Pelo menos cem manifestantes foram presos hoje quando protestavam nos arredores do Kremlin contra a posse de Vladimir Putin na Presidência da Rússia. Ele já presidiu o país de 2000 a 2008.
Nos últimos quatro anos, impedido de se reeleger pela Constituição, Putin indicou Dimitri Medvedev para presidente e continuou sendo homem-forte do país como primeiro-ministro. Agora, nomeou Medvedev para primeiro-ministro.
Se ficar no poder por mais dois mandatos, Putin será o líder que dirigiu o país por mais tempo na história recente depois do ditador soviético Josef Stalin (1924-53).
Ex-diretor do Serviço Federal de Segurança, o antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política soviética, Putin tem o perfil dos ditadores da União Soviética. Ele considera o desaparecimento da superpotência comunista "a maior catástrofe geopolítica do século 20" e faz tudo para restaurar o que poder imperial soviético.
É o homem-forte que a Rússia queria depois da caótica década de transição do comunismo para o capitalismo sob a presidência de Boris Yeltsin (1991-2000), com a liberalização selvagem dos preços e o colapso das aposentadorias e dos salários, que culminou no calote da dívida pública em agosto de 1998.
Eleito em meio à Segunda Guerra da Chechênia, depois de uma onda de atentados terroristas suspeitos em Moscou e de ações de extremistas muçulmanos no Sul do Cáucaso, Putin se beneficiou da alta nos preços do petróleo e governou com mão de ferro.
A pretexto de combater a rebelião na Chechênia e no Daguestão, acabou com a eleição direta para governador das 89 unidades administrativas da Federação Russa.
O maior país do mundo, com 17,5 milhões de quilômetros quadrados, tem uma administração centralizada nas mãos de um poderoso czar. A suntuosidade do Kremlin, com suas paredes cobertas de ouro está mais para império do que para república.
Do lado de fora das muralhas, mais uma vez, o povo tenta assaltar o palácio. Tanto hoje como ontem, houve grande protestos e pedidos de uma "Rússia sem Putin".
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 7 de maio de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Rússia enterra Yeltsin como herói
O homem que enterrou o comunismo e a União Soviética foi sepultado na quarta-feira, 25 de abril, em Moscou, com a presença de dois ex-presidentes dos Estados Unidos, George Bush sr. (1989-93) e Bill Clinton (1993-2001), e do último líder soviético, Mikhail Gorbachev (1985-91). Primeiro presidente eleito da História da Rússia, Boris Nikolaievitch Yeltsin (1991-99) não foi o pai da democracia no país. Essa honra cabe a Gorbachev.
Yeltsin, que morreu na segunda-feira aos 76 anos de problemas do coração, presidiu à caótica introdução do capitalismo em seu país, com um escandaloso programa de privatizações que gerou uma máfia de barões ladrões. É considerado um traidor pelos comunistas por ter acabado com a URSS e um herói pelos inimigos do antigo regime.
Camponês como o líder soviético Nikita Kruschev (1953-64), Boris Nikolaievitch nasceu em Sverdlosk, em 1º de fevereiro de 1931. Seu pai, condenado por agitação anti-soviética em 1934, cumpriu pena de três anos de trabalhos forçados no gulag.
Ele se formou em engenharia civil no Instituto Politécnico dos Urais em 1955 e entrou para o Partido Comunista em 1961. Em 1963, tornou-se engenheiro-chefe e, em 1965, presidente do Coletivo de Construção Habitacional de Sverdlosk. Em 1968, entrou para a nomenklatura, ao ser nomeado chefe de construções do comitê regional do Partido Comunista.
Oito anos depois, tornava-se primeiro-secretário do PC em Sverdlosk, uma das principais regiões industriais da Rússia, cargo que ocupou até 1985. Neste período, destruiu, por ordem do Kremlin, a Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, onde o último czar, Nicolau II, e sua família tinham sido mortos pelos bolcheviques em julho de 1918, depois da revolução comunista. E construiu um palácio para sede do PC.
Mais tarde, Yeltsin diria: “Sinceramente, eu acreditava nos ideais de justiça propagados pelo partido”.
Com a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do PCUS, em 11 de março de 1985, Yeltsin teria sua chance. Em 24 de dezembro de 1985, ele foi nomeado para o Birô Político (Politburo) do Comitê Central do Partido Comunista, a instituição maxima do poder soviético, e primeiro-secretário do partido em Moscou. Na prática, tornou-se prefeito da capital da URSS. Ao usar os transportes públicos para ir trabalhar, revelou seu populismo.
Líder da ala ultra-reformista no começo das reformas de Gorbachev, Yeltsin perdeu a posição de prefeito de Moscou na luta da hierarquia comunista contra a glasnost (transparência, a abertura política) e a perestroika (reestruturação, a reforma econômica). Caiu por manobra do vice-líder do PC, Igor Ligachev, principal adversário de Gorbachev, em 21 de outubro de 1987.
Voltou em 1989 como deputado mais votado da Rússia. Em 1990, foi eleito presidente do Soviete Supremo da Federação Russa, o que na prática o tornou presidente da maior e mais importante república soviética.
A confirmação no cargo veio em 12 de junho de 1991, na primeira eleição presidencial direta da História da Rússia. Yeltsin ganhou com 57%, vencendo o ex-primeiro-ministro soviético Nikolai Rijcov, candidato de Gorbachev.
Leia a íntegra na minha coluna no Baguete.
Yeltsin, que morreu na segunda-feira aos 76 anos de problemas do coração, presidiu à caótica introdução do capitalismo em seu país, com um escandaloso programa de privatizações que gerou uma máfia de barões ladrões. É considerado um traidor pelos comunistas por ter acabado com a URSS e um herói pelos inimigos do antigo regime.
Camponês como o líder soviético Nikita Kruschev (1953-64), Boris Nikolaievitch nasceu em Sverdlosk, em 1º de fevereiro de 1931. Seu pai, condenado por agitação anti-soviética em 1934, cumpriu pena de três anos de trabalhos forçados no gulag.
Ele se formou em engenharia civil no Instituto Politécnico dos Urais em 1955 e entrou para o Partido Comunista em 1961. Em 1963, tornou-se engenheiro-chefe e, em 1965, presidente do Coletivo de Construção Habitacional de Sverdlosk. Em 1968, entrou para a nomenklatura, ao ser nomeado chefe de construções do comitê regional do Partido Comunista.
Oito anos depois, tornava-se primeiro-secretário do PC em Sverdlosk, uma das principais regiões industriais da Rússia, cargo que ocupou até 1985. Neste período, destruiu, por ordem do Kremlin, a Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, onde o último czar, Nicolau II, e sua família tinham sido mortos pelos bolcheviques em julho de 1918, depois da revolução comunista. E construiu um palácio para sede do PC.
Mais tarde, Yeltsin diria: “Sinceramente, eu acreditava nos ideais de justiça propagados pelo partido”.
Com a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do PCUS, em 11 de março de 1985, Yeltsin teria sua chance. Em 24 de dezembro de 1985, ele foi nomeado para o Birô Político (Politburo) do Comitê Central do Partido Comunista, a instituição maxima do poder soviético, e primeiro-secretário do partido em Moscou. Na prática, tornou-se prefeito da capital da URSS. Ao usar os transportes públicos para ir trabalhar, revelou seu populismo.
Líder da ala ultra-reformista no começo das reformas de Gorbachev, Yeltsin perdeu a posição de prefeito de Moscou na luta da hierarquia comunista contra a glasnost (transparência, a abertura política) e a perestroika (reestruturação, a reforma econômica). Caiu por manobra do vice-líder do PC, Igor Ligachev, principal adversário de Gorbachev, em 21 de outubro de 1987.
Voltou em 1989 como deputado mais votado da Rússia. Em 1990, foi eleito presidente do Soviete Supremo da Federação Russa, o que na prática o tornou presidente da maior e mais importante república soviética.
A confirmação no cargo veio em 12 de junho de 1991, na primeira eleição presidencial direta da História da Rússia. Yeltsin ganhou com 57%, vencendo o ex-primeiro-ministro soviético Nikolai Rijcov, candidato de Gorbachev.
Leia a íntegra na minha coluna no Baguete.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Rússia: escudo antimísseis dos EUA ameaça segurança internacional
O projeto americano de instala um escudo antimísseis com estações na Europa Oriental ameaça desastabilizar seriamente a segurança regional e mundial, advertiu hoje o ministro da Defesa da Rússia, Anatoli Serdioukov, ao receber em Moscou o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates.
"Consideramos que o sistema estratégico de defesa antimísseis é um grave fator de desestabilização, que pode exercer uma influência considerável sobre a segurança regional e mundial", afirmou o ministro da Defesa russo.
A Rússia alerta que pode desenvolver uma nova geração de mísseis nucleares de médio alcance. Os anteriores foram desmantelados pelas superpotências depois do acordo histórico firmado pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mihail Gorbachev em 8 de dezembro de 1987.
Quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) começou a instalar aqueles mísseis na Europa, em novembro de 1983, a Guerra Fria vivia seus últimos momentos de tensão. Alguns analistas chamam de Segunda Guerra Fria aquele período, da invasão soviética ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, até a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de dezembro de 1985.
"Consideramos que o sistema estratégico de defesa antimísseis é um grave fator de desestabilização, que pode exercer uma influência considerável sobre a segurança regional e mundial", afirmou o ministro da Defesa russo.
A Rússia alerta que pode desenvolver uma nova geração de mísseis nucleares de médio alcance. Os anteriores foram desmantelados pelas superpotências depois do acordo histórico firmado pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mihail Gorbachev em 8 de dezembro de 1987.
Quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) começou a instalar aqueles mísseis na Europa, em novembro de 1983, a Guerra Fria vivia seus últimos momentos de tensão. Alguns analistas chamam de Segunda Guerra Fria aquele período, da invasão soviética ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, até a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de dezembro de 1985.
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