A Venezuela deve anunciar nesta semana uma grande ajuda econômica e social à Nicarágua para garantir sua influência na América Central e continuar a 'guerrinha fria' do presidente Hugo Chávez contra os Estados Unidos.
Chávez deve anunciar na quinta-feira um conjunto de medidas para apoiar o governo Daniel Ortega, ex-líder guerrilheiro que está voltando ao poder depois de quase 17 anos. Ortega, de 61 anos, ganhou a eleição presidencial de novembro com 38% com uma série de promessas de ajuda aos pobres. Assume nesta quarta-feira. O presidente Lula é uma das grandes inspirações do dirigente da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que adotou o "Lulinha paz e amor" na campanha.
Em entrevista ao Financial Times, principal jornal econômico-financeiro da Europa, o embaixador venezuelano em Manágua, Miguel Gómez, falou em transformar a Nicarágua: "Nos próximos cinco anos, a Nicarágua sentirá os efeitos da verdadeira cooperação baseada na solidariedade, não do comércio e da especulação. Queremos infectar a América Latina com nosso modelo".
O embaixador não revelou o total da ajuda. Disse apenas que será ampla, incluindo os setores de agricultura, energia, construção, saúde e educação, descrevendo-a como "um impulso para o movimento esquerdista na América Latina".
Na parte de energia, a Nicarágua receberá 10 milhões de barris de petróleo em produtos refinados como gás ou gasolina, pagando 60% do preço a vista e os outros 40% em 25 anos, com dois anos de prazo de carência e juro de apenas 1% ao ano. Também haverá investimentos na infra-estrutura energética nicaragüense.
Outros projetos incluem a construção de uma estrada ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, e a construção de 200 mil moradias. A Venezuela estuda a possibilidade de construir um oleoduto entre o Atlântico e Pacífico para exportar para a China.
O financiamento virá do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (Bandes) da Venezuela, que deve abrir em breve uma agência na Nicarágua.
Antes das eleições, os EUA temiam que a vitória de Ortega traria o chavismo para a América Central. Mas o ex-guerrilheiro escolheu para vice um ex-comandante da contra-revolução que tentava derrubá-lo com o apoio dos EUA e com o ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado por corrupção.
Para voltar ao poder, Ortega fez uma aliança com a direita, com os herdeiros políticos do ditador Anastazio Somoza, que derrubou em 1979. Aprendeu muito com Lula.
A questão é se a ajuda da Venezuela será capaz de influenciar o governo Ortega a ponto de alinhá-lo com o chavismo, que é antiliberal, anticapitalista e antiamericano. Meu palpite é que Ortega está para Lula do que para Chávez. Aceita a ajuda da Venezuela, importante para um país miserável como a Nicarágua. Mas não vai brigar com o mercado nem deve comprar brigas com os EUA.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Daniel Ortega é reeleito na Nicarágua
O ex-presidente e ex-guerrilheiro Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional, foi reeleito hoje presidente da Nicarágua, cargo que ocupou da vitória da Revolução Sandinista, em 1979, até sua derrota para Violeta Chamorro, em 1990. Com 91,48% dos votos apurados, Ortega tinha 38% dos votos, nove pontos percentuais à frente do segundo colocado, o banqueiro e ex-ministro da Fazenda e do Exterior, Eduardo Montealegre, apoiado pelos Estados Unidos.
Para ganhar no primeiro turno na Nicarágua, um candidato precisa de 40% dos votos ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo. Montealegre já reconheceu a derrota.
Ortega teve o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e pode engrossar a corrente antiamericana na América Latina, especialmente se os EUA suspenderem sua ajuda, como ameaçaram durante a campanha.
Mais moderado, ele teve o apoio de ex-inimigos como seu vice, Jaime Morales Carazo, que era comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-los nos anos 80, com o apoio dos EUA; o arcebispo de Manágua, cardeal Obando y Bravo; e o ex-presidente Arnoldo Alemán, que está sob prisão domiciliar por corrupção.
Apesar de ser apoiado por Chávez, Ortega inspirou-se no presidente Lula. Fez uma campanha conciliatória, no estilo "Lulinha paz e amor", citou o presidente brasileiro em seus comícios - é verdade que diante das câmeras da Globo -, e apresentou-se como um católico devoto para apagar a imagem marxista.
Parte da Igreja Católica da Nicarágua apoiou a Revolução Sandinista. O padre e poeta revolucionário Ernesto Cardenal foi ministro da Cultura. Mas o arcebispo Obando y Bravo fazia oposição cerrada à FSLN. Nesta campanha, Ortega apareceu tomando a comunhão da mais alta autoridade eclesiástica da Nicarágua.
Na verdade, Ortega nunca foi um marxista radical. Era um guerrilheiro nacionalista, na linha de Augusto Cesar Sandino, que liderou a resistência à invasão americana de 1927-33. Quem tinha fama de ser o maior linha-dura da junta de nove comandantes que tomou o poder em 19 de julho de 1979 era Tomás Borge Martínez, que foi ministro do Interior, o chefe da polícia no governo sandinista (1979-90).
Daniel Ortega Saavedra era comandante de guerrilha urbana da FSLN em 1967, quando foi preso por assalto a banco. Solto numa troca de prisioneiros por reféns seqüestrado na casa de um dignatário somozista, foi para Cuba. Ele ascendeu ao posto máximo porque seu irmão Humberto Ortega, que virou ministro da Defesa, também fazia parte da junta.
Então eram dois Ortega. E havia um terceiro irmão morto, herói caído na guerra revolucionária. Tudo isto pesou para a ascensão de ambos.
Daniel tornou-se chefe de Estado e de governo e foi eleito presidente em 1984, em eleições boicotadas pela oposição e pelos Estados Unidos de Ronald Reagan, que na época financiavam os rebeldes contra-revolucionários, na maioria veteranos da Guarda Nacional de Somoza.
Sob a pressão da guerra civil, os sandinistas foram empurrados para a esquerda e hostalizados pelos governos aliados dos EUA na região: Honduras, base dos contra, El Salvador e Guatemala. O desgaste do regime, num país pobre onde a guerra drenava os recursos públicos, destruindo a bonança dos primeiros anos da revolução, levou à derrota de Daniel Ortega para Violeta Chamorro, em 1990.
Humberto ficou no Ministério da Defesa mesmo depois da derrota de Daniel para Violeta Chamorro, até 1995, sendo encarregado de transformar o Exército Popular Sandinista no Exército Nacional da Nicarágua.
Em 1996, Daniel Ortega seria derrotado por Arnoldo Alemán, do Partido Liberal Constitucionalista, dos somozistas. Alemán está em prisão domiciliar por corrupção. Como o candidato do PLC, José Rizo, não tinha chance, Alemán apoiou Ortega.
Em 2001, Ortega perdeu de novo, desta vez para o atual presidente Enrique Bolaños, também do PLC. O processo contra Alemán terminou dividindo o partido. O ex-ministro da Fazenda e do Exterior Eduardo Montealegre, segundo colocado na eleição de domingo, fundou a Aliança Liberal Nicaragüense.
Para voltar ao poder, Ortega fez uma campanha defendendo a conciliação nacional e a opção preferencial pelos pobres, no melhor estilo Lula. Não teve escrúpulos e convidou para vice Jaime Morales Carazo, ex-comandante dos contra. Inspirado por Lula, pode fazer um governo tentando aliar a economia de mercado com programas sociais. Mas seus críticos advertem que as alianças que fez para ganhar a eleição e conseguir governar inevitavelmente minarão seu governo com a corrupção.
Qualquer semelhança não é mera coincidência. É subdesenvolvimento mesmo.
Para ganhar no primeiro turno na Nicarágua, um candidato precisa de 40% dos votos ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo. Montealegre já reconheceu a derrota.
Ortega teve o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e pode engrossar a corrente antiamericana na América Latina, especialmente se os EUA suspenderem sua ajuda, como ameaçaram durante a campanha.
Mais moderado, ele teve o apoio de ex-inimigos como seu vice, Jaime Morales Carazo, que era comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-los nos anos 80, com o apoio dos EUA; o arcebispo de Manágua, cardeal Obando y Bravo; e o ex-presidente Arnoldo Alemán, que está sob prisão domiciliar por corrupção.
Apesar de ser apoiado por Chávez, Ortega inspirou-se no presidente Lula. Fez uma campanha conciliatória, no estilo "Lulinha paz e amor", citou o presidente brasileiro em seus comícios - é verdade que diante das câmeras da Globo -, e apresentou-se como um católico devoto para apagar a imagem marxista.
Parte da Igreja Católica da Nicarágua apoiou a Revolução Sandinista. O padre e poeta revolucionário Ernesto Cardenal foi ministro da Cultura. Mas o arcebispo Obando y Bravo fazia oposição cerrada à FSLN. Nesta campanha, Ortega apareceu tomando a comunhão da mais alta autoridade eclesiástica da Nicarágua.
Na verdade, Ortega nunca foi um marxista radical. Era um guerrilheiro nacionalista, na linha de Augusto Cesar Sandino, que liderou a resistência à invasão americana de 1927-33. Quem tinha fama de ser o maior linha-dura da junta de nove comandantes que tomou o poder em 19 de julho de 1979 era Tomás Borge Martínez, que foi ministro do Interior, o chefe da polícia no governo sandinista (1979-90).
Daniel Ortega Saavedra era comandante de guerrilha urbana da FSLN em 1967, quando foi preso por assalto a banco. Solto numa troca de prisioneiros por reféns seqüestrado na casa de um dignatário somozista, foi para Cuba. Ele ascendeu ao posto máximo porque seu irmão Humberto Ortega, que virou ministro da Defesa, também fazia parte da junta.
Então eram dois Ortega. E havia um terceiro irmão morto, herói caído na guerra revolucionária. Tudo isto pesou para a ascensão de ambos.
Daniel tornou-se chefe de Estado e de governo e foi eleito presidente em 1984, em eleições boicotadas pela oposição e pelos Estados Unidos de Ronald Reagan, que na época financiavam os rebeldes contra-revolucionários, na maioria veteranos da Guarda Nacional de Somoza.
Sob a pressão da guerra civil, os sandinistas foram empurrados para a esquerda e hostalizados pelos governos aliados dos EUA na região: Honduras, base dos contra, El Salvador e Guatemala. O desgaste do regime, num país pobre onde a guerra drenava os recursos públicos, destruindo a bonança dos primeiros anos da revolução, levou à derrota de Daniel Ortega para Violeta Chamorro, em 1990.
Humberto ficou no Ministério da Defesa mesmo depois da derrota de Daniel para Violeta Chamorro, até 1995, sendo encarregado de transformar o Exército Popular Sandinista no Exército Nacional da Nicarágua.
Em 1996, Daniel Ortega seria derrotado por Arnoldo Alemán, do Partido Liberal Constitucionalista, dos somozistas. Alemán está em prisão domiciliar por corrupção. Como o candidato do PLC, José Rizo, não tinha chance, Alemán apoiou Ortega.
Em 2001, Ortega perdeu de novo, desta vez para o atual presidente Enrique Bolaños, também do PLC. O processo contra Alemán terminou dividindo o partido. O ex-ministro da Fazenda e do Exterior Eduardo Montealegre, segundo colocado na eleição de domingo, fundou a Aliança Liberal Nicaragüense.
Para voltar ao poder, Ortega fez uma campanha defendendo a conciliação nacional e a opção preferencial pelos pobres, no melhor estilo Lula. Não teve escrúpulos e convidou para vice Jaime Morales Carazo, ex-comandante dos contra. Inspirado por Lula, pode fazer um governo tentando aliar a economia de mercado com programas sociais. Mas seus críticos advertem que as alianças que fez para ganhar a eleição e conseguir governar inevitavelmente minarão seu governo com a corrupção.
Qualquer semelhança não é mera coincidência. É subdesenvolvimento mesmo.
terça-feira, 7 de novembro de 2006
Ortega está a um passo da Presidência da Nicarágua
O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional, está praticamente reeleito presidente da Nicarágua. Com 61,83% dos votos apurados, Ortega lidera com 38,59% dos votos válidos, contra 30,94% de Eduardo Montealegre, da Aliança Liberal Nicaragüense, e 22,93% de José Rizo, do Partido Liberal Constitucionalista.
Pela nova lei eleitoral, alterada para favorecer Ortega, um candidato ganha no primeiro turno se tiver pelo menos 40% dos votos válidos ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega governou a Nicarágua desde a vitória da revolução sandinista sobre a ditadura de Anastasio Somoza, em 19 de julho de 1979, até sua derrota para Violeta Chamorro, em 1990. Desde então, tenta voltar ao poder, sem sucesso. Agora, além da reforma eleitoral, aliou-se a um comandante dos rebeldes contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80 e ao ex-presidente conservador Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção.
Os EUA apoiam Montealegre, um banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda. Ortega tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Pela nova lei eleitoral, alterada para favorecer Ortega, um candidato ganha no primeiro turno se tiver pelo menos 40% dos votos válidos ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega governou a Nicarágua desde a vitória da revolução sandinista sobre a ditadura de Anastasio Somoza, em 19 de julho de 1979, até sua derrota para Violeta Chamorro, em 1990. Desde então, tenta voltar ao poder, sem sucesso. Agora, além da reforma eleitoral, aliou-se a um comandante dos rebeldes contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80 e ao ex-presidente conservador Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção.
Os EUA apoiam Montealegre, um banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda. Ortega tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
Ortega pode ganhar no primeiro turno na Nicarágua
O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega (1979-90), da Frente Sandinista de Libertação Nacional, pode ganhar a eleição presidencial de ontem na Nicarágua no primeiro turno. Apurados 40% dos votos, Ortega lidera com 41,1%, seguido pelo banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda Eduardo Montealegre, apoiado pelos Estados Unidos, com 32,7%.
Pela nova lei eleitoral nicaragüense, alterada para favorecer Ortega, para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa de no mínimo 35% dos votos e uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega era um dos nove comandante da FSLN, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979, depois de dez anos de guerra civil. Como eram dois Ortegas na junta, Daniel acabou sendo eleito presidente
O líder sandinista aliou-se ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção, e a um ex-comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80, com ajuda do então presidente americano Ronald Reagan. Tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Pela nova lei eleitoral nicaragüense, alterada para favorecer Ortega, para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa de no mínimo 35% dos votos e uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega era um dos nove comandante da FSLN, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979, depois de dez anos de guerra civil. Como eram dois Ortegas na junta, Daniel acabou sendo eleito presidente
O líder sandinista aliou-se ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção, e a um ex-comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80, com ajuda do então presidente americano Ronald Reagan. Tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
domingo, 5 de novembro de 2006
Daniel Ortega é o favorito na Nicarágua
O ex-presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), é o favorito para a eleição presidencial deste domingo na Nicarágua. Mas talvez não consiga a porcentagem mínima de 35% com vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo lugar, exigências para ganhar no primeiro turno.
Em segundo está o banqueiro e ex-ministro da Fazenda Eduardo Montealegre, da direitista Aliança Liberal Nicaragüense, um racha do Partido Liberal do ex-ditador Anastasio Somoza, hoje sob a liderança do ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado à prisão domiciliar por corrupção.
Em terceiro, entre cinco candidatos, está José Rizo, do PLC, de Alemán e do atual presidente Enrique Bolaños, que não pode ser candidato à reeleição e terá de passar o cargo em 10 de janeiro.
Montelaegre é apoiado pelos Estados Unidos, acusados de interferir na campanha. Ortega, por sua vez, tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de Alemán, que abandonou o candidato de seu partido.
Se houver segundo turno, em dezembro, Ortega terá de entrentar a união de seus quatro adversários, tornando sua tão sonhada reeleição muito mais difícil. Por isto, os sandinistas e seus aliados, que controlam a Comissão Eleitoral, rebaixaram o limite mínimo para a vitória no primeiro turno de 45% para 35% dos votos válidos.
O governo George W. Bush ameaça boicotar a Nicarágua se Ortega ganhar. As remessas de dinheiro dos nicaragüenses que vivem nos EUA são uma importante fonte de renda e de moeda forte para o país.
Daniel Ortega era um dos nove comandantes que tomaram o poder em 19 de julho de 1979, depois de uma década de luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, segundo filho de Anastasio Somoza García, que governou o país de 1936 a 1956 depois de receber o poder de uma invasão americana que derrotara a rebelião nacionalista de Augusto Cesar Sandino. Como seu irmão Humberto Ortega era outro dos nove e virou ministro da Defesa, e o irmão mais velho morrera como herói da revolução, Daniel tornou-se presidente da Nicarágua guerrilheira, onde estive em 1982.
Sob pressão internacional, os sandinistas convocaram eleições em 1984, vencidas por Ortega mas boicotadas pela oposição, que preferia, seguindo a orientação dos EUA de Ronald Reagan, apoiar os contra-revolucionários. A guerra civil empurrou o governo sandinista para a esquerda. Em 1990, Ortega perdeu a eleição para Violeta Chamorro.
Desde então, tenta voltar ao poder em todas as eleições. Quando a direita concorreu unida, conseguiu derrotá-lo. Agora, há uma divisão na direita.
Ao mesmo tempo, Ortega se apresenta como um conciliador. Invoca o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se aliou tanto a um comandante dos contras que o combateram nos anos 80 como ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que vive sob prisão domiciliar, condenado por corrupção. Seu vice-presidente, Jaime Morales Carazo, é ex-banqueiro e antigo comandante dos contras.
Em segundo está o banqueiro e ex-ministro da Fazenda Eduardo Montealegre, da direitista Aliança Liberal Nicaragüense, um racha do Partido Liberal do ex-ditador Anastasio Somoza, hoje sob a liderança do ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado à prisão domiciliar por corrupção.
Em terceiro, entre cinco candidatos, está José Rizo, do PLC, de Alemán e do atual presidente Enrique Bolaños, que não pode ser candidato à reeleição e terá de passar o cargo em 10 de janeiro.
Montelaegre é apoiado pelos Estados Unidos, acusados de interferir na campanha. Ortega, por sua vez, tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de Alemán, que abandonou o candidato de seu partido.
Se houver segundo turno, em dezembro, Ortega terá de entrentar a união de seus quatro adversários, tornando sua tão sonhada reeleição muito mais difícil. Por isto, os sandinistas e seus aliados, que controlam a Comissão Eleitoral, rebaixaram o limite mínimo para a vitória no primeiro turno de 45% para 35% dos votos válidos.
O governo George W. Bush ameaça boicotar a Nicarágua se Ortega ganhar. As remessas de dinheiro dos nicaragüenses que vivem nos EUA são uma importante fonte de renda e de moeda forte para o país.
Daniel Ortega era um dos nove comandantes que tomaram o poder em 19 de julho de 1979, depois de uma década de luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, segundo filho de Anastasio Somoza García, que governou o país de 1936 a 1956 depois de receber o poder de uma invasão americana que derrotara a rebelião nacionalista de Augusto Cesar Sandino. Como seu irmão Humberto Ortega era outro dos nove e virou ministro da Defesa, e o irmão mais velho morrera como herói da revolução, Daniel tornou-se presidente da Nicarágua guerrilheira, onde estive em 1982.
Sob pressão internacional, os sandinistas convocaram eleições em 1984, vencidas por Ortega mas boicotadas pela oposição, que preferia, seguindo a orientação dos EUA de Ronald Reagan, apoiar os contra-revolucionários. A guerra civil empurrou o governo sandinista para a esquerda. Em 1990, Ortega perdeu a eleição para Violeta Chamorro.
Desde então, tenta voltar ao poder em todas as eleições. Quando a direita concorreu unida, conseguiu derrotá-lo. Agora, há uma divisão na direita.
Ao mesmo tempo, Ortega se apresenta como um conciliador. Invoca o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se aliou tanto a um comandante dos contras que o combateram nos anos 80 como ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que vive sob prisão domiciliar, condenado por corrupção. Seu vice-presidente, Jaime Morales Carazo, é ex-banqueiro e antigo comandante dos contras.
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