Mostrando postagens com marcador Thomas Jefferson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Thomas Jefferson. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Julho

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

      Em 1776, 442 dias depois do início da guerra contra o Império Britânico, o Congresso Continental aprova na Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Assim como a Revolução Francesa de 1789, a independência dos EUA têm raízes na Guerra dos Sete Anos (1756-63), travada na América do Norte, na África, na Ásia e na Europa entre a França, a Áustria, a Rússia, a Saxônia e a Suécia, de um lado; e o Reino Unido, Portugal, a Prússia e o reino de Hanôver, do outro. 

Na França, enfraquece a monarquia. No Império Britânico, leva a aumentos de impostos nas colônias norte-americanas com a Lei do Selo de 1765. 

Os colonos norte-americanos sustentam o esforço de guerra do Império Britânico com sangue, suor, vidas e impostos. Dão sua cota de sacrifício. Protestam contra o aumento de impostos com o lema: "Não à taxação sem representação". Se não tinham voto no Parlamento Britânico, não queriam pagar mais impostos aprovados em Londres. Além de boicote a produtos britânicos, há ataques a alfândegas e coletores de impostos.

A Lei do Chá, de 1773, feita sob medida para salvar a Companhia das Índias Orientais, dá à empresa vantagens fiscais e o monopólio do comércio do chá na América. Em protesto, em 16 de dezembro de 1773, milhares de pessoas tomam o porto de Boston e cerca de 70, vestidas de índios, invadem um navio e jogam a carga de chá no mar. O episódio é conhecido como a Festa do Chá de Boston, que inspirou movimento de direita contra o governo Barack Obama (2009-17).

Em resposta, o Parlamento Britânico aprova a Lei Coercitiva e instala um governo militar britânico na colônia de Massachusetts em 1774.  Dá imunidade aos funcionários britânicos. Para dar unidade à luta contra o Império Britânico. os colonos americanos convocam então o Congresso Continental, que se reúne pela primeira vez em 5 de setembro 1774.

A Guerra da Independência (1775-83) começa em abril de 1775, quando o governador britânico de Massachusetts manda atacar um arsenal dos rebeldes americanos em Concord. Em 19 de abril, soldados britânicos se defrontam com uma milícia rebelde e os dois lados dão os primeiros tiros da guerra.

No início, o conflito é uma espécie de guerra civil dentro do Império Britânico. Para o rei George III, apenas mais uma revolta colonial. Já os colonos lutam por direitos iguais como cidadãos britânicos. Mas o Parlamento de Westminster se nega a negociar com os rebeldes e contrata mercenários alemães para lutar ao lado das forças imperiais.

Em janeiro de 1776, o grande herói revolucionário inglês Thomas Paine, que mais tarde lutaria pela Revolução Francesa e seria eleito deputado da Assembleia Nacional da França, lança o livro Senso Comum, em que defende a independência dos EUA. O livro vende 500 mil cópias em meses. Paine é o primeiro a falar em Revolução Americana, em 1795.

Na primavera daquele ano no Hemisfério Norte, a independência conquista o apoio das colônias. Começa a redação da Declaração de Independência. O texto é principalmente obra de Thomas Jefferson. Ao justificar a independência, ele recorre ao filósofo liberal inglês John Locke e suas ideias de direitos naturais e que os governos devem ter o consentimento dos governados.

Um dos trechos mais famosos diz: "Nós acreditamos que estas verdades são autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade."

Em 2 de julho de 1776, o Congresso Continental aprova uma moção da Virgínia pela independência. Dois dias depois, as outras 12 colônias aderem e a independência dos EUA é proclamada.

MORTE DE PAIS DA PÁTRIA 

   Em 1826, morrem os ex-presidentes John Adams (dir.) e Thomas Jefferson, os dois últimos sobreviventes dos pais da pátria que fundaram os Estados Unidos.


De aliados na luta pela independência, eles viram inimigos políticos. Adams (1797-1801) é o segundo presidente dos EUA. Precede Jefferson (1801-9), que é seu vice-presidente e o vence, impedindo a reeleição. 

O rompimento ocorre no governo Adams, favorável a um governo central forte, enquanto Jefferson quer dar mais poder aos estados. Eles só reatam as as relações em 1812 e aí trocam correspondências até o fim da vida.

FOLHAS DE WALT WHITMAN

    Em 1855, sai a primeira edição de Folhas das Folhas da Relva, de Walt Whitman, o maior clássico de um dos maiores poetas da literatura norte-americana. Ele revisa o livro várias vezes, acrescentando algo ou reescrevendo seus poemas.

Whitman nasce em Long Island e é criado no Brooklyn, em Nova York. Aos 14 anos, deixa a escola. Para sobreviver como autor, é professor, jornalista, editor e carpinteiro. 

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), o irmão dele é ferido. Whitman vai cuidar do irmão e passa o resto da guerra confortando soldados do Norte e do Sul. Depois da guerra, trabalha em vários departamentos do governo dos EUA.

FERAS DO PUNK ROCK

    Em 1976, a banda de rock britânica The Clash, uma das melhores do punk, faz sua primeira apresentação num pub em Sheffield, na Inglaterra, ao fazer o show de abertura para os Sex Pistols.

The Clash, formado por Joe Strummer, Mike Jones, Paul Simonon, Terry Chimes e Nick Headon, é uma das muitas bandas que surgiram sob a inspiração dos Sex Pistols. Ao contrário dos Pistols, que são anarquistas e niilistas, e querem destruir o rock e tudo o mais, The Clash quer salvar o rock com letras politizadas de esquerda, inclusive com um álbum triplo chamado Sandinista, homenagem aos revolucionários que tomam o poder na Nicarágua em 1979.

Depois de alguns LPs sem muito sucesso, The Clash se dissolve em 1986. Quando uma de suas músicas, Should Stay or Should I go, chega tardiamente ao primeiro lugar nas paradas de sucesso no Reino Unido, em 1991, a banda recebe proposta para voltar a tocar junta. Ao contrário dos Sex Pistols, rejeita.

O grupo, considerado por muitos a melhor banda punk, entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 2003.

MISSÃO DE PESQUISA EM MARTE

    Em 1997, depois de percorrer 192 milhões de quilômetros em sete meses, o Pathfinder é a primeira nave espacial americana a pousar em Marte em mais de duas décadas. A espaçonave usa um sistema de paraquedas para suavizar a descida e o pouso.

No dia seguinte, sai da nave o Soujourn, um equipamento controlado por controle remoto para passear pela superfície da marte, tirar 10 mil fotos e recolher amostras para descobrir quais os elementos químicos das rochas e do solo do Planeta Vermelho.

A missão de US$ 150 milhões é considerada um sucesso.

BÓSON DE HIGGS

    Em 2012, cientistas do Grande Colisor de Hádrons do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares anunciam haver detectado sinais do bóson de Higgs, uma partícula subatômica descrita na teoria chamada de "partícula de Deus" por ser essencial para formação de massa.

O bóson de Higgs é perseguido pela ciência desde que foi descrito na teoria pelo cientista escocês Peter Higgs, em 1964. Seu descobrimento no mundo real só é possível graças ao Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo.

O laboratório fica num túnel de 27 quilômetros de circunferência situado a 175 metros de profundidade na fronteira entre a França e a Suíça, perto da cidade suíça de Genebra.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defede a separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram por US$ 15 milhões a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Vale do Rio Mississípi, dobrando o tamanho do território na época, antes da vitória sobre o México na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e da Marcha para o Oeste

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN. 

domingo, 19 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Outubro

 VITÓRIA DECISIVA PELA INDEPENDÊNCIA

    Em 1781, com a rendição do general Lorde Cornwallis e 8 mil soldados do Império Britânico, as forças dos Estados Unidos apoiadas pela França obtêm na Batalha de Yorktown, na Virgínia, uma vitória decisiva na Guerra da Independência (1775-83).

Lorde Cornwallis é um dos melhores generais britânicos na guerra. Em 1776, ele expulsa de Nova Jérsei as forças do general George Washington, comandante do Exército Continental. Em 1780, conquista uma vitória espetacular contra o general Horatio Gates em Camden, na Carolina do Sul.

Depois de invadir sem sucesso a Carolina do Norte, Cornwallis leva suas tropas para o litoral da Virgínia. Washington pede, então, ao Marquês de Lafayette, um dos generais enviados pela França para apoiar a rebelião dos colonos norte-americanos, para bloquear a fuga de Yorktown por terra. Lafayette comanda 5 mil soldados americanos.

Com os 2,5 mil homens em armas que Washington tem em Nova York, um exército de 4 mil franceses sob o comando do Conde de Rochambeau e uma grande esquadra francesa chefiada pelo Conde de Grasse, eles planejam atacar as forças britânicas.

Em 21 de agosto, as tropas de Washington e Rochambeau cruzam o Rio Hudson rumo a Yorktown. Avançam mais de 300 quilômetros em 15 dias e chegam à Baía de Chesapeake, perto de onde fica hoje a capital dos EUA, no início de setembro.

Como a esquadra britânica sob o comando do almirante Thomas Graves perde a Batalha de Chesapeake em 5 de setembro, Cornwallis fica sem reforços.

A partir de 14 de setembro, a frota de De Grasse transporta os soldados de Washington e Rochambeau para a Virgínia através da Baía de Chesapeake, onde se encontram com as tropas de Lafayette e fecham o cerco ao redor de Yorktown.

Os 14 mil homens da força franco-norte-americana atacam as posições britânicas com o apoio da frota de De Grasse. Em 19 de outubro, Cornwallis se rende com seus 7.087 soldados, 900 marinheiros, 114 canhões, 15 galeões, uma fragata e 30 navios de transporte.

É a última grande batalha da Guerra da Independência. As negociações de paz começam no início de 1782. Em 3 de setembro de 1783, no Tratado de Paris, a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

JEFFERSON ACUSADO DE CASO COM ESCRAVA

    Em 1796, um artigo publicado no jornal Gazette of the United States, escrito pelo ex-secretário do Tesouro Alexander Hamilton sob o pseudônimo de Phocion, acusa Thomas Jefferson, candidato à Presidência dos Estados Unidos, de manter relações íntimas com uma escrava.

O texto é um exemplo baixaria e da natureza pessoal dos ataques políticos no início da história independente dos EUA. Hamilton se refere Sally Hemings, uma afro-americana mestiça e provavelmente meia-irmã da falecida mulher de Jefferson, Martha. 

Jefferson disputa a Casa Branca com o vice-presidente John Adams. Hamilton, um dos líderes do movimento federalista, apoia Adams. Com o pseudônimo, escreve 25 artigos contra Jefferson de 15 de outubro a 24 de novembro.

Adams vence em 1796, mas perde a reeleição para Jefferson em 1800.

No ano 2000, a Fundação Thomas Jefferson revelou que testes de DNA comprovaram que ele era pai de Eston e provavelmente de outros filhos de Sally. Ele é um dos alvos da cultura do cancelamento.

NAPOLEÃO SE RETIRA DE MOSCOU

    Em 1812, exausto e faminto, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte deixa Moscou e bate em retirada depois de ficar 36 dias na maior cidade da Rússia, evacuada e incendiada pelos russos para negar a vitória aos franceses.

Com o Grande Exército de 612 mil homens, Napoleão invade a Rússia em 24 de junho de 1812, seu maior erro, que seria repetido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois que o imperador Alexandre I se recusa a aderir ao Bloqueio Continental contra o Reino Unido. Entra em Moscou em 14 de setembro, depois da vitória indecisiva na Batalha de Borodino, em 7 de setembro.

Borodino é a mais sangrenta batalha da campanha da Rússia, com pelo menos 30 mil baixas do lado francês e 40 mil do russo. A França vence com grandes perdas. Napoleão perde a oportunidade de perseguir e destruir o Exército da Rússia, que recua e evita novo confronto direto deixando de defender Moscou.

Os russos fogem e incendeiam a cidade, que arde durante seis dias e deixa os franceses sem abrigo nem suprimentos. Depois de um mês esperando a rendição do czar, que não acontece, diante da primeira nevada do inverno russo, a França se retira, agora com 110 mil soldados, e é atacada por cossacos na retirada e por uma tempestade de neve em 6 de novembro.

O General Inverno é impiedoso. Em 12 de novembro, o Grande Exército está reduzido a 55 mil homens e enfrenta geadas e degelos na fuga. Sai da Rússia em 14 de dezembro, antes do início oficial do inverno no Hemisfério Norte.

BOLSA DE NY SOFRE MAIOR QUEDA

      Em 1987, na Segunda-Feira Negra, por uma conjunção de fatores negativos, a Bolsa de Valores de Nova York sofre sua maior queda percentual num dia, com baixa de 22,6% ou 508 pontos no Índice Dow Jones.

O mercado financeiro vive a euforia do neoliberalismo econômico do governo Ronald Reagan (1981-89). Em 1987, depois de cinco anos, há sinais de que o ciclo de alta está no fim. O governo anuncia um aumento do déficit comercial, deflagrando uma queda do dólar. E o Congresso examina tapar furos na lei sobre fusão de empresas para cobrar mais impostos.

No plano internacional, o Irã ataca dois navios petroleiros perto da costa do Kuwait durante a guerra contra o Iraque e uma tempestade no Reino Unido obriga o mercado a fechar antes da hora na sexta-feira, último dia útil antes do crash.

Apesar do medo de uma nova Grande Depressão, como ocorreu depois do colapso da bolsa em 1929, o governo toma medidas para "corrigir as falhas do mercado" e o preço das ações volta a subir, mas não resolve o problema central da falta de regulamentação, que leva ao colapso do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, e à Grande Recessão (2008-9), quando o centro financeiro de Wall Street quase faliu o mundo.

QUATRO DE GUILFORD ABSOLVIDOS

    Em 1989, depois de quase 15 anos de prisão, quatro condenados pelos atentados cometidos pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1975 contra pubs em Guilford e Woolwich, na Inglaterra, são declarados inocentes pela Justiça do Reino Unido.

Um atentado do IRA mata quatro pessoas em 5 de setembro de 1974 num pub frequentado por soldados britânicos em Guilford e outras quatro num pub em Woolwich.

Gerry Conlon e Paul Hill, dois moradores da Irlanda do Norte com pequenos delitos na ficha criminal que estão na área, são detidos como suspeitos. Com base na nova Lei de Prevenção do Terrorismo, podem ficar presos e ser interrogados por até cinco dias sem que haja fortes indícios.

Neste período, a polícia forja provas de que seriam ligados ao IRA, que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e implica amigos e parentes dos dois. Sob tortura física e psicológica, eles assinam confissões dos crimes que não cometeram.

Quatro – Gerry Conlon, Paul Hill, Paddy Armstrong e Carole Richardson – são sentenciados à prisão perpétua. Outros pegam penas menores. Diante da pressão popular e depois da confissão de um guerrilheiro do IRA, em 1989, finalmente, os processos são anulados. 

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Julho

 INDEPENDÊNCIA DOS EUA

      Em 1776, 442 dias depois do início da guerra contra o Império Britânico, o Congresso Continental aprova na Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Assim como a Revolução Francesa de 1789, a independência dos EUA têm raízes na Guerra dos Sete Anos (1756-63), travada na América do Norte, na África, na Ásia e na Europa entre a França, a Áustria, a Rússia, a Saxônia e a Suécia, de um lado; e o Reino Unido, Portugal, a Prússia e o reino de Hanôver, do outro. 

Na França, enfraquece a monarquia. No Império Britânico, leva a aumentos de impostos nas colônias norte-americanas com a Lei do Selo de 1765. 

Os colonos norte-americanos sustentam o esforço de guerra do Império Britânico com sangue, suor, vidas e impostos. Dão sua cota de sacrifício. Protestam contra o aumento de impostos com o lema: "Não à taxação sem representação". Se não tinham voto no Parlamento Britânico, não queriam pagar mais impostos aprovados em Londres. Além de boicote a produtos britânicos, há ataques a alfândegas e coletores de impostos.

A Lei do Chá, de 1773, feita sob medida para salvar a Companhia das Índias Orientais, dá à empresa vantagens fiscais e o monopólio do comércio do chá na América. Em protesto, em 16 de dezembro de 1773, milhares de pessoas tomam o porto de Boston e cerca de 70, vestidas de índios, invadem um navio e jogam a carga de chá no mar. O episódio é conhecido como a Festa do Chá de Boston, que inspirou movimento de direita contra o governo Barack Obama (2009-17).

Em resposta, o Parlamento Britânico aprova a Lei Coercitiva e instala um governo militar britânico na colônia de Massachusetts em 1774.  Dá imunidade aos funcionários britânicos. Para dar unidade à luta contra o Império Britânico. os colonos americanos convocam então o Congresso Continental, que se reúne pela primeira vez em 5 de setembro 1774.

A Guerra da Independência (1775-83) começa em abril de 1775, quando o governador britânico de Massachusetts manda atacar um arsenal dos rebeldes americanos em Concord. Em 19 de abril, soldados britânicos se defrontam com uma milícia rebelde e os dois lados dão os primeiros tiros da guerra.

No início, o conflito é uma espécie de guerra civil dentro do Império Britânico. Para o rei George III, apenas mais uma revolta colonial. Já os colonos lutam por direitos iguais como cidadãos britânicos. Mas o Parlamento de Westminster se nega a negociar com os rebeldes e contrata mercenários alemães para lutar ao lado das forças imperiais.

Em janeiro de 1776, o grande herói revolucionário inglês Thomas Paine, que mais tarde lutaria pela Revolução Francesa e seria eleito deputado da Assembleia Nacional da França, lança o livro Senso Comum, em que defende a independência dos EUA. O livro vende 500 mil cópias em meses. Paine é o primeiro a falar em Revolução Americana, em 1795.

Na primavera daquele ano no Hemisfério Norte, a independência conquista o apoio das colônias. Começa a redação da Declaração de Independência. O texto é principalmente obra de Thomas Jefferson. Ao justificar a independência, ele recorre ao filósofo liberal inglês John Locke e suas ideias de direitos naturais e que os governos devem ter o consentimento dos governados.

Um dos trechos mais famosos diz: "Nós acreditamos que estas verdades são autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade."

Em 2 de julho de 1776, o Congresso Continental aprova uma moção da Virgínia pela independência. Dois dias depois, as outras 12 colônias aderem e a independência dos EUA é proclamada.

MORTE DE PAIS DA PÁTRIA 

   Em 1826, morrem os ex-presidentes John Adams (dir.) e Thomas Jefferson, os dois últimos sobreviventes dos pais da pátria que fundaram os Estados Unidos.


De aliados na luta pela independência, eles viram inimigos políticos. Adams (1797-1801) é o segundo presidente dos EUA. Precede Jefferson (1801-9), que é seu vice-presidente e o vence, impedindo a reeleição. 

O rompimento ocorre no governo Adams, favorável a um governo central forte, enquanto Jefferson quer dar mais poder aos estados. Eles só reatam as as relações em 1812 e aí trocam correspondências até o fim da vida.

FOLHAS DE WALT WHITMAN

    Em 1855, sai a primeira edição de Folhas das Folhas da Relva, de Walt Whitman, o maior clássico de um dos maiores poetas da literatura norte-americana. Ele revisa o livro várias vezes, acrescentando algo ou reescrevendo seus poemas.

Whitman nasce em Long Island e é criado no Brooklyn, em Nova York. Aos 14 anos, deixa a escola. Para sobreviver como autor, é professor, jornalista, editor e carpinteiro. 

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), o irmão dele é ferido. Whitman vai cuidar do irmão e passa o resto da guerra confortando soldados do Norte e do Sul. Depois da guerra, trabalha em vários departamentos do governo dos EUA.

FERAS DO PUNK ROCK

    Em 1976, a banda de rock britânica The Clash, uma das melhores do punk, faz sua primeira apresentação num pub em Sheffield, na Inglaterra, ao fazer o show de abertura para os Sex Pistols.

The Clash, formado por Joe Strummer, Mike Jones, Paul Simonon, Terry Chimes e Nick Headon, é uma das muitas bandas que surgiram sob a inspiração dos Sex Pistols. Ao contrário dos Pistols, que são anarquistas e niilistas, e querem destruir o rock e tudo o mais, The Clash quer salvar o rock com letras politizadas de esquerda, inclusive com um álbum triplo chamado Sandinista, homenagem aos revolucionários que tomam o poder na Nicarágua em 1979.

Depois de alguns LPs sem muito sucesso, The Clash se dissolve em 1986. Quando uma de suas músicas, Should Stay or Should I go, chega tardiamente ao primeiro lugar nas paradas de sucesso no Reino Unido, em 1991, a banda recebe proposta para voltar a tocar junta. Ao contrário dos Sex Pistols, rejeita.

O grupo, considerado por muitos a melhor banda punk, entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 2003.

MISSÃO DE PESQUISA EM MARTE

    Em 1997, depois de percorrer 192 milhões de quilômetros em sete meses, o Pathfinder é a primeira nave espacial americana a pousar em Marte em mais de duas décadas. A espaçonave usa um sistema de paraquedas para suavizar a descida e o pouso.

No dia seguinte, sai da nave o Soujourn, um equipamento controlado por controle remoto para passear pela superfície da marte, tirar 10 mil fotos e recolher amostras para descobrir quais os elementos químicos das rochas e do solo do Planeta Vermelho.

A missão de US$ 150 milhões é considerada um sucesso.

BÓSON DE HIGGS

    Em 2012, cientistas do Grande Colisor de Hádrons do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares anunciam haver detectado sinais do bóson de Higgs, uma partícula subatômica descrita na teoria chamada de "partícula de Deus" por ser essencial para formação de massa.

O bóson de Higgs é perseguido pela ciência desde que foi descrito na teoria pelo cientista escocês Peter Higgs, em 1964. Seu descobrimento no mundo real só é possível graças ao Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo.

O laboratório fica num túnel de 27 quilômetros de circunferência situado a 175 metros de profundidade na fronteira entre a França e a Suíça, perto da cidade suíça de Genebra.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defensor da separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Valei do Rio Mississípi

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN.

sábado, 19 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 19 de Outubro

 VITÓRIA DECISIVA PELA INDEPENDÊNCIA

    Em 1781, com a rendição do general Lorde Cornwallis e 8 mil soldados do Império Britânico, as forças dos Estados Unidos apoiadas pela França obtêm na Batalha de Yorktown, na Virgínia, uma vitória decisiva na Guerra da Independência (1775-83).

Lorde Cornwallis é um dos melhores generais britânicos na guerra. Em 1776, ele expulsa de Nova Jérsei as forças do general George Washington, comandante do Exército Continental. Em 1780, conquista uma vitória espetacular contra o general Horatio Gates em Camden, na Carolina do Sul.

Depois de invadir sem sucesso a Carolina do Norte, Cornwallis leva suas tropas para o litoral da Virgínia. Washington pede, então, ao Marquês de Lafayette, um dos generais enviados pela França para apoiar a rebelião dos colonos norte-americanos, para bloquear a fuga de Yorktown por terra. Lafayette comanda 5 mil soldados americanos.

Com os 2,5 mil homens em armas que Washington tem em Nova York, um exército de 4 mil franceses sob o comando do Conde de Rochambeau e uma grande esquadra francesa chefiada pelo Conde de Grasse, eles planejam atacar as forças britânicas.

Em 21 de agosto, as tropas de Washington e Rochambeau cruzam o Rio Hudson rumo a Yorktown. Avançam mais de 300 quilômetros em 15 dias e chegam à Baía de Chesapeake, perto de onde fica hoje a capital dos EUA, no início de setembro.

Como a esquadra britânica sob o comando do almirante Thomas Graves perde a Batalha de Chesapeake em 5 de setembro, Cornwallis fica sem reforços.

A partir de 14 de setembro, a frota de De Grasse transporta os soldados de Washington e Rochambeau para a Virgínia através da Baía de Chesapeake, onde se encontram com as tropas de Lafayette e fecham o cerco ao redor de Yorktown.

Os 14 mil homens da força franco-norte-americana atacam as posições britânicas com o apoio da frota de De Grasse. Em 19 de outubro, Cornwallis se rende com seus 7.087 soldados, 900 marinheiros, 114 canhões, 15 galeões, uma fragata e 30 navios de transporte.

É a última grande batalha da Guerra da Independência. As negociações de paz começam no início de 1782. Em 3 de setembro de 1783, no Tratado de Paris, a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

JEFFERSON ACUSADO DE CASO COM ESCRAVA

    Em 1796, um artigo publicado no jornal Gazette of the United States, escrito pelo ex-secretário do Tesouro Alexander Hamilton sob o pseudônimo de Phocion, acusa Thomas Jefferson, candidato à Presidência dos Estados Unidos, de manter relações íntimas com uma escrava.

O texto é um exemplo baixaria e da natureza pessoal dos ataques políticos no início da história independente dos EUA. Hamilton se refere Sally Hemings, uma afro-americana mestiça e provavelmente meia-irmã da falecida mulher de Jefferson, Martha. 

Jefferson disputa a Casa Branca com o vice-presidente John Adams. Hamilton, um dos líderes do movimento federalista, apoia Adams. Com o pseudônimo, escreve 25 artigos contra Jefferson de 15 de outubro a 24 de novembro.

Adams vence em 1796, mas perde a reeleição para Jefferson em 1800.

No ano 2000, a Fundação Thomas Jefferson revelou que testes de DNA comprovaram que ele era pai de Eston e provavelmente de outros filhos de Sally. Ele é um dos alvos da cultura do cancelamento.

NAPOLEÃO SE RETIRA DE MOSCOU

    Em 1812, exausto e faminto, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte deixa Moscou e bate em retirada depois de ficar 36 dias na maior cidade da Rússia, evacuada e incendiada pelos russos para negar a vitória aos franceses.

Com o Grande Exército de 612 mil homens, Napoleão invade a Rússia em 24 de junho de 1812, seu maior erro, que seria repetido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois que o imperador Alexandre I se recusa a aderir ao Bloqueio Continental contra o Reino Unido. Entra em Moscou em 14 de setembro, depois da vitória indecisiva na Batalha de Borodino, em 7 de setembro.

Borodino é a mais sangrenta batalha da campanha da Rússia, com pelo menos 30 mil baixas do lado francês e 40 mil do russo. A França vence com grandes perdas. Napoleão perde a oportunidade de perseguir e destruir o Exército da Rússia, que recua e evita novo confronto direto deixando de defender Moscou.

Os russos fogem e incendeiam a cidade, que arde durante seis dias e deixa os franceses sem abrigo nem suprimentos. Depois de um mês esperando a rendição do czar, que não acontece, diante da primeira nevada do inverno russo, a França se retira, agora com 110 mil soldados, e é atacada por cossacos na retirada e por uma tempestade de neve em 6 de novembro.

O General Inverno é impiedoso. Em 12 de novembro, o Grande Exército está reduzido a 55 mil homens e enfrenta geadas e degelos na fuga. Sai da Rússia em 14 de dezembro, antes do início oficial do inverno no Hemisfério Norte.

BOLSA DE NY SOFRE MAIOR QUEDA

      Em 1987, na Segunda-Feira Negra, por uma conjunção de fatores negativos, a Bolsa de Valores de Nova York sofre sua maior queda percentual num dia, com baixa de 22,6% ou 508 pontos no Índice Dow Jones.

O mercado financeiro vive a euforia do neoliberalismo econômico do governo Ronald Reagan (1981-89). Em 1987, depois de cinco anos, há sinais de que o ciclo de alta está no fim. O governo anuncia um aumento do déficit comercial, deflagrando uma queda do dólar. E o Congresso examina tapar furos na lei sobre fusão de empresas para cobrar mais impostos.

No plano internacional, o Irã ataca dois navios petroleiros perto da costa do Kuwait durante a guerra contra o Iraque e uma tempestade no Reino Unido obriga o mercado a fechar antes da hora na sexta-feira, último dia útil antes do crash.

Apesar do medo de uma nova Grande Depressão, como ocorreu depois do colapso da bolsa em 1929, o governo toma medidas para "corrigir as falhas do mercado" e o preço das ações volta a subir, mas não resolve o problema central da falta de regulamentação, que leva ao colapso do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, e à Grande Recessão (2008-9), quando o centro financeiro de Wall Street quase faliu o mundo.

QUATRO DE GUILFORD ABSOLVIDOS

    Em 1989, depois de quase 15 anos de prisão, quatro condenados pelos atentados cometidos pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1975 contra pubs em Guilford e Woolwich, na Inglaterra, são declarados inocentes pela Justiça do Reino Unido.

Um atentado do IRA mata quatro pessoas em 5 de setembro de 1974 num pub frequentado por soldados britânicos em Guilford e outras quatro num pub em Woolwich.

Gerry Conlon e Paul Hill, dois moradores da Irlanda do Norte com pequenos delitos na ficha criminal que estão na área, são detidos como suspeitos. Com base na nova Lei de Prevenção do Terrorismo, podem ficar presos e ser interrogados por até cinco dias sem que haja fortes indícios.

Neste período, a polícia forja provas de que seriam ligados ao IRA, que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e implica amigos e parentes dos dois. Sob tortura física e psicológica, eles assinam confissões dos crimes que não cometeram.

Quatro – Gerry Conlon, Paul Hill, Paddy Armstrong e Carole Richardson – são sentenciados à prisão perpétua. Outros pegam penas menores. Diante da pressão popular e depois da confissão de um guerrilheiro do IRA, em 1989, finalmente, os processos são anulados.