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quarta-feira, 2 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 2 de Março

CHINA x URSS

    Em 1969, soldados da União Soviética e da República Popular da China trocam tiros na fronteira ao longo do Rio Ussuri, confirmando um cisma entre as duas grandes potências comunistas, o que continuaria até o fim da Guerra Fria, do que se aproveitaram os Estados Unidos para se reaproximar da China e fazer a détente com a URSS, com viagens do assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, e do presidente Richard Nixon. 

quarta-feira, 17 de junho de 2020

China mata 20 soldados da Índia em conflito na fronteira

No primeiro combate fatal entre dois gigantes da Ásia em 45 anos, com barras de ferro, paus e pedras, soldados da China mataram pelo menos 20 militares da Índia no Vale do Rio Galwan, na região do Ladaque, nas montanhas da Cordilheira do Himalaia, na noite de 15 de junho. O jornal linha-dura chinês Global Times disse que houve baixas chinesas. A fronteira é disputada desde que os dois países, hoje potências nucleares, travaram uma guerra em 1962.

O Exército Popular de Libertação da China, braço armado do Partido Comunista, ocupou em abril uma série de postos ao longo da fronteira disputada. Os dois países mandaram tropas e armas pesadas para a região estão frente a frente em três locais . 

Em maio, houve confrontos na Lago Pangong, no Ladaque, e em Naku Ku, no Siquim, um estado do Nordeste da Índia que faz fronteira com o Butão, o Nepal e o Tibete, este último ocupado pela China desde 1950.

A Índia acusa a China de ter ocupado uma área de 40 a 60 quilômetros quadrados de seu território, estimou o general Harcharanjit Singh Panag, ex-comandante do Comando Norte do Exército da Índia.

Depois dos primeiros confrontos, o governo indiano tentou minimizar a importância do conflito. Em 13 de junho, o comandante do Exército da Índia, general Manoj Mukund Naravane, declarou que o diálogo com a China havia sido "muito frutífero". Os choques dois dias depois mostram o contrário.

O regime comunista da China não lamentou o episódio. Acusou a Índia de violar acordos anteriores e de cruzar duas vezes a linha de controle, provocando o ataque.

A causa imediata do conflito atual foi a construção pela Índia de uma estrada que facilita o movimento de tropas e tanques, neutralizando a vantagem logística da China. 

Na década passada, a rivalidade entre os dois países aumentou. Em 2013 e 2014, a China fez incursões em Ladaque. Em 2017, forças dos dois países se colocaram frente a frente num impasse na fronteira do Butão.

Com seu crescente poderio econômico e militar, a China se alinhou aos países do chamado colar de pérolas ao redor da Índia - Paquistão, Nepal, Butão, Bangladesh e Sri Lanka - e aumentou sua presença naval no Oceano Índico.

Em resposta, a Índia formou o Quarteto com os Estados Unidos, com que assinou um acordo de compra de armas de US$ 3,5 bilhões em fevereiro, a Austrália e o Japão, e aumentou a cooperação militar com o Vietnã, vizinho da China.

O choque mortal aponta para uma escalada tática e estratégica no conflito com grandes implicações políticas, diplomáticas, econômicas e militares para os dois gigantes da Ásia, os dois únicos países do mundo com mais de um bilhão de habitantes.

As mortes inflamam o sentimento nacionalista nos dois países em meio à pandemia do novo coronavírus, que começou na China, mas hoje tem muito mais casos confirmados e mortes na Índia.

Para não se dar por vencida, a Índia mandou ontem mais 1,6 mil trabalhadores para continuar as obras de construção da estrada que teria sido o estopim do choque fatal.

Sob a ditadura personalista de Xi Jinping, a China se afirma cada vez mais no cenário internacional, mas tende a refrear seu ímpeto para manter a aparência de ser uma grande potência benigna. Mas, até prova em contrário, isto não existe. Grandes potências exercem o poder, se necessário, à força.

Nesta quarta-feira, o Ministério do Exterior da China declarou que os dois países estão negociando uma solução pacífica para o conflito através de canais diplomáticos e militares, mas advertiu que a Índia, "não pode subestimar a vontade firme da China de salvaguardar sua soberania territorial", noticiou o jornal Global Times, a edição internacional do Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista chinês.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Polícia enfrenta manifestantes na República Democrática do Congo

Pelo terceiro dia seguido, a política enfrentou manifestantes que protestam contra a reforma da lei eleitoral para adiar as eleições previstas para 2016 na República Democrática do Congo, o antigo Congo Belga e ex-Zaire. O governo admite 15 mortes. A oposição fala em muito mais.

Os manifestantes fizeram barricadas de fogo com pneus e atacaram a polícia com pedradas. Em pelo menos um confronto, as forças de segurança teriam reagido com munição real.

A reforma da lei eleitoral foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de janeiro de 2015 e deve ser votada no Senado amanhã, 22 de janeiro.

Doze anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002), que envolveu exércitos de nove países e centenas de grupos irregulares, e causou mais de 5 milhões de mortes violentas, de fome ou doença, o antigo Congo Belga, um país enorme, riquíssimo em recursos mineiros, situado no coração da África, é um dos maiores exemplos de fracasso e subdesenvolvimento no continente.

"O Congo deveria ser um Brasil, um motor da África Subsaariana em energia hidrelétrica, agricultura e mineração", observa Aly-Khan Satchu, analista de investimentos na África.

Na prática, o Congo é o segundo mais país menos desenvolvido do mundo, depois do Níger. É o maior produtor mundial de cobalto e o maior da África de cobre.

O presidente Joseph Kabila está no poder desde 2001, quando morreu seu pai, Laurent Kabila, companheiro de luta da aventura africana de Che Guevara nos anos 1960s, que derrubou o ditador Joseph Mobutu em 1997.

Mobutu Sese Seko, como gostava de ser chamado, tomou o poder em meio a uma guerra civil em que foi preso e assassinado o grande herói da independência do Congo, Patrice Lumumba, em 1961. A história do país, brutalmente explorado pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, no início do século, é uma tragédia atrás da outra.

Um possível candidato de oposição é Moise Katumbi, governador da rica província de Katanga e dono do clube de futebol Mazembe, que derrotou o Internacional no Mundial de Clubes em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Ex-aliado de Kabila, Katumbi é um dos homens mais populares do país e um dos representantes da elite que gostaria de se livrar da dinastia dos Kabila. Em entrevista ao jornal inglês Financial Times na semana passada, ele falou como candidato: "O Congo é o elefante da África. No momento, é um elefante morto. Temos de levantar este para ir em frente."

domingo, 19 de outubro de 2014

Ucrânia mata nove pessoas em bombardeio a Donetsk

Pelo menos quatro civis foram mortos e outros nove saíram feridos ontem de um bombardeio da Ucrânia contra a cidade de Donetsk, tomada por rebeldes apoiados pela Rússia, informou hoje a agência de notícias russa RIA Novosti. O ataque também matou cinco rebeldes e feriu outros 30, acrescentou o comandante militar da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Cerca de 3,7 mil pessoas foram mortas e outras 9 mil feridas desde o início, em abril de 2014, da revolta da população de origem russa no Leste da Ucrânia contra o governo central de Kiev, fomentada pelo Kremlin para manter o controle sobre a ex-república soviética.

Apesar do acordo de cessar-fogo assinado em 5 de setembro, as escaramuças se repetem esporadicamente e a Rússia está ampliando as sanções econômicas em retaliação às impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia.

Os bombardeios tornam a paz e a reconciliação cada vez mais difícil na Ucrânia, onde o novo presidente iniciou um expurgo dos funcionários do antigo governo do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, que renunciou em 22 de fevereiro, durante uma revolta popular em que mais de cem pessoas morreram.

Sob o peso das sanções, a economia russa está estagnada. Dentro do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne grandes economias emergentes, a Rússia deve ficar estagnada ou até ter uma pequena recessão em 2014. É o único país do grupo a crescer menos que o Brasil, que deve avançar apenas 0,3% neste ano.

Moody's rebaixa nota de crédito da Rússia

Por causa da baixa expectativa de crescimento, do conflito com a Ucrânia, das sanções internacionais e da fuga de capital, a agência de classificação de risco Moody's baixou na sexta-feira a nota de crédito da dívida pública da Rússia de Baa2 para Baa1.

 O acordo sobre fornecimento de gás natural da Rússia à Ucrânia, anunciado no mesmo dia, não foi suficiente para mudar a perspectiva de crédito. A Rússia tinha cortado o fornecimento de gás por causa de um pagamento atrasado de US$ 5 bilhões. O presidente ucraniano, Petro Porochenko, declarou ontem que pode usar um empréstimo de emergência negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para salvar a dívida.

Com o rebaixamento, devem aumentar os juros pagos pelo governo e as empresas russas para tomar empréstimos no mercado financeiro internacional.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Primeiro israelense morre em conflito com Hamas

Um israelense que levava suprimentos para o Exército de Israel num posto de fronteira em Erez, perto de Sderot, morreu e um soldado saiu ferido. O total de palestinos mortos passa de 200.

O cessar-fogo proposto ontem pelo Egito foi rejeitado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Durou apenas seis horas. Israel aderiu à trégua às 9h pelo horário local, 3h em Brasília. Depois de 50 ataques de foguetes disparados da Faixa de Gaza, às 15h anunciou o reinício dos bombardeios.

Em seguida, Israel atacou 30 alvos militares, inclusive 20 lançadores de foguetes camuflados pela milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina, aliada do Hamas. No fim do dia, Israel declarou que 125 foguetes e morteiros foram disparados contra o país. Vinte foram interceptados pelo sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro, informou o jornal The New York Times.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

EUA querem mediar trégua entre Israel e Hamas

Em telefonema ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Barack Obama disse que os Estados Unidos estão prontos a negociar um cessar-fogo entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), alvo de uma campanha aérea israelense na Faixa de Gaza, de onde dispara foguetes contra o território israelense.

Mais de 80 palestinos foram mortos no conflito. O Hamas e a Jihad Islâmica dispararam nos últimos dias mais de 500 foguetes contra Israel, que acionou o sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro. Há dezenas de feridos, mas nenhum israelense morreu.

O primeiro-ministro linha-dura de Israel tem divergências com o presidente americano sobre o processo de paz no Oriente Médio. Para discutir a crise, Netanyahu ligou para a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel; o presidente da França, François Hollande; o primeiro-ministro britânico, David Cameron; e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon. Não tinha falado com Obama.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ucrânia prorroga cessar-fogo por mais 72 horas

O novo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, estendeu hoje por 72 horas um cessar-fogo no conflito com os rebeldes separatistas do Leste do país, que gostariam de anexar a região à Rússia.

A trégua está sendo observada há uma semana pelas forças ucranianas e desde segunda-feira pelos separatistas. À tarde, os rebeldes aceitaram prorrogar o cessar-fogo até o dia 30 de junho de 2014.

sábado, 31 de maio de 2014

Líder checheno nega ter enviado soldados à Ucrânia

O presidente da república autônoma da Chechênia, Ramzan Kadirov, negou hoje ter enviado soldados ao Leste da Ucrânia, onde rebeldes separatistas apoiados pelo Kremlin luta para se anexar à Federação Russa. Mas admitiu que eles podem ter ido por conta própria e alegou não poder impedir isso.

Para o líder rebelde da cidade ucraniana de Donetsk, eles são "voluntários russos". Kadirov declarou que enviaria soldados, se o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o pedisse.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ucrânia mata 40 para retomar aeroporto de Donetsk

O Exército da Ucrânia realizou uma ofensiva para retomar o aeroporto de Donetsk, no Leste do país, ocupado por separatistas aliados à Rússia. Pelo menos 40 pessoas foram mortas.

Na madrugada desta terça-feira, um dos líderes separatistas da cidade, Pavel Gubarev, escreveu no Facebook que uma granada disparada por foguete atingiu um caminhão que transportava rebeldes depois da batalha do aeroporto. O prefeito de Donetsk, Olexander Lukiachenko, disse que há 40 mortos e 43 feridos.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) perdeu contato com sua equipe de observadores.

domingo, 20 de abril de 2014

Papa pede paz na Síria, Ucrânia, Venezuela, Nigéria e Iraque

No sermão da missa do domingo de Páscoa no Vaticano, o papa Francisco pediu paz, reconciliação e orações pelos povos em guerra, citando especificamente a Síria, a República Centro-Africana, a Ucrânia, a Venezuela, a Nigéria e o Iraque.

O papa também fez um apelo a árabes e israelenses para que retomem as negociações sobre a paz no Oriente Médio.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ucrânia denuncia invasão de 30 mil russos

A Guarda de Fronteira da Ucrânia denunciou hoje que a Rússia já enviou 30 mil soldados à região ucraniana da Crimeia, onde a assembleia regional convocou um referendo para deixar a Ucrânia e se integrar à Rússia para 16 de março de 2014.

Hoje, pela segunda vez, milicianos armados, provavelmente ligados do Ministério do Interior da Rússia, impediram a entrada na Crimeia de uma missão da Organização sobre Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), criada para fiscalizar os acordos de Helsinque, de 1975.

Em resposta aos Estados Unidos, o presidente Vladimir Putin pediu ao presidente Barack Obama que "não sacrifique as relações russo-americanas" por causa da Ucrânia, mas alegou não poder ignorar os apelos dos russos da Crimeia. Obama declarou que o referendo viola o direito internacional.

O referendo dá como alternativas a integração à Federação Russa ao maior autonomia à Crimeia. Não há possibilidade de manutenção da Crimeia sob controle do governo central de Kiev.

Para aumentar a pressão sobre o novo governo de Kiev, nesta sexta-feira, o presidente da empresa estatal russa Gazprom, Alexei Miller, ameaçou cortar o suprimento de gás natural se a Ucrânia não pagar uma dívida de US$ 1,89 bilhão, cerca de R$ 4,4 bilhões. A Ucrânia depende do gás russo para geração de energia.

Num país autoritário e fascistoide como a Rússia, sem qualquer tradição democrática, a popularidade do ditadorzinho Putin aumentou para 67% com o conflito, embora o país não tenha nada a ganhar com isso. Se a meta de Putin é criar a União Eurasiana, quem vai querer se associar a uma potência arrogante, prepotente e militarista? 

O novo governo ucraniano ameaça abandonar a Paraolimpíada de Sóchi, que começa hoje. Sob pressão do Comitê Olímpico Internacional (COI), para não ser expulsa do movimento olímpico, a Ucrânia concordou em participar, mas só um atleta ucraniano desfilou na cerimônia de abertura, levando a bandeira ucraniana em sua cadeira de rodas.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Venezuela rompe relações com o Panamá

Em mais um de seus chiliques, o presidente Nicolás Maduro rompeu relações com o Panamá porque o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, provocou um debate sobre a violência política na Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA).

O regime chavista não quer discutir a questão na OEA, uma organização com sede em Washington. Maduro acusou o líder panamenho de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o governo venezuelano.

quarta-feira, 5 de março de 2014

UE oferece ajuda de 11 bilhões de euros à Ucrânia

A União Europeia ofereceu hoje empréstimos de emergência de 11 bilhões de euros (R$ 35 bilhões) para a Ucrânia nos próximos dois anos, anunciou o presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso. Os detalhes devem ser decididos amanhã, durante uma reunião de cúpula da UE.

O enviado especial das Nações Unidas à Ucrânia, Robert Serry, foi ameaçado hoje por homens armados em Simferopol, a capital da região da Ucrânia, informou o subsecretário-geral da ONU, Jan Eliasson.

A Crimeia, uma região ucraniana de maioria russa que tem status de república autônoma, está sob uma virtual intervenção militar da Rússia, que nega, alegando que são grupos de autodefesa locais revoltados com a revolução que derrubou o presidente Viktor Yanukovich.

domingo, 2 de março de 2014

Kerry vai à Ucrânia apoiar governo provisório

Diante da intervenção militar da Rússia na república autônoma da Crimeia, o secretário de Estado americano, John Kerry, vai amanhã a Kiev levar o apoio dos Estados Unidos ao governo provisório da Ucrânia. O ministro do Exterior britânico, William Hague, chegou hoje à capital ucraniana.

Com mais de 6 mil soldados e forças navais da Frota do Mar Negro, militares russos tomaram posições na Crimeia em repúdio à revolução que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, um aliado de Moscou. É uma região onde 58% da população é étnica ou culturalmente russa.

Os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) acusam a Rússia de violar a Carta das Nações Unidas e Memorando de Budapeste, assinado em 1994 com o aval americano e britânico para que a Ucrânia abrisse mão das armas nucleares que herdou da extinta União Soviética, entregando-as ao controle do Kremlin.

Ucrânia considera atos da Rússia declaração de guerra

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, considerou hoje que as ações militares da Rússia em território ucraniano são uma "declaração de guerra". Para garantir a soberania, o novo governo ucraniano afastou 18 dos 24 governadores regionais e mobilizou as Forças Armadas, mas têm pouca chance na república autônoma da Crimeia, onde a Rússia mantém soldados na Frota do Mar Negro.

Hoje o comandante da Marinha ucraniana, almirante Denis Berezovski, nomeado sexta-feira pelo presidente interino Olexander Turchinov, declarou lealdade às autoridades pró-Rússia da Crimeia. Foi substituído por Serguei Haiduk.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Anders Fogh Rasmussen, afirmou que "o que a Rússia está fazendo na Ucrânia viola a Carta das Nações Unidas".

Ontem, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu autorização ao Parlamento para usar a força na Ucrânia, que tenta intimidar e submeter para manter sua área de influência sobre as ex-repúblicas da União Soviética.

Em conversa telefônica de uma hora e meia com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o acusou de violar o direito internacional, Putin alegou estar defendendo os interesses nacionais da Rússia e dos ucranianos étnica e culturamente russos.

Os russos são 58% da população da Crimeia; os ucranianos, 25%; e os tártaros, que se opõem ao domínio de Moscou porque foram deportados para a Sibéria pelo ditador soviético Josef Stalin, são 12%.

Obama disse que ações de combate "terão um custo" para Putin. Mas há pouco que possa fazer além de excluir a Rússia do Grupo dos Oito (G-8) e aplicar sanções econômicas de efeito duvidoso dadas as riquezas naturais russas. Os EUA, o Canadá, a França e o Reino Unido anunciaram que não vão à reunião de cúpula prevista para junho em Sóchi, na Rússia, onde foi realizada a Olimpíada de Inverno de 2014.

Em entrevista à televisão americana CNN, o general Wesley Clark, ex-comandante militar da OTAN, comentou que "Putin age como um ditador soviético do século 20, mas é um bilionário do século 21", sugerindo que o homem-forte da Rússia deve ter uma fortuna depositada em bancos internacionais.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Rússia reforça tropas na Ucrânia

Num desafio à revolução que derrubou o presidente Viktor Yanukovich há uma semana, a Rússia reforçou suas tropas na ex-república soviética da Ucrânia com 2 mil soldados, anunciou hoje a agência de notícias France Presse.

Pelo menos 13 aviões de transporte militar Iliuchin-76 na base aérea russa de Gvardskaia, perto de Simferopol, a capital administrativa da república autônoma da Crimeia, uma região ucraniana de maioria russa. Cada um pode levar até 150 soldados.

Mais cedo, milicianos provavelmente ligados à Rússia ocuparam dois aeroportos da Crimeia, na capital e em Sebastopol, onde fica a base naval da poderosa Frota do Mar Negro, controlada por Moscou.

Com base num acordo feito com o Kremlin por Yanukovich em 2010, estendendo o aluguel da base da Frota do Mar Negro até 2042 com prorrogação automática até 2047, a Rússia tem o direito de estacionar até 25 mil soldados, 388 navios e 161 aviões na Crimeia.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Rússia mobiliza Forças Armadas perto da Ucrânia

Diante da queda de seu aliado Viktor Yanukovitch na Ucrânia e da revolta da população de origem russa na península da Crimeia, o presidente Vladimir Putin resolveu lembrar o mundo de que a Rússia ainda é uma grande potência militar, convocando manobras de treinamento no Oeste e no Centro-Sul do país para intimidar os rebeldes ucranianos e seus aliados ocidentais.

Cerca de 150 mil soldados, 90 aviões, 120 helicópteros, 880 tanques e 1,2 mil blindados e peças de artilharia participarão das manobras militares. O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Choigu, negou qualquer relação com o conflito na ex-república soviética da Ucrânia.

Antes da invadir a ex-república soviética da Geórgia, em 8 de agosto de 2008, a Rússia realizou vários exercícios militares no Norte do Cáucaso. Na Ucrânia, a Rússia já tem militares na Frota do Mar Negro, baseada em Sebastopol.

O secretário de Estado americano, John Kerry, advertiu que qualquer tipo de intervenção militar será inaceitável.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Yanukovitch rejeita impeachment e fala em golpe

Por unanimidade, 328-0, o Parlamento da Ucrânia aprovou hoje o impeachment do presidente Viktor Yanukovitch, responsabilizando pela violência política e as mortes dos últimos dias em confrontos entre manifestantes e a polícia. A próxima eleição presidencial foi antecipada para 25 de maio de 2014.

Apesar do banho de sangue dos últimos dias nas ruas de Kiev, Yanukovitch negou que pretenda renunciar e chamou as decisões da Rada de "golpe".

Além do impeachment, a Rada alterou a Constituição, nomeou um novo primeiro-ministro, aprovou medidas para libertar a ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, inimiga política de Yanukovitch condenada em 2011 a sete anos de prisão por corrupção e abuso de poder.

Em entrevista à televisão, na linha do noticiário da TV estatal russa sobre o conflito, o presidente comparou os acontecimentos recentes à invasão da Ucrânia pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Depois de discutir o assunto com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, e o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, o chanceler da Polônia, Radoslaw Sikorski, afirmou que o novo primeiro-ministro foi eleito legalmente e que não houve nenhum golpe.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Parlamento da Ucrânia liberta Yulia Timochenko

O Parlamento da Ucrânia (Rada) aprovou a libertação da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, condenada por corrupção e abuso de poder a sete anos de prisão. Sua libertação depende agora da assinatura do presidente do Parlamento e do presidente Viktor Yanukovitch, seu maior inimigo político.

Na mesma sessão de emergência, 332 dos 283 deputados presentes votaram a favor da destituição do ministro do Interior, Vitali Zakharchenko, responsável pelas forças de segurança que atacaram os manifestantes matando mais de cem pessoas nos últimos dias, e restauraram a Constituição de 2004, reduzindo os poderes do presidente.

A União Europeia sempre considerou o processo contra Timochenko como político e injusto. Por este motivo, nenhum líder europeu foi à Ucrânia durante a realização da Copa da Europa de seleções, disputada em 2012.

A Joana d'Arc da Revolução Laranja é uma líder carismática e populista que usa tranças amarradas sobre a cabeça no estilo da princesa Lea da série Guerra nas Estrelas.

A Revolução Laranja impediu a eleição fraudulenta de Yanukovitch em 2004, Timochenko foi primeira-ministra ucraniana de 24 de janeiro a 8 de setembro de 2005, sob a presidência de Viktor Yuchenko, seu aliado na revolução, e sob Yanukovitch, de 18 de dezembro de 2007 a 4 de março de 2010, quando perdeu a eleição presidencial e foi deposta da chefia de governo. Em 2011, foi condenada a sete anos de cadeia.

Hoje a polícia se retirou da Praça da Libertação, onde os manifestantes permanecem acampados.