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domingo, 13 de abril de 2014

Bielorrússia rejeita federalização da Ucrânia

De olho no seu país, o ditador da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, no poder há 20 anos, um dos maiores aliados de Moscou, rejeitou hoje a pressão da Rússia pela federalização da Ucrânia.

Em entrevista à televisão russa NTV, Lukachenko declarou que a federalização dividiria o país e destruiria o Estado ucraniano. A exemplo da Ucrânia, depois do fim da União Soviética, a Bielorrússia entregou à Rússia as armas nucleares instaladas em seu território.

A Rússia, a Bielorrússia e a Ucrânia formavam o núcleo central eslavo da URSS. O país de Lenin, Trotski e Stalin, pátria do comunismo internacional, desapareceu quando essas três repúblicas assinaram o Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, rechaçando a proposta de confederação feita pelo último líder soviético, Mikhail Gorbachev.

Qualquer tentativa do homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, de recriar a URSS através da União Eurasiana será capenga sem esses três países.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Xi Jinping faz primeira viagem ao exterior à Rússia

Em sua primeira viagem ao exterior como presidente da China, Xi Jinping chegou hoje a Moscou para uma visita de três com o objetivo de fortalecer a parceria econômica entre as duas grandes potências e uma aliança política para se opor aos Estados Unidos e à Europa em foros internacionais.

A China está interessada num acordo para garantir o suprimento de gas e petróleo da Rússia à sua economia, que superou os EUA no ano passado como maior importador mundial de energia, informa o jornal Economic Times.

"A China e a Rússia são hoje seus mais importantes parceiros estratégicos", declarou Xi a jornalistas russos, manifestando o interesse de consolidar a aliança entre os dois grandes países comunistas do século 20, abalada desde que o líder soviético Nikita Kruschev denunciou os crimes do ditador Josef Stalin, em 1956. "De diversas maneiras, falamos a mesma língua".

Depois de alguns conflitos de fronteiras que quase levaram a China e a União Soviética à guerra em 1969, o pior momento das relações bilaterais foi na era das reformas de Mikhail Gorbachev. O movimento estudantil pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 1989, foi deflagrado por uma visita de Gorbachev.

Desde o colapso da URSS, em 1991, o regime comunista chinês tenta tirar lições para evitar seu próprio desaparecimento.

Com a guinada autoritária da Rússia desde a ascensão de Vladimir Putin ao poder em 2000 e sua tentativa de restaurar o poder imperial da era soviética, a aproximação era inevitável. A questão é se será uma aliança sólida ou apenas uma parceria estratégica oportunista do autoritarismo para se opor pontualmente às políticas ocidentais.

Até onde vão os interesses comuns? Rússia e China já são aliadas na Organização de Cooperação de Xangai e no forum do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que também têm interesses comuns limitados além de se opor às potências ocidentais que dominaram o mundo nos últimos 500 anos.

A energia gera bons negócios e uma agenda positiva, mas a rápida ascensão da China a superpotência desequilibra uma relação que na era de Stalin e Mao Tsé-tung pendia para Moscou.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Gorbachev aconselha Putin a deixar o poder

Vinte anos depois do desaparecimento da União Soviética, seu último presidente, Mikhail Gorbachev, principal responsável pelo fim da Guerra Fria, aconselha o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, a entregar o poder.

Putin sucedeu a Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia pós-soviética, que promoveu uma privatização selvagem e deixou o país numa situação caótica.

Eleito presidente em 2000 e 2004, por impedimento constitucional, Putin passou o poder para seu aliado Dimitri Medvedev em 2008. Tornou-se primeiro-ministro e agora lançou sua candidatura à eleição presidencial de 4 de março.

Uma série de denúncias de fraude nas eleições parlamentares de 4 de dezembro provocou uma revolta popular. Duas grandes manifestações nas últimas semanas pediram "uma Rússia sem Putin".

Em entrevista em Moscou, citada pelo jornal francês Le Monde, Gorbachev aconselhou Putin "a partir imediatamente. Ele já governou por dois mandatos como presidente e um como primeiro-ministro. Três mandatos são suficientes. Ele deveria fazer o mesmo que eu fiz".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Gorbachev pede anulação de eleições na Rússia

Diante das denúncias de fraude e das manifestações de protesto, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev pediu hoje a anulação das eleições parlamentares realizadas no domingo passado na Rússia, vencidas pelo partido do primeiro-ministro Vladimir Putin.

"As autoridades só podem tomar uma decisão: anular as eleições de domingo", declarou o último líder da União Soviética. "Ignorar a opinião pública desacredita o governo e desestabiliza o país", reporta a TV pública britânica BBC.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Conspiração da sauna acabou com a URSS

O golpe fracassado contra o último presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, há 20 anos, foi tramado numa sauna.

A linha dura queria salvar a URSS. Destruiu, depois de 70 anos, o que parecia um monolito impenetrável, o segundo país mais poderoso do mundo, pátria do socialismo, ou melhor, do stalinismo.

A Conspiração da Sauna é descrita no jornal The New York Times pelo jornalista húngaro Victor Sebestyen, autor de Revolution 1989: the fall of the soviet empire.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Gorbachev critica autoritarismo soviético da Rússia

No aniversário de 20 anos do golpe da linha dura que implodiu a União Soviética, seu último presidente, Mikhail Gorbachev, pediu uma mudança profunda na política russa e considerou o monopólio de poder do partido Rússia Unida “uma versão piorada do Partido Comunista Soviético”, noticia o jornal Financial Times.

Há exatamente 20 anos, quando Gorbachev tirava suas férias de verão numa dacha na Crimeia, um grupo da linha dura tentou tomar o poder em Moscou.

Um comitê liderado por Guenadi Ianaiev se instalou no poder. A população protestou nas ruas, com o apoio do presidente da Rússia, Boris Yeltsin, que havia sido afastado do PC, e o Exército não atirou na multidão. Três dias depois, o comitê desabou.

As repúblicas que tinham conseguido alguma autonomia com as reformas de Gorbachev se rebelaram contra aquele ataque do centro tentando restabelecer um stalinismo anacrônico.

Logo, as repúblicas soviéticas começaram a declarar suas independência. Quando a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia, o núcleo eslavo, decidiram abandonar a união em 8 de dezembro de 1991, em Minsk, a URSS estava liquidada.

Em 31 de dezembro de 1991, o inacreditável aconteceu: a bandeira vermelha foi arriada no Kremlin e o comunismo literalmente acabou, embora sobreviva de diferentes maneiras. Houve conflito na periferia do império soviético, mas foi uma morte mais pacífica que se esperava.

Gorbachev volta para resgatar sua herança de lutador pela liberdade e a modernidade.

A eleição presidencial na Rússia será realizada em março de 2012. A única dúvida é quem será o candidato oficial: o presidente Dimitri Medvedev ou o primeiro-ministro Vladimir Putin, ainda o homem-forte do país.

Essa própria noção de homem-forte foi combatida por Gorbachev. Putin considera o fim da URSS o “maior desastre geopolítico do século 20”. Desde que assumiu, em 2000, tenta restaurar na Rússia o poder imperial soviético.

“Se o regime só pensa em aumentar o seu próprio poder, isso já é autoritário”, criticou o último líder soviético. Gorbachev é a favor de acabar com monopólios de poder no modelo da URSS que sobrevivem até hoje.

Putin herdou o caos dos anos Yeltsin (1991-99). Ex-diretor do serviço secreto russo herdeiro do KGB, a temida polícia política soviética, apelou aos métodos do passado para restaurar alguma ordem. Travou guerras sanguinárias na Chechênia, acabou com a eleição para governador, prendeu inimigos do regime, fustigou outras ex-repúblicas soviéticas tentando restabelecer uma esfera de influência.

Depois de elogiar Putin por tirar o país do caos deixado por Yeltsin, agora Gorbachev acredita que chegou a hora dele entregar o poder. Mas as transições no Kremlin sempre são complicadas. E Putin não pretende sair.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mikhail Gorbachev faz 80 anos

O homem que tentou democratizar a União Soviética e acabou com ela completou hoje 80 anos. Mikhail Gorbachev foi eleito secretário-geral do Partido Comunista em 11 de março de 1985 e mudou o mundo. Foi o maior responsável pelo fim da Guerra Fria, mas não recebe o reconhecimento devido.

Com sua política de abertura (glasnost), Gorbachev atacou a censura que marcava a História da URSS desde seu nascimento.

Com a reestruturação econômica (perestroika), tentou introduzir a economia de mercado para sacudir o marasmo tecnológico do país.

Ao fazer a denúncia final e definitiva do stalinismo, Gorbachev tentou uma reforma que esbarrou na burocracia comunista e só pôde ser realizada na Rússia, depois do colapso da URSS, quando o governo Boris Yeltsin adotou terapias de choque e praticamente destruiu não só o modelo stalinista mas a própria economia do país.

Apesar de suas duras críticas à volta do autoritarismo na Rússia sob Vladimir Putin, Gorbachev foi homenageado hoje. Sua obra está inacabada.

O ex-presidente, atual primeiro-ministro e provável candidato a presidente Putin considera o fim da URSS o "maior desastre geopolítico do século 20". Seu sonho é restaurar a poderio imperial soviético boa a bandeira da Rússia. Vai contra a pregação de Gorbachev.

Talvez um dia os russos descubram que as ideias do antigo líder soviético projetam um futuro muito melhor para o país do que o governo de um ex-chefe do Serviço Federal de Informações, herdeiro do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a poderosa polícia política da URSS.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Muro de Berlim foi a cicatriz da Guerra Fria

No fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, a Alemanha foi ocupada e dividida pelos Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França. Sua capital, Berlim, ficou no setor soviético e também foi dividida em quatro.

Em 1948, para pressionar os aliados ocidentais no início da Guerra Fria, o ditador soviético Josef Stalin decretou o Bloqueio de Berlim, a segunda crise do conflito entre as superpotências, depois de problemas entre o Irã e a URSS, em 1946. Foi uma reação à aprovação do Plano Marshall, que Stalin chamou de “imperalismo do dólar”.

De 24 de junho de 1948 a 11 de maio de 1949, a passagem por terra da Alemanha Ocidental para Berlim Ocidental foi fechada por ordem do Kremlin. Neste período, mais de 200 mil voos levaram 13 mil toneladas de comida e outros suprimentos para a cidade sitiada.

Quando ficou evidente que o bloqueio não estava funcionando e que a ponte aérea era instrumento de propaganda do Ocidente, a URSS suspendeu o cerco. O aeroporto de Tempelhof, em Berlim Ocidental, foi transformado em museu da ponte aérea montada para furar o bloqueio.

Em 7 de outubro de 1949, a República Democrática da Alemanha, a Alemanha Oriental, nascia oficialmente, reunindo cinco estados da parte central da antiga Alemanha: Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Turíngia. Os territórios à margem oriental dos rios Oder e Neisse foram entregues à Polônia para compensá-la pelas terras tomadas pela URSS.

Pelo total de mortos na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos e 11 milhões de alemães, foi, acima de tudo, uma guerra entre a Alemanha e a URSS. Stalin aproveitou a ocupação para exigir reparações de guerra.

Em 16 de junho de 1953, o regime comunista alemão-oriental decretou um aumento de 10% na cota de produção dos operarios que construíam uma nova avenida em Berlim Oriental, a Stalinalle, hoje Karl Marx Allee. No dia seguinte, um movimento sindical de protesto se espalhou pelo país levando a uma grave de mais de um milhão de pessoas.

O governo alemão pediu a ajuda da URSS, que usou tanques contra a multidão. Pelo menos 50 pessoas morreram. Cerca de 10 mil foram presas e condenadas pelo Levante de 1953.

Com a ajuda do Plano Marshall, a República Federal da Alemanha, também fundada em 1949, cresceu e se recuperou, atraindo cada vez mais alemães do Leste. Descontentes com a falta de liberdade de oportunidades no regime comunista, cada vez mais eles “votavam com os pés”. Cerca de 3,5 milhões fugiram para o Ocidente.

CONSTRUÇÃO DO MURO
Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a fronteira com Berlim Ocidental foi fechada. Começava a construção do Muro de Berlim. A cidade se tornava um enclave capitalista.

Durante quase todo o tempo de sua existência, a ordem era atirar para matar em quem tentasse cruzar o Muro de Berlim. Cerca de 200 pessoas morreram tentando fugir (136, segundo um centro de pesquisa de Potsdam que está investigando detalhes dessas mortes). Cerca de 5 mil conseguiram escapar.

A história do Muro está contada no Museu do Check Point Charlie, um dos principais postos de fronteira onde se podia atravessar o Muro. Tem diversos instrumentos usados em tentativas de fuga, inclusive um motor aquático para fugir por baixo da água. Lá, estão as placas do tempo da Guerra Fria, do tipo "Vocé Está Deixando o Setor Americano".

A construção do Muro coincide com um período de elevada tensão na Guerra Fria. Em 15 de abril de 1961, houve a frustrada tentativa de exilados cubanos apoiados pela Agência Central de Inteligência (CIA), a agência de espionagem dos EUA, de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba. Isso levaria à tentativa de instalação de mísseis soviéticos em Cuba.

A Crise dos Mísseis (14 a 27 de outubro de 1962) foi o momento de maior tensão da Era Atômica. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Na época, ficou decidido que uma linha telefônica direta ligaria permanentemente a Casa Branca ao Kremlin para desarmar crises mundiais através da comunicação direta. O telefone vermelho começou a funcionar em 30 de agosto de 1963.

No mesmo ano, tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente em posição ameaçadora numa rua de Berlim. Em 26 de junho de 1963, Kennedy fez um famoso discurso Eu Sou um Berlinense diante do Muro: “Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. Portanto, como um homem livre, tenho orgulho das palavras: Ich bin ein Berliner.”

Para aliviar as tensões e evitar que a Alemanha fosse palco da primeira batalha da Guerra Fria, em 1969, o primeiro-ministro social-democrata alemão-ocidental Willy Brandt lançou sua nova Ostpolitik, política para a Alemanha Oriental, numa tentativa de mudar o regime comunista através da reaproximação, do estabelecimento de laços diplomáticos, econômicos e culturais.

Em 1970, Brandt assinou o Tratado de Moscou, renunciando ao uso da força e reconhecendo as fronteiras da Europa, e o Tratado de Varsóvia, reconhecendo a fronteira polonesa nos rios Oder e Neisse. Em 1972, fechou o controvertido Tratado Básico com a Alemanha Oriental, estabelecendo relações diplomáticas entre os dois países.

ERA GORBACHEV
O Muro começou a ruir com a ascensão de Mikhai Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de marco de 1985. Sua abertura democrática (glasnost) e sua reestruturação econômica (perestroika) foram mal recebidas pelos stalinistas da Alemanha Oriental, liderados por Erich Honecker, um entusiasta do Muro.

Dois meses antes do início da construção, o então líder do partido Walter Ulbricht, negou que seria construído, mas aparentemente mudou de ideia ao receber um telefonema do primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev, em 1º de agosto de 1961.

Em discurso diante do muro em 12 de junho de 1987, outro presidente americano, Ronald Reagan, fez um apelo a Gorbachev para derrubar o Muro.

Em 5 de abril de 1989, na Polônia, o sindicato livre Solidariedade fez um acordo com o regime comunista para participar de eleições, que venceu por maioria esmagadora em 4 e 18 de junho, perdendo apenas duas cadeiras das que pôde disputar.

Em 2 de maio, a Hungria rompeu a Cortina de Ferro. Começou a demanchar a cerca eletrificada na fronteira com a Áustria. Em 23 de agosto, em plenas férias de verão na Europa, todas as barreiras nas fronteiras da Hungria tinham caído.

Cidadãos dos países comunistas da Europa Oriental iam para a Hungria e cruzavam para o Ocidente. Cerca de 13 mil alemães-orientais fugiram via Áustria.

Quando começaram a ser mandados de volta da fronteira por pressão da Alemanha Oriental, invadiram embaixadas da Alemanha Oriental em Budapeste e Praga. O ministro do Exterior alemão-ocidental, Hans-Dietrich Genscher, foi pessoalmente a Praga. Os fugitivos foram autorizados a emigrar para a Alemanha Ocidental

O Muro de Berlim, em sua quarta geração, com blocos de concreto de 4 m de altura, resistia à avalanche democrática. Mas, desde setembro, as manifestações de massa de tornaram frequentes.

Em outubro de 1989, a Alemanha Oriental celebrou seus 40 anos com a presença de delegações dos partidos da esquerda brasileira. Mas o veterano líder linha-dura Honecker, que previra em janeiro que o Muro duraria mais cem anos, foi substituído por Egon Krenz, mais tolerante com a fuga dos alemães-orientais através dos países vizinhos.

Em 4 de novembro, um milhão de pessoas se reuniram na Alexanderplatz, no coração de Berlim Oriental, para pedir a abertura do regime.

Estive lá em 1990 e depois em 1998, na primeira eleição do Schröder, quando a praça já estava tomada pelos ex-comunistas do antigo Partido Socialista Unificado, o partido comunista da Alemanha Oriental, que mudou de nome para Partido Democrático Socialista e se fundiu com dissidentes do Partido Social-Democrata para formar um novo partido, A Esquerda.

O pessoal que realmente iniciou o movimento da sociedade civil pelo fim do comunismo formou a Aliança 90, aliada no Leste dOs Verdes. O partido verde alemão é o mais importante do mundo. Esteve no poder em aliança com o Partido Social-Democrata SPD na coligação verde-rosa, sob Schröder.

Sob pressão da fuga em massa que importunava outros países e dos protestos de rua, em 9 de novembro de 1989, o Politburo do partido comunista decidiu permitir que os alemães-orientais saíssem do país para visitar a Alemanha Ocidental através das fronteiras do país.

Com pouco mais do que uma nota em mãos, o encarregado de dar a notícia, o secretário de Propaganda do partido, Günter Schabowski, foi para uma entrevista coletiva fazer o anúncio. Disse que, pelas novas regras, os alemães-orientais poderiam viajar ao exterior. Bastava apresentar o passaporte na fronteira.

Diante de uma pergunta inesperada de um jornalista italiano, acrescentou que a medida entraria em vigor imediatamente.

Dezenas de milhares de alemães-orientais foram para os postos de fronteira em Berlim para cruzar o Muro. Os guardas não sabiam o que fazer. Ligaram para seus superiores, que não tinham sido informados da decisão confusa do Politburo. Cederam para evitar um banho de sangue como o que acontecera na Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Os alemães cruzaram e pularam o Muro em diversos pontos. Tenho amigos que me disseram que, quando voltaram, no meio da madrugada, havia soldados postados ao longo de todo o lado oriental, o que foi interpretado como sinal de que o regime ainda estava em dúvida quanto à abertura total.

No dia seguinte, foi anunciada a abertura de mais 10 pontos de passagem. Antes do Natal, cidadãos das duas Alemanhas podiam viajar livremente entre os dois países.

Em 22 de dezembro, foi aberta a Porta de Brandemburgo, um dos principais pontos de Berlim, local das grandes celebrações de Ano Novo. Do lado oriental, leva à Unter den Linden (Avenida das Tílias), um dos lugares bonitos da antiga Berlim Oriental, onde as paredes dos prédios históricos ainda estava cravejadas pelas balas da Segunda Guerra Mundial.

LOCAIS HISTÓRICOS
Ao lado do Reichtstag, sede do Parlamento Alemão, a Porta de Brandemburgo é o principal símbolo de Berlim, Tem também a igreja da avenida Kurfurtensdam, que foi bombardeada e é mantida em ruínas como memória histórica, e a Coluna da Vitória.

O Mitte (Centro) da antiga Berlim Oriental se tornou um dos bairros mais agitados da festiva noite berlinense, para onde foram os artistas plásticos em busca de aluguéis mais baratos e espaço.

Um dos grandes marcos da reunificação da cidade é a Potzdamerplatz, onde em 1928, foi instalado o primeiro sinal de trânsito na Europa. Durante a Guerra Fria, a Potzdamer Platz sumiu. Ficava na terra de ninguém entre os dois lados do Muro. Ali, foi construído um grande centro comercial, com lojas, cinemas, teatros, restaurantes e galerais de arte para celebrar a Alemanha moderna.

REUNIFICAÇÃO
A queda do Muro foi uma bênção para o chanceler (primeiro-ministro) conservador Helmut Kohl, que governava a Alemanha Ocidental desde 1982, depois de romper uma longa hegemonia do SPD que vinha desde 1969.

Kohl estava mal nas pesquisas, mas o trem da História passou e ele pegou uma carona.

Em 1990, as potências ocupantes renunciaram a todos os seus direitos sobre o território alemão. A URSS saiu fora, e os ocidentais ficaram por causa da OTAN.

Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada sob a liderança de Kohl que venceu mais uma eleição. A atual chanceler, Angela Merkel, é do Leste e lidera o partido de Kohl, a União Democrata-Cristã (CDU), que venceu as eleições de 27 de setembro deste ano.

Para conquistar o apoio politico dos alemães-orientais, Kohl cometeu o que é considerado o grande erro econômico da reunificação. No mercado, o marco oriental valia seis vezes menos do que o marco alemão-ocidental.

Numa decisão política, Kohl resolveu converter poupanças, salários e pensões na cotação de um por um. Isso aumentou artificialmente os custos e preços do lado oriental e acabou sendo um obstáculo à absorção do Leste pela Alemanha Ocidental.

A nova Alemanha investiu até hoje 1,3 trilhão de euros na antiga Alemanha Oriental. A taxa de juros subiu para financiar tudo isso, pressionando moedas europeias mais fracas, como a lira e a libra, que sofreram fortes desvalorizações em 1992.

ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Kohl ainda se reelegeu em 1994 e completou 16 anos no poder. A esquerda só voltou ao poder com Gerhard Schröder, cujo slogan de campanha era Neue Mitte (Novo Centro). Ele se apresentava como uma espécie de Tony Blair alemão, um modernizador que traria a social-democracia mais para o centro para ganhar eleições.

Schröder era um politico pragmático que fechou diversos acordos de bastidores. Nunca teve uma visão programática e ideológica capaz de relançar o SPD a seus momentos de glória. Na verdade, os grandes partidos, o SPD e a CDU, perderam muito espaço para partidos menores nas últimas décadas.

Com algumas reformas liberalizantes, Schröder conseguiu acelerar o crescimento da estagnada economia alemã e reduzir o desemprego, que atingia 4 milhões quando ele se elegeu, em setembro de 1998.

O crescimento e a oposição à invasão do Iraque lhe valeram a reeleição em 2002. Em 2005, ele perdeu por pequena margem para a atual chanceler Angela Merkel, que passou a governar numa grande aliança com o SPD até vencer as eleições de setembro de 2009.

Schröder governou em aliança com Os Verdes, com Joschka Fischer, um ex-líder estudantil e radical dos anos 60 que virou estadista, como ministro do Exterior. Fischer desafiou o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, quando a Alemanha, como membro temporário do Conselho de Segurança, foi contra a invasão do Iraque, provocando um grande racha na aliança transatlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

No Kossovo, a Alemanha voltou a entrar em guerra pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma convenção dOs Verdes, militantes e Fischer, na mesa, se acusavam de Hitler porque a Alemanha voltaria a entrar em combate na Guerra do Kossovo, em 1999.

A Alemanha quer mudar, mas é um pais maior e mais desigual, mais desequilibrado depois da reunificação, maior do que a aliada França. Isso abalou o eixo central da integração europeia, sob tremendas pressões da globalização,

O modelo social-democrata, símbolo da estabilidade, da paz e da prosperidade do pós-guerra, está ameaçado.

Uma crise que a Alemanha não esperava e acredita que não criou abalou inclusive o sistema financeiro alemão, que tinha excesso de poupança para aplicar, então investiu nos papéis que micaram.

As exportações desabaram. No primeiro semestre, a China superou a Alemanha e se tornou a maior exportadora mundial de produtos industriais.

A Alemanha compete com sua engenharia de ponta, mas seus custos são muito superiores aos da China, Índia, Sudeste Asiático, América Latina e Europa Oriental. A maior cidade industrial da Alemanha hoje é São Paulo, onde as empresas alemães criam mais valor.

Nas eleições de 2005, nenhum partido ganhou um mandato claro. Merkel governou com o SPD do ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier.

Só agora pôde fazer aliança com os liberais-democratas do FDP, partido que tradicionalmente era o fiel da balança, fazia alianças com a CDU e o SPD para formar o governo.

Longe do poder, o FDP se tornou um partido mais liberal economicamente, a favor de desburocratização, desregulamentação, corte de impostos e subsídios, e reforma das leis de negociação coletiva de salários. Seu líder é Guido Westerwelle, novo ministro do Exterior alemão.

Merkel teme a volta da inflação com o aumento do endividamento público e gostaria de impor mais disciplina ao mercado financeiro. Steinmeier prometia pleno emprego dentro de alguns anos, o que parece impossível.

Resultado: o SPD sofreu sua maior derrota desde as eleições que levaram Hitler ao poder, em 1932.

A Alemanha é uma sociedade complexa, em larga medida introvertida e insegura quanto ao futuro, em crise de identidade, com dificuldades para manter a estabilidade, a harmonia e a paz social conquistadas com a economia social de mercado do modelo social-demcrata. Sua saída é a Europa, mas a UE dos 27 se tornou grande demais e também vive sua crise de identidade.

De qualquer maneira, é um país rico, moderno e bem-sucedido, que está na vanguarda da ciência, da cultura e das artes, berço de poetas e filósofos - e vai continuar sendo um dos mais importantes do mundo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

China censura blogs, email e Twitter

Às vésperas dos 20 anos do massacre na Praça da Paz Celestial, o regime comunista da China está censurando, blogs, o Twitter e até mesmo alguns endereços de correio eletrônico.

Em 1989, os estudantes chineses, sob a inspiração da abertura promovida por Mikhail Gorbachev na União Soviética, ocuparam a praça central de Beijim durante várias semanas para pedir liberdade e democracia, combate à corrupção no governo e o fim do monopólio de poder do Partido Comunista.

Na noite de 3 para 4 de junho daquele ano, o Exército Popular de Libertação atirou contra seu próprio povo, matando centenas, talvez milhares, de pessoas. Milhares saíram feridos.

O governo chinês tenta esconder essa história, parte de um momento crítico das reformas modernizantes, que tinham na época pouco mais de dez anos. Pragmaticamente, o líder supremo Deng Xiaoping optou pela estabilidade e autorizou o massacre.

Do outro lado, no debate interno da cúpula do PCC, estava o secretário-geral Zhao Ziyang, que foi à praça conversar com os estudantes. Zhao não os considerava perigosos para o Estado ou o partido.

Naquela luta, o primeiro-ministro linha dura Li Peng escreveu um editorial no Diário do Povo usando abertamente posições que Deng tinha lhe revelado reservadamente.

Foi um sinal para Zhao. Ele caiu em desgraça e morreu em prisão domiciliar há quatro anos mas deixou gravado um depoimento transformado num livro publicado agora, Prisioneiro do Estado.

Quando chegou para uma reunião na casa de Deng que esperava ser privada, Zhao encontrou reunida toda a liderança do partido. Naquele momento, Zhao entendeu que tinha perdido a batalha. Foi acusado de dividir o partido e alegou que não seria o secretário-geral do PCC que mandaria o Exército atirar nos estudantes.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Comunicação está na vanguarda da produção

Os meios de comunicação estão na vanguarda dos meios de produção. Essa foi uma das principais proposições do sociólogo canadense Marshall McLuhan, o papa das comunicações, um dos grandes pensadores da segunda metade do século 21, hoje praticamente esquecido.

Seu argumento é simples: são os meios de comunicação que organizam a percepção humana, a sociedade e o modo de produção, como parece evidente na atual revolução da informática.

O livro, argumenta McLuhan, foi o primeiro bem de consumo uniformemente reproduzível. A imprensa de Gutenberg, de 1455, foi a primeira linha de montagem. O livro foi assim o primeiro bem manufaturado, 300 anos antes da Revolução Industrial na Inglaterra, que criaria a era da máquina a vapor, da locomotiva e do navio a vapor, permitindo uma acumulação de riqueza sem precedentes.

Com a tecnologia da imprensa, foi possível armazenar uma quantidade formidável de conhecimentos e levá-los para casa, um forte impulso ao individualismo e à visão racionalista e antropocêntrica do humanismo da Idade Moderna. Ela popularizou o mapa, instrumento essencial da expansão colonial marítima européia, mola propulsora da Revolução Comercial (1400-1700) e do capitalismo.

Menos de um século depois de Gutenberg publicar sua bíblia, o monge alemão Martinho Lutero traduziu-a do latim para sua língua, em 1534, lançando as bases da Reforma da Igreja. Um dos princípios fundamentais do protestantismo luterano é: “A Bíblia é a única norma da fé”.

Os cristãos não precisavam mais de intermediários para falar com Deus. Qualquer imigrante perdido no Oeste selvagem nos Estados Unidos tinha esse canal direto de comunicação com a fé.

A imprensa criou as grandes burocracias que levaram à Revolução Militar (1550-70), garantia de quatro séculos de dominação européia sobre o planeta, à formação dos Estados Nacionais e à revolução das idéias liberais, o Iluminismo, no século 18. Reprogramou o mundo, gerando o que McLuhan chamou de A Galáxia de Gutenberg, seu livro mais importante.

Agora, chegou a vez da tecnologia da informação redesenhar nossas vidas e o planeta como um todo. É um processo que começou há muito, com a descoberta da eletricidade, motor da Segunda Revolução Industrial.

Há uma frase de Benjamin Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos, que revela como o mundo mudou: “Há meses não recebemos notícias do nosso embaixador em Paris”. Quando Thomas Jefferson, futuro presidente dos EUA, representava a jovem república americana na França (1784-89), o único meio de comunicação à distancia era o correio.

Isso mudou quando Samuel Morse inventou o telégrafo, em 1839. Começava a era da comunicação instantânea. O jornal moderno, um mosaico de despachos telegráficos, é um cruzamento da imprensa com o telégrafo.

GALÁXIA DE MARCONI
A ciência avançava rapidamente. Antes de Morse, em 1831, o inglês Michael Faraday descobriu a indução magnética. Outro inglês, James Maxwell, descobriu as ondas eletromagnéticas, que viajam na velocidade da luz, 300 mil quilômetros por segundo.

Em 1880, o americano Thomas Alva Edison inventou a lâmpada, tirando a humanidade do escuro, e o alemão Heinrich Hertz comprovou na prática a existência das ondas eletromagnéticas.

O marco fundador da nova galáxia da informação é, para McLuhan, a criação pelo italiano Guglielmo Marconi, em 1896, do telégrafo sem fio, mais conhecido como rádio. É o início da era das telecomunicações sem fio. O automóvel, outro cruzamento das tecnologias mecânica e elétrica, é da mesma época.

A acumulação de riqueza sem precedentes a partir da Revolução Industrial criou o paradoxo da miséria em meio da abundância, tema central do pensamento de Karl Marx e de sua utopia igualitária: o comunismo.

McLuhan discorda de Marx ao alegar que não é a economia que move a História mas revoluções tecnológicas estimuladas pela luta pela supremacia militar. Não basta ser mais rico. É preciso ter a tecnologia militar mais avançada. Hoje essas duas coisas coincidem. Nem sempre foi assim.

Sob o comando de Guilherme o Conquistador, com apenas 200 cavaleiros, os normandos conquistaram a Inglaterra na Batalha de Hastings, em 1066, derrotando mais de 2 mil soldados leais ao rei Haroldo. Tinham a tecnologia militar dominante na Idade Média – o cavalo – , que permitiu a Gengis Khan e seus sucessores construir o maior império terrestre jamais visto: o Império Mongol.

Marx lançou o Manifesto Comunista em 1848, numa época de escassa mobilidade social, afirmando os conceitos de classe social e luta de classes. Extrapolou sua conclusão ao reduzir a História da Humanidade à história da luta de classes. É uma visão simplista e, na minha opinião, superada.

Como disse McLuhan, não pode haver luta de classes numa era de informação instantânea em que jovens nerds ficam bilionários criando empresas no fundo da garagem, como Apple, Microsoft, Yahoo, Google, Skype e tantas outras.

Não se pode negar que há conflitos de interesses entre as diferentes classes sociais. Mas, na Era da Informação e da economia baseada no conhecimento, o ser humano não está mais aprisionado a uma estrutura rígida de classes. Não é a luta de classes que move a História.

Foi a revolução silenciosa do computador e do microchip que derrotaram a União Soviética sem disparar um tiro. Em 1978, um general do Estado-Maior alertou o dirigente máximo Leonid Brejnev (1964-82): “Precisamos superar os EUA em computadores”. Brejnev sabia que era impossível.

Mikhail Gorbachev (1985-91) tentou reformar o sistema socialista, mas a burocracia comunista o impediu.

O marxismo sobrevive como a mais poderosa crítica do sistema capitalista. Mas seu modelo de organização social experimentado no século 20 foi para a lata de lixo da História.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Presidente da Geórgia antecipa eleição

Depois de dias de protestos exigindo sua renúncia, o presidente da ex-república soviética da Geórgia, Mikhail Saakachvili, anunciou ontem a antecipação da eleição presidencial para 5 de janeiro. Ele prometeu suspender em breve o estado de emergência decretado na quarta-feira. A eleição estava prevista para o final de 2008.

Saakachvili chegou ao poder em janeiro de 2004, depois que a Revolução Rosa derrubou o então presidente Eduard Chevardnadze, que fora ministro do Exterior da União Soviética sob a liderança de Mikhail Gorbachev. Entrou em conflito com a Rússia ao tentar reassumir o controle sobre duas regiões onde a maioria russa se rebelou depois da independência da Geórgia: Abcásia e Ossétia do Norte.

Quando os recentes protestos começaram, em 2 de novembro, em Tíflis, a capital georgiana, os manifestantes exigiam mudanças no calendário e no sistema eleitorais. Depois que Saakachvili acusou o movimento de ser orquestrado pelo Kremlin, passaram a exigir sua renúncia. A oposição o acusa de violar a lei e o direito de propriedade, de manipular a mídia e de prender opositores por motivos políticos.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Nova estratégia de Bush no Iraque desmorona

Quando anunciou sua nova estratégia para a guerra no Iraque, em janeiro, o presidente George Walker Bush marcou a data de 15 de setembro para fazer uma avaliação. Mas o que todos os relatórios feitos até agora indicam é que as metas não serão atingidas.

Enquanto isso, diminui cada vez mais o apoio que o presidente dos Estados Unidos ainda tem de parte da bancada do seu Partido Republicano. Aumenta a pressão pelo início da retirada americana do Iraque, considerada inevitável pelo ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev em artigo publicado hoje no jornal argentino La Nación.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Gorbachev critica defesa antimísseis dos EUA

O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev advertiu hoje para que não se repitam os erros da Guerra Fria e criticou o projeto dos Estados Unidos de construir um sistema de defesa antimísseis, chamado de Guerra nas Estrelas II, considerando-o arrogante.

Em entrevista à rede de televisão americana CNN, de Moscou, durante a reunião do Grupo dos Oito (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia) Gorbachev declarou que a proposta dos EUA, que inclui estações de radar e interceptadores na República Tcheca e na Polônia, significa que a Europa voltará a ser um alvo.

"Espero que a Guerra Fria não se repita", disse o homem que tentou democratizar a União Soviética. "Há uma possibilidade de que a auto-confiança, a arrogância, levem a uma situação semelhante à da guerra no Iraque".

Diante da instalação do sistema antimísseis, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, resgatou a retórica da confrontação com os EUA, seu país testou um míssil nuclear, ameaçou instalar mísseis nucleares de médio alcance e apontá-los para os aliados europeus dos americanos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O presidente George Walker Bush insistiu em que "a Guerra Fria acabou" mas acusou Putin de "descarrilar" as reformas democráticas iniciadas por Gorbachev.

Em novembro do ano passado, o ex-agente russo Alexander Litvinenko foi envenenado mortalmente em Londres com polônio-210, um elemento radioativo, num assassinato no estilo das guerras de espiões da Guerra Fria.

Gorbachev foi o dirigente máximo da União Soviética desde que foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, até o fim da URSS, em 31 de dezembro de 1991. Em 8 de dezembro de 1987, assinou com o então presidente americano Ronald Reagan o acordo para acabar com os mísseis nucleares de médio alcance, eliminando pela primeira vez toda uma classe de armas nucleares. É esse tipo de mísseis que Putin ameaça reinstalar como retaliação ao escudo antimísseis dos EUA.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Aviador desmoralizou defesa aérea soviética

Há 20 anos, um jovem aventureiro alemão pilotava um avião monomotor para entrar na História da Guerra Fria.

Mathias Rust, na época com apenas 19 anos, saiu de Helsinque, na Finlândia num Cessna dizendo que ia para Estocolmo, na Suécia, alterou seu plano de vôo e invadiu a União Soviética, terminando por pousar na Praça Vermelha, junto ao Kremlin, no coração do poder soviético, em 26 de maio de 1987.

O episódio desmoralizou a defesa antiaérea da superpotência comunista, levando seu dirigente máximo, o secretário-geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev, a demitir o ministro da Defesa, que resistia a seus projetos de abertura democrática (glasnost) e reestruturação econômica (perestroika).

Desapontado com o fracasso da reunião de cúpula de Gorbachev com o presidente americano Ronald Reagan em Reikjavic, na Islândia, em 1986, Rust, hoje um investidor bem-sucedido, revela suas motivações: "Estava cheio de sonhos. Acreditava que tudo era possível. Minha intenção com o vôo era estabelecer uma ponte imaginária entre o Ocidente e o Oriente", declarou Rust em entrevista ao jornal The Washington Post, por telefone, de sua casa, em Hamburgo, na Alemanha.

Rust teve sorte de sair vivo. Em 1º de setembro de 1983, a defesa aérea soviética na costa do Pacífico derrubara um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air, matando todos os passageiros e tripulantes.

Reagan e Gorbachev assinariam, em 8 de dezembro de 1987, o primeiro acordo para eliminar armas nucleares, na verdade toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de médio alcance (de 500 a 5 mil km).

Agora, diante da instalação de estações e radares do sistema de defesa antimísseis dos EUA na Europa Oriental, a Rússia acaba de tester um míssil balístico intercontinental, ameaça abandonar o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (1990) e voltar a produzir mísseis de médio alcance.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Rússia enterra Yeltsin como herói

O homem que enterrou o comunismo e a União Soviética foi sepultado na quarta-feira, 25 de abril, em Moscou, com a presença de dois ex-presidentes dos Estados Unidos, George Bush sr. (1989-93) e Bill Clinton (1993-2001), e do último líder soviético, Mikhail Gorbachev (1985-91). Primeiro presidente eleito da História da Rússia, Boris Nikolaievitch Yeltsin (1991-99) não foi o pai da democracia no país. Essa honra cabe a Gorbachev.

Yeltsin, que morreu na segunda-feira aos 76 anos de problemas do coração, presidiu à caótica introdução do capitalismo em seu país, com um escandaloso programa de privatizações que gerou uma máfia de barões ladrões. É considerado um traidor pelos comunistas por ter acabado com a URSS e um herói pelos inimigos do antigo regime.

Camponês como o líder soviético Nikita Kruschev (1953-64), Boris Nikolaievitch nasceu em Sverdlosk, em 1º de fevereiro de 1931. Seu pai, condenado por agitação anti-soviética em 1934, cumpriu pena de três anos de trabalhos forçados no gulag.

Ele se formou em engenharia civil no Instituto Politécnico dos Urais em 1955 e entrou para o Partido Comunista em 1961. Em 1963, tornou-se engenheiro-chefe e, em 1965, presidente do Coletivo de Construção Habitacional de Sverdlosk. Em 1968, entrou para a nomenklatura, ao ser nomeado chefe de construções do comitê regional do Partido Comunista.

Oito anos depois, tornava-se primeiro-secretário do PC em Sverdlosk, uma das principais regiões industriais da Rússia, cargo que ocupou até 1985. Neste período, destruiu, por ordem do Kremlin, a Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, onde o último czar, Nicolau II, e sua família tinham sido mortos pelos bolcheviques em julho de 1918, depois da revolução comunista. E construiu um palácio para sede do PC.

Mais tarde, Yeltsin diria: “Sinceramente, eu acreditava nos ideais de justiça propagados pelo partido”.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do PCUS, em 11 de março de 1985, Yeltsin teria sua chance. Em 24 de dezembro de 1985, ele foi nomeado para o Birô Político (Politburo) do Comitê Central do Partido Comunista, a instituição maxima do poder soviético, e primeiro-secretário do partido em Moscou. Na prática, tornou-se prefeito da capital da URSS. Ao usar os transportes públicos para ir trabalhar, revelou seu populismo.

Líder da ala ultra-reformista no começo das reformas de Gorbachev, Yeltsin perdeu a posição de prefeito de Moscou na luta da hierarquia comunista contra a glasnost (transparência, a abertura política) e a perestroika (reestruturação, a reforma econômica). Caiu por manobra do vice-líder do PC, Igor Ligachev, principal adversário de Gorbachev, em 21 de outubro de 1987.

Voltou em 1989 como deputado mais votado da Rússia. Em 1990, foi eleito presidente do Soviete Supremo da Federação Russa, o que na prática o tornou presidente da maior e mais importante república soviética.

A confirmação no cargo veio em 12 de junho de 1991, na primeira eleição presidencial direta da História da Rússia. Yeltsin ganhou com 57%, vencendo o ex-primeiro-ministro soviético Nikolai Rijcov, candidato de Gorbachev.

Leia a íntegra na minha coluna no Baguete.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Rússia: escudo antimísseis dos EUA ameaça segurança internacional

O projeto americano de instala um escudo antimísseis com estações na Europa Oriental ameaça desastabilizar seriamente a segurança regional e mundial, advertiu hoje o ministro da Defesa da Rússia, Anatoli Serdioukov, ao receber em Moscou o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates.

"Consideramos que o sistema estratégico de defesa antimísseis é um grave fator de desestabilização, que pode exercer uma influência considerável sobre a segurança regional e mundial", afirmou o ministro da Defesa russo.

A Rússia alerta que pode desenvolver uma nova geração de mísseis nucleares de médio alcance. Os anteriores foram desmantelados pelas superpotências depois do acordo histórico firmado pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mihail Gorbachev em 8 de dezembro de 1987.

Quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) começou a instalar aqueles mísseis na Europa, em novembro de 1983, a Guerra Fria vivia seus últimos momentos de tensão. Alguns analistas chamam de Segunda Guerra Fria aquele período, da invasão soviética ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, até a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de dezembro de 1985.

Morre Yeltsin, o homem que enterrou a URSS

O ex-presidente Boris Yeltsin, que enterrou a União Soviética e que presidiu à caótica transição da Rússia para o capitalismo, morreu hoje aos 76 anos em Moscou de problemas do coração.

Yeltsin é considerado um traidor pelos comunistas por ter acabado com a URSS e um herói pelos inimigos do antigo regime.

Líder da ala ultra-reformista no começo das reformas do líder soviético Mikhail Gorbachev, Yeltsin perdeu a posição de prefeito de Moscou por manobra da hierarquia comunista na luta contra a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação). Voltou em 1989 como deputado mais votado da Rússia. Em 1990, foi eleito presidente do Soviete Supremo da Federação Russa, o que na prática o tornou presidente da maior e mais importante república soviética.

A confirmação no cargo veio em 12 de junho de 1991, na primeira eleição presidencial direta da História da Rússia. Yeltsin ganhou com 57%.

Com a legitimidade do mandato popular, em agosto do mesmo ano, liderou a resistência ao golpe da linha dura comunista contra Gorbachev e depois forçou-o a deixar o cargo.

Um dos momentos decisivos foi a criação de uma nova aliança entre as três repúblicas eslavas da URSS - Rússia, Ucrânia e Bielorrússia - em Minsk, capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991. Era o fim da URSS. Gorbachev renunciaria em 31 de dezembro daquele e a bandeira vermelha foi arriada do mastro do Kremlin.

Ao expressar suas "profundas condolências" hoje, Gorbachev observou que "sob os ombros de Yeltsin recaem grandes acontecimentos para o bem do país e sérios erros". Foi "um destino trágico".

A "terapia de choque" de Yeltsin para reimplantar o capitalismo jogou milhões na miséria. O escandoloso programa de privatizações foi a maior distribuição do patrimônio público a preços vis da História.

Uma empresa de petróleo chegou a ser vendida por US$ 160 mil, preço de um apartamento de luxo numa metrópole brasileira. Surgiram assim os oligarcas, os barões ladrões do mafioso capitalismo russo, que inflacionaram o mercado imobiliário de Londres e entraram nos negócios do futebol, investindo em times como o Chelsea, de Londres, e o Corinthians Paulista.

Em 1993, numa queda-de-braço com a oposição, mandou fechar e bombardear a Casa Branca de Moscou, sede do Parlamento da Rússia.

Mesmo assim, Yelstin foi reeleito em 1996, com o apoio dos novos milionários, derrotando mais uma vez os comunistas.

Seus últimos anos de governo foram marcados pelo caos, por alegações de alcoolismo e pela cruenta guerra civil na república rebelde da Chechênia, onde o poderoso Exército da Rússia foi derrotado de 1994-96.

Com problemas de saúde, Yeltsin renunciou no final de 1999, passando o poder ao então primeiro-ministro e atual presidente Vladimir Putin, que ganhara prestígio ao comandar com mão-de-ferro a segunda guerra na Chechênia.

Muitos contemporâneos de Yeltsin acusam Putin de ter reimposto uma didatura com suas políticas para resgatar o poder imperial da extinta URSS, prendendo empresários que financiam a oposição, reestatizando empresas e matando inimigos do regime no exterior. Mas seu prestígio é elevado por causa da melhora na situação econômica da Rússia, que se beneficiou com a alta dos preços do petróleo, do qual é a segunda maior produtora mundial, depois da Arábia Saudita.

Yeltsin prometeu não voltar à vida pública e morreu sem criticar seu sucessor. O presidente Putin o saudou depois da morte como o "pai da democracia na Rússia".

Sem desmerecer o papel histórico de Yeltsin de acelerar a glasnost e a perestroika, e sua resistência ao golpe de agosto de 1991, e sem esquecer que ele mandou bombardear o Parlamento, a democracia deve muito mais a Mikhail Gorbachev, um homem que abdicou do poder e saiu do Kremlin sem disparar um tiro. Ao contrário de Yeltsin, não foi por motivo de saúde.

Ao aceitar a vitória do Solidariedade na Polônia, a abertura da cortina de ferro na Hungria, a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha, Gorbachev acabou com o chamado império exterior soviético, o conjunto de países teoricamente independente que faziam parte do Bloco Soviético na Europa Oriental. Yeltsin encarregou-se de continuar a obra, desmontando o império interior soviético.

Na Rússia, como na maior parte da África, as eleições ainda não levaram a uma efetiva transferência de poder. O candidato do Kremlin ganha sempre. Yeltsin deu um golpe palaciano para derrubar Gorbachev e outro passando o poder a Putin, que disputou a eleição presidencial de 2000 já instalado no Kremlin.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Rússia ameaça romper acordo de desarmamento

A Rússia ameaçou ontem abandonar o acordo de 1987 que eliminou os mísseis nucleares de alcance intermediário (500-5.500km), se os Estados Unidos insistirem em instalar seu escudo de defesa antimísseis na Europa Oriental. Quem citou especificamente o acordo foi o comandante do Exército russo, general Iuri Baluievsky.

O Acordo sobre Forças Nucleares de Alcance Médio, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelos presidentes dos EUA, Ronald Reagan, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, foi o primeiro a prever a eliminação de todo um tipo de armas atômicas.

Para o general Baluiesvsky, existem "provas convincentes" para abandonar o acordo porque "muitos países estão desenvolvendo e aperfeiçoando foguete de médio alcance". Ele relacionou diretamente a posição russa aos planos dos EUA de instalar seu sistema de defesa antimísseis, com interceptores e radares, nos novos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa Oriental, o que inclui as três antigas repúblicas soviéticas do Mar Báltico: Estônia, Letônia e Lituânia.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

"Uma Guerra Fria é suficiente"

O novo secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, usou de ironia para rebater as acusações do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de que as ações "ilegais" e "unilaterais" de Washington jogaram o mundo num "abismo de conflitos permanentes".

"Uma Guerra Fria é suficiente", reagiu com humor o novo chefe do Pentágono, conhecido falcão do tempo da confrontação entre os EUA e a União Soviética, quando foi diretor da Agência Central de Inteligência (CIA). Gates teria sido um dos últimos a acreditar nas reformas de Mikhail Gorbachev. "Como um guerreiro frio, as declarações de ontem quase me deram nostalgia de uma era menos complexa. Quase".

Como ex-diretor da CIA, comentou, "acredito que velhos espiões têm o hábito de falar bruscamente. No entanto, estive num campo de reeducação. Passei quatro anos e meio como presidente de uma universidade".

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Gorbachev defende multilateralismo

Diante do fracasso da guerra de Bush, erguem-se mais e mais vezes na defesa de uma solução negociada para o caos no Iraque, inclusive do ex-presidente da União Soviética e ex-secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev.

Em artigo distribuído pelo jornal The New York Times, Gorbachev acusa Bush de insistir no unilateralismo: “Parece que os líderes americanos não fizeram se não esquecer os princípios – tão conhecidos, indispensáveis e testados pelo tempo – do diálogo e da cooperação para resolver os problemas internacionais, que funcionaram com perfeição para pôr fim à Guerra Fria”.

Gorbachev defende a solução do conflito palestino-israelense, com a criação de um Estado palestino ao lado de Israel, que “mudaria a equação do poder no Oriente Médio e teria um impacto favorável nas relações internacionais”. Também cobra de Bush um diálogo com inimigos como a Síria e o Irã que lhes ofereça uma alternativa construtiva.

“Os problemas de segurança regional ou global não serão resolvidos, nem o terrorismo internacional será derrotado, aferrando-se às políticas falidas do unilateralismo”, adverte o homem que ajudou a acabar com a confrontação EUA x URSS. “Os mecanismos de cooperação e associação estão disponíveis, incluem o Quarteto no Oriente Médio, as negociações de seis partes sobre a questão nuclear da Coréia do Norte, os diversos grupos de contato e organizações regionais da Ásia, da África e da América Latina, entre outras. Todos estes mecanismos deveriam ser revitalizados e utilizados plenamente”.

Como o discurso de Bush certamente desapontou muita gente na Europa, nos EUA e no Oriente Médio, Gorbachev considera importante “canalizar esta reação numa direção construtiva”. Ele alerta que não há tempo a perder, “a menos que o aumento da presença militar americana na região seja parte, desde o princípio, de um plano secreto do governo dos EUA para invadir o Irã”.