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domingo, 27 de setembro de 2026

Encontro de cúpula entre Xi e Trump não tem grandes avanços

O presidente Donald Trump estendeu o tapete vermelho para o ditador chinês, Xi Jinping, foi buscá-lo no aeroporto e proclamou uma "grande e verdadeira amizade" entre os dois líderes das superpotência. Mas o encontro de cúpula entre China e Estados Unidos realizado em 23 e 24 de setembro em Washington teve poucos resultados concretos.

Houve uma extensão de dois meses na trégua na guerra comercial deflagrada por Trump no ano passado, um período muito curto, aquém da expectativa, promessas de manter o diálogo sobre inteligência artificial e nenhuma novidade em relação a Taiwan e às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. A China enviou dois ursos pandas-gigantes para o Jardim Zoológico de Atlanta, na Geórgia.

O grande desafio das relações internacionais neste século é acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA para evitar que caiam na Armadilha de Tucídides, o risco de guerra entre grandes potências em momentos de transição hegemônica. 

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domingo, 13 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 30 de abril de 1803, no governo Thomas Jefferson, por US$ 15 milhões. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos EUA e da Revolução Francesa.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de novembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isso leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel é atacado e não retalia para manter a unidade da aliança liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque de Saddam Hussein.

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. 

Bibi Netanyahu perde as eleições de 1999 e o primeiro-ministro Ehud Barak tenta negociar um acordo definitivo no fim do governo Bill Clinton, no ano 2000, mas Arafat rejeita a proposta apostando que um governo republicano seria menos a favor de Israel.

Barak é sucedido em 2001 pelo linha-dura Ariel Sharon, o general mais violento da história de Israel, que entende a necessidade de negociar a paz para acabar com a guerra. Sharon sai do Likud, funda o partido Kadima (Avante) e retira as colônias israelenses da Faixa de Gaza, mas sofre um acidente vascular cerebral que o inabilita. É sucedido em 2006 por Ehud Olmert, do mesmo partido, que cai num escândalo de corrupção em 2009, quando Netanyahu volta ao poder.

Desde então, Bibi domina a política israelense. Mesmo no breve período em que Netanyahu não lidera o governo, as negociações com os palestinos não avançam. O ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que sempre boicotou o processo de paz, agrava ainda mais a situação. 

No momento, colonos israelenses atacam palestinos na Cisjordânia com a cumplicidade do governo na expectativa de provocar uma reação capaz de levar à vitória da extrema direita nas eleições de 27 de outubro. 

O ministro da Segurança Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que já foi chamado de nazista na Knesset, o parlamento de Israel, condiciona o apoio a um futuro governo à adoção de uma política de "emigração voluntária" dos palestinos da Faixa de Gaza.

Desde as guerras entre países árabes e Israel, a paz nunca esteve tão distante. A alternativa é esta guerra sem fim. 

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Guerra contra Irã muda geopolítica do Oriente Médio

Depois de seis meses e mais de 10 mil mortes, a guerra que os Estados Unidos e Israel esperavam vencer em semanas se arrasta sem expectativa de paz, o Estreito de Ormuz continua fechado e o petróleo está perto de US$ 100 por barril. Para o regime fundamentalista iraniano, a sobrevivência é uma vitória.


Se o principal objetivo dos EUA e da Israel era derrubar o regime iraniano, ele está mais forte e a linha-dura está mais decidida do que nunca de que desenvolver armas nucleares é grande garantia de sobrevivência.

Com a derrota política, os EUA e Israel não atingiram nenhum de seus objetivos, e o impacto da guerra, inclusive sobre a inflação, o presidente Donald Trump deve perder pelo menos a maioria na Câmara nas eleições de 3 de novembro. E o governo de extrema direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deve cair nas eleições previstas para 27 de outubro.

Ao mesmo tempo, três potências médias autoritárias aliadas dos EUA, Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, formaram uma aliança, num sinal de que não confiam mais em Washington para garantir sua proteção.

Mas o grande derrotado é o povo iraniano, massacrado pelo regime no início do ano, bombardeado pelos EUA e Israel, e vítima de uma ditadura ainda mais radical.

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Trump vai à China fragilizado pelo fracasso no Irã

Diante do fracasso na guerra contra o Irã, o presidente Donald Trump chega nesta quinta-feira a Beijim para discutir com o ditador Xi Jinping a relação bilateral mais importante do mundo, entre os Estados Unidos e a China, enfraquecido por não conseguir impor sua vontade à força a um país muito mais pobre economicamente e fraco militarmente.

A China foi o único país que reagiu à altura quando Trump aplicou seu tarifaço numa guerra comercial contra quase todo o mundo, inclusive ilhas só habitadas por focas e pinguins. Segunda maior economia do mundo e maior potência industrial, com 36% da produção manufatureira, a China controla setores estratégicos como os elementos conhecidos como terras raras.

O presidente dos EUA tem todo o interesse em acabar com a guerra no Oriente Médio, que pesa na inflação e torna cada vez mais provável a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro deste ano. Já o Irã tem interesse em prolongar o impasse nas negociações para infligir uma derrota humilhante a Trump.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump busca acordo para dar à derrota aparência de vitória

Depois de vários ultimatos sem consequências, o presidente Donald Trump se rendeu à realidade e admitiu que não tem condições de decidir quando termina a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No momento há uma trégua, uma guerra econômica em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, sem perspectivas de paz.

Trump perdeu a guerra, no sentido de que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, mas quer sair cantando vitória. O regime teocrático iraniano não caiu e está mais determinado do que nunca a fazer armas nucleares. O Irã ainda tem a metade de seu arsenal de mísseis e as milícias aliadas no Oriente Médio resistem.

A guerra elevou os preços internacionais do petróleo para um patamar de mais de US$ 100 por barril com forte impacto sobre a economia mundial, especialmente para os países em desenvolvimento da África e da Ásia. Além do petróleo e do gás natural, passam pelo Estreito de Ormuz fertilizantes e outros produtos essenciais. Mais de 700 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Com esta guerra, outras 45 milhões devem ter fome aguda.
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sábado, 28 de fevereiro de 2026

EUA e Israel bombardeiam Irã para derrubar o regime

 Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.

A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã. 

Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.

O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.

Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa. 

Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle. 

Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil. 

De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam. 

Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.

Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.

Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018. 

No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio. 

Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.

A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.

Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.

A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.

Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.

Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.

A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Doutrina Trump quer impor suas políticas ao mundo

A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, anunciada na semana passada, abandona 80 anos de política externa baseada em alianças e num sistema internacional multilateral e consolida as ideias e visões de mundo do presidente Donald Trump.
A Doutrina Trump quer conciliar a hegemonia dos EUA com um recuo dos compromissos internacionais que o país assumiu desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o que é impossível. É uma regressão à Era dos Impérios, a um mundo dividido em esferas de influência das superpotências militares: EUA, China e Rússia.

Em 29 páginas, o documento traz uma lista de desejos, exalta a supremacia dos EUA e cita os instrumentos que o país tem para atingir seus objetivos. Divide o mundo em cinco regiões: América, Ásia, Europa, Oriente Médio e África.

Enquanto na Ásia Trump espera que os países atuem como aliados voluntários de uma ampla aliança informal para conter a China, na Europa e na América, exige uma submissão total aos interesses econômicos e militares dos EUA.

Há um desprezo pela Europa, descrita como uma civilização decadente sob ameaça de extinção, assolada pela imigração de povos não europeus. Isso significa que imigrantes não brancos corrompem os valores das sociedades ocidentais. Este racismo explícito é uma das raízes do trumpismo, causado pelo medo de que em algumas décadas os brancos de origem europeia deixem de ser maioria nos EUA.

Só três parágrafos são dedicados à África, desprezada e discriminada por esta visão racista. À noite, em comício na Pensilvânia em que deveria exaltar a superioridade de sua economia, Trump voltou a se referir a países africanos como "buracos de merda", uma semana depois de chamar os somalianos norte-americanos de "lixo".

Na América Latina, a proposta é resgatar a Doutrina Monroe, enunciada no início do século 19 para evitar intervenções militares europeias e tentativa de recolonizar países do continente. Os objetivos são combater o tráfico de drogas, a imigração ilegal e a crescente influência da China. Mas não diz como pretende fazer isso numa região em que a China é a maior parceira comercial da maioria dos países.

O Corolário Trump da Doutrina Monroe não é doutrina nem estratégia, mas vai aumentar a presença militar dos EUA na América Latina.

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sábado, 13 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

 BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 1804. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de novembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isto leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel é atacado e não retalia para manter a unidade da aliança contra o Iraque de Saddam Hussein, liderada pelos Estados Unidos,

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. Bibi Netanyahu perde as eleições de 1999 e Ehud Barak tenta negociar um acordo definitivo no fim do governo Bill Clinton, no ano 2000, mas Arafat rejeita a proposta apostando que um governo republicano seria menos a favor de Israel.

Barak é sucedido em 2001 pelo linha-dura Ariel Sharon, o general mais violento da história de Israel, que entende a necessidade de negociar a paz para acabar com a guerra. Sharon sai do Likud, funda o partido Kadima (Avante) e retira as colônias israelenses da Faixa de Gaza, mas sofre um acidente vascular cerebral que o inabilita. É sucedido em 2006 por Ehud Olmert, do mesmo partido, que cai num escândalo de corrupção em 2009, quando Netanyahu volta ao poder.

Desde então, Bibi domina a política israelense. Mesmo no breve período em que Netanyahu não lidera o governo, as negociações com os palestinos não avançam.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Trump vai à Arábia em busca de negócios e novo Oriente Médio

Na primeira viagem ao exterior desde que voltou à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump faz uma viagem de quatro dias a três ricas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico em busca de acordos e promessas de investimentos de US$ 1 trilhão, além de um Boeing 747 no valor de US$ 400 milhões de presente. Quer criar um novo Oriente Médio aproximando países árabes aliados de Israel e fazendo um novo acordo nuclear com o Irã. Mas os negócios públicos e privados se misturam numa promiscuidade corrupta.

Como no primeiro governo, Trump escolheu fazer a primeira visita à Arábia Saudita e não a tradicionais aliados dos EUA. Ele não tem uma visão estratégica. Quer fazer negócios e atrair investimentos para apresentar como vitórias ao povo norte-americano. Não vai a Israel. Está irritado com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que retomou a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) por conveniência política interna.

A libertação de um refém israelense-norte-americano foi um tapa na cara de Bibi Netanyahu e sua estratégia de guerra sem fim. O Hamas está convencido de que só Trump tem força para obrigar Israel a fazer um acordo. Trump gostaria de anunciar um cessar-fogo definitivo durante a viagem.

Sob pressão dos ditadores da Arábia Saudita e da Turquia, Trump anunciou o fim das sanções dos EUA à Síria, uma grande mudança política em apoio ao líder jihadista que derrubou a ditadura de Bachar Assad. É uma oportunidade para Israel, mas depende da criação de um país para o povo palestino.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Turcos protestam em massa contra prisão do líder da oposição

Milhões de pessoas saíram às ruas das principais cidades da Turquia ontem em protesto contra a prisão do prefeito de Istambul e principal líder da oposição no país, Ekrem Imamoglu (foto). Sua prisão com uma série de acusações forjadas consolida a ditadura do presidente Recep Tayyip Erdogan, chamado pelos críticos de “Sultão louco”. 
O governo impôs um toque de recolher noturno em várias regiões da Turquia e desligou a Internet. Erdogan estaria escondido em local secreto. Há rumores de que o Exército recebeu ordens de abandonar posições que ocupa na vizinha Síria para conter a revolta na Turquia.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Trump promete tomar a Faixa de Gaza e expulsar os palestinos

Em mais uma declaração surpreendente, criminosa e explosiva, capaz de incendiar o Oriente Médio, o presidente Donald Trump declarou hoje que os Estados Unidos vão ocupar a Faixa de Gaza e expulsar todos os palestinos do território. O direito internacional proíbe a guerra de conquista e a limpeza étnica.

Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o primeiro líder estrangeiro a visita a Casa Branca no novo governo, Trump alegou que Gaza virou um lugar inabitável e promoveu fazer do território palestina uma Riviera do Oriente Médio.

A  Arábia Saudita repudiou a proposta e condicionou o estabelecimento de relações com Israel à criação de um Estado palestino. O Egito e a Jordânia, aliados dos EUA para onde Trump quer mandar os palestinos, que fizeram a paz com Israel no século passado, também rejeitaram a ideia. Certamente haveria revolta das massas árabes, uma ameaça para os governos desses três países.

A remoção forçada dos palestinos reavivaria a memória da Nakba (catástrofe), como os árabes chamam a fundação de Israel, e o fracasso dos EUA ao tentar reconstruir as nações do Afeganistão e do Iraque, invadidos no início do século.

Com a proposta estapafúrdia, Trump fortalece a determinação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) de lutar por seus território, bombardeia a trégua em andamento, desestabiliza regimes aliados e reforça a ideia de que Israel é um enclave colonial plantado no Oriente Médio para resolver um problema gerado pelo Holocausto, a tentativa da Alemanha Nazista de exterminar os judeus da Europa na Segunda Guerra Mundial.

Ao retomar o expansionismo militar, querer anexar a Groenlândia, retomar o Canal do Panamá, transformar o Canadá no 51º estado dos EUA e agora ocupar Gaza, Trump legitimita as ambições imperiais do ditador russo, Vladimir Putin, de controlar os países da antiga União Soviética e do ditador chinês, Xi Jinping, de reintegrar Taiwan à força. Cria um mundo mais instável, mais perigoso e mais distante da paz num momento em que volta o risco de uma guerra nuclear entre as grandes potências.

domingo, 5 de janeiro de 2025

2024 foi o ano de votar contra o governo

Mais da metade da população mundial pôde votar em 2024, o maior ano eleitoral da história. Houve eleições em 74 países. Em 80% dessas votações, os partidos de governos foram punidos pelos eleitores. Alguns governos sobreviventes perderam a maioria absoluta.

A eleição mais importante foi nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump mesmo depois de ser condenado criminalmente por fraude e falsificação, e de ser acusado de fascista por historiadores eminentes. A extrema direita também avançou na Europa e a instabilidade política abala a Alemanha e a França, eixo central da União Europeia.

Com as vitórias sobre os grupos terroristas Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e Hesbolá (Partido de Deus), e a queda ditador sírio Bachar Assad, Israel se tornou uma superpotência regional no Oriente Médio. Pela primeira vez depois de décadas de guerra indireta, o Irã bombardeou Israel, que contra-atacou destruindo as defesas antiaéreas da República Islâmica, que está mais vulnerável do que nunca.

A Ucrânia entrou na província de Kursk, na primeira invasão do território da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas a Rússia avança lentamente no Leste da Ucrânia. Está mais perto da vitória numa guerra cada vez mais insustentável para a Ucrânia.

O aumento da tensão geopolítica e o enfraquecimento da liderança do Ocidente com a reeleição de Trump e o declínio da Europa abalam a cooperação internacional, como ficou evidente com o fracasso da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-29), realizada em Baku, no Azerbaijão.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Israel ataca 1.600 alvos e mata 558 pessoas no Líbano

 No dia mais violento no Líbano desde a Guerra Civil (1975-90), Israel bombardeou mais de 1,6 mil alvos, matou pelo menos 558 pessoas e feriu outras 1.645, deixando o país à beira de uma guerra total capaz de conflagrar ainda mais o Oriente Médio.

Israel e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) se enfrentavam regularmente. Este conflito se intensificou desde 8 de outubro do ano passado, um dia depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel, em que cerca de 1,2 mil israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados.

Desde então, o Hesbolá aumentou o nível das escaramuças diárias com Israel em solidariedade ao Hamas.

No início da guerra, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, queria enfrentar também o Hesbolá, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu duvidou da capacidade de Israel combater em duas frentes ao mesmo tempo. A prioridade era derrotar o Hamas.

Com quase um ano de guerra, mais de 40 mil palestinos foram mortos, de acordo com o Hamas, e a Faixa de Gaza está em ruínas. Mas Israel não atingiu seus objetivos: não destruiu a máquina militar do Hamas, que teria perdido cerca da metade de seus 30 mil milicianos, não conseguiu libertar os reféns e o Hamas ainda é a força política dominante entre os palestinos de Gaza e está mais forte na Cisjordânia, onde há um conflito de baixa intensidade agravado pela guerra em Gaza.

A campanha militar de Israel tem fortes indícios de crimes de guerra ao não discriminar combatentes de civis, usar a fome como arma de guerra e pela remoção forçada de palestinos.

O Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas examina uma denúncia de genocídio apresentada pela África do Sul e o procurador-geral Tribunal Penal Internacional pediu a prisão do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel, além de três dirigentes do Hamas: o líder político, Ismail Haniya; o comandante militar, Mohammed Deif; e o líder em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o mentor do ataque terrorista. Haniya e Deif foram mortos por Israel, o primeiro em Teerã, quando assistia a posse do novo presidente iraniano.

Há meses, os Estados Unidos, o Egito e o Catar tentam mediar uma trégua para troca de reféns por prisioneiros palestinos detidos em Israel, mas o Hamas exige um cessar-fogo permanente e Netanyahu quer continuar a guerra. Sabe que no fim do conflito seu governo de extrema direita vai cair porque não foi capaz de proteger o país do ataque terrorista de 7 de outubro e que terá de responder a três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia.

Netanyahu tem interesse em prorrogar a guerra para evitar a queda de seu governo de extrema direita e tentar ajudar a eleger o aliado Donald Trump, apesar do risco de uma conflagração geral no Oriente Médio com uma guerra total contra o Hesbolá, com invasão terrestre do Líbano.

Se Israel conseguir matar o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o principal responsável pelo ataque, talvez Netanyahu declare vitória sobre o Hamas. Mas a situação no Líbano é cada vez mais explosiva. Agravou-se na semana passada, quando pagers e walkie-talkies usados para comunicação membros do Hesbolá explodiram na segunda e na terça-feira, matando pelo menos 37 pessoas e ferindo outras 3 mil.

Em Nova York, onde participa da reunião anual da Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, acusou Israel de buscar uma "guerra total".

O Irã é o grande patrocinador do Hesbolá, uma força auxiliar que pretende usar numa possível guerra contra Israel. Portanto, tenta preservar a milícia xiita, que 130 mil homens armados, muitos com experiência na guerra civil na Síria, foguetes, mísseis e drones fornecidos pelo Irã. É a milícia mais poderosa do mundo, mais poderosa do que o Exército do Líbano.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

 BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 1804. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de dezembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isto leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel foi atacado e não retaliou para manter a unidade da aliança contra o Iraque de Saddam Hussein, liderada pelos Estados Unidos,

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. Mesmo no breve período em que Netanyahu não liderou o governo, as negociações com os palestinos não avançaram.