Cerca de 20 mil pessoas tomaram as ruas de Skopje hoje para exigir a queda do primeiro-ministro macedônio, Nikola Gruevski, informou a televisão pública britânica BBC. Numa demonstração de unidade, os manifestantes levaram bandeiras da Macedônia e da Albânia.
O protesto foi deflagrado pela revelação de que ministros espionaram figuras proeminentes da sociedade macedônia. Acontece uma semana depois de um confronto violento na cidade de Kunamovo em que morreram 14 rebeldes albaneses e oito policiais.
A tensão entre eslavos e albaneses na ex-república iugoslava da Macedônia é resultado da Guerra do Kossovo (1999), quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, bombardeou a Sérvia durante 78 dias para expulsar da província do Kossovo as forças do ditador Slobodan Milosevic, que estava massacrando a maioria albanesa.
Cerca de 70% dos 2 milhões de macedônios são eslavos e 30% de origem albanesa.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 17 de maio de 2015
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Bulgária envia tropas para a fronteira da Macedônia
O primeiro-ministro Boiko Borissov comunicou ao Parlamento da Bulgária ontem o envio de tropas à fronteira com a ex-república iugoslava da Macedônia para impedir a entrada em massa de refugiados, noticiou o jornal digital EU Observer.
A tensão aumentou na Macedônia depois de um confronto da polícia com militantes da minoria albanesa que terminou com 22 mortes, de 14 albaneses e oito policiais, em 10 de maio de 2015. É mais um conflito étnico na região dos Bálcãs decorrente das guerras que destruíram a Iugoslávia no fim do século 20.
Borissov declarou que a Macedônia está pronta a receber cerca de 90 mil macedônios com passaportes búlgaros, mas está preocupado com os riscos de agitação social, violência e terrorismo. Teme uma crise humanitária no país vizinho. Um terço dos 2 milhões de macedônios é de origem albanesa.
Sob pressão, o primeiro-ministro macedônio, Nikola Gruevski, denunciou a infiltração de terroristas vindos de um país vizinho para desestabilizar a Macedônia. Ontem, a ministra do Interior, Gordana Jankulova, e o chefe do serviço secreto, Sasso Mijalkovski, pediram demissão sob acusações de escuta telefônica ilegal e intimidação de jornalistas.
A Macedônia sofreu um forte impacto com a Guerra do Kossovo, em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou a Sérvia durante 78 dias para obrigar as forças do ditador Slobodan Milosevic a se retirar da província do Kossovo, onde estavam massacrando a maioria albanesa.
O conflito entre eslavos e albaneses se alastrou para a Macedônia. Em 2001, houve um acordo entre a maioria eslava e guerrilheiros albaneses. Ex-combatentes do Exército de Libertação do Kossovo faziam parte do grupo que entrou em conflito com a polícia macedônia no domingo passado.
A Bulgária considera a Macedônia um país irmão. Ambos usam o alfabeto cirílico e conseguem se entender. Os búlgaros consideram o macedônio uma variação de sua língua, mas as relações entre os dois países se agravaram nos últimos meses.
O governo búlgaro quer assinar um tratado bilateral para resolver questões potencialmente litigiosas, como a exigência de que reconheça a existência de uma "minoria macedônia" na Bulgária e os direitos dos búlgaros na Macedônia.
Sem um tratado, a Bulgária vai vetar a abertura de negociações para a entrada da Macedônia na União Europeia, bloqueadas pela Grécia há cinco anos. A Grécia exige a mudança do nome do país para que a Macedônia não reivindique a soberania sobre a província grega chamada Macedônia.
A tensão aumentou na Macedônia depois de um confronto da polícia com militantes da minoria albanesa que terminou com 22 mortes, de 14 albaneses e oito policiais, em 10 de maio de 2015. É mais um conflito étnico na região dos Bálcãs decorrente das guerras que destruíram a Iugoslávia no fim do século 20.
Borissov declarou que a Macedônia está pronta a receber cerca de 90 mil macedônios com passaportes búlgaros, mas está preocupado com os riscos de agitação social, violência e terrorismo. Teme uma crise humanitária no país vizinho. Um terço dos 2 milhões de macedônios é de origem albanesa.
Sob pressão, o primeiro-ministro macedônio, Nikola Gruevski, denunciou a infiltração de terroristas vindos de um país vizinho para desestabilizar a Macedônia. Ontem, a ministra do Interior, Gordana Jankulova, e o chefe do serviço secreto, Sasso Mijalkovski, pediram demissão sob acusações de escuta telefônica ilegal e intimidação de jornalistas.
A Macedônia sofreu um forte impacto com a Guerra do Kossovo, em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou a Sérvia durante 78 dias para obrigar as forças do ditador Slobodan Milosevic a se retirar da província do Kossovo, onde estavam massacrando a maioria albanesa.
O conflito entre eslavos e albaneses se alastrou para a Macedônia. Em 2001, houve um acordo entre a maioria eslava e guerrilheiros albaneses. Ex-combatentes do Exército de Libertação do Kossovo faziam parte do grupo que entrou em conflito com a polícia macedônia no domingo passado.
A Bulgária considera a Macedônia um país irmão. Ambos usam o alfabeto cirílico e conseguem se entender. Os búlgaros consideram o macedônio uma variação de sua língua, mas as relações entre os dois países se agravaram nos últimos meses.
O governo búlgaro quer assinar um tratado bilateral para resolver questões potencialmente litigiosas, como a exigência de que reconheça a existência de uma "minoria macedônia" na Bulgária e os direitos dos búlgaros na Macedônia.
Sem um tratado, a Bulgária vai vetar a abertura de negociações para a entrada da Macedônia na União Europeia, bloqueadas pela Grécia há cinco anos. A Grécia exige a mudança do nome do país para que a Macedônia não reivindique a soberania sobre a província grega chamada Macedônia.
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