Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Irã resiste e se radicaliza com guerra de EUA e Israel
sábado, 28 de fevereiro de 2026
EUA e Israel bombardeiam Irã para derrubar o regime
Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.
A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã.
Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.
O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.
Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.
Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa.
Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle.
Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil.
De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam.
Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.
Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.
Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018.
No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio.
Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.
A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.
Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.
A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.
Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.
Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.
A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Irã clama por liberdade
Quarenta e sete anos depois da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, a ditadura teocrática do Irã enfrenta seu maior desafio, uma revolta popular sem precedentes, com mais de 2,5 mil mortes.
O presidente Donald Trump ameaçou bombardear alvos do regime fundamentalista xiita se manifestantes fossem mortos. O ataque, ilegal à luz do direito internacional, pode acontecer neste fim de semana e iniciar uma nova guerra no Oriente Médio.
A atual onda de manifestações começou em 28 de dezembro no Grande Bazar, o mercado central de Teerã, em protesto contra a desvalorização da moeda e a inflação. Espalhou-se pelas 31 províncias do país. Em 8 de janeiro, o governo iraniano bloqueou a Internet e os telefonemas internacionais. No domingo passado, o massacre se tornou evidente nas imagens que conseguiram ser divulgadas no exterior. Não há garantia de que uma intervenção militar seja capaz de derrubar a ditadura. Bombardeios aéreos não têm como impedir as forças de segurança de continuar matando manifestantes. Mas regime dos aiatolás e da Guarda Revolucionária perdeu toda e qualquer legitimidade. Está condenado.quarta-feira, 25 de junho de 2025
Quem é o Supremo Líder do Irã?
sábado, 21 de junho de 2025
Superbombardeiros dos EUA atacam usinas nucleares do Irã
Seis fortalezas voadoras norte-americanas B-2 bombardearam na madrugada deste domingo pela hora local duas instalações nucleares do Irã, em Fordo e Natanz, com 12 megabombas de 13,6 toneladas capazes de penetrar na rocha para destruir fortalezas subterrâneas, enquanto submarinos dos Estados Unidos atacaram a central nuclear de Isfahan com 100 mísseis de cruzeiro Tomahawk.
O presidente Donald Trump declarou que os alvos foram totalmente destruídos. Em nota nas redes sociais, Trump disse que foram ataques pontuais e que chegou a hora de negociar, "senão os ataques serão muito maiores". Vai depender de como será a retaliação do Irã, que se nega a negociar enquanto não houver um cessar-fogo.
Em rápido pronunciamento na Casa Branca, ao lado do vice-presidente James Vance e dos secretários da Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio, Trump afirmou num tom bastante duro e agressivo que foram "ataques maciços e precisos" e um "sucesso militar espetacular" contra um país que descreveu como "o maior patrocinador do terrorismo no mundo" que há mais de 40 anos mata norte-americanos e ameaça os Estados Unidos e Israel.
sábado, 14 de junho de 2025
Israel quer mudança de regime no Irã
A doutrina militar de Israel visa impedir que países que ameaçam destruir Israel tenham a arma capaz de fazer isso, a bomba atômica. Mas bombardeios não vão acabar com o programa nuclear do Irã. Isto só é possível através de negociações ou da mudança de regime em Teerã. Como não acredita nessas negociações, o primeiro-ministro Israelense tem dois grandes objetivos nesta guerra: destruir o programa nuclear e mudar o regime fundamentalista iraniano, acabar com a República Islâmica.
O problema é que, ao contrário do que aconteceu na Síria, não há no Irã uma força armada de oposição à ditadura dos aiatolás. Só uma divisão nas Forças Armadas e uma guerra civil derrubariam o regime. E normalmente, bombardeios maciços costumam aumentar a coesão interna dos países alvejados.
Sem poder transportar seus um milhão de soldados para o território israelense, quais as opções de retaliação do Irã? As principais armas são 3 mil mísseis balísticos e drones. O Irã ameaça atacar alvos dos Estados Unidos e de países europeus que participem da defesa de Israel. Poderiam ser bases militares, embaixadas e consulados, o que colocaria esses países na guerra e também os países do Oriente Médio onde estão essas bases.
Outra opção seria fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, prejudicando as monarquias petroleiras árabes e grande importadores de petróleo como a China. Também pode atacar instalações de petróleo desses países árabes, o que imediatamente duplicaria os preços do petróleo. Por fim, resta o terrorismo contra alvos dos EUA, da Europa e contra judeus no mundo inteiro.
quinta-feira, 12 de junho de 2025
Força Aérea de Israel ataca o programa nuclear do Irã
A Força Aérea de Israel (FAI) confirmou há pouco que está bombardeando o programa nuclear, fábricas e bases de lançamento de mísseis, defesas antiaéreas e comandantes militares do Irã. Foram seis ondas de ataque. Os alarmes antiaéreos soam em todo o Estado de Israel como advertência para a resposta iraniana. Todos os voos de e para Israel estão suspensos. O espaço aéreo está fechado. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está reunido com o gabinete de guerra. Os preços do barril de petróleo subiram quase 9% para cerca de US$ 75.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu o ataque como "preemptivo", para evitar que o Irã faça a bomba atômica. A Operação Leão se Levanta deve durar vários dias. No final, "não haverá ameaça nuclear" do Irã, declararam oficiais militares de Israel. "Temos uma oportunidade estratégica. Chegamos a um ponto sem volta e não tínhamos escolha a não ser agir agora."
Em nota oficial, as Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o início de "um ataque preemptivo e preciso" contra o Irã "com o objetivo de destruir o programa nuclear iraniano e em resposta à contínua agressão do regime iraniano contra Israel". Em meia hora, teriam destruído as defesas antiaéreas iranianas.
"Dezenas de aviões da Força Aérea de Israel completaram recentemente o golpe inicial, que incluiu dezenas de ataques contra alvos militares, inclusive locais ligados ao programa nuclear em várias regiões do Irã", acrescentou a nota. "O público deve seguir as instruções do Comando da Frente Interna das FDI ... e agir com calma e responsabilidade. As FDI e as autoridade relevantes estão preparadas para uma variada gama de hipóteses defensivas e ofensivas que podem ser necessárias."
"Há anos", continua a declaração, "o regime iraniano trava uma campanha direta e indireta de terror contra o Estado de Israel, financiando e dirigindo atividades terroristas através de seus aliados no Oriente Médio, enquanto avança para obter armas nucleares. O regime iraniano é a cabeça do eixo responsável por todos os ataques terroristas contra Israel desde o início da guerra", afirma o comando militar israelense.
"O regime iraniano proclama que seu objetivo é destruir o Estado de Israel. Altos funcionários do regime iraniano declararam a intenção de destruir Israel e operam neste sentido com seus aliados no Oriente Médio. Hoje, o Irã está mais perto do que nunca de obter uma arma nuclear. Armas de destruição em massa nas mãos do regime iraniano são uma ameaça existencial ao Estado de Israel e ao resto do mundo. O Estado de Israel não vai permitir que um regime cujo objetivo é destruir Israel obtenha armas nucleares", concluiu a nota.
Israel alega que o Irã tem urânio enriquecido para fabricar nove armas nucleares. Um dos principais alvos foi a Central Nuclear de Natanz, principal instalação de enriquecimento de urânio do Irã. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, o braço armado da ditadura dos aiatolás, general Hossein Salami, o comandante da Defesa Aérea, general Ghulam Ali Rashid, e dez cientistas nucleares iranianos, entre eles Fereydoun Abbasi-Davani e Mohammad Mehdi Tehranchi, foram mortos.
Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Netanyahu agradeceu o apoio dos Estados Unidos, mas o presidente Donald Trump avisou que não participaria do ataque, o que foi confirmado há pouco pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Para tentar aliciar iranianos que são contra o regime, Netanyahu disse: "Nossa luta não é contra vocês. Nossa luta é contra a ditadura brutal que oprime vocês há 46 anos. Acredito que o dia da sua libertação está próximo. Quando isto acontecer, a grande amizade entre nossos povos vai voltar a florescer".
O xá Mohamed Reza Pahlevi, derrubado pela Revolução Islâmica em fevereiro de 1979, era aliado de Israel.
Na primeira reação oficial do Irã, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, ameaçou com uma "punição severa": Israel vai enfrentar "um destino amargo e o doloroso", declarou o ditador iraniano através da Agência de Notícias República Islâmica (IRNA).
Israel "abriu sua mão cruel e manchada de sangue para cometer um crime contra nosso amado país, revelando mais do que nunca sua natureza perversa ao atacar áreas residenciais. Com este crime, o regime sionista "traçou para si um destino amargo e doloroso que definitivamente vai ter."
No ano passado, o Irã bombardeou Israel diretamente pela primeira vez e fez isso duas vezes. Israel contra-atacou destruindo as defesas antiaéreas iranianas, numa preparação ao ataque desta noite.
Ontem, o Irã ameaçou atacar as bases militares dos EUA, que tem 40 a 45 mil soldados no Oriente Médio num total de 64 instalações militares. Rubio advertiu a não fazer isso, sob pena de retaliação, e hoje declarou que os EUA não participaram dos bombardeios. Mas certamente vão participar da defesa de Israel quando o Irã responder. O secretário de Estado disse que a prioridade é proteger os militares norte-americanos.
Neste fim de semana, os EUA e o Irã fariam a sexta rodada de negociações para tentar desarmar o programa nuclear iraniano. Até agora, não havia avanços porque o governo Trump exigia o fim do processamento de urânio pela República Islâmica. Israel era contra a negociação, que hoje perdeu o sentido.
A questão agora é qual será a capacidade de retaliação do regime iraniano, que certamente está mais decidido do que nunca a fazer a bomba atômica. Israel afirma que não quer mudança de regime, mas como o Irã já desenvolveu a tecnologia só uma mudança de regime garantiria a segurança de Israel.
O Irã tem hoje 610 mil soldados nas Forças Armadas, 190 mil na Guarda Revolucionária, 350 mil reservistas e 90 mil membros da milícia Basij, que faz o jogo sujo do regime internamente, e mais de 3 mil mísseis. Mas não conseguir direito de passagem pelos países vizinhos para chegar a Israel por terra.
domingo, 25 de setembro de 2022
Mulheres desafiam ditadura dos aiatolás no Irã
Pelo menos 50 pessoas morreram em uma semana de uma revolta popular liderada por mulheres jovens contra a ditadura teocrática da República Islâmica do Irã, fundada em 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Elas estão cortando o cabelo, queimando o véu islâmico (hijab) e mostrando a cabeleira nua num desafio à “polícia da moralidade”.
A luta tem uma mártir. Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos da região curda do Nordeste do Irã, visitava parentes na capital, Teerã, em 13 de setembro, quando foi presa da polícia religiosa, a polícia de costumes, por estar com o véu mal colocado, mostrando um pouco do cabelo.
Ela foi abordada numa saída do metrô. Estava com o irmão, que explicou eles eram do interior. Mahsa foi para a delegacia para ser “educada” sobre a maneira correta de usar o hijab.
Sua morte, no dia 16, num hospital de Teerã, depois de três dias de coma com lesões no crânio causadas por tortura, deflagraram a onda de protestos. É a maior desde que mais de 1,5 mil pessoas morreram em 2019 e 2020 em choques com a polícia durante manifestações contra uma alta nos preços dos combustíveis.
No túmulo, na cidade de Sakez, na região curda, está escrito: “Querida Ihina [nome curdo], você não morreu. Seu nome se tornou um símbolo.”
Multidões tomaram as ruas de cidades de 16 das 31 províncias iranianas e no exterior aos gritos de “morte ao ditador”, o aiatolá Ali Khamenei, sucessor de Khomeini como Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica.
Nas ruas e na Internet, mulheres iranianas estão cortando o cabelo, queimando o hijab e saindo à rua sem véu. Uma das líderes do movimento é Masih Alinejad, uma exilada iraniana que mora em Nova York sob a proteção do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.Há anos, ela estimula as iranianas a se rebelar contra o véu e mostrar na rede. Agora publicou um vídeo de Teerã onde uma manifestante diz: “Nosso sonho se tornar realidade. Finalmente, estamos queimando na rua o símbolo da nossa opressão.”
Elemento central da ideologia do regime fundamentalista xiita, o hijab cristaliza a vida insuportável da mulher iraniana, que ficou ainda pior com a eleição para presidente, em junho de 2021, do ultraconservador Ebrahim Raissi, ex-presidente do Supremo Tribunal do Irã.
O novo governo restringiu os métodos anticoncepcionais sob o pretexto de estimular a natalidade. Todo protesto, dos diretos da mulher à questão do meio ambiente, enfrenta uma dura repressão.
Para conter a revolta, além da repressão violenta, a partir de 19 de setembro, a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária cortou a Internet em várias regiões do Irã. Desde o dia 21, aplicativos como WhatsApp e Instagram estão bloqueados por “razões de segurança nacional”.
Alguns dias atrás, Alinejad escreveu no Twitter: “Nós, mulheres do Irã, tiramos o véu e cantamos contra a ditadura religiosa com risco de prisão e morte, mas temos um sonho: queremos nos livrar do regime islâmico.”segunda-feira, 21 de junho de 2021
Linha dura assume controle total no Irã com eleição de Raissi
A ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária controla ainda mais a República Islâmica do Irã com a eleição do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Ebrahim Raissi, para presidente do país, anunciada no sábado, com 62% dos votos válidos no primeiro turno.
Sayyid Ebrahim Raissol Sadati, de 60 anos, foi candidato em 2017, quando perdeu para o atual presidente, Hassan Rouhani, considerado um conservador moderado, que disputava a reeleição. Raissi é ultraconservador e fiel aliado do Supremo Líder Espiritual da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, o ditador iraniano, visto como seu mentor.
Raissi é associado a uma série de julgamentos políticos e execuções ocorridas em 1988, depois do fim da Guerra Irã-Iraque, quando era juiz do Tribunal Revolucionário de Teerã. Grupos de defesa dos direitos humanos o acusam se envolvimento em milhares de mortes de dissidentes políticos. Em 2019, ele foi eleito vice-presidente da Assembleia dos Sábios, que vai escolher o próximo Supremo Líder.
Se no passado as ditaduras costumavam ganhar eleições com quase 100% dos votos, agora o resultado mais comum fica na faixa dos 60% para tentar dar um verniz democrático. Uma exceção foi o ditador da Síria, Bachar Assad, aliado do Irã, reeleito com 95% dos votos em 26 de maio.
Em 2009, o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito no Irã com 62,6% sob protestos da oposição, do Movimento Verde, que saiu às ruas em defesa de seu candidato, o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi. Ele seria o verdadeiro vencedor, mas oficialmente obteve 34% dos votos válidos.
Para evitar uma surpresa, desta vez, o Conselho dos Guardiães da Revolução vetou praticamente todos os candidatos reformistas, inclusive Ali Larijani, ex-presidente do Majlis (Parlamento), que era visto como o maior rival do presidente do Supremo Tribunal. Por isso, a abstenção foi a maior em eleições presidenciais desde a Revolução Islâmica (1979). Votaram 48,8% dos eleitores e 3,7 milhões anularam o voto. Assim, o presidente eleito tem o apoio de menos da metade do eleitorado.
A vitória de Raissi, que recebeu 18 dos 28 milhões de votos contra 3 milhões do segundo colocado, Mohsen Rezaei, afasta do poder o grupo conservador mais moderado a favor da reaproximação com o Ocidente, que negociou o acordo de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano. Em 2017, Rouhani obteve 24 milhões de votos.
O momento é crítico por causa da crise econômica gerada apelas sanções impostas pelo governo Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo nuclear; da pandemia, que atingiu mais de 3 milhões de iranianos e matou cerca de 83 mil; e da sucessão do Supremo Líder, que tem 82 anos e sofre de câncer. Khamenei foi presidente de 1981-89. Raissi se cacifou como possível candidato.
A renegociação do acordo nuclear com o governo Joe Biden não deve ser afetada. Khamenei se empenhou pessoalmente na reabertura do diálogo para aliviar as sanções que sufocam a economia iraniana, que encolheu 5,4% em 2018, 7,6% em 2019 e 6% em 2020.
Mas o novo presidente é contra incluir nas negociações limitações ao programa de mísseis do Irã e a interferência iraniana em outros países do Oriente Médio, o chamado arco xiita, que vai do Iêmen ao Líbano, passando pelo próprio Irã, o Iraque e a Síria. No momento, todos estes países menos o Irã enfrentam o colapso do Estado.
terça-feira, 3 de março de 2020
Irã acelera enriquecimento de urânio e fica mais perto da bomba atômica
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão do sistema Nações Unidas, divulgou hoje seu relatório trimestral sobre as atividades nucleares do Irã, inclusive um segundo documento com detalhes sobre as manobras da República Islâmica para encobrir atividades nucleares do passado.
É o primeiro relatório desde que o Irã decidiu, em janeiro, negar acesso aos inspetores da AIEA a três instalações não fiscalizadas antes. Meu comentário:
domingo, 23 de fevereiro de 2020
Irã anuncia participação de 42% nas eleições parlamentares
terça-feira, 14 de janeiro de 2020
Irã pode fabricar um míssil nuclear em dois anos, adverte inteligência de Israel
Ao abandonar gradualmente os limites impostos pelo acordo assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha para congeler por dez anos o programa nuclear iraniano, a República Islâmica pode ter urânio enriquecido em quantidade suficiente para uma bomba atômica no fim de 2020 e um míssil capaz de transportar uma ogiva nuclear dentro de dois anos. A avaliação está no último relatório da inteligência militar israelense, revelado pelo jornal The Jerusalem Post.
De acordo com a estimativa, se o programa nuclear iraniano mantiver o ritmo anual, será capaz de produzir mil e 300 quilos de urânio enriquecido a baixos teores e, a partir daí, refinar 25 quilos de urânio enriquecido com um teor de mais de 90% de urânio-235. É o suficiente para fabricar uma bomba atômica. Para conseguir miniaturizar a bomba e coloca-la numa ogiva nuclear, seriam necessários dois anos. Meu comentário:
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
Trump deixa EUA à beira da guerra com o Irã
O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, prometeu vingança pela morte do general Kassem Soleimani, comandante da Força Quods, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior e principal articulador da política externa do Irã no Oriente Médio com apoio a milíciais xiitas.
Herói nacional desde a brutal guerra contra o Iraque de Saddam Hussein nos anos 1980, Suleimani era o general mais importante do Irã, próximo do aiatolá Khamenei.
Os Estados Unidos o acusam pelas mortes de centenas de soldados americanos por milícias xiitas depois da invasão do Iraque e de estar por trás dos ataques recentes contra bases militares onde havia forças dos Estados Unidos e contra a embaixada americana em Bagdá, nos últimos dias. Meu comentário:
terça-feira, 19 de novembro de 2019
Repressão a protestos deixa mais de 100 mortos no Irã
As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.
As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Ministro do Exterior do Irã ameaça com "guerra total" se país for atacado
"Não queremos a guerra, não queremos nos engajar num conflito armado", declarou o chanceler iraniano, falando em "grande número de baixas", "mas não vamos pestanejar em defender nosso território."
Zarif afirmou que o ataque foi feito pelos rebeldes hutis na luta contra a intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen. Os governos americanos e sauditas não acreditam que os hutis bombardeassem o petróleo saudita sem autorização do Irã.
Como o presidente Donald Trump também não quer uma guerra a um ano da reeleição, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, convidou a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos para patrulhar o Golfo Pérsico e garantir a navegação dos navios petroleiros.
Desde maio, quando fez um ano que Trump abandonou acordo nuclear das grandes potências do Conselho de Segurança das Nações e a Alemanha com o Irã para congelar o programa nuclear iraniano, a Guarda Revolucionária Iraniana atacou vários navios-tanque no Golfo Pérsico.
A República Islâmica tenta desesperadamente se livrar das sanções impostas pelos EUA, que tentam impedir o país de exportar petróleo, sua maior riqueza. O objetivo de Trump é negociar um novo tratado que, além das armas nucleares, também proíba o Irã de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir política e militarmente em outros países do Oriente Médio.
Por sua vez, o Irã exige o fim pelo menos parcial das sanções econômicas como precondição para retomar o diálogo. O presidente da França, Emmanuel Macron, propôs a abertura de uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar a pressão sobre a economia iraniana.
Havia até a possibilidade de um encontro entre os presidentes Trump e Hassan Rouhani em Nova York na próxima semana, durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU. O ataque à Arábia Saudita bombardeou o encontro, vetado pelo Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, o ditador do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Os EUA e a Arábia Saudita temem novos ataques à indústria do petróleo, o que poderia abalar ainda mais o mercado internacional e provocar uma recessão mundial. O Irã ameaça, mas quer mesmo se livrar das sanções. Só negociações podem resolver o problema.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Reação fraca de Trump encoraja novos ataques do Irã
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, descreveu hoje os ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita como “um ato de guerra”. Um ato de guerra mereceria uma resposta militar, mas presidente Donald Trump sabe que isso deflagraria uma guerra no Oriente Médio ou novo ataque a campos de petróleo e refinarias sauditas.
Seria o primeiro encontro entre os líderes dos dois países desde a Revolução Islâmica, que derrubou em 1979 o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington. Meu comentário:
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Casa Branca articula encontro entre presidentes dos EUA e do Irã
quinta-feira, 13 de junho de 2019
EUA acusam Irã por ataques a petroleiros no Golfo de Omã
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, responsabilizou o Irã pelos ataques contra dois petroleiros hoje no Golfo de Omã, depois de ataques contra quatro navios-tanques num porto dos Emirados Árabes Unidos no mês passado.
Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, declarou estar “quase certo” de que foi o Irã ou aliados.









