Pelo segundo dia seguido, estudantes desafiaram a polícia e protestaram em universidades e em outros lugares do Irã contra a ditadura teocrática dos aiatolás, acusando o governo por derrubar um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines, matando 176 pessoas, e de mentir no primeiro momento sobre a tragédia. Só ontem o presidente Hassan Rouhani admitiu o erro.
Numa universidade, centenas de estudantes se recusaram a pisar em bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estendidas no chão por milicianos do grupo paramilitar Bassij, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para os atos mais sujos da repressão.
"Eles estão mentido que nosso inimigo é os EUA. Nosso inimigo está aqui", gritavam os universitários iraniano, de acordo com a agência de notícias Reuters. Cartazes com o general Kassem Suleimani, o comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana morto em 3 de janeiro por drones americanos, foram arrancados
Em sessão a portas fechadas, o comandante da Guarda Revolucionária, general Hussein Salami, depôs hoje no Majlis, o Parlamento do Irã, para dar explicações sobre o abate do avião de passageiros. Dos mortos, 82 eram iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos.
O Boeing da Ucrânia foi derrubado na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, pouco depois de um ataque simbólico de mísseis iranianos contra bases militares do Iraque onde há forças dos EUA, numa retaliação pela morte do general Kassem Suleimani. A defesa antiaérea do Irã esperava um contra-ataque e abateu o avião ucraniano.
Antes da morte do general, havia uma onda de protestos no Irã, iniciada em 15 de novembro por causa de aumentos de até 50% nos preços dos combustíveis. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional estima que pelo menos 300 pessoas foram mortes na dura repressão da República Islâmica.
A morte de Suleimani favoreceu a linha-dura do regime, mas o abate do avião e as mentiras do governo reacenderam a revolta popular.
O presidente Donald Trump advertiu as autoridades iranianas de que "não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos nem o desligamento da Internet. O mundo está observando. Estamos acompanhando os protestos de perto e estamos inspirados por sua coragem." Mas seu apoio é ruim para os manifestantes, que serão acusados de traidores da pátria.
Nos programas de televisão de domingo com entrevistas ao vivo, o presidente foi desmentido pelo secretário da Defesa, Mark Esper, que negou haver indícios de um ataque iminente preparado por Suleimani. Em comício da campanha para a reeleição, Trump afirmou que várias embaixadas dos EUA, não só a de Bagdá, seria alvo de ameaças. Mais uma mentira.
Em Teerã, manifestantes a favor do regime fundamentalista xiita protestaram diante da Embaixada do Reino Unido para pedir seu fechamento. O embaixador britânico, Rob Macaire, foi preso ontem sob a acusação de participar de um protesto. Ele estava numa vigília pelas vítimas do avião que se tornou em manifestação antigovernamental.
Hoje, o governo iraniano convocou formalmente o embaixador para dar explicações. Macaire alegou ter ido a uma cerimônia em homenagem aos mortos. A União Europeia e o Reino Unido protestaram oficialmente contra a prisão do embaixador, denunciando-a como uma violação do direito internacional e do Acordo de Viena sobre o tratamento de funcionários diplomáticos.
Houve novos ataques de milícias xiitas iraquianas. Oito foguetes foram disparados hoje contra a base aérea de Balade, ao norte de Bagdá, onde há soldados dos EUA. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, qualificou os ataques como "uma violação contínua da soberania do Iraque". Porta-vozes militares do Iraque disseram que quatro iraquianos foram feridos.
Como observou Lourival Sant'Anna no jornal O Estado de S. Paulo, o novo ataque no Iraque pode ser uma manobra do Irã para desviar a atenção dos protestos internos e manter a tensão com os EUA para justificar a repressão diante da ameaça externa.
A única medalista olímpica do Irã, Kamia Alizadeh, anunciou hoje que está abandonando a cidadania iraniana para o governo não explorar seu sucesso para fazer propaganda, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ela ganhou uma medalha de bronze no taekwondo na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 12 de janeiro de 2020
Iranianos protestam contra abate de avião e mentiras do regime
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terça-feira, 19 de novembro de 2019
Repressão a protestos deixa mais de 100 mortos no Irã
A ditadura teocrática do Irã matou pelo menos 106 pessoas para conter uma onda de manifestações de protesto. Centenas de pessoas saíram feridas e mais de mil foram presas, denuncia a organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.
As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.
As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:
As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.
As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Ataque terrorista mata duas pessoas no Irã
Duas pessoas morreram num ataque descrito pela televisão estatal iraniana como "terrorista" na província de Sistã e Baluquistão, no Sudeste do Irã, informou hoje a agência de notícias Associated Press (AP).
Uma vítima era um sunita membro da milícia Bassij, o braço paramilitar da Guarda Revolucionária do Irã. A outra era um professor xiita. Atentados terroristas são raros no Irã, uma ditadura teocrática dominada pelo clero xiita.
Uma vítima era um sunita membro da milícia Bassij, o braço paramilitar da Guarda Revolucionária do Irã. A outra era um professor xiita. Atentados terroristas são raros no Irã, uma ditadura teocrática dominada pelo clero xiita.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Filho de dissidente iraniano denuncia ataque ao pai
O filho do líder oposicionista iraniano Mehdi Karroubi, um dos candidatos derrotados na eleição presidencial fraudulenta do ano passado, denunciou que a casa de seu pai foi atacada na noite de quinta-feira por membros da milícia Bassij, braço paramilitar da Guarda Revolucionária do Irã, a tropa de choque do regime fundamentalista.
Em trajes civis, os milicianos, que andam com um tipo de jaqueta usado frequentemente pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, um ex-guarda, invadiram a residência de Karroubi armados com pistolas e canivetes, afirmou Mohamad Taghi Karroubi. Eles teriam quebrado vidraças, tocado fogo no estacionamento e arrombado a porta diante.
Enquanto a família se refugiava num quarto seguro, sem janelas para a rua, os guarda-costas de Karroubi teriam trocado tiros com os bassijis durante uma hora e meia, acrescentou o filho dele.
Onze pessoas teriam saído feridas, inclusive o chefe de segurança de Karroubi, que teria sido internado em estado grave.
A história não foi confirmada por fontes independentes.
Em trajes civis, os milicianos, que andam com um tipo de jaqueta usado frequentemente pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, um ex-guarda, invadiram a residência de Karroubi armados com pistolas e canivetes, afirmou Mohamad Taghi Karroubi. Eles teriam quebrado vidraças, tocado fogo no estacionamento e arrombado a porta diante.
Enquanto a família se refugiava num quarto seguro, sem janelas para a rua, os guarda-costas de Karroubi teriam trocado tiros com os bassijis durante uma hora e meia, acrescentou o filho dele.
Onze pessoas teriam saído feridas, inclusive o chefe de segurança de Karroubi, que teria sido internado em estado grave.
A história não foi confirmada por fontes independentes.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Bassijis hostlizam aiatolá no Irã
A milícia Bassij, que faz o jogo sujo para a Guarda Revolucionária do Irã em trajes civis, impediu a entrada do aiatolá Mehdi Karrubi, um dos candidatos derrotados na reeleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad.
Confira os métodos fascistas da república islâmica.
Confira os métodos fascistas da república islâmica.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Ditadura iraniana ataca estudantes
Em 15 de junho de 2009, três dias depois da reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad, a Guarda Revolucionária do Irã e a milícia aliada Bassij atacaram a Universidade de Teerã com grande brutalidade e violência.
Veja você mesmo, em imagens feitas pelos próprios agressores.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Regime iraniano parte para a 'guerra suave'
Depois de esmagar os protestos da oposição contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o regime fundamentalista do Irã lançou o que chama de uma guerra suave, difusa, revela hoje The New York Times.
As novas frentes de luta são os meios de comunicação e as escolas.
O ensino fundamental do país está sendo infiltrado pela milícia Bassij, um braço paralelo da Guarda Revolucionária Iraniana, usado no combate à oposição depois da eleição presidencial de 12 de junho de 2009.
A Guarda já é quem mais manda no país, superando os aiatolás. Uma nova unidade acaba de ser criada para policiar a Internet. E naturalmente a Guarda Revolucionária está em todos os negócios na área de telecomunicações, de linhas fixas a celulares e Internet banda-larga.
As novas frentes de luta são os meios de comunicação e as escolas.
O ensino fundamental do país está sendo infiltrado pela milícia Bassij, um braço paralelo da Guarda Revolucionária Iraniana, usado no combate à oposição depois da eleição presidencial de 12 de junho de 2009.
A Guarda já é quem mais manda no país, superando os aiatolás. Uma nova unidade acaba de ser criada para policiar a Internet. E naturalmente a Guarda Revolucionária está em todos os negócios na área de telecomunicações, de linhas fixas a celulares e Internet banda-larga.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Khamenei rejeita acusações de ação estrangeira
O Supremo Líder Político e Espiritual da República Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou hoje não ter visto provas convincentes de infiltração estrangeira nos protestos da oposição contra a reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Pelo menos 30 pessoas foram mortas pela Guarda Revolucionária do Irã e a milícia aliada Bassij.
Ontem, o ex-presidente Mohamed Khatami considerou nulos os processos contra oposicionistas, alegando que suas confissões foram obtidas mediante tortura. Nos últimos dias, houve denúncias de tortura e violência sexual contra manifestantes presos depois da eleição de 12 de junho.
Pelo menos 30 pessoas foram mortas pela Guarda Revolucionária do Irã e a milícia aliada Bassij.
Ontem, o ex-presidente Mohamed Khatami considerou nulos os processos contra oposicionistas, alegando que suas confissões foram obtidas mediante tortura. Nos últimos dias, houve denúncias de tortura e violência sexual contra manifestantes presos depois da eleição de 12 de junho.
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