Mostrando postagens com marcador Moscou. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Moscou. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Outubro

VITÓRIA DECISIVA PELA INDEPENDÊNCIA

    Em 1781, com a rendição do general Lorde Cornwallis e de 8 mil soldados do Império Britânico, as forças dos Estados Unidos apoiadas pela França obtêm na Batalha de Yorktown, na Virgínia, uma vitória decisiva na Guerra da Independência (1775-83).

Lorde Cornwallis é um dos melhores generais britânicos na guerra. Em 1776, ele expulsa de Nova Jérsei as forças do general George Washington, comandante do Exército Continental. Em 1780, conquista uma vitória espetacular contra o general Horatio Gates em Camden, na Carolina do Sul.

Depois de invadir sem sucesso a Carolina do Norte, Cornwallis leva suas tropas para o litoral da Virgínia. Washington pede, então, ao Marquês de Lafayette, um dos generais enviados pela França para apoiar a rebelião dos colonos norte-americanos, para bloquear a fuga de Yorktown por terra. Lafayette comanda 5 mil soldados americanos.

Com os 2,5 mil homens em armas que Washington tem em Nova York, um exército de 4 mil franceses sob o comando do Conde de Rochambeau e uma grande esquadra francesa chefiada pelo Conde de Grasse, eles planejam atacar as forças britânicas.

Em 21 de agosto, as tropas de Washington e Rochambeau cruzam o Rio Hudson rumo a Yorktown. Avançam mais de 300 quilômetros em 15 dias e chegam à Baía de Chesapeake, perto de onde fica hoje a capital dos EUA, no início de setembro.

Como a esquadra britânica sob o comando do almirante Thomas Graves perde a Batalha de Chesapeake em 5 de setembro, Cornwallis fica sem reforços.

A partir de 14 de setembro, a frota de De Grasse transporta os soldados de Washington e Rochambeau para a Virgínia através da Baía de Chesapeake, onde se encontram com as tropas de Lafayette e fecham o cerco ao redor de Yorktown.

Os 14 mil homens da força franco-norte-americana atacam as posições britânicas com o apoio da frota de De Grasse. Em 19 de outubro, Cornwallis se rende com seus 7.087 soldados, 900 marinheiros, 114 canhões, 15 galeões, uma fragata e 30 navios de transporte.

É a última grande batalha da Guerra da Independência. As negociações de paz começam no início de 1782. Em 3 de setembro de 1783, no Tratado de Paris, a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

JEFFERSON ACUSADO DE CASO COM ESCRAVA

    Em 1796, um artigo publicado no jornal Gazette of the United States, escrito pelo ex-secretário do Tesouro Alexander Hamilton sob o pseudônimo de Phocion, acusa Thomas Jefferson, candidato à Presidência dos Estados Unidos, de manter relações íntimas com uma escrava.

O texto é um exemplo de baixaria e da natureza pessoal dos ataques políticos no início da história independente dos EUA. Hamilton se refere Sally Hemings, uma afro-americana mestiça e provavelmente meia-irmã da falecida mulher de Jefferson, Martha. 

Jefferson disputa a Casa Branca com o vice-presidente John Adams. Hamilton, um dos líderes do movimento federalista, apoia Adams. Com o pseudônimo, escreve 25 artigos contra Jefferson de 15 de outubro a 24 de novembro.

Adams vence em 1796, mas perde a reeleição para Jefferson em 1800.

No ano 2000, a Fundação Thomas Jefferson revela que testes de DNA comprovam que ele era pai de Eston e provavelmente de outros filhos de Sally. Ele é um dos alvos da cultura do cancelamento.

NAPOLEÃO SE RETIRA DE MOSCOU

    Em 1812, exausto e faminto, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte deixa Moscou e bate em retirada depois de ficar 36 dias na maior cidade da Rússia, evacuada e incendiada pelos russos para negar a vitória aos franceses.

Com o Grande Exército de 612 mil homens, Napoleão invade a Rússia em 24 de junho de 1812, seu maior erro, que seria repetido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois que o imperador Alexandre I se recusa a aderir ao Bloqueio Continental contra o Reino Unido.

Napoleão entra em Moscou em 14 de setembro, depois da vitória indecisiva na Batalha de Borodino, em 7 de setembro.

Borodino é a mais sangrenta batalha da campanha da Rússia, com pelo menos 30 mil baixas do lado francês e 40 mil do russo. A França vence com grandes perdas. Napoleão perde a oportunidade de perseguir e destruir o Exército da Rússia, que recua e evita novo confronto direto deixando de defender Moscou.

Os russos fogem e incendeiam a cidade, que arde durante seis dias e deixa os franceses sem abrigo nem suprimentos. Depois de um mês esperando a rendição do czar, que não acontece, diante da primeira nevada do inverno russo, a França se retira, agora com 110 mil soldados, e é atacada por cossacos na retirada e por uma tempestade de neve em 6 de novembro.

O General Inverno é impiedoso. Em 12 de novembro, o Grande Exército está reduzido a 55 mil homens e enfrenta geadas e degelos na fuga. Sai da Rússia em 14 de dezembro, antes do início oficial do inverno no Hemisfério Norte.

BOLSA DE NY SOFRE MAIOR QUEDA

      Em 1987, na Segunda-Feira Negra, por uma conjunção de fatores negativos, a Bolsa de Valores de Nova York sofre sua maior queda percentual num dia, com baixa de 22,6% ou 508 pontos no Índice Dow Jones.

O mercado financeiro vive a euforia do neoliberalismo econômico do governo Ronald Reagan (1981-89). Em 1987, depois de cinco anos, há sinais de que o ciclo de alta está no fim. O governo anuncia um aumento do déficit comercial, deflagrando uma queda do dólar. E o Congresso examina tapar furos na lei sobre fusão de empresas para cobrar mais impostos.

No plano internacional, o Irã ataca dois navios petroleiros perto da costa do Kuwait durante a guerra contra o Iraque e uma tempestade no Reino Unido obriga o mercado a fechar antes da hora na sexta-feira, último dia útil antes do crash.

Apesar do medo de uma nova Grande Depressão, como ocorreu depois do colapso da bolsa em 1929, o governo toma medidas para "corrigir as falhas do mercado" e o preço das ações volta a subir, mas não resolve o problema central da falta de regulamentação, que leva ao colapso do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, e à Grande Recessão (2007-9), quando o centro financeiro de Wall Street quase fale o mundo.

QUATRO DE GUILFORD ABSOLVIDOS

    Em 1989, depois de quase 15 anos de prisão, quatro condenados pelos atentados cometidos pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1975 contra pubs em Guilford e Woolwich, na Inglaterra, são declarados inocentes pela Justiça do Reino Unido.

Um atentado do IRA mata quatro pessoas em 5 de setembro de 1974 num pub frequentado por soldados britânicos em Guilford e outras quatro num pub em Woolwich.

Gerry Conlon e Paul Hill, dois moradores da Irlanda do Norte com pequenos delitos na ficha criminal que estão na área, são detidos como suspeitos. Com base na nova Lei de Prevenção do Terrorismo, podem ficar presos e ser interrogados por até cinco dias sem que haja fortes indícios.

Neste período, a polícia forja provas de que seriam ligados ao IRA, que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e implica amigos e parentes dos dois. Sob tortura física e psicológica, eles assinam confissões dos crimes que não cometeram.

Quatro – Gerry Conlon, Paul Hill, Paddy Armstrong e Carole Richardson – são sentenciados à prisão perpétua. Outros pegam penas menores. Diante da pressão popular e depois da confissão de um guerrilheiro do IRA, em 1989, finalmente, os processos são anulados.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Maio

BATISMO DE CONSTANTINO

    Em 337, Constantino I, o Grande, que se converte ao cristianismo na juventude e promove sua expansão, torna-se no seu leito de morte o primeiro imperador romano batizado pela Igreja Católica.

Constantino nasce em Naisso, na Moésia, hoje Nis, na Sérvia, em 280 depois de Cristo, filho de um oficial do Exército, Flávio Valério Constâncio, e Helena, depois canonizada como Santa Helena, mas o casal se separa em 289. Em 293, seu pai é promovido a césar, posição logo abaixo de imperador. Constantino vai para o Império Romano do Oriente. É criado na corte do imperador Diocleciano em Nicomédia, hoje Izmir, na Turquia.

A perseguição aos cristãos por Diocleciano, a partir de 303, deixa uma profunda marca.

Em 305, os dois imperadores, Maximiano e Diocleciano, abdicam. Devem ser substituídos por seus vice-imperadores, Galério e Constâncio. Eles são substituídos por Galério Valério Maximino no Oriente e Flávio Valério Severo. Constâncio exige a presença do filho, que atravessa o território de Severo para encontrar o pai em Gesoriaco hoje Boulogne, na França.

Os dois cruzam o Canal da Mancha e entram na Inglaterra numa campanha militar que vai até a morte de Constâncio em Eboraco, hoje York, em 306. Imediatamente, Constantino é proclamado imperador pelo seu exército em meio a uma série de guerras civis no Império Romano. Ao vencer Licínio em 324, torna-se imperador do Ocidente e do Oriente.

Ao longo da vida, Constantino atribui seu sucesso à conversão ao cristianismo. Depois de vencer Maxêncio, Constantino, imperador do Ocidente, encontra Licínio, imperador do Oriente, em Mediolanum, hoje Milão, e baixa em 13 de junho de 313 o Édito de Milão, que acaba com a perseguição aos cristãos e devolve as propriedades confiscadas durante a perseguição. É um marco na história da liberdade religiosa.

No mesmo ano, ele dá à Igreja Católica uma propriedade em Latrão, onde é erguida uma catedral, a Basília Constantiniana, hoje Igreja de São João de Latrão, em Roma.

Outra contribuição importante de Constantino para o cristianismo e a história da Igreja é o Concílio de Niceia, aberto pelo imperador em 325, que estabelece a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para evitar uma possível cisão entre aqueles que louvam Deus Pai e os que louvam Jesus Cristo.

Depois da vitória sobre Licínio, Constantino rebatiza Bizâncio como Constantinopla e a torna sua capital permanente, uma "segunda Roma", em 330. Isto marca um afastamento dos imperadores de Roma, uma cidade rica e famosa que perde importância política. 

Ele quer ser batizado no Rio Jordão. Talvez por falta de oportunidade, deixa para o fim da vida. Fica doente e acaba recebendo o sacramento no leito de morte.

GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.

Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.

Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro, morre antes do pai. 

Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381, que chega a tomar a Torre de Londres. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião. 

Nos últimos anos do reinado, Ricardo II vira um tirano. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413). 

Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III, e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique, que Fernando Pessoa chama de "divino ventre do império, madrinha de Portugal". Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.

Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.

Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que vê como ameaça a seu filho.

Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas, com vitórias em 1459 e 1460, York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.

Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.

Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.

Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.

Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os dois principezinhos na Torre de Londres, onde eles são mortos.

Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).

Henrique VIII quer um filho homem para evitar uma guerra entre príncipes pela sucessão. Mas a filha mais velha é católica e a segunda protestante. A reforma semeia o conflito religioso que leva à Guerra Civil Inglesa do século 17, que só acaba com a Revolução Gloriosa (1688-89).

PACTO DE AÇO

    Em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os ditadores da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e da Itália Fascista, Benito Mussolini, firmam o Pacto de Aço, uma aliança política e militar completa das potências do Eixo.

Por causa da afinidade dos dois regimes, Mussolini é inicialmente exemplo para Hitler, os dois ditadores proclamam em 25 de outubro de 1936 que um "eixo" une Roma e Berlim. Em 25 de dezembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão fazem o Pacto Anti-Comintern contra a União Soviética. A Itália adere em 6 de novembro de 1937, na expectativa de que vai haver guerra e a Alemanha vai ganhar.

Pouco mais de um ano depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, Alemanha, Itália e Japão fecham o Pacto Tripartite. Durante a guerra, sob coerção ou promessa de ganho territorial, outros países se aliam ao Eixo: Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Iugoslávia e depois a Croácia.

TERREMOTO DE VALDÍVIA

    Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violento da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.

O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atinge a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.

NIXON EM MOSCOU

    Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética. (O presidente Franklin Roosevelt vai à Conferência de Ialta, na Crimeia, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.)

As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotências. Vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.

Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em julho de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS leva à retirada dos EUA dos Vietnã.

Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinam acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada, em inglês), que significa louco em inglês. 

Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra Fria. Todos caducam. O último é o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026. 

No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas, inclusive porque a China não pode ficar de fora e hoje tem um arsenal nuclear com 500 a 600 ogivas. Dentro de alguns anos, terá 1,5 mil ogivas nucleares operacionais como os EUA e a Rússia. 

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

ÚNICO PAPA INGLÊS

    Em 1154, Adriano IV torna-se o único papa inglês da história da Igreja Católica.

Nicholas Breakspear nasce por volta de 1100 na Abadia de Langley, perto da cidade de Saint Albans, no condado de Hertford, na Inglaterra.

Em 1150, o papa Eugênio II o nomeia cardeal e bispo de Albano, na Itália. Dois anos depois, é enviado para reorganizar a hierarquia da Igreja na Escandinávia. É tão bem-sucedido que na volta, em 1154, é eleito papa.

No ano seguinte, Adriano IV coroa Frederico Barbarossa como o imperador Frederico I do Sacro Império Romano-Germânico depois que este captura e entrega Arnoldo de Bréscia, que lidera uma revolta em Roma. Mas a relação entre os dois é tumultuada. O conflito entre a Igreja e o imperador continua no pontificado de Alexandre III.

Adriano IV se nega a reconhecer a coroação de Guilherme I, o Mau, como rei da Sicília. Os sicilianos reagam e atacam Benevento, uma possessão papal, e a levar a guerra à Campânia. Campânia. Adriano IV marcha para Benevento e recebe o apoio de João de Salisbury, secretário do arcebispo da Cantuária em troca de uma bula papal que dá a Irlanda ao rei Henrique II, da Inglaterra. É o início do conflito secular entre a Inglaterra e a Irlanda que só acaba com o acordo de paz na Irlanda do Norte, em 1998.

Com a pacificação da Sicília, em junho de 1156, Adriano IV concorda com a investidura de Guilherme, o que irrita o imperador Frederico I. Adriano IV morre em 1º de setembro de 1159 em Anagni, perto de Roma, na Itália.

IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal.

FIM DO LED ZEPPELIN

    Em 1980, pouco mais de dois meses depois da morte do baterista John Bonham, a banda de rock britânica Led Zeppelin anuncia sua dissolução.

O Led Zeppelin nasce em 1968 como New Yardbirds por iniciativa de Jimmy Page, que é o último guitarrista solo da lendária banda Yardbirds, que teve guitarristas como Eric Clapton e Jeff Beck. Os três estão entre os maiores guitarristas da história.

A nova banda de Page tem John Paul Jones no contrabaixo e nos teclados, Bonham na bateria e o cantor Robert Plant. Tem influência rock, do rock psicodélico, do blues, do folclore norte-americano e das músicas celta, árabe e indiana. É considerada pioneira do heavy metal. Stairway to Heaven é considerada por muitos a melhor música da história do rock.

Ao lado dos Beatles, dos Rolling Stones, The Who e Pink Floyd, o Led Zeppelin está entre as cinco maiores bandas de rock and roll, todas britânicas, embora não haja unanimidade a esse respeito. Bonham morre em 25 de setembro de 1980, depois de tomar 40 doses de vodca em 24 horas.

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.

Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 19 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Outubro

 VITÓRIA DECISIVA PELA INDEPENDÊNCIA

    Em 1781, com a rendição do general Lorde Cornwallis e 8 mil soldados do Império Britânico, as forças dos Estados Unidos apoiadas pela França obtêm na Batalha de Yorktown, na Virgínia, uma vitória decisiva na Guerra da Independência (1775-83).

Lorde Cornwallis é um dos melhores generais britânicos na guerra. Em 1776, ele expulsa de Nova Jérsei as forças do general George Washington, comandante do Exército Continental. Em 1780, conquista uma vitória espetacular contra o general Horatio Gates em Camden, na Carolina do Sul.

Depois de invadir sem sucesso a Carolina do Norte, Cornwallis leva suas tropas para o litoral da Virgínia. Washington pede, então, ao Marquês de Lafayette, um dos generais enviados pela França para apoiar a rebelião dos colonos norte-americanos, para bloquear a fuga de Yorktown por terra. Lafayette comanda 5 mil soldados americanos.

Com os 2,5 mil homens em armas que Washington tem em Nova York, um exército de 4 mil franceses sob o comando do Conde de Rochambeau e uma grande esquadra francesa chefiada pelo Conde de Grasse, eles planejam atacar as forças britânicas.

Em 21 de agosto, as tropas de Washington e Rochambeau cruzam o Rio Hudson rumo a Yorktown. Avançam mais de 300 quilômetros em 15 dias e chegam à Baía de Chesapeake, perto de onde fica hoje a capital dos EUA, no início de setembro.

Como a esquadra britânica sob o comando do almirante Thomas Graves perde a Batalha de Chesapeake em 5 de setembro, Cornwallis fica sem reforços.

A partir de 14 de setembro, a frota de De Grasse transporta os soldados de Washington e Rochambeau para a Virgínia através da Baía de Chesapeake, onde se encontram com as tropas de Lafayette e fecham o cerco ao redor de Yorktown.

Os 14 mil homens da força franco-norte-americana atacam as posições britânicas com o apoio da frota de De Grasse. Em 19 de outubro, Cornwallis se rende com seus 7.087 soldados, 900 marinheiros, 114 canhões, 15 galeões, uma fragata e 30 navios de transporte.

É a última grande batalha da Guerra da Independência. As negociações de paz começam no início de 1782. Em 3 de setembro de 1783, no Tratado de Paris, a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

JEFFERSON ACUSADO DE CASO COM ESCRAVA

    Em 1796, um artigo publicado no jornal Gazette of the United States, escrito pelo ex-secretário do Tesouro Alexander Hamilton sob o pseudônimo de Phocion, acusa Thomas Jefferson, candidato à Presidência dos Estados Unidos, de manter relações íntimas com uma escrava.

O texto é um exemplo baixaria e da natureza pessoal dos ataques políticos no início da história independente dos EUA. Hamilton se refere Sally Hemings, uma afro-americana mestiça e provavelmente meia-irmã da falecida mulher de Jefferson, Martha. 

Jefferson disputa a Casa Branca com o vice-presidente John Adams. Hamilton, um dos líderes do movimento federalista, apoia Adams. Com o pseudônimo, escreve 25 artigos contra Jefferson de 15 de outubro a 24 de novembro.

Adams vence em 1796, mas perde a reeleição para Jefferson em 1800.

No ano 2000, a Fundação Thomas Jefferson revelou que testes de DNA comprovaram que ele era pai de Eston e provavelmente de outros filhos de Sally. Ele é um dos alvos da cultura do cancelamento.

NAPOLEÃO SE RETIRA DE MOSCOU

    Em 1812, exausto e faminto, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte deixa Moscou e bate em retirada depois de ficar 36 dias na maior cidade da Rússia, evacuada e incendiada pelos russos para negar a vitória aos franceses.

Com o Grande Exército de 612 mil homens, Napoleão invade a Rússia em 24 de junho de 1812, seu maior erro, que seria repetido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois que o imperador Alexandre I se recusa a aderir ao Bloqueio Continental contra o Reino Unido. Entra em Moscou em 14 de setembro, depois da vitória indecisiva na Batalha de Borodino, em 7 de setembro.

Borodino é a mais sangrenta batalha da campanha da Rússia, com pelo menos 30 mil baixas do lado francês e 40 mil do russo. A França vence com grandes perdas. Napoleão perde a oportunidade de perseguir e destruir o Exército da Rússia, que recua e evita novo confronto direto deixando de defender Moscou.

Os russos fogem e incendeiam a cidade, que arde durante seis dias e deixa os franceses sem abrigo nem suprimentos. Depois de um mês esperando a rendição do czar, que não acontece, diante da primeira nevada do inverno russo, a França se retira, agora com 110 mil soldados, e é atacada por cossacos na retirada e por uma tempestade de neve em 6 de novembro.

O General Inverno é impiedoso. Em 12 de novembro, o Grande Exército está reduzido a 55 mil homens e enfrenta geadas e degelos na fuga. Sai da Rússia em 14 de dezembro, antes do início oficial do inverno no Hemisfério Norte.

BOLSA DE NY SOFRE MAIOR QUEDA

      Em 1987, na Segunda-Feira Negra, por uma conjunção de fatores negativos, a Bolsa de Valores de Nova York sofre sua maior queda percentual num dia, com baixa de 22,6% ou 508 pontos no Índice Dow Jones.

O mercado financeiro vive a euforia do neoliberalismo econômico do governo Ronald Reagan (1981-89). Em 1987, depois de cinco anos, há sinais de que o ciclo de alta está no fim. O governo anuncia um aumento do déficit comercial, deflagrando uma queda do dólar. E o Congresso examina tapar furos na lei sobre fusão de empresas para cobrar mais impostos.

No plano internacional, o Irã ataca dois navios petroleiros perto da costa do Kuwait durante a guerra contra o Iraque e uma tempestade no Reino Unido obriga o mercado a fechar antes da hora na sexta-feira, último dia útil antes do crash.

Apesar do medo de uma nova Grande Depressão, como ocorreu depois do colapso da bolsa em 1929, o governo toma medidas para "corrigir as falhas do mercado" e o preço das ações volta a subir, mas não resolve o problema central da falta de regulamentação, que leva ao colapso do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, e à Grande Recessão (2008-9), quando o centro financeiro de Wall Street quase faliu o mundo.

QUATRO DE GUILFORD ABSOLVIDOS

    Em 1989, depois de quase 15 anos de prisão, quatro condenados pelos atentados cometidos pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1975 contra pubs em Guilford e Woolwich, na Inglaterra, são declarados inocentes pela Justiça do Reino Unido.

Um atentado do IRA mata quatro pessoas em 5 de setembro de 1974 num pub frequentado por soldados britânicos em Guilford e outras quatro num pub em Woolwich.

Gerry Conlon e Paul Hill, dois moradores da Irlanda do Norte com pequenos delitos na ficha criminal que estão na área, são detidos como suspeitos. Com base na nova Lei de Prevenção do Terrorismo, podem ficar presos e ser interrogados por até cinco dias sem que haja fortes indícios.

Neste período, a polícia forja provas de que seriam ligados ao IRA, que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e implica amigos e parentes dos dois. Sob tortura física e psicológica, eles assinam confissões dos crimes que não cometeram.

Quatro – Gerry Conlon, Paul Hill, Paddy Armstrong e Carole Richardson – são sentenciados à prisão perpétua. Outros pegam penas menores. Diante da pressão popular e depois da confissão de um guerrilheiro do IRA, em 1989, finalmente, os processos são anulados. 

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Maio

BATISMO DE CONSTANTINO

    Em 337, Constantino I, o Grande, que se converte ao cristianismo na juventude e promove sua expansão, torna-se no seu leito de morte o primeiro imperador romano batizado pela Igreja Católica.

Constantino nasce em Naisso, na Moésia, hoje Nis, na Sérvia, depois de 280 depois de Cristo, filho de um oficial do Exército, Flávio Valério Constâncio, e Helena, depois canonizada como Santa Helena, mas o casal se separa em 289. Em 293, seu pai é promovido a césar, posição logo abaixo de imperador. Constantino vai para o Império Romano do Oriente. É criado na corte do imperador Diocleciano em Nicomédia, hoje Izmir, na Turquia.

A perseguição aos cristãos por Diocleciano, a partir de 303, deixa uma profunda marca.

Em 305, os dois imperadores, Maximiano e Diocleciano, abdicam. Devem ser substituídos por seus vice-imperadores, Galério e Constâncio. Eles são substituídos por Galério Valério Maximino no Oriente e Flávio Valério Severo. Constâncio exige a presença do filho, que atravessa o território de Severo para encontrar o pai em Gesoriaco hoje Boulogne, na França.

Os dois cruzam o Canal da Mancha e entram na Inglaterra numa campanha militar que vai até a morte de Constâncio em Eboraco, hoje York, em 306. Imediatamente, Constantino é proclamado imperador pelo seu exército em meio a uma série de guerras civis no Império Romano se tornar o único imperador do Ocidente e do Oriente ao vencer Licínio em 324.

Ao longo da vida, Constantino atribui seu sucesso à conversão ao cristianismo. Depois de vencer Maxêncio, Constantino, imperador do Ocidente, encontra Licínio, imperador do Oriente, em Mediolanum, hoje Milão, e baixa em 13 de junho de 313 o Édito de Milão, que acaba com a perseguição aos cristãos e devolve as propriedades confiscadas durante a perseguição. É um marco na história da liberdade religiosa.

No mesmo ano, ele dá à Igreja Católica uma propriedade em Latrão, onde é erguida uma catedral, a Basília Constantiniana, hoje Igreja de São João de Latrão, em Roma.

Outra contribuição importante de Constantino para o cristianismo e a história da Igreja é o Concílio de Niceia, aberto pelo imperador em 325, que estabelece a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para evitar uma possível cisão entre aqueles que louvam Deus Pai e os que louvam Jesus Cristo.

Depois da vitória sobre Licínio, Constantino rebatiza Bizâncio como Constantinopla e a torna sua capital permanente, uma "segunda Roma", em 330. Isto marca um afastamento dos imperadores de Roma, uma cidade rica e famosa que perde importância política. 

Ele quer ser batizado no Rio Jordão. Talvez por falta de oportunidade, deixa para o fim da vida. Fica doente e acaba recebendo o sacramento no leito de morte.

GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.

Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.

Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro, morre antes do pai. 

Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381, que chega a tomar a Torre de Londres. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião. 

Os últimos anos do reinado de Ricardo II são marcados pela tirania. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413). 

Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III, e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique. Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.

Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.

Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que via como ameaça a seu filho.

Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas, com vitórias em 1459 e 1460, York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.

Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.

Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.

Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.

Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os dois principezinhos na Torre Londres, onde eles são mortos.

Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).

PACTO DE AÇO

    Em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os ditadores da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e da Itália Fascista, Benito Mussolini, firmam o Pacto de Aço, uma aliança política e militar completa das potências do Eixo.

Por causa da afinidade dos dois regimes, Mussolini é inicialmente exemplo para Hitler, os dois ditadores proclamam em 25 de outubro de 1936 que um "eixo" une Roma e Berlim. Em 25 de dezembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão fazem o Pacto Anti-Comintern contra a União Soviética. A Itália adere em 6 de novembro de 1937, na expectativa de que vai haver guerra e a Alemanha vai ganhar.

Pouco mais de um ano depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, Alemanha, Itália e Japão fecham o Pacto Tripartite. Durante a guerra, sob coerção ou promessa de ganho territorial, outros países aderiram ao Eixo: Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Iugoslávia e depois a Croácia.

TERREMOTO DE VALDÍVIA

    Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violento da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.

O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fosse oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atingiu a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.

NIXON EM MOSCOU

    Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética. (O presidente Franklin Roosevelt vai à Conferência de Ialta, na Crimeia, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.)

As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotências. Vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.

Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em setembro de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS leva à retirada dos EUA dos Vietnã.

Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinam acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada, em inglês), que significa louco em inglês. 

Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra. Todos caducam, menos o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026. 

No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

 IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal.

FIM DO LED ZEPPELIN

    Em 1980, pouco mais de dois meses depois da morte do baterista John Bonham, a banda de rock britânica Led Zeppelin anuncia sua dissolução.

O Led Zeppelin nasce em 1968 como New Yardbirds por iniciativa de Jimmy Page, que é o último guitarrista solo da lendária banda Yardbirds, que teve guitarristas como Eric Clapton e Jeff Beck. Os três estão entre os maiores guitarristas da história.

A nova banda de Page tem John Paul Jones no contrabaixo e nos teclados, Bonham na bateria e o cantor Robert Plant. Tem influência rock, do rock psicodélico, do blues, do folclore norte-americano e das músicas celta, árabe e indiana. É considerada pioneira do heavy metal. Stairway to Heaven é considerada por muitos a melhor música da história do rock.

Ao lado dos Beatles, dos Rolling Stones, The Who e Pink Floyd, o Led Zeppelin está entre as cinco maiores bandas de rock and roll, todas britânicas, embora não haja unanimidade a esse respeito. Bonham morre em 25 de setembro de 1980, depois de tomar 40 doses de vodca em 24 horas.

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.

Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.