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sábado, 26 de dezembro de 2020

Pandemia acelera transição hegemônica dos EUA para a China

 Com o fracasso dos Estados Unidos no combate à doença do coronavírus de 2019, surgida na China, este país deve se tornar a maior economia do mundo pelo valor nominal em dólares do produto interno bruto em 2028, cinco anos antes do esperado anteriormente, previu hoje o Centro para Pesquisas Econômicas e de Negócios da Índia. 

As duas maiores economias do mundo estão a caminho de trocar de posição, enquanto a Índia avança para se tornar a terceira maior. A pandemia começou na China, com o caso mais antigo rastreado até 17 de novembro, mas o país se recuperou rapidamente, a julgar pelas estatísticas oficiais do regime comunista, nem sempre confiáveis. Neste ritmo, a  China deve se tornar uma economia de alta renda em 2023.

No mês passado, o ditador Xi Jinping declarou ser "inteiramente possível" que a China dobre seu PIB até 2035 com o novo plano quinquenal aprovado pelo governo. A meta é chegar ao "socialismo moderno" com "características chinesas" em 15 anos.

Com o declínio do comunismo como ideologia depois das revoluções democráticas na Europa Oriental e da queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da União Soviética, em 1991, é o crescimento econômico que legitima a manutenção da ditadura de partido único na China.

O grande temor dos dirigentes é uma abertura democrática como a promovida pelo líder soviético Mikhail Gorbachev, considerado um "líder fraco", por Xi, a partir de 1985, e o caos econômico na Rússia pós-comunista durante o governo Boris Yeltsin (1991-99). 

Esta é a justificativa de Xi para reinstaurar uma ditadura personalista e se tornar um novo imperador, acabando com a direção colegiada e o limite de dois mandatos de cinco anos para secretário-geral do PC e presidente da China criados por Deng Xiaoping para administrar a luta pelo poder na cúpula do partido.

Mais cedo ou mais tarde, a crise econômica vai chegar. Aí, a classe média em vai deverá questionar o monopólio de poder do PC e a legitimidade de um governo assentado sobre a força das armas do Exército Popular de Libertação.

A década que começa na próxima semana será o momento decisivo da transição hegemônica entre EIA e Rússia, com grande risco de guerra. O projeto Armadilha de Tucídides, do professor Graham Alisson, da Universidade de Harvard, nos EUA, identificou 16 transições hegemônicas a partir do século 15, quando começou a expansão colonial marítima da Europa. Em 12 casos, houve guerra.

O grande desafio das relações internacionais nas próximas décadas será administrar as relações entre a superpotência ascendente e a superpotência em declínio. O conflito vai muito além da guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump. É uma confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar pela supremacia mundial.

Há vários focos de tensão nas relações com os EUA que estarão em pauta no governo Joe Biden:

• as disputas territoriais com os países vizinhos no Mar do Sul da China; 

• a questão de Taiwan, que o regime comunista considera uma província rebelde e ameaça invadir;

• o fim da fórmula "um país, dois sistemas", que prometia manter as liberdades democráticas em Hong Kong pelo menos até 2047, com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional;

• a concorrência tecnológica em torno da tecnologia de comunicação móvel de quinta geração (5G);

• e as violações dos direitos humanos em toda a China, e especialmente no Tibete e dos muçulmanos uigures na província de Xinjiang, no Noroeste do país.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Espanha chega a um milhão de casos confirmados da covid-19

 A Espanha é o primeiro país europeu a ultrapassar a marca de 1 milhão de casos diagnosticados da doença do coronavírus de 2019. É o mais atingido pela segunda onda da pandemia na Europa, que registrou 927 mil casos novos em uma semana. Até agora, tem mais de 34 mil mortes. É o terceiro país do mundo em mortes por habitante, depois do Peru e da Bélgica e logo à frente do Brasil.

A Europa Oriental, que não sofreu tanto na primeira onda, enfrenta um momento difícil, com recordes de contaminação na Polônia e na República Tcheca.

Os Estados Unidos notificaram até hoje 8,333 milhões de casos e mais de 222 mil mortes, e a contaminação não está em queda em nenhum estado.

No dia em que o Brasil passou de 155 mil mortes, sob pressão de seguidores nas redes sociais e diante da propaganda do governador João Dória, um possível adversário na eleição de 2022, o presidente Jair Bolsonaro desautorizou o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que anunciara na véspera a compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa. Meu comentário:

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Sociedade civil luta pela democracia liberal na Europa Central e Oriental

A defesa do liberalismo político vem de onde não se esperava: 30 anos depois da queda do Muro de Berlim e do fim do comunismo, uma nova revolução defende a democracia e a liberdade na Europa Central e Oriental. Movimentos da sociedade civil rejeitam a volta do autoritarismo.

Mesmo quando fracassarem, esses grupos se tornarão uma força política que os governos da região terão de levar em conta. Ao mesmo tempo, a emergência de novas forças de oposição vai contribuir para a instabilidade política crescente e o risco político na região.

Na República Tcheca, na Eslováquia, na Romênia e na Albânia, multidões estão saindo às ruas para exigir transparência dos governos, observa a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor.

Os resultados ainda são poucos. Os governos, especialmente da Hungria e da Polônia, adotaram discursos e política ultranacionalistas, de extrema direita, atacam a independência do Poder Judiciário e as liberdades públicas. 

A União Europeia advertiu a Hungria, a Polônia e a Romênia a respeitar as liberdades democráticas, a parar de sufocar a mídia crítica aos governos, e a respeitar a independência do Judiciário – e ameaçou tomar medidas punitivas. 

Enquanto a União Europeia se preocupa, a sociedade civil luta para garantir as conquistas das revoluções liberais que abriram a Cortina de Ferro e derrubaram o comunismo em 1989. Será um elemento importante para evitar o aprofundamento do fosso entre as Europas Ocidental e Oriental. Meu comentário:

sábado, 1 de dezembro de 2018

Morre George Bush, dos mais bem-preparados presidentes dos EUA

Morreu ontem aos 94 anos George Herbert Walker Bush (1989-93) , talvez o mais bem-preparado de todos os presidentes dos Estados Unidos. Foi o último presidente da Guerra Fria e o último a lutar na Segunda Guerra Mundial, quando seu avião foi derrubado no Oceano Pacífico.

Seu filho George Walker Bush (2001-9), muito menos qualificado, governou por dois mandatos. O pai por apenas um. A dignidade com que Bush sênior se comportou no cargo contrasta com o arrivismo, o oportunismo e a corrupção do atual presidente, Donald Trump.

Aristocrata da Nova Inglaterra, Bush nasceu em Milton, no estado de Massachusetts, em 12 de junho de 1924. Contra a vontade do pai, que era senador, se alistou para lutar na Segunda Guerra Mundial. Era piloto da Marinha quando seu avião foi abatido, em setembro de 1944.

Depois da guerra, formou-se em economia em apenas dois anos meio na Universidade de Yale e foi para o Texas, onde fez sua própria fortuna na indústria do petróleo antes de entrar na política. Foi deputado, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador nas Nações Unidas e na China, e vice-presidente de Ronald Reagan (1981-89).

Durante as eleições primárias da campanha de 1980, criticou o que chamou de "economia vodu" de Reagan, a noção de que cortes de impostos eram uma panaceia para todos os males. Vice-presidente da Reagan, beneficiou-se do prestígio do chefe para ser um dos poucos vices a chegar à Casa Branca.

Na sua própria campanha, prometeu não aumentar impostos. Foi obrigado a fazê-lo para reduzir o déficit herdado de Reagan, que gastou US$ 2 trilhões em armas para pressionar a União Soviética no fim da Guerra Fria. Nunca foi perdoado pela ala mais à direita do Partido Republicano.

Conservador, ao aceitar a candidatura, no discurso na convenção republicana, falou em "mil pontos de luz", defendendo o voluntariado dos cidadãos como fórmula para atacar os problemas sociais, sendo alvo de duras críticas do Partido Democrata. Mesmo assim, obteve uma ampla vitória sobre o ex-governador Michael Dukakis.

Sua vida política foi marcada por guerras, da Segunda Guerra Mundial, quando serviu como aviador, à Guerra Fria, passando pela invasão do Panamá, em dezembro de 1989, para depor o ditador Manuel Noriega, ex-agente da CIA que se associara às máfias colombianas do tráfico de drogas, e a Guerra do Golfo (1991), para expulsar as forças do Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bush estava no poder quando o regime comunista da China esmagou a revolta dos estudantes no Massacre na Praça da Paz Celestial, na noite de 3 para 4 de junho de 1989, o Muro de Berlim caiu, em 9 de novembro daquele ano, e as revoluções liberais acabaram com o comunismo na Hungria, que abriu primeiro a cortina de ferro, na Polônia, que realizou as primeiras eleições democráticas na Europa Oriental, na Alemanha Oriental, na Tcheco-Eslováquia, na Bulgária e na Romênia.

Ao lado do Reino Unido e da França, acabou com a ocupação militar da Alemanha Ocidental, permitindo a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990. A União Soviética acabaria em 31 de dezembro de 1991.

Antes, Bush assinou com o líder soviético Mikhail Gorbachev dois acordos fundamentais para o fim da Guerra Fria: o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (1990), que limitou o total de armas não nucleares no continente; e o Tratado de Redução de Armas Estratégias (1991), o START 1, que diminuiu a quantidade de armas nucleares capazes de atacar diretamente os EUA e a URSS.

Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait, em 2 de agosto de 1990, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, o advertiu: "Não é hora de ser mole, George."

Diante da ameaça de que Saddam tomasse a Arábia Saudita, o que lhe daria o controle sobre 40% das reservas mundiais de petróleo, em 6 de agosto de 1990, Bush lançou a Operação Escudo no Deserto e exigiu a retirada incondicional das forças iraquianas do Kuwait.

Como o Iraque não recuou, os EUA lideraram uma aliança de 33 países, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas para usar a força. A URSS de Gorbachev votou a favor e a China se absteve.

Em 17 de janeiro de 1991, usando a estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA iniciaram a Operação Tempestade no Deserto com uma intensa campanha de bombardeios aéreos que ficou conhecida como o videogame da guerra, uma grande propaganda da nova geração de armas inteligentes dos EUA. As imagens divulgadas pelo Departamento da Defesa dos EUA pareciam um videogame e não mostravam as mortes e a destruição em terra.

A invasão terrestre começou em 24 de fevereiro. Quatro dias depois, o Iraque se rendeu. O setor mais linha-dura do Partido Republicano nunca perdoou Bush por não ter marchado até Bagdá e deposto Saddam Hussein. O então presidente da França, François Mitterrand, era contra.

Bush preferiu não romper a coalizão. Apostou num golpe militar contra Saddam Hussein por causa da humilhação sofrida pelas Forças Armadas do Iraque. Foi muito criticado por incentivar as rebeliões de curdos e xiitas, esmagadas por Saddam com alto custo em vidas humanas.

A aliança com vários países árabes e a decisão de Israel de não entrar na guerra, apesar dos ataques iraquianos ao território israelense, permitiu o início do processo de paz no Oriente Médio na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991. Bush chegou a ameaçar com o corte de garantias de crédito para pressionar Israel.

Os EUA foram muito criticados por não intervirem militarmente para acabar com as guerras civis que destruíram a Iugoslávia. Na visão de Bush, no mundo pós-Guerra Fria, isso seria responsabilidade dos europeus. Seu sucessor, Bill Clinton (1993-2001), acabou intervindo ao descobrir que a política externa compensaria as derrotas em questões internas nos EUA.

Com o prestígio obtido na vitória esmagadora sobre Saddam Hussein, Bush dava a reeleição em 1992 como certa. Foi abatido pela recessão de 1990-91, que aumentou o desemprego até junho de 1992, e pela entrada de um candidato independente na corrida para a Casa Branca.

"É a economia, estúpido!", declarou James Carville, o estrategista da campanha de Bill Clinton. Mas o que roubou mesmo a vitória de Bush foi o candidato conservador independente Ross Perot.

Clinton venceu, em 3 de novembro de 1992, com 44,9 milhões de votos (43%), contra 39,1 milhões (37,4%) de Bush e 19,7 milhões (18,9%) de Perot.

Quando Clinton entrou na Casa Branca, em 20 de janeiro de 1993, encontrou uma carta pessoal de Bush desejando-lhe um bom governo e aconselhando-o a não se abalar com as críticas: "Seu sucesso agora é o sucesso do nosso país. Estou torcendo por você. Boa sorte, George."

Por iniciativa do presidente George Walker Bush, o filho, os dois fizeram campanhas para recolher doações para as vítimas do maremoto de 2004 no Sudeste Asiático, que matou mais de 200 mil pessoas, e para as vítimas do furacão Katrina, que atingiu o Sul dos EUA em 2005 e causou 1.833 mortes.

Mesmo sendo adversários políticos, os dois ex-presidentes se tornaram grandes amigos, provando, nas palavras de Bush sênior, que "a política não precisa ser mesquinha e horrível." Trump não aprendeu a lição. Nem o Brasil.

terça-feira, 18 de março de 2014

EUA: Rússia confiscou a Crimeia

Durante viagem à Polônia para reassegurar os aliados da Europa Oriental, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou as ações da Rússia na Crimeia e no resto da Ucrânia, que chamou de "confisco de território" e ameaçou com novas sanções.

"A Rússia listou toda uma série de argumentos para justificar o que nada mais é do que um confisco de território", afirmou Biden em Varsóvia. "O isolamento político e diplomático da Rússia só vai aumentar.

Os EUA convocaram uma reunião de emergência do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) e da União Europeia para a próxima semana, em Haia, na Holanda.

Em Londres, o ministro do Exterior do Reino Unido, William Hague, anunciou a suspensão de toda a cooperação militar com Moscou.

Apesar de condenar a "ilegalidade" do referendo, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel disse que ainda é cedo para falar numa exclusão definitiva da Rússia do G-8. A Alemanha é o país ocidental que mais tem relações econômicas com a Rússia. Teme um acirramento ainda maior das tensões. O comércio bilateral é de US$ 79 bilhões por ano.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Euro 2012 marca emergência da Europa Oriental

Depois de séculos de guerras, invasões estrangeiras, dominação imperial e revoluções, a partir da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e do fim do comunismo, os países da Europa Oriental se democratizaram e se aproximaram da União Europeia. A realização da Euro 2012, a copa europeia de seleções, na Polônia e na Ucrânia é um símbolo dessa emancipação.

Além do futebol, nas ruas de cidades tão marcadas pela História e pela Segunda Guerra Mundial como Varsóvia, a capital polonesa, e Kiev, a capital ucraniana, e das outras sedes da Eurocopa, afloram rivalidades históricas e nacionalistas, como nas brigas entre poloneses e russos, há duas semanas.

Nesta quinta-feira, falei um pouco sobre essas histórias no programa Redação SporTV.

A Polônia é hoje o país que mais cresce entre na União Europeia. Driblou a crise de 2008-9. Não caiu em recessão. Cresceu 1,5%, enquanto a UE caía 4,3%. No momento, avança num ritmo de 3,5% ao ano. Ainda tem problemas, mas está definitivamente integrada à Europa moderna, pacífica e civilizada.

À sombra da gigantesca Rússia, a Ucrânia ainda não chegou lá. Teve queda de 7% no produto interno bruto. Há denúncias de favoritismo e corrupção. A ex-primeira-ministra Yulia Timochenko está condenada a sete anos de cadeia por abuso de poder e corrupção. Ninguém acredita que ela seja inocente, mas o processo foi considerado viciado.

Por isso, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, lidera um boicote de líderes europeus à final, a ser realizada em Kiev.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Eurocopa chega à Europa Oriental

A Euro 2012, a copa européia de seleções nacionais de futebol, começa hoje na Polônia e na Ucrânia, dois países do antigo bloco soviético. Estavam do outro lado da cortina de ferro que dividia o mundo entre capitalismo e comunismo. É a Eurocopa chegando à Europa Oriental.

Se Polônia é um tigre do Leste Europeu, com crescimento médio de 5% nos últimos anos, a Ucrânia tem sérios problemas políticos e econômicos.

Membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Polônia foi capaz de evitar a recessão. Cresceu 1,6% em 2009, enquanto a União Europeia recuava 4,9%. Depois de alguns conflitos na era pós-comunismo, tem hoje um governo estável de centro-direita.

Já a Ucrânia era uma das repúblicas da União Soviética. Fazia parte do chamado "império interior soviético", que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, insiste em recriar, ainda que informalmente.

Depois da Revolução Laranja, que impediu uma fraude eleitoral para beneficiar Viktor Yanukovic, em 2004, seus líderes se desentenderam. Hoje o candidato barrado pela revolução ganhou as eleições e mandou processar a ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, que está na cadeia, condenada a sete anos de prisão por abuso de poder numa negociação de gás com a Rússia.

Como a União Europeia entende que o processo foi político e não respeitou as normas internacionais sobre direito de defesa, seus líderes decidiram boicotar os jogos na Ucrânia. Mesmo que a Alemanha, uma das favoritas, chegue à final, a primeira-ministra Angela Merkel não irá a Kiev, a capital ucraniana em boicote a Yanukovich. Outros líderes da UE prometem fazer o mesmo.

De um lado, o torneio mostra uma Polônia moderna e liberal, próspera, com taxa de crescimento elevado, solidamente integrada à Europa, com as relações com a Alemanha em seu melhor momento histórico. Do outro, uma Ucrânia afundada na crise econômica e na corrupção, com um capitalismo oligárquico e mafioso, e um regime político autoritário, mais próxima da Rússia.

Outra questão importante que assusta os organizadores é o risco de manifestações racistas de grupos de extrema direita, informa o jornal The New York Times, ao fazer um balanço do torneio que deveria consagrar a inserção de duas grandes nações na Europa moderna, desenvolvida e civilizada.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Estônia tem saldo de 1% nas contas públicas

A ex-república soviética da Estônia, o país da Europa Oriental que adotou o liberalismo econômico com maior determinação, terminou 2011 com um saldo positivo de 1% nas contas públicas.

O total da dívida pública estoniana está em 6% do produto interno bruto. São resultados excepcionais dentro de uma União Europeia em crise, divulgados hoje pelo escritório nacional de estatísticas da Estônia.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

sábado, 31 de outubro de 2009

Sarkozy quer aliança Brasil-UE-África

Na conferência de cúpula da União Europeia para definir uma posição conjunta para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Copenhague, em dezembro, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu uma aliança da UE com o Brasil e a África para pressionar os Estados Unidos e a China a se comprometerem com metas de controle das emissões de gases que agravam o efeito estufa.

Sarkozy quer mobilizar os países pobres da África, que serão os mais afetados pelo aquecimento global, depois de algumas ilhas oceânicas ameaçadas de desaparecer, os grandes emergentes da América Latina, Brasil e México, e os países pobres da Europa Oriental para impedir o imobilismo da China e dos EUA.

Mas o governo polonês, ao discutir a formação do fundo para combater a mudança do clima, alegou que não faz sentido que países como a Bulgária e a Romênia financiem o Brasil, hoje a oitava maior economia do mundo, retomando o lugar que ocupava nos anos 70.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Rússia não vai instalar mísseis em Kaliningrado

O primeiro-ministro Vladimir Putin elogiou hoje a decisão dos Estados Unidos de suspender a instalação de um sistema de defesa antimísseis na Europa Oriental, que descreveu como "correta e corajosa". A Rússia desistiu de colocar mísseis em Kaliningrado, um enclave entre a Polônia e a Lituânia.

Putin também agradeceu o fim de restrições para a transferência de tecnologia à Rússia.

A reviravolta na polítca externa americana confirma a intenção do presidente Barack Obama de fazer um "recomeço" nas relações com a Rússia.

Em Bruxelas, o novo secretário-geral da Organização do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, o ex-primeiro-ministro conservador dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, pediu o apoio russo para pressionar o Irã a não desenvolver armas nucleares e propôs uma cooperação estratégica com a Rússia para desenvolver tecnologia antimísseis.

terça-feira, 21 de abril de 2009

FMI estima perda de bancos em US$ 4,1 trilhões

Em nova revisão de suas previsões para a economia mundial, o Fundo Monetário Internacional estimou hoje em US$ 4,1 trilhões o total dos papéis podres, ativos tóxicos ou dívidas e títulos incobráveis em poder de instituições financeiras dos Estados Unidos, da Europa e do Japão.

O FMI adverte que a recuperação da economia mundial depende, em primeiro lugar, do saneamento do sistema financeiro, origem da crise. Pelos cálculos do Fundo, os bancos americanos e europeus vão necessitar de US$ 875 bilhões em 2010 para se recapitalizar.

Ao mesmo tempo, a fuga de capital dos países emergentes para cobrir rombos ou fugir de riscos em países em desenvolvimento pode deixá-los precisando de US$ 1,8 trilhão em 2009. Na visão do FMI, a situação é mais crítica para os países da Europa Central e Oriental.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Moody's alerta para risco de calote argentino

A agência de classificação de risco Moody's advertiu hoje que a Argentina pode ter problemas para financiar os pagamentos de sua dívida no próximo ano.

"Mesmo que a Argentina consiga pagar o serviço da dívida este ano, é provável que as opções de financiamento para 2010 sejam muito mais reduzidas", declarou a Moody's.

Em um dia de forte turbulência no mercado financeiro internacional por causa do prejuízo recorde da seguradora transnacional americana AIG, o Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, sofreu uma queda de 7,4%, reflexo do aumento da desconfiança dos investidores quanto ao futuro imediato do país. Foi a maior queda em 2009.

O dólar subiu para 3,62 pesos argentinos. Foi um dia de alta para a moeda americana no mundo inteiro. Apesar dos problemas da economia dos EUA, o dólar ainda é a moeda internacional preferida, a moeda preferida para reserva de valor. Uma alternativa é o ouro, mas o ouro não paga dividendos.

O euro está ameaçado pelos problemas da Europa Oriental e o iene está ligado a uma das economias mais abaladas pela crise.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crise atinge emergentes

Depois da Islândia, que negociou um empréstimo de emergência de US$ 6 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional para evitar o colapso do sistema bancária, que teve de ser totalmente estatizado pelo governo, a Hungria, a Ucrânia, a Bielorrússia e o Paquistão pediram ajuda ao FMI. O Brasil e o México estão usando suas reservas cambiais para defender suas moedas.

Ontem a revista inglesa The Economist advertia que a Índia tem um déficit público elevado, de cerca de 10% do produto interno bruto, de cerca de US$ 1 trilhão, e as empresas brasileiras têm dívidas em dólares. Mas os dois países acumularam reservas cambiais que os deixaram mais bem-preparados do que nunca para uma crise econômica internacional.

Hoje, diante do colapso das bolsas de Moscou e do rublo, alguns analistas previram que a Rússia poderia entrar em recessão. Seria o primeiro dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) a entrar em recessão.

A expectativa para os outros três grandes emergentes é que sofram com a crise, reduzam suas taxas de crescimento, a China e a Índia para cerca de 6% e o Brasil de 2% a 3%.

Com o pânico e a fuga de capitais, as moedas do Brasil, México, Turquia, Hungria, Polônia e Coréia do Sul se desvalorizaram.

Leia mais no jornal espanhol El País.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Rússia ameaça romper acordo de desarmamento

A Rússia ameaçou ontem abandonar o acordo de 1987 que eliminou os mísseis nucleares de alcance intermediário (500-5.500km), se os Estados Unidos insistirem em instalar seu escudo de defesa antimísseis na Europa Oriental. Quem citou especificamente o acordo foi o comandante do Exército russo, general Iuri Baluievsky.

O Acordo sobre Forças Nucleares de Alcance Médio, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelos presidentes dos EUA, Ronald Reagan, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, foi o primeiro a prever a eliminação de todo um tipo de armas atômicas.

Para o general Baluiesvsky, existem "provas convincentes" para abandonar o acordo porque "muitos países estão desenvolvendo e aperfeiçoando foguete de médio alcance". Ele relacionou diretamente a posição russa aos planos dos EUA de instalar seu sistema de defesa antimísseis, com interceptores e radares, nos novos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa Oriental, o que inclui as três antigas repúblicas soviéticas do Mar Báltico: Estônia, Letônia e Lituânia.