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domingo, 15 de outubro de 2023

Magnata vence eleição presidencial no Equador

 O candidato liberal Daniel Noboa realizou o sonho do pai, Álvaro Noboa, cinco vezes candidato sem sucesso, e se tornou o mais jovem presidente da história do Equador.

 Com mais de 90% dos votos apurados, Noboa, da Ação Democrática Nacional (ADN) vence no segundo turno por 52,3% a 47,7% Luisa González, do Movimento Revolução Cidadã (MRC), liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, (2007-17) que foi condenado por corrupção e está exilado na Bélgica.

A eleição equatoriana foi perturbada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio, que fazia campanha contra as máfias do tráfico de drogas e foi morto por uma delas em 9 de agosto, 11 dias antes do primeiro turno.

Aos 35 anos, Noboa será o mais jovem presidente do Equador, mas seu mandato será de apenas um ano e e cinco meses, de dezembro deste ano a maio de 2025. Ele vai completar o período do presidente Guillermo Lasso. 

Para escapar de um processo de impeachment, Lasso dissolveu a Assembleia Nacional em 17 de maio numa manobra conhecida como morte cruzada, que acabou ao mesmo tempo com seu governo. Desde já, Noboa é candidato à reeleição.

A família Noboa é dona de um império empresarial que começou com a exportação de bananas. O pai enfrentou resistência e não conseguiu ser presidente porque era visto como representante da elite econômica.

Daniel Noboa Azin não era considerado um candidato forte. No primeiro turno, nenhuma pesquisa o colocava no segundo turno. Para se diferenciar do pai, ele fez campanha abraçando algumas causas progressistas como ênfase na educação e apoio à comunidade LBGTQIAP+. No debate final na televisão, ele se apresentou como alternativa ao correísmo e mostrou mais conhecimento de temas essenciais do que os favoritos.

Seu programa tem dois pontos centrais: o combate à violência e ao crime organizado e a geração de empregos para os jovens com incentivos fiscais para empresas que contratarem jovens. Sem maioria numa Assembleia Nacional fragmentada onde a oposição correísta terá a maior bancada, Noboa não terá vida fácil com o Poder Legislativo.

Sob o impacto da ação de máfias ligadas aos cartéis do tráfico de drogas do México, o Equador enfrenta a maior crise de segurança de sua história, com 4,3 mil assassinatos nos primeiros sete meses de 2023. Ele propõe instalar prisões em barcaças para deixar criminosos perigosos longe da costa, sem condições de administrar seus negócios criminosos de dentro do cárcere.

A proposta gerou críticas porque o tempo é curto e o código penal equatoriano não prevê o isolamento como pena.

A morte de Villavicencio não foi totalmente esclarecida. Os seis colombianos presos foram assassinados na cadeia.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Protestos contra aumento do metrô causam dez mortes no Chile

Depois de três dias de protestos violentos e saques, com dez mortes num ataque a supermercado a uma fábrica, o presidente Sebastián Piñera suspendeu um aumento nas passagens do metrô e decretou estado de emergência e toque de recolher noturno na região metropolitana de Santiago do Chile e em outras quatro cidades. Mais de 150 pessoas foram feridas e 1,5 mil foram presas.

"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso e implacável, que não respeita nada nem ninguém e que está disposto a usar a violência e a delinquência sem nenhum limite, que está disposto a queimar nossos hospitais, o metrô, os supermercados, com o único objetivo de infligir o maior dano posssível", declarou presidente conservador chileno.

Piñera acusou grupos infiltrados nas manifestações para promover a violência de "estarem em guerra contra todos os chilenos que querem viver na democracia": "Estamos conscientes de que têm um grau de organização e logística que é próprio do crime organizado."

O presidente prometeu um "enorme esforço" para fazer desta segunda-feira um dia normal e pediu "a todos os compatriotas que nos unamos nesta batalha que não podemos perder. Não vamos permitir que os violentos e delinquentes se sintam donos do nosso país."

Diante da vitória com a revogação do aumento nas passagens do metrô de Santiago, os manifestantes exigem agora políticas sociais de combate à miséria.

Manifestantes atiram coquetéis Molotov em Hong Kong

Pela  20ª semana seguida, milhares de manifestantes do movimento pela democracia protestaram contra a crescente interferência do regime comunista chinês em Hong Kong, que tem status de região administrativa especial dentro da República Popular da China.

O protesto começou pacificamente, mas degenerou em violência, com depredação de lojas, bancos e estações. A polícia usou gás lacrimogênio contra a manifestação, não autorizada. Os manifestantes reagiram com coquetéis Molotov.

Outro sinal de uma escalada na violência foi o uso de um robô para desarmar uma bomba de fabricação caseira. Há uma semana, a polícia anunciou que uma bomba caseira havia sido explodida pelos manifestantes usando um telefone celular como detonador. Ninguém foi ferido.

A manifestação começou num bairro comercial da ponta sul da Península de Kowloon e seguiu pela avenida do porto de Vitória aos gritos de "Glória a Hong Kong!" Algumas estações de metrô na rota da marcha de protesto foram fechadas. Filias de bancos e empresas chinesas foram atacadas.

A Frente dos Direitos Humanos e Civis, organizadora de grandes marchas pacíficas no verão de que participaram até 2 milhões de pessoas, pediu autorização para a manifestação de hoje. A polícia negou, alegando que protestos anteriores degeneraram em vandalismo e violência.

Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes no território para responder a processos criminais na China. Evoluíram para exigir a renúncia da governadora Carrie Lam, vista como subserviente a Beijim, e eleições diretas para governador e para o Conselho de Legislativo, o parlamento do território.

Quando o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997, o regime comunista chinês se comprometeu a manter as liberdades democráticas no território durante 50 anos,. Era fórmula um país, dois sistemas, idealizada pelo então líder Deng Xiaoping para ser usada também numa possível reintegração da Taiwan.

A linha-dura comunista acusa os manifestantes de quererem a independência de Hong Kong, no que seria uma mutilação da grande e poderosa China. Dentro da paranoia comum aos regimes ditatorias, vê influências externas dos Estados Unidos e do Reino Unido no movimento pela democracia.

Os moradores de Hong Kong veem nas atuais manobras do governo chinês, cada vez mais ditatorial sob Xi Jinping, uma ameaça a esta situação especial.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

África do Sul fecha embaixada e consulado na Nigéria para evitar retaliação

Depois de uma série de ataques retaliatórios contra empresas sul-africanas na Nigéria por causa de ataques a nigerianos na África do Sul, o governo sul-africano anunciou hoje o fechamento temporário de suas representações diplomáticas naquele país.

A Nigéria e a África do Sul são as maiores economias da África. A integração econômica do continente depende do bom relacionamento entre elas. Os dois governos estão tomando providências para evitar o agravamento da situação.

Desde o último fim de semana, pelo menos sete pessoas foram mortas e dezenas foram feridas na África do Sul numa onda de violência xenofóbica na província de Gauteng, onde ficam a capital do país, Pretória, e a maior cidade e principal centro econômico, Joanesburgo. Meu comentário:
Ao participar de reunião do Fórum Econômico Mundial na África do Sul, o presidente Ramaphosa defendeu a integração econômica no Acordo de Livre Comércio Continental Africano como caminho para o desenvolvimento e a paz social. O vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo, que deveria participar, não foi em protesto contra os ataques a nigerianos.
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domingo, 11 de agosto de 2019

Uruguai e Japão alertam viajantes sobre tiroteios nos EUA

O Ministério do Exterior do Uruguai advertiu os cidadãos daquele país que viajam aos Estados Unidos sobre o risco de serem vítimas de um ataque a tiros por causa da "crescente violência indiscriminada. Um cônsul do Japão deu aviso semelhante.

Os uruguaios foram aconselhados a evitar "parques temáticos, centros comerciais, festivais, eventos religiosos, feiras gastronômicas e qualquer tipo de eventos culturais ou esportivos".

Em Detroit, o cônsul japonês alertou que turistas do Japão "devem estar atentos a possíveis atentados com armas de fogo em todos os EUA", que descreveu como uma "sociedade armada".

O Japão tem mil vezes menos homicídios do que os EUA. A posse e o porte de armas são rigorosamente proibidos. O índice de homicídios é de 0,3 pessoas para cada 100 mil habitantes. Nos EUA, é de 5,3 por 100 mil habitantes.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Supremacistas brancos são nova ameaça do terror nos EUA

Treze horas depois de um ataque com 22 mortes em El Paso, no Texas, um homem mascarado identificado como Connor Betts, com colete a prova de bala e um fuzil de assalto metralhou dezenas de pessoas numa região de bares noturnos em Dayton, no estado de Ohio. 

O atirador matou nove pessoas e feriu outras 27 em 30 segundos, até ser morto pela polícia. Os ataques realimentam o debate sobre controle de armas e também para a ameaça crescente do terrorismo dos ultranacionalistas, de extrema direita, nos Estados Unidos.

Em El Paso, na fronteira com o México, a polícia descobriu um manifesto atribuído a Patrick Crusius, o terrorista de 21 anos, um admirador do presidente Donald Trump, denunciando uma "invasão hispânica do Texas". Ele alegou: "Estou simplesmente defendendo meu país contra uma substituição étnica e cultural trazida por uma invasão."

Para o jornal The New York Times, é um eco do discurso do presidente Trump contra os imigrantes, especialmente da América Latina, reproduzido por jornalistas e comentaristas alinhados ao presidente.

"O ódio não tem lugar no nosso país, vamos tomar conta disso", declarou Trump, atribuindo os ataques a "problemas de doença mental". Mas o ex-deputado por El Paso Beto O'Rourke, aspirante à candidatura democrata à Presidência dos EUA em 2020, afirmou que "o presidente Trump tem muito a ver com o que aconteceu ontem em El Paso. Trump semeia um um tipo de medo e o tipo de reação que vimos ontem."

Em entrevista à rede de televisão ABC, o chefe da Casa Civil interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, negou mais uma vez que o presidente tenha qualquer simpatia por grupos racistas ou supremacistas brancos: "São pessoas doentes. Você não pode ser um supremacista branca e ser bom da cabeça. Eu sei, você sabe e o presidente sabe disso. Este tipo de coisa tem de parar. Temos de imaginar uma maneira de corrigir o problema e não de a quem atribuir a culpa."

Desde 2015, Trump usou várias a palavra invasão para se referir aos imigrantes que tentam entrar nos EUA pela fronteira com o México. Manipula a questão para agradar ao eleitorado mais conservador, branco e sem curso superior, que se sente ameaçado pelos estrangeiros.

Em 2011, Trump alegou que o então presidente Barack Obama não tinha nascido nos EUA. Assim, não poderia ser presidente. Ao lançar sua candidatura, em junho de 2016, chamou os imigrantes mexicanos de "traficantes, estupradores e assassinos", e prometeu erguer um muro na fronteira.

Naquele mesmo ano, propôs a proibição da entrada de muçulmanos no país, uma discriminação religiosa inaceitável à luz da Constituição dos EUA. Depois da marcha de nazistas em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, e de confrontos violentos com antifascistas, Trump disse que "havia gente boa e gente ruim dos dois lados".

Nas últimas semanas, o presidente atacou quatro jovens deputadas de primeiro mandato da ala mais à esquerda do Partido Democrata, todas de origem estrangeira e nenhuma branca. Ainda discutiu com um deputado negro da Comissão de Supervisão da Câmara de Representantes que criticou as condições de alojamento dos imigrantes na fronteira descrevendo a cidade de Baltimore como "infestada de ratos".

Hoje, no México, o ministro do Exterior, Marcelo Ebrard, considerou o ataque em El Paso uma agressão aos mexicanos e ofereceu a ajuda do país às vítimas. Sete mexicanos foram mortos e outros sete saíram feridos em El Paso.

A maioria dos atentados hoje nos EUA vem da extrema direita. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças realizadas por extremistas políticos. Oito foram responsabilidade de assassinos com posições contrárias ao governo.

Nos últimos dez anos, extremistas de direita causaram mais de 70% das mortes por terrorismo político. "A violência do extremismo de direita é nossa maior ameaça", denuncia o presidente da Liga Antidifamação, uma organização não governamental que luta contra a discriminação.

O discurso eleitoreiro de Trump no mínimo banaliza o racismo e o lobby das armas garante o acesso fácil a armas de guerra. O projeto de Trump, como acusa a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, está mais para "tornar os EUA brancos de novo".

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018

Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.

No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.

De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:

A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.

Desde o início do ano, 22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade parlamentar.

Além desses crimes e abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”

A situação dos hospitais da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos, medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil 557 morreram por causa dessas carências.

Nos últimos anos, 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.

O produto interno bruto caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a 10 milhões por cento.

A ditadura chavista também oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida profissional, e a relação espiritual com a terra”.

Ao apresentar o relatório, Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança. Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da oposição.

Depois do fracasso de três manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México, da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.

Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação, a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.

O representante da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a ditadura ainda conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do Estado, com anarquia e guerra civil.

O Brasil, os Estados Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que abandonarem o regime. 

A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Trump desafia o Congresso e decreta emergência para construir muro

Neste momento, o presidente Donald Trump anuncia em entrevista nos jardins da Casa Branca que vai decretar estado de emergência no Sul dos Estados Unidos para conseguir dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, noticiou o jornal The New York Times.

"Vamos enfrentar a crise de segurança nacional na nossa fronteira sul", afirmou Trump. "Vou assinar um decreto de emergência nacional... Estamos falando de uma invasão do nosso país por drogas, traficantes de seres humanos, por todo o tipo de criminosos e gangues."

O estado de emergência permite que o presidente desvie US$ 3,6 bilhões já orçados para obras militares, US$ 2,5 bilhões do programa antidrogas e US$ 600 milhões de um fundo do Departamento do Tesouro para construir o muro.

Junto com US$ 1,375 bilhão aprovado pelo Congresso para segurança na fronteira, terá mais de US$ 8 bilhões para o muro, mais do que os US$ 5,7 bilhões que havia pedido.

A crise foi inventada por Trump. As estatísticas indicam que a imigração ilegal diminuiu, a violência na fronteira também e a maioria das drogas entra pelos postos de fronteira. O presidente nega manipular os dados. Mais uma vez, acusou a rede de televisão CNN de divulgar "notícias falsas”.

Os líderes do Partido Democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e no Senado, Chuck Schumer, reagiram declarando que o Congresso "não pode deixar o presidente rasgar a Constituição".

Ontem, Pelosi, que é presidente da Câmara, considerou a emergência um abuso de poder e advertiu que no futuro um presidente democrata pode fazer o mesmo depois de massacres e fuzilamentos.

A oposição democrata pretende aprovar legislação na Câmara para bloquear a iniciativa do presidente, mas depende de votos republicanos para o projeto passar pelo Senado. O estado de emergência também deve ser questionado na Justiça. O caso pode chegar à Suprema Corte.

Durante a entrevista coletiva, o próprio Trump admitiu que não existe uma emergência real na fronteira: "Não precisaria fazer isso. Só quero fazer mais depressa." A declaração certamente será usada contra ele na Justiça.

Desde os anos 1970s, os presidentes dos EUA declararam emergência 58 vezes, das quais 31 continuam em vigor. A maioria está ligada a crises externas, terrorismo e congelamento de bens e ativos de inimigos, e não para redirigir a alocação de recursos orçamentários sem a autorização do Congresso.

Horas depois do anúncio, a organização não governamental Cidadãos por Responsabilidade e Ética em Washington (CREW) entrou na Justiça contra o Departamento da Justiça dos EUA "porque o governo falhou até agora" em explicar por que a questão do muro possa ser considerada uma emergência nacional.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Ex-prefeito da capital deve acabar com 30 anos de duopólio em El Salvador

O ex-prefeito de San Salvador Nayib Bukele, de 37 anos, é o favorito na eleição presidencial de hoje em El Salvador, um país pobre da América Central. Sua vitória deve marcar o fim do duopólio entre a direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena) e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

A Arena e a FMLN se alternam no poder desde o fim de uma guerra civil de 12 anos (1980-92) que matou mais de 80 mil pessoas e obrigou mais de 1 milhão a fugir de suas casas, com 500 mil refugiados e 550 deslocados internamente.

Cerca de 2,2 milhões de pessoas devem votar em mais de 1,5 mil seções eleitorais. Bukele representa a conservadora Grande Aliança pela Unidade Nacional (Gana). Seu maior adversário é Carlos Calleja, da Arena, um magnata de 42 anos dono de uma rede de supermercados.

Nayib Armando Bukele Ortez é político e empresário, representante da fábrica japonesa Yahama no país. Foi presidente da Câmara de Vereadores e prefeito de San Salvador, eleito pela FMLN, de onde foi expulso em outubro de 2017 sob a acusação de promover a divisão interna e difamar o partido.

Se as urnas confirmarem as pesquisas eleitorais, Bukele terá de fazer uma aliança com a Arena. Seu partido tem apenas 11 dos 84 deputados da Assembleia Nacional.

Seus desafios serão enormes: acabar com a miséria, que atinge pouco mais de 30% de seus 6,6 milhões de habitantes, e combater a violência de criminosos que importaram a guerra de gangues de grandes cidades americanas como Los Angeles.

El Salvador tem uma dívida externa superior a US$ 9,5 bilhões, uma renda média de US$ 4,8 mil por anos e um salário mínimo de US$ 300 por mês.

No ano passado, houve pelo menos 3.340 assassinatos em El Salvador, a maioria atribuída a gangues, que teriam 70 mil membros, 17 mil dos quais estão presos. Com um índice de homicídios de 51 mortes para cada 100 mil habitantes por ano, é um dos países mais violentos do mundo.

"O novo presidente precisa propor soluções ousadas para a segurança pública", comentou o professor Carlos Carcach, da Escola Superior de Economia e Negócios.

Outro desafio será reduzir a imigração ilegal para os Estados Unidos. O presidente Donald Trump ameaça cortar a ajuda se o fluxo de migrantes não diminuir. Em 2018, mais de 3 mil salvadorenhos se juntaram às caravanas que marcham a pé até os EUA.

sábado, 1 de dezembro de 2018

López Obrador toma posse e promete fim do neoliberalismo no México

O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, eleito em 1º de julho com 53% dos votos e maioria na Câmara e no Senado, tomou posse hoje prometendo reformas "profundas e radicais" e o fim do neoliberalismo. 

Seus maiores desafios serão combater a violência ligada ao tráfico de drogas, a corrupção endêmica e a pobreza, que atinge 43% dos mexicanos, embora só 8% vivam na miséria ou pobreza absoluta.

"Com um mandato do povo, começamos hoje a quarta transformação do México. Pode soar pretensioso ou exagerado, mas hoje não é apenas o início de um novo, é uma mudança de regime político", declarou o ex-prefeito da Cidade do México, um nacionalista de esquerda de 65 anos que prometeu na campanha "uma revolução pelo voto".

As transformações anteriores foram a independência da Espanha, em 1821, no fim de 11 anos de guerra; a Reforma do presidente Benito Juárez, em 1867, depois da derrota da intervenção da França iniciada em 1861; e a Revolução Mexicana (1910-20) de Emiliano Zapata e Pancho Villa.

Seus ataques às políticas dos últimos 30 anos, da abertura econômica de Carlos Salinas de Gortari (1988-94) às reformas do setor de energia de Enrique Peña Nieto (2012-18), "ao fracasso e à corrupção" do neoliberalismo, assustam empresários e investidores.

AMLO, como é conhecido popularmente fala do período de 1930 a 1960 como uma idade de ouro e despreza o que veio depois: "Vamos fazer todo o possível para abolir este regime neoliberal."

Para o presidente da Confederação Patronal da República Mexicana (Coparmex), Gustavo de Hoyos, foi um discurso com "expressões polarizadoras e uma ideologia retrógrada". O presidente da organização não governamental Mexicanos contra a Corrupção e a Impunidade, Claudio González, criticou sua "visão voltada para trás e não para o futuro".

Com o ceticismo diante das propostas de ruptura, o mercado financeiro amargou grandes perdas nas últimas semanas. O novo presidente tentou acalmar os agentes econômicos: "Eu me comprometo, e sou um homem de palavra, que os investimentos nacionais e estrangeiros estarão seguros e que vou criar condições para que tenham bons resultados."

López Obrador renovou o compromisso de manter a independência do Banco do México, o banco central do país, e de governar por apenas um mandato de seis anos. Seus críticos temem que pretenda governar indefinidamente, a exemplo de Hugo Chávez e agora do presidente da Bolívia, Evo Morales, que perdeu um plebiscito, mas obteve uma decisão favorável da Suprema Corte para concorrer a mais um mandato.

O novo líder mexicano destacou a amizade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representado pelo vice-presidente Mike Pence e a filha e assessora Ivanka Trump. Também estavam presentes o rei Felipe VI, da Espanha, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e de Cuba, Miguel Díaz Canel, num total 20 chefes de Estado e de governo.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi à cerimônia no Palácio Legislativo de São Lázaro, mas não participou da festividade pública. Quando seu nome foi citado, houve vaias e gritos de "ditador".

A cerimônia pública foi realizada diante de 160 mil pessoas no Zócalo, a praça central da capital mexicana, onde ficam o Palácio Nacional, a Catedral e as ruínas Templo Maior da civilização asteca, destruída pela invasão do espanhol Hernán Cortez, em 1519. Representantes das 68 tribos indígenas do México fizeram rituais de purificação e investiram AMLO no cargo para marcar o aspecto multicultural do país.

Populista, López Obrador não vai morar na residência oficial de Los Pinos, situada no Bosque de Chapultepec, que prometeu transformar em centro cultural. Vai continuar na modesta casa da família. Foi para a posse num Volkswagen. Declarou não precisar de "nada material nem das mordomias do poder". Reduziu o salário presidencial em 40% de 270 mil para 108 mil pesos, cerca de R$ 20,5 mil, e o fixou como teto para o funcionalismo público.

Messiânico, é acusado de não ouvir opiniões alheias. Chega ao poder com 67% de aprovação, depois de sofrer uma queda de popularidade de nove pontos desde agosto. Sete em cada dez mexicanos acreditam que ele será capaz de reduzir drasticamente a corrupção, a violência e a miséria.

Desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, ao tomar posse, em 2006, pelo menos 60 mil pessoas foram mortas, de acordo com as estatísticas oficiais. Pela  estimativa da Igreja Católica, o total pode superar 150 mil mortes.

A política de "cortar cabeças", capturando os chefões do tráfico como Joaquín El Chapo Guzmán, do Cartel de Sinaloa, atualmente sendo julgado nos EUA, fracassou. Quando El Chapo foi extraditado, seus inimigos do Cartel de Jalisco sequestraram seus dois filhos e exigiram US$ 6 milhões de resgate.

El Chapo pagou. Hoje seu cartel está dividido e o Cartel de Jalisco se tornou provavelmente a maior máfia do tráfico no mundo inteiro. Opera em 53 países. Tem ligações com as máfias da Rússia e da Itália.

O emprego das Forças Armadas na Guerra contras as Drogas levou à corrupção dos militares e ao surgimento de cartéis como Los Zetas, formado por desertores.

López Obrador pretende legalizar a maconha, o que já foi feito na prática por decisão da Suprema Corte de Justiça, dar uma anistia a produtores e traficantes, e criar uma Guarda Nacional, sob o comando de um general do Exército, para combater a violência.

Com 129 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 1,150 trilhão, o México é a 15ª maior economia do mundo e a segunda da América Latina, atrás do Brasil. A renda média é estimada em US$ 8,9 mil pelo Banco Mundial.

A pobreza é maior nos estados do Sul, que não se beneficiaram do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), agora convertido em Acordo EUA-México-Canadá. Atinge 77% da população de Chipas e 70% dos moradores de Oaxaca.

domingo, 29 de julho de 2018

Dono do NY Times pede a Trump não chamar jornalistas de “inimigos do povo”

O presidente Donald Trump voltou a acusar jornalistas hoje de serem “antipatróticos” e de colocarem vidas em risco ao criticar o governo, enquanto o diretor do jornal The New York Times, Arthur G. Sulzberger, revelou ter pedido ao presidente que pare de chamar jornalistas de “inimigos do povo”, advertindo que vai levar à violência.

Do seu clube de golfe em Bridgewater, no estado de Nova Jérsei, Trump disparou: “Quando a mídia - tornada insana pela Síndrome de Transtorno de Trump - revela deliberações internas do nosso governo, ela verdadeiramente coloca as vidas de muitos, e não apenas jornalistas, em risco! Muito antipatriótico!”

Em seguida, voltou à ofensiva: “Não vou deixar nosso grande país ser vendido por odiadores anti-Trump na moribunda indústria de jornais”, acusando The New York Times and The Washington Post de publicar “histórias ruins mesmo diante de realizações muito positivas”.

Trump estava reagindo ao relato de Sulzberger sobre a conversa privada que tiveram na Casa Branca em 20 de julho. A notícia não teria vindo à público se o presidente não rompesse o sigilo ao descrever   a discussão como “um encontro muito bom e interessante”.

O presidente declarou que “passamos muito tempo falando sobre a grande quantidade de notícias falsas divulgadas pela mídia e como as notícias falsas se metamorfosearam na expressão ‘inimigo do povo’.”

Em sua versão, o diretor do NY Times, que estava acompanhado pelo editor de opinião do jornal, James Bennet, afirmou ter ido à Casa Branca “para levantar preocupações sobre a retórica profundamente problemática do presidente contra a imprensa”.

“Eu disse ao presidente diretamente que penso que sua linguagem não apenas divide, mas é cada vez mais perigosa”, contou Sulzberger. “Eu disse a ele que, embora a expressão ‘notícia falsa’ seja uma inverdade prejudicial, estou muito mais preocupado com rotular jornalistas como ‘inimigos do povo’. Adverti que esta linguagem inflamatória está contribuindo para um aumento das ameaças contra jornalistas e vai levar à violência.”

Onde não há democracia, o impacto tende a ser ainda maior: “Repetidamente acentuei que isto é verdade, especialmente no exterior, onde a retórica do presidente está sendo usada por alguns regimes para justificar a repressão violenta a jornalistas. Adverti-o de que está minando os ideais democráticos de nossa nação e erodindo uma das maiores exportações do nosso país: um compromisso com a liberdade de expressão e uma imprensa livre.”

Sulzberger concluiu: “Durante a conversa, enfatizei que, se o presidente Trump, como presidentes anteriores, estiver contrariado com a cobertura jornalística de seu governo, é claro que ele é livre para dizer ao mundo. Deixei claro que não estava pedindo para suavizar seus ataques ao Times, se ele sente que a cobertura é injusta. Em vez disso, implorei para que reconsidere seus ataques genéricos ao jornalismo, que acredito serem perigosos e prejudiciais ao país.”

sábado, 23 de junho de 2018

México bate novo recorde de assassinatos

A oito dias da eleição presidencial, o México fica sabendo que bateu mais um triste recorde. Em maio, o total de homicídios dolosos, com a intenção de matar, chegou a 2.890, uma média de 93 assassinatos por dia e quatro mortos por hora, revelou ontem o Sistema Nacional de Segurança Pública.

Maio foi o mês com o maior número de homicídios desde que as autoridades federais começaram a compilar estatísticas. Até agora, era março de 2017, com 2.746 assassinatos.

De janeiro a maio de 2018, o total de assassinatos foi de 13.298 mortes, 21% a mais do que no mesmo período no ano passado. Os estados mexicanos com as maiores índice de homicídios são Colima, Baixa Califórnia, Guerreiro, Chihuahua e Guanajuato.

No ritmo atual de violência assassina, este ano deve superar o recorde de 28.710 de 2017. A expectativa do diretor-geral do Observatório Nacional Cidadão, Francisco Rivas, é e um aumento de 5,5% nos homicídios e de 15% nos casos de feminicídio em 2018.

O aumento da violência no México nas últimas décadas está ligado ao poder crescente das máfias do tráfico de drogas para os Estados Unidos, que agem com grande impunidade. "Há uma série de negócios ilícitos que seguem prosperando, uma falta de ações contundentes e uma carência importante de Estado. Um delito que não se pune é um delito destinado a crescer", afirmou Rivas.

Ele não vê no líder das pesquisas, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), que hoje tem uma vantagem de 23 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN), "clareza em uma proposta de segurança pública. Sua proposta é extremamente ingênua e contraditória que não leva a pensar que vá melhorar as condições de segurança."

domingo, 6 de maio de 2018

Mães marcham em silêncio contra a violência no México

Centenas de mães e parentes de mortos e desaparecidos marcharam em silêncio ontem pelas ruas de Guadalajara, a segunda maior cidade do México, em protesto contra a violência. A cidade é a capital do estado de Jalisco, onde atuam várias máfias do tráfico de drogas, inclusive o Cartel de Novo Jalisco, considerado hoje o mais poderoso do país.

Os rostos de milhares de desaparecidos estavam em faixas, cartazes, fotos e camisetas carregados com expressões de tristeza. Vestidas de branco, muitas de braços dados, as mães caminharam em silêncio para manifestar sua dor, seu medo e sua raiva.

"Não estou morta. Não durmo porque fico pensando. Não temos notícias do nosso filho. Não sabemos onde está. Não sabemos onde ele está. É uma dor muito grande", lamentou María Miramontes à agência espanhola Efe. Ela não recebe notícias do filho há um mês.

Desde que o então presidente Felipe Calderón declarou guerra às drogas, ao assumir o poder, em 2006, cerca de 200 mil pessoas foram mortas na violência ligada ao tráfico. Os cartéis mexicanos faturam cerca de US$ 50 bilhões por ano com o tráfico de drogas para os Estados Unidos.

terça-feira, 13 de março de 2018

Total de venezuelanos que saem do país aumentou 20 vezes

Só no ano passado, 94 mil venezuelanos pediram asilo em outros países. De 2014 até 7 de março de 2018, a fuga do país aumentou 20 vezes, e chegou a um total de 145,2 mil pessoas, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Outras 444,8 mil pessoas saíram da Venezuela, mas não fixaram oficialmente residência no exterior.

A ONU atribui a emigração em massa "aos complexos acontecimentos políticos e socioeconômicos da Venezuela. Os motivos para a saída do território incluem insegurança e violência, falta de comida, remédios ou acesso a serviços sociais essenciais, assim como perda de renda."

Sob o desgoverno do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, apesar de ter as maiores reservas mundiais comprovadas de petróleo, por causa do fracasso do "socialismo do século 21" implantado pelo caudilho Hugo Chávez, que morreu em 5 de março de 2013.

Sem o talento nem o carisma do chefe, Maduro está arruinando a Venezuela numa escala sem precedentes para um país relativamente desenvolvido em tempo de paz. Com os controles de câmbio e preços, o regime chavista causou uma hiperinflação que deve chegar a 13.000% neste ano.

Desde a ascensão de Maduro, o produto interno bruto caiu pelo menos um terço. Isso caracteriza uma recessão econômica. Mas a situação é muito pior. Mais de 80% dos produtos desapareceram das prateleiras dos supermercados. Os venezuelanos perderam peso com a fome.

A vitória da oposição nas eleições parlamentares de dezembro de 2015 foi o último suspiro da democracia. O Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, impugnou a eleição de cinco deputados para tirar a maioria de dois terços que em tese daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

Depois de uma tentativa do TSJ de usurpar o Poder Legislativo da Assembleia Nacional, desafiada por uma onda de manifestações de protesto em abril, maio e junho de 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por regras especiais criadas pelo regime chavista.

A oposição boicotou a Constituinte de Maduro, que transformou definitivamente o regime numa ditadura ao marginalizar a Assembleia Nacional eleita democraticamente.

No ano passado, a Venezuela teve o segundo maior índice de homicídios do mundo fora de zonas de guerra, atrás apenas de El Salvador. Em 2014, o índice era de 62 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano, de acordo com a então procuradora-geral Luisa Ortega. A taxa considera civilizada é até 10.

Como 95% dos mortos são homens e 69% jovens, a taxa de homicídios entre os jovens chegou a 225 por 100 mil no ano 2000. Cerca de 92% dos homicídios são cometidos com armas de fogo, 83% perto da casa das vítimas, 55% em altercações públicas e 55% das mortes violentas ocorrem nos fins de semana.

Para manipular a eleição presidencial, remarcada de 22 de abril para 20 de maio, a ditadura madurista vetou os principais candidatos, partidos e a grande aliança oposicionistas, antecipou a votação, prevista para ocorrer no fim do ano, e está distribuindo cestas básicas em áreas carentes.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Trump cobra caro para proteger "sonhadores"

O governo Donald Trump enviou domingo ao Congresso uma proposta de política anti-imigração ilegal com medidas duras em troca de qualquer acordo para proteger os chamados "sonhadores", crianças e jovens que eram menores de idade quando entraram ilegalmente com suas famílias nos Estados Unidos.

Em 5 de setembro, o secretário da Justiça, Jeff Session, anunciou a revogação da Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), um programa do governo Barack Obama para proteger 800 mil jovens ilegais. Muitos passaram a maior parte de suas vidas nos EUA e não têm grande ligação com seu país de origem.

Entre as exigências de Trump, estão dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, verba para contratar mais 10 mil guardas de fronteira, regras mais duras para concessão de asilo político e o fim da ajuda federal para "cidades santuários", que não colaboram com as autoridades federais na caçada aos imigrantes ilegais. O México não vai pagar pelo muro como o presidente prometeu na campanha.

A Casa Branca também exige que as empresas usem o sistema de verificação E-Verify para não contratar imigrantes ilegais, impedir o acesso aos EUA da família extensa (avós, tios e primos) dos imigrantes que regularizaram a situação e fechar a fronteira para centenas de milhares que menores que fugiram da violência na América Central nos últimos anos.

Com a guerra do México contra as drogas, vários cartéis do tráfico transferiram parte de suas atividades para a América Central, onde países muito menores não tem recursos para enfrentar o seu poder financeiro e seu poder de fogo.

Honduras e El Salvador estão hoje entre os países mais violentos do mundo fora de zonas de guerra. Isso gerou uma migração de menores centro-americanos para os EUA.

Pelas regras atuais, se entrarem em território americano, esses menores têm o direito a uma audiência na Justiça para contar sua história e pedir asilo, num processo que pode durar até dois anos. Trump quer o direito de bloquear a entrada ou deportar sumariamente essas crianças.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Maduro ameaça usar a força para conseguir o que não puder pelo voto

Cada vez mais acuado, o ditador Nicolás Maduro ameaçou "ir às armas" para conseguir o que não puder conquistar "com os votos" na Venezuela, caso a revolução chavista seja ameaçada pelo movimento pela democracia, noticiou o boletim de notícias Dolar Today.

"Se a Venezuela naufragasse no caos e na violência, e a revolução bolivarista fosse destruída, nós iríamos para o combate, nós jamais nos renderíamos e o que não se pôde fazer pelo votos faríamos com armas, liberaríamos nossa pátria com armas", afirmou Maduro em discurso para militantes chavistas em Caracas.

Para o advogado constitucionalista José Vicente Haro, o chefe de Estado venezuelano cometeu três crimes previstos no Código Penal venezuelano: incitação à delinquência, apologia do delito e conspiração.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Trump se apresenta como candidato da segurança

Em discurso grandiloquente mas previsível de 1h15min, sem fazer propostas detalhadas, o magnata imobiliário Donald Trump faz neste momento o discurso de aceitação de sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano.


Trump se apresenta como o grande xerife que vai garantir a segurança interna, expulsar os imigrantes ilegais, esmagar os inimigos do país, trazer de volta as indústrias que fabricam em países de custo mais baixo e acabar com um déficit comercial de US$ 800 bilhões.


O candidato citou vários casos para alegar que a criminalidade e o índice de homicídios estão aumentando nos EUA e a culpa é o presidente Barack Obama, que acusou de agravar os problemas sociais e raciais do país.

Sua adversária do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton foi acusada de crime contra a segurança nacional por usar e-mail pessoal e por todos os problemas do Grande Oriente Médio, do caos na Líbia, Síria e Iraque à ameaça nuclear do Irã. Trump continua falando, agora ataque os imigrantes ilegais, outro de seus temas preferidos. Afinal, ele anunciou na campanha a construção de um muro para isolar o México.

"Vamos ter uma sistema de imigração que funcione, mas funcione para o povo americano", declarou Trump. "Na segunda-feira, ouvimos três famílias que tiveram filhos mortos por imigrantes ilegais. São representantes de milhares que sofreram tanto. Em minhas viagens pelo país, nada me chocou mais do que os encontros com pais e mães atingidos por violência que atravessa nossas fronteiras que podemos evitar."

Esses são os cidadãos comuns que o bilionário jura representar, tentando fazer um contraste com Hillary, que viveria em gabinetes de advogados, empresários e lobistas.

"Vamos construir um grande muro na fronteira [com o México] para impedir imigrantes ilegais e drogas de invadir nossas comunidades", acrescentou o candidato bufônico. "Vamos acabar com o ciclo de contrabando e da imigração. Não vai haver mais imigração ilegal, acreditem. A paz será restaurada. Nossas leis finalmente receberão o respeito que merecem."

Quando ele tomar posse, prometeu, "finalmente, as leis dos EUA serão aplicadas. Teremos compaixão com todos, mas nossa maior compaixão será dedicada a nossos cidadãos em dificuldades."

O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) será renegociado ou os EUA caírão fora, advertiu Trump. Outros acordos como a Parceria Transpacífica e aparentemente até a Organização Mundial do Comércio (OMC) serão abandonados.

Trump prefere acordos bilaterais, na expectativa de que os EUA como maior economia do mundo possa pressionar parceiros mais fracos a fazer acordos que lhes sejam vantajosos. Só que dezenas de acordos comerciais criariam um inferno regulatório para empresas transnacionais, que preferem amplos acordos que criam uma regulamentação comum para vários países.

“É preciso deixar claro que os EUA estão de volta, maiores e mais fortes do que nunca”, exaltou Trump no seu estilo nacionalista rastaquera.


Em seguida, elogiou a mulher e os filhos como sua maior realização, dentro do discurso padrão de família feliz, embora esteja no terceiro casamento.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Trump se apresenta como o candidato da segurança

Em discurso grandiloquente mas previsível, sem fazer propostas detalhadas, o magnata imobiliário Donald Trump faz neste momento o discurso de aceitação de sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano se apresentando como o grande xerife que vai garantir a segurança interna, esmagar os inimigos do país, trazer de volta as indústrias que fabricam em países de custo mais baixo e acabar com um déficit comercial de US$ 800 bilhões.

Trump citou vários casas para alegar que a criminalidade e o índice de homicídios estão aumentando nos EUA e a culpa é o presidente Barack Obama, que acusou de agravar os problemas sociais e raciais do país.

Sua adversária do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton foi acusada de crime contra a segurança nacional por usar e-mail pessoal e por todos os problemas do Grande Oriente Médio, do caos na Líbia, Síria e Iraque à ameaça nuclear do Irã. Trump continua falando, agora ataque os imigrantes ilegais, outro de seus temas preferidos. Afinal, ele anunciou na campanha a construção de um muro para isolar o México.

"Vamos ter uma sistema de imigração que funcione, mas funcione para o povo americano", declarou Trump. "Na segunda-feira, ouvimos três famílias que tiveram filhos mortos por imigrantes ilegais. São representantes de milhares que sofreram tanto. Em minhas viagens pelo país, nada me chocou mais do que os encontros com pais e mães atingidos por violência que atravessa nossas fronteiras que podemos evitar."

Esses são os cidadãos comuns que o bilionário jura representar, tentando fazer um contraste com Hillary, que viveria em gabinetes de advogados, empresários e lobistas.

"Vamos construir um grande muro na fronteira para impedir imigrantes ilegais e drogas de invadir nossas comunidades", acrescentou o candidato bufônico. "Vamos acabar com o ciclo de contrabando e da imigração. Não vai haver mais imigração ilegal, acreditem. A paz será restaurada. Nossas leis finalmente receberão o respeito que merecem."

Quando ele tomar posse, prometeu, "finalmente, as leis dos EUA serão aplicadas. Teremos compaixão com todos, mas nossa maior compaixão será dedicada a nossos cidadãos em dificuldades."

terça-feira, 14 de junho de 2016

Terror em Orlando foi o pior de 32 mil ataques a tiros num ano nos EUA

O ataque do americano de origem afegã Omar Mateen contra uma boate gay de Orlando, na Flórida, que deixou 49 mortos e 53 feridos, foi o pior massacre a tiros da história recente dos Estados Unidos. Mas foi apenas um entre 32 mil ataques a tiros ocorridos no país de 13 de junho de 2015 ao mesmo dia em 2016, informa a revista digital Slate.

A cada 12 meses, 130 mil pessoas são baleadas nos EUA. Em 2013, último ano sobre o qual há estatísticas oficiais consolidadas, menos de 2% das 33 mil mortes foram em ataques em massa. As armas de fogo mataram 3.428 pessoas a mais do que quedas, 4.635 a mais do que o álcool e 30.876 pessoas a mais do que incêndios.

Os dados mais recentes foram compilados pela organização não governamental Gun Violence Archive (Arquivo da Violência com Armas de Fogo). A expectativa é que em 2015 os assassinatos tenham ultrapassado os acidentes de trânsito como principal causa de morte violenta nos EUA.

Em outubro de 2015, em pesquisa do jornal The Washington Post e da rede de televisão ABC, 46% dos entrevistados citaram a redução da violência armada como prioridade.

No Brasil, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas em 2013, mais de 150 por dia. A violência é muito pior do que nos EUA.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Trump cancela comício em Chicago por causa de protestos

Diante de uma grande manifestação de protesto, o líder na disputa pela candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016, o bilionário Donald Trump, suspendeu um comício marcado para o ginásio de esportes de uma universidade de Chicago, um dos redutos políticos do presidente Barack Obama e do Partido Democrata.

Com o anúncio da suspensão do comício, manifestantes e partidários de Trump entraram em conflito. O candidato é acusado de fomentar a violência. Em 23 de fevereiro, enquanto um manifestante era retirado de um de seus eventos, Trump disse: "Gostaria de dar um soco na cara daquele cara."

Nesse clima, seus seguidores têm agredido manifestantes que protestam contra as declarações racistas, sexistas e antimuçulmanas no candidato. A decisão de cancelar o comício de Chicago foi tomada depois uma briga em Saint-Louis entre partidários e adversários de Trump que terminou com dezenas de presos.

Em entrevista à CNN, Trump negou que estimule a violência. Ele nunca retirou nem pediu desculpas por ofender mulheres, chamar os imigrantes mexicanos de criminosos, traficantes e estupradoras, e chegou a aceitar o apoio do movimento racista branco Ku Klux Klan.

Trump aposta no eleitorado branco pobre, desempregados e desamparados pela concorrência internacional da globalização, e aposta na raiva como instrumento de fazer política, no pior estilo demagógico e populista.

Depois do cancelamento do comício, um jovem desfraldou uma bandeira do México e gritou: "Nós paramos Trump."