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domingo, 21 de abril de 2019

Comediante judeu é eleito presidente da Ucrânia

Um humorista sem experiência política que pouco tempo atrás representava o presidente em programas de televisão foi eleito presidente da Ucrânia por ampla margem. De acordo com pesquisas de boca de urna, Volodymyr Zelensky teria recebido 73% dos votos contra 25% para o atual presidente, Petro Porochenko.

É uma ascensão extraordinária para o comediante de 41 anos, que anunciou sua candidatura na véspera do Ano Novo. "Prometo nunca trair vocês", declarou Zelensky ao festejar a vitória. Num recado à vizinha Rússia e desafio ao Kremlin, acrescentou: "A todos os países da antiga União Soviética, olhem para nós... Tudo é possível."

Como candidato antissistema, Zelensky se beneficiou do desgaste de Porochenko e da classe política ucraniana, desmoralizada por escândalos de corrupção e pela situação econômica do país depois da Revolução da Praça Maidan, que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, mas provocou uma intervenção militar da Rússia, em fevereiro de 2014.

Por ordem de Moscou, soldados russos da Frota do Mar Negro estacionados em Sebastopol, na Crimeia, tomaram esta península, anexada ilegalmente pela Rússia em março de 2014. Em abril daquele ano, começou uma revolta insuflada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia, causando uma guerra civil em que mais de 10 mil pessoas foram mortas.

A intervenção militar russa na Ucrânia levou os Estados Unidos e a União Europeia a adotarem sanções contra a Rússia, degradando as relações entre o Kremlin e o Ocidente a seu pior período desde o fim da Guerra Fria e da URSS, em 1991.

Zelensky conquistou 30% dos votos no primeiro turno, em 31 de março. Na campanha do segundo turno, Porochenko, um bilionário conhecido como o Rei do Chocolate, tentou sem sucesso apresentar o adversário como inexperiente.

O presidente eleito, a se confirmarem as pesquisas, batizou seu partido como Servidor do Povo, título do programa de TV em que representa um professor honesto combatendo a elite corrupta.

Ele promete acelerar as reformas econômicas e ampliar a integração à UE, mas não indicou como pretende se relacionar com o ditador da Rússia, Vladimir Putin, que age como se a Ucrânia pertencesse historicamente à Rússia.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Igreja Ortodoxa da Ucrânia se separa da Rússia

O patriarca Bartolomeu I, líder espiritual de 300 milhões de fiéis da Igreja Ortodoxa, criou hoje oficialmente em Istambul a Igreja Ortodoxa da Ucrânia, separando-a da Rússia, noticiou a agência Reuters.

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, e o chefe da Igreja Ortodoxa Ucraniana, Epiphanius I, participaram da cerimônia, que formaliza uma ruptura histórica com a Rússia. A Igreja Ortodoxa Russa comparou o acontecimento ao Grande Cisma do Oriente, que dividiu a Cristandade, em 1054, dividindo as igrejas de Roma e de Constantinopla, e rompeu com o Patriarcado de Istambul.

A Rússia e a Ucrânia vivem em estado de guerra desde fevereiro de 2014, quando o Kremlin rejeitou a Revolução da Praça Maidan e a renúncia do presidente Viktor Yanukovich. Em seguida, tropas russas da Frota do Mar Negro tomaram a região da Crimeia, anexada ilegalmente por Moscou no mês seguinte.

Em abril de 2014, iniciou uma guerra civil fomentada pela Rússia no Leste da Ucrânia. Mais de 10 mil pessoas foram mortas neste conflito. Recentemente, a Rússia adotou uma posição mais agressiva, atacando navios ucranianos no Mar de Azov.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Parlamento da Ucrânia aprova lei anticorrupção

Sob pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Parlamento da Ucrânia aprovou hoje uma lei para criar um tribunal independente para julgar os crimes de corrupção no país, noticiou o jornal Financial Times.

A nova lei era uma exigência do FMI para liberar uma ajuda financeira à ex-república soviética no valor de US$ 17,5 bilhões. Mas é também uma aspiração do povo ucraniano, que saiu às ruas em outubro de 2017 para cobrar a abertura de investigações sobre corrupção.

Cerca de 3 mil manifestantes aderiram, criando um clima semelhante ao da Revolução da Praça Maidan, que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, deflagrando a intervenção militar da Rússia, a anexação da Crimeia, em março, e o início, em abril, de uma guerra civil que matou mais de 10 mil pessoas no Leste da Ucrânia e ainda não acabou.

O governo Porochenko não quis ver a história se repetir.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Carro-bomba mata na Ucrânia jornalista crítico de Putin

Ele dirigia um Subaru vermelho num cruzamento do centro de Kiev quando uma explosão abriu violentamente a porta. O motorista foi jogado no banco de trás. O carro começou a andar para trás, enquanto ele tentava escapar das ferragens. Populares o ajudaram a sair momentos antes do veículo explodir em chamas diante de uma lanchonete do McDonald's. Mas os ferimentos foram mortais, reportou o jornal The New York Times.

A bomba estava colocada sob o carro e foi detonada por controle remoto. A explosão deixou uma cratera, uma carcaça e mais uma morte misteriosa de jornalista na antiga União Soviética. Pavel Cheremet nasceu em Minsk, a capital da Bielorrússia em 1971, na era soviética, onde se tornou jornalista.

Preso em 1997 pela ditadura de Alexander Lukachenko depois de assinar a Carta 97, uma manifesto pela democracia, Cheremet foi para a Rússia, onde trabalhou na televisão pública ORT.

Em julho de 2014, depois da anexação da Crimeia e do início da guerra civil fomentada por Moscou no Leste da Ucrânia, Cheremet deixou a ORT alegando que jornalistas que "não seguem o estilo de propaganda do Kremlin" estavam sendo perseguidos.

Cheremet era um grande crítico dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Bielorrússia, Alexander Lukachenko; e da Ucrânia, Petro Porochenko. O governo ucraniano rapidamente acusou o Kremlin.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Presidente do Parlamento é eleito primeiro-ministro da Ucrânia

Depois de semanas de intensa luta política, o presidente do Parlamento da Ucrânia, Volodymyr Groysman, foi eleito hoje primeiro-ministro em substituição a Arseni Yatseniuk, que chefiava o governo há mais de dois anos, desde a revolução da Praça Maidan.

Como Groysman é próximo do presidente Petro Porochenko, sua nomeação representa uma trégua na disputa política em Kiev.

Desde a queda do presidente Viktor Yanukovich, aliado da Rússia, em fevereiro de 2014, Moscou anexou a península da Crimeia e fomentou uma rebelião no Leste da Ucrânia, transformando o país num campo de batalha com sérios prejuízos à economia.

De todos os países do mundo, só a Venezuela deve ter um desempenho econômico pior do que a Ucrânia em 2016.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

EUA e Rússia concordam em manter diálogo, diz chanceler russo

Depois de trocarem acusações na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a guerra civil na Síria, a maior tragédia humanitária hoje no mundo, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, conversaram ontem durante uma hora e meia sem chegar a um acordo, mas os dois países vão manter o diálogo, afirmou hoje o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

Foi o primeiro encontro dos dois líderes depois da anexação ilegal da Crimeia pela Rússia em março de 2014, tema de um violento discurso do presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, contra Putin. O homem-forte da Rússia descreveu a conversa com Obama como "surpreendentemente franca". A Síria e a Ucrânia foram os principais assuntos.

Qualquer ação militar conjunta contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um inimigo comum, é "irrealista", observou Lavrov em entrevista à televisão estatal Russia Today, mas ações em terra ou no ar exigem coordenação.

Em seu discurso, o primeiro em dez anos na Assembleia Geral, Putin tentou apresentar a Rússia como um agente racional. Sua maior preocupação em relação ao Ocidente é negociar o fim das sanções que estão estrangulando a economia russa ao lado da forte queda nos preços do petróleo.

Apesar de ter estacionado 28 aviões de combates, helicópteros e 2 mil soldados numa base da província de Latakia, na opinião de analistas internacionais, a Rússia não deve investir muitos recursos na guerra civil da Síria por causa da crise econômica.

Putin tenta resgatar parte do poder imperial soviético. Conseguiu um encontro de cúpula com o presidente dos EUA que nem de longe lembra o tempo da Guerra Fria. Mas não tem recursos para bancar o jogo contra o Ocidente em todos os tabuleiros, como gostaria.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Oligarca deixa governo regional na Ucrânia

Num sinal de divisão entre os homens mais poderosos da Ucrânia, sob pressão do presidente Petro Porochenko, o magnata Igor Kolomoiski renunciou ao cargo de governador da província de Dniepropetrovsk.

O banco PrivatBank, de Kolomoiski, é acionista minoritário na empresa de geração de energia elétrica Ukrnafta, cercada em 22 de março de 2015 em Kiev por homens armados supostamente leais a ele. Foi uma demonstração de força.

O oligarca estaria cobrando mais participação no governo de Petro Porochenko, outro magnata, que era conhecido como o rei do chocolate antes de ser eleito presidente depois da revolução que derrubou Viktor Yanukovich, aliado da Rússia.

Em resposta, o presidente russo, Vladimir Putin, anexou a região da Crimeia e fomentou uma revolta das populações de origem russa do Leste da Ucrânia com o objetivo de desastabilizar a ex-república soviética.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Nemtsov ia acusar a Rússia pela guerra, diz presidente da Ucrânia

O ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov, um dos princípais líderes da oposição, morto ontem no centro de Moscou, iria denunciar numa grande manifestação neste domingo a intervenção militar da Rússia na Ucrânia, afirmou hoje o presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Porochenko declarou ainda que Nemtsov era um amigo do país e estava interessado em melhorar as relações entre a Rússia e a Ucrânia. Liberal politicamente, o líder da oposição assassinado era um crítico contumaz da volta do autoritarismo imposta pelo presidente russo, Vladimir Putin.

Com o assassinato, as manifestações convocadas para amanhã em Moscou e outras 14 cidades russas serão transformadas num grande funeral de Boris Nemtsov.

As maiores suspeitas recaem sobre o próprio Putin e seu regime. Desde que o atual homem-forte do Kremlin chegou ao poder, em 1999, depois de chefiar o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética, houve vários assassinatos e atentados jamais esclarecidos.

Entre os casos mais notórios, a jornalista defensora dos direitos humanos Anna Politkovskaya foi assassinada no elevador do edifício onde morava, em 7 de abril de 2006, e o ex-agente secreto Alexander Litvinenko foi envenenado em Londres, onde estava exilado, com polônio-210, um elemento altamente radioativo, em 1º de novembro de 2006. Durante três semanas, foi se desfigurando diante das câmaras até morrer.

O preço de fazer oposição a Putin pode ser a morte.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Rebeldes pró-Rússia atacam Mariupol após tomar Debaltsevo

Sem respeitar o cessar-fogo negociado entre Rússia e Ucrânia na semana passada, os rebeldes teleguiados pelo Kremlin tomaram a cidade estratégica de Debaltsevo, no Leste da Ucrânia, e agora avançam em direção do porto de Mariupol, bombardeado hoje. Um dos objetivos pode ser estabelecer uma ligação por terra entre a Rússia e a península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em março de 2014.

Quando foi questionado sobre a violação da trégua, em visita à Hungria, o protoditador russo Vladimir Putin declarou que os combates em Debaltsevo eram esperado e pressionou as forças ucranianas a se render e abandonar a cidade, o que de fato aconteceu.

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, acusou a Rússia de enviar mais tanques a seu país e fez um apelo à sociedade internacional para que envie uma missão de paz ao país. A Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, rejeitou a proposta alegando que viola os termos do cessar-fogo.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Porochenko ameaça decretar lei marcial na Ucrânia

Diante da violência dos combates em Debaltseve a poucos horas do início da trégua acertada em Minsk, à zero hora de domingo, o presidente Petro Porochenko ameaçou hoje decretar lei marcial na Ucrânia, se os rebeldes apoiados pela Rússia não respeitarem o cessar-fogo.

Mais de 5,4 mil pessoas morreram em 10 meses de guerra no Leste da Ucrânia. Depois de um acordo paz firmado em setembro do ano passado, em Minsk, a capital da Bielorrússia, a situação parecia ter se acalmado. Com a crise econômica russa, causada pelas sanções internacionais contra a guerra e a queda nos preços do petróleo, o presidente Vladimir Putin apelou para a guerra para manter sua popularidade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Rússia e Ucrânia acertam cessar-fogo a partir de domingo

Depois de 17 horas de negociações mediadas pela Alemanha e a França em Minsk, na Bielorrússia, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Petro Porochenko, acertaram uma trégua a partir da meia-noite de domingo, 15 de fevereiro de 2015, no conflito entre o governo ucraniano e os rebeldes apoiados pelo Kremlin.

Com a ajuda do presidente francês, François Hollande, e da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, além do cessar-fogo, Putin e Porochenko aceitaram que uma linha demarcatória divida as duas partes em conflito. Uma zona desmilitarizada será criada dos dois lados da linha e as armas pesadas serão retiradas do Leste da Ucrânia.

Este é o acordo, que substitui outro negociado em Minsk em setembro de 2014. Resta ver se desta vez a Rússia vai cumpri-lo.

Há um ano, quando caiu o presidente Viktor Yankovich, aliado de Moscou, não havia nenhum movimento nacionalista russo na Ucrânia. Foi fomentado por Putin para desestabilizar o governo revolucionário da Ucrânia e tentar impedir sua aproximação ao Ocidente.

Em março do ano passado, a Rússia anexou ilegalmente a região da Crimeia, violando as normas e princípios da Carta das Nações Unidas e da paz na Europa desde 1945. Em abril, começou uma revolta no Leste da Ucrânia, onde rebeldes declararam a independência das repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, que na verdade querem ser anexadas à Federação Russa

O Fundo Monetário Internacional anunciou uma ajuda de US$ 17,5 bilhões à Ucrânia, além de US$ 4,5 bilhões já negociados antes, e prometeu uma ajuda total de US$ 40 bilhões nos próximos anos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Russos e rebeldes cercam Debaltseve na Ucrânia

Tropas da Rússia e os rebeldes apoiados pelo Kremlin cercaram hoje a cidade de Debaltseve, no Leste da Ucrânia. A guerra na região recrudesceu desde que os separatistas recapturaram o aeroporto de Donetsk, em 21 de janeiro de 2015. Pelo menos 12 pessoas foram mortas hoje em combate.

Debaltseve é o último reduto ainda sob controle do governo da Ucrânia na região rebelada. As províncias de Donetsk e Luhansk foram declaradas "repúblicas populares" pelos rebeldes depois de referendos rejeitados internacionalmente.

O avanço dos rebeldes fortalece a posição da Rússia para a negociação direta entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Porochenko, na quarta-feira. Putin quer criar zonas desmilitarizadas ao longo de uma linha demarcatória entre as forças de Kiev e os rebeldes. Com a ofensiva em curso apoiada por Moscou, a linha avança dia após dia.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

EUA e Alemanha decidem não enviar armas à Ucrânia

Para não alimentar a guerra, os Estados Unidos e a Alemanha não vão enviar armas à ex-república soviética da Ucrânia, anunciaram há pouco na Casa Branca o presidente Barack Obama e a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel. Às vésperas de uma negociação direita entre o presidente ucraniano, Petro Porochenko, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na quarta-feira, prevaleceu a posição alemã.

Na entrevista coletiva, Merkel insistiu em que, mesmo que haja divergências, a aliança entre EUA e Alemanha não será abalada: "A aliança entre os EUA e a Europa vai continuar de pé, vai continuar sólida, mesmo que em certas questões nem sempre concordemos."

A chanceler alemã prefere uma política de "contenção" como a usada contra a União Soviética durante a Guerra Fria, com sanções econômicas. Hoje o Conselho de Ministros da União Europeia adiou por uma semana a decisão de impor novas sanções à Rússia para dar uma chance à diplomacia na reunião de cúpula russo-ucraniana.

Obama declarou não ter tomado uma decisão e não quis estabelecer limites além dos quais atenderia ao pedido do governo ucraniano por armas. O presidente americano acusou a Rússia de ter violado todas as cláusulas do acordo de paz assinado em Minsk, na Bielorrússia, em setembro de 2014, e reafirmou a decisão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de reforçar sua presença na Europa Oriental.

"Se a diplomacia falhar, tenho de pedir a meus assessores outras opções, mas ainda não tomei a decisão de enviar ajuda letal à Ucrânia", afirmou Obama.

O envio de armas dificilmente neutralizaria a superioridade militar russa sobre a Ucrânia e se encaixaria no discurso oficial do governo Putin de que se trata de uma manobra para isolar e enfraquecer a Rússia, como adverte hoje no jornal The New York Times o cientista político John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago.

Como se trata de um interesse estratégico do Kremlin, argumentar Mearsheimer, a reação de Moscou seria sempre suplantar qualquer ajuda externa à Ucrânia, recorrendo até mesmo às armas nucleares, se considerasse necessário.

A Ucrânia tem pressa, mas seus aliados ocidentais não querem agravar ainda mais o conflito.

sábado, 1 de novembro de 2014

Rebeldes pró-Rússia fazem eleições no Leste da Ucrânia

As autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, realizam eleições neste domingo, 2 de novembro de 2014, uma semana depois das eleições parlamentares no país inteiro, organizadas pelo governo nacional ucraniano, que deram vitória aos partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente. A Rússia - e só a Rússia - vai reconhecer o resultado das eleições dos rebeldes.

O objetivo é consolidar os movimentos separatistas insuflados pelo Kremlin, que lutam desde abril para anexar suas províncias à Federação Russa, a exemplo do que aconteceu com a Península da Crimeia em março, em flagrante desrespeito do governo Vladimir Putin ao direito internacional.

Putin não tem interesse em anexar as partes das províncias de Donetsk e Luhansk ocupadas pelos rebeldes. Quer manter a influência russa sobre toda a ex-república soviética da Ucrânia. Assim, a expectativa é de conflito de longo prazo parcialmente congelado entre a Ucrânia e a Rússia, e a Rússia e o Ocidente, em torno das relações entre as antigas repúblicas da União Soviética.

A crise ucraniana estourou em novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovich suspendeu negociações de associação à União Europeia sob pressão de Putin, criou uma União Eurasiana para tentar resgatar um pouco do poder imperial soviético.

Um movimento de protesto saiu às ruas e tomou a Praça Maidan, no centro da capital, Kiev, gerando um impasse político que Yanukovich tentou resolver trazendo tropas de choque de reuniões de maioria étnica e linguisticamente russas para massacrar os rebeldes, que incluíam o grupo neonazista Setor de Direita.

Em meio ao caos, Yanukovich fugiu para a Rússia, que denunciou a segunda revolução ucraniana contra o jugo de Moscou desde o fim da URSS, em 1991, como um "golpe de Estado". A primeira foi a Revolução Laranja, em 2004, quando uma fraude tentou levar Yanukovich ao poder. Com a divisão entre os líderes da Revolução Laranja, os partidos pró-Rússia o elegeram primeiro-ministro em 2006 e presidente em 2010.

Desde a queda de Yanukovich, a Rússia nega legitimidade às novas autoridades da Ucrânia. Sob a alegação de que se trata de "um novo Estado", Putin ignorou o Memorando de Budapeste, assinado em 1994, para que a Rússia herdasse todo o arsenal nuclear soviético, comprometendo-se em troca a respeitar e defender a integridade territorial da Ucrânia.

Dias depois, no fim de fevereiro, paramilitares aliados à Rússia e soldados russos da base naval de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da antiga URSS, dividida entre os dois países, tomaram o parlamento da supostamente autônoma região da Crimeia, região de maioria étnica russa.

Em 16 de março de 2014, um plebiscito não reconhecido internacional anexou a Crimeia à Federação Russia. Em cerimônia no Kremlin, no dia seguinte, Putin formalizou uma anexação proibida pela Carta da ONU, violando os princípios do direito internacional que proibem a guerra de conquista e a mudança de fronteiras pela força.

Como ninguém vai entrar numa guerra nuclear com a Rússia para resgatar a Crimeia, a sociedade internacional aceitou passivamente. No início de abril, foram as regiões de maioria russa do Vale do Rio Don que começaram a lutar pela independência com o apoio de Moscou. Em maio, houve plebiscitos não reconhecidos internacionalmente para criar as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk. Os resultados oficiais deram 89% a favor da independência nas duas repúblicas.

Também em maio, o magnata Petro Porochenko, conhecido como o rei do chocolate, foi eleito presidente e decidiu lançar uma operação militar para retomar os territórios ocupados, sem sucesso. Mais de 3,6 mil pessoas morreram na guerra civil ucraniana desde então, sem que o governo de Kiev conseguisse restabelecer o controle sobre as áreas ocupadas pelo rebeldes apoiados pelo Kremlin.

Em 17 de julho, um míssil derrubou um voo Amsterdã-Kuala Lumpur da companhia aérea Malaysia Airlines, matando todas as 298 pessoas a bordo. A Rússia e a Ucrânia se acusaram pelo ataque ao avião de passageiros. Gravações pirateadas por serviços ocidentais supostamente revelam contatos entre rebeldes, que pensavam ter abatido um avião de transporte militar ucraniano, e militares russos.

O resultado preliminar do inquérito, realizado pela Holanda, concluiu que o avião foi abatido por um míssil, sem apontar responsáveis. A conclusão final deve ser apresentada em meados de 2015. Com esse prazo dilatado pululam teorias conspiratórias. O governo Putin insiste em que o Boeing foi abatido por aviões de caça da Ucrânia.

Quando o avião caiu, a televisão estatal Russia Today chegou a dizer que o alvo era o avião de Putin, que voltava de uma reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Brasil. Depois a mídia governista inventou toda a sorte de teorias conspiratórias, inclusive que se tratava do Boeing da Malásia que desaparecera meses antes no Oceano Índico quando fazia a rota Kuala Lumper-Beijim.

A expectativa para amanhã é de vitória dos atuais primeiros-ministros interinos de Donetsk, Alexander Zakharchenko, e de Luhansk, Igor Plotnitsky.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Presidente da Ucrânia denuncia invasão russa

O presidente Petro Porochenko acusou hoje a Rússia de invadir a Ucrânia e tomar a cidade fronteiriça de Novoazovsk numa "situação que se deteriora rapidamente" com "tropas russas levadas" para território ucraniano. Ele suspendeu uma viagem à Turquia e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional.

"Mais de mil soldados russos estão operando dentro da Ucrânia. Eles apoiam os separatistas e lutam ao lado deles", declarou um oficial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Moscou nega qualquer envolvimento no conflito.

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, fez um apelo aos Estados Unidos, à União Europeia e aos países ricos do Grupo dos Sete para que "congelem os bens e ativos russos até que a Rússia retire suas forças, equipamentos militares e agentes" do território ucraniano.

Desde o início de abril, mais de 2,2 mil pessoas morreram na guerra insuflada pelo Kremlin para manter a influência da Rússia sobre a ex-república soviética da Ucrânia. O governo de Kiev insiste em que Moscou envia soldados e equipamentos militares em apoio à rebelião. E o líder separatista Alexander Zakharchenko, primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, afirmou que pelo menos 3 mil russos lutam a seu lado.

Porochenko se encontrou ontem com o homem-forte da Rússia, Vladimir Putin, em Minsk, capital da Bielorrússia, sem qualquer resultado prático. O protoditador do Kremlin insiste em seu projeto de restaurar pelo menos parte do poder imperial da extinta União Soviética. A Ucrânia é uma peça-chave desse delírio de grandeza.

Em março, a Rússia anexou a península da Crimeia, atropelando o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, que proíbem a guerra de conquista. Em abril, começou a revolta em regiões da Ucrânia onde os russos étnicos são maioria. Como os rebeldes foram incapazes de sustentar as posições conquistadas e Putin não aceita a derrota, a Rússia resolveu intervir com mais decisão, embora de modo dissimulado, negando sempre qualquer envolvimento.

O Conselho de Segurança da ONU discute a guerra da Rússia contra a Ucrânia na tarde de hoje, em Nova York.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ucrânia divulga vídeo de soldados russos presos

Para sustentar o argumento de que é alvo de uma intervenção militar, o governo da Ucrânia divulgou hoje um vídeo com imagens de 10 paraquedistas da Rússia capturados a cerca de 50 quilômetros a sudeste da cidade de Donetsk, tomada por separatistas apoiados pelo Kremlin.

O Ministério da Defesa da Rússia alegou que os soldados cruzaram a fronteira acidentalmente.

Hoje, os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Porochenko, se encontraram em Minsky, na Bielorrússia, com o ditador local, Alexander Lukachenko, numa rara oportunidade para discutir a crise cara a cara.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ucrânia dissolve Parlamento e antecipa eleições

Sob uma intervenção mais ou menos camuflada da Rússia, o presidente Petro Porochenko assinou um decreto hoje para dissolver o Parlamento da Ucrânia e convocar eleições legislativas antecipadas para 26 de outubro de 2014.

O governo central de Kiev obteve ganhos recentes no Leste do país, onde desde abril uma rebelião insuflada pelo Kremlin tenta anexar mais uma pedaço da Ucrânia à Federação Russa, mas não conseguiu retomar as cidades de Donetsk e Luhansk, ainda em poder dos separatistas, que acabam de receber 280 caminhões com "ajuda humanitária" da Rússia.

Nesta terça-feira, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Ucrânia, Petro Porochenko; e da Bielorrússia, Alexander Lukachenko; se reúnem em Minsk, a capital bielorrússia. Será uma chance para Putin e Porochenko discutirem a questão cara a cara.

Desde que um míssil derrubou um avião de passageiros, Moscou perdeu a iniciativa política no confronto com a Ucrânia. Agora, tenta reforçar sua posição para as negociações.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ucrânia só declara trégua se rebeldes baixarem armas

O governo da Ucrânia não vai declarar um novo cessar-fogo no Leste do país se os rebeldes étnica e linguisticamente russos não entregarem as armas, advertiu hoje o ministro da Defesa ucraniano Valeriy Geletey. É uma exigência do presidente Petro Porochenko.

A declaração foi feita depois da retirada dos rebeldes da cidade de Sloviansk. Como observa a consultoria de estudos estratégicos americana Stratfor, é uma aparente perda para a Rússia, mas, na verdade, é apenas mais uma batalha de uma longa luta.

Em 11 de julho de 2014, a Ucrânia, a Rússia e a União Europeia começam a negociar a implementação de um acordo UE-Ucrânia que está na raiz do descontentamento russo, ao ver uma ex-república soviética se aproximar do Ocidente. Amanhã, a ministra do Exterior da Itália, Federica Mogherini, vai a Moscou dizer que um acordo político é essencial para resolver a crise na Ucrânia.

O movimento separatista só vai entregar as armas quando o Kremlin entender que não precisa mais dos rebeldes para pressionar o governo de Kiev.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ucrânia reinicia operações militares

Depois de um cessar-fogo de dez dias, por ordem do presidente Petro Porochenko, o Exército da Ucrânia retomou hoje as operações militares para restaurar a "integridade territorial do país".

Desde a madrugada, forças ucranianas atacaram bases e redutos dos rebeldes que tentam anexar o Leste do país à Federação Russa, informou o presidente do Parlamento, Olexander Turchinov. A ofensiva foi anunciada dias depois que o presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao Conselho da Federação que anulasse uma autorização para enviar tropas à Ucrânia.

Mais de 400 pessoas foram mortas desde o início do conflito no Leste da Ucrânia, no início de abril de 2014. Os rebeldes teriam aproveitado a trégua para atacar a infraestrutura do país e proteger seus redutos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ucrânia prorroga cessar-fogo por mais 72 horas

O novo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, estendeu hoje por 72 horas um cessar-fogo no conflito com os rebeldes separatistas do Leste do país, que gostariam de anexar a região à Rússia.

A trégua está sendo observada há uma semana pelas forças ucranianas e desde segunda-feira pelos separatistas. À tarde, os rebeldes aceitaram prorrogar o cessar-fogo até o dia 30 de junho de 2014.