse no computador, poderia ter dado o alerta geral. 

É outro oficial soviético que evita uma tragédia nuclear. Durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em 27 de outubro de 1962, o comandante de um submarino soviético está pronto a disparar um torpedo nuclear contra um navio dos EUA que faz um bloqueio aeronaval a Cuba, quando Vassili Arkhipov o impede.

Pela doutrina nuclear soviética, o disparo tem de ser autorizado pelos três altos oficiais a bordo. Arkhipov alega que o submarino não está sob ataque.

Quando a URSS derruba o avião sul-coreano perto das Ilhas Sakhalina, em 1º de setembro de 1983, no auge da Segunda Guerra Fria, sem conseguir autorização direta com Moscou, o militar que abate o Jumbo é orientado a "seguir o manual". 

Numa era de inteligência militar, siga o manual pode ser o início de uma guerra total.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com 5 navios e 164 homens, o corsário inglês Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico. Termina por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Em 1568, começa a trabalhar como corsário para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que levava dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perde a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estima que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condena Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares em 7 de setembro, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walesa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política e reforma econômica. Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020 e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral.

"Aceito o resultado final, que será ratificado segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1988, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança, inclusive com países muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait, mas Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador em 9 de abril, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa jamais são encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?" 

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Setembro

DRAKE COMPLETA VOLTA AO MUNDO

    Em 1580, ao ancorar em Plymouth, na Inglaterra, o navegador e corsário inglês Francis Drake se torna o primeiro comandante a completar a volta ao mundo, já que o português Fernão de Magalhães morre nas Filipinas na primeira viagem de circunavegação da Terra (1520-21), completada por seu subcomandante, Juan Sebastián Elcano.

Drake sai da Inglaterra em 13 de dezembro de 1577 para saquear colônias da Espanha no Oceano Pacífico. Dos cinco navios, só um, o Golden Hind, atravessa o Estreito de Magalhães, ataca as colônias espanholas da costa do Oceano Pacífico da América do Sul e segue rumo à América do Norte em busca de uma passagem ao norte para voltar ao Oceano Atlântico.

Golden Hind vai até a altura de onde fica hoje o estado de Washington, nos Estados Unidos, e antes de atravessar o Pacífico para perto da Baía de São Francisco para reparos. Drake chama o local de Nova Albion. É o primeiro a reivindicar para a coroa da Inglaterra a soberania sobre o que é hoje parte dos EUA.

Ao visitar seu navio em 1581, a rainha Elizabeth I o ordena cavaleiro. Drake é um dos comandantes responsáveis pela vitória sobre a Armada Invencível da Espanha, em 1588.

SANTA ALIANÇA

    Em 1815, depois da derrota final de Napoleão Bonaparte, a Áustria, a Prússia e a Rússia formam a Santa Aliança para restaurar as monarquias europeias atacadas pelo imperador da França.

O czar Alexandre I, da Rússia, o imperador Francisco I, da Áustria, e o rei Frederico Guilherme III, da Prússia, formam a aliança em Paris, enquanto negociam a paz com a França, com o objetivo de restaurar os antigos regimes monárquicos baseados nos valores cristãos e em privilégios feudais.

A Santa Aliança é uma consequência do Congresso de Viena, realizado de 18 de setembro de 1814 a 9 de junho de 1815, nove dias antes da derrota de Napoleão em Waterloo, na Bélgica. 

Todos os reis da Europa aderem, menos o príncipe-regente do Reino Unido, o futuro George IV, o papa e o sultão do Império Otomano. Para grandes diplomatas da época, como o príncipe Klemens von Metternich, da Áustria, e o Visconde de Castelreagh, secretário de Estado do Reino Unido, a Santa Aliança é irrelevante e efêmera, mas é um embrião de organizações internacionais.

PRIMEIRO DEBATE PRESIDENCIAL NA TV

    Em 1960, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon fazem em Chicago o primeiro debate na televisão de dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos. 

Kennedy é considerado vencedor por ficar mais a vontade diante das câmeras, enquanto Nixon não usa maquiagem e parece nervoso. 

O sociólogo canadense Marshall McLuhan, o papa da comunicação, observa que Kennedy parecia o xerife simpático e bonachão de uma pequena cidade do interior, enquanto Nixon agia como o advogado da companhia ferroviária que vai ferrar a cidade.

Nixon teria saído um pouco melhor no segundo e no terceiro debates. O quarto e último é em 21 de outubro.

Em 8 de novembro, JFK vence a eleição com 34.220.984 votos (49,7%) contra 34.108.157 (49,6%) de Nixon e por 303-219 no Colégio Eleitoral.

Com o assassinato de Kennedy, em 22 de novembro de 1963, assume a Presidência o vice-presidente Lyndon Johnson, que se nega a debater na TV na eleição de 1964. 

Por causa de sua impopularidade causada pela Guerra do Vietnã, Johnson desiste de disputar a reeleição em 1968.  O favorito é Robert Kennedy, baleado mortalmente em 5 de junho, no dia em que garante a indicação ao vencer a eleição primária da Califórnia.

Nixon é o candidato do Partido Republicano e se nega a debater com o democrata Hubert Humphrey. Os debates voltam em 1976, quando Gerald Ford, o único presidente não eleito (é presidente da Câmara quando Nixon renuncia), perde a reeleição para o ex-governador democrata da Geórgia Jimmy Carter.

Nos debates entre Carter e Ronald Reagan, em 1980, o republicano repete várias frases de Kennedy, como "déficits não importam" e "se você está melhor de vida do que oito anos atrás, vote nele; se não melhorou, me dê uma chance." E vence Carter, abatido pela inflação e pela crise dos reféns na Embaixada dos EUA no Irã.

ÚLTIMO DOS BEATLES

    Em 1969, The Beatles lançam o excelente Abbey Road, o último disco que gravaram. Let it be, gravado antes, é lançado em 1970, quando a banda se dissolve.

John Lennon e Paul McCartney, dois garotos de classe média de Liverpool, um porto decadente por causa do declínio do comércio transatlântico, mas que recebe discos de rock dos Estados Unidos, começam a tocar juntos em 1957. George Harrison entra para a banda no fim do ano.

De 1960 a 1962, os Beatles tocam em Hamburgo, na Alemanha. No outono de 1961, Brian Epstein, gerente de uma loja de discos de Liverpool, vê a banda, decide se tornar empresário do grupo e bombardeia as gravadoras com cartas e fitas gravadas dos Beatles.

Depois de muito insistir, Epstein consegue um contrato com a Parlaphone, uma subsidiária da EMI, onde o produtor é George Martin, um músico de formação clássica. Sugere a contratação de um baterista melhor, Ringo Starr, e muda o arranjo do segundo compacto dos Beatles, Please Please Me, de um lamento para um ritmo forte, animado e positivo, para cima.

Na primavera de 1963, o Reino Unido estava tomado pela Beatlemania, que desembarca nos EUA no início de 1964. Os Beatles são a banda que mais vende discos na história, com total estimado em 500 milhões.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

  DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com cinco navios e 164 homens, o corsário inglês Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico, terminando por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Em 1568, começa a trabalhar como corsário para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que levava dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perda a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estimou que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condenou Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra barata, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walensa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política e reforma econômica. Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral.

"Aceito o resultado final, que será ratificado segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1990, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança, inclusive com países muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait, mas Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa nunca foram encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?"