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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Manifestantes fecham estradas em mais protestos na Armênia

As manifestações de protesto retomaram a força hoje na Armênia, com bloqueio de ruas, estradas e estações de trem e de metrô, um dia depois que a Assembleia Nacional rejeitou a indicação do líder da oposição, o deputado Nikol Pashinian, para primeiro-ministro, informou a Rádio Europa Livre, financiada pelo Congresso dos Estados Unidos. Os protestos devem continuar até nova votação para escolher um chefe de governo, em 8 de maio.

Os armênios saíram às ruas em 13 de abril para impedir o ex-presidente Serge Sarkissian de se tornar primeiro-ministro depois de dez anos e dois governos medíocres em que a economia não avançou e a pobreza aumentou. Ele desistiu em 23 de abril.

Ex-jornalista crítico da corrupção no governo, Pashinian só conseguiu um voto do Partido Republicano da Armênia, liderado por Sarkissian, depois de liderar o movimento por seu afastamento.

Até agora, as manifestações chegaram a reunir 100 mil pessoas na capital armênia, Ierevã, mas foram pacíficas e a reação das autoridades, moderada.

A Rússia, que mantém a Armênia em sua esfera de influência, com 5 mil soldados russos para defender esta ex-república soviética, acompanha com atenção, mas não espera mudanças na política externa.

Durante o debate na Assembleia Nacional, Pashinian deixou claro que vai manter a aliança com a Rússia, essencial para a segurança da Armênia, diante do conflito com a ex-república soviética do Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh e da inimizade histórica com a Turquia, que acusa de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial.

Se a situação degenerar em caos e anarquia e as relações bilaterais estiverem ameaçadas, a Rússia pode intervir.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Parlamento da Armênia rejeita indicação de líder da oposição para primeiro-ministro

A Assembleia Nacional da ex-república soviética da Armênia rejeitou hoje a indicação do líder da oposição, deputado Nikol Panchinian, para chefiar um novo governo, oito dias depois da queda do primeiro-ministro e ex-presidente Serge Sarkissian, que estava no poder há dez anos.

Sarkissian pediu demissão depois de onze dias de manifestações de rua. Panchinian prometeu manter os protestos se a nomeação não fosse confirmada. O Parlamento fará nova votação para escolher um novo primeiro-ministro em 8 de maio.

O Partido Republicano da Armênia recebeu 49% dos votos nas eleições de 2 de abril. Sarkissian foi eleito primeiro-ministro em 17 de abril. Como tinha prometido não se candidatar ao cargo quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, numa reforma constitucional aprovada em 2015, uma multidão saiu às ruas em protestos.

Depois de dez anos de governos medíocres, Sarkissian manobrou para continuar no poder, mas foi repudiado durante manifestações de rua por 11 dias.

Hoje Panchinian era candidato único. Precisava de 53 votos. Obteve apenas 45. Só recebeu um voto do Partido Republicano.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Líder da oposição é nomeado primeiro-ministro da Armênia

O líder da revolta popular que derrubou o presidente Serge Sarkissian, deputado Nikol Pashinian, foi nomeado hoje primeiro-ministro da ex-república soviética da Armênia. Sua indicação deve ser confirmada hoje pelo Parlamento, em Ierevã, mas vai exigir votos de pelo menos 13 deputados de partidos ligados ao antigo governo.

Depois de ser presidente por dez anos, sem direito à reeleição, Sarkissian durou apenas seis dias no cargo de primeiro-ministro e caiu há uma semana em meio a uma onda de 11 dias de protestos. Quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, ainda como presidente, prometeu nunca concorrer ao cargo.

Pashinian ameaçava manter as manifestações até a indicação de um oposicionista para chefiar o novo governo.

Em 2008, Sarkissian reprimiu com violência protestos contra sua eleição, decretou estado de emergência e colocou o então líder da oposição, Levon Ter-Petrossian, em prisão domiciliar. Dez pessoas foram mortas.

Desta vez, centenas de manifestantes foram presos, inclusive Pashinian, mas soltos em seguida. Quando 200 soldados da tropa de elite Boinas Azuis participaram desarmados de um protesto, em 23 de abril, o primeiro-ministro renunciou à chefia do governo.

A queda de Sarkissian depois de 11 dias seguidos de protestos reflete uma nova realidade nas antigas repúblicas da União Soviética. Desde a Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, em fevereiro de 2014, os governos, mesmo na Rússia e na Bielorrússia, relutam em reprimir as manifestações com muita violência, optando por um controle de massas com uma abordagem com menos confrontação.

O massacre na Praça Maidan levou à queda do presidente Viktor Yanukovich e à intervenção militar da Rússia, à anexação da Crimeia por Vladimir Putin e a uma guerra civil no Leste da Ucrânia. A violência provocou uma revolução e uma guerra. Mais de 10 mil pessoas foram mortas e o conflito não terminou.

Até na Bielorrússia, Alexander Lukachenko teme seguir o destino de Yanukovich. Depois de reprimir com dureza os protestos contra sua reeleição em 2010, há pouco o ditador suspendeu uma proposta de cobrança de impostos dos desempregados, que chamou de "parasitas sociais". Recuou diante das manifestações de rua.

Como os regimes pós-soviéticos são basicamente autoritários e centralizados, com uma repressão menos violenta, a expectativa é de maior mobilização política.

A Armênia é na prática um satélite da Rússia, dentro da política do ditador Vladimir Putin de restaurar o poder imperial soviético, que considera as ex-repúblicas da URSS como esfera de influência de Moscou.

Quando as reformas de Mikhail Gorbachev liberaram as forças nacionalistas na antiga URSS, houve uma guerra entre a Armênia e o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh, um enclave de maioria armênia dentro do Azerbaijão criado pelas remoções forçadas promovidas pelo ditador soviético Josef Stalin.

Além do Azerbaijão, a Armênia tem um conflito histórico com a Turquia, que acusa de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial. Venceu o Azerbaijão com o apoio decisivo da Rússia, que mantém 5 mil soldados para garantir a segurança da Armênia.

O país é membro de duas organizações internacionais dominadas pela Rússia, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (Rússia, Armênia, Bielorrúsia, Casaquistão, Tajiquistão e Quirguistão) e a União Econômica da Eurásia, com os mesmos países, menos o Tajiquistão.

Assim, é improvável que Pashinian tente tirar a Armênia da esfera de influência da Rússia.

terça-feira, 7 de março de 2017

Usbequistão liberta jornalista preso há 18 anos

Um dos jornalistas presos há mais tempo no mundo, Muhammad Bekjanov, foi solto no mês passado depois de ficar 18 anos na cadeia na ex-república soviética do Usbequistão, informou a organização não governamental de defesa da liberdade de imprensa Repórteres sem Fronteiras (RsF).

Bekjanov tem hoje 62 anos. Ele foi torturado repetidamente depois da prisão, em 1999, e deveria ter sido libertado em 2012, quando sua pena foi ampliada. Durante um ano, não poderá sair do país.

Como editor do Erk, o principal jornal de oposição usbeque, Bekjanov colocou em discussão temas considerados tabus como a situação da economia, o uso de trabalhos forçados na lavoura de algodão e a catástrofe ecológica do Mar Aral. Seu irmão, o poeta Muhammad Salikh, foi o único adversário do presidente Islam Karimov em 1991.

Karimov, no poder desde a era soviética, aproveitou uma série de ataques a bomba para calar a oposição, acusando-a de cumplicidade. Bekjanov e outros ativistas pela democracia foram presos e condenados. Ele pegou 15 anos de cadeia.

Dias antes da data em que deveria ser solto, a pena foi arbitrariamente aumentada em quatro anos e oito meses.

Em 2016, o Usbequistão ficou em 166º lugar entre 180 países no Índice de Liberdade de Imprensa dos RsF. Com a morte de Karimov, em agosto de 2016, alguns presos políticos foram soltos, mas ainda há jornalistas, ativistas dos direitos humanos, oposicionistas e líderes da sociedade civil presos injustamente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Usbequistão confirma morte do ditador Islam Karimov

O governo da ex-república soviética do Usbequistão confirmou hoje a morte do ditador Islam Karimov, um antigo líder comunista que mandou no país durante quase 27 anos com um regime totalitário e brutal.

Em 29 de agosto, sua filha havia anunciado que o pai sofrera uma hemorragia cerebral. Desde então, há boatos de que teria morrido. Hoje de manhã, o governo admitiu que Karimov estava em "estado crítico".

Horas depois, foi confirmada morte, que gera um período de incerteza neste país neutro da Ásia Central, que tenta se equilibrar entre a Rússia, a China e os EUA.

Há uma luta pelo poder entre os clãs de Tachkent, a capital, e Samarcanda, uma cidade histórica que fica na Rota da Seda, que a China pretende modernizar como via para seu comércio com a União Europeia.

O adiamento do anúncio da morte de líderes supremos era comum na antiga União Soviética enquanto era trava uma luta interna pela sucessão. Quem presidisse o funeral seria o novo líder. O favorito é o primeiro-ministro Chavkat Mirziyoyev.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Rússia instala mísseis antiaéreos de última geração na Crimeia

A Rússia instalou sistemas de mísseis de defesa antimísseis de última geração S-400 na península da Crimeia, uma província da Ucrânia anexada ilegalmente pelo Kremlin em março de 2014, revelou hoje o Ministério da Defesa russo.

A medida realimenta o conflito entre as duas ex-repúblicas mais importantes da extinta União Soviética. Há poucos dias, a Rússia acusou a Ucrânia de realizar operações de sabotagem na Crimeia e prometeu reagir.

Como o sistema de defesa antimísseis tenta neutralizar uma ameaça de natureza diferente, sua instalação provavelmente já estivesse planejada. Os dois países reforçaram suas posições na fronteira comum.

Moscou interveio militarmente na Ucrânia em resposta a uma revolta popular derrubou em fevereiro de 2014 o presidente Viktor Yanukovich. Três meses antes, ele havia suspendido negociações de associação à União Europeia.

O presidente russo, Vladimir Putin, considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Desde que chegou ao poder, em 1999, tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Essa estratégia implica manter as ex-repúblicas soviéticas sob o controle do Kremlin.

A anexação da Crimeia rompeu uma regra básica das Nações Unidas que havia sido respeitada na Europa desde 1945, que fronteiras internacionais não podem ser alteradas pelo uso da força.

Desde então, Putin reativou uma guerrinha fria com o Ocidente, os Estados Unidos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a União Europeia. Provoca os inimigos do tempo da Guerra Fria e tenta dividir a UE com a proposta de acordos comerciais bilaterais com países-membros como a Hungria, onde o primeiro-ministro direitista Viktor Orban flerta com Moscou.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Voluntários da ex-URSS aderem em massa ao Estado Islâmico

Milhares de voluntários da Rússia e das ex-repúblicas soviéticas muçulmanas da Ásia Central estão aderindo ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O ritmo cresceu 300% desde junho de 2014, quando foi proclamada a fundação de um califado extremista, estima a empresa de consultoria estratégica e inteligência Soufan Group, com sede em Nova York.

Até junho de 2014, pouco mais de 800 russos e ex-soviéticos haviam se tornado voluntários do martírio. Em setembro de 2015, eram cerca de 2,4 mil, noticiou a TV a cabo americana CNBC.

Com a intervenção da Rússia na guerra civil da Síria a pretexto de combater o Estado Islâmico, esse fluxo de guerreiros deve aumentar ainda mais. Na volta dos campos de batalha do Oriente Médio, com experiência em guerra e no uso de armas e explosivos, esses jovens atacam seus próprios países em nome de Alá, como aconteceu nos atentados terroristas de 13 de novembro em Paris.

Uma das maiores preocupações dos serviços ocidentais hoje é monitorar as atividades desses voluntários do martírio. Na Rússia, não será diferente.

Embora a doutrina estratégica oficial ainda aponte a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como maior ameaça estratégica à Rússia, o presidente Vladimir Putin conhece bem a ameaça do fundamentalismo islâmico, que ajudou a acabar com a invasão da União Soviética no Afeganistão.

Na Primeira Guerra da Chechênia (1994-96), a primeira depois do fim da URSS, o Exército da Rússia foi derrotado. Em 1999, Putin aproveitou uma revolta muçulmana no Daguestão e uma série de atentados suspeitos em Moscou atribuídos a extremista chechenos para deflagrar a Segunda Guerra da Chechênia e se impor como novo homem-forte do Kremlin.

A Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000) foi mais um conflito brutal, com pelo menos 50 mil mortos. É daquela região, do Norte do Cáucaso, que saem os voluntários do martírio.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Governo ganha eleições boicotadas no Azerbaijão

Ao conquistar 73 das 125 cadeiras da Assembleia Nacional, o governista Partido Novo Azerbaijão manteve sua maioria absoluta nas eleições parlamentares do último domingo, informou hoje a comissão nacional eleitoral.

Vários partidos de oposição boicotaram as eleições, inclusive o Musavat, o Partido Democrático do Azerbaijão, o Conselho Nacional das Forças Democráticas e o Movimento Civil Nida. Eles acusam o governo do presidente Ilham Aliev de prender os principais candidatos da oposição.

Em 30 de agosto, o Azerbaijão festejou 24 anos de independência da União Soviética, que começou em meio a uma guerra com a Armênia pelo território de Alto Karaback iniciada em 1988, depois da abertura política lançada pelo líder soviético Mikhail Gorbachev. É um território de maioria armênia anexado ao Azerbaijão na ditadura de Josef Stalin.

domingo, 27 de setembro de 2015

Partidos pró-Rússia protestam contra governo da Moldova

Cerca de 20 mil pessoas protestaram hoje contra o governo da ex-republica soviética da Moldova diante da sede do Parlamento, em Chisinau, a capital do país, informou a agência Associated Press (AP). Dois partidos favoráveis a uma aliança com a Rússia organizaram o protesto.

Foi a primeira manifestação desde 6 de setembro, quando dezenas de milhares de oposicionistas protestaram contra o fracasso no combate à corrupção e na realização de reformas. A oposição pede a dissolução do governo e a convocação de eleições antecipadas.

A manifestação de hoje acontece dias depois que o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que não vai negociar um novo empréstimo para o governo moldavo pagar salários e pensões.

Embora não tenha fronteira com a Moldova, a Rússia tenta manter o controle sobre todas as ex-repúblicas soviéticas, o chamado exterior próximo, que considera parte de sua área de influência. A Moldova é étnica e linguisticamente romena e gostaria de aderir à União Europeia (UE).

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ex-repúblicas soviéticas rejeitam documento contra sanções à Rússia

Num encontro de ministros do Exterior de 11 ex-repúblicas da União Soviética, o Azerbaijão, a Moldova, o Turcomenistão, a Ucrânia e o Usbequistão se recusaram a assinar um documento contra as sanções internacionais impostas à Rússia pelos Estados Unidos e a União Europeia em protesto contra a intervenção militar na Ucrânia, noticiaram no fim de semana as Rádios Europa Livre e Liberdade.

A Armênia, a Bielorrússia, o Casaquistão, o Quirguistão, a Rússia e o Tajiquistão firmaram o documento a ser apresentado à Organização sobre Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Com a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia e a crise no Leste da Ucrânia, o antigo império interior soviético se divide. Uma parte apoia a Rússia e a outra se aproxima das posições do Ocidente.

Não participaram da reunião as três ex-repúblicas bálticas da URSS, Estônia, Letônia e Lituânia, e a Geórgia, derrotada pela Rússia em agosto de 2008 numa guerra para tentar retomar as regiões da Abecásia e da Ossétia do Norte, hoje entregues à máfia russa. O mesmo acontece na Crimeia.

É mais um golpe no sonho do protoditador do Kremlin, Vladimir Putin, de recriar um arremedo de URSS sob o nome de União Eurasiana. Das 15 ex-repúblicas, só cinco permanecem na órbita de Moscou.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Lituânia é o 19º país-membro da Zona do Euro

A partir de hoje, a ex-república soviética da Lituânia é o 19º país-membro da união monetária europeia e passa a fazer parte da Zona do Euro. Os lituanos podem trocar sua antiga moeda na cotação de 3,45 litas por euro.

Durante duas semanas, as duas moedas serão usadas paralelamente para permitir a substituição gradual da lita.

A Lituânia é uma grande crítica das políticas agressivas da Rússia e do homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, que no no passado tomou à força a região ucraniana da Crimeia e fomentou uma guerra civil no Leste da ex-república soviética da Ucrânia.

Para acalentar o sonho de resgatar pelo menos um pouco do poder imperial soviético e czarista, Putin lança hoje a União Econômica Eurasiana, ao lado das ex-repúblicas soviéticas da Armênia, Bielorrússia, Casaquistão e Quirguistão, no fundo mais uma tentativa de impedir que saiam da órbita de Moscou. Com as sanções internacionais por causa do conflito na Ucrânia, a queda nos preços do petróleo abaixo de US$ 60 por barril e a crise do rublo, tem pouco a oferecer.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Partidos pró-Europa formam governo na Moldova

Três partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente e à adesão à União Europeia - o Partido Liberal-Democrata, o Partido Democrata e o Partido Liberal - aliaram-se ontem para formar o próximo governo da ex-república soviética da Moldávia, que mudou de nome para Moldova, anunciou a televisão estatal.

A coalizão terá 55 deputados, 23 do PLD, 19 do PD e 13 do PL, garantindo maioria no Parlamento. Uma comissão está preparando um programa de governo para os próximos quatro anos.

Como a Ucrânia, a Geórgia e outras ex-repúblicas soviéticas, a Moldova sofre intensa pressão da Rússia para manter a dependência em relação a Moscou. Ainda há tropas russas estacionadas na província da Transnístria, onde a população de origem russa luta pela independência, enquanto o país como um todo se identifica mais com a Romênia.

Por isso, os partidos da nova coalizão de governo ampliar o acordo de associação firmado com a UE rumo a uma adesão definitiva. Foi justamente isso que levou à intervenção militar ordenada pelo protoditador russo Vladimir Putin na ex-república soviética da Ucrânia.

Ontem, ao prestar contas ao Parlamento, Putin atribuiu a crise a uma reação negativa dos Estados Unidos e da Europa ao "ressurgimento da Rússia", e não a seus próprios erros como a anexação ilegal e ilegítima da região ucraniana da Crimeia, sem esquecer a violação do Memorando de Budapeste (1994), acordo pelo qual a Ucrânia entregou as armas nucleares que herdou da União Soviética a Moscou em troca de garantias de segurança.

Na televisão governista Russia Today, a queda do rublo se deve à baixa nos preços internacionais do petróleo e não às sanções impostas pelo Ocidente.

Quanto mais a Rússia ameaça, maior é o risco de isolamento. Com a crise econômica, a pressão sobre o Kremlin só tende a aumentar. A tendência de um líder autoritário como Putin é reagir atacando.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Parlamento Europeu aprova associação da Moldova

Por 535 a 94 votos, o Parlamento Europeu aprovou ontem um acordo de associação e de livre comércio com a ex-república soviética da Moldova. O acordo cobre todo o território do país, inclusive a região da Transnístria, onde há um movimento separatista apoiado pela Rússia.

Ao aprovar a associação, o Parlamento Europeu pediu à União Europeia que trabalhe ativamente para resolver a questão da Transnístria. Antes de entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos 28 países do bloco europeu.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Azerbaijão derruba helicóptero militar da Armênia

A defesa antiaérea do Azerbaijão abateu hoje um helicóptero Mi-24 da Armênia, matando as três pessoas que estavam a bordo. O governo azerbaijano alegou que o helicóptero tinha invadido seu espaço aéreo e estava atacando posições militares. A Armênia negou, afirmando que o aparelho não estava armado.

Os dois países, ex-repúblicas da União Soviética, travaram uma guerra pelo controle da região de Nagorno Karabakh que terminou com um cessar-fogo em 1994, mas nunca houve um acordo de paz definitivo. De tempos em tempos, incidentes militares como esse ameaça reiniciar o conflito armado.

Na origem do conflito, estão as manipulações do ditador soviético Josef Stalin, que foi comissário das nacionalidades no início dos anos 1920s, quando foi criada a URSS. Em 1923, Stalin anexou a "região autônoma de Nagorno-Karabakh" ao Azerbaijão, apesar da maioria da população ser armênia.

Quando o último líder comunista soviético, Mikhail Gorbachev, lançou a glasnost (abertura política) e a perestroika (reestruturação econômica), os conflitos nacionalistas ressurgiram na URSS, inclusive em Nagorno-Karabakh. Depois que o parlamento regional decidiu se unir à Armênia, em 1988, começou a guerra, que durou até maio de 1994.

De acordo com Thomas de Waal, autor de um livro sobre a guerra, pelo menos 6 mil armênios e 20 mil azerbaijanos foram mortos no conflito.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Popularidade de Putin cai

Pela primeira vez desde o início do ano, a popularidade do presidente da Rússia, Vladimir Putin, está em queda, indica uma pesquisa do Centro Levada noticiada ontem pelo jornal The Moscow Times. Se houvesse uma eleição presidencial hoje no país, só 49% votariam em Putin, contra 57% em agosto.

A popularidade de Putin cresceu no início do ano com a crise na Ucrânia e a anexação da Crimeia, apresentada na propaganda oficial como uma defesa de russos que supostamente estariam sendo perseguidos na ex-república soviética.

Putin domina a política russa desde o ano 2000, quando foi eleito presidente pela primeira vez. De 2008 a 2012, ele passou a Presidência para Dimitri Medvedev e foi primeiro-ministro.

Com a intervenção militar na Ucrânia e a imposição de sanções pelos Estados Unidos e a Europa, seu governo está se tornando cada vez mais nacionalista e linha dura. Reprime a oposição interna e tenta se afastar de quaisquer valores e influências ocidentais.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Geórgia e Moldova vão fazer acordos com UE

Um dia depois da Moldova, outra ex-república soviética assediada por Vladimir Putin, a Geórgia, anunciou hoje que deve assinar um acordo de associação com a União Europeia em 27 de junho.

A Moldova assina na mesma data. São reações à intervenção militar da Rússia na Ucrânia, primeiro para anexar a península da Crimeia e depois para desestabilizar o Leste do país, onde grande parte da população fala russo.

domingo, 11 de maio de 2014

Moldova apreende listas de quem pede intervenção russa

A ex-república soviética da Moldova confiscou uma série de caixas com listas de assinaturas de residentes da Transnístria que querem uma intervenção militar de Moscou para que a região seja anexada à Rússia.

As caixas estavam em Quixinau, a capital da Moldova (antiga Moldávia), a bordo de um avião russo que levava o vice-primeiro-ministro Dimitri Rogozin, depois de uma visita à região separatista para festejar o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, na última sexta-feira.

Tanto a Romênia quanto a Ucrânia proibiram a passagem do avião de Rogozin por seus espaços aéreos.

Até hoje, nenhuma ex-república soviética conseguiu se libertar totalmente do jugo do Kremlin. A Ucrânia faz sua segunda revolução e está sob virtual intervenção militar da Rússia.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Transnístria pede reconhecimento à Rússia

Diante da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, a Transnístria, uma região de maioria russa da ex-república soviética da Moldova, pediu às autoridades do Kremlin o reconhecimento de sua independência.

A esperança é que o presidente Vladimir Putin lance uma nova operação militar a pretexto de proteger os russos, como está fazendo na Ucrânia sem admitir publicamente, como se a revolta no Leste do país fosse espontânea. A Transnístria fica do outro lado, faz fronteira com o Oeste da Ucrânia, a região mais ocidentalizada. Mais um enclave russo cercaria a Ucrânia.

Ontem, durante conversas telefônicas com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, Putin alegou que "a Ucrânia está à beira da guerra civil".

Ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, o protoditador pediu que condene o governo provisório da Ucrânia por "desrespeitar os direitos e interesses dos russos". Mais um blefe. Tudo de acordo com seu plano de provocar uma reação armada para justificar uma invasão com os 40 mil soldados russos estacionados do outro lado da fronteira.

Até onde vai Putin? No discurso em que justificou a anexação da Crimeia, o protoditador russo lembrou o fim da União Soviética, que descreve como a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Desde então, 25 milhões de russos passaram a ser estrangeiros nos países onde viviam.

Nesta lógica, deveria recriar a URSS. Os russos da Moldova entraram na fila para voltar à pátria-mãe.

domingo, 2 de março de 2014

Ucrânia considera atos da Rússia declaração de guerra

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, considerou hoje que as ações militares da Rússia em território ucraniano são uma "declaração de guerra". Para garantir a soberania, o novo governo ucraniano afastou 18 dos 24 governadores regionais e mobilizou as Forças Armadas, mas têm pouca chance na república autônoma da Crimeia, onde a Rússia mantém soldados na Frota do Mar Negro.

Hoje o comandante da Marinha ucraniana, almirante Denis Berezovski, nomeado sexta-feira pelo presidente interino Olexander Turchinov, declarou lealdade às autoridades pró-Rússia da Crimeia. Foi substituído por Serguei Haiduk.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Anders Fogh Rasmussen, afirmou que "o que a Rússia está fazendo na Ucrânia viola a Carta das Nações Unidas".

Ontem, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu autorização ao Parlamento para usar a força na Ucrânia, que tenta intimidar e submeter para manter sua área de influência sobre as ex-repúblicas da União Soviética.

Em conversa telefônica de uma hora e meia com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o acusou de violar o direito internacional, Putin alegou estar defendendo os interesses nacionais da Rússia e dos ucranianos étnica e culturamente russos.

Os russos são 58% da população da Crimeia; os ucranianos, 25%; e os tártaros, que se opõem ao domínio de Moscou porque foram deportados para a Sibéria pelo ditador soviético Josef Stalin, são 12%.

Obama disse que ações de combate "terão um custo" para Putin. Mas há pouco que possa fazer além de excluir a Rússia do Grupo dos Oito (G-8) e aplicar sanções econômicas de efeito duvidoso dadas as riquezas naturais russas. Os EUA, o Canadá, a França e o Reino Unido anunciaram que não vão à reunião de cúpula prevista para junho em Sóchi, na Rússia, onde foi realizada a Olimpíada de Inverno de 2014.

Em entrevista à televisão americana CNN, o general Wesley Clark, ex-comandante militar da OTAN, comentou que "Putin age como um ditador soviético do século 20, mas é um bilionário do século 21", sugerindo que o homem-forte da Rússia deve ter uma fortuna depositada em bancos internacionais.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Oposição rejeita convite para governar a Ucrânia

Em meio a uma batalha nas ruas de Kiev e outras cidades da ex-república soviética da Ucrânia, a oposição rejeitou o convite feito hoje pelo presidente Viktor Yanukovitch para Arseni Iatseniuk ser primeiro-ministro e Vitali Klitschko ser vice-primeiro-ministro, e exigiu a convocação imediata de uma eleição presidencial antecipada.

Iatseniuk, a político mais popular do país, é do partido da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, presa por corrupção e abuso de poder.

As manifestações começaram há dois meses, quando, sob pressão da Rússia, Yanukovitch abandonou negociações para fazer um acordo comercial com a União Europeia, subordinando ainda mais o país a Moscou.