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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Último dos acordos do fim da Guerra Fria caduca

Pela primeira vez desde 1972, não há nenhum acordo nuclear em vigor entre as superpotências. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicos (Novo START ou START-3), assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, expirou hoje.

Este acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, por iniciativa do então presidente norte-americano, Joe Biden, para dar tempo a uma negociação. Agora, o ditador russo, Vladimir Putin, propôs uma extensão informal por mais um ano. O presidente Donald Trump declarou que prefere negociar um acordo "melhor".

O acordo mais antigo era o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM, do inglês), assinado em 1972 pelo presidente Richard Nixon e o líder soviético Leonid Brejnev, para proibir o desenvolvimento e instalação de mísseis antimísseis, de defesa. Era conhecido como MAD, que significa louco em inglês e, no caso, Destruição Mutuamente Assegurada. Criou o equilíbrio do terror nuclear.

Em 2002, o presidente George Walker Bush retirou os EUA do ABM sob a alegação de ameaças a aliados dos EUA, citando o Irã, que acusara de fazer parte de um "eixo do mal" junto com o Iraque e a Coreia do Norte. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares.

Em 8 de dezembro de 1987, o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, assinaram o primeiro acordo que abolia toda uma classe de armas atômicas. O Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) extinguiu os mísseis nucleares baseados em terra com alcance de 500 a 5,5 mil quilômetros.

Trump tirou os EUA do INF em 2 de fevereiro de 2019, sob a alegação de que a Rússia teria violado o acordo ao desenvolver um novo míssil, 9M729, chamado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, de SSC-8.

O Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) foi assinado em Paris em 19 de novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético.

Putin anunciou que a Rússia não cumpriria mais o acordo em 2007 e saiu formalmente em 7 de novembro de 2023, oito meses e meio depois da invasão da Ucrânia. O acordo não permitiria a concentração de 200 mil soldados russos junto à fronteira ucraniana como Putin ordenou ao preparar a invasão de 24 de fevereiro de 2022, um marco importante no aumento do risco nuclear.

A Rússia e os EUA têm mais de 5 mil ogivas nucleares cada. O START-3 permitia que cada superpotência tivesse até 1.550 ogivas em condições operacionais, mais do que suficientes para extinguir a espécie humana.

Uma das dificuldades para uma nova negociação é que a China, vista hoje pelos EUA como a maior inimiga, precisa ser incluída. O regime comunista chinês tem hoje 600 ogivas nucleares e planos para chegar a mil. É a terceira maior potência nuclear.

Logo atrás, vem a França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 255, nem todas em condições operacionais. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ameaça de Trump de não socorrer os aliados europeus em caso de guerra, a Europa está se rearmando. 

Se Trump mantivesse o compromisso com a OTAN, não precisaria tomar a Groenlândia como vem ameaçando. Poderia negociar com a Dinamarca a instalação de bases militares na ilha. A ocupação da Groenlândia destruiria a OTAN, cujo princípio básico é que um ataque contra é um ataque contra todos.

Essas cinco grandes potências com direito de veto na Organização das Nações Unidas são os únicos países com direito de possuir armas atômicas com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), de 1968. Mas não são as únicas.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, desenvolvem armas nucleares desde os anos 1970. Em maio de 1998, assumiram o status de potências nucleares ao testar armas atômicas. Cada um tem pouco mais de 150 ogivas nucleares.

Israel nunca admitiu publicamente ser uma potência nuclear, mas tem a bomba atômica desde 1966 ou 1967. Teria hoje cerca de 90 ogivas nucleares.

A Coreia do Norte fez em 2006 seu primeiro teste nuclear de um total de seis até hoje. O ditador Kim Jong Un sucedeu o pai, Kim Jong Il, que explodiu a bomba, em dezembro de 2011, pouco depois da morte do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que abrira mão de suas armas de destruição em massa num acordo com o Ocidente em 2003. O terceiro Kim aposta nas armas nucleares como garantia de sobrevivência de seu regime, um dos mais fechados do mundo.

No seu primeiro governo, Trump encontrou Kim Jong Un três vezes depois de se ameaçarem com bombardeios nucleares, mas as negociações não evoluíram e a Coreia do Norte se aproximou da Rússia, enviando inclusive soldados para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

O objetivo dessas negociações seria acabar com o programa nuclear da Coreia do Norte, que provavelmente exigiria em troca a retirada das forças que os EUA mantêm na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-53), na última fronteira da Guerra Fria. Pela estimativa do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Coreia do Norte tem pelo menos 50 ogivas nucleares e urânio enriquecido e plutônio suficientes para chegar a 70 a 90 ogivas.

Outro foco de tensão nuclear é o Irã, que iniciou o programa nuclear em 1957, durante o regime do xá Reza Pahlevi. Em 1968, assinou o TNP, assumindo o compromisso de só usá-lo para gerar energia para fins pacíficos. 

O Supremo Líder da Revolução Iraniana, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerava a bomba atômica uma arma não islâmica porque mata inocentes. Em 1987, durante bombardeios a cidades durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), autorizou o desenvolvimento de armas nucleares.

Em 2015, o governo Barack Obama (2009-17), as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha negociaram o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), um acordo para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano na expectativa de no fim desse prazo o regime iraniano fosse menos extremista. 

Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, ironicamente o Dia da Vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob o argumento de que o acordo se baseava "numa grande ficção, que um regime assassino desejava um programa nuclear pacífico".

Em 22 de julho de 2025, os EUA fizeram um grande bombardeio às principais instalações nucleares do Irã. Trump declarou que o programa nuclear iraniano estava erradicado, mas ninguém acredito nisso. Caminhões foram vistos ao redor dos alvos antes do ataque, provavelmente para retirar o material nuclear. E a tecnologia, o conhecimento sobre como fazer a bomba, não pode ser destruída com ataques.

Neste momento, os EUA concentram uma grande frota de guerra perto do Irã e pressionam o regime a fazer um novo acordo que inclua o abandono do programa de armas atômicas, limites ao desenvolvimento de mísseis e o fim do apoio a milícias no Oriente Médio. O Irã só aceita negociar a questão nuclear.

A realidade é que o mundo se tornou um lugar mais perigoso desde a invasão da Ucrânia e muito mais a partir de hoje. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Nucleares, está mais perto do que nunca da meia-noite, a um minuto e 25 segundos da hora fatal.

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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Putin indica tecnocrata Mikhail Michustin para primeiro-ministro

Por 383 a zero, com 44 abstenções, o Parlamento da Rússia aprovou ontem a indicação do novo primeiro-ministro, Mikhail Michustin, um tecnocrata discreto de 53 anos, pianista e poeta nas horas vagas. Desde 2010, dirigia a Receita Federal da Rússia, conseguindo aumentar a arrecadação, apesar da crise internacional. 

A queda do primeiro-ministro Dimitri Medvedev, que foi presidente de 2008 a 2012, e de todo seu governo reduz a esperança de uma liberalização do regime ditatorial de Vladimir Putin na Rússia. Ele será vice-presidente do Conselho de Segurança Nacional.

Michustin será o responsável pelas mudanças anunciadas por Putin em discurso na Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia, dois dias atrás. Entre as propostas, há um programa de "projetos nacionais", com orçamento de US$ 417 bilhões, e mais US$ 6,4 bilhões a US$ 8 bilhões em programas sociais.

Mas o discurso do novo chefe de governo falou de questões citadas repetidamente em discursos oficiais: justiça social, aumento da renda média e "defesa dos valores tradicionais". Ele apontou como prioridade melhorar o padrão de vida dos russos. "As pessoas precisam sentir mudanças reais para melhor, mas isto está longe de acontecer em toda parte."

Como tecnocrata, Michustin prometeu "uma administração com uma nova qualidade", com informatização do acesso aos serviços públicos, aumento de exportações, investimentos em estradas, melhora no ambiente de negócios e atração de capital estrangeiro. Sua missão é reduzir o descontentamento social

O novo primeiro-ministro nasceu em Moscou em 3 de março de 1966 e se formou em engenharia de sistemas em 1992, logo após o colapso da União Soviética. É interessado na tecnologia blockchain de armazenamento e transmissão de informações usada para negociar criptomoedas.

Ele entrou para o serviço público em 1998, ano em que a economia russa entrou em virtual colapso. Um ano depois, foi nomeado secretário-geral do ministério encarregado da arrecadação de impostos, onde conseguiu combater a evasão fiscal com a digitalização.

A arrecadação cresceu, dando ao Estado russo condições de operar. Depois de uma  breve passagem pelo setor financeiro privado, de 2008 a 2010, Michustin chefiou a Receita Federal da Rússia. Era um membro ativo da rede de compartilhamento de informações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE). Colaborava com funcionários de países ocidentais em questões como regulamentação e fraude fiscal.

Como secretário da Receita, Michustin aprendeu a ver a economia da Rússia sob vários ângulos, da macroeconomia, das empresas e dos indivíduos, as questões municipais, regionais e federais. "Ele fez um trabalho bem-sucedido de transformar a Receita numa agência moderna, tecnológica e muito menos corrupta, mas tomou longo tempo", comentou uma fonte do Kremlin ao jornal Financial Times.

Por um lado, há uma expectativa de um governo mais despolitizado e gerencial, preocupado em melhor o ambiente de negócios. De outro, a inexperiência política de Michustin aumenta o controle do presidente.

O líder da oposição, o advogado Alexei Navalny, o acusa de enriquecimento ilícito. Pergunta qual a origem de 12 milhões de euros que estão na declaração de renda de sua mulher. Michustin também ocultaria a propriedade de um imóvel no valor de 9 milhões de euros registrado oficialmente como sendo da Federação Russa.

Jogador de hóquei, o novo primeiro-ministro é diretor do CSKA, de Moscou. "As pessoas ignoram como ele é afiado politicamente", observou um executivo de empresa estatal russa. "A beleza do hóquei é que capacita as pessoas a tomar decisões de qualidade em alta velocidade."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Ditador muda Constituição para manter o poder na Rússia

O ditador Vladimir Putin demite o governo e muda a Constituição para continuar mandando na Rússia depois de deixar a presidência, em 2024.

O governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev pediu demissão coletiva ontem. Em discurso na Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia, o presidente Vladimir Putin declarou que o povo quer mudanças.

A maior mudança seria a saída de Putin, que manda e desmanda na Rússia desde que virou primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, em 1999. A reforma constitucional proposta pelo ditador reduz os poderes do presidente e fortalece o primeiro-ministro e a Duma, indicando que pretende continuar sendo o homem-forte do regime.

Em seu quarto mandato, Putin decidiu que nenhum presidente poderá governar por mais de dois mandatos. Hoje, o presidente nomeia o primeiro-ministro, que precisa ser aprovado pela Duma. Com a reforma, o Parlamento vai indicar o primeiro-ministro e os ministros. Um Conselho de Estado vai supervisionar o presidente.

É o putinismo constitucional. Revela uma intenção de reduzir o papel das personalidades em favor da liderança do partido Rússia Unida e do Parlamento. Mas é uma reforma em várias etapas, sem a garantia de que o putinismo vá sobreviver a Putin. Meu comentário:

sábado, 5 de maio de 2018

Rússia prende líder e 1,6 mil militantes da oposição

A polícia da Rússia prendeu hoje em Moscou o líder da oposição, Alexei Navalny, e cerca de 1,6 mil manifestantes oposicionistas no país inteiro para conter protestos contra a posse, em 7 de maio de 2018, do ditador Vladimir Putin para um quarto mandato presidencial.

Navalny, um advogado e ativista político de 41 anos, foi impedido de desafiar Putin na eleição presidencial de 8 de março por força de um processo forjado pelo Kremlin.

Mesmo sendo ignorado pelos meios de comunicações oficiais, mostrou liderança ao convocar manifestações para denunciar o autoritarismo do "czar Putin". Dos 1.597 manifestantes presos em 27 cidades, 708 eram de Moscou, uma indicação de que foram para o interior mobilizar as populações locais.

Em público, o governo ignora e menospreza o líder da oposição, mas a prisão em 31 de março do empresário Ziyavudin Magomedov, ligado ao primeiro-ministro Dimitri Medvedev, sob acusação de corrupção, revela uma preocupação do governo de dar alguma satisfação à opinião pública.

As autoridades russas estão atentas a uma possível tentativa de criar uma onda de manifestações de protesto a pouco menos de um mês do início da Copa do Mundo na Rússia, em 14 de junho.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Rússia prende oposicionistas antes da posse de Putin

Partidários do líder da oposição, Alexei Navalny, foram presos hoje em várias cidades da Rússia, na véspera de um grande protesto contra a posse do ditador Vladimir Putin para um quarto mandato presidencial, em 7 de maio de 2018.

Condenado em processos forjados, Navalny foi impedido de disputar a eleição presidencial de março. O advogado, ativista político e blogueiro se tornou o maior líder da oposição russa depois de fazer uma série de denúncias de corrupção.

O governo russo está atento ao aumento das manifestações de protesto anticorrupção. Para dar uma satisfação à opinião púbica, em 31 de março, um oligarca muito ligado ao Kremlin, Ziyavudin Magomedov, seu irmão e um sócio foram presos sob acusações de corrupção.

Magomedov se tornou uma figura pública entre 2008 e 2012, quando seu ex-colega de universidade Arkady Dvorkovich se tornou um dos principais assessores do então presidente Dimitri Medvedev, que substituiu Putin durante 4 anos, enquanto o ditador mandava por trás da cena como primeiro-ministro.

Dono do Summa Group, ele tem empresas de exploração de portos, comércio de grãos e energia. Como protegido de Medvedev, sua prisão pode indicar que o padrinho perdeu prestígio político dentro do Kremlin, reforçando os rumores de que no novo mandato Putin vai trocar de primeiro-ministro. Quer um economista peso-pesado capaz de realizar reformas para acelerar o crescimento econômico.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Atentado mata 11 e fere 50 no metrô de São Petersburgo

Uma explosão atingiu hoje o metrô de São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, matando pelo menos 11 pessoas e ferindo outras 50. O primeiro-ministro Dimitri Medvedev descreveu o caso como uma ação terrorista, noticia a televisão pública britânica BBC.

A bomba estava escondida numa mala de mão. Explodiu às 14h40 pela hora local (8h40 em Brasília). A polícia emitiu mandados de busca de dois suspeitos. Outra bomba teria sido encontrada em outra estação. Os dois artefatos seriam rudimentares. Todo o metrô de São Petersburgo está fechado.

Os principais suspeitos são extremistas muçulmanos ligados ao Estado Islâmico do Iraque e Levante ou a rebeldes da região da Chechênia, uma república de maioria muçulmana da Federação Russa.

Quando a Rússia entrou na guerra civil da Síria em 30 de setembro de 2015 para apoiar a ditadura do aliado Bachar Assad, o presidente Vladimir Putin alegou estar combatendo o Estado Islâmico. Um mês depois, um avião da companhia russa Metrojet foi derrubado no Deserto do Sinai quando fazia a rota entre o balneário de Charm al-Cheikh, no Egito, e São Petersburgo. Todas as 224 pessoas a bordo, na maioria turistas russos, morreram.

Como o Estado Islâmico atrai jihadistas do mundo inteiro, há chechenos na organização terrorista. O mais notório foi Abu Omar al-Chichani (Omar, o Checheno), nascido na então república soviética da Geórgia. Era um dos comandantes militares do Estado Islâmico na Síria até ser morto por um bombardeio dos Estados Unidos em 10 de julho de 2016.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Líder da oposição na Rússia é condenado a 15 dias de prisão

Apesar dos protestos internacionais, a Rússia condenou hoje o líder da oposição, Alexei Navalny, a 15 dias de prisão por liderar uma manifestação não autorizada ontem em Moscou e outras cidades russas para denunciar a corrupção governamental e pedir a demissão do primeiro-ministro Dimitri Medvedev.

Mais de mil pessoas foram presas em toda a Rússia, a maioria em Moscou, onde Navalny liderava uma marcha para Rua Tverskaya quando a polícia atacou os manifestantes e prendeu seu líder. Ele é o principal adversário em potencial do presidente Vladimir Putin, candidato à reeleição em 2018.

As manifestações de ontem foram as maiores desde o início de 2012, quando a oposição russa protestava contra fraude nas eleições parlamentares. Desde então, Putin trava uma guerra ideológica contra o Ocidente, tentando desmoralizar a democracia liberal e quem a apoia na Rússia.

No mês passado, Navalny foi condenado por desvio de fundos. É suficiente para torná-lo inelegível.

domingo, 26 de março de 2017

Rússia prende mais de mil militantes e o líder da oposição

Durante manifestações de protesto de milhares de pessoas contra a corrupção realizadas em várias cidades, a polícia da Rússia prendeu mais de mil ativistas e o principal líder da oposição, Alexei Navalny. Maior ameaça ao presidente e protoditador Vladimir Putin na eleição presidencial de 11 e 18 de março de 2018, Navalny deve ser condenado para se tornar inelegível.

Navalny e cerca de 500 militantes foram presos quando a marcha seguia pela Rua Tverskaya, no centro de Moscou, sob a acusação de participar de uma manifestação não autorizada. Outros foram detidos no interior do país.

Foram os maiores protestos na Rússia desde as manifestações do fim de 2011 e início de 2012 denunciando fraude nas eleições parlamentares. Putin foi eleito presidente pela terceira vez em março de 2012.

O alvo declarado agora é a corrupção no governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev, fiel escudeiro de Putin. Mas o objetivo maior é atingir o homem-forte do Kremlin ao denunciar a corrupção em meio a uma crise econômica.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Economia da Rússia se desacelera

O primeiro-ministro Dimitri Medvedev estimou hoje que a Rússia cresceu no primeiro trimestre de 2014 num ritmo de 1% ao ano, abaixo do 1,6% do primeiro trimestre de 2013. Sob o impacto do conflito na Ucrânia, a expectativa é de piorar ainda mais.

"A situação continua a se deteriorar", admitiu o lugar-tenente de Vladimir Putin. Desde o início do ano, calcula-se que US$ 370 bilhões saíram do país.

Depois de ser fortemente abalada pela Grande Depressão, que levou a uma queda de quase 8% no produto interno bruto de 2009, a Rússia cresceu 4,5% em 2010, 4,3% em 2011, 3,4% em 2012 e 1,3% em 2013

Como observou Daniel Grosso no blog americano The Daily Beast, "este é um período benigno para a economia global. Os Estados Unidos, a China e o Japão - as três maiores economias do mundo - estão crescendo. Novos países em desenvolvimento surgem na África. A crise das dívidas públicas na Europa está acabando. Neste ambiente, a única maneira de entrar numa recessão é arquitetanto uma. É precisamente o que Putin está fazendo com a economia da Rússia, de US$ 2 trilhões."

No mesmo cenário begnino, o Brasil corre o risco de estagflação (estagnação econômica e inflação) por causa das políticas econômicas equivocadas do governo Dilma Rousseff.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Putin reassume Presidência da Rússia sob protestos

Pelo menos cem manifestantes foram presos hoje quando protestavam nos arredores do Kremlin contra a posse de Vladimir Putin na Presidência da Rússia. Ele já presidiu o país de 2000 a 2008.

Nos últimos quatro anos, impedido de se reeleger pela Constituição, Putin indicou Dimitri Medvedev para presidente e continuou sendo homem-forte do país como primeiro-ministro. Agora, nomeou Medvedev para primeiro-ministro.

Se ficar no poder por mais dois mandatos, Putin será o líder que dirigiu o país por mais tempo na história recente depois do ditador soviético Josef Stalin (1924-53).

Ex-diretor do Serviço Federal de Segurança, o antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política soviética, Putin tem o perfil dos ditadores da União Soviética. Ele considera o desaparecimento da superpotência comunista "a maior catástrofe geopolítica do século 20" e faz tudo para restaurar o que poder imperial soviético.

É o homem-forte que a Rússia queria depois da caótica década de transição do comunismo para o capitalismo sob a presidência de Boris Yeltsin (1991-2000), com a liberalização selvagem dos preços e o colapso das aposentadorias e dos salários, que culminou no calote da dívida pública em agosto de 1998.

Eleito em meio à Segunda Guerra da Chechênia, depois de uma onda de atentados terroristas suspeitos em Moscou e de ações de extremistas muçulmanos no Sul do Cáucaso, Putin se beneficiou da alta nos preços do petróleo e governou com mão de ferro.

A pretexto de combater a rebelião na Chechênia e no Daguestão, acabou com a eleição direta para governador das 89 unidades administrativas da Federação Russa.

O maior país do mundo, com 17,5 milhões de quilômetros quadrados, tem uma administração centralizada nas mãos de um poderoso czar. A suntuosidade do Kremlin, com suas paredes cobertas de ouro está mais para império do que para república.

Do lado de fora das muralhas, mais uma vez, o povo tenta assaltar o palácio. Tanto hoje como ontem, houve grande protestos e pedidos de uma "Rússia sem Putin".

domingo, 11 de dezembro de 2011

Medvedev abre inquérito sobre fraude eleitoral

Sob pressão de uma onda de manifestações de protesto contra os resultados oficiais das eleições parlamentares de domingo passado na Rússia, o presidente Dimitri Medvedev anunciou a abertura de um inquérito sobre possíveis fraudes, mas a oposição considerou a medida apenas jogo de cena para dar uma satisfação à opinião pública.

"Não concordo com os slogans nem com as declarações feitas nos protestos", escreveu Medvedev no Facebook, citado pela televisão americana CNN. "No entanto, mandei conferir os boletins de votação de todas as urnas, de acordo com a legislação eleitoral".

O partido Rússia Unida, do presidente Medvedev e do primeiro-ministro Vladimir Putin, sofreu grandes perdas nas eleições, mas manteve a maioria na Duma do Estado (Câmara). Ontem, dezenas de milhares de pessoas protestaram denunciando fraude. O principal alvo foi Putin, candidato a voltar à Presidência na eleição de 4 de março de 2011.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Dezenas de milhares protestam contra Putin

Cerca de 25 mil pessoas saíram às ruas de Moscou hoje para denunciar fraude nas eleições parlamentares do domingo passado na Rússia e protestar contra o primeiro-ministro Vladimir Putin, homem-forte do Kremlin desde 2000.

Houve manifestações em outras 50 cidades, inclusive em Vladivostok, no Oceano Pacífico, na maior onda de protestos no país desde o fim da União Soviética, há 20 anos. Em São Petersburgo, a segunda maior cidade russa, a manifestação reuniu 7 mil pessoas, informa o jornal The Washington Post.

Mais de 150 pessoas foram presas.

Putin foi presidente de 2000 a 2008, indicou o atual presidente, Dimitri Medvedev, e já lançou oficialmente sua candidatura à eleição presidencial de 4 de março de 2012.

Apesar do monopólio de poder e das fraudes, o partido do governo, Rússia Unida, caiu de 64,7% para 49,5%. Sua bancada encolheu de 315 para 238 dos 450 deputados da Duma do Estado, a Câmara Federal do país.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Putin é vaiado em luta de artes marciais

Em uma rara manifestação de protesto na Rússia, o primeiro-ministro Vladimir Putin foi vaiado ao participar de um espetáculo de artes marciais em Moscou, mais uma de suas jogadas publicitárias.

Putin subiu no ringue no fim da luta entre o russo Fedor Emelianenko e o americano Jeff Monson. Quando o homem-forte da Rússia começou a falar, com transmissão ao vivo pela televisão, sua voz foi sufocada pelas vaias.

Seus partidários declararam que as vaias era para o americano, mas críticos do Kremlin viram um sinal da queda de popularidade de Putin. Depois de dois mandatos como presidente, ele se tornou primeiro-ministro em 2008, cedendo a presidência a Dimitri Medvedev porque a Constituição proíbe um terceiro mandato consecutivo.

Mas, como ainda é o homem-forte do regime autoritário russo, cada vez menos democrático e mais no estilo soviético, Putin anunciou que será candidato à presidência em 2012. Para o ativista e blogueiro Alexei Navalny, citado pela televisão pública britânica BBC, o incidente prenuncia "o fim de uma era".

domingo, 25 de setembro de 2011

Medvedev troca de lugar com Putin na Rússia

Em mais uma prova de que na Rússia o líder é sempre o candidato do Kremlin, o presidente Dimitri Medvedev anunciou hoje que o primeiro-ministro Vladimir Putin, considerado o homem mais poderoso do país, será o candidato oficial à sua sucessão em março de 2012.

Os dois devem trocar de cargo, com Medvedev passando a ser chefe de governo. É uma confirmação de que a Rússia ainda está longe de se tornar uma democracia. Os grandes eleitores, aqueles que realmente decidem, estão circunscritos ao Kremlin.

Num raro gesto de dissidência dentro do regime, o ministro das Finanças, Alexei Kudrin, declarou que não pretende participar do próximo governo, informa o jornal The New York Times.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Rússia convoca eleições legislativas para 4 de dezembro

Ao convocar hoje eleições parlamentares para 4 de dezembro de 2011 na Rússia, o presidente Dimitri Medvedev advertiu para o risco de tensões interétnicas durante a campanha, registra a agência de notícias Reuters.

Mais de 100 milhões de eleitores russos poderão votar para escolher os 450 deputados da Duma do Estado, atualmente dominada pelo partido Rússia Unida, liderado pelo primeiro-ministro e ex-presidente Vladimir Putin, considerado o homem mais poderoso do país.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Coreia do Norte admite parar testes nucleares

Em uma rara visita ao exterior, durante encontro com o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, teria admitido a possibilidade de suspender os testes de armas nucleares e voltar às negociações hexapartites para acabar com seu programa atômico militar, revela hoje o jornal americano The New York Times.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Medvedev promete não concorrer com Putin

Embora admita que gostaria de ser candidato à reeleição, o presidente Dimitri Medvedev não pretende desafiar o primeiro-ministro Vladimir Putin, seu padrinho político, se este quiser voltar à Presidência da Rússia na eleição de março de 2012.

Em entrevista ao jornal inglês Financial Times, Medvedev disse que gostaria de um sistema político mais competitivo e de uma economia mais aberta, que considera mais adequados ao desenvolvimento do país. Mas prometeu não brigar com Putin por causa disso.

“Vladimir Putin e eu somos colegas e velhos amigos, e representamos a mesma força política”, afirmou. “Portanto, uma competição entre nós seria negativa para nossas tarefas e objetivos.”

O presidente também se declarou favorável à eleição direta dos governadores das 89 unidades administrativas da Federação Russa, suspensa por Putin.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Medvedev pede regulação nuclear global

Ao participar da solenidade para lembrar os 25 anos do pior acidente nuclear da história, ocorrido em 26 de abril de 1986, em Chernóbil, na Ucrânia, o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, pediu a criação de novas normas internacionais para aumentar a segurança das usinas atômicas, informa a agência de notícias Reuters.

"É dever do Estado dizer a verdade ao povo", declarou Medvedev, admitindo que "o Estado soviético não agiu corretamente".

Há uma semana, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, propôs uma reflexão global sobre segurança nuclear, tendo em vista os acidentes de Chernóbil e o mais recente, causado pelo terremoto e o maremoto que atingiram a central atômica de Fukushima, no Japão.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Putin promete vingar atentado em Moscou

O primeiro-ministro Vladimir Putin prometeu hoje “vingança” pelo atentado que matou 35 pessoas ontem e feriu outras 152 no maior aeroporto de Moscou.

Hoje, foram divulgadas imagens do momento da explosão captadas pelas cameras de segurança do setor de desembarque internacional do aeroporto de Domodedovo. Há suspeita de que dois terroristas, um homem e uma mulher, tenham se detonado. 

O presidente Dimitri Medvedev criticou duramente hoje a segurança do principal aeroporto. A direção do aeroporto respondeu que a segurança no saguão de desembarque cabe à polícia. 

Cerca de 110 feridos continuam hospitalizados. A mídia russa denuncia o fracasso da política do Kremlin para o Cáucaso, onde há rebeliões muçulmanas na Chechênia, no Daguestão e na Inguchétia.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Presidente da Rússia demite o prefeito de Moscou

Na Rússia, é assim. O Kremlin ainda pode tudo. Nesta terça-feira, o presidente Dimitri Medvedev destituiu sumariamente o prefeito de Moscou, Yuri Lujkov, que estava no cargo há 18 anos, praticamente todo o período pós-soviético, por “quebra de confiança”.

Yuri Lujkov sempre foi suspeito de realizar negócios escusos na prefeitura da capital. Seus governos de  ficaram marcados por grandes obras, como a reconstrução da Basílica de São Salvador, derrubada por Stalin. Mas ele nunca teve força para bater de frente com o Kremlin.