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sábado, 5 de janeiro de 2019

Igreja Ortodoxa da Ucrânia se separa da Rússia

O patriarca Bartolomeu I, líder espiritual de 300 milhões de fiéis da Igreja Ortodoxa, criou hoje oficialmente em Istambul a Igreja Ortodoxa da Ucrânia, separando-a da Rússia, noticiou a agência Reuters.

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, e o chefe da Igreja Ortodoxa Ucraniana, Epiphanius I, participaram da cerimônia, que formaliza uma ruptura histórica com a Rússia. A Igreja Ortodoxa Russa comparou o acontecimento ao Grande Cisma do Oriente, que dividiu a Cristandade, em 1054, dividindo as igrejas de Roma e de Constantinopla, e rompeu com o Patriarcado de Istambul.

A Rússia e a Ucrânia vivem em estado de guerra desde fevereiro de 2014, quando o Kremlin rejeitou a Revolução da Praça Maidan e a renúncia do presidente Viktor Yanukovich. Em seguida, tropas russas da Frota do Mar Negro tomaram a região da Crimeia, anexada ilegalmente por Moscou no mês seguinte.

Em abril de 2014, iniciou uma guerra civil fomentada pela Rússia no Leste da Ucrânia. Mais de 10 mil pessoas foram mortas neste conflito. Recentemente, a Rússia adotou uma posição mais agressiva, atacando navios ucranianos no Mar de Azov.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Papa admite uso de anticoncepcionais em áreas infestadas pela zika

Durante viagem de volta do México para Roma, o papa Francisco admitiu o uso de métodos anticoncepcionais em regiões infestadas pelo vírus da zika. A declaração reabre o debate sobre a proibição da Igreja Católica de uso da camisinha para impedir a transmissão da aids (síndrome de deficiência imunológica adquirida).

O papa também criticou o bilionário Donald Trump, aspirante à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016, dizendo que "ele não é cristão" se pretende erguer um muro na fronteira sul para barrar o acesso ilegal de mexicanos ao país.

"Uma pessoa que só pensa em construir muros, onde quer que seja, e não em construir pontes não é cristã", declarou Francisco em vídeo divulgado pelo jornal The New York Times.

Sem perder a arrogância nem fazer qualquer gesto de humildade, Trump considerou a declaração do papa "uma desgraça".

No final de uma viagem histórica de seis dias ao México e a Cuba, onde esteve com o patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, num encontro inédito quase mil anos depois do Cisma do Oriente, o papa discordou de seus predecessores ao dar liberdade a parlamentares católicos para votar a favor da união civil e do casamento de pessoas do mesmo sexo.

Em 2003, um documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, na época dirigida pelo cardel Joseph Ratzinger, que viria a ser o papa Bento XVI, proibia legisladores católicos de votar a favor da união civil e do casamento gay.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Papa encontra em Cuba o patriarca da Igreja Ortodoxa

Quase mil anos depois do Cisma do Oriente, os líderes das duas principais igrejas cristãs, o papa Francisco, da Igreja Católica Apostólica Romana, e o patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa da Rússia, se encontraram hoje no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana.

Depois de uma reunião de duas horas, o papa e o patriarca divulgaram uma declaração de 30 pontos. Eles pediram a união de todos os cristãos e fizeram um apelo às potências internacionais para que acabem com a perseguição aos cristãos na África e no Oriente Médio por grupos extremistas muçulmanos como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A organização não governamental americana OpenDoorsUSA (PortasAbertasEUA) estima que 7,1 mil cristãos foram mortos por motivos religiosos em 2015, 3 mil a mais do que no ano anterior.

Cuba foi escolhida por ser neutra, ter uma longa tradição católica e fortes laços com a Rússia do tempo da Guerra Fria. O papa Francisco foi um mediador importante nas negociações secretas que levaram ao reatamento entre Cuba e os Estados Unidos.

Por causa da proximidade entre a Igreja Ortodoxa Russa e o governo ditatorial de Vladimir Putin, o papa está sendo criticado por legitimar a intervenção militar da Rússia na guerra civil da Síria sob o pretexto de combater o terrorismo. Na prática, Putin está sustentando o aliado Bachar Assad, que já fala em vitória militar e é o maior responsável pela guerra que em quase cinco matou mais de 260 mil pessoas.

"A luta contra o terrorismo é uma batalha sagrada e hoje nosso país talvez seja a força mais ativa combatendo-o hoje no mundo", declarou Vsevolod Chaplin, ex-porta-voz da Igreja Ortodoxa, enquanto o papa Francisco pediu uma solução pacífica para os conflitos no Iraque e na Síria: "A comunidade internacional parece incapaz de encontrar soluções adequadas enquanto os vendedores de armas continuam a atingir seus objetivos."

Para o diretor do Centro de Pesquisa Histórica da Ucrânia da Universidade de Alberta, no Canadá, Frank Synsyn, "entendo a preocupação do papa com o Oriente Médio, mas de resto o momento é muito ruim. Definitivamente, dá credibilidade às ações de Putin na Síria."

O Cisma do Oriente aconteceu em 1054, quando a Igreja Católica Apostólica Romana rompeu com a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, na época com sede em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia.

A origem das divergências está na divisão do Império Romano em 395 entre o Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla. Com a queda do Império do Ocidente para os bárbaros em 476, a Igreja de Roma passou a ser mais influenciada pelos povos germânicos, enquanto a Igreja de Constantinopla se considerava a legítima herdeira da tradição grego-romana.

As divergências eram em torno da natureza do Espírito Santo, se o pão na eucaristia deveria ser fermentado ou não, o celibato dos padres e a primazia jurídica e pastoral do papa. A Igreja Ortodoxa negou-se a se submeter ao papa. Em 1054, os líderes das duas igrejas se excomungaram mutuamente.

Com o Massacre dos Latinos em 1182 em Constantinopla, a capital do Império Bizantino, a vingança dos ocidentais em Tessalônica em 1185 e o cerco e saque de Constantinopla na Quarta Cruzada, em 1204, a reconciliação tornou-se impossível.

Até hoje, os gregos, seguidores da Igreja Ortodoxa culpam os cruzados pela decadência do Império  Bizantino e sua queda ante o Império Otomano, em 29 de maio de 1453, marco do fim da Idade Média.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Rússia condena banda punk Pussy Riot por arruaça

Num dos processos mais discutidos dos últimos tempos, apesar dos protestos internacionais, a Justiça da Rússia condenou hoje a dois anos de prisão por arruaça e ódio religioso as integrantes da banda punk feminina Pussy Riots.

As três músicas foram denunciadas por gravar um videoclip na catedral de Moscou em atitude irreverente e desrespeitosa para criticar o apoio da Igreja Ortodoxa Russa ao presidente Vladimir Putin, que consideram um ditador. Na canção, elas pedem à Virgem Maria que as livre de Putin.

O julgamento é considerado um teste para a tolerância de Putin, que, como todo líder autoritário, costuma apontar a ameaça inimigos externos diante de qualquer movimento de oposição. Pelo menos 20 pessoas que protestavam diante do tribunal foram presas, inclusive o ex-campeão mundial de xadrez Garry Gasparov.