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terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Israel matou 67 palestinos para resgatar dois reféns

 A operação de forças especiais, atentes secretos e soldados do Exército de Israel que libertou dois reféns na cidade de Rafá com forte cobertura da Força Aérea matou 67 palestinos, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

Desde o início da guerra, com o ataque terrorista liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que matou 1.139 israelenses e estrangeiros em Israel, pelo menos 28.430 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou uma operação terrestre para eliminar quatro batalhões do Hamas em Rafá, onde há mais de um milhão de palestinos, no que pode ser uma nova tragédia humanitária.

Depois da crítica do presidente Joe Biden na semana passada de que Israel foi “além do limite”, o supercomissário de exterior da União Europeia, Josep Borrell, comentou que “a comunidade internacional entende que está morrendo gente demais” e que “talvez seja a hora de pensar sobre o fornecimento de armas”. Biden falou em condicionar a ajuda militar a Israel a um relatório sobre o respeito ao direito internacional.

A milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) anunciou a morte de cinco membros do grupo num bombardeio de Israel ao Sul do Líbano. Israel e o Hesbolá trocam fogo de artilharia, mísseis, drones e bombas desde 8 de outubro, mas evitam uma guerra aberta. Israel intensificou os ataques para pressionar o Hesbolá a sair da sua fronteira norte.

O Reino Unido impões sanções a quatro colonos israelenses acusados de violência contra palestinos na Cisjordânia. Pelo menos 390 palestinos foram mortos na Cisjordânia durante esta guerra.

Se o presidente Joe Biden pede contenção a Israel e a criação de um Estado palestino, seu provável adversário na eleição de 5 de novembro, o ex-presidente Donald Trump, um aliado incondicional de Israel que acusa Biden de fraqueza e rendição, se apresenta como o líder forte capaz de garantir a paz e a segurança. Mas a política externa de Trump tem responsabilidade pela atual guerra no Oriente Médio.

sábado, 16 de julho de 2022

Biden vai ao Oriente Médio atrás de petróleo e aliança contra Irã

A primeira visita do presidente Joe Biden ao Oriente Médio, realizada nessa semana, teve dois objetivos principais: pedir a Arábia Saudita e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico para aumentar a produção de petróleo para compensar a queda na oferta com o boicote à Rússia, e consolidar a aliança informal entre esses países árabes e Israel para se contrapor ao Irã.

Há quem chame de uma mini-OTAN no Oriente Médio. Biden prometeu na campanha ser diferente de Donald Trump, retomar o acordo nuclear com o Irã e punir a Arábia Saudita pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, esquartejado em 2 de outubro de 2018 no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

Leia mais em Quarentena News e veja meu comentário no YouTube:

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Linha dura assume controle total no Irã com eleição de Raissi

 A ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária controla ainda mais a República Islâmica do Irã com a eleição do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Ebrahim Raissi, para presidente do país, anunciada no sábado, com 62% dos votos válidos no primeiro turno.

Sayyid Ebrahim Raissol Sadati, de 60 anos, foi candidato em 2017, quando perdeu para o atual presidente, Hassan Rouhani, considerado um conservador moderado, que disputava a reeleição. Raissi é ultraconservador e fiel aliado do Supremo Líder Espiritual da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, o ditador iraniano, visto como seu mentor.

Raissi é associado a uma série de julgamentos políticos e execuções ocorridas em 1988, depois do fim da Guerra Irã-Iraque, quando era juiz do Tribunal Revolucionário de Teerã. Grupos de defesa dos direitos humanos o acusam se envolvimento em milhares de mortes de dissidentes políticos. Em 2019, ele foi eleito vice-presidente da Assembleia dos Sábios, que vai escolher o próximo Supremo Líder.

Se no passado as ditaduras costumavam ganhar eleições com quase 100% dos votos, agora o resultado mais comum fica na faixa dos 60% para tentar dar um verniz democrático. Uma exceção foi o ditador da Síria, Bachar Assad, aliado do Irã, reeleito com 95% dos votos em 26 de maio.

Em 2009, o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito no Irã com 62,6% sob protestos da oposição, do Movimento Verde, que saiu às ruas em defesa de seu candidato, o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi. Ele seria o verdadeiro vencedor, mas oficialmente obteve 34% dos votos válidos.

Para evitar uma surpresa, desta vez, o Conselho dos Guardiães da Revolução vetou praticamente todos os candidatos reformistas, inclusive Ali Larijani, ex-presidente do Majlis (Parlamento), que era visto como o maior rival do presidente do Supremo Tribunal. Por isso, a abstenção foi a maior em eleições presidenciais desde a Revolução Islâmica (1979). Votaram 48,8% dos eleitores e 3,7 milhões anularam o voto. Assim, o presidente eleito tem o apoio de menos da metade do eleitorado.

A vitória de Raissi, que recebeu 18 dos 28 milhões de votos contra 3 milhões do segundo colocado, Mohsen Rezaei, afasta do poder o grupo conservador mais moderado a favor da reaproximação com o Ocidente, que negociou o acordo de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano. Em 2017, Rouhani obteve 24 milhões de votos.

O momento é crítico por causa da crise econômica gerada apelas sanções impostas pelo governo Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo nuclear; da pandemia, que atingiu mais de 3 milhões de iranianos e matou cerca de 83 mil; e da sucessão do Supremo Líder, que tem 82 anos e sofre de câncer. Khamenei foi presidente de 1981-89. Raissi se cacifou como possível candidato.

A renegociação do acordo nuclear com o governo Joe Biden não deve ser afetada. Khamenei se empenhou pessoalmente na reabertura do diálogo para aliviar as sanções que sufocam a economia iraniana, que encolheu 5,4% em 2018, 7,6% em 2019 e 6% em 2020. 

Mas o novo presidente é contra incluir nas negociações limitações ao programa de mísseis do Irã e a interferência iraniana em outros países do Oriente Médio, o chamado arco xiita, que vai do Iêmen ao Líbano, passando pelo próprio Irã, o Iraque e a Síria. No momento, todos estes países menos o Irã enfrentam o colapso do Estado.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Assassinato de cientista nuclear dificulta reaproximação EUA-Irã

 O principal cientista nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, conhecido como "pai da bomba atômica iraniana",  foi assassinado hoje num ataque a seu carro quando viajava no Norte do país. Ao que tudo indica, a responsabilidade é de Israel, que se negou a comentar o caso. 

Em aliança com o governo Donald Trump, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta bloquear qualquer chance de reaproximação entre o governo Joe Biden e a República Islâmica.

"Terroristas mataram um eminente cientista iraniano hoje", lamentou o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif no Twitter. "Esta covardia - com sérias indicação de participação de Israel - mostra o desespero dos mercadores da guerra."

Fakhrizadeh foi alvo de uma emboscada quando passava de carro pela cidade de Absard, na região de Damavand, noticiou a televisão iraniana. A mudança de governo nos EUA reduz a capacidade de retaliação do Irã, onde setores mais moderados do regime fundamentalista apostam numa melhoria das relações com Biden.

Durante visita recente a Israel, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, voltou a atacar o Irã ao lado de Netanyahu, que agradeceu a Trump, entre outras medidas, a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear fechado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com o Irã para congelar por 10 anos o programa nuclear militar iraniano.

É impossível que os EUA não soubessem do ataque. Na campanha, Biden admitiu a possibilidade de retomar o acordo negociado pelo governo Barack Obama quando o presidente eleito era vice-presidente. Ao que se sabe, o Irã ainda não desenvolveu a capacidade de fabricar armas nucleares.

Depois da derrota, Trump pediu a assessores que lhe apresentassem opções para atacar a central nuclear iraniana de Natanz antes de deixar o poder. De acordo com o jornal The New York Times, foi dissuadido pelo vice-presidente Mike Pence e o secretário Mike Pompeo.

Em 3 de janeiro, depois que milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã atacaram bases dos EUA no Iraque, o governo Trump matou com um míssil o principal general iraniano, Kassem Suleimani, comandante da Forças Quods, o braço armado da Guerra Revolucionária Iraniana para ações no exterior. Apesar das ameaças, a retaliação do Irã foi moderada para evitar uma guerra.

Um bombardeio americano agora deflagraria uma nova guerra. O Irã poderia contra-atacar bases americanas no Oriente Médio. Mas o país está enfraquecido. Tem a pior epidemia da doença do coronavírus de 2019 na região e a econômica enfrente uma crise duríssima por causa das sanções dos EUA.

Por outro lado, Trump prometeu acabar com as "guerras intermináveis" dos EUA. Está retirando parte dos soldados americanos do Iraque e do Afeganistão.

Ao mesmo tempo, Netanyahu sabe que o governo Trump está chegando ao fim. No governo Biden, não terá carta branca para atacar quando quiser.

domingo, 5 de julho de 2020

EUA interceptam ataque de foguete contra embaixada em Bagdá

Horas depois de instalar um sistema de defesa proteger de ataques de artilharia, morteiros e foguetes pequenos, os Estados Unidos conseguiram interceptar um foguete disparado contra a embaixada americana no Iraque em 4 de julho, Dia da Independência dos EUA, noticiou o jornal israelense The Jerusalem Post.

O ataque acontece depois de quatro explosões em instalações nucleares do Irã atribuídas a Israel. Sem assumir a responsabilidade, o ministro do Exterior israelense, Gabi Ashkenazi, declarou: "Temos uma política há vários governo de não permitir que o Irã tenha capacidade nuclear. 

"Este regime com tais habilidades é uma ameaça existencial a Israel e não podemos permitir que se instale na nossa fronteira norte", observou o ministro, numa referência à presença militar iraniana na Síria. "Fazemos ações que é melhor não comentar."

A República Islâmica e suas milícias aliadas tiveram um papel decisivo para sustentar a ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. Em várias ocasiões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu considerou inaceitável uma presença militar permanente do Irã na Síria, especialmente numa faixa de até 50 quilômetros de distância da fronteira de Israel.

Uma série de explosões misteriosas ocorreu no Irã desde quinta-feira passada. A primeira foi numa instalação próxima do complexo militar de Parchin. O regime dos aiatolás atribuiu o incidente a uma explosão de gás, mas fotos de satélite revelaram que o alvo foi uma fábrica de mísseis.

No mesmo dia, uma explosão num hospital de Teerã matou 19 pessoas. Na sexta-feira, houve um grande incêndio num prédio da central nuclear de Natanz, a maior instalação de enriquecimento de urânio do Irã. Ontem, houve relatos de outro incêndio perto de uma usina de energia elétrica na região de Ahvaz, no Sul do país, perto da fronteira com o Iraque.

Em entrevista à Rádio do Exército, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, tentou desvincular o país das explosões: "Nem todo incidente que transparece no Irã tem de ver conosco. Todos suspeitam de nós todo o tempo, mas nem todo incidente que acontece no Irã necessariamente tem algo a ver conosco."

Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel disputou as últimas eleições contra o primeiro-ministro Netanyahu e formou um governo de coalizão depois de três eleições em que nenhum dos dois conseguiu maioria absoluta. 

"Continuamos a agir em todas as frentes para reduzir a possibilidade de que o Irã se torne uma potência nuclear. Um Irã nuclear é uma ameaça ao mundo, à região e a Israel. Faremos todo o possível para evitar que isto aconteça. E faremos todo o possível para impedir o Irã de difundir o terrorismo e distribuir armas, não vou me referir a nenhum caso específico", acrescentou o ministro da Defesa.

A preocupação de Israel não se limita às armas nucleares. O país quer a prorrogação do embargo das Nações Unidas à venda de armas ao Irã além de outubro, o prazo atualmente estabelecido, para impedir a ditadura teocrática iraniana de adquirir sistemas avanços de armamentos.

O ministro do Exterior lembrou que o Irã arma dezenas de milícias no Oriente Médio. A maior de todas é o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, país que no momento enfrenta uma séria crise econômica, com protestos nas ruas contra a presença da milícia no governo da união nacional.

A Organização de Energia Atômica do Irã confirmou a ocorrência de um incidente na central nuclear de Natanz, alvo em 2010 de um ataque cibernético com o vírus Stuxnet para atrasar o desenvolvimento da bomba atômica iraniana. Na época, o regime iraniano acusou os EUA e Israel. O Stuxnet é considerado um verme por tornar lentos os computadores que infecta.

Oficialmente, o Irã nega estar desenvolvendo armas nucleares, mas retomou várias atividades de seu programa atômico depois que o presidente Donald Trump retirou, em maio de 2018, os EUA do acordo negociado pelo governo Barack Obama, as outras grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU ( China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

Em janeiro, um ataque de mísseis americanos matou o general Kassem Suleimani, o mais graduado oficial iraniano, no aeroporto de Bagdá, depois de ataques de milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã. O general comandava a Força Quods, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, e coordenava mais de 60 milícias xiitas no Oriente Médio.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Irã estoca urânio acima do limite e eleições fortalecem a linha dura

Em desafio às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, o Irã está enriquecendo e estocando urânio acima dos limites permitidos pelo Acordo de Viena, de 2015. Hoje, o país realizou eleições que devem fortalecer a linha dura, com o colapso do acordo abandonado pelo governo Donald Trump.

A República Islâmica do Irã realizou hoje sua décima-primeira eleição parlamentar desde a revolução islâmica de 1979, as primeiras desde que o presidente Donald Trump retirou, em maio de 2018, os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 para impedir que o país faça a bomba atômica. 

Sete mil candidatos concorrem às 290 cadeiras do Majlis, o Parlamento iraniano. A grande disputa será entre os conservadores e a linha-dura. Mais de 16 mil candidatos foram proibidos de concorrer pela Conselho dos Guardiães da ditadura fundamentalista xiita iraniana, inclusive 90 deputados reformistas da atual legislatura. 

A ala moderada a favor do presidente Hassan Rouhani e do ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, que negociaram o acordo nuclear com o governo Barack Obama e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia), foi liquidada politicamente pela guerra econômica de Trump. 

Afinal, Rouhani se elegeu prometendo melhorar as relações com o Ocidente e recuperar a economia do país. Meu comentário:

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Irã fracassa ao tentar lançar satélite

A Agência Espacial do Irã tentou lançar no espaço ontem o satélite Zafar-1, mas o veículo de lançamento Simorgh não conseguiu atingir a velocidade necessária para entrar em órbita da Terra, noticiou a agência Associated Press (AP).

É a sexta tentativa consecutiva fracassada da República Islâmica de enviar um satélite ao espaço desde a assinatura do acordo nuclear em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear iraniano por 10 anos.

Uma das principais críticas do presidente Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo em 8 de maio do ano passado, é que não proíbe o Irã de desenvolver tecnologia de mísseis. O presidente americano também gostaria de impedir a ditadura teocrática iraniana de interferir em outros países do Oriente Médio.

Israel e seus aliados ocidentais acreditam que o regime dos aiatolás usa os lançamentos de satélite para encobrir  o verdadeiro objetivo, desenvolver seu programa de mísseis, já que é uma tecnologia de uso duplo, civil e militar.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Trump dobra a aposta com novas sanções ao Irã


O presidente Donald Trump volta à ofensiva com novas sanções contra a República Islâmica na certeza de estar ganhando o conflito com o Irã. Duas semanas depois do início da crise, apresento 14 conclusões preliminares. 

Em 27 de dezembro, uma barragem de mísseis atingiu uma base militar do Iraque onde havia soldados dos Estados Unidos, matando um funcionário civil americano contratado pelo soldado. Quatro soldados saíram feridos. Trump ordenou o bombardeio de bases das milícias xiitas iraquianas, matando supostamente 25 milicianos.

 Um ataque à embaixada americana em Bagdá levou o presidente americano a autorizar uma ação para matar o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana. Dois comandantes de milícias iraquianas morreram na mesma operação. 

A tímida reação do Irã, com um ataque que não feriu ninguém, criou esta frágil trégua. Duas semanas depois do início da última crise entre os Estados Unidos e o Irã, é um bom momento para chegar a algumas conclusões provisórias. Meu comentário:

domingo, 5 de janeiro de 2020

Irã abandona o acordo nuclear de 2015

A República Islâmica do Irã anunciou hoje que não vai mais cumprir o acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa de armas atômicas do país, a não ser que os Estados Unidos suspendam as sanções econômicas. Mas vai continuar aceitando inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Teerã deve acelerar o enriquecimento de urânio. Através da televisão estatal, o regime dos aiatolás deixou claro que não vai mais respeitar os limites do número de centrífugas, do volume de estoques de urânio enriquecido, da pesquisa e do desenvolvimento previstos pelo Acordo de Viena, negociado pelo governo Barack Obama e abandonado pelo presidente Donald Trump em 8 de maio de 2018.

Desde então, o governo Trump reimpôs sanções econômicas duras para sufocar a ditadura teocrática iraniana. As exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para 600 mil barris diários e a Guarda Revolucionária Iraniana iniciou, em maio de 2019, uma série de provocações.

Nos últimos meses, houve uma escalada perigosa no Oriente Médio. Em maio, houve ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico e, em setembro a instalações de petróleo da Arábia Saudita.

Em novembro e dezembro, ataques a quartéis iraquianos onda havia soldados dos EUA levaram ao bombardeio a bases de milícias xiitas iraquianas, ao cerco da embaixada americana em Bagdá e à morte do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém, em árabe), a tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior.

O presidente Trump advertiu ontem que, se cidadãos e interesses dos EUA forem atacados, está preparando uma retaliação que incluiria 52 alvos de importância estratégica, econômica e cultural. Diante da ameaça, o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, respondeu que qualquer ataque a prédios históricos será um crime contra a humanidade.

Se não derrubar o regime fundamentalista iraniano, o que não está nos seus planos porque causaria uma guerra arrasadora, uma herança maldita de Trump pode ser um Irã com armas nucleares, tudo o que os EUA e Israel gostariam de evitar.

sábado, 7 de dezembro de 2019

EUA e Irã trocam prisioneiros

Em um momento de alta tensão entre os dois países, o Irã libertou hoje o acadêmico americano Xiyue Wang, preso há mais de três anos na República Islâmica sob acusação de espionagem. Em troca, os Estados Unidos soltaram o respeitado cientista iraniano Massoud Soleimani, denunciado por violar o embargo econômico ao Irã.

Wang, de 38 anos, fazia doutorado na Universidade de Princeton. Foi preso em agosto de 2016, quando estudava a língua persa e pesquisava documentos históricos para sua tese. Os EUA sempre negaram que fosse um espião.

Mesmo assim, Wang foi condenado a dez anos de prisão. Um avião do governo da Suíça o levou de Teerã para Zurique, onde ele foi entregue ao representante especial para o Irã do Departamento de Estado americano, Brian Hook.

Nos EUA, o Departamento da Justiça retirou a denúncia contra o professor Soleimani, preso no ano passado no aeroporto de Chicago por tentar entrar no país com "material biológico" numa violação das sanções impostas pelo governo Donald Trump contra o programa nuclear do Irã. Ele seria libertado em janeiro de 2020 depois de fazer um acordo com a Justiça.

Ao comentar a troca de prisioneiros, o presidente Trump declarou ser um sinal de que os dois países podem negociar. Não há nada concreto a indicar uma ampliação do diálogo, mas fica uma esperança.

Em 8 de maio de 2018, o presidente americano rompeu o acordo nuclear com o Irã negociado pelo governo Barack Obama e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas numa verdadeira guerra econômica contra o Irã.

Trump quer renegociar um acordo mais amplo, que inclua, além das armas nucleares, os mísseis de médio e longo alcances e a interferência política do regime fundamentalista iraniano em outros países do Oriente Médio, onde Teerã se apresenta como líder das populações muçulmanas xiitas.

No momento, a ditadura dos aiatolás está diante de grandes pressão das ruas. Desde 15 de novembro, os iranianos protestam nas grandes cidades contra um aumento de 300% no preço da gasolina. A repressão violenta matou pelo menos 300 pessoas.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Repressão a protestos deixa mais de 100 mortos no Irã

A ditadura teocrática do Irã matou pelo menos 106 pessoas para conter uma onda de manifestações de protesto. Centenas de pessoas saíram feridas e mais de mil foram presas, denuncia a organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.

As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Irã inaugura centrífugas no aniversário da tomada da embaixada dos EUA

A República Islâmica do Irã acionou ontem uma cadeia de 30 centrífugas avançadas capazes de enriquecer urânio numa velocidade dez vezes maior do que antes, anunciou o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi.

É mais um desafio iraniano ao acordo assinado em 2015 com todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia) e mais a Alemanha para congelar a parte militar do programa nuclear do Irã por dez anos.

O presidente Donald Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018 e declarou uma guerra econômica tentando sufocar a economia iraniana e impedir o país de exportar petróleo. As exportações de petróleo iranianas caíram de 3 milhões para 600 mil barris por dia. A moeda iraniana, o rial, perdeu metade do valor. 

Para pressionar os outros países a aliviar de alguma forma a pressão sobre a economia do Irã, o regime fundamentalista iraniano voltou a enriquecer urânio além dos limites previstos no acordo. 

Desde maio, a Guarda Revolucionária atacou pelo menos seis navios no Golfo Pérsico, uma milícia do Iêmen financiada pelo Irã assumiu a responsabilidade por um ataque contra instalações de petróleo da Arábia Saudita. O objetivo é romper o cerco da guerra econômica de Trump.

O novo desafio é lançado em 4 de novembro, quando faz 40 anos da ocupação da embaixada dos Estados Unidos em Teerã por guardas revolucionários, que tomaram 52 americanos como reféns por 444 dias. 

O então presidente americano, Jimmy Carter, autorizou uma operação de resgate. A Operação Garra de Águia fracassou com areia do deserto entrando em helicópteros dos Estados Unidos e a morte de oito soldados americanos e um civil iraniano. 

A crise dos reféns no Irã foi um fator importante para a derrota de Carter para Ronald Reagan, em novembro de 1980. Eles foram libertados minutos depois da posse de Reagan. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Casa Branca articula encontro entre presidentes dos EUA e do Irã

O presidente Donald Trump está disposto a aceitar uma proposta da França para abrir uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar as sanções a que a República Islâmica está submetida pelos Estados Unidos. O Japão colaboraria no relaxamento das sanções. Isto viabilizaria um encontro de Trump com o presidente do Irã, aiatolá Hassan Rouhani, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no fim do deste mês.

Em troca, o Irã voltaria a cumprir o acordo nuclear assinado em 2015 com o governo Barack Obama, as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear militar iraniano e evitar que o país fabrique armas atômicas.

O acordo foi uma das grandes realizações de política externa de Obama. Afinal, os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a ocupação da embaixada americana em Teerã por 444 dias, a partir de 4 de novembro de 1979, nove meses depois da revolução islâmica, que derrubou o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington, e levou o regime dos aiatolás ao poder.

Sob protesto do Irã, Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018, sob a orientação do então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, o advogado e embaixador linha-dura John Bolton, que caiu há dois dias. 

Bolton queria mudança de regime em Teerã. Chegou a defender um bombardeio ao Irã depois de um ataque a um drone americano no Golfo Pérsico. Também era a favor do uso da força na Coreia do Norte e na Venezuela. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

EUA fazem exigências para fechar novo acordo com o Irã

O secretário de Estado, Mike Pompeo, citou hoje quatro questões fundamentais para que os Estados Unidos façam um novo acordo com a República Islâmica do Irã: proibição de fabricar armas atômicas e de desenvolver tecnologia de mísseis, apoio a milícia e grupos terroristas e mudar o tratamento de cidadãos americanos presos naquele país.

Estas exigências foram delineadas pelo chefe da diplomacia americana em artigo publicado no jornal USA Today. Há enormes obstáculos para negociar tal acordo.

A ditadura teocrática iraniana anunciou na semana passada que seus depósitos de água pesada superaram o limite de 130 toneladas previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por 10 anos.

Em 8 de maio de 2018, contrariando os relatórios de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos serviços secretos ocidentais, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e impôs duras sanções econômicas para impedir o Irã de exportar petróleo.

Sob pressão da guerra econômica do governo Trump, o produto interno bruto da economia iraniana deve cair 6% neste ano e a inflação está em cerca de 50% ao ano.

Nos últimos meses, o regime dos aiatolás anunciou a intenção de parar de cumprir partes do acordo. Estourou o limite dos estoques de urânio enriquecido imposto pelo acordo (130 kg) e anunciou a intenção de enriquecer urânio a 20%, teor usado em equipamentos de medicina nuclear, um passo para chegar aos 90% necessários para uma bomba atômica, e de reativar o reator de Arak.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária Iraniana passou a atacar navios petroleiros no Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo exportado no mundo.

Há dois dias, o Irã deu o prazo de um mês aos países da Europa para resgatarem a economia do país, aliviando as sanções dos EUA. A União Europeia chegou a criar um sistema de pagamentos para não usar o mercado financeiro do dólar, mas as empresas europeias resistem, temendo as sanções cruzadas dos EUA com quem fizer negócios com o Irã.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

EUA impõem sanções ao ministro do Exterior do Irã

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje sanções contra o ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, congelando seus bens e restringindo suas viagens aos Estados Unidos. O chanceler iraniano acaba de realizar uma viagem de uma semana aos EUA em que fez duras críticas à política do presidente Donald Trump em relação a seu país.

Ao sancionar Zarif, o governo americano pune um moderado que foi o principal negociar da República Islâmica para fechar o acordo de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos a parte militar do programa nuclear iraniano.

Fica mais difícil reabrir as negociações, como gostaria Trump, para incluir também a proibição de desenvolver tecnologia de mísseis e de interferir política e militarmente em outros países do Oriente Médio.

Em tese, a estratégia de pressão máxima adotada pelos EUA visa a trazer o Irã de volta à mesa de negociações. Na prática, enfraquece os setores mais moderados do regime dos aiatolás, enquanto fortalece a Guarda Revolucionária Iraniana, declarada grupo terrorista pelos EUA em abril.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

EUA derrubam drone iraniano e Irã admite captura de petroleiro

O presidente Donald Trump anunciou hoje que os Estados Unidos derrubaram um drone iraniano hoje no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O Irã nega, mas revela que a Guarda Revolucionária Iraniana capturou um navio petroleiro na região. E o ministro do Exterior iraniano propõem inspeções mais rigorosas às instalações nucleares do país em troca das sanções impostas pelo governo americano.

Trump descreveu a aproximação do drone de um navio de guerra americano como “a última de muitas ações hostis e provocações do Irã. O Departamento da Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, afirmou que o navio USS Boxer estava em águas internacionais e reagiu quando a aeronave não tripulada se aproximou a uma distância perigosa.

Um barco iraniano chegou a menos de 500 metros do USS Boxer. Quando o drone ficou entre os dois, foi abatido. 

Para aumentar ainda mais a pressão sobre o Irã, o Pentágono anunciou hoje o envio de 500 soldados americanos para a Arábia Saudita. 

Também hoje, a televisão iraniana mostrou imagem de um navio-tanque estrangeiro capturado há quatro dias pela Guarda Revolucionária, sob a alegação de estar contrabandeando 1 milhão de litros de petróleo. 

Aparentemente o Irã quer retaliar a recente apreensão de um petroleiro iraniano pela Marinha Real britânica perto do Estreito de Gibraltar, na entrada do Mar Mediterrâneo. O navio vinha do Oceano Atlântico com destino à Síria.Diante do aumento da tensão no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo subiu pouco mais de 1%. Meu comentário:

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Irã admite negociar se EUA suspenderem sanções

A República Islâmica do Irã está disposta a negociar com os Estados Unidos, se as sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump forem suspensas, declarou ontem o presidente Hassan Rouhani em pronunciamento na televisão iraniana.

"Nós sempre acreditamos em negociações", afirmou Rouhani. "Se suspenderem as sanções, acabarem com a pressão econômica e voltarem ao acordo, estamos dispostos a conversar com os EUA, agora e em qualquer lugar."

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, desprezou a proposta iraniana, alegando que é o mesmo que ofereceram ao governo Barack Obama. Mas as grandes nações da Europa estão preocupadas.

Em uma declaração conjunta no domingo, a Alemanha, a França e o Reino Unido fizeram um apelo à calma. Querem reduzir a tensão no Oriente Médio e preservar o acordo nuclear assinado em 2015, no governo Obama, pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para congelar o programa nuclear militar iraniano por dez anos. Os grandes países da Europa disseram que isso "depende do pleno respeito pelo Irã de suas obrigações."

Na semana passada, a ditadura teocrática iraniana anunciou a decisão de enriquecer urânio acima do limite permitido pelo acordo. A Marinha britânica apreendeu um navio petroleiro iraniano com destino à Síria por força das sanções da União Europeia contra o regime de Bachar Assad por causa da guerra civil.

Dias depois, barcos e lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana tentaram impedir a passagem de um petroleiro britânico pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, e foram repelidos por uma fragata da Marinha Real que escoltava o navio-tanque.

O conflito entre EUA e Irã tem origem no golpe de Estado de 1953 articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência) contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo. Ascendeu ao poder o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington.

Em fevereiro de 1979, uma revolução que começou com greves no setor de petróleo acabou entregando o poder ao clero muçulmano xiita e ao aiatolá Ruhollah Khomeini. Em novembro daquele ano, guardas revolucionários ocuparam a embaixada americana em Teerã e tomaram reféns.

Desde então, as relações entre os dois países estão rompidas. Mesmo assim, o governo Barack Obama negociou junto com as outras e o Irã um acordo assinado em 2015 para congelar o aspecto militar do programa nuclear iraniano por 10 anos.

Trump retirou os EUA do acordo e meses depois impôs duras sanções com o objetivo de impedir o regime dos aiatolás de exportar petróleo para sufocar a economia iraniana, numa verdadeira guerra econômica. A inflação ronda os 50% ao ano e o produto interno bruto do Irã deve cair 6% neste ano.

Ontem, o jornal inglês Mail on Sunday divulgou novos documentos sigilosos observações do embaixador Ken Darroch sobre o governo Trump. O abandono do acordo nuclear com o Irã foi descrito pelo embaixador como "vandalismo diplomático" por "razões ideológicas ou personalistas", porque era um acordo negociado por Obama.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Irã tenta interceptar petroleiro britânico no Estreito de Ormuz

Uma flotilha de cinco barcos e lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana tentou tomar um navio-tanque britânico que atravessava o Estreito de Ormuz para entrar no Golfo Pérsico, noticiou a agência Reuters citando fontes militares dos Estados Unidos, que monitoraram o incidente.

O navio britânico era escoltado pela fragata da Marinha Real HMS Montrose, que advertiu os iranianos pelo rádio e disparou tiros de advertência.

Antes, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou o Reino Unido por ter apreendido um petroleiro iraniano que levava petróleo bruto pela Síria através do Estreito de Gibraltar, um enclave britânico no Sul da Espanha, violando sanções internacionais contra o regime sírio.

"Vocês iniciaram esta situação de insegurança e vão ver as consequências mais tarde", advertiu o aiatolá, sabendo da operação.

Ontem, a revista Foreign Policy noticiou que o Reino Unido e a França manifestaram interesse em participar com os EUA da Operação Sentinela para proteger a navegação no Estreito de Ormuz diante das ameaças iranianas. O incidente de hoje só reforça o interesse britânico.

Dois ataques contra petroleiros em junho no Estreito de Ormuz e o abate de um avião não tripulado dos EUA são sinais da crescente revolta do Irã em face da guerra econômica deflagrada pelo presidente Donald Trump depois de retirar, em 8 de maio de 2018, os EUA do acordo nuclear assinado em 2015 pelo governo Barack Obama para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

Esta campanha de "pressão máxima" está sufocando a economia iraniana. O objetivo de Trump é renegociar o acordo para incluir a proibição do Irã de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir em outros países do Oriente Médio.

A República Islâmica considera estas exigências equivalem a uma rendição. No mês passado, um ano depois da retirada dos EUA do acordo, o Irã anunciou a intenção de retomar o enriquecimento de urânio. Já ultrapassou o limite de 300 quilos previsto no acordo e, desde segunda-feira, aumentou o teor do urânio enriquecido de 3,67% para 4,5%. Ainda está longe dos 90% necessários para uma bomba atômica, mas está no caminho.

O presidente Emmanuel Macron tentou convencer o regime teocrático iraniano a não abandonar totalmente o acordo. O Irã agradeceu à França pela iniciativa, mas a Europa não consegue romper o cerco econômico dos EUA. As empresas europeias não querem correr o risco de serem excluídas do mercado americano e dos negócios em dólares.

domingo, 7 de julho de 2019

Irã volta a enriquecer urânio acima do limite do acordo de 2015

O Irã anunciou hoje que está regulando suas centrífugas para aumentar a partir de amanhã o teor do urânio enriquecido acima do limite de 3,67% previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e Alemanha.

É uma tentativa de pressionar a Europa, a China e a Rússia a ajudar o Irã a aliviar o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos desde que o presidente Donald Trump retirou seu país do acordo, em 8 de maio de 2018.

Hoje era o fim do prazo de 60 dias que a República Islâmica deu aos europeus para contornar o problema criado pelas sanções americanas. Extremamente preocupada, a supercomissária europeia para política externa, a ex-chanceler italiana Federica Mogherini, prometeu discutir a questão com a China e a Rússia.

"Apelamos ao Irã para que não tome mais medidas que minem o acordo nuclerar", declarou a porta-voz europeia Maja Kocijancic. "Pedimos encarecidamente ao Irã que pare e reverta todas as atividades inconsistentes com o acordo nuclear."

"É melhor o Irã tomar cuidado", advertiu o presidente Trump.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, prometeu novas medidas de pressão: "A
última expansão do programa nuclear do Irã vai levar a mais isolamento e mais sanções. Armado com bombas atômicas, o regime iraniano seria um perigo ainda maior para o mundo."

terça-feira, 2 de julho de 2019

Irã estoura limite de urânio enriquecido que pode armazenar

O estoque de urânio enriquecido do Irã ultrapassou os 300 quilos, limite do que pode armazenar com base no acordo nuclear assinado em 2015 e abandonado pelos Estados Unidos no ano passado, revelou hoje o ministro do Exterior da República Islâmica, Mohamed Javad Zarif. A informação foi confirmada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que até agora certificava que o regime dos aiatolás estava cumprindo o acordo.

Em maio, quando fez um ano da saída do governo Donald Trump do acordo, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, anunciou a intenção de reduzir seus compromissos em relação ao acordo e retomar o enriquecimento de urânio.

Pelo acordo, a ditadura teocrática iraniana só pode enriquecer a um teor de urânio-235 de 3,67%, usado em usinas atômicas de geração de energia elétrica. Em estado natural, o urânio-235 é apenas 0,7% das jazidas deste elemento químico, o de mais alto número atômico encontrado na Terra.

O estouro do limite significa que o ritmo de enriquecimento quadruplicou em maio.

Antes do acordo, o Irã estava enriquecendo urânio a um teor de 20% para uso em equipamentos de medicina nuclear. Ameaça voltar a fazer isso a partir da próxima semana. Os especialistas entendem que não teria dificuldade de pular daí para um teor de 90% de urânio-235, a carga explosiva das bombas atômicas mais simples, e de fabricar uma arma nuclear.

O Irã criticou o sistema de pagamentos criado em janeiro pela Alemanha, a França e o Reino Unido para permitir negócios com o país sem passar pelo dólar. Mesmo com este sistema, a maioria das empresas europeias não deve fazer negócios com o Irã por medo das sanções impostas pelos EUA, que podem excluir essas empresas não só do mercado consumidor americano, mas também de transações financeiras realizadas em dólares.

Sob pressão da guerra econômica deflagrada por Trump, a economia iraniana deve encolher 6% em 2019 e a inflação deve chegar a 50%. O presidente americano acusou o Irã hoje de "estar brincando com fogo".

Trump quer renegociar o acordo para incluir regras ainda mais rígidas para proibir o Irã de ter armas nucleares e mísseis de longo e médio alcances, e de interferir em outros países do Oriente Médio apoiando grupos armados como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

Em resposta, o Irã atacou navios petroleiros na região do Golfo Pérsico, derrubou um avião-espião americano não tripulado e aumentou o enriquecimento de urânio. Tenta aumentar seu poder de barganha.

Trump gostaria de se reunir com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana. Marginalizou o presidente Hassan Rouhani, um aiatolá da ala mais moderada do regime, responsável pelo acordo firmado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

Khamenei não aceita aparecer em público ao lado de Trump, como faz o ditador norte-coreano Kim Jong Un, sem um reatamento das relações diplomáticas entre os EUA e o Irã, o que hoje é totalmente impensável.

A lição que o Irã tira da bajulação de Trump a Kim é a mesma aprendida pela Índia durante a Guerra do Golfo de 1991: para ser respeitado pelos EUA, é preciso ter armas nucleares. Os EUA e aliados derrubaram Saddam Hussein, no Iraque, e Muamar Kadafi, na Líbia, que não tinham armas atômicas. A Coreia do Norte tem e Trump acaba de se tornar o primeiro presidente americano no exercício do cargo a pisar em seu território.