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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Muro de Berlim foi a cicatriz da Guerra Fria

No fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, a Alemanha foi ocupada e dividida pelos Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França. Sua capital, Berlim, ficou no setor soviético e também foi dividida em quatro.

Em 1948, para pressionar os aliados ocidentais no início da Guerra Fria, o ditador soviético Josef Stalin decretou o Bloqueio de Berlim, a segunda crise do conflito entre as superpotências, depois de problemas entre o Irã e a URSS, em 1946. Foi uma reação à aprovação do Plano Marshall, que Stalin chamou de “imperalismo do dólar”.

De 24 de junho de 1948 a 11 de maio de 1949, a passagem por terra da Alemanha Ocidental para Berlim Ocidental foi fechada por ordem do Kremlin. Neste período, mais de 200 mil voos levaram 13 mil toneladas de comida e outros suprimentos para a cidade sitiada.

Quando ficou evidente que o bloqueio não estava funcionando e que a ponte aérea era instrumento de propaganda do Ocidente, a URSS suspendeu o cerco. O aeroporto de Tempelhof, em Berlim Ocidental, foi transformado em museu da ponte aérea montada para furar o bloqueio.

Em 7 de outubro de 1949, a República Democrática da Alemanha, a Alemanha Oriental, nascia oficialmente, reunindo cinco estados da parte central da antiga Alemanha: Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Turíngia. Os territórios à margem oriental dos rios Oder e Neisse foram entregues à Polônia para compensá-la pelas terras tomadas pela URSS.

Pelo total de mortos na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos e 11 milhões de alemães, foi, acima de tudo, uma guerra entre a Alemanha e a URSS. Stalin aproveitou a ocupação para exigir reparações de guerra.

Em 16 de junho de 1953, o regime comunista alemão-oriental decretou um aumento de 10% na cota de produção dos operarios que construíam uma nova avenida em Berlim Oriental, a Stalinalle, hoje Karl Marx Allee. No dia seguinte, um movimento sindical de protesto se espalhou pelo país levando a uma grave de mais de um milhão de pessoas.

O governo alemão pediu a ajuda da URSS, que usou tanques contra a multidão. Pelo menos 50 pessoas morreram. Cerca de 10 mil foram presas e condenadas pelo Levante de 1953.

Com a ajuda do Plano Marshall, a República Federal da Alemanha, também fundada em 1949, cresceu e se recuperou, atraindo cada vez mais alemães do Leste. Descontentes com a falta de liberdade de oportunidades no regime comunista, cada vez mais eles “votavam com os pés”. Cerca de 3,5 milhões fugiram para o Ocidente.

CONSTRUÇÃO DO MURO
Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a fronteira com Berlim Ocidental foi fechada. Começava a construção do Muro de Berlim. A cidade se tornava um enclave capitalista.

Durante quase todo o tempo de sua existência, a ordem era atirar para matar em quem tentasse cruzar o Muro de Berlim. Cerca de 200 pessoas morreram tentando fugir (136, segundo um centro de pesquisa de Potsdam que está investigando detalhes dessas mortes). Cerca de 5 mil conseguiram escapar.

A história do Muro está contada no Museu do Check Point Charlie, um dos principais postos de fronteira onde se podia atravessar o Muro. Tem diversos instrumentos usados em tentativas de fuga, inclusive um motor aquático para fugir por baixo da água. Lá, estão as placas do tempo da Guerra Fria, do tipo "Vocé Está Deixando o Setor Americano".

A construção do Muro coincide com um período de elevada tensão na Guerra Fria. Em 15 de abril de 1961, houve a frustrada tentativa de exilados cubanos apoiados pela Agência Central de Inteligência (CIA), a agência de espionagem dos EUA, de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba. Isso levaria à tentativa de instalação de mísseis soviéticos em Cuba.

A Crise dos Mísseis (14 a 27 de outubro de 1962) foi o momento de maior tensão da Era Atômica. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Na época, ficou decidido que uma linha telefônica direta ligaria permanentemente a Casa Branca ao Kremlin para desarmar crises mundiais através da comunicação direta. O telefone vermelho começou a funcionar em 30 de agosto de 1963.

No mesmo ano, tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente em posição ameaçadora numa rua de Berlim. Em 26 de junho de 1963, Kennedy fez um famoso discurso Eu Sou um Berlinense diante do Muro: “Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. Portanto, como um homem livre, tenho orgulho das palavras: Ich bin ein Berliner.”

Para aliviar as tensões e evitar que a Alemanha fosse palco da primeira batalha da Guerra Fria, em 1969, o primeiro-ministro social-democrata alemão-ocidental Willy Brandt lançou sua nova Ostpolitik, política para a Alemanha Oriental, numa tentativa de mudar o regime comunista através da reaproximação, do estabelecimento de laços diplomáticos, econômicos e culturais.

Em 1970, Brandt assinou o Tratado de Moscou, renunciando ao uso da força e reconhecendo as fronteiras da Europa, e o Tratado de Varsóvia, reconhecendo a fronteira polonesa nos rios Oder e Neisse. Em 1972, fechou o controvertido Tratado Básico com a Alemanha Oriental, estabelecendo relações diplomáticas entre os dois países.

ERA GORBACHEV
O Muro começou a ruir com a ascensão de Mikhai Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de marco de 1985. Sua abertura democrática (glasnost) e sua reestruturação econômica (perestroika) foram mal recebidas pelos stalinistas da Alemanha Oriental, liderados por Erich Honecker, um entusiasta do Muro.

Dois meses antes do início da construção, o então líder do partido Walter Ulbricht, negou que seria construído, mas aparentemente mudou de ideia ao receber um telefonema do primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev, em 1º de agosto de 1961.

Em discurso diante do muro em 12 de junho de 1987, outro presidente americano, Ronald Reagan, fez um apelo a Gorbachev para derrubar o Muro.

Em 5 de abril de 1989, na Polônia, o sindicato livre Solidariedade fez um acordo com o regime comunista para participar de eleições, que venceu por maioria esmagadora em 4 e 18 de junho, perdendo apenas duas cadeiras das que pôde disputar.

Em 2 de maio, a Hungria rompeu a Cortina de Ferro. Começou a demanchar a cerca eletrificada na fronteira com a Áustria. Em 23 de agosto, em plenas férias de verão na Europa, todas as barreiras nas fronteiras da Hungria tinham caído.

Cidadãos dos países comunistas da Europa Oriental iam para a Hungria e cruzavam para o Ocidente. Cerca de 13 mil alemães-orientais fugiram via Áustria.

Quando começaram a ser mandados de volta da fronteira por pressão da Alemanha Oriental, invadiram embaixadas da Alemanha Oriental em Budapeste e Praga. O ministro do Exterior alemão-ocidental, Hans-Dietrich Genscher, foi pessoalmente a Praga. Os fugitivos foram autorizados a emigrar para a Alemanha Ocidental

O Muro de Berlim, em sua quarta geração, com blocos de concreto de 4 m de altura, resistia à avalanche democrática. Mas, desde setembro, as manifestações de massa de tornaram frequentes.

Em outubro de 1989, a Alemanha Oriental celebrou seus 40 anos com a presença de delegações dos partidos da esquerda brasileira. Mas o veterano líder linha-dura Honecker, que previra em janeiro que o Muro duraria mais cem anos, foi substituído por Egon Krenz, mais tolerante com a fuga dos alemães-orientais através dos países vizinhos.

Em 4 de novembro, um milhão de pessoas se reuniram na Alexanderplatz, no coração de Berlim Oriental, para pedir a abertura do regime.

Estive lá em 1990 e depois em 1998, na primeira eleição do Schröder, quando a praça já estava tomada pelos ex-comunistas do antigo Partido Socialista Unificado, o partido comunista da Alemanha Oriental, que mudou de nome para Partido Democrático Socialista e se fundiu com dissidentes do Partido Social-Democrata para formar um novo partido, A Esquerda.

O pessoal que realmente iniciou o movimento da sociedade civil pelo fim do comunismo formou a Aliança 90, aliada no Leste dOs Verdes. O partido verde alemão é o mais importante do mundo. Esteve no poder em aliança com o Partido Social-Democrata SPD na coligação verde-rosa, sob Schröder.

Sob pressão da fuga em massa que importunava outros países e dos protestos de rua, em 9 de novembro de 1989, o Politburo do partido comunista decidiu permitir que os alemães-orientais saíssem do país para visitar a Alemanha Ocidental através das fronteiras do país.

Com pouco mais do que uma nota em mãos, o encarregado de dar a notícia, o secretário de Propaganda do partido, Günter Schabowski, foi para uma entrevista coletiva fazer o anúncio. Disse que, pelas novas regras, os alemães-orientais poderiam viajar ao exterior. Bastava apresentar o passaporte na fronteira.

Diante de uma pergunta inesperada de um jornalista italiano, acrescentou que a medida entraria em vigor imediatamente.

Dezenas de milhares de alemães-orientais foram para os postos de fronteira em Berlim para cruzar o Muro. Os guardas não sabiam o que fazer. Ligaram para seus superiores, que não tinham sido informados da decisão confusa do Politburo. Cederam para evitar um banho de sangue como o que acontecera na Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Os alemães cruzaram e pularam o Muro em diversos pontos. Tenho amigos que me disseram que, quando voltaram, no meio da madrugada, havia soldados postados ao longo de todo o lado oriental, o que foi interpretado como sinal de que o regime ainda estava em dúvida quanto à abertura total.

No dia seguinte, foi anunciada a abertura de mais 10 pontos de passagem. Antes do Natal, cidadãos das duas Alemanhas podiam viajar livremente entre os dois países.

Em 22 de dezembro, foi aberta a Porta de Brandemburgo, um dos principais pontos de Berlim, local das grandes celebrações de Ano Novo. Do lado oriental, leva à Unter den Linden (Avenida das Tílias), um dos lugares bonitos da antiga Berlim Oriental, onde as paredes dos prédios históricos ainda estava cravejadas pelas balas da Segunda Guerra Mundial.

LOCAIS HISTÓRICOS
Ao lado do Reichtstag, sede do Parlamento Alemão, a Porta de Brandemburgo é o principal símbolo de Berlim, Tem também a igreja da avenida Kurfurtensdam, que foi bombardeada e é mantida em ruínas como memória histórica, e a Coluna da Vitória.

O Mitte (Centro) da antiga Berlim Oriental se tornou um dos bairros mais agitados da festiva noite berlinense, para onde foram os artistas plásticos em busca de aluguéis mais baratos e espaço.

Um dos grandes marcos da reunificação da cidade é a Potzdamerplatz, onde em 1928, foi instalado o primeiro sinal de trânsito na Europa. Durante a Guerra Fria, a Potzdamer Platz sumiu. Ficava na terra de ninguém entre os dois lados do Muro. Ali, foi construído um grande centro comercial, com lojas, cinemas, teatros, restaurantes e galerais de arte para celebrar a Alemanha moderna.

REUNIFICAÇÃO
A queda do Muro foi uma bênção para o chanceler (primeiro-ministro) conservador Helmut Kohl, que governava a Alemanha Ocidental desde 1982, depois de romper uma longa hegemonia do SPD que vinha desde 1969.

Kohl estava mal nas pesquisas, mas o trem da História passou e ele pegou uma carona.

Em 1990, as potências ocupantes renunciaram a todos os seus direitos sobre o território alemão. A URSS saiu fora, e os ocidentais ficaram por causa da OTAN.

Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada sob a liderança de Kohl que venceu mais uma eleição. A atual chanceler, Angela Merkel, é do Leste e lidera o partido de Kohl, a União Democrata-Cristã (CDU), que venceu as eleições de 27 de setembro deste ano.

Para conquistar o apoio politico dos alemães-orientais, Kohl cometeu o que é considerado o grande erro econômico da reunificação. No mercado, o marco oriental valia seis vezes menos do que o marco alemão-ocidental.

Numa decisão política, Kohl resolveu converter poupanças, salários e pensões na cotação de um por um. Isso aumentou artificialmente os custos e preços do lado oriental e acabou sendo um obstáculo à absorção do Leste pela Alemanha Ocidental.

A nova Alemanha investiu até hoje 1,3 trilhão de euros na antiga Alemanha Oriental. A taxa de juros subiu para financiar tudo isso, pressionando moedas europeias mais fracas, como a lira e a libra, que sofreram fortes desvalorizações em 1992.

ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Kohl ainda se reelegeu em 1994 e completou 16 anos no poder. A esquerda só voltou ao poder com Gerhard Schröder, cujo slogan de campanha era Neue Mitte (Novo Centro). Ele se apresentava como uma espécie de Tony Blair alemão, um modernizador que traria a social-democracia mais para o centro para ganhar eleições.

Schröder era um politico pragmático que fechou diversos acordos de bastidores. Nunca teve uma visão programática e ideológica capaz de relançar o SPD a seus momentos de glória. Na verdade, os grandes partidos, o SPD e a CDU, perderam muito espaço para partidos menores nas últimas décadas.

Com algumas reformas liberalizantes, Schröder conseguiu acelerar o crescimento da estagnada economia alemã e reduzir o desemprego, que atingia 4 milhões quando ele se elegeu, em setembro de 1998.

O crescimento e a oposição à invasão do Iraque lhe valeram a reeleição em 2002. Em 2005, ele perdeu por pequena margem para a atual chanceler Angela Merkel, que passou a governar numa grande aliança com o SPD até vencer as eleições de setembro de 2009.

Schröder governou em aliança com Os Verdes, com Joschka Fischer, um ex-líder estudantil e radical dos anos 60 que virou estadista, como ministro do Exterior. Fischer desafiou o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, quando a Alemanha, como membro temporário do Conselho de Segurança, foi contra a invasão do Iraque, provocando um grande racha na aliança transatlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

No Kossovo, a Alemanha voltou a entrar em guerra pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma convenção dOs Verdes, militantes e Fischer, na mesa, se acusavam de Hitler porque a Alemanha voltaria a entrar em combate na Guerra do Kossovo, em 1999.

A Alemanha quer mudar, mas é um pais maior e mais desigual, mais desequilibrado depois da reunificação, maior do que a aliada França. Isso abalou o eixo central da integração europeia, sob tremendas pressões da globalização,

O modelo social-democrata, símbolo da estabilidade, da paz e da prosperidade do pós-guerra, está ameaçado.

Uma crise que a Alemanha não esperava e acredita que não criou abalou inclusive o sistema financeiro alemão, que tinha excesso de poupança para aplicar, então investiu nos papéis que micaram.

As exportações desabaram. No primeiro semestre, a China superou a Alemanha e se tornou a maior exportadora mundial de produtos industriais.

A Alemanha compete com sua engenharia de ponta, mas seus custos são muito superiores aos da China, Índia, Sudeste Asiático, América Latina e Europa Oriental. A maior cidade industrial da Alemanha hoje é São Paulo, onde as empresas alemães criam mais valor.

Nas eleições de 2005, nenhum partido ganhou um mandato claro. Merkel governou com o SPD do ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier.

Só agora pôde fazer aliança com os liberais-democratas do FDP, partido que tradicionalmente era o fiel da balança, fazia alianças com a CDU e o SPD para formar o governo.

Longe do poder, o FDP se tornou um partido mais liberal economicamente, a favor de desburocratização, desregulamentação, corte de impostos e subsídios, e reforma das leis de negociação coletiva de salários. Seu líder é Guido Westerwelle, novo ministro do Exterior alemão.

Merkel teme a volta da inflação com o aumento do endividamento público e gostaria de impor mais disciplina ao mercado financeiro. Steinmeier prometia pleno emprego dentro de alguns anos, o que parece impossível.

Resultado: o SPD sofreu sua maior derrota desde as eleições que levaram Hitler ao poder, em 1932.

A Alemanha é uma sociedade complexa, em larga medida introvertida e insegura quanto ao futuro, em crise de identidade, com dificuldades para manter a estabilidade, a harmonia e a paz social conquistadas com a economia social de mercado do modelo social-demcrata. Sua saída é a Europa, mas a UE dos 27 se tornou grande demais e também vive sua crise de identidade.

De qualquer maneira, é um país rico, moderno e bem-sucedido, que está na vanguarda da ciência, da cultura e das artes, berço de poetas e filósofos - e vai continuar sendo um dos mais importantes do mundo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Obama manda mensagem de paz ao Irã

Em mensagem divulgada agora há pouco, com tradução em persa, em homenagem ao Ano Novo iraniano, o presidente Barack Obama propôs a abertura de um diálogo amplo para resolver todos os problemas entre os Estados Unidos e a república islâmica do Irã.

A data coincide com o sexto aniversário da invasão do Iraque e realça a mudança da política externa americana do uso da força da era Bush para a diplomacia de Obama.

Os dois países romperam relações diplomáticas depois da revolução islâmica de 1979, quando a Embaixada dos EUA em Teerã foi ocupada durante 444 dias e 52 diplomatas foram sequestrados, de 4 de novembro de 1979 a 20 de janeiro de 1981, dia da posse de Ronald Reagan na Casa Branca.

Durante a ocupação, no governo Jimmy Carter, os EUA fizeram uma tentativa fracassada de libertar os reféns. A crise provocou sua derrota para Reagan na eleição presidencial de 1980.

Desde então, os aiatolás e a Guarda Revolucionária, que dominam o regime ditatorial iraniano, chamam os EUA de Grande Satã e o Departamento de Estado americano coloca o Irã na lista de países que apóiam o terrorismo por sua ligação com grupos como a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá.

Em janeiro de 2002, o presidente George Walker Bush fez o discurso do Estado da União em que usou a expressão "eixo do mal" para se referir ao Irã, ao Iraque e à Coreia do Norte. Seu objetivo era preparar a opinião pública americana para a invasão do Iraque, mas Teerã e Pionguiangue levaram a ameaça a sério e aceleraram seus programas nucleares.

A grande questão no momento é a forte suspeita de que o programa nuclear iraniano tem como um dos objetivos fabricar armas atômicas. No ano passado, o governo Bush teria negado a Israel armas para atacar fortalezas subterrâneas que seriam utilizadas para abrigar as instalações nuclear do Irã.

Os falcões da era Bush, capitaneados pelo vice-presidente Dick Cheney, seriam a favor de um bombardeio cirúrgico ao Irã para pelo menos atrasar o desenvolvimento do programa nuclear do país.

Tudo o que Obama não quer é uma nova guerra no Oriente Médio, ainda mais contra o Irã, um país de tradições milenares, herdeiro da antiga Pérsia, muito mais forte e populoso do que o Iraque.

Sua jogada é abrir um diálogo amplo com o regime fundamentalista iraniano. Mas o objetivo é o mesmo: impedir o Irã de ter armas nucleares.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Bush suspende retirada americana do Iraque

Apesar das pressões da oposição, o presidente George Walker Bush aceitou a recomendanção do comandante militar dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, e suspendeu a retirada das tropas americanas a partir de julho. Quando seu sucessor assumir, em 20 de janeiro de 2009, receberá como herança 140 mil soldados americanos no Iraque e uma guerra sem fim.

Em seu estilo de não admitir erros, apesar da sucessão de fracassos de seus dois governos, Bush declarou que os EUA retomaram a iniciativa da guerra no Iraque por causa da nova estratégia de reforço de tropas anunciada por ele há um ano e três meses: "Houve uma redução da violência sectária e atacamos os refúgios dos terroristas. Há uma mobilização crescente contra Al Caeda. Novas empresas estão se abrindo. Os governos municipais estão se organizando."

Bush apontou a retomada na produção de petróleo pelo Iraque aos níveis anteriores à invasão e os indicadores do país como um todo como prova da recuperação do país.

Para o presidente americano, há "três grandes desafios": a rede terrorista Al Caeda, o Irã e a reconciliação nacional dos iraquianos.

O reforço das tropas americanas, com o envio de mais 30 mil soldados no ano passado, marcou "uma mudança estratégica", afirmou Bush. "Retomamos a iniciativa. Hoje, estamos enfrentando insurgentes. Al Caeda está em fuga. Não temos a perspectiva do fracasso. Renasceu a expectativa de sucesso. Estamos na ofensiva, operando todas as noites".

Sair do Iraque e deixar o novo governo iraquiano se defendendo sozinho seria arriscado, argumenta o presidente: "Eles ainda precisam da nossa ajuda. Vamos manter o apoio ao governo do Iraque. Fizemos progressos significativos. Estamos no caminho certo."

A economia está em recuperação, assegura Bush: "Os EUA não estão mais pagando pela reconstrução, e o Iraque está pagando a maior parte das despesas com a Polícia e o Exército. Na frente política, as tribos estão reconstruindo a estrutura política.

Na frente diplomática, "o mundo precisa aumentar suas relações com o Iraque", pede Bush. "O general David Petraeus e o embaixador Ryan Crocker vão à Arábia Saudita, iniciando um giro pela região. Estamos incentivando os países vizinhos a reabrirem suas embaixadas. O Irã tem de fazer uma escolha: viver em paz ou o terrorismo."

Pela avaliação do presidente, os EUA estão avançado no Iraque nos setores de segurança, economia, política e diplomacia.

Depois de admitir que as Forças Armadas dos EUA estão estressadas, Bush falou que "o recrutamento continua forte. Uma derrota vai deprimir as Forças ".

Em seguida, pediu mais dinheiro ao Congresso alegando que o gasto militar total dos EUA "não é muito alto, apenas 4% do orçamento contra 13% durante a Segunda Guerra Mundial e 6% nos governos de Ronald Reagan (1981-89), no final da Guerra Fria, modesto em comparação com a riqueza da nossa nação."

Foram guerras muito mais importantes porque o poder no mundo estava em jogo. "Hoje eles atacam nosso território", comparou Bush. Só que Ossama ben Laden e Al Caeda não têm condições de derrotar os EUA estrategicamente, embora possam produzir grandes estrados.

Além disso, Al Caeda não estava no Iraque de Saddam Hussein. Chegou no vácuo de poder criado com o colapso do antigo regime.

"No Iraque, há uma convergência da Al Caeda com o Irã", continuou Bush. "Sair do Iraque serio um trunfo de propaganda de grandes proporções para os radicais muçulmanos. O Irã certamente vai tirar proveito, assim como os Talebã no Afeganistão e Al Caeda no Paquistão. Reforçaria a imagem de que nos retiramos, como no Vietnã e na Somália", apontado-os como fracassos.

Por fim, Bush insistiu que "uma retirada prematura do Iraque aumentaria o risco de novos ataques contra o território americano. Uma vitória no Iraque será um golpe no terrorismo. O povo rejeita os extremistas da Al Caeda e do Irã. É uma virada, uma conquista brilhante".

terça-feira, 29 de maio de 2007

Aviador desmoralizou defesa aérea soviética

Há 20 anos, um jovem aventureiro alemão pilotava um avião monomotor para entrar na História da Guerra Fria.

Mathias Rust, na época com apenas 19 anos, saiu de Helsinque, na Finlândia num Cessna dizendo que ia para Estocolmo, na Suécia, alterou seu plano de vôo e invadiu a União Soviética, terminando por pousar na Praça Vermelha, junto ao Kremlin, no coração do poder soviético, em 26 de maio de 1987.

O episódio desmoralizou a defesa antiaérea da superpotência comunista, levando seu dirigente máximo, o secretário-geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev, a demitir o ministro da Defesa, que resistia a seus projetos de abertura democrática (glasnost) e reestruturação econômica (perestroika).

Desapontado com o fracasso da reunião de cúpula de Gorbachev com o presidente americano Ronald Reagan em Reikjavic, na Islândia, em 1986, Rust, hoje um investidor bem-sucedido, revela suas motivações: "Estava cheio de sonhos. Acreditava que tudo era possível. Minha intenção com o vôo era estabelecer uma ponte imaginária entre o Ocidente e o Oriente", declarou Rust em entrevista ao jornal The Washington Post, por telefone, de sua casa, em Hamburgo, na Alemanha.

Rust teve sorte de sair vivo. Em 1º de setembro de 1983, a defesa aérea soviética na costa do Pacífico derrubara um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air, matando todos os passageiros e tripulantes.

Reagan e Gorbachev assinariam, em 8 de dezembro de 1987, o primeiro acordo para eliminar armas nucleares, na verdade toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de médio alcance (de 500 a 5 mil km).

Agora, diante da instalação de estações e radares do sistema de defesa antimísseis dos EUA na Europa Oriental, a Rússia acaba de tester um míssil balístico intercontinental, ameaça abandonar o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (1990) e voltar a produzir mísseis de médio alcance.

domingo, 20 de maio de 2007

Carter: Bush faz pior governo da História

Do ponto de vista das relações internacionais, o governo George W. Bush foi o pior da História dos Estados Unidos, afirmou o ex-presidente Jimmy Carter em entrevista divulgada neste fim de semana, como reporta o jornalThe New York Times neste domingo.

"Penso que pelo impacto adverso sobre a nação ao redor do mundo, este governo tem sido o pior da História", declarou Carter, de 82 anos, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, ao jornal The Arkansas Democrat-Gazette. "A inversão aberta dos valores básicos dos EUA seguidos por governos anteriores, incluindo os de Richard Nixon, Ronald Reagan e George H. W. Bush, é o mais perturbador para mim".

Carter também criticou o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, por seu apoio incondicional a Bush na guerra do Iraque: "Abominável. Leal, cego e aparentemente subserviente."

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Ronald Reagan por Ronald Reagan

O presidente americano Ronald Reagan considerava seu secretário de Estado "totalmente paranóico", o ex-senador Lowell Weicker "um idiota pomposo" e o presidente egípcio Anuar Sadat "um verdadeiro grande homem".

Ficou surpreso com a timidez do popstar Michael Jackson.

Tinha problemas com os filhos, sentia-se sozinho quando estava longe da mulher, Nancy, e registrou seus oito anos na Casa Branca (1981-89) num diário. Seus cinco volumes pertencem à Biblioteca Ronald Reagan, em Simi Valley, na Califórnia. Foram entregues ao historiador Douglas Brinkley para serem transformados em livro.

Em junho, a revista americana Vanity Fair publica os primeiros trechos de Os Diários de Reagan, que será lançado pela editora HarperCollins. Ali estão algumas reflexões na intimidade de um dos homens mais poderosos do mundo.

Quando o secretário de Estado Alexander Haig deixou o cargo em 1982 dizendo que tinham desentendimentos em política externa, a reação do presidente foi direta: "Na verdade, o único desentendimento foi sobre quem fazia a política, o secretário de Estado ou eu".

Fidel Castro não escapou do diálogo interior de Ronnie, que, apesar de todo o seu poder, sentia-se impotente diante do líder cubano: "Relatórios do serviço secreto dizem que Castro está muito preocupado comigo. Estou muito preocupado que eu não possa fazer algo que justifique suas preocupações".

No seu duelo de conservador contra a imprensa liberal americana, Reagan sabia que nada seria perdoado. Quando inverteu algumas frases do seu discurso na abertura da Olimpíada de Los Angeles, em 1984, imaginou que "a imprensa, tendo uma cópia escrita, vai alegremente me acusar de senilidade e incapacidade de decorar meu texto".

Outro comentário interessante foi feito quando o ex-chefe da Casa Civil Donald Regan descobriu que Nancy tinha consultado um astrólogo a respeito das viagens do presidente. Reagan negou qualquer influência dos astros: "A imprensa agora tem uma novidade graças ao livro de Donald Reagan. Não tomamos decisões com base em consulta a astrólogos. A mídia se comporta como crianças com um brinquendo novo - tanto faz que não tenha nenhuma verdade nisso".

Em 30 de março de 1981, no início de seu primeiro governo, Reagan foi baleado por John Hinckley: "Entrei na sala de emergêrcia e me colocaram em cima de uma maca onde tiraram minha roupa. Foi aí que fiquei sabendo que tinha sido baleado e que tinha uma bala no pulmão".

"Ser baleado dói."

Ao negociar seu primeiro corte de impostos com o Congresso de maioria democrata, ficou surpreso com as reduções nas alíquotas para os ricos que a oposição aceitou.

Bob Woodward, um dos jornalistas que derrubaram o presidente Richard Nixon (1969-74) com o Escândalo de Watergate, não escapou da caneta feroz de Ronnie, quando publicou uma entrevista com o ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) William Casey feita no hospital pouco antes de sua morte: "É um mentiroso e mentiu sobre o que Casey pensava de mim".

Na Guerra Fria, até mesmo Reagan foi acusado de ceder diante da União Soviética, quando o Kremlin acusou o jornalista Nicholas Daniloff de espionagem: "A imprensa está obcecada com o caso Daniloff e determinada a nos pintar como se estivéssemos cedendo aos soviéticos, e diz, é claro, que é a pior maneira de negociar com eles. A verdade é que não propusemos nenhum acordo e que estamos jogando duro todo o tempo".

Em 1986, Reagan não sabia que o coronel Oliver North, com aquiescência do assessor de Segurança Nacional, John Poindexter, está desviando o dinheiro da venda ilegal de armas para o Irã para a ajuda também ilegal aos contra-revolucionários da Nicarágua: "North não me contou isso. Pior ainda, John descobriu e não me contou. Isto pode provocar demissões".

Com a sedução que a monarquia britânica exerce hoje sobre os americanos, Reagan gostou de receber o "muito agradável" príncipe Charles, mas não se perdoou porque o cerimonial da Casa Branca serviu chá em saquinho, que foi rejeitado por Sua Alteza.

Uma grande preocupação era com o filho: "Ron quer dispensar o serviço secreto por um mês. O serviço secreto sabe que ele é um alvo - mora numa área de Nova Iorque onde há um grupo terrorista porto-riquenho. De fato, ele está numa lista de alvos. Ele diz que estamos interferindo na sua privacidade. Não posso fazê-lo entender que não estou em posição de ter de pagar resgate."

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Rússia ameaça romper acordo de desarmamento

A Rússia ameaçou ontem abandonar o acordo de 1987 que eliminou os mísseis nucleares de alcance intermediário (500-5.500km), se os Estados Unidos insistirem em instalar seu escudo de defesa antimísseis na Europa Oriental. Quem citou especificamente o acordo foi o comandante do Exército russo, general Iuri Baluievsky.

O Acordo sobre Forças Nucleares de Alcance Médio, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelos presidentes dos EUA, Ronald Reagan, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, foi o primeiro a prever a eliminação de todo um tipo de armas atômicas.

Para o general Baluiesvsky, existem "provas convincentes" para abandonar o acordo porque "muitos países estão desenvolvendo e aperfeiçoando foguete de médio alcance". Ele relacionou diretamente a posição russa aos planos dos EUA de instalar seu sistema de defesa antimísseis, com interceptores e radares, nos novos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa Oriental, o que inclui as três antigas repúblicas soviéticas do Mar Báltico: Estônia, Letônia e Lituânia.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Morre Gerald Ford, o presidente acidental

O ex-presidente americano Gerald Ford (1974-77) morreu aos 93 anos. Sua família anunciou a morte mas não revelou a causa. Ele teve uma pneumonia no início do ano e foi submetido a dois tratamentos para o coração, inclusive uma angioplastia.

Único presidente não-eleito da História dos Estados Unidos, Ford chegou à Casa Branca depois da renúncia de Richard Nixon, em 1974, por causa do Escândalo de Watergate e por que o vice-presidente Spiro Agnew caíra em outro escândalo.

Durante seu governo, finalmente terminou a Guerra do Vietnã, com a queda de Saigon, no final de abril de 1975. Duas semanas antes, o Khmer Vermelho tomara o poder no Camboja, iniciando um período de terror em que 2 milhões foram mortos.

Candidato à reeleição, Ford cometeu o erro de perdoar Nixon, que talvez tenha sido fatal para suas pretensões. Ganhou o ex-governador da Geórgia, Jimmy Carter, do Partido Democrata. O Partido Republicano voltaria ao poder quatro anos depois, nas eleições de 1980, com Ronald Reagan.

O papel histórico de Gerald Ford foi resgatar a dignidade da Presidência dos EUA, manchada por Nixon. Hoje, mesmo adversários políticos como o senador Edward Kennedy concordaram que o perdão a Nixon contribuiu para aliviar a carga que todo o caso Watergate representara para a nação.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Morre guru do neoliberalismo

Um dos economista mais influentes do século 20, o americano Milton Friedman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1976, morreu do coração hoje aos 94 anos em São Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos.

Guru e fundador, em 1948, da Escola de Chicago e do monetarismo, Friedman defendia a redução do papel do Estado na economia, com cortes nos impostos e nos gastos públicos, e menos regulamentação, para liberar as forças do setor privado, na sua opinião muito mais eficiente do que o setor público.

Suas idéias foram a base da revolução neoconservadora impulsionada pelos governos Margaret Thatcher (1979-1990), no Reino Unido, e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e por ditadores latino-americanos como o general Augusto Pinochet, no Chile.

Sob Thatcher, a Grã-Bretanha se tornou um laboratório para as idéias de Friedman. A economia britânica voltou a crescer. Hoje é a quinta do mundo. Mas o desemprego chegou a níveis antes considerados inaceitáveis e o país se desindustrializou. O legado da era Thatcher ainda é ferozmente discutido.

"Milton Friedman reviveu a economia da liberdade quando ela estava quase esquecida. Era um combatente intelectual pela liberdade. Nunca houve um praticamente menos sombrio da 'ciência sombria' (economia)", declarou Thatcher em nota distribuída à imprensa.

Libertário, era a favor da legalização das drogas para que a sociedade e cada indivíduo assumisse a responsabilidade pelos seus atos, com menos interferência do Estado no que considerava uma questão privada.

Em Capitalismo e Liberdade, escreveu: "A liberdade política significa a ausência de coerção de um homem por seu semelhante. A ameaça fundamental à liberdade é o poder de coagir, esteja nas mãos de um monarca, ditador, uma oligarquia ou uma maioria momentânea. A preservação da liberdade exige a eliminação desta concentração poder na maior extensão possível e a dispersão e distribuição de qualquer poder capaz de ser eliminado - num sistema de controles. Ao tirar a organização da atividade econômica do controle da autoridade política, o mercado elimina a fonte do poder coercitivo. Habilita o poder econômico a ser uma limitação em vez de um reforço do poder político".

Seus antípodas marxistas diriam que no sistema capitalista há um conluio entre o poder político e o grande capital. Os políticos, cujas campanhas são financiadas por empresas, seriam leais a este poder econômico, representariam majoritariamente os interesses do capital, o que manteria a concentração de poder.

De qualquer maneira, a democracia é a melhor maneira de controlar tanto o poder político quanto o poder econômico. Em liberdade, pode-se lutar para mudar o mundo ou qualquer outra coisa.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Ortega pode ganhar no primeiro turno na Nicarágua

O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega (1979-90), da Frente Sandinista de Libertação Nacional, pode ganhar a eleição presidencial de ontem na Nicarágua no primeiro turno. Apurados 40% dos votos, Ortega lidera com 41,1%, seguido pelo banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda Eduardo Montealegre, apoiado pelos Estados Unidos, com 32,7%.

Pela nova lei eleitoral nicaragüense, alterada para favorecer Ortega, para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa de no mínimo 35% dos votos e uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Ortega era um dos nove comandante da FSLN, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979, depois de dez anos de guerra civil. Como eram dois Ortegas na junta, Daniel acabou sendo eleito presidente

O líder sandinista aliou-se ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção, e a um ex-comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80, com ajuda do então presidente americano Ronald Reagan. Tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.