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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defede a separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram por US$ 15 milhões a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Vale do Rio Mississípi, dobrando o tamanho do território na época, antes da vitória sobre o México na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e da Marcha para o Oeste

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defensor da separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Valei do Rio Mississípi

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalistas ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho.

quinta-feira, 24 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

 PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood estava bebendo na hora do acidente e mandou um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impôs à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitaram o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguiam a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 28 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, deu autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividiram a Iugoslávia, que durou mais de três anos e matou mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro..

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chegou a controlar a metade da província quando a Sérvia reagiu e iniciou uma campanha de purificação étnica que levou à intervenção da OTAN, que não perdeu nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic caiu em outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Polonesa e austríaco ganham prêmios Nobel de Literatura de 2018 e 2019

Depois de um escândalo sexual na Academia Real da Suécia que suspendeu a premiação no ano passado, a Fundação Alfred Nobel anunciou hoje em Estocolmo dois ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura. 

A escritora polonesa Olga Tokarczuk foi agraciada pelo ano de 2018 por "uma imaginação narrativa que, com uma paixão enciclopédica, representa a transposição de fronteira. 

O austríaco Peter Handke levou o prêmio deste ano por "sua obra influente que explora com engenhosidade linguística a periferia e a especificidade da experiência humana."

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechow, na Polônia, em 1962. Antes de se tornar uma escritora de renome internacional, formou-se em psicologia na Universidade de Varsóvia. Já havia recebido três prêmios literários internacionais, Nike duas vezes e Man-Booker.

Em 2014, ela publicou Os Livros de Jacó, sobre os dissidentes judeus do século 18. Em entrevista ao jornal francês Le Monde em 2010, confessou: "É duro ser polonesa, sente-se o azar o karma ruim! Por causa de Auschwitz, com certeza. Mas não somente. É uma história longa, dolorosa, um combate contínuo aos complexos de inferioridade. E, às vezes, de superioridade."

Peter Handke nasceu em Griffen, na Caríntia, uma região da Áustria, em 1942, e largou a faculdade de direito em 1965, quando seu primeiro romance, As Vespas, foi aceito por uma editora. Desde então, publicou mais de 40 contos, romances, ensaios e peças de teatro, entre eles A Angústia do Goleiro na Hora do Pênalti, tornando-se um dos maiores escritores austríacos, ao lado de Thomas Bernard e de Elfriede Jelinek.

Sua premiação provocou protestos na Bósnia-Herzegovina , no Kossovo e na Albânia por causa de sua admiração pelo falecido ditador sérvio Slobodan Milosevic e sua negação dos crimes cometidos durante as guerras que destruíram a antiga Iugoslávia no fim do século passado.

"Nos anos 1990s, Václav Havel, Susan Sontag e muitos outros sabiam que o mal na Europa precisava ser parado. O genocídio na Bósnia e no Kossovo teve um autor. Handke escolheu apoiar e defender seus autores. A decisão do Prêmio Nobel causa imenso sofrimento a inúmeras vítimas", reagiu o presidente do Kossovo, Hashim Thaçi, no Twitter.

O representante bósnio na presidência colegiada da Bósnia-Herzegovina, Sefik Dzaferovic, considerou a decisão "escandalosa e vergonhosa": "É uma vergonha que a decisão do Comitê do Prêmio Nobel ignore o fato de que Handke justificou as ações de Slobodan Milosevic e que o tenha protegido, assim como a seus executores Radovan Karadzic e Ratko Mladic, que foram condenados por graves crimes de guerra, entre eles genocídio."

"Nunca pensei que teria ânsia de vômito em razão de um Prêmio Nobel", escreveu o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, na mesma rede social. "Diante da escolha vergonhosa da Academia do Nobel, a vergonha é selada como um novo valor. Não, não devemos ser insensíveis assim ao racismo e ao genocídio."

O diretor de cinema bósnio Dino Musfafic lembrou que "Handke negou o genocídio em Srebrenica e foi ao funeral de Milosevic", que morreu na prisão do tribunal de Haia antes do fim do julgamento.

Em Estocolmo, o acadêmico Anders Olsson, ex-secretário da academia, defendeu a premiação: "Este é um prêmio literário, não é um prêmio político, é sobre seus méritos literários que o prêmio lhe foi atribuído. Peter Handke é um grande escritor, com uma grande obra literária e é ela unicamente que recompensamos."

Apesar de criticar o apoio a Milosevic, o escritor bósnio Ahmed Buric declarou que "os critérios literários devem estar acima da política. Alguns de seus textos dos anos 1980s são verdadeiras obras-primas."

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Parlamento do Kossovo aprova criação de Exército Nacional

O Parlamento do Kossovo aprovou uma série de leis para transformar a Força de Segurança, dotada de armamento leve, num Exército Nacional, anunciou hoje a rádio estatal Voz da Alemanha. Em protesto, os deputados de origem sérvia boicotaram a votação.

A decisão deve deteriorar ainda mais as relações com a Sérvia. O governo de Belgrado deve congelar o diálogo bilateral para reconhecer o Kossovo como um país, exigência da União Europeia para que a Sérvia possa ser aceita no bloco europeu.

Ambos faziam parte da antiga Iugoslávia. O Kossovo era uma província autônoma sérvia. Com o ressurgimento do nacionalista e as guerras que acabaram com a Iugoslávia na era pós-comunistas, o ditador Slobodan Milosevic suspendeu a autonomia do Kossovo e iniciou uma perseguição à maioria de origem albanesa.

Em 1999, sob a liderança dos Estados Unidos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) travou uma guerra 78 dias com intensos bombardeios aéreos contra a Sérvia, o que levou na prática à independência do Kossovo, declarada oficialmente em 2008 e reconhecida pelos EUA e a UE, mas não pelas Nações Unidas, por causa do veto da China e da Rússia.

Em novembro, o governo kossovar impôs uma tarifa de importação de 100% sobre produtos sérvios como resposta ao bloqueio de Belgrado à participação do Kossovo independente em organizações internacionais.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Primeiro-ministro do Kossovo ganha 300 gravatas de militantes

A antiga província sérvia do Kossovo é um dos países mais pobres da Europa, não reconhecido internacionalmente por muitos países. Quando o primeiro-ministro Ramush Haradinaj dobrou seu salário, ativistas promoveram uma campanha e arrecadaram 300 gravatas, noticiou o jornal esquerdista francês Libération.

Haradinaj está sob pressão por dobrar seu próprio salário de 1,5 mil para 3 mil euros por mês. Para se justificar, alegou que precisa andar bem vestido: "Devo estar à altura de minhas responsabilidades. Sou obrigado a ter uma gravata, não posso sair de qualquer maneira, devo ter uma camisa."

A reação da organização não governamental Atrás do Muro foi organizar uma campanha de doação de gravatas para o chefe de governo. "Ramush Haradinaj é primeiro-ministro de uma gente pobre que ganha 200 euros por mês", declarou Kaushtrim Mehmeti, um dos responsáveis pela ONG. "Ele não deve esquecer que representa gente que não tem problemas por falta de gravata, mas de pobreza."

O Kossovo tem uma taxa de desemprego que ronda os 30%. Cerca de 30% dos kossovares são pobres e 8% vivem na miséria.

domingo, 17 de maio de 2015

Dezenas de milhares exigem queda do governo da Macedônia

Cerca de 20 mil pessoas tomaram as ruas de Skopje hoje para exigir a queda do primeiro-ministro macedônio, Nikola Gruevski, informou a televisão pública britânica BBC. Numa demonstração de unidade, os manifestantes levaram bandeiras da Macedônia e da Albânia.

O protesto foi deflagrado pela revelação de que ministros espionaram figuras proeminentes da sociedade macedônia. Acontece uma semana depois de um confronto violento na cidade de Kunamovo em que morreram 14 rebeldes albaneses e oito policiais.

A tensão entre eslavos e albaneses na ex-república iugoslava da Macedônia é resultado da Guerra do Kossovo (1999), quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, bombardeou a Sérvia durante 78 dias para expulsar da província do Kossovo as forças do ditador Slobodan Milosevic, que estava massacrando a maioria albanesa.

Cerca de 70% dos 2 milhões de macedônios são eslavos e 30% de origem albanesa.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Macedônia acusa kossovares por ataque que deixou 22 mortos

O governo da ex-república iugoslava da Macedônia culpou hoje seis ex-guerrilheiros do Exército de Libertação do Kossovo de liderar um ataque que deixou oito policiais e 14 pistoleiros mortos ontem na cidade de de Kumanovo, no Norte do país, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Mais de 30 macedônios e um albanês participaram do ataque em que 37 policiais saíram feridos. "A destruição é total", contou um macedônio que esteve nem Kumanovo.

No mês passado, cerca de 40 albaneses da antiga província sérvia do Kossovo atacaram uma delegacia de polícia para exigir a criação de um Estado albanês dentro da Macedônia. As tensões são grandes desde a guerra que libertou a província da ditadura de Slobodan Milosevic na Sérvia, em 1999.

Até hoje, o Kossovo não foi reconhecido como um país independente pelas Nações Unidas por causa do veto da Rússia, aliada da Sérvia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Chanceler de Israel quer controle da ONU em Gaza

O ministro do Exterior linha-dura de Israel, Avigdor Lieberman, defende a transferência do controle sobre a Faixa de Gaza para as Nações Unidas, a exemplo do que aconteceu na província do Kossovo depois da guerra de 1999.

Em reportagem do jornal conservador The Jerusalem Post, Lieberman declarou que só vê três opções para Gaza: a destruição do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um acordo diplomático ou a manutenção da situação atual, que definiu como "um limbo sem fim" onde, na sua visão, de tempos em tempos, o Hamas inicia as hostilidades e Israel reage.

Nas duas primeiras hipóteses, a Faixa de Gaza seria governada pela ONU. Para defender sua proposta, Lieberman lembrou o que aconteceu depois da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Sérvia para conter o massacre da maioria albanesa no Kossovo: "Vimos um mandato da ONU que funcionou", disse ele. "Um país não pode viver sob o humor de uma organização terrorista. A meta é evitar ataques de foguetes e impedir o fortalecimento do Hamas."

Em Jerusalém, um israelense morreu hoje num atentado terrorista em que um trator foi jogado contra um carro e um ônibus.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Obama adverte UE a não ceder diante da Rússia

A atitude da Rússia de redesenhar fronteiras internacionais e anexar a região da Crimeia é um alerta ao resto do mundo e às novas gerações de que os direitos e liberdades conquistados nas últimas décadas precisam ser constantemente defendidos, afirmou hoje em Bruxelas, na Bélgica, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao avaliar a crise na ex-república soviética da Ucrânia.

Para Obama, a União Europeia e os EUA estão sendo "testados" pelo expansionismo russo numa luta entre os ideais democráticos e "uma visão antiga e mais tradicional do poder". Precisam evitar a "complacência" diante de violações do direito internacional.

Num longo discurso em que falou das duas guerras mundiais que assolaram a Europa e da paz que o continente vive desde então, o presidente americano respondeu uma a uma às alegações do presidente russo, Vladimir Putin, para justificar a anexação da Crimeia, que tinha o status de república autônoma dentro da Ucrânia.

Obama rejeitou a comparação com a antiga província sérvia do Kossovo, onde houve uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Sérvia liderada por Slobodan Milosevic depois de anos de massacre da população de origem albanesa, seguida de um referendo sobre a independência realizado sob fiscalização internacional, em contraste com a consulta popular realizada às pressas na Ucrânia sob fuzis Kalachnikov.

Até a invasão do Iraque no governo George W. Bush, à qual se opôs, Obama tentou justificar alegando que os EUA não tinham o objetivo de conquistar territórios, como se instalar governos-fantoches não tivesse a mesma marca imperialista.

O presidente declarou que os EUA não querem conflito com a Rússia, mas reafirmou o compromisso de defender os aliados da OTAN, que hoje incluem as ex-repúblicas soviéticas do Mar Báltico, Estônia, Letônia e Lituânia. Lá, a exemplo da Ucrânia, uma parte significativa da população é étnica e culturalmente russa.

sábado, 19 de outubro de 2013

França autoriza volta de estudante kossovar deportada

Sob intensa pressão das ruas e da esquerda do Partido Socialista, o presidente François Hollande autorizou a volta à França de Leonarda Dibrani, uma estudante cigana de 15 anos detida durante uma excursão de sua escola e deportada para o Kossovo com sua família.

A família fugiu há mais de uma década da antiga província sérvia que se tornou independente na Guerra do Kossovo, em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) derrotou a Sérvia do ditador Slobodan Milosevic com 78 dias de bombardeio aéreo. Estava há quatro anos na França, depois de fugir da perseguição aos ciganos pelo governo de Silvio Berlusconi, na Itália.

Uma das grandes preocupações de Hollande é se diferenciar do ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, que se notabilizou, entre outras coisas, por deportar ciganos para seus países de origem na Europa Oriental. A família de Leonarda teve o pedido de residência na França negado supostamente por ter mentido dizendo ter sido perseguida no Kossovo.

Sarkozy tentou roubar as bandeiras políticas da extrema direita, cada vez mais forte na França e na Europa em crise. As últimas pesquisas dão 25% de preferência à neofascista Frente Nacional. Mas um governo socialista deter uma menina de 15 anos dentro de um ônibus escolar para expulsá-la do país foi demais para um país com a tradição revolucionária da França.

O povo saiu às ruas e os poderosos do dia decidiram preservar suas cabeças.

domingo, 10 de junho de 2012

Conflito na Síria relança dilema da intervenção militar

Com mais de 12,5 mil mortes em um ano e três meses, a guerra civil na Síria recoloca a questão da legalidade e legitimidade de intervenções militares por razões humanitárias.

Depois de autorizar no ano passado o uso da força "para proteger civis" na Líbia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas nem sequer aprovou sanções contra a ditadura síria, por veto da China e da Rússia. Essas potências, o Brasil, a Índia, a África do Sul e outros países em desenvolvimento entendem que a operação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ultrapassou os limites do mandato ao derrubar o coronel Muamar Kadafi e mudar o regime líbio.

Em 1904, o então presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt argumentou que "há crimes cometidos numa escala tão grande e com tamanho horror" que justificariam uma reação armada. Pouco menos de um século antes, quando a Grécia lutava pela independência, em 1821, seu predecessor John Quincy Adams advertiu os americanos para os riscos de "sair ao exterior em busca de monstros para destruir".

O isolacionismo marcou a política externa do início dos EUA. No seu Discurso de Despedida, o primeiro presidente, George Washington, alertou que o país não deveria se envolver em guerras onde não estivesse em jogo o interesse nacional dos EUA.

Ao entrar no sistema internacional, os EUA aceitavam os princípios da soberania nacional e da não intervenção nos assuntos internos de outros países, bases da ordem internacional criada pelo Tratado de Paz da Vestfália, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos (1618-48).

Em 1917, o presidente intervencionista Woodrow Wilson, para justificar a entrada do país na Primeira Guerra Mundial (1914-18), teve de convencer os americanos de que era "a guerra para acabar com todas as guerras".

Wilson não conseguiu persuadir os americanos a aprovar sua proposta de criação da Liga das Nações. A primeira organização internacional de caráter universal nasceu frágil. Sem a maior potência mundial, não conseguiu impedir a invasão da China pelo Japão, da Etiópia pela Itália e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha, ações militares que levaram à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Quando o conflito acabou, sob a inspiração de outro presidente americano, Franklyn Roosevelt, nasceu a Organização das Nações Unidas. A Carta da ONU consagra em sua carta os princípios de soberania nacional e de não intervenção como bases do sistema internacional. Mas, ao mesmo tempo, contraditoriamente, a organização também promete proteger os direitos individuais, esmagados pelo genocídio contra os judeus e tantos outros massacres cometidos durante a guerra.

Em 10 de dezembro de 1948, a ONU aprovava a Declaração Universal dos Direitos Humanos e depois as convenções contra a Tortura e o Genocídio, além das Convenções de Genebra, elementos centrais do direito internacional humanitário.

Pelo menos três intervenções militares do século passado passaram a ser enquadradas como humanitárias, o que implica o reconhecimento de que não havia outros interesses políticos ou econômicos que as justificassem:
• a intervenção da Índia na guerra civil paquistanesa que levou à independência de Bangladesh, o antigo Paquistão Oriental, em 1971;
• a guerra da Tanzânia contra Uganda, em 1978, para derrubar o ditador Idi Amin Dada, que tentara anexar a província tanzaniana de Kagera;
• e a invasão do Camboja pelo Vietnã no Natal de 1978 para derrubar em 9 de janeiro de 1979 a ditadura de Pol Pot e o reino de terror do Khmer Vermelho, acusado por 2 milhões de mortes.

Nos anos 80, com o fim da Guerra Fria, a ONU realizou uma série de missões de paz na África, na América Latina e na Ásia. Na maioria dos casos, era operações de manutenção da paz negociada entre as partes em conflito, que convocavam a instituição internacional para dar aval, garantir a trégua, desarmar os beligerantes e tentar construir as bases permanentes da pacificação e da reconciliação, com eleições e organização da sociedade civil.

Nos anos 90, o desafio seria bem maior: impor a paz. Tanto na antiga Iugoslávia como nas guerras na África, não havia paz a manter.

Sob a bandeira da ONU, os EUA fizeram uma operação para garantir a distribuição de comida na Somália, em 1992, no fim do governo George Bush sr. Seu sucessor, o presidente Bill Clinton quis transformar a intervenção numa luta contra o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid, que dificultava a missão humanitária, sem os recursos militares necessários para a missão. Foi um desastre, mostrado em Falcão Negro em Perigo, que virou livro, filme e videogame.

Depois da morte de 18 americanos na Batalha de Mogadíscio, em 1993, Clinton não só retirou os soldados dos EUA da Somália. Usou o poder de veto dos EUA para impedir uma intervenção da ONU em Ruanda, onde 800 mil pessoas foram mortas em 100 dias em 1994, no último genocídio do século 20. Hoje, ele reconhece que esse foi seu maior erro.

O massacre pelos sérvios de quase toda a população adulta masculina de Srebrenica, uma cidade da Bósnia-Herzegovina que havia sido declarada "zona sob proteção" da ONU, em julho de 1995, levou a uma campanha aérea da OTAN e aos acordos de paz de Dayton, em novembro daquele ano, pondo fim temporariamente às guerras que destruíram a Iugoslávia.

Quando o ditador sérvio Slobodan Milosevic voltou a cometer crimes contra a população albanesa do Kossovo, foi alvo de uma guerra aérea de 78 dias da OTAN, em 1999. No seu 50º aniversário, depois do desaparecimento da arqui-inimiga União Soviética, a aliança militar ocidental buscava uma nova doutrina. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendeu o "direito de intervenção por razões humanitárias".

Para conciliar os princípios de soberania nacional e não intervenção com o direito de ingerência por razões humanitárias, o então secretário-geral da ONU Kofi Annan criou uma comissão. Seu trabalho concluiu que é dever do Estado proteger seus cidadãos. Assim, se um governo atacar seus próprios cidadãos, pode ser alvo de uma intervenção internacional baseada na "responsabilidade de proteger".

É um conceito estranho para os adeptos da realpolitik como o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, que só concebe a guerra por "razões de Estado", na linha de um de seus ídolos, o cardeal Richelieu, primeiro-ministro de Luís XIII, na França. Ele acaba de se opor a uma intervenção na Síria, alegando que sem uma estrutura de governo montada para tomar o poder haveria um vazio político e uma guerra civil de consequências ainda piores.

Ao comentar o assunto, no artigo O Dilema da Intervenção, o ex-secretário da Defesa adjunto para política de defesa Joseph Nye jr., professor da Universidade de Harvard, observa que a política externa deve adotar o mesmo princípio da medicina: "Em primeiro lugar, não faça mal".

A Líbia foi o primeiro teste da "responsabilidade ao proteger". Quando as forças leais ao ditador Muamar Kadafi se aproximavam de Bengázi, segunda maior cidade do país e principal foco da rebelião, em março de 2011, a ONU autorizou o uso da força para "proteger os civis".

Para marcar posição contra os EUA e as potências europeias, a presidente Dilma Rousseff lançou a ideia da "responsabilidade ao proteger", insinuando que a OTAN seria responsável pela morte dos civis que deveria defender.

Duas organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos, Anistia Internacional e Human Rights Watch, pediram investigações sobre mortes de civis em bombardeios da aliança atlântica. Mas o total de mortes de civis inocentes atribuídas à OTAN não chega a cem, muito menos que seria de se esperar se Kadafi massacrasse Bengázi e esmagasse a revolta popular.

Nye acredita que a Síria é uma situação muito diferente, complicada pela diversidade étnico-religiosa do país e por sua posição no Oriente Médio. Isso não significa, ressalva, que nada possa ser feito. Seria importante, na sua opinião, convencer a Rússia a retirar seu apoio ao ditador Bachar Assad, que para os EUA e a Europa perdeu qualquer legitimidade.

Também contrário a uma intervenção miliar que não está nos planos do presidente Barack Obama num ano eleitoral, o jornalista e intelectual americano Fareed Zakaria aposta no colapso econômico do regime, se a sociedade internacional impuser sanções econômicas duras.

Em último caso, admite Nye, a Turquia poderia intervir para dar um empurrão final num Assad enfraquecido. Ele cita intervenções militares bem-sucedidas na Bósnia, na Libéria, em Serra Leoa e no Timor Leste. Não resolveram todos os problemas dos conflitos, mas melhoram a vida das populações destes países, ao contrário do que aconteceu na Somália, onde hoje há uma intervenção do Exército do Quênia, além da presença de uma força de paz da União Africana para apoiar o frágil governo provisório.

As guerras no Afeganistão e no Iraque não podem ser enquadradas como intervenções militares por razões humanitárias, apesar disto ter sido alegado para justificar a derrubada de Saddam Hussein depois que não foram encontradas as armas de destruição em massa que legitimariam a invasão.

Seu custo elevado de milhares de vidas e trilhões de dólares minaram o apoio a intervenções militares. Obama só concordou participar da intervenção na Líbia depois de um pedido da Liga Árabe e da aprovação do Conselho de Segurança da ONU. A França e o Reino Unido lideraram o processo.

Como superpotência, os EUA devem continuar intervindo militarmente no exterior, prevê Nye, mas as intervenções devem ser curtas, envolvendo um número menor de soldados, com predominância de tropas de elite e tecnologias que permitam ações à distância.

Numa era de guerra cibernética e ataques com aviões não tripulados (drones), o professor de Harvard entende que as intervenções militares em grande escala pertencem ao passado. Se isso será suficiente para proteger os direitos humanos de populações ameaçadas, é outra história.

A tensão entre os direitos ou o poder dos Estados e os direitos humanos é um dos temas centrais do direito e das relações internacionais contemporâneas. Volta à tona toda vez que ditadores e facínoras promovem banhos de sangue.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Atirador mata soldados americanos em Frankfurt

Um homem armado invadiu ontem um ônibus da Força Aérea dos Estados Unidos no aeroporto de Frankfurt, o maior da Alemanha, e matou dois soldados americanos. Ele foi identificado como cidadão do Kossovo.

As autoridades alemãs investigam suas possíveis ligações com grupos extremistas muçulmanos. A maioria dos kossovares tem origem albanesa e é muçulmana.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Primeiro-ministro do Kossovo é acusado de crimes

Um relatório preliminar do Conselho da Europa acusa o primeiro-ministro do Kossovo, Hashim Thaçi, de chefiar, no fim do anos 90, uma mafia envolvida em espancamentos, assassinatos, tráfico de órgãos e outros crimes. Thaçi liderada o Exército de Libertação do Kossovo.

A Sérvia endossa as acusações, rejeitadas pelo governo kossovar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Kossovo faz primeira eleição pós-independência

antiga província sérvia do Kossovo realiza hoje as primeiras eleições parlamentares desde a independência do país, em 2008. É um passo importante rumo à integração na União Europeia.

Com o colapso da grande coligação que liderou a separação da Sérvia e a renúncia do presidente Fatmir Sejdiu, no mês passado, as eleições foram antecipadas.

Os kossavares estão elegendo um parlamento com 120 cadeiras. Dez são reservadas aos sérvios e outras dez a outras minorias.

Dos cerca de 120 mil sérvios que moram no Kossovo independente, a metade que vive misturada com a maioria de origem albanesa participou. Mas quase todos os que vivem no Norte do Kossovo, perto da Sérvia, um sinal de que a violenta guerra civil que dividiu o país no fim dos anos 90 ainda não foi superada.

Nenhum dos 29 partidos e coligações que disputaram a eleição deve obter maioria absoluta. O favorito é o Partido Democrático do Kossovo, liderado pelo primeiro-ministro Hashim Thaçi, com cerca de 30% das preferências.

Os maiores desafios do novo governo serão combater a corrupção, fortalecer o Estado de Direito e combater o desemprego, que atinge 48% da população em idade de trabalhar.

Os líderes da minoria sérvia defenderam um boicote, mas alguns votaram. Os líderes kossovares votaram em Pristina.

domingo, 3 de outubro de 2010

Novo patriarca sérvio pede paz no Kossovo

Ao tomar posse neste domingo como novo patriarca da Igreja Cristã Ortodoxa da Sérvia no Kossovo, Irinej  fez um apelo a sérvios e albaneses "pela paz e unidade com base na justiça divina e dos homens".

Foi a primeira cerimônia da Igreja Ortodoxa sérvia no Kossovo desde que esta província declarou-se independente da Sérvia, em 2008.

A maioria dos 7,5 milhões de sérvios são cristãos ortodoxos. Cerca de 100 mil sérvios ainda vivem no Kossovo, ao lado de uma população de 2 milhões de origem albanesa.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sérvia descobre restos mortais de 250 albaneses

O cemitério clandestino com os restos mortais de 250 albaneses da antíga província sérvia do Kosovo fica na região de Raska, no Sul da ex-república iugoslava da Sérvia. É o sexto descoberto na no país desde 2000.

Ao anunciar a  procurador de crimes de guerra do país, Vladimir Vukcevic, agradeceu a colaboração nas investigações da missão da União Europeia que atua como polícia no Kosovo.

Foi no Kosovo, em 1987, que começaram os conflitos nacionalistas que destruiriam a Iugoslávia. Lá, o então secretário-geral do Partido Comunista, Slobodan Milosevic, rompeu com o pacto imposto pelo marechal Josip Broz Tito, herói da resistência antinazista na Segunda Guerra Mundial.

Ao refundar a Iugoslávia, depois da Segunda Guerra Mundial, o marechal Tito e a ideologia comunista sufocaram temporariamente os nacionalismos radicais da Sérvia e da Croácia.

Com o declínio do comunismo, Milosevic empunhou a bandeira do nacionalismo sérvio para ficar no poder. A primeira medida foi acabar com a autonomia da província sérvia do Kosovo, onde 90% da população eram de origem albanesa.

Depois da fragmentação da Iugoslávia, com as guerras da Croácia, da Eslovênia e da Bósnia-Herzegovina, Milosevic promoveu uma limpeza étnica no Kosovo, que tinha o status de província autônoma da Sérvia.

Diante do massacre dos albaneses do Kosovo, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, atacou a Sérvia na Guerra do Kossovo, bombardeando o país durante 78 dias em 1999, até a rendição das forças sérvias que tiranizavam a província.

Na época, um dos debates nas relações internacionais era o direito de intervenção por razões humanitárias, embora muita gente não acredite nisso. Os cemitérios clandestinos são a prova dos massacres que justificaram a intervenção militar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Morales expulsa embaixador dos EUA

Em meio à maior crise política em dois anos e meio de governo, o presidente Evo Morales decretou ontem a expulsão do embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, insinuando que ele é um dos responsáveis por uma tentativa de dividir o país.

Goldberg trabalhou na independência do Kossovo e Morales juntou as duas coisas.

Sem que o governo boliviano apresente indícios concretos da participação americana na conspiração oposicionista, fica difícil de julgar a atitude do presidente da Bolívia. Afinal, a independência do Kossovo foi resultado de uma violenta campanha de repressão deflagrada pelo ditador sérvio Slobodan Milosevic e não de uma conspiração internacional para enfraquecer a Sérvia.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sérvia inicia processo de adesão à União Européia

A Sérvia assinou hoje um Acordo de Associação com a União Européia, apesar de sua recusa em aceitar a independência do Kossovo, reconhecida por diversos países europeus.

É o início de um processo de adesão que pode ser freado pelas eleições legislativas de 11 de maio. Os partidos que não querem se aproximar da Europa devem obter maioria no Parlamento.

O ultranacionalista Partido Radical Sérvio, obteve surpreendentes 48,7% no segundo turno da última eleição presidencial, e o primeiro-ministro Vojislav Kostunica rompeu a aliança com o presidente Boris Tadic e convocou eleições antecipadas porque a questão do Kossovo rachou a coligação de governo.

Tadic foi pessoalmente a Luxemburgo para a assinatura do acordo com a UE. Kostunica promete derrubá-lo, se ganhar as eleições. O primeiro-ministro entende que o Kossovo é inegociável, é uma questão de soberania nacional. Isto pode lhe dar a vitória nas urnas.

Mas o risco é, como advertiu um jornal de Belgrado logo após a independência do Kossovo, que a Sérvia perca os dois: Kossovo e a Europa. Talvez por isso, o presidente Tadic tenha resolvido se antecipar e firmar o acordo com a UE antes das eleições apostando que seus adversários políticos não terão coragem para interromper o processo de integração da Sérvia à UE.