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domingo, 23 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Novembro

 LEI SUÁREZ

    Em 1855, o México aprova a Lei Suárez para acabar com os tribunais especiais para o clero e os militares, uma iniciativa do ministro da Justiça, Benito Juárez, para eliminar os resquícios do regime colonial e promover a igualdade.

A Reforma (1854-76) é uma revolução política e social liderada por Juárez. Inicia com um pronunciamento pela queda do ditador Antonio López de Santa Ana, que perde 41% do território mexicano em guerras com os Estados Unidos.

Quando ele cai, em 1855, começam as reformas. Primeiro, essa lei que acaba com o foro especial. Em 1856, a Lei Lerdo manda vender todas as propriedades da Igreja não usadas especificamente para fins religiosos.

O Congresso, de maioria liberal, faz em 1857 um projeto de Constituição federalista que limita o poder da Igreja, coloca o Exército sob controle civil, abole os títulos hereditários e a prisão por dívidas. É a primeira lei de direitos civis do México. Em 1858, Juárez se torna o primeiro presidente indígena da América Latina.

A reação dos grandes proprietários de terras, dos militares e do clero conservador deflagra em 1859 a Guerra da Reforma, vencida pelos liberais em 1860. A Lei da Reforma (1859) confisca as propriedades da Igreja, menos os locais de culto, sem qualquer compensação, e introduz o casamento civil.

As terras conquistadas são distribuídas a camponeses sem terra, mas essa reforma agrária fracassa. Os grandes fazendeiros acumulam mais terras, enquanto os pequenos agricultores ficam mais pobres.

No fim de 1861, aproveitando que os EUA estão divididos pela Guerra da Secessão (1861-65), a França do imperador Napoleão III invade o México e instala no poder o imperador Maximiliano de Habsburgo. Quando termina a guerra civil norte-americana, os EUA apoiam as forças de Juárez, que expulsam os franceses e executam Maximiliano em 1867.

Juárez retoma o poder e governa até 1872. No fim do governo, é acusado de autoritarismo pelos liberais. Seu sucessor, Sebastián Lerdo de Tejada, sofre intensa pressão da oposição conservadora, que resulta no golpe que leva o ditador Porfirio Díaz ao poder em 1876.

O Porfiriato (1876-1911) dura até a Revolução Mexicana (1910-20), que luta pela valorização das culturas indígenas e a reforma agrária.

ROMÊNIA ENTRA NO EIXO

    Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Romênia adere ao Pacto Tripartite formado pela Alemanha Nazista, a Itália Fascista e o Império do Japão, as potências do Eixo.

Desde 1937, a Romênia tem um governo fascista que se assemelha aos regimes de Adolf Hitler e Benito Mussolini, inclusive no antissemitismo. O rei Carol II dissolve o governo um ano depois e nomeia o patriarca da Igreja Ortodoxa como primeiro-ministro.

A morte do patriarca e uma revolta camponesa provocam novas agitação fascista e de uma organização paramilitar, a Guarda de Ferro. Em junho de 1940, a União Soviética ocupa duas províncias romenas.

Em busca um aliado, em 5 de julho de 1940, o rei faz um acordo com a Alemanha de Adolf Hitler. A Romênia é invadida pelo novo aliado, que quer ampliar a frente oriental contra a URSS.

O rei abdica em 6 de setembro de 1940, deixando o país sob o controle do primeiro-ministro fascista Ion Antonescu e da Guarda de Ferro.

A Hungria se alia ao Eixo em 20 de novembro. No dia 23, é a vez da Romênia.

PRIMEIRA GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, um bombardeio naval da França mata 6 mil vietnamitas na cidade portuária de Haiphong e deflagra a Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

Quando o Japão, que ocupava o Sudeste Asiático, se rende formalmente na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. Ele acusa o Japão e a França pela morte de 2 milhões de vietnamitas.

No fim da guerra, a China, dominada pelos nacionalistas do Kuomintang (KMT), ocupa o Norte do Vietnã e os britânicos o Sul. A antiga potência colonial está determinada a reassumir o controle a partir de dezembro de 1945.

Em resposta ao bombardeio a Haiphong, o Viet Minh, o exército guerrilheiro de Ho Chi Minh, ataca as forças da França em Hanói em 19 de dezembro de 1946, no que é considerado o início da guerra. 

Com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung na China, em 1º de outubro de 1949, os EUA passam a ver o conflito no quadro da Guerra Fria e a apoiar a França. Mesmo assim, o Viet Minh ganha a guerra com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954.

Nas negociações de paz em Genebra, na Suíça, fica acertada a realização de eleições para unificar o país, dividido em Vietnã do Norte e Vietnã do Sul. Diante da expectativa de vitória comunista, sob pressão dos EUA, as eleições são suspensas. Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

MEMBRO DO IRA CONDENADO POR MATAR LORDE MOUNTBATTEN

    Em 1979, Thomas McMahon, miliciano do Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, é condenado à prisão perpétua pelo atentado que matou Lorde Louis Mountbatten (foto), último vice-rei da Índia, e mais três pessoas.

Lorde Mountbatten, herói da Segunda Guerra Mundial (1939-45), Conde Mountbatten da Birmânia e primo em segundo grau da rainha Elizabeth II, morre em 27 de agosto de 1979 com a explosão de uma bomba de pouco menos de 23 quilos no seu barco de pesca na Baía de Donegal, na Irlanda. Um dos mortos é Nicholas, um neto de 14 anos.

Mais tarde no mesmo dia, o IRA mata 18 soldados britânicos num ataque na Irlanda do Norte.

McMahon era um líder lendário do movimento nacionalista e republicano irlandês, comandante da Brigada de Armagh do Sul do IRA, responsável pela morte de mais de 100 soldados britânicos.

A guerra civil na Irlanda do Norte termina com o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de abril de 1998, depois de 3,5 mil mortes. McMahon é libertado logo em seguida como parte da pacificação.

REAGAN CRIA OS CONTRAS

    Em 1981, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan (1981-89) autoriza a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos a recrutar e financiar uma força de 500 homens para lutar contra o governo no poder na Nicarágua desde a vitória da Revolução Sandinista, em 17 de julho de 1979, com orçamento de US$ 19 milhões.

Com a vitória da revolução nicaraguense e a guerra civil em El Salvador, que Reagan atribuía à URSS, os EUA querem impedir a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) em El Salvador e derrubar a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua.

Os acampamentos e centros de treinamento dos contrarrevolucionários são instalados em Honduras, governada por um regime militar aliado de Washington. Os instrutores são militares da guerra suja argentina contra a esquerda da ditadura cívico-militar de 1976-83. Eles fazem o que está proibido pelo Congresso dos EUA.

Com o apoio dos EUA ao Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), a Argentina para de treinar paramilitares de direita na América Central.

A venda ilegal de armas e peças ao Irã quando está proibida, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), e o desvio de parte do dinheiro para ajudar os contras da Nicarágua causam o Escândalo Irã-Contras, em 1986, no segundo governo Reagan (1985-89).

Os contras fustigam o governo sandinista da Nicarágua até a derrota de Daniel Ortega para Violeta Chamorro, em 1990. 

Ortega volta ao poder em 2007 com o apoio de forças ligadas à ditadura de Anastasio Somoza, que os sandinistas derrubam em 1979. Desde então, está decidido a não entregar o poder. Controla a Assembleia Nacional e o Judiciário. Mudou a lei para acabar com limites à reeleição.

Desde uma revolta popular contra uma reforma da previdência abandonada, em 2018, o governo Ortega se mostra cada vez mais ditatorial. Prende os candidatos da oposição, acabou com todos os jornais independentes, fecha igrejas católicas e persegue padres e bispos.

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sábado, 23 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 23 de Novembro

LEI SUÁREZ

    Em 1855, o México aprova a Lei Suárez para acabar com os tribunais especiais para o clero e os militares, uma iniciativa do ministro da Justiça, Benito Juárez, para eliminar os resquícios do regime colonial e promover a igualdade.

A Reforma (1854-76) é uma revolução política e social liderada por Juárez. Inicia com um pronunciamento pela queda do ditador Antonio Lopez de Santa Ana, que perdeu 41% do território mexicanos em guerra com os Estados Unidos.

Quando ele cai, em 1855, começam as reformas. Primeiro, essa lei que acaba com o foto especial. Em 1856, a Lei Lerdo manda vender todas as propriedades da Igreja não usadas especificamente para fins religiosos.

O Congresso, de maioria liberal, faz em 1857 um projeto de Constituição federalista que limita o poder da Igreja, coloca o Exército sob controle civil, abole os títulos hereditários e a prisão por dívidas. É a primeira lei de direitos civis do México. Em 1858, Juárez se torna o primeiro presidente indígena da América Latina.

A reação dos grandes proprietários de terras, dos militares e do clero conservador deflagra em 1859 a Guerra da Reforma, vencida pelos liberais em 1860. A Lei da Reforma (1859) confisca as propriedades da Igreja, menos os locais de culto, sem qualquer compensação, acaba com solteiros e introduz o casamento civil.

As terras conquistadas são distribuídas a camponeses sem terra, mas essa reforma agrária fracassa. Os grandes fazendeiros acumulam mais terras, enquanto os pequenos agricultores ficam mais pobres.

No fim de 1861, aproveitando que os EUA estão divididos pela Guerra da Secessão (1861-65), a França do imperador Napoleão III invade o México e instala no poder o imperador Maximiliano de Habsburgo. Quando termina a guerra civil norte-americana, os EUA apoiam as forças de Juárez, que expulsam os franceses e executam Maximiliano em 1867.

Juárez retoma o poder e governa até 1872. No fim do governo, é acusado de autoritarismo pelos liberais. Seu sucessor, Sebastián Lerdo de Tejada, sofre intensa pressão da oposição conservadora, que resulta no golpe que leva o ditador Porfirio Díaz ao poder em 1876.

O Porfiriato (1876-1911) dura até a Revolução Mexicana (1910-20), que luta pela valorização das culturas indígenas e a reforma agrária.

ROMÊNIA ENTRA NO EIXO

    Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Romênia adere ao Pacto Tripartite formado pela Alemanha Nazista, a Itália Fascista e o Império do Japão, as potências do Eixo.

Desde 1937, a Romênia tem um governo fascista que se assemelha aos regimes de Adolf Hitler e Benito Mussolini, inclusive no antissemitismo. O rei Carol II dissolve o governo um ano depois e nomeia o patriarca da Igreja Ortodoxa como primeiro-ministro.

A morte do patriarca e uma revolta camponesa provocam novas agitação fascista e de uma organização paramilitar, a Guarda de Ferro. Em junho de 1940, a União Soviética ocupa duas províncias romenas.

Em busca um aliado, em 5 de julho de 1940, o rei faz um acordo com a Alemanha de Adolf Hitler. A Romênia é invadida pelo novo aliado, que quer ampliar a frente oriental contra a URSS.

O rei abdica em 6 de setembro de 1940, deixando o país sob o controle do primeiro-ministro fascista Ion Antonescu e da Guarda de Ferro.

A Hungria se alia ao Eixo em 20 de novembro. No dia 23, é a vez da Romênia.

MEMBRO DO IRA CONDENADO POR MORTE DE MOUNTBATTEN

    Em 1979, Thomas McMahon, miliciano do Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, é condenado à prisão perpétua pelo atentado que matou Lorde Louis Mountbatten (foto), último vice-rei da Índia, e mais três pessoas.

Lorde Mountbatten, herói da Segunda Guerra Mundial (1939-45), Conde Mountbatten da Birmânia e primo em segundo grau da rainha Elizabeth II, morre em 27 de agosto de 1979 com a explosão de uma bomba de pouco menos de 23 quilos no seu barco de pesca na Baía de Donegal, na Irlanda. Um dos mortos é Nicholas, um neto de 14 anos.

Mais tarde no mesmo dia, o IRA mata 18 soldados britânicos num ataque na Irlanda do Norte.

McMahon era um líder lendário do movimento nacionalista e republicano irlandês, comandante da Brigada de Armagh do Sul do IRA, responsável pela morte de mais de 100 soldados britânicos.

A guerra civil na Irlanda do Norte termina com o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de abril de 1998, depois de 3,5 mil mortes. McMahon é libertado logo em seguida como parte da pacificação.

REAGAN CRIA OS CONTRAS

    Em 1981, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan (1981-89) autoriza a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos a recrutar e financiar uma força de 500 homens para lutar contra o governo no poder na Nicarágua desde a vitória da Revolução Sandinista, em 17 de julho de 1979, com orçamento de US$ 19 milhões.

Com a vitória da revolução nicaraguense e a guerra civil em El Salvador, que Reagan atribuía à URSS, os EUA querem impedir a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) em El Salvador e derrubar a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua.

Os acampamentos e centros de treinamento dos contrarrevolucionários são instalados em Honduras, governada por regime militar. Os instrutores são militares da guerra suja da Argentina contra a esquerda da ditadura cívico-militar de 1976-83. Eles fazem o que está proibido pelo Congresso dos EUA.

Com o apoio dos EUA ao Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), a Argentina para de treinar paramilitares de direita na América Central.

A venda ilegal de armas e partes ao Irã quando está proibida, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), e o desvio de parte do dinheiro para ajudar os contras da Nicarágua causam o Escândalo Irã-Contras, em 1986, no segundo governo Reagan (1985-89).

Os contras fustigam o governo sandinista da Nicarágua até a derrota de Daniel Ortega para Violeta Chamorro, em 1990. 

Ortega volta ao poder em 2007 com o apoio de forças ligadas à ditadura de Anastasio Somoza, que os sandinistas derrubam em 1979. Desde então, está decidido a não entregar o poder. Controla a Assembleia Nacional e o Judiciário. Mudou a lei para acabar com limites à reeleição.

Desde uma revolta popular contra uma reforma da previdência abandonada, em 2018, o governo Ortega se mostra cada vez mais ditatorial. Prende os candidatos da oposição, acabou com todos os jornais independentes, fecha igrejas católicas e persegue padres e bispos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 31 de Outubro

 REFORMA PROTESTANTE

    Em 1517, o monge alemão Martinho Lutero prega suas 95 teses na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, dando início à Reforma Protestante. 

Lutero ataca os excessos e a indulgência da Igreja Católica, especialmente a venda de "indulgências" para perdoar pecados. Seus textos são logo traduzidos do latim para o alemão e distribuídos com a ajuda de uma nova tecnologia revolucionária na época: a imprensa.

Quando as cópias chegam ao Vaticano, a Igreja Católica tenta silenciar Lutero, mas ele se nega a ficar calado. Em 1521, o papa Leão X excomunga o monge rebelde. Ele também se nega a se retratar perante o imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico. No Edito de Worms, imperador o declara um herege e fora da lei, e dá permissão a qualquer um para matar Lutero.

O monge começa então a traduzir a Bíblia do latim para o alemão, uma tarefa que leva 10 dez anos. No protestantismo, a Bíblia é a única norma da fé, é o livro que permite o contato direto com Deus sem intermediários.

A palavra protestante aparece pela primeira vez em 1529, quando Carlos V revoga o direito dos governantes dos estados e principados do império de aplicar ou não o edito. Os protestam alegam que sua primeira lealdade é a Deus, não ao imperador.

Martinho Lutero morre em 1546 depois lançar as bases da Reforma Protestante, que causaria profundas mudanças na civilização.

REI PERDE A AMÉRICA

    Em 1776, o rei George III faz o primeiro discurso no Parlamento Britânico depois da declaração de independência dos Estados Unidos, em 4 de julho daquele ano, anuncia a vitória sobre o Exército Continental comandado por George Washington na Batalha de Long Island, em 27 de agosto, e renova os apelos pela vitória.

Apesar da pregação guerreira do rei, o general William Howe e o almirante Richard Howe, seus irmãos, ainda tentam convencer os rebeldes a aceitar a soberania do Império Britânico. Podem prender e aniquilar o exército rebelde, mas preferem negociar. O rei exige submissão total.

As negociações fracassam. Com a vitória na Batalha de Yorktown, em 19 de outubro de 1781, os rebeldes vencem a guerra militarmente. No Tratado de Paris, em 3 de setembro de 1783, o Reino Unido e a França, que apoiou os rebeldes, reconhecem a independência dos EUA.

PRIMEIRO NEGRO NA NBA

    Em 1950, aos 21 anos, Earl Lloyd é o primeiro afro-americano a disputar o Campeonato Nacional de Basquete dos Estados Unidos, ao participar do jogo de abertura pelo Washington Capitols.

Lloyd cresce na Virgínia numa era de segregação racial e se muda para a Virgínia Ocidental, onde chama a atenção como craque do time da escola. 

Ao entrar para um time só de brancos, Lloyd fica intimidado, mas é bem recebido pelos colegas, a maioria vinda de times de escolas não segregadas.

Depois de sete jogos, Lloyd é convocado para lutar na Guerra da Coreia (1950-53). Quando volta, dois anos depois, o Capitols não existe mais. Ele vai para o Syracuse Nationals, hoje Philadelphia 76ers, e termina a carreira como jogador no Detroit Pistons, onde vira treinador adjunto e mais tarde torna-se o primeiro treinador negro principal do basquete profissional norte-americano.

Earl Lloyd vai para o Hall da Fama em 2003 e morre em 2015.

MÚMIA DE STALIN

    Em 1961, a múmia do ditador Josef Stalin é removida do Mausoléu de Lenin na Praça Vermelha, no centro de Moscou, a capital da União Soviética.

Quando o líder da Revolução Comunista, Vladimir Lenin, morre em 1924, seu corpo é embalsamado e exposto à visitação pública como um semideus. Depois de uma luta contra Leon Trotsky, Stalin consolida poderes absolutos em 1927 e inicia um período de tirania e perseguições que deixa 20 milhões de mortos.

Com a morte de Stalin, em 5 de março de 1953, seu cadáver embalsamado é colocado no mausoléu. Em 1956, para consolidar seu poder, o novo líder, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Stálin no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS.

Cinco ano depois, a múmia de Stalin é removida e enterrada.

INDIRA GANDHI ASSASSINADA

    Em 1984, dois seguranças da seita sikh matam a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, em retaliação pelo ataque do Exército ao Templo Dourado de Amrítsar na Operação Estrela Azul, contra o movimento pela independência do Calistão, de 1º a 10 de junho do mesmo ano, quando 5 a 7 mil sikhs são mortos.

Indira não tem parentesco com Mohandas Gandhi, o Mahatma, o grande herói da independência da Índia. Pega o sobrenome do marido. É filha de Jawaharlal Nehru, o segundo maior herói e primeiro primeiro-ministro indiano (1947-64).

Primeira e única mulher a chefiar o governo da Índia, fica no poder de janeiro de 24 de janeiro de 1966 a 24 de março de 1977, quando cai depois de governar por decreto durante dois anos, sob estado de emergência, quando suspende os direitos civis e prende adversários político. Volta em 14 de janeiro de 1980 e fica até a morte.

Depois do assassinato, mil sikhs são mortos em violentos protestos. Indira é substituída pelo filho Rajiv Gandhi, que governa até 1989, quando é assassinado por uma terrorista suicida do Movimento de Libertação dos Tigres do Ilam Tamil, um grupo rebelde do Sri Lanka, o antigo Ceilão.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Ditador muda Constituição para manter o poder na Rússia

O ditador Vladimir Putin demite o governo e muda a Constituição para continuar mandando na Rússia depois de deixar a presidência, em 2024.

O governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev pediu demissão coletiva ontem. Em discurso na Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia, o presidente Vladimir Putin declarou que o povo quer mudanças.

A maior mudança seria a saída de Putin, que manda e desmanda na Rússia desde que virou primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, em 1999. A reforma constitucional proposta pelo ditador reduz os poderes do presidente e fortalece o primeiro-ministro e a Duma, indicando que pretende continuar sendo o homem-forte do regime.

Em seu quarto mandato, Putin decidiu que nenhum presidente poderá governar por mais de dois mandatos. Hoje, o presidente nomeia o primeiro-ministro, que precisa ser aprovado pela Duma. Com a reforma, o Parlamento vai indicar o primeiro-ministro e os ministros. Um Conselho de Estado vai supervisionar o presidente.

É o putinismo constitucional. Revela uma intenção de reduzir o papel das personalidades em favor da liderança do partido Rússia Unida e do Parlamento. Mas é uma reforma em várias etapas, sem a garantia de que o putinismo vá sobreviver a Putin. Meu comentário:

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Presidente radical do México luta para cumprir promessas

O presidente de esquerda do México luta para realizar programa de reformas radicais sob desconfiança do mercado e a pressão dos Estados Unidos de Donald Trump.

A eleição de Andrés Manuel López Obrador com maioria absoluta, em 1º de julho do ano passado, deveria ser o início de reformas radicais, especialmente depois que seus partidários conquistaram maioria absoluta nas duas casas do Congresso.

López Obrador, também conhecido como AMLO, prometeu realizar a quarta grande transformação da história do México, depois da independência, da Reforma, uma série de mudanças liberais feitas pelo presidente Benito Juárez no século 19, e da Revolução Mexicana de 1910.

Mas, desde a posse, em dezembro, o novo presidente luta para cumprir as promessas da campanha, que incluem o combate à corrupção e à desigualdade social e o fim da guerra contra as drogas deflagrada em 2006 pelo então presidente Felipe Calderón. Meu comentário:

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

China iniciava há 40 anos mais extraordinário desenvolvimento da história

Em discurso numa conferência preparatória de sessão plenária do Comitê Central do Partido Comunista da China, em 13 de dezembro de 1978, o líder Deng Xiaoping lançou a abertura econômica e o programa de reformas que transformaram um país agrário e atrasado na segunda maior economia do mundo, rumo ao primeiro lugar. 

Nos últimos 40 anos, mais de 800 milhões de chineses saíram da pobreza. Foi o mais extraordinário desenvolvimento econômico da história da humanidade. O produto interno bruto aumentou 44 vezes. Hoje apenas 1% dos chineses vive na miséria. 

Com o partido dividido a o país destroçado pela Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), usada por Mao Tsé-tung para manter o poder, e a morte de Mao em 1976, a China navegava sem rumo. Deng entendeu que a única ideia capaz de unir o PC era a modernização.

Era uma antiga ideia. O programa das quatro modernizações (agricultura, indústria, defesa nacional, ciência e tecnologia) foi lançado pelo primeiro-ministro Chu Enlai em 1963 e abortado pela Revolução Cultural. Em 1975, pouco antes de sua morte, em janeiro de 1976, Chu relançou a proposta no 4º Congresso Nacional do Povo.

Hua Guofeng, que não fazia parte da ala mais radical do partido, que mandava durante a Revolução Cultural, sucedeu Chu como primeiro-ministro e Mao na chefia do PC.

Com a morte de Mao, em 9 de setembro de 1976, e a prisão da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte sua viúva, Jiang Ching, em 6 de outubro, a trágica Revolução Cultural chegava ao fim.

Sem grandes ideias próprias, Hua lançou a política dos Dois Quaisquer em editorial publicado em 7 de fevereiro de 1977 no Diário do Povo, o jornal oficial do partido: "A China deve manter quaisquer políticas que Mao tenha adotado e seguir quaisquer instruções que Mao tenha dado."

Deng havia sido ministro das Finanças (1953-54) e um dos líderes da reconstrução da economia depois do fracassado Grande Salto para a Frente (1957-60), uma tentativa de integrar indústria e agricultura com a produção de aço em zonas rurais que levara a uma grande queda na produção agrícola, à fome em massa, milhões de mortes e à fabricação de aço de péssima qualidade.

Como sua visão da economia era considerada liberal demais para o radicalismo maoísta, Deng caiu em desgraça durante a Revolução Cultural. Reabilitado por Mao em 1975, no mesmo ano foi novamente marginalizado por "desviacionismo direitista" em razão de suas críticas à Revolução Cultural.

Depois de uma grande manifestação de massa na Praça da Paz Celestial, em abril de 1976, Deng foi reabilitado de novo. Em 1977, lançou a Primavera de Beijim, uma campanha para criticar os crimes e abusos cometidos naquele período, e se insurgiu contra a política dos Dois Quaisquer, considerando-a inaceitável.

"Se este princípio estiver correto, não poderia haver justificativa para minha reabilitação", disse Deng a dois membros do Comitê Central do PC alegando que a política de Hua "não está de acordo com o marxismo".

"Não podemos aplicar mecanicamente o que o Camarada Mao disse sobre uma questão específica a outra questão, o que disse sobre um lugar específico a outro lugar, o que disse num momento específico a outro momento, o que disse em circunstâncias especiais a outras circunstâncias", escreveu Deng.

Mao falou que "ninguém pode evitar erros em seu trabalho, a não ser que não faça nada", lembrou o arquiteto das reformas. "Também disse que Marx, Engels, Lenin e Stalin cometeram erros, caso contrário, não corrigiriam seus próprios manuscritos de tempos em tempos. (...) Algumas dessas visões expressas originalmente não eram inteiramente corretas, perfeitas e acuradas."

"Esta é uma questão teórica importante, se estamos ou não aderindo ao materialismo histórico", alegou Deng, se a sociedade chinesa estava evoluindo a partir da análise de seus erros.

"Nem Marx nem Engels apresentaram uma doutrina qualquer, nem Lenin ou Stalin, nem o Camarada Mao", prosseguiu. "Devemos usar o genuíno pensamento de Mao Tsé-tung tomado como um todo para guiar o partido, o Exército e o povo, de modo a avançar a causa do partido e do socialismo na China e à causa do movimento comunista internacional. (...) O pensamento de Mao é um sistema ideológico."

O Pequeno Timoneiro, como Deng passou a ser chamado, em comparação com o Grande Timoneiro Mao Tsé-tung, havia feito pronunciamentos sobre a necessidade de "consolidar" o Exército Popular de Libertação, "retificar o estilo de trabalho do partido", "pôr as coisas em ordem em todos os campos", "respeitar o conhecimento e o pessoal treinado", "a importância estratégica da educação e do treinamento" e de "aderir ao princípio de buscar a verdade através dos fatos".

CIÊNCIA E TECNOLOGIA
"A chave para atingir a modernização é o desenvolvimento da ciência e da tecnologia", prescreveu Deng. "A menos que demos atenção especial à educação, será impossível desenvolver a ciência e a tecnologia. Conversa fiada não vai levar nosso programa de modernização a lugar nenhum; precisamos de tecnologia e de pessoal qualificado."

Com o atraso, a China não conseguiria progredir, advertiu: "Temos de reconhecer nosso atraso porque só tal reconhecimento dará esperança. Hoje, parece que a China está 20 anos atrás dos países desenvolvidos em ciência, tecnologia e educação."

Era necessário "melhorar a educação em todos os níveis simultaneamente", receitou Deng. "Vamos ver os primeiros resultados em cinco anos, mais resultados em 10 anos e grandes resultados em 15 a 20 anos. (...) Precisamos melhorar os padrões de educação ao mesmo tempo em que a tornamos acessível a mais e mais pessoas."

Sua proposta era "reunir, através de exames difíceis, as pessoas destacadas" em escolas e universidades. "Devemos selecionar milhares entre nosso pessoal mais qualificado na comunidade científica e tecnológica e criar condições condições para que dediquem toda sua atenção à pesquisa.

"Alguns têm filhos e parentes idosos vivendo com eles, ganham menos de 100 iuanes por mês e precisam gastar muito tempo fazendo trabalho doméstico. Não encontram nem mesmo um lugar tranquilo para ler à noite", descreveu Deng.

Depois da perseguição a intelectuais por "desvio burguês" durante a Revolução Cultural, era preciso criar "uma atmosfera de respeito ao conhecimento e ao pessoal qualificado. A atitude errônea de não respeitar intelectuais tem de ser combatida."

O mesmo valeria para a defesa nacional: "Sem conhecimento da guerra moderna, como poderemos lutar uma guerra moderna?"

No fim do encontro de líderes do Comitê Central do PC, em 24 de maio de 1977, Deng recomendou: "Todas as atividades e profissões devem promover a ciência, a tecnologia e a educação. As grandes empresas devem ter seus próprios órgãos e pessoal de pesquisa científica e tecnológica. Todo departamento profissional deve conduzir sua própria pesquisa científica."

Em 13 de dezembro de 1978, DEng Xiaoping fez o discurso Emancipar a mente, buscar a verdade nos fatos e formar uma unidade ao olhar para o futuro, considerado o marco inicial das reformas econômicas chinesas, quando propôs "mudar o foco de todo o trabalho do partido para as quatro modernizações".

"Sob a correta liderança do Comitê Central, o partido, o Exército e o povo vão conquistar uma vitória atrás da outra na nossa nova Longa Marcha", prometeu Deng, lembrando a longa fuga de 10 mil quilômetros dos comunistas entre 1934 e 1935 para escapar da perseguição do Exército e dos nacionalistas do Kuomintang.

Era o encerramento da conferência preparatória da terceira sessão plenária do 11º Comitê Central do PC da China. Deng elogiou "o debate vivo aqui" e o ressurgimento da "tradição democrática" do partido: "Devemos espalhar este estilo de trabalho a todo o partido, ao Exército e ao povo."

"Os participantes falaram livremente e expressaram suas opiniões honestas. Colocaram seus problemas sobre a mesa e se sentiram livres para criticar inclusive o trabalho do Comitê Central. Alguns camaradas criticaram a si mesmos em vários graus", acrescentou o líder reformista.

Seu tema era "como emancipar nossas mentes, nossas cabeças, buscando a verdade dos nos fatos e formando uma união ao olhar para o futuro".

EMANCIPAR AS MENTES
"A primeira tarefa", observou Deng, "é emancipar nossas mentes. Só então poderemos, guiados como devemos pelo marxismo-leninismo e o pensamento de Mao Tsé-tung, encontrar as soluções corretas para os problemas emergentes bem como os herdados, reformar frutiferamente todos os aspectos das relações de produção e da superestrutura que não correspondam ao rápido desenvolvimento das forças produtivas, mapear os cursos específicos e formular as políticas, métodos e medidas específicas necessárias para atingir as quatro modernizações sobre nossas condições atuais.

"A emancipação das mentes não foi completamente atingida entre nossos quadros, particularmente nossos quadros de líderes. De fato, muitos companheiros não reiniciaram seus cérebros; em outras palavras, suas ideias permanecem rígidas, ao menos parcialmente. Não que eles não sejam bons companheiros. É o resultado de condições históricas específicas", diagnosticou o Pequeno Timoneiro.

"Primeiro, porque nos últimos 12 anos, Lin Piao e a Gangue dos Quatro estabeleceram tabus ideológicos e 'zonas proibidas'... A ninguém era permitido ir além dos limites que eles prescreviam; quem o fizesse era rastreado, estigmatizado e atacado politicamente. Nesta situação, algumas pessoas acharam mais seguro parar de usar suas cabeças e de pensar sobre as questões", analisou Deng, citando os líderes da Revolução Cultural.

"Segundo, porque o centralismo democrático foi minado e o partido afligido pelo burocratismo resultante, entre outras coisas, da superconcentração de poder. Este tipo de burocratismo frequentemente é mascarado como 'liderança do partido', 'diretrizes do partido', 'interesses do partido' e 'disciplina do partido', mas na realidade é criado para controlar as pessoas, reprimi-las e oprimi-las. Nesse período, muitas questões importantes eram decididas frequentemente por uma ou duas pessoas. Os outros só podiam fazer o que poucos ordenavam. Sendo assim, não havia muito sentido em pensar por si mesmo", criticou.

"Terceiro, porque não havia uma distinção clara entre certo e errado ou entre mérito e demérito, e as recompensas e punições não eram dadas por merecimento. Não havia distinção entre os que trabalhavam bem e os que não o faziam. Em alguns casos, quem trabalhava bem era atacado, enquanto quem não fazia nada ou evitava riscos resistia a toda tempestade. Sob essas leis não escritas, as pessoas eram naturalmente relutantes em usar seus cérebros", prosseguiu, em sua crítica demolidora do radicalismo maoísta.

"Quatro, porque as pessoas ainda estão sujeitas à força do hábito e do pequeno produtor, que se apega às velhas convenções, está contente com o status quo e não deseja buscar o progresso nem aceitar qualquer novidade", ponderou Deng.

Esse pensamento rígido "segue o que quer que tenha o apoio das autoridades e ajusta suas palavras e ações de acordo com qualquer que seja o lado que o vento sopre. Pensa que assim vai evitar erros. De fato, no entanto, dobrar-se ao vento é em si um erro grave, uma contravenção do espírito do partido que todos os comunistas devem venerar."

Isso não significa que "as pessoas que pensam independentemente e ousam falar alto e agir não possam errar, mas seus erros são expostos e portanto são mais facilmente corrigíveis", argumentou. "Quando o pensamento se torna rígido, a adoração de livros, divorciada da realidade, vira uma grande doença. Quem sofre disso não ousa dizer uma palavra ou dar um passo que não seja mencionado em livros, documentos e discursos de líderes; tudo tem de ser copiado."

"Nosso esforço pelas quatro modernizações não vai levar a lugar algum a menos que o pensamento rígido seja rompido e que as mentes dos quadros e das massas sejam emancipadas completamente", afirmou. "Quando tudo é feito de acordo com o livro, quando o pensamento se torna rígido e a fé cega é a moda, é impossível ao partido e à nação fazer qualquer progresso. Sua vida vai cessar e o partido e a nação vão perecer."

Mao disse isso várias vezes nas campanhas de retificação, alegou Deng, usando sempre o líder histórico da revolução comunista como referência para legitimar suas ideias diante da velha guarda partido: "Só se emanciparmos nossas mentes, procurarmos a verdade dos fatos, procedermos com base na realidade em tudo e integrarmos teoria e prática, seremos capazes de implementar nosso programa de modernização socialista suavemente."

A doutrina é invocada para justificar as reformas radicais que viriam à frente: "Procurar a verdade a partir dos fatos é a base da perspectiva do mundo proletário bem como a base ideológica do marxismo. (...) Todos devem agir com base neste princípio, emancipar suas mentes e usar suas cabeças para elucidar as questões e orientar a ação."

O sucesso das reformas depende da mobilização da sociedade anestesiada pela traumática Revolução Cultural: "Para fazer uma revolução e construir o socialismo, precisamos de um grande número de desbravadores que ousem pensar, explorar novos caminhos e gerar novas ideias. De outra sorte, não seremos capazes de livrar nosso país da pobreza e do atraso ou alcançar - e muito menos ultrapassar - os países avançados."

DEMOCRACIA
Outra ideia que Deng tentou resgatar foi o "centralismo democrático", um princípio adotado por Vladimir Ilitch Ulianov, Lenin, o líder da Revolução Bolchevique e pai da União Soviética. O conceito foi lançado pelo social-democrata alemão Jean Baptista Schweitzer e adotado por Lenin a partir de 1902, no livro O Que Fazer?

Lenin definou o centralismo democrático como "liberdade de discussão e unidade de ação". O debate seria livre, mas uma vez tomada uma decisão ela seria de cumprimento obrigatório por todos os membros do partido. Todos os dirigentes do partido seriam eleitos, mas a rígida disciplina partidária imporia a subordinação das minorias à maioria.

O ditador Josef Stalin usou o centralismo democrático para suprimir o debate interno e impor seu reino de terror, acabando na prática com a Revolução Russa. Deng tentou dar outro sentido ao que chamou de "prática genuína do sistema proletário do centralismo democrático. Precisamos de uma liderança centralizada e unificada, mas o centralismo só pode ser correto quando há uma democracia plena."

Durante a Revolução Cultural, na visão de Deng, "o centralismo estava divorciado da democracia e havia muito pouca democracia. Mesmo hoje, só poucas pessoas ousam falar alto. Muita gente ainda hesita em dizer o que realmente pensa. Mesmo quando tem opiniões válidas, hesitam em expressá-las, não tem ousadia suficiente para lutar contra coisas e pessoas ruins. Se isto não mudar, como podemos persuadir todos a emancipar suas mentes e usar suas cabeças? Como vamos realizar as quatro modernizações?"

Para criar condições para a prática da democracia, Deng reafirmou "o princípio dos três nãos: não acusem os outros por suas falhas, não ponham rótulos em pessoas e não usem um grande porrete. Na vida política, devemos usar métodos democráticos e não recorrer à coerção e ao ataque. (...) Os direitos dos cidadãos devem ser defendidos resolutamente." A ditadura militar chinesa nunca atingiu este objetivo.

"As massas devem ser encorajadas a apresentar críticas. Não há nada com que se preocupar mesmo se poucos descontentes tirarem vantagem da democracia para criar problemas. Devemos lidar com tais situações de maneira apropriada, tendo que que a maioria esmagadora do povo será capaz de fazer seu próprio julgamento", vaticinou.

Na prática, a experiência democrática das reformas acabou com o Massacre na Praça da Paz Celestial, na noite de 3 para 4 de junho de 1989, que esmagou, com a autorização do Pequeno Timoneiro, uma revolta liderada por estudantes com reivindicações de liberdade e democracia.

Onze anos antes, Deng representava o idealismo de uma Nova China: "O que mais se deve temer é o silêncio." Ignorava as contradições entre centralismo e democracia, a rígida disciplina partidária e a democracia, que sempre tem um caráter um tanto anárquico.

"Acreditamos que nosso povo está atento aos interesses gerais do país e tem um bom senso de disciplina", imaginou. "É natural que algumas opiniões expressas pelas massa sejam corretas e outras não. Devemos examiná-las analiticamente."

"Ao lidar com problemas ideológicos, não devemos nunca usar a coerção, mas aplicar genuinamente a política de 'deixar cem flores florescerem, cem escolas de pensamento competirem'. (...) Precisamos firmemente parar com práticas más como atacar e tentar silenciar quem faz críticas". com uma ressalva: "Mas, é claro, não podemos baixar a guarda contra meia dúzia de contrarrevolucionários que ainda existem em nosso país."

DEMOCRACIA ECONÔMICA
O aspecto central das reformas de Deng foi tentar criar uma "democracia econômica" para liberar as forças produtivas, estimular a iniciativa individual e aumentar a produtividade do trabalho: "Sob o nosso atual sistema de gestão da economia, o power está superconcentrado, então é necessário devolvê-lo aos níveis inferiores, sem hesitar, mas de modo planejado."

"No momento, a necessidade mais urgente é aumentar o poder de decisão de minas, fábricas e outras empresas para dar plenas dimensões à iniciativa e à criativdade", prosseguiu o raciocínio do líder. "Imaginem a a riqueza adicional que pode ser criada se todo o pessoal das centenas de milhares de empresas e dos milhões de equipes de produção da China colocarem suas mentes para trabalhar. Com mais geração de riqueza para o Estado, a renda pessoal e os benefícios coletivos também devem aumentar."

Isso faria com que quem trabalhasse mais e produzisse mais ganharia mais porque "a revolução acontece pela necessidade de benefícios materiais". (...) "Também é necessário garantir os direitos democráticos de operários e camponeses, inclusive os direitos de eleição, gestão e supervisão."

A fim de garantir a democratização, acrescentou, "precisamos fortalecer nosso sistema legal". Mao dizia que "o poder vem da boca do canhão". Deng tinha outras ideias: "A democracia precisa ser institucionalizada e escrita em leis para dar certeza de que as instituições e as leis não mudem quando mudar a liderança ou quando os líderes mudarem suas visões ou o foco de atenção."

Na sua análise, "com muita frequência, o que os líderes dizem é tomado como lei e qualquer um que discorde é considerado fora da lei. Este tipo de lei muda sempre que as visões do líder mudam. (...) Estas leis devem ser discutidas e adotadas através de procedimentos democráticos. Ao mesmo tempo, os órgãos judiciais e a procuradoria devem ser fortalecidos. Tudo isso vai garantir que haverá leis para serem respeitadas e aplicadas estritamente e que os violadores serão processados."

Esse trecho parece uma crítica ao atual ditador, Xi Jinping, que está concentrando poderes numa escala não vista desde Mao. Para se firmar no poder, Xi lançou uma campanha anticorrupção, colocando as comissões de inspeção disciplinar a serviço de seu poder pessoal.

Para enterrar a Revolução Cultural, Deng considerou fundamental "corrigir os velhos problemas" para ajudar a olhar para o futuro: "Isto é essencial para emancipar as mentes e garantir a estabilidade política e a unidade. (...) Nosso princípio é que cada erro deve ser corrigido. Todos os erros do passado têm de ser corrigido. Precisamos resolver estes problemas do passado completamente."

A seleção dos dirigentes do partido era outra preocupação de Deng: "Jamais devemos dar postos importantes a pessoas envolvidas em espancamentos, destruição e saques, que sejam obcecadas por ideias sectárias e que venderam suas almas para enquadrar camaradas inocentes ou desrespeitarem os interesses vitais do partido."

Na busca da unidade partidária, Deng recorre a seu líder histórico: "As grandes contribuições do Camarada Mao no curso de longas lutas revolucionárias nunca vão esmaecer. (...) Não é exagero dizer que sem o Camarada Mao não haveria uma Nova China. (...) O pensamento de Mao Tsé-tung será para sempre o maior tesouro intelectual do partido, do Exército e do povo."

Com o mesmo objetivo de evitar novas lutas fratricidas, "a Revolução Cultural deve ser vista cientificamente e numa perspectiva histórica. (...) foi parte de uma etapa do desenvolvimento do socialismo na China, portanto precisa ser avaliada. No entanto, não precisa ser feito precipitadamente. (...) Provavelmente, só poderemos fazer uma análise mais correta depois de algum tempo."

Para olhar para o futuro, a receita é enfrentar os novos problemas: "Nossa burocracia é totalmente incompatível com a produção em larga escala. (...) É essencial enfrentar os males da burocracia. Nossa gestão econômica atual é marcada pelo excesso de pessoal, sobreposição organizacional, procedimentos complicados e eficiência extremamente baixa. Com frequência, tudo é afogado em discussões políticas. Esta não é uma falha de qualquer grupo de camaradas. (...) Não fizemos reformas em tempo."

ECONOMIA DE MERCADO
Outra lição de Deng: "Precisamos aprender a gerir nossa economia por meios econômicos. Se não conhecemos métodos avançados de gestão, precisamos aprender com aqueles que sabem, no país ou no exterior. Estes métodos devem ser aplicados não apenas na operação de empresas com novas tecnologias e equipamentos importados, mas também a transformação técnica das empresas existentes."

Era o início da introdução da economia de mercado.

Enquanto a China criava um programa nacional de gestão moderna, "podemos começar de maneira limitada, numa determinada região ou ramo de atividade, e então difundir os métodos gradualmente a outros setores e regiões", notou Deng.

Os líderes seriam avaliados "principalmente pela adoção de métodos avançados de gestão, pelo progresso da inovação tecnológica" e "pelo aumento do produtividade do trabalho, dos lucros, da renda pessoal dos trabalhadores e dos benefícios coletivos."

"A tarefa mais importante no momento é é fortalecer o sistema de responsabilidade do do trabalho." Antes das reformas, "em teoria", haveria "responsabilidade coletiva. De fato, isso significa que ninguém é responsável. (...) Para cada tarefa ou projeto de construção, é necessário especificar o trabalho a ser feito, o pessoal necessário, a divisão do trabalho, os padrões de qualidade e o tempo necessário."

Quando forem "introduzidos equipamentos e tecnologias estrangeiras, devemos especificar que itens serão importados e de onde, para onde vão e quem será encarregado do trabalho. (...) Quando os problemas surgirem, não adianta culpa as comissões de planejamento ou os comitês do partido envolvidos - os indivíduos responsáveis devem sentir o peso. (...) Devemos dizer explicitamente quem é responsável por cada etapa do trabalho."

"Primeiro, precisamos ampliar a autoridade dos gestores. Quem tiver responsabilidade deve ter autoridade."

"Segundo, precisamos selecionar pessoal inteligente e distribuir os deveres de acordo com a habilidade. Devemos procurar especialistas e treinar novos, colocá-los em posições importantes, aumentar seu status políticos e aumentar seus benefícios materiais. (...) O principal critério é se a pessoa escolhida pode trabalhar para o bem comum e contribuir para o desenvolvimento das forças produtivas".

"Terceiro, precisamos de um sistema rígido de avaliação e distinguir claramente os desempenhos que devem ser recompensados e os que devem ser penalizados. Todas as empresas, escolas, institutos de pesquisa e repartições do governo devem criar sistemas de avaliação do trabalho e conferir títulos acadêmicos, técnicos e profissionais. Recompensas e punições, promoções e demissões devem ser baseadas na perfórmance. E devem estar ligadas a aumentos e reduções nos benefícios materiais."

Dentro desta lógica, "penso que devemos permitir que algumas regiões e empresas e alguns operários e camponeses ganhem mais e tenham mais benefícios antes dos outros, de acordo com seu trabalho e suas contribuições à sociedade. Se o padrão de vida de algumas pessoas aumentar primeiro, este exemplo inevitavelmente deverá impressionar os vizinhos. Isto vai ajudar a economia nacional como um todo."

Depois de admitir que "vamos encontrar muitas situações novas e problemas inesperados", "problemas para decidir quem fica e quem deve sair", Deng pediu maior atenção à situação global. Voltando à retórica comunista, afirmou que "seremos capaz de resolver qualquer problema e superar qualquer obstáculo se tivermos fé nas massas e explicarmos a situação e os problemas a elas."

Em mais uma crítica à Revolução Cultural, enfatizou que "ao realizar nossos maiores esforços em campanhas políticas, não dominamos as habilidades essenciais para construir nosso país. (...) Experimentamos vários infortúnios políticos. Agora, nossa tarefa é a modernização."

"Precisamos aprender de diferentes maneiras, através das práticas, dos livros e das experiências, positivas e negativas", pregou o líder. "O conservadorismo e a adoração de livros têm de ser superados. As centenas de membros permanentes e temporários do Comitê Central e milhares de altos funcionários locais devem assumir a liderança no estudo do desenvolvimento econômico moderno."

No apelo final dos companheiros, insistiu em que "sob a liderança do Comitê Central e do Conselho de Estado, vamos avançar corajosamente para mudar a situação de atraso do país e torná-lo num Estado socialista moderno e poderoso", concluiu Deng Xiaoping.

Quarenta anos depois, a China chegou lá.

sábado, 1 de dezembro de 2018

López Obrador toma posse e promete fim do neoliberalismo no México

O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, eleito em 1º de julho com 53% dos votos e maioria na Câmara e no Senado, tomou posse hoje prometendo reformas "profundas e radicais" e o fim do neoliberalismo. 

Seus maiores desafios serão combater a violência ligada ao tráfico de drogas, a corrupção endêmica e a pobreza, que atinge 43% dos mexicanos, embora só 8% vivam na miséria ou pobreza absoluta.

"Com um mandato do povo, começamos hoje a quarta transformação do México. Pode soar pretensioso ou exagerado, mas hoje não é apenas o início de um novo, é uma mudança de regime político", declarou o ex-prefeito da Cidade do México, um nacionalista de esquerda de 65 anos que prometeu na campanha "uma revolução pelo voto".

As transformações anteriores foram a independência da Espanha, em 1821, no fim de 11 anos de guerra; a Reforma do presidente Benito Juárez, em 1867, depois da derrota da intervenção da França iniciada em 1861; e a Revolução Mexicana (1910-20) de Emiliano Zapata e Pancho Villa.

Seus ataques às políticas dos últimos 30 anos, da abertura econômica de Carlos Salinas de Gortari (1988-94) às reformas do setor de energia de Enrique Peña Nieto (2012-18), "ao fracasso e à corrupção" do neoliberalismo, assustam empresários e investidores.

AMLO, como é conhecido popularmente fala do período de 1930 a 1960 como uma idade de ouro e despreza o que veio depois: "Vamos fazer todo o possível para abolir este regime neoliberal."

Para o presidente da Confederação Patronal da República Mexicana (Coparmex), Gustavo de Hoyos, foi um discurso com "expressões polarizadoras e uma ideologia retrógrada". O presidente da organização não governamental Mexicanos contra a Corrupção e a Impunidade, Claudio González, criticou sua "visão voltada para trás e não para o futuro".

Com o ceticismo diante das propostas de ruptura, o mercado financeiro amargou grandes perdas nas últimas semanas. O novo presidente tentou acalmar os agentes econômicos: "Eu me comprometo, e sou um homem de palavra, que os investimentos nacionais e estrangeiros estarão seguros e que vou criar condições para que tenham bons resultados."

López Obrador renovou o compromisso de manter a independência do Banco do México, o banco central do país, e de governar por apenas um mandato de seis anos. Seus críticos temem que pretenda governar indefinidamente, a exemplo de Hugo Chávez e agora do presidente da Bolívia, Evo Morales, que perdeu um plebiscito, mas obteve uma decisão favorável da Suprema Corte para concorrer a mais um mandato.

O novo líder mexicano destacou a amizade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representado pelo vice-presidente Mike Pence e a filha e assessora Ivanka Trump. Também estavam presentes o rei Felipe VI, da Espanha, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e de Cuba, Miguel Díaz Canel, num total 20 chefes de Estado e de governo.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi à cerimônia no Palácio Legislativo de São Lázaro, mas não participou da festividade pública. Quando seu nome foi citado, houve vaias e gritos de "ditador".

A cerimônia pública foi realizada diante de 160 mil pessoas no Zócalo, a praça central da capital mexicana, onde ficam o Palácio Nacional, a Catedral e as ruínas Templo Maior da civilização asteca, destruída pela invasão do espanhol Hernán Cortez, em 1519. Representantes das 68 tribos indígenas do México fizeram rituais de purificação e investiram AMLO no cargo para marcar o aspecto multicultural do país.

Populista, López Obrador não vai morar na residência oficial de Los Pinos, situada no Bosque de Chapultepec, que prometeu transformar em centro cultural. Vai continuar na modesta casa da família. Foi para a posse num Volkswagen. Declarou não precisar de "nada material nem das mordomias do poder". Reduziu o salário presidencial em 40% de 270 mil para 108 mil pesos, cerca de R$ 20,5 mil, e o fixou como teto para o funcionalismo público.

Messiânico, é acusado de não ouvir opiniões alheias. Chega ao poder com 67% de aprovação, depois de sofrer uma queda de popularidade de nove pontos desde agosto. Sete em cada dez mexicanos acreditam que ele será capaz de reduzir drasticamente a corrupção, a violência e a miséria.

Desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, ao tomar posse, em 2006, pelo menos 60 mil pessoas foram mortas, de acordo com as estatísticas oficiais. Pela  estimativa da Igreja Católica, o total pode superar 150 mil mortes.

A política de "cortar cabeças", capturando os chefões do tráfico como Joaquín El Chapo Guzmán, do Cartel de Sinaloa, atualmente sendo julgado nos EUA, fracassou. Quando El Chapo foi extraditado, seus inimigos do Cartel de Jalisco sequestraram seus dois filhos e exigiram US$ 6 milhões de resgate.

El Chapo pagou. Hoje seu cartel está dividido e o Cartel de Jalisco se tornou provavelmente a maior máfia do tráfico no mundo inteiro. Opera em 53 países. Tem ligações com as máfias da Rússia e da Itália.

O emprego das Forças Armadas na Guerra contras as Drogas levou à corrupção dos militares e ao surgimento de cartéis como Los Zetas, formado por desertores.

López Obrador pretende legalizar a maconha, o que já foi feito na prática por decisão da Suprema Corte de Justiça, dar uma anistia a produtores e traficantes, e criar uma Guarda Nacional, sob o comando de um general do Exército, para combater a violência.

Com 129 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 1,150 trilhão, o México é a 15ª maior economia do mundo e a segunda da América Latina, atrás do Brasil. A renda média é estimada em US$ 8,9 mil pelo Banco Mundial.

A pobreza é maior nos estados do Sul, que não se beneficiaram do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), agora convertido em Acordo EUA-México-Canadá. Atinge 77% da população de Chipas e 70% dos moradores de Oaxaca.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

UE e Zona do Euro cresceram 0,4% no primeiro trimestre

A União Europeia e a Zona do Euro registram um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre de 2018 em relação ao trimestre anterior. Nos últimos 12 meses, a UE avançou 2,4% e a Eurozona, 2,5%, revelou hoje o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas do bloco europeu.

No último trimestre de 2017, a UE, formada por 28 países, tinha crescido 0,6% e a Eurozona, de 19 países, 0,7%. Os maiores avanços foram registrados na Polônia (1,6%), na Hungria (1,2%) e na Finlândia (1,1%). Os piores desempenhos foram da Romênia (0%), Reino Unido (0,1%) e Alemanha, Dinamarca, França e Itália (todos com 0,3%).

Os EUA avançaram 0,7% no fim de 2017 e 0,6% no começo de 2018, na comparação trimestral. Com o fortalecimento da economia americana, o dólar está em alta no mundo inteiro.

A Europa começou o ano sob o risco de uma guerra comercial deflagrada pelas políticas protecionistas do governo Donald Trump, com o enfraquecimento da liderança da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, depois das eleições do ano passado, a discordância da Alemanha ante as propostas de reforma da UE propostas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, a expectativa de formação de um governo populista antieuropeu na Itália e o desafio da ascensão do ultranacionalismo na Polônia e na Hungria.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Arábia Saudita espera retomar crescimento em 2018

Depois da cair em recessão no ano passado, a Arábia Saudita está a caminho de uma recuperação neste ano, afirmou em Riade o ministro das Finanças, Mohammed al-Jadaan, em entrevista ao jornal britânico Financial Times.

A expectativa oficial é de uma expansão acima de 2%, superior à previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 1,7%, com queda no déficit orçamentário para 7% do produto interno bruto, de US$ 684 bilhões em 2017, depois de chegar a 13% em 2016 por causa da baixa nos preços do petróleo.

"A maior parte do crescimento será no setor não petrolífero, que é o que queremos. Também atinge nosso objetivo de desenvolver o setor privado", declarou o ministro. Ele destacou a importância de um plano de estímulo à iniciativa privada de US$ 19 bilhões, inclusive nos setores de educação e saúde.

Na sua opinião, a campanha anticorrupção deflagrada pelo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, criou "um ambiente de negócios melhor", apesar das preocupações de investidores internacionais com as denúncias contra algumas das pessoas mais ricas da Arábia Saudita.

"O desempenho fiscal, a disciplina governamental e o crescimento da renda das pequenas e médias empresas enviam a mensagem correta, de que as coisas estão se movimentando na direção correta e que hoje há um ambiente melhor para investimentos do que em novembro", acrescentou Jaddan.

A campanha confiscou mais de US$ 100 bilhões de príncipes e altos funcionários, inclusive o homem mais rico do país, Alwaleed ben Talal. O príncipe Mohamed foi aos Estados Unidos, à França e ao Reino Unido em busca de investimentos, mas, até agora, pouco foi anunciado.

Seu plano de vender 5% das ações da companhia estatal de petróleo Saudi Aramco, maior empresa do mundo, com reservas de mais de 270 bilhões de barris e valor estimado de US$ 2 trilhões a US$10 trilhões, foi adiado para 2019. A expectativa é que seja um marco, uma mudança de paradigma para diversificar a economia saudita e reduzir a dependência do petróleo até 2030.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Partido Comunista da China torna Xi Jinping ditador vitalício

Nem o fundador da República Popular da China, Mao Tsé-tung, conseguiu tanto. O Partido Comunista vai acabar com o limite de dois mandatos de cinco anos para líder do partido e presidente da China, imposto pelo líder reformista Deng Xiaoping. Na prática, o dirigente supremo Xi Jinping se torna presidente perpétuo e ditador vitalício, um verdadeiro imperador.

Xi, de 64 anos, completa seu primeiro mandato como presidente em março. Não esperou o segundo para deixar claras suas intenções de poder absoluto. Neste domingo, a agência oficial de notícias Nova China anunciou a decisão do PC de acabar com o limite para a reeleição presidencial.

O Comitê Central do PC se reúne por três dias a partir desta segunda-feira. Deve propor a reforma constitucional, a ser aprovada na sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o parlamento chinês, que neste ano começa em 5 de março.

A manobra permite a Xi se eternizar no poder, observou o jornal The New York Times. Deng mudou a regra do jogo de uma ditadura personalista para um governo colegiado para evitar o culto da personalidade da Era Mao (1949-76), que levou à Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

Grande fantasma da era de reformas econômicas promovidas por Deng, que estão levando a China a se tornar na maior economia do mundo até 2030, a volta do caos da Revolução Cultural é mais uma vez uma ameaça, se o regime comunista se dilacerar em conflitos internos.

"Com certeza, Xi Jinping vai continuar", afirmou o historiador Zhang Ming, professor aposentado da Universidade do Povo, em Beijim. "Na China, ele pode fazer o que quiser. Está apenas enviando um sinal claro disso."

Xi acalenta o sonho chinês de criar uma sociedade moderna e desenvolvida, uma superpotência, e imprimir sua marca nas relações internacionais. Qualquer reforma política liberal ou democrática está adiada ou arquivada.

A Constituição consagra a "ditadura popular democrática" sob a "liderança do PC chinês e a orientação do marxismo-leninismo, do pensamento de Mao Tsé-tung, da teoria de Deng Xiaoping e do pensamento de Xi Jinping sobre socialismo com características chinesas para uma nova era".

Em seu primeiro mandato, Xi lançou uma grande campanha anticorrupção para afastar os inimigos e consolidar o poder dentro do partido e do regime comunista. Numa ditadura, a corrupção é a norma entre os dirigentes do PC. Assim, ele pôde expurgar quem quis.

"É mais um passo na ruptura contínua com as normas políticas do período das reformas", comentou Carl Minzner, professor da Faculdade de Direito da Universidade Fordham, em Nova York, e autor de um livro sobre o autoritarismo crescente de Xi.

Quais os riscos para a China e para o mundo? "Em curto prazo, todos os perigos tradicionais da centralização excessiva do poder nas mãos de uma só pessoa. A longo prazo, a questão é até onde a ruptura pode ir", acrescenta o professor Minzner.

Como seus antecessores estão velhos, Jiang Zemin com 91 anos e Hu Jintao, um típico burocrata, com 75 anos, é improvável que liderem uma contestação interna no partido.

"Xi não tem mais limites. É dono de todo o processo político", comentou a professora Susan Shirk, diretora do Centro China no Século 21, da Universidade da Califórnia em São Diego. "As políticas interna e externa da China são restritas ou agressivas como ele quiser. O risco de erros de avaliação é o maior de qualquer líder desde Mao."

Um dos maiores especialistas americanos em China, o professor Kenneth Lieberthal, da Universidade de Colúmbia, nos EUA, afirmou no livro Governando a China (1995) que há dois mil anos a sociedade chinesa criou uma burocracia capaz de administrar seu país de dimensões continentais. Mas até hoje não criou um sistema político capaz de controlar a luta pelo poder entre suas elites. Xi acaba de pegar todo o poder para si, uma receita para o fracasso.

Nos últimos anos, a China reafirmou agressivamente sua reivindicação territorial sobre 90% do Mar da China, lançou o grande projeto de infraestrutura do novo Caminho da Seda para ligar o país a seu maior mercado, a União Europeia, investiu no desenvolvimento tecnológico do Exército Popular de Libertação para acabar com a hegemonia dos EUA no Oceano Pacífico e aumentou a censura e controle interno.

São indicações sobre como a China vai agir como superpotência.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Google negocia construção de centro tecnológico na Arábia Saudita

Dentro do programa de reformas lança pelo príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, o Google está negociando com a companhia estatal de petróleo Aramco a construção de um grande centro tecnológico na Arábia Saudita. Como parte do acordo, a empresa de alta tecnologia criaria bancos de dados para a Aramco, noticiou o jornal americano The Wall Street Journal.

As conversas duram meses. Pelo Google, o principal negociador é Larry Page, diretor-executivo do gigante tecnológico. O objetivo do príncipe é diversificar a economia saudita até 2030 para reduzir a dependência do petróleo. Ele planeja vender 5% ações da Aramco, avaliada em US$ 1,5 trilhão a US$ 2 trilhões para levantar dinheiro para investimentos na sua Visão 2030, nome do programa de reformas.

O  Google disputa com a Amazon e a Microsoft o mercado para oferecer serviços de computação e armazenagem de dados para empresas. Nenhuma das três tem um centro tecnológico na região. A Amazon planeja abrir um no Bahrein. A Microsoft anunciou a abertura de dois centros na África do Sul ainda neste ano.

A Amazon deve criar três centros na Arábia Saudita, com investimentos de US$1 bilhão. O anúncio oficial deve ser feito quando o príncipe Mohamed ben Salman visitar os Estados Unidos.

Com a abertura de centros no Oriente Médio, os gigantes da Internet vão disputar o fornecimento de serviços à indústria do petróleo.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Arábia Saudita arrecada US$ 106 bilhões com campanha anticorrupção

A campanha anticorrupção deflagrada pelo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, rendeu US$ 106 bilhões ao tesouro da Arábia Saudita, noticiou hoje o jornal paquistanês Dawn. Como 56 acusados continuam presos, a arrecadação pode ser ainda maior.

Os acordos preveem o confisco de imóveis, empresas, títulos do mercado financeiro e dinheiro vivo, revelou o procurador-geral saudita, Saud al-Mojeb.

Ao, a campanha anticorrupção interrogou 381 pessoas desde 4 de novembro de 2017. Onze príncipes foram presos, inclusive Alwaleed ben Talal, considerado o homem mais rico do reino. Desde então, cerca de 130 presos foram libertados. Os 56 presos restantes devem ser processados.

Os críticos acusam o príncipe herdeiro de usar a campanha anticorrupção para perseguir seus inimigos políticos e se consolidar no poder, a exemplo do que faz o ditador da China, Xi Jinping. A defesa das autoridades sauditas é que estão criando um ambiente mais favorável aos negócios e ao investimento estrangeiro.

MbS, como o príncipe herdeiro é conhecido, por suas iniciais, tem planos ambiciosos de reforma para desenvolver a Arábia Saudita e diminuir a dependência do petróleo até 2030. Também promove uma liberalização dos costumes. Autorizou as mulheres a dirigir, aproximou-se de Israel, diminuiu o discurso antissemita e prometeu combater o extremismo muçulmano e o apoio a grupos terroristas.

Apesar das reformas, os investidores relutam em aplicar seu dinheiro na Arábia Saudita. Temem uma reação de setores da família descontentes com a ampliação dos poderes do príncipe herdeiro.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Obama acaba com direito automático de asilo para cubanos nos EUA

Em mais um passo para normalizar as relações com Cuba, o presidente Barack Obama revogou ontem com efeito imediato uma política de imigração de mais de duas décadas conhecida como pé molhado, pé seco, que garantia automaticamente o direito de asilo nos Estados Unidos para cubanos que pisassem em solo americano.

O fim da medida era uma antiga reivindicação do regime comunista de Cuba e também da comunidade asilada nos EUA, que não quer ser confundida com os atuais migrantes, que considera migrantes econômico e não refugiados políticos.

Só em 2016, mais de 50 mil cubanos que chegaram sem visto foram admitidos nos EUA, informou o jornal The Washington Post. Desde a vitória da revolução liderada por Fidel Castro, em 1º de janeiro de 1959, cerca de 2 milhões de cubanos fugiram para os EUA

Sob o pretexto de que era uma política "formulada para outra era", a Guerra Fria, Obama tenta consolidar o reatamento das relações com Cuba, anunciado em dezembro de 2014, que está sob a ameaça.

A equipe de segurança nacional linha-dura do presidente eleito, Donald Trump, que assume o cargo em 20 de janeiro, promete revisar os acordos com Cuba e o Irã, este último para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano, evitando que o país desenvolva armas atômicas.

O atual presidente também acabou com a tramitação rápida de pedidos de entrada de pessoal médico cubano em missões internacionais interessado em se refugiar nos EUA.

"A mudança na política essencialmente acaba com a Lei de Ajuste em Cuba, de 1966, que presumia que os cubanos eram refugiados políticos que precisavam de proteção e permitia aos que permanecessem nos EUA por mais de um ano o direito de pedir de residência legal", observaram Julie Hirschfeld Davis e Frances Robles no jornal The New York Times.

Como o reatamento com Cuba não foi aprovado pelo Congresso, onde o Partido Republicano tinha e manteve a maioria na Câmara e no Senado, o presidente Trump está numa posição que lhe permite anular os acordos se o regime comunista cubano rejeitar sua proposta de renegociação. Basta revogar os decretos de Obama.

A reforma do regime comunista cubano está em andamento com as políticas de Raúl Castro que autorizaram a criação de pequenos negócios como bares, restaurantes, oficinas mecânicas e outros tipos de serviços.

O futuro de Cuba está numa reforma rumo à economia de mercado mais no estilo da Europa Oriental do que de países como a China e o Vietnã, que mantiveram o modo de governar comunista enquanto adotam a economia de mercado.

Se o governo Trump jogar duro como tudo indica, para agradar a sua base parlamentar de ultradireita, na contramão de Obama, tende a retardar a abertura política e econômica do regime cubano, que terá uma mudança de gerações em 2018, quando Raúl promete entregar o poder depois de 59 anos de ditadura dos irmãos Castro.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Governo do Japão obtém maioria qualificada no Senado

A coalizão do primeiro-ministro Shinzo Abe conquistou 70 das 121 cadeiras no Senado do Japão em disputa nas eleições de domingo, dando ao governo a maioria necessária para reformar a Constituição e acabar com a proibição de usar a força no exterior imposta pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial.

Alterar o artigo 9 da Constituição é uma antiga aspiração do primeiro-ministro. A mudança depende de maioria de dois terços no Senado e na Câmara.

Com a vitória nas urnas, Abe pode revigorar suas reformas, uma modernização conservadora para fortalecer a economia e defender a posição do Japão como potência industrial: "Precisamos avançar firmemente neste caminho", declarou o chefe de governo, que advertia para o risco do "retorno de um período sombrio" quando o Partido Democrata estava no poder, rm 2009-12.

Em troca, Abe oferece a estabilidade que trouxe para o país desde sua ascensão a primeiro-ministro, em 2012. Desde então, ele lançou uma série de medidas conhecidas como abeconomia, com compra de títulos públicos para combater a estagnação e a deflação, duas pragas da economia do Japão desde o estouro da bolha do Super-Japão, em 1991.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Professores de Portugal tentam barrar Acordo Ortográfico

A Associação Nacional de Professores de Português e o grupo Cidadãos contra o Acordo Ortográfico entraram na Justiça em Portugal para tentar anular a harmonização acertada pelos países lusófonos em 1990, informa o jornal português Público.

Na ação judicial popular apresentada hoje ao Supremo Tribunal Administrativo, os professores e seus aliados no grupo formado no Facebook alegam que a reforma ortográfico só poderia ser aprovada por projeto de lei e não pela Resolução do Conselho de Ministros nº 8/2011.

Os impetrantes alegam que ninguém seguia as novas regras ortográficas até o então primeiro-ministro José Sócrates baixar a resolução.

Pelo acordo de 1990, a reforma só entraria em vigor quando ratificada por todos os países. Até hoje, Angola e Moçambique não aprovaram. Durante recente visita a Moçambique, o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu que será necessário revisá-lo se os dois grandes países da África portuguesa não o ratificarem.

Qualquer se seja a decisão cabe recurso ao Tribunal Constitucional.

Veja aqui as principais mudanças, no Guia Prático da Nova Ortografia dos Dicionários Michaelis.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

China anuncia crescimento de 6,7% ao ano no início de 2016

A China, segunda maior economia do mundo, anunciou hoje o índice de crescimento oficial para o primeiro trimestre de 2016, afirmando que foi de 6,7% ao ano, dentro de meta oficial de uma expansão de 6,5% a 7% neste ano, anunciou o Escritório Nacional de Estatísticas. 

Foi o menor avanço semestral desde o auge da crise financeira internacional, em 2009, e as estatísticas chinesas são objeto de suspeita, um pouco abaixo dos 6,8% do fim de 2015. Mas os dados de março indicam uma retomada. As medidas de estímulo adotadas nos últimos 15 meses começam a dar resultado.

O Fundo Monetário Internacional projeta um crescimento de 6,5% em 2016.

A compra de casas, por exemplo, foi 71% maior do que 12 meses atrás, noticiou a agência Bloomberg. O investimento em capital fixo cresceu 10,7% num ano e a produção industrial 6,8%, o ritmo mais forte em nove meses. Mas os serviços avançam hoje na China em ritmo mais forte do que a indústria. Tiveram alta de 7,6% num ano.

Os analistas internacionais começaram a duvidar das estatísticas oficiais chinesa porque, no ano passado, os índices de crescimento estiveram sempre dentro da meta, mas o governo adotava várias medidas de estímulo, como desvalorização da moeda, cortes de juros, redução do depósito compulsório dos bancos e interveio na bolsa de valores na expectativa de salvar os pequenos investidores.

Entre os maiores desafios da China, estão a reforma das empresas estatais, altamente endividadas e ineficientes, e o fechamento de fábricas para reduzir a capacidade instalada. São medidas impopulares e recessivas, mas toda vez que a economia dá sinais de desaceleração o governo adota medidas de estilo. Assim, a reforma é adiada e não vai fundo como necessário.

O produto interno bruto chinês, a soma de toda a riqueza que o país produz menos as exportações, é estimado hoje em US$ 11,3 trilhões. As dívidas possivelmente problemáticas somam US$ 1,3 trilhão.

terça-feira, 8 de março de 2016

Exportações da China têm maior queda desde 2009

As exportações da China registraram em fevereiro de 2016 uma queda de 25,4% em dólares e de 20,6% em iuanes em relação a fevereiro do ano passado. Foi o maior queda desde 2009, no auge da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers em setembro de 2008, noticiou hoje em Hong Kong o jornal South China Morning Post.

Em média, as vendas externas de produtos fabricados com uso intensivo de mão de obra baixaram 12,4%, com as exportações de carros reduzida em 33,5%. As importações diminuíram 13,8%.

O saldo comercial teve uma queda forte, de US$ 63,29 bilhões em janeiro para US$ 32,59 bilhões em fevereiro.

Com a crise do modelo de desenvolvimento baseado em investimentos, mão de obra barata e exportações, o governo tenta reorientar a economia para o consumo, o mercado interno e produtos de maior valor agregado.

O discurso do primeiro-ministro Li Keqiang na abertura do Congresso Nacional do Povo na última sexta-feira foi interpretado como um recuo nas reformas e a volta da ênfase no crescimento. É impossível reduzir o excesso de capacidade instalada e estimular o crescimento ao mesmo tempo. O governo vai continuar injetando dinheiro e oferecendo crédito barato a estatais ineficientes. O crescimento é mais importante do que a reforma.

No Congresso, Li fixou a meta de crescimento para este ano em 6,5% a 7%. Não apresentou meta para o comércio exterior.

domingo, 27 de setembro de 2015

Partidos pró-Rússia protestam contra governo da Moldova

Cerca de 20 mil pessoas protestaram hoje contra o governo da ex-republica soviética da Moldova diante da sede do Parlamento, em Chisinau, a capital do país, informou a agência Associated Press (AP). Dois partidos favoráveis a uma aliança com a Rússia organizaram o protesto.

Foi a primeira manifestação desde 6 de setembro, quando dezenas de milhares de oposicionistas protestaram contra o fracasso no combate à corrupção e na realização de reformas. A oposição pede a dissolução do governo e a convocação de eleições antecipadas.

A manifestação de hoje acontece dias depois que o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que não vai negociar um novo empréstimo para o governo moldavo pagar salários e pensões.

Embora não tenha fronteira com a Moldova, a Rússia tenta manter o controle sobre todas as ex-repúblicas soviéticas, o chamado exterior próximo, que considera parte de sua área de influência. A Moldova é étnica e linguisticamente romena e gostaria de aderir à União Europeia (UE).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Governo da França sobrevive a moção de desconfiança

O governo do primeiro-ministro socialista Manuel Valls sobreviveu hoje a um voto de desconfiança da Assembleia Nacional da França por ter aprovado uma reforma trabalhista por decreto..

A moção precisava de 289 votos. Teve 234. Foi proposta porque o governo aprovou por decreto a chamada Lei Macron, que autoriza a abertura do comércio aos domingos em certas áreas e traz benefícios a empresa na expectativa de reduzir o desemprego.

Com a derrota da moção de desconfiança, a Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades está aprovada em primeira votação. É mais conhecida como Lei Macron, por ter sido apresentada pelo atual ministro da Economia, Emmanuel Macron, considerado liberal demais pela esquerda do Partido Socialista.

O projeto semeou a discórdia no PS entre centristas como o presidente François Hollande e o primeiro-ministro Valls e a esquerda. É uma amostra de como é difícil reformar o pesado Estado francês, especialmente as relações trabalhistas.

Durante o debate na Assembleia Nacional, Macron acusou a ala mais esquerdista de ser a favor da situação atual, em que o índice de desemprego está em 10% e, entre os jovens, em 25%. O projeto segue agora para o Senado.