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terça-feira, 21 de julho de 2026

Ditador anuncia que não haverá mais eleições na Nicarágua

Depois de prender todos os candidatos da oposição à última eleição presidencial, o ditador Daniel Ortega anunciou no domingo, durante a comemoração dos 47 anos da vitória da Revolução Sandinista, que não vai haver mais eleições na Nicarágua.

Daniel Ortega Saavedra era um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979. Foi presidente interino, foi eleito presidente em 1984 e perdeu a reeleição para Violeta Chamorro em 1990.

Desde que voltou ao poder em 2007, em aliança com o somozismo, nomeou juízes para ter uma Corte Suprema submissa que acabou com os limites à reeleição, reprimiu protestos da oposição com mais de 350 mortes em 2018 e 2019, prendeu e expulsou do país todos os candidatos oposicionistas à eleição de 2021, persegue a Igreja Católica e agora acabou com as eleições. A oposição pede apoio internacional para isolar a ditadura.

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domingo, 19 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Julho

QUEDA DE LADY JANE

    Em 1553, nove dias depois de se tornar rainha da Inglaterra, Lady Jane Grey é deposta para dar o trono a sua prima Maria Tudor. Aos 15 anos, bonita e inteligente, Lady Jane hesita antes de aceitar a coroa que lhe custaria a vida.

Lady Jane é bisneta de Henrique VII, que funda a Dinastia Tudor ao ascender ao trono depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 agosto de 1485, pondo fim à Guerra das Duas Rosas (1455-85), e prima do rei Eduardo VI, o herdeiro homem com que Henrique VIII tanto sonhava.

Eduardo VI é fraco. Reina apenas seis anos. Quando pega tuberculose e está mal, o sogro de Lady Jane convence o rei a indicá-la como sucessora por ser protestante, ao contrário de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, da família real da Espanha.

Quando Eduardo VI morre, em 6 de julho de 1553, quatro dias depois Lady Jane é proclamada rainha da Inglaterra. Dois dias depois, o sogro John Dudley parte para enfrentar o exército de Maria Tudor. Durante sua ausência, o Conselho Real destitui Lady Jane e declara Maria I como rainha da Inglaterra.

O sogro é executado em 23 de agosto. A rainha breve e o marido são poupados por serem jovens. No início de 1554, o pai de Lady Jane, Henry Grey, lidera uma revolta contra Maria I, que anunciara casamento com Felipe II, da Espanha.

Para esmagar a revolta, em 12 de fevereiro, Lady Gray e o marido, Guilford Dudley, são executados na Torre de Londres, onde havia sido executada Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I, a rainha protestante que destrona a meia-irmã católica Maria I em 1558.

DESCOBERTA PEDRA DA ROSETA

     Em 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, um soldado do Exército da França descobre a 50 quilômetros a leste de Alexandria a Pedra da Roseta, que permite ao filólogo Jean-François Champollion decifrar a escrita hieroglífica do Egito Antigo.

Quando Napoleão invade o Egito, em 1798, leva consigo uma equipe de historiadores e acadêmicos para roubar tesouros culturais para a França. A pedra, encontrada perto da cidade de Roseta, tem inscrições em três línguas: grego, egípcio hieroglífico e egípcio comum.

Os gregos dizem que a Pedra da Roseta foi gravada em homenagem ao rei Ptolomeu V no século 2 antes de Cristo. O texto em grego informa que os outros são exatamente iguais. Assim, seria possível decifrar os hieróglifos, um segredo de 2 mil anos.

Ao derrotar os franceses, em 1801, os britânicos tomam a Pedra da Roseta, que está no Museu Britânico, em Londres. Hoje o Egito reivindica a devolução dos tesouros roubados pelo imperialismo europeu.

DIREITOS DAS MULHERES

    Em 1848, a Convenção sobre os Direitos das Mulheres, realizada em Seneca Falls, no estado de Nova York, lança o movimento pela voto feminino nos Estados Unidos.

A iniciativa é de Elizabeth Cady Stanton, que cede a casa em Seneca Falls, e Lucretia Mott. Desde que foram excluídas da Convenção Mundial contra a Escravidão, realizada em Londres em 1840, elas decidem lutar pelos direitos das mulheres.

A convenção aprova 12 resoluções, 11 por unanimidade. A 9ª resolução, que reivindica o direito de voto, entra por exigência de Elizabeth Stanton, passa por margem estreita e é usada para ridicularizar a convenção e reduzir o apoio aos direitos das mulheres. É a origem do movimento que leva à introdução do voto feminino pela 19ª Emenda à Constituição dos EUA, em 1920.

FAMA DE GRANDE ATIRADOR

    Em 1879, Doc Holliday mata pela primeira vez durante um tiroteio no Novo México. 

Apesar de sua tremenda fama como grande atirador, Holliday, um médico, se envolve ao todo em apenas mais um tiroteio e só mata dois homens comprovadamente.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO SANDINISTA 

    Em 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o poder em Manágua, acabando com décadas de ditadura da família Somoza na Nicarágua, que estava no poder desde 1932. 

A vitória é resultado de uma luta guerrilheira iniciada com o assassinato do ditador Anastasio Somoza García, em 1956, sucedido pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, que morreria em 1967.

O poder passa então a outro filho de Somoza García, Anastasio Somoza Debayle. A FSLN nasce no início dos anos 1960, sob a inspiração da Guerra Civil Espanhola e da Revolução Cubana.

Quando toma o poder, o comandante Daniel Ortega se torna presidente e governa a Nicarágua com a Junta dos Nove Comandantes até perder a eleição de 1990 para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, cujo assassinato em 1978 aumenta a revolta contra a ditadura somozista.

Ortega volta à Presidência em 2007 com o apoio do somozismo e não larga mais. É o novo Somoza. Com uma Corte Suprema submissa, conquista o direito de se candidatar quantas vezes quiser. Em 2018, esmaga uma revolta popular com mais de 350 mortes. Em 2021, manda prender seis candidatos em potencial da oposição na eleição presidencial de 7 de novembro. Outro foge do país. 

Em 23 de fevereiro de 2023, um tribunal da Nicarágua expulsa do país 222 opositores que estavam presos.

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sábado, 19 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Julho

 QUEDA DE LADY JANE

    Em 1553, nove dias depois de se tornar rainha da Inglaterra, Lady Jane Grey é deposta para dar o trono a sua prima Maria Tudor. Aos 15 anos, bonita e inteligente, Lady Jane hesita antes de aceitar a coroa que lhe custaria a vida.

Lady Jane é bisneta de Henrique VII, que funda a Dinastia Tudor ao ascender ao trono depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 agosto de 1485, pondo fim à Guerra das Duas Rosas (1455-85), e prima do rei Eduardo VI, o herdeiro homem com que Henrique VIII tanto sonhava.

Eduardo VI é fraco. Reina apenas seis anos. Quando pega tuberculose e está mal, o sogro de Lady Jane convence o rei a indicá-la como sucessora por ser protestante, ao contrário de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, da família real da Espanha.

Quando Eduardo VI morre, em 6 de julho de 1553, quatro dias depois Lady Jane é proclamada rainha da Inglaterra. Dois dias depois, o sogro John Dudley parte para enfrentar o exército de Maria Tudor. Durante sua ausência, o Conselho Real destitui Lady Jane e declara Maria I como rainha da Inglaterra.

O sogro é executado em 23 de agosto. A rainha breve e o marido são poupados por serem jovens. No início de 1554, o pai de Lady Jane, Henry Grey, lidera uma revolta contra Maria I, que anunciara casamento com Felipe II, da Espanha.

Para esmagar a revolta, em 12 de fevereiro, Lady Gray e o marido, Guilford Dudley, são executados na Torre de Londres, onde havia sido executada Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I, a rainha protestante que destrona a meia-irmã católica Maria I em 1558.

DESCOBERTA PEDRA DA ROSETA

     Em 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, um soldado do Exército da França descobre a 50 quilômetros a leste de Alexandria a Pedra da Roseta, que permite ao filólogo Jean-François Champollion decifrar a escrita hieroglífica do Egito Antigo.

Quando Napoleão invade o Egito, em 1798, leva consigo uma equipe de historiadores e acadêmicos para roubar tesouros culturais para a França. A pedra, encontrada perto da cidade de Roseta, tem inscrições em três línguas: grego, egípcio hieroglífico e egípcio comum.

Os gregos dizem que a Pedra da Roseta foi gravada em homenagem ao rei Ptolomeu V no século 2 antes de Cristo. O texto em grego informa que os outros são exatamente iguais. Assim, seria possível decifrar os hieróglifos, um segredo de 2 mil anos.

Ao derrotar os franceses, em 1801, os britânicos tomam a Pedra da Roseta, que está no Museu Britânico, em Londres. Hoje o Egito reivindica a devolução dos tesouros roubados pelo imperialismo europeu.

DIREITOS DAS MULHERES

    Em 1848, a Convenção sobre os Direitos das Mulheres, realizada em Seneca Falls, no estado de Nova York, lança o movimento pela voto feminino nos Estados Unidos.

A iniciativa é de Elizabeth Cady Stanton, que cede a casa em Seneca Falls, e Lucretia Mott. Desde que foram excluídas da Convenção Mundial contra a Escravidão, realizada em Londres em 1840, elas decidem lutar pelos direitos das mulheres.

A convenção aprova 12 resoluções, 11 por unanimidade. A 9ª resolução, que reivindica o direito de voto, entra por exigência de Elizabeth Stanton, passa por margem estreita e é usada para ridicularizar a convenção e reduzir o apoio aos direitos das mulheres. É a origem do movimento que leva à introdução do voto feminino pela 19ª Emenda à Constituição dos EUA, em 1920.

FAMA DE GRANDE ATIRADOR

    Em 1879, Doc Holliday mata pela primeira vez durante um tiroteio no Novo México. 

Apesar de sua tremenda fama como grande atirador, Holliday se envolve ao todo em apenas mais um tiroteio e só mata dois homens comprovadamente.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO SANDINISTA 

    Em 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o poder em Manágua, acabando com décadas de ditadura da família Somoza na Nicarágua, que estava no poder desde 1932. 

A vitória é resultado de uma luta guerrilheira iniciada com o assassinato do ditador Anastasio Somoza García, em 1956, sucedido pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, que morreria em 1967.

O poder passa então a outro filho de Somoza García, Anastasio Somoza Debayle. A FSLN nasce no início dos anos 1960, sob a inspiração da Guerra Civil Espanhola e da Revolução Cubana.

Quando toma o poder, o comandante Daniel Ortega se torna presidente e governa a Nicarágua com a Junta dos Nove Comandantes até perder a eleição de 1990 para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, cujo assassinato em 1978 aumentara a revolta contra a ditadura somozista.

Ortega volta à Presidência em 2007 com o apoio do somozismo e não larga mais. É o novo Somoza. Com uma Corte Suprema submissa, conquista o direito de se candidatar quantas vezes quiser. Em 2018, esmaga uma revolta popular com mais de 320 mortes. Em 2021, manda prender seis candidatos em potencial da oposição na eleição presidencial de 7 de novembro. Outro foge do país. 

Em 23 de fevereiro de 2023, um tribunal da Nicarágua expulsa do país 222 opositores que estavam presos.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 19 de Julho

 QUEDA DE LADY JANE

    Em 1553, nove dias depois de se tornar rainha da Inglaterra, Lady Jane Grey é deposta para dar o trono a sua prima Maria Tudor. Aos 15 anos, bonita e inteligente, Lady Jane hesita antes de aceitar a coroa que lhe custaria a vida.

Lady Jane é bisneta de Henrique VII, que funda a Dinastia Tudor ao ascender ao trono depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 agosto de 1485, pondo fim à Guerra das Duas Rosas (1455-85), e prima do rei Eduardo VI, o herdeiro homem com que Henrique VIII tanto sonhava.

Eduardo VI é fraco. Reina apenas seis anos. Quando pega tuberculose e está mal, o sogro de Lady Jane convence o rei a indicá-la como sucessora por ser protestante, ao contrário de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, da família real da Espanha.

Quando Eduardo VI morre, em 6 de julho de 1553, quatro dias depois Lady Jane é proclamada rainha da Inglaterra. Dois dias depois, o sogro John Dudley parte para enfrentar o exército de Maria Tudor. Durante sua ausência, o Conselho Real destitui Lady Jane e declara Maria I como rainha da Inglaterra.

O sogro é executado em 23 de agosto. A rainha breve e o marido são poupados por serem jovens. No início de 1554, o pai de Lady Jane, Henry Grey, lidera uma revolta contra Maria I, que anunciara casamento com Felipe II, da Espanha.

Para esmagar a revolta, em 12 de fevereiro, Lady Gray e o marido, Guilford Dudley, são executados na Torre de Londres, onde havia sido executada Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I, a rainha protestante que destrona a meia-irmã católica Maria I em 1558.

DESCOBERTA PEDRA DA ROSETA

     Em 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, um soldado do Exército da França descobre a 50 quilômetros a leste de Alexandria a Pedra da Roseta, que permite ao filólogo Jean-François Champollion decifrar a escrita hieroglífica do Egito Antigo.

Quando Napoleão invade o Egito, em 1798, leva consigo uma equipe de historiadores e acadêmicos para roubar tesouros culturais para a França. A pedra, encontrada perto da cidade de Roseta, tem inscrições em três línguas: grego, egípcio hieroglífico e egípcio comum.

Os gregos dizem que a Pedra da Roseta foi gravada em homenagem ao rei Ptolomeu V no século 2 antes de Cristo. O texto em grego informa que os outros são exatamente iguais. Assim, seria possível decifrar os hieróglifos, um segredo de 2 mil anos.

Ao derrotar os franceses, em 1801, os britânicos tomam a Pedra da Roseta, que está no Museu Britânico, em Londres. Hoje o Egito reivindica a devolução dos tesouros roubados pelo imperialismo europeu.

DIREITOS DAS MULHERES

    Em 1848, a Convenção sobre os Direitos das Mulheres, realizada em Seneca Falls, no estado de Nova York, lança o movimento pela voto feminino nos Estados Unidos.

A iniciativa é de Elizabeth Cady Stanton, que cede a casa em Seneca Falls, e Lucretia Mott. Desque foram excluídas da Convenção Mundial contra a Escravidão, realizada em Londres em 1840, elas decidem lutar pelos direitos das mulheres.

A convenção aprova 12 resoluções, 11 por unanimidade. A 9ª resolução, que reivindica o direito de voto, entra por exigência de Elizabeth Stanton, passa por margem estreita e é usada para ridicularizar a convenção e reduzir o apoio aos direitos das mulheres. É a origem do movimento que leva à introdução do voto feminino pela 19ª Emenda à Constituição dos EUA, em 1920.

FAMA DE GRANDE ATIRADOR

    Em 1879, Doc Holliday mata pela primeira vez durante um tiroteio no Novo México. 

Apesar de sua tremenda fama como grande atirador, Holliday se envolve ao todo em apenas mais um tiroteio e só mata dois homens comprovadamente.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO SANDINISTA 

    Em 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o poder em Manágua, acabando com décadas de ditadura da família Somoza na Nicarágua, que estava no poder desde 1932. 

A vitória é resultado de uma luta guerrilheira iniciada com o assassinato do ditador Anastasio Somoza García, em 1956, sucedido pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, que morreria em 1967.

O poder passa então a outro filho de Somoza García, Anastasio Somoza Debayle. A FSLN nasce no início dos anos 1960, sob a inspiração da Guerra Civil Espanhola e da Revolução Cubana.

Quando toma o poder, o comandante Daniel Ortega se torna presidente e governa a Nicarágua com a Junta dos Nove Comandantes até perder a eleição de 1990 para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, cujo assassinato em 1978 aumentara a revolta contra a ditadura somozista.

Ortega volta à Presidência em 2007 com o apoio do somozismo e não larga mais. É o novo Somoza. Com uma Corte Suprema submissa, conquista o direito de se candidatar quantas vezes quiser. Em 2018, esmaga uma revolta popular com mais de 320 mortes. Em 2021, manda prender seis candidatos em potencial da oposição na eleição presidencial de 7 de novembro. Outro foge do país. 

Em 23 de fevereiro de 2023, um tribunal da Nicarágua expulsa do país 222 opositores que estavam presos.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Hoje na História do Mundo: 19 de Julho

QUEDA DE LADY JANE

    Em 1553, nove dias depois de se tornar rainha da Inglaterra, Lady Jane Grey é deposta para dar o trono a sua prima Maria Tudor. Aos 15 anos, bonita e inteligente, Lady Jane hesita antes de aceitar a coroa que lhe custaria a vida.

Lady Jane era bisneta de Henrique VII, que fundou a Dinastia Tudor ao ascender ao trono depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 agosto de 1485, pondo fim à Guerra das Duas Rosas (1455-85), e prima do rei Eduardo VI, o herdeiro homem com que Henrique VIII tanto sonhava.

Eduardo VI é fraco. Reina apenas seis anos. Quando pega tuberculose e está mal, o sogro de Lady Jane convence o rei a indicá-la como sucessora por ser protestante, ao contrário de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, da família real da Espanha.

Quando Eduardo VI morre, em 6 de julho de 1553, quatro dias depois Lady Jane é proclamada rainha da Inglaterra. Dois dias depois, o sogro John Dudley parte para enfrentar o exército de Maria Tudor. Durante sua ausência, o Conselho Real destitui Lady Jane e declara Maria I como rainha da Inglaterra.

O sogro é executado em 23 de agosto. A rainha breve e o marido são poupados por serem jovens. No início de 1554, o pai de Lady Jane, Henry Grey, lidera uma revolta contra Maria I, que anunciara casamento com Felipe II, da Espanha.

Para esmagar a revolta, em 12 de fevereiro, Lady Gray e o marido, Guilford Dudley, são executados na Torre de Londres, onde havia sido executada Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I, a rainha protestante que destrona a meia-irmã católica Maria I em 1558.

DESCOBERTA PEDRA DA ROSETA

     Em 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, um soldado do Exército da França descobre a 50 quilômetros a leste de Alexandria a Pedra da Roseta, que permite ao filólogo Jean-François Champollion decifrar a escrita hieroglífica do Egito Antigo.

Quando Napoleão invade o Egito, em 1798, leva consigo uma equipe de historiadores e acadêmicos para roubar tesouros culturais para a França. A pedra, encontrada perto da cidade de Roseta, tem inscrições em três línguas: grego, egípcio hieroglífico e egípcio comum.

Os gregos dizem que a Pedra da Roseta foi gravada em homenagem ao rei Ptolomeu V no século 2 antes de Cristo. O texto em grego informa que os outros são exatamente iguais. Assim, seria possível decifrar os hieróglifos, um segredo de 2 mil anos.

Ao derrotar os franceses, em 1801, os britânicos tomaram a Pedra da Roseta, que está hoje no Museu Britânico, em Londres. Hoje o Egito reivindica a devolução dos tesouros roubados pelo imperialismo europeu.

FAMA DE GRANDE ATIRADOR

    Em 1879, Doc Holliday mata pela primeira vez durante um tiroteio no Novo México. 

Apesar de sua tremenda fama como grande atirador, Holliday se envolve ao todo em apenas mais um tiroteio e só mata dois homens comprovadamente.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO SANDINISTA 

    Em 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o poder em Manágua, acabando com décadas de ditadura da família Somoza na Nicarágua, que estava no poder desde 1932. 

A vitória é resultado de uma luta guerrilheira iniciada com o assassinato do ditador Anastasio Somoza García, em 1956, sucedido pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, que morreria em 1967.

O poder passa então outro filho de Somoza García, Anastasio Somoza Debayle. A FSLN nasce no início dos anos 1960, sob a inspiração da Guerra Civil Espanhola e da Revolução Cubana.

Quando toma o poder, o comandante Daniel Ortega se torna presidente e governo a Nicarágua com a Junta dos Nove Comandantes até perder a eleição de 1990 para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, cujo assassinato em 1978 aumentara a revolta contra a ditadura somozista.

Ortega volta à Presidência em 2007 com o apoio do somozismo e não larga mais. É o novo Somoza. Com uma Corte Suprema submissa, conquista o direito de se candidatar quantas vezes quiser. Em 2018, esmaga uma revolta popular com mais de 320 mortes. Em 2021, manda prender seis candidatos em potencial da oposição na eleição presidencial de 7 de novembro. Outro foge do país. 

Em 23 de fevereiro de 2023, um tribunal da Nicarágua expulsou do país 222 opositores que estavam presos.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Hoje na História do Mundo: 19 de Julho

QUEDA DE LADY JANE

    Em 1553, nove dias depois de se tornar rainha da Inglaterra, Lady Jane Grey é deposta para dar o trono a sua prima Maria TudorAos 15 anos, bonita e inteligente, Lady Jane hesita antes de aceitar a coroa que lhe custaria a vida.

Lady Jane era bisneta de Henrique VII, que fundou a Dinastia Tudor ao ascender ao trono depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 agosto de 1485, pondo fim à Guerra das Duas Rosas (1455-85), e prima do rei Eduardo VI, o herdeiro homem com que Henrique VIII tanto sonhava.

Eduardo VI era fraco. Reinou apenas seis anos. Quando pega tuberculose e está mal, o sogro de Lady Jane convence o rei a indicá-la como sucessora por ser protestante, ao contrário de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, da dinastia real da Espanha.

Quando Eduardo VI morre, em 6 de julho de 1553, quatro dias depois Lady Jane é proclamada rainha da Inglaterra. Dois dias depois, o sogro John Dudley parte para enfrentar o exército de Maria Tudor. Durante sua ausência, o Conselho Real destitui Lady Jane e declara Maria I como rainha da Inglaterra.

O sogro foi executado em 23 de agosto. A rainha breve e o marido são poupados por serem jovens. No início de 1554, o pai de Lady Jane, Henry Grey, lidera uma revolta contra Maria I, que anunciara casamento com Felipe II, da Espanha.

Para esmagar a revolta, em 12 de fevereiro, Lady Gray e o marido, Guilford Dudley, foram executados na Torre de Londres, onde havia sido executada Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I, a rainha protestante que destronaria a meia-irmã católica Maria I.

DESCOBERTA PEDRA DA ROSETA

     Em 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, um soldado do Exército da França descobre a 50 quilômetros a leste de Alexandria a Pedra da Roseta, que permitiu decifrar a escrita hieroglífica do Egito Antigo. A pedra, encontrada perto da cidade de Roseta, tinha inscrições em três línguas: grego, egípcio hieroglífico e egípcio comum.

Os gregos dizem que a Pedra da Roseta foi gravada em homenagem ao rei Ptolomeu V no século 2 antes de Cristo. O texto em grego informava que os outros são exatamente iguais. Assim, seria possível decifrar os hieróglifos, um segredo de 2 mil anos.

Quando Napoleão invadiu o Egito, em 1798, levou consigo uma equipe de historiadores e acadêmicos para levar tesouros culturais para a França. Ao derrotar os franceses, em 1801, os britânicos tomaram a Pedra da Roseta, que está hoje no Museu Britânico, em Londres.

A escrita do Egito Antigo é decifrada pelo egiptólogo francês Jean-François Champollion.

FAMA DE GRANDE ATIRADOR

    Em 1879, Doc Holliday mata pela primeira vez durante um tiroteio no Novo México. Apesar de sua tremenda fama como grande atirador, Holliday se envolve ao todo em apenas mais um tiroteio e só mata dois homens comprovadamente.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO SANDINISTA 

    Em 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o poder em Manágua, acabando com décadas de ditadura da família Somoza na Nicarágua. A vitória é resultado de uma luta guerrilheira iniciada com o assassinato do ditador Anastasio Somoza García, em 1956, sucedido pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, que morreria em 1967.

O poder passou então outro filho de Anastasio Somoza García, Anastasio Somoza Debayle. A Frente Sandinista de Libertação Nacional nasce no início dos anos 1960, sob a inspiração da Guerra Civil Espanhola e da Revolução Cubana.

Quando toma o poder, o comandante Daniel Ortega se torna presidente e governo a Nicarágua com a Junta dos Nove Comandantes até perder a eleição de 1990 para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, cujo assassinato em 1978 aumentara a revolta contra a ditadura somozista.

Ortega voltou à Presidência em 2007 e não largou mais. É o novo Somoza. Com uma Corte Suprema submissa, conquistou o direito de se candidatar quantas vezes quiser. Em 2018, esmagou uma revolta popular com mais de 320 mortes. Em 2021 mandou prender seis candidatos em potencial da oposição na eleição presidencial de 7 de novembro do ano passado. Outro fugiu do país.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Ontem na História do Mundo: 19 de Julho

    Em 1553, nove dias depois de se tornar rainha da Inglaterra, Lady Jane Grey é deposta para dar o trono a sua prima Maria Tudor. Aos 15 anos, bonita e inteligente, Lady Jane hesita antes de aceitar a coroa que lhe custaria a vida.

Lady Jane era bisneta de Henrique VII, que fundou a Dinastia Tudor ao ascender ao trono depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 agosto de 1485, pondo fim à Guerra das Duas Rosas (1455-85), e prima rei Eduardo VI, o herdeiro homem com que Henrique VIII tanto sonhava.

Eduardo VI era fraco. Reinou apenas seis anos. Quando pega tuberculose e está mal, o sogro de Lady Jane convence o rei a indicá-la como sucessora por ser protestante, ao contrário de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, da dinastia real da Espanha.

Quando Eduardo VI morre, em 6 de julho de 1553, quatro dias depois Lady Jane é proclamada rainha da Inglaterra. Dois dias depois, o sogro John Dudley parte para enfrentar o exército de Maria Tudor. Durante sua ausência, o Conselho Real destitui Lady Jane e declara Maria I como rainha da Inglaterra.

O sogro foi executado em 23 de agosto. A rainha breve e o marido são poupados por serem jovens. No início de 1554, o pai de Lady Jane, Henry Grey, lidera uma revolta contra Maria I, que anunciara casamento com Felipe II, da Espanha.

Para esmagar a revolta, em 12 de fevereiro, Lady Gray e o marido, Guilford Dudley, foram executados na Torre de Londres, onde havia sido executada Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I, a rainha protestante que destronaria a meia-irmã católica Maria I.

     Em 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, um soldado do Exército da França descobre a 50 quilômetros a leste de Alexandria a Pedra da Roseta, que permitiu decifrar a escrita hieroglífica do Egito Antigo. A pedra, encontrada perto da cidade de Roseta, tinha inscrições em três línguas: grego, egípcio hieroglífico e egípcio comum.

Os gregos dizem que a Pedra da Roseta foi gravada em homenagem ao rei Ptolomeu V no século 2 antes de Cristo. O texto em grego informava que os outros são exatamente iguais. Assim, seria possível decifrar os hieroglifos, um segredo de 2 mil anos.

Quando Napoleão invadiu o Egito, em 1798, levou consigo uma equipe de historiadores e acadêmicos para levar tesouros culturais para a França. Ao derrotar os franceses, em 1801, os britânicos tomaram a Pedra da Roseta, que está hoje no Museu Britânico, em Londres.

A escrita do Egito Antigo é decifrada pelo egiptólogo francês Jean-François Champollion.

    Em 1879, Doc Holliday mata pela primeira vez durante um tiroteio no Novo México. Apesar de sua tremenda fama como grande atirador, Holliday se envolve ao todo em outro tiroteio e só mata dois homens comprovadamente. 

    Em 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o poder em Manágua, acabando com décadas de ditadura da família Somoza na Nicarágua. A vitória é resultado de uma luta guerrilheira iniciada com o assassinato do ditador Anastasio Somoza García, em 1956, sucedido pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, que morreria em 1967.

O poder passou então outro filho de Anastasio Somoza García, Anastasio Somoza Debayle. A Frente Sandinista de Libertação Nacional nasce no início dos anos 1960, sob a inspiração da Guerra Civil Espanhola e da Revolução Cubana.

Quando toma o poder, o comandante Daniel Ortega se torna presidente e governo a Nicarágua com a Junta dos Nove Comandantes até perder a eleição de 1990 para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, cujo assassinato em 1978 aumentara a revolta contra a ditadura somozista.

Ortega voltou à Presidência em 2007 e não largou mais. É o novo Somoza. Com uma Corte Suprema submissa, conquistou o direito de se candidatar quantas vezes quiser. Em 2018, esmagou uma revolta popular com mais de 320 mortes. Agora, mandou prender seis candidatos em potencial da oposição na eleição presidencial de 7 de novembro deste ano. Outro fugiu do país.

sábado, 28 de julho de 2018

Irmão de Daniel Ortega critica repressão na Nicarágua

O ex-ministro da Defesa da Nicarágua Humberto Ortega acusou hoje o presidente Daniel Ortega, seu irmão pela repressão violenta a uma onda de protestos de rua que já dura mais de três meses, com mais de 350 mortes. Ele criticou o uso de forças paramilitares e declarou que o Exército não pode tolerar a situação atual.

A acusação de Humberto Ortega ao próprio irmão em entrevista à televisão americana CNN é um sinal de que a base de sustentação do presidente está rachando. Desde o início dos protestos, inicialmente contra uma reforma da Previdência e depois exigindo a queda do governo por causa das mortes, o Exército se recusa a participar diretamente da repressão.

O governo Ortega tem usado a polícia e forças paramilitares. Na segunda-feira, uma estudante brasileira de medicina, Raynéia Gabrielle Lima, que não participava dos protestos, foi metralhada num bairro nobre de Manágua, a capital nicaraguense, onde paramilitares estariam protegendo membros do partido governista, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). O governo prendeu ontem um segurança particular e o acusou pelo crime.

Cinquenta e nove anos depois da vitória da Revolução Sandinista sobre a ditadura de Anastasio Somoza, Daniel Ortega é o novo Somoza e seu irmão, um dos nove comandantes que tomaram o poder em julho de 1979, não aceita a situação atual.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Reitor acusa sandinistas pela morte de brasileira na Nicarágua

A estudante brasileira Rayneia Gabrielle Lima, de 31 anos, cursava o sexto ano do curso de medicina na Universidade Americana em Manágua. Na segunda-feira à noite, foi morta a tiros quando voltava para casa num bairro nobre da zona sul da capital nicaraguense. O governo Daniel Ortega culpa paramilitares, mas o reitor da universidade responsabiliza o partido do governo, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

O assassinato aconteceu em meio à maior crise política na Nicarágua desde os anos 1980s, quando rebeldes financiados pelos Estados Unidos combatiam a revolução sandinista, que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 1979.

Desde 18 de abril, pelo menos 351 pessoas foram mortas na dura repressão do governo Ortega contra uma onda de manifestações de rua. Primeiro, exigiam o fim de uma reforma da Previdência com aumento de contribuição e redução nos benefícios. Depois das mortes, passaram a pedir a renúncia do presidente e de sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, a antecipação das eleições e uma investigação internacional sobre os crimes cometidos pela repressão do governo Ortega.

“Isto é preciso dizer: foram paramilitares que estavam na casa de Chico López que dispararam”, afirmou o reitor Ernesto Medina. López, tesoureiro da FSLN, era diretor de empresas estatais de petróleo e construção civil até ser denunciado recentemente de violar os direitos humanos, com base na Lei Global Magnitsky.

Havia uma reunião na casa de Francisco López para avaliar a crise no dia em que Rayneia foi morta. Os paramilitares rondavam a área para dar proteção aos dirigentes sandinistas.

“As forças paramilitares sentem que têm carta branca”, acrescentou o reitor. “Ninguém vai lhes dizer nada. Ninguém vai lhes fazer nada. Estão sequestrando e fazendo operações de busca e apreensão com total impunidade.”

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)  responsabiliza o governo da Nicarágua por “assassinatos, execuções extrajudiciais,  maus tratos, possíveis casos de tortura e detenções arbitrária”.

“A morte desta garota é um sinal do que está acontecendo na Nicarágua, contradiz o que diz Ortega, que tudo está normal”, acusou Medina. “É uma paz de mentira. Há paramilitares por todos os lados.”

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Masaya se declara "cidade livre da ditadura" de Ortega na Nicarágua

A cidade de Masaya, berço da revolução que levou ao poder em julho de 1979 a Frente Sandinista de Libertação Nacional e seu comandante, Daniel Ortega, agora lidera a luta para se livrar de sua ditadura na Nicarágua. 

Há dois meses, a cidade resiste à reação do governo contra a onda de manifestações de protesto contra seu autoritarismo. Agora, proclamou-se "cidade livre da ditadura".

A chefe da polícia de Masaya, comissário Ramón Avellán, chegou a ficar encurralado na chefiatura de polícia durante 13 dias. Todas as noites a população ia até lá às 22h e pressionava o comissário a se entregar. Foi resgatado ontem numa operação policial que deixou pelo menos três mortos e mais de 30 feridos.

Pelo menos 180 pessoas foram mortas desde abril, quando os nicaraguenses se revoltaram contra uma reforma da Previdência Social que aumentava as contribuições e reduzia pensões e aposentadorias. É a pior crise do país.

"Estamos armados com a razão", declarou a Resistência Cívica de Masaya. "Estamos nos auxiliando com barricadas, pedras e morteiros, em desigualdade evidente e notória com as tropas covardes e assassinas da ditadura", explicou a nota.

"O ditador Ortega e [a vice-presidente e sua mulher Rosario] Murillo não cumpriram a promessa de desarmar as forças parapoliciais, ao contrário, convocou velhos combatentes, ex-reservistas e sua militância sandinista, que fortemente armados impõe o terror e a morte em todo o território nacional",  acrescentam os rebeldes.

A Resistência Cívica de Masaya exige o fim do regime: "A única maneira de recuperar a confiança e a  segurança dos cidadãos é com a renúncia do casal presidencial, que exigimos imediatamente. Exigimos também que se forme uma junta de salvação nacional de cinco membros dos setores beligerantes e representativos da nação que faça reformas institucionais e legislativas que permitam organizar eleições livres e transparentes em 180 dias."

Ontem, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-chanceler uruguaio Luis Almagro, deu sua solidariedade aos rebeldes: "O povo de Masaya demonstrou seu heroísmo nas páginas mais escuras da história da Nicarágua. Condenamos qualquer tipo de ataque que atente contra a vida e a segurança dos habitantes de Masaya."

Ortega governou a Nicarágua, primeiro como um dos nove comandantes, em 1979, depois da vitória da revolução. Foi eleito presidente em 1984 em eleição boicotada pela oposição sob pressão do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e derrotado por Violeta Chamorro em 1990.

Voltou ao poder pelo voto em 2007 em aliança com a oligarquia somozista que um dia combateu, mudou as leis e a composição do supremo tribunal para aprovar a reeleição sem limites e se eternizar no poder. Por alguns anos, contou com o petróleo subsidiado da Venezuela de Hugo Chávez. Com o colapso econômico sob Nicolás Maduro, a fonte secou.

A repressão violenta desde abril suscitou comparações com o ditador Anastasio Somoza Debayle, derrubado pela FSLN em 17 de julho de 1979. Mais uma vez, não será suficiente para sustentar o ditador da vez.

O diálogo nacional intermediado pela Igreja Católica entrou em crise na segunda-feira, quando a Aliança Cívica, que reúne estudantes, acadêmicos, camponeses, empresários e representantes da sociedade civil, denunciou que o governo não enviou cartas convidando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos e a União Europeia para investigar os crimes cometidos na repressão às manifestações de protesto.

Enquanto as cartas não forem enviadas, o diálogo nacional está suspenso.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ortega admite antecipar eleição presidencial na Nicarágua

Depois de quase dois meses de manifestações de protesto em que pelo menos 139 pessoas foram mortas, o presidente Daniel Ortega admitiu diante do enviado especial dos Estados Unidos, Caleb McCarry, antecipar a eleição presidencial da Nicarágua, mas se negou a renunciar, como exige a oposição, noticiou ontem o jornal nicaraguense La Prensa.

Com a decisão do Exército de parar de reprimir os manifestantes, o ex-líder guerrilheiro está sendo obrigado a ceder à pressão das ruas. Se Ortega cair, a revolta contra a corrupção e o autoritarismo tende a se intensificar na Guatemala e em Honduras.

A revolta contra Ortega começou em 18 de abril, em protesto contra o aumento das contribuições previdenciárias e a redução nas pensões e aposentadorias. O governo recuou, mas a repressão violenta inflamou a situação, levando a Igreja Católica a pedir a saída do presidente.

Um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que tomou o poder em Manágua em 17 de julho de 1979, derrubando a ditadura de Anastasio Somoza, Ortega governou a Nicarágua de até 1990, quando perdeu a eleição presidencial para Violeta Chamorro.

Ortega voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista, manipulou as instituições, mudou a composição do supremo tribunal, censurou a mídia e é acusado de corrupção e enriquecimento ilícito, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo. Hoje, é comparado a Somoza.

domingo, 29 de abril de 2018

Total de mortos na revolta contra Ortega chega a 42 na Nicarágua

Centenas de milhares de pessoas marcharam hoje na capital da Nicarágua em protesto contra o presidente Daniel Ortega convocado pelo bispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez. Com a morte de 42 pessoas nas manifestações iniciadas em 18 de abril, de acordo com o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos, o movimento exige agora o fim do governo assassino, noticiou o jornal El País.

"Queremos paz! Queremos paz!", bradava a multidão ao seguir pela estrada para Masaya rumo à catedral metropolitana, onde houve um ato público. Além dos fiéis, participaram feministas, homossexuais, familiares de vítimas da repressão e camponeses que são contra a construção de um canal interoceânico pelo magnata chinês Wang Jing, que recebeu uma concessão do governo.

Os protestos começaram quando o governo anunciou um aumento das contribuições para a Previdência Social e uma redução de 5% nas pensões e aposentadorias. Quatro dias depois, no domingo, 22 de abril, Ortega recuou e revogou a reforma, mas, diante da violência repressão, o governo perdeu sua escassa legitimidade.

A cúpula da Igreja Católica critica o discurso oficial da vice-presidente Rosario Murillo, mulher de Ortega, acusando-a de manipular a religião com um discurso que se apresenta como "cristão, socialista e solidário", mas para a Igreja é uma mensagem "demoníaca, baseada na inveja e em todo o tipo de maldade".

Um dos nove de los nueve fidelitos, os comandantes da Revolução Sandinista, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 1979, Daniel Ortega Saavedra comandou a Nicarágua como líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) até ser derrotado por Violeta Chamorro em 1990, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, assassinado por Somoza.

Desde que voltou ao poder pelo voto em 2007, em aliança com a velha oligarquia somozista e a Venezuela de Hugo Chavez, Ortega tratou de tomar conta da máquina do Estado para se eternizar no poder. Nas ruas hoje, é comparado a Somoza. É mais um líder da esquerda radical latino-americana que cai em desgraça.

"Bem-aventurados os que têm sede de justiça porque serão saciados!", declarou o cardeal Leopoldo Brenes ao iniciar a cerimônia. O ato foi sobretudo uma homenagem aos jovens assassinados nas últimas semanas pela polícia e por grupos paramilitares governistas.

O jornalista Miguel Angel Gahona foi morto com um tiro na cabeça quando transmitia uma manifestação ao vivo via Facebook na cidade litorânea de Bluefields, na costa atlântica.

A Igreja Católica convocou a manifestação deste domingo "para mostrar nossa fé e nosso amor pela Nicarágua", escreveu no Twitter o bispo auxiliar de Manágua. Num sinal de que rejeita concessões a Ortega, Silvio Báez acredita que "o caminho está aberto para construir de forma pacífica e cívica um novo país".

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tomás Borge morre aos 81 anos

O último fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional que ainda estava vivo, Tomás Borge Martínez, um dos nove comandantes da revolução que tomou o poder com a queda do ditador Anastasio Somoza Debayle, em 19 de julho de 1979, na Nicarágua, morreu hoje aos 81 anos.

Com a vitória da revolução, depois de 18 anos de luta da FSLN, Tomás Borge virou ministro do Interior, encarregado da polícia, no governo da junta dos nove comandantes da Revolução Sandinista, presidido pelo atual presidente Daniel Ortega, que foi derrotado por Violeta Chamorro em 1990 mas voltou ao poder em 2006.

Era considerado o mais linha dura dos comandantes, o mais stalinista, contrário à realização de eleições. Ele perseguiu adversários do regime, sendo acusado pelos índios miskitos, que vivem na pouco povoada costa atlântica da Nicarágua, de orquestrar sua remoção, reporta o jornal The Washington Post.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Oposição denuncia fraude na Nicarágua

O segundo e o terceiro colocados na eleição presidencial de domingo na Nicarágua denunciam fraude, quando o presidente Daniel Ortega obteve uma vitória folgada.

Com 85% das urnas apuradas, Ortega tinha 63% dos votos válidos, seguido por Fabio Gadea com 31% e pelo ex-presidente Arnoldo Alemán, que recebeu apenas 6%.

Os derrotados se recusam a reconhecer a vitória de Ortega. Durante a campanha, Alemán advertiu que não aceitaria a reeleição presidencial por ser contra a Constituição da Nicarágua. O presidente manipulou a Corte Suprema para ser autorizado a concorrer a um terceiro mandato.

A Frente Sandinista de Libertação Nacional, o grupo guerrilheiro que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza em 1979 sob a liderança de Ortega e depois se tornou um partido político, obteve maioria absoluta na Assembleia Nacional, noticia o jornal francês Le Monde.

Ortega governou a Nicarágua da vitória da revolução até 1990, perdeu três eleições consecutivas, mas voltou há quatro anos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Chávez dá ajuda para ter influência na Nicarágua

A Venezuela deve anunciar nesta semana uma grande ajuda econômica e social à Nicarágua para garantir sua influência na América Central e continuar a 'guerrinha fria' do presidente Hugo Chávez contra os Estados Unidos.

Chávez deve anunciar na quinta-feira um conjunto de medidas para apoiar o governo Daniel Ortega, ex-líder guerrilheiro que está voltando ao poder depois de quase 17 anos. Ortega, de 61 anos, ganhou a eleição presidencial de novembro com 38% com uma série de promessas de ajuda aos pobres. Assume nesta quarta-feira. O presidente Lula é uma das grandes inspirações do dirigente da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que adotou o "Lulinha paz e amor" na campanha.

Em entrevista ao Financial Times, principal jornal econômico-financeiro da Europa, o embaixador venezuelano em Manágua, Miguel Gómez, falou em transformar a Nicarágua: "Nos próximos cinco anos, a Nicarágua sentirá os efeitos da verdadeira cooperação baseada na solidariedade, não do comércio e da especulação. Queremos infectar a América Latina com nosso modelo".

O embaixador não revelou o total da ajuda. Disse apenas que será ampla, incluindo os setores de agricultura, energia, construção, saúde e educação, descrevendo-a como "um impulso para o movimento esquerdista na América Latina".

Na parte de energia, a Nicarágua receberá 10 milhões de barris de petróleo em produtos refinados como gás ou gasolina, pagando 60% do preço a vista e os outros 40% em 25 anos, com dois anos de prazo de carência e juro de apenas 1% ao ano. Também haverá investimentos na infra-estrutura energética nicaragüense.

Outros projetos incluem a construção de uma estrada ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, e a construção de 200 mil moradias. A Venezuela estuda a possibilidade de construir um oleoduto entre o Atlântico e Pacífico para exportar para a China.

O financiamento virá do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (Bandes) da Venezuela, que deve abrir em breve uma agência na Nicarágua.

Antes das eleições, os EUA temiam que a vitória de Ortega traria o chavismo para a América Central. Mas o ex-guerrilheiro escolheu para vice um ex-comandante da contra-revolução que tentava derrubá-lo com o apoio dos EUA e com o ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado por corrupção.

Para voltar ao poder, Ortega fez uma aliança com a direita, com os herdeiros políticos do ditador Anastazio Somoza, que derrubou em 1979. Aprendeu muito com Lula.

A questão é se a ajuda da Venezuela será capaz de influenciar o governo Ortega a ponto de alinhá-lo com o chavismo, que é antiliberal, anticapitalista e antiamericano. Meu palpite é que Ortega está para Lula do que para Chávez. Aceita a ajuda da Venezuela, importante para um país miserável como a Nicarágua. Mas não vai brigar com o mercado nem deve comprar brigas com os EUA.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

"A esquerda não pode governar sozinha. Morales tem de enfrentar o dilema de Lula", adverte ex-presidente da Bolívia

As experiências de Salvador Allende no Chile, nos anos 70, e dos sandinistas na Nicarágua, nos anos 80, mostram que a esquerda não pode governar sozinha em nenhuma parte da América Latina, declarou o ex-presidente boliviano Jaime Paz Zamora, em entrevista ao jornal argentino La Nación.

"Para governar, para encabeçar o governo, a esquerda deve se aliar com o centro e com os setores democráticos de centro-direita", aconselhou, advertindo o presidente Evo Morales, o primeiro indígena a governar a Bolívia, de que lhe resta pouco tempo para mudar.

Paz Zamora, do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), oriundo da luta armada contra ditaduras militares, fez um acordo nos anos 80 com o ex-ditador Hugo Banzer, que o perseguira, para chegar à presidência (1989-93). Isto lhe valeu críticas ferozes dos setores mais à esquerda, que hoje apóiam o governo Morales e seu Movimento ao Socialismo (MAS).

Agora, acredita que Morales precisa enfrentar o "dilema de Lula": governar para todo o país ou apenas para seus seguidores ideológicos.

"Lula fez e Morales tem de se resolver", argumenta o ex-presidente boliviano. "Lula vinha de um partido muto radical, o PT, num país com grandes níveis de pobreza. Teve de resolver se governava para o PT ou governava para o Brasil. Foi doloroso para ele. Teve de enfrentar dramas de consciência mas decidiu: vou governar para o Brasil, não para o PT; não vou fazer experiências".

Morales enfrenta uma queda de braço com a elite de origem européia e quatro departamentos ricos do Leste da Bolívia, que exigem autonomia e ameaçam até se separar. O presidente apelou ao Exército para manter a unidade nacional, enquanto líderes departamentais fazem greve de fome.

A oposição exige ainda que Morales respeita a regra inicial da Assembléia Constituinte, que exigia maioria de dois terços. Teme ainda que, com sua reforma agrária, mande índios do altiplano para as planícies do

O MAS, que tem maioria absoluta mas não chega a dois terços, mudou a regra do jodo para metade mais. A oposição chegou a apelar ao presidente Lula, durante a reunião de cúpula da Comunidade Sul Americana (Casa), em Cochabamba, na Bolívia. Afinal. há muitos produtores rurais brasileiros ameaçados de confisco pela reforma agrária na Bolívia.

Lula preferiu não se intrometer nas questões internas bolivianas.

Na opinião de Paz Zamora, a América Latina de hoje é fruto de dois grandes processos ocorridos nos últimos 25 anos: a democratização e as reformas econômicas de livre mercado.

"Ainda que com problemas e falhas, temos democracia", observa o ex-presidente. "Os problemas estão sendo resolvidos democraticamente".

Para o ex-presidente, "Morales é um produto da democracia boliviana. Deve reconhecer que a democracia não é ocidental nem burguesa, como querem alguns setores indígenas. O que me surpreende é que, tendo chegado ao governo com a simpatia da maioria e da comunidade internacional, começou a desperdiçar oportunidades de maneira irresponsável.

"Evo começou a inventar inimigos atrás de cada pedra. Começou a ver conspirações. Caiu no velho esquema da esquerda de ver inimigos por toda parte. Chegou o momento da democracia, de dar o salto por cima do indígena, que na Bolívia é sinônimo de indigente. Queremos ser uma África do Sul e que Morales seja o nosso Nelson Mandela. Mas no momento ele se parece mais com Robert Mugabe, do Zimbábue, que está isolado".

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Ortega está a um passo da Presidência da Nicarágua

O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional, está praticamente reeleito presidente da Nicarágua. Com 61,83% dos votos apurados, Ortega lidera com 38,59% dos votos válidos, contra 30,94% de Eduardo Montealegre, da Aliança Liberal Nicaragüense, e 22,93% de José Rizo, do Partido Liberal Constitucionalista.

Pela nova lei eleitoral, alterada para favorecer Ortega, um candidato ganha no primeiro turno se tiver pelo menos 40% dos votos válidos ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Ortega governou a Nicarágua desde a vitória da revolução sandinista sobre a ditadura de Anastasio Somoza, em 19 de julho de 1979, até sua derrota para Violeta Chamorro, em 1990. Desde então, tenta voltar ao poder, sem sucesso. Agora, além da reforma eleitoral, aliou-se a um comandante dos rebeldes contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80 e ao ex-presidente conservador Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção.

Os EUA apoiam Montealegre, um banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda. Ortega tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Ortega pode ganhar no primeiro turno na Nicarágua

O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega (1979-90), da Frente Sandinista de Libertação Nacional, pode ganhar a eleição presidencial de ontem na Nicarágua no primeiro turno. Apurados 40% dos votos, Ortega lidera com 41,1%, seguido pelo banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda Eduardo Montealegre, apoiado pelos Estados Unidos, com 32,7%.

Pela nova lei eleitoral nicaragüense, alterada para favorecer Ortega, para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa de no mínimo 35% dos votos e uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Ortega era um dos nove comandante da FSLN, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979, depois de dez anos de guerra civil. Como eram dois Ortegas na junta, Daniel acabou sendo eleito presidente

O líder sandinista aliou-se ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção, e a um ex-comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80, com ajuda do então presidente americano Ronald Reagan. Tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

domingo, 5 de novembro de 2006

Daniel Ortega é o favorito na Nicarágua

O ex-presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), é o favorito para a eleição presidencial deste domingo na Nicarágua. Mas talvez não consiga a porcentagem mínima de 35% com vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo lugar, exigências para ganhar no primeiro turno.

Em segundo está o banqueiro e ex-ministro da Fazenda Eduardo Montealegre, da direitista Aliança Liberal Nicaragüense, um racha do Partido Liberal do ex-ditador Anastasio Somoza, hoje sob a liderança do ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado à prisão domiciliar por corrupção.

Em terceiro, entre cinco candidatos, está José Rizo, do PLC, de Alemán e do atual presidente Enrique Bolaños, que não pode ser candidato à reeleição e terá de passar o cargo em 10 de janeiro.

Montelaegre é apoiado pelos Estados Unidos, acusados de interferir na campanha. Ortega, por sua vez, tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de Alemán, que abandonou o candidato de seu partido.

Se houver segundo turno, em dezembro, Ortega terá de entrentar a união de seus quatro adversários, tornando sua tão sonhada reeleição muito mais difícil. Por isto, os sandinistas e seus aliados, que controlam a Comissão Eleitoral, rebaixaram o limite mínimo para a vitória no primeiro turno de 45% para 35% dos votos válidos.

O governo George W. Bush ameaça boicotar a Nicarágua se Ortega ganhar. As remessas de dinheiro dos nicaragüenses que vivem nos EUA são uma importante fonte de renda e de moeda forte para o país.

Daniel Ortega era um dos nove comandantes que tomaram o poder em 19 de julho de 1979, depois de uma década de luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, segundo filho de Anastasio Somoza García, que governou o país de 1936 a 1956 depois de receber o poder de uma invasão americana que derrotara a rebelião nacionalista de Augusto Cesar Sandino. Como seu irmão Humberto Ortega era outro dos nove e virou ministro da Defesa, e o irmão mais velho morrera como herói da revolução, Daniel tornou-se presidente da Nicarágua guerrilheira, onde estive em 1982.

Sob pressão internacional, os sandinistas convocaram eleições em 1984, vencidas por Ortega mas boicotadas pela oposição, que preferia, seguindo a orientação dos EUA de Ronald Reagan, apoiar os contra-revolucionários. A guerra civil empurrou o governo sandinista para a esquerda. Em 1990, Ortega perdeu a eleição para Violeta Chamorro.

Desde então, tenta voltar ao poder em todas as eleições. Quando a direita concorreu unida, conseguiu derrotá-lo. Agora, há uma divisão na direita.

Ao mesmo tempo, Ortega se apresenta como um conciliador. Invoca o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se aliou tanto a um comandante dos contras que o combateram nos anos 80 como ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que vive sob prisão domiciliar, condenado por corrupção. Seu vice-presidente, Jaime Morales Carazo, é ex-banqueiro e antigo comandante dos contras.