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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

EUA bombardeiam milícias apoiadas pelo Irã na Síria

 Na primeira ação militar do governo Joe Biden, a Força Aérea dos Estados Unidos bombardeou bases de milícias xiitas apoiadas pelo Irã na Síria em resposta a ataques a forças americanas no Iraque. Pelo menos 17 milicianos teriam sido mortos. É um sinal de que o novo presidente está disposto a usar a força e vai retaliar quando soldados dos EUA forem atacados, e um aviso ao Irã.

Os alvos foram as milícias Kataib Hesbolá e Kataib Said al-Chuhada, mas o principal recado é para o Irã, o maior inimigo dos EUA no Oriente Médio, que se fortaleceu com a invasão do Iraque, onde a maioria da população é xiita como na República Islâmica. 

O Iraque foi criado em 1920 pelo então subsecretário de Estado para o Oriente Médio do Império Britânico, Winston Churchill, reunindo a província curda de Kirkuk e as províncias árabes de Bagdá e Bássora do extinto Império Otomano para formar um país capaz de conter o Irã. Churchill traiu os curdos, a quem fora prometido um Estado Nacional. A invasão americana de 2003 para depor o ditador sanguinário Saddam Hussein fragmentou o país - e o Irã foi o maior beneficiado pela influência que tem sobre a maioria xiita.

Biden repete a política do Grande Porrete, associada ao presidente Theodore Roosevelt, pioneiro do imperialismo americano: fale macio, mas mostre um grande porrete. Ele anunciou a intenção de renegociar o acordo nuclear fechado em 2015, no governo Barack Obama (2009-17), entre o Irã, as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano e assim evitar que o país fabrique armas atômicas.  O presidente Donald Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018 e impôs sanções econômicas duríssimas para sufocar a economia do Irã. 

Agora, os EUA pretendem incluir na renegociação a tecnologia de mísseis, querem que o Irã tenha apenas mísseis defensivos, de curto alcance (500 km), e que pare de interferir em outros países da região, exportando sua revolução e armando, financiando e treinando milícias xiitas. O regime fundamentalista iraniano quer limitar a negociação à questão nuclear.

A retaliação dos EUA foi uma resposta a ataques de milícias xiitas a alvos americanos em Irbil, a capital do Curdistão Iraquiano, bases na periferia de Badgá e na Zona Verde da capital do Iraque, onde fica a embaixada americana.

Em 3 de janeiro de 2020, um ataque de mísseis dos EUA matou o general Kassem Suleimani, o mais laureado general iraniano, comandante da Força Quods, o braço da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior. 

Suleimani comandava mais de 60 milícias xiitas em ação no Iraque, no Líbano e na Síria, onde algumas foram uma força terrestre decisiva ao lado do ditador Bachar Assad na guerra civil iniciada em 2011 e até agora não totalmente pacificada.

Na época, houve uma resposta moderada do Irã e aliados à morte do general, mas o desejo de vingança está vivo. De tempos em tempos, as forças dos EUA, reduzidas no governo Trump. são alvo de milícias xiitas ou sunitas. O Estado Islâmico, agora na clandestinidade, voltou a atacar em Rakka, a antiga capital de seu califado.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Pelosi rasga discurso mentiroso de Trump

Em tom de campanha eleitoral, o presidente Donald Trump fez ontem o Discurso sobre o Estado da União apresentando seu governo como o melhor da história dos Estados Unidos. Mas mentiu e exagerou como de costume. 

No final, a presidente da Câmara dos Representantes, a deputada democrata Nancy Pelosi, rasgou o discurso enquanto o presidente era aplaudido. Ao chegar, ele recusou o aperto de mão de Pelosi.

Para os padrões de Trump, foi um discurso moderado, lido no teleprompter. Ele tentou se apresentar como um conciliador que governa para todos, mas o tom foi nitidamente partidário e autolaudatório.

Trump destacou os sucessos da economia, seu principal tema na campanha, mas omitiu que o país cresce sem parar desde 2009, no início do governo Barack Obama, e que o mercado de trabalho está em expansão desde 2010, atribuindo-se todas as glórias.

A contribuição de Trump para incentivar a economia foi o corte de impostos, que beneficiou principalmente os mais ricos e aumentou o déficit orçamentário para cerca de US$ 1 trilhão, deixando a conta para as futuras gerações. O dinheiro extra injetado na economia explica os recordes nas bolsas de valores.

O presidente não mentiu quando disse que as taxas de desemprego entre negros e latino-americanos são as menores da história. Mas afirmou que está protegendo quem tem doenças preexistentes nas reformas do sistema de saúde. Na prática, está na Justiça tentando derrubar a reforma de Obama e a garantia sobre doenças preexistentes.

A segurança nacional e a imigração, temas importantes na campanha, também foram exploradas. Trump mentiu mais uma vez ao dizer que quando chegou ao poder a organização terrorista Estado Islâmico controlava um grande território. Já estava acuado, em pleno recuo.

Dois inimigos dos EUA, o líder do Estado Islâmico, Abubaker al-Baghdadi, e o chefe da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, general Kassem Suleimani, foram mortos em ações militares americanas em seu governo, destacou Trump. Foi um dos poucos momentos em que foi aplaudido por republicanos e democratas. Mas um relatório do Departamento da Defesa conclui que a capacidade operacional do Estado Islâmico não diminuiu.

A diplomacia americana não vai tão bem assim. Trump destacou os acordos comerciais com a China e os países da América do Norte, mas a guerra comercial com os chineses prejudicou o crescimento dos EUA e da economia mundial. O novo acordo de livre comércio da América do Norte pouco mudou. A alegação de que vai gerar 100 mil empregos não tem fundamento. É mais uma mentira.

Sob seu governo, declarou o presidente, o direito de portar armas será garantido, assim como a "liberdade religiosa", inclusive o direito de rezar em escolas públicas, antiga reivindicação do eleitorado cristão conservador. Na prática, é uma violação do secularismo do Estado, base da liberdade religiosa.

O aquecimento global, que o governo Trump nega ser causado pelo homem, não foi mencionado, mas, sim, que os EUA são hoje os maiores produtores mundiais de petróleo e gás. Ele omitiu que isto acontece desde 2012, quando Obama estava na Casa Branca.

Na plateia, foram homenageados o radialista ultraconservador Rush Limbaugh, que está com câncer de pulmão avançado, condecorado com a Medalha da Liberdade, veteranos de guerra, os pais de soldados mortos em combate e o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por 52 países como presidente interino do país.

Ao justificar o gesto de rasgar o discurso, a presidente da Câmara descreveu o texto como um "manifesto de inverdades" e sua atitude como "cortês, considerando a alternativa".

Hoje a bancada republicana no Senado deve absolver Trump no julgamento do processo de impeachment das acusações de abuso de poder ao pressionar o presidente da Ucrânia a investigar o filho do ex-vice-presidente Joe Biden e de obstruir as investigações da Câmara sobre o caso.

Apesar do impeachment, a popularidade do presidente aumentou. Na última pesquisa, 49% dos americanos aprovaram sua administração. Com a economia crescendo em ritmo de 2,1% ao ano e o desemprego em 3,5%, Trump tem grandes chances de se reeleger em 3 de novembro.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Morte do general não abalou mercado do petróleo mas existe risco

A morte do general Kassem Suleimani não foi suficiente para abalar o mercado internacional de petróleo e provocar uma alta de longo prazo, mas o risco existe por causa da tensão entre os Estados Unidos e o Irã.

Os preços do petróleo estão abaixo do que estavam em 2 de janeiro, antes do ataque de drones dos Estados Unidos que matou em Bagdá o comandante da força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã.

O barril de petróleo tipo Brent, do Mar do Norte, padrão de referência da Bolsa Mercantil de Londres, custa hoje 65 dólares e o West Texas Intermediate, do Golfo do México, padrão do mercado americano, vale 58 dólares e 72 centavos. 

Isto reflete uma mudança estrutural no mercado de petróleo e na maneira como reage a choques políticos. Parte do aumento registrado no início do mês passado se deve ao acordo comercial entre os Estados Unidos e a China e ao anúncio de cortes na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Meu comentário:

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Míssil iraniano derrubou Boeing da Ucrânia perto de Teerã

Um míssil iraniano derrubou um avião de passageiros da companhia aérea Ukraine Airlines perto de Teerã, matando 176 civis inocentes pouco depois do ataque de mísseis do Irã contra duas bases militares do Iraque onde havia soldados americanos, dois dias atrás.

São as consequências inesperadas da guerra. Mesmo depois de fazer um ataque simbólico que não matou nem feriu ninguém para retaliar pela morte do comandante da Guarda Revolucionária general Kassem Soleimani, a República Islâmica temia um contra-ataque dos Estados Unidos. Estava preparada para se defender e atingiu um alvo indesejado.

Um vídeo foi divulgado há pouco pelo jornal The New York Times. O link está no blog. O avião explodiu e pegou fogo no ar. Isso só seria possível se um terrorista explodisse uma bomba dentro do avião ou se fosse atingido por um míssil. 

A versão inicial do Irã sugeria um problema mecânico. Depois de cinco minutos de voo, a avião estaria voltando ao aeroporto internacional Aiatolá Khomeini. Até agora, o Irã se nega a entregar as caixas-pretas da aeronave aos EUA e à Boeing.

O Boeing 737-800 é um dos aviões mais seguros da história da aviação, apesar dos problemas que tiraram do ar a última versão, o Boeing 737-800 MAX. Era novo, tinha meses de uso e acabara de passar por uma revisão. Foi uma tragédia repetida. Meu comentário:
O Irã nega qualquer responsabilidade pela queda do avião.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Disparo de foguetes contra embaixada mantém ameaça aos EUA no Iraque

O ataque simbólico do Irã, sem matar nem ferir ninguém, reduziu a tensão no Oriente Médio, mas novos disparos de foguetes contra a embaixada mostram que o risco para os Estados Unidos no Iraque não acabou.

Em tom triunfalista e eleitoreiro, o presidente Donald Trump cantou vitória hoje na Casa Branca, dizendo que “o Irã parece estar recuando”. O novo ataque revela que o risco não está totalmente afastado.

Trump fala como herói para o eleitorado do Partido Republicano, mas sai derrotado politicamente do episódio, com o aumento da influência do Irã sobre o Iraque e o repúdio dos iraquianos à violação da soberania nacional. Trump perde, especialmente se as forças dos Estados Unidos saírem do Iraque.

Realmente, o ataque de ontem à noite com dezenas de mísseis contra duas bases militares onde há soldados americanos no Iraque parece ter sido calibrado para não matar ninguém. Visava a acalmar o público interno no Irã depois do assassinato do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, por um drone americano na semana passada perto do aeroporto de Bagdá.

O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, invocou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que dá aos países o direito de reagir a agressões. Foi uma resposta fraca, destinada a evitar o contra-ataque “desproporcional” ameaçado por Trump.

A morte de seu general mais importante intimidou a República Islâmica. Trump deixou claro estar pronto para usar a força quando americanos forem mortos ou feridos. O Irã tem a tecnologia de mísseis mais avançada do Oriente Médio. Mostrou capacidade militar, mas evitou danos capazes de escalar um conflito contra um inimigo muito mais poderoso. Meu comentário:

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Assassinato de líderes não é política externa

O Irã atacou nesta noite duas bases militares do Iraque onde há soldados dos Estados Unidos, mostrando mais uma vez o fracasso da estratégia de matar líderes inimigos. Como observou o comentarista Gideon Rachman, do jornal Financial Times, "assassinato político não é política externa".

A República Islâmica do Irã assumiu hoje a responsabilidade por um ataque com mais de uma dúzia de mísseis balísticos contra duas bases militares do Iraque, onde havia soldados dos Estados Unidos.

É a retaliação pelo assassinato do general iraniano Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, num ataque de drones na noite de 2 para 3 de janeiro, em Bagdá.
Os danos ainda não foram revelados pelo governo americano.

Horas antes, o presidente Donald Trump ameaçou ordenar um ataque “desproporcional” se cidadãos e interesses dos Estados Unidos fossem atingidos. Os mísseis saíram do território iraniano e alvejaram as bases de Assad, no Oeste, e outra cidade curda de Arbil, no Norte do Iraque.

A bola volta agora para a quadra dos Estados Unidos. A expectativa agora é qual será a reação de Trump, como será o novo ataque americano. Meu comentário:
Depois do ataque, o Ministério do Exterior do Irã divulgou nota tentando desescalar a situação, alegando ter dado uma resposta "proporcional com base no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas", e o presidente Donald Trump escreveu no Twitter, seu meio de comunicação favorito, que "tudo está bem". Nenhum dos dois lados quer a guerra. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Provável retirada dos EUA fortalece posição do Irã no Iraque

Com a morte do principal general do Irã, talvez seu principal objetivo seja atingido: a retirada total das forças dos Estados Unidos do Iraque, o que aumenta a influência iraniana no país vizinho, ex-inimigo numa guerra que durou oito anos e matou cerca de 1 milhão de pessoas.

O presidente Donald Trump afirma que mandou matar o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, a tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, para acabar com uma guerra e não para iniciar outra.

A lógica seria escalar para desescalar, amedrontando o Irã com o poderio militar dos Estados Unidos para evitar novos ataques, mas no momento o que se espera é a retaliação iraniana, como virá, onde e com que intensidade? É preciso observar todas as áreas Oriente Médio e na Ásia Central. Mas o risco é maior no Iraque, onde há 5 mil soldados americanos e várias milícias xiitas sustentadas pelo Irã. 

O discurso do líder do Hesbolá, o Partido de Deus xiita libanês, xeique Hassan Nasrallah, foi especialmente agressivo. Sob o comando do general Suleimani, morto pelos Estados Unidos no dia 2 de janeiro, o Irã exportou sua revolução islâmica e criou uma rede de grupos armados que o apoiam.

O Hesbolá, do Líbano, é o mais poderoso. Foi decisivo para sustentar a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria, que completa dez anos em março, com um total de mortos estimado em pelo menos 380 mil pessoas. Meu comentário:

domingo, 5 de janeiro de 2020

Assembleia Nacional aprova a retirada das forças dos EUA do Iraque

Por 170 a 0, com a abstenção de curdos e sunitas, a Assembleia Nacional do Iraque, de maioria xiita, aprovou hoje uma medida para exigir que o governo peça a saída do país das forças dos Estados Unidos, acusadas de violar a soberania nacional iraquiana ao lançaram o ataque de drones que matou o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém), tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana.

Ao reagir à decisão, o presidente Donald Trump declarou que os EUA gastaram bilhões de dólares numa "base aérea extraordinariamente cara" no Iraque. Se não forem indenizados, vão impor sanções "como nunca se viu" à economia iraquiana, muito mais duras que as que impõem ao Irã, cuja economia deve ter recuado 8,7% em 2019, pela estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sem dúvida, o Iraque deve usar todos os meios legais possíveis para forçar a saída das tropas americanas nos próximos meses. O próprio primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi redigiu o projeto aprovado hoje pelo parlamento.

Como Abdel Mahdi pediu demissão depois de uma onda de manifestações de protestos com mais de 500 mortes, não está certo se tem autoridade para sancionar a lei. Entre os alvos do protesto, estava a influência do Irã. Agora, a maré mudou.

No Líbano, o líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, declarou que a morte de Suleimani marca uma nova etapa porque ele era o coordenador da "resistência", palavra usada para falar contra Israel. Em tom triunfalista, disse que eles ganham mesmo quando são mortos porque viram mártires e "o martírio é a glória".

Irã abandona o acordo nuclear de 2015

A República Islâmica do Irã anunciou hoje que não vai mais cumprir o acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa de armas atômicas do país, a não ser que os Estados Unidos suspendam as sanções econômicas. Mas vai continuar aceitando inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Teerã deve acelerar o enriquecimento de urânio. Através da televisão estatal, o regime dos aiatolás deixou claro que não vai mais respeitar os limites do número de centrífugas, do volume de estoques de urânio enriquecido, da pesquisa e do desenvolvimento previstos pelo Acordo de Viena, negociado pelo governo Barack Obama e abandonado pelo presidente Donald Trump em 8 de maio de 2018.

Desde então, o governo Trump reimpôs sanções econômicas duras para sufocar a ditadura teocrática iraniana. As exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para 600 mil barris diários e a Guarda Revolucionária Iraniana iniciou, em maio de 2019, uma série de provocações.

Nos últimos meses, houve uma escalada perigosa no Oriente Médio. Em maio, houve ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico e, em setembro a instalações de petróleo da Arábia Saudita.

Em novembro e dezembro, ataques a quartéis iraquianos onda havia soldados dos EUA levaram ao bombardeio a bases de milícias xiitas iraquianas, ao cerco da embaixada americana em Bagdá e à morte do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém, em árabe), a tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior.

O presidente Trump advertiu ontem que, se cidadãos e interesses dos EUA forem atacados, está preparando uma retaliação que incluiria 52 alvos de importância estratégica, econômica e cultural. Diante da ameaça, o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, respondeu que qualquer ataque a prédios históricos será um crime contra a humanidade.

Se não derrubar o regime fundamentalista iraniano, o que não está nos seus planos porque causaria uma guerra arrasadora, uma herança maldita de Trump pode ser um Irã com armas nucleares, tudo o que os EUA e Israel gostariam de evitar.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Milhares marcham em Bagdá no funeral do general iraniano morto

Uma multidão marchou hoje às ruas da capital do Iraque como parte dos funeral do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém), a tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior. O Irã prometeu uma "vingança forte".

"A vingança está chegando", gritavam os manifestantes, entre outras palavras de ordem como "morte aos Estados Unidos". Suleimani foi morto na madrugada de ontem por um míssil disparado por um drone americano logo depois de chegar ao aeroporto de Bagdá.

Principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, Suleimani era acusado pelos EUA de criar um arco ou crescente xiita que vai do Irã ao Líbano, passando pelo Iraque, a Síria e o Bahrein, como parte de uma disputa com a Arábia Saudita, majoritariamente sunita, pela liderança regional no Oriente Médio.

Depois da invasão americana ao Iraque que derrubou o ditador Saddam Hussein, arqui-inimigo do Irã, Suleimani organizou a criação de milícias xiitas responsáveis pela morte de centenas de soldados dos EUA. Era o oficial de ligação com a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) no Líbano e com o Movimento de Resistência Islâmica palestino (Hamas).

A partir de 2011, foi o grande arquiteto da defesa da ditadura de Bachar Assad durante a guerra civil na Síria até a intervenção militar da Rússia, em 30 de setembro de 2015.

Em Miami, na Flórida, o presidente Donald Trump declarou ontem que "agimos para parar uma guerra, não para começar uma guerra." E ameaçou atacar 52 alvos iraquianos, se vidas americanas foram atacadas.

A resposta iraniana deve ser calibrada para desestimular futuros ataques dos EUA sem escalar ainda mais a situação.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

EUA pedem a americanos que saiam do Iraque

Com medo de uma retaliação do Irã, os Estados Unidos apelaram a todos os cidadãos americanos para que saiam do Iraque depois que um ataque de drones ordenados pelo presidente Donald Trump matou ontem perto do aeroporto de Bagdá o comandante da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior.

O Supremo Líder Espitirual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, homem-forte da ditadura teocrática iraniana, prometeu vingança e o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, responsabilizou os EUA por "todas as consequências do seu aventureirismo ilegal" ao elevar as tensões entre os dois países a um "nível extremamente perigoso" numa "escalada tola".

Em Washington, o Departamento da Defesa declarou que o ataque foi lançado "para deter futuros planos de ataque iranianos" e que "os EUA realizarão todas as ações necessárias para proteger nosso povo e nossos interesses."

Se agora o Departamento de Estado está recomendando aos americanos que saiam do Iraque e especialmente que não se aproximem da embaixada, onde os serviços consulares estão suspensos, está claro que os cidadãos americanos viraram alvos para aliados do Irã no Oriente Médio.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Israel bombardeia alvos iranianos na Síria

Depois de ataques de foguetes, Israel fez um grande bombardeio a forças do Irã estacionadas na Síria. Pelo menos 23 pessoas morreram, entre elas 16 soldados iranianos. A Rússia condenou o ataque.

A Força Aérea de Israel atacou na madrugada de hoje alvos sírios e iranianos ligados à Força Quods, o braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior nas Colinas do Golã e nos arredores de Damasco, a capital da Síria. 

Foi uma resposta a ataques na manhã de ontem, quando quatro foguetes foram abatidos pelo sistema de defesa antimísseis de Israel, o Domo de Ferro. 

“Atacamos um prédio do aeroporto de Damasco usado por iranianos. Há iranianos mortos e feridos”, declarou um alto funcionário do setor de defesa de Israel. Também foram alvejadas instalações militares sírias onde há soldados iranianos. 

O número de mortos e feridos foi estimado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental que monitora a guerra civil na Síria. Imagens da Síria mostram um míssil antiaéreo se espatifando no solo numa área densamente povoada. Meu comentário:

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Israel teme barragem de mísseis iranianos disparados por milícias xiitas na Síria

Desde que Israel bombardeou quartéis na Síria e matou militares iranianos, espera uma retaliação do Irã. O temor é que milícias xiitas financiadas, treinadas e armadas pelo Irã que lutam na guerra civil da Síria lancem uma barragem de mísseis contra o Norte de Israel.

O ministro da Energia de Israel, Yuval Steinitz, ameaçou matar o ditador Bachar Assad, se permitir um ataque do território sírio, informou o jornal The Times of Israel.

Os informes de inteligência dos serviços secretos israelenses indicam que o planejamento da retaliação iraniana está nas fases finais. O ataque pode ser com mísseis ou drones iranianos disparados por uma milícia xiita.

Israel acredita no envolvimento direto da milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que obteve uma vitória parcial nas eleições no Líbano, ganhando força política. O comando superior seria do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, o braço da Guarda Revolucionária Iraniana para operações no exterior.

"A ideia é usar mísseis pesados iranianos, inclusive o Fateh-110 sob o comando do Hesbolá, sem a presença da Guarda Revolucionária Iraniana", informou domingo à noite o Canal 10 da televisão israelense.

Para o analista militar israelense Roni Daniel, só a Guarda e o Hesbolá têm capacidade de realizar o ataque, mas ele deve partir de uma milícia xiita menor para o Irã negar qualquer responsabilidade. Há várias candidatas.

"A guerra civil na Síria permitiu à Guarda Revolucionária Iraniana expandir sua rede de clientes na região", observou Aymenn Jawad al-Tamimi. "Há uma variedade de grupos que podem atacar Israel em seu favor, como os muitos novos hesbolás sírios integrados às Forças Armadas da Síria, ou grupos que emergiram durante a guerra no Iraque, como Harakat al-Nujaba e sua Brigada de Libertação do Golã."

O primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu ordenou os bombardeios porque está determinado a impedir que o Irã tenha bases permanentes na Síria. Amanhã, o presidente Donald Trump se vai ou não certificar se o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015 para congelar o programa nuclear iraniano e evitar que o país tenha armas atômicas.

Sob pressão de Netanyahu, contra a opinião de seus generais, Trump deve seguir a orientação de assessores da linha dura, como o novo secretário de Estado, Mike Pompeo, e o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton.

A expectativa é que Trump retire os EUA do acordo, assinado pelas cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã, aumentando ainda mais a tensão no Oriente Médio e o risco de uma guerra entre Israel e o Irã.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Israel se prepara para uma retaliação direta do Irã

Dentro da guerra civil da Síria, o maior risco no momento é de uma guerra entre Israel e o Irã. O governo israelense espera um ataque direto da república islâmica em retaliação pelo bombardeio a uma base aérea síria em que sete militares iranianos foram mortos, em 9 de abril de 2018, informou o jornal The Jerusalem Post.

A expectativa é de um ataque de mísseis ou drones disparados pela Guarda Revolucionária do Irã de alguma base na Síria e não por milícias aliadas como o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, que luta ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. A ordem deve partir do general Kassem Suleimani, comandante da Força al-Qods, braço da Guarda Revolucionária para ações no exterior.

"Israel vai reagir duramente a qualquer ação iraniana partindo da Síria", declarou uma fonte das Forças de Defesa de Israel à TV Sky News em árabe. Os militares israelenses estão certos de que a resposta virá.

Depois do bombardeio israelense, Ali Akbar Velayati, ex-ministro do Exterior e atual assessor do Supremo Líder Espiritual da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, advertiu Israel de que "deve esperar uma resposta poderosa".

O representante de Khamenei junto à Guarda, Ali Shirazi, foi ainda mais agressivo: "Se Israel quer continuar sua existência traiçoeira, deve evitar medidas estúpidas. Se derem pretextos ao Irã, Telavive e Haifa serão destruídas."

Fotos de satélites-espiões mostram um aumento da presença militar iraniana na Síria sob o comando do general-brigadeiro Air Ali Hajizadeh, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária do Irã. Também revelam que o Irã envia mísseis para a Síria como se fosse ajuda humanitária.

Os iranianos estabeleceram várias bases, inclusive T4, a base atacada por Israel; em Alepo, a capital econômica do país; no Aeroporto Internacional de Damasco e em outro campo de pouso, ao sul da capital; e em Deir el-Zur, no Leste da Síria, para onde aviões Ilyushin levaram armas e equipamentos militares do Irã.

As companhias aéreas comerciais Simorgh Air e Pouya Cargo Air estariam sendo usadas, de acordo com a mesma fonte, para levar mais soldados e armamentos para a Síria.

No início de fevereiro, um drone iraniano armado com explosivos invadiu o espaço aéreo israelense e foi abatido. Foi um divisor de águas importante nas relações bilaterais entre os dois países.

"Foi a primeira vez que o próprio Irã fez alguma coisa contra Israel - e não através de aliados", observou um oficial israelense, e "foi a primeira vez que atacamos alvos iranianos vivos, tanto instalações quanto pessoas".

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Forças do Iraque tomam Kirkuk de guerrilheiros curdos

Com a queda da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, os aliados de ocasião começam a lutar entre si. Por ordem do primeiro-ministro Haider al-Abadi, o Exército do Iraque e milícias xiitas aliadas entraram hoje na cidade de Kirkuk, que estava em poder de guerrilheiros curdos.

A operação militar é uma resposta ao plebiscito de 25 de setembro, que aprovou a independência do Curdistão iraquiano. Desde o fim da ditadura de Saddam Hussein com a invasão americana de 2003, os curdos têm autonomia regional no Iraque. Depois de desempenhar um papel importante na guerra contra o Estado Islâmico, ampliando em 40% o território sob seu controle, resolveram dar mais um passo rumo à independência.

Os peshmerga foram totalmente surpreendidos e não tiveram reação diante dos tanques iraquianos. Ficaram especialmente revoltados com a participação das Unidades de Mobilização Popular, milícias xiitas sustentadas pelo Irã. O governo regional curdo acusou o Irã de estar por trás da ofensiva.

Houve alguma resistência no quartel K1, no aeroporto, na refinaria de Kirkuk e no campo de petróleo de Baba Gurgur. Milhares de curdos fugiram rumo à região autônoma.

Enquanto suas milícias atacavam em Kirkuk, o general Kassem Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, ia ao enterro de Jalal Talabani, líder da União Patriótica do Curdistão, rival do Partido Democrático do Curdistão, chefiado por Massoud Barzani, que controla o governo regional.

Responsável por 6% da produção mundial de petróleo, a província de Kirkuk é uma joia cobiçada tanto pelo governo central do Iraque quando pelo Curdistão independente. Era uma província curda onde Saddam Hussein infiltrou árabes sunitas leais a seu regime numa estratégia de arabização.

Quando a França e o Reino Unido redesenharam o mapa do Oriente Médio depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, o então subsecretário de Oriente Médio do Ministério do Exterior e da Comunidade Britânica, Winston Churchill, juntou Kirkuk às províncias de Bagdá e Bássora para formar o Iraque. Queria um país suficientemente grande e rico para se contrapor ao vizinho Irã.

Assim, enterrou o sonho do Curdistão independente, uma promessa não honrada dos vencedores da guerra.