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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Fevereiro

 USS MAINE EXPLODE EM HAVANA

    Em 1898, o navio de guerra encouraçado USS Maine explode no porto de Havana, onde protegia os interesses norte-americanos durante a luta pela independência de Cuba. Serve de pretexto para a Guerra Hispano-Americana, um marco na expansão imperialista dos Estados Unidos, que conquistam as Filipinas e Porto Rico e tornam Cuba num protetorado. É o fim do Império Espanhol, 406 anos depois de Descoberta da América pelos europeus.

O Maine era um navio de 6 mil toneladas e US$ 2 milhões. Um inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst convence a opinião pública e parte do Congresso.

Na Guerra da Independência de Cuba, surgem os campos de concentração para isolar as famílias camponesas. A indignação diante da violenta repressão espanhola e a manipulada explosão do Maine deflagram a guerra.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força.

Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA, que fazem o mesmo no dia seguinte. É uma guerra unilateral. Em 1º de maio, em duas horas, os norte-americanos vencem a Batalha da Baía de Manila. Em agosto, os EUA tomam a capital das Filipinas.

A frota espanhola em Cuba estava ancorada em Santiago. Os norte-americanos invadem por terra a pressionam a armada espanhola, sob o comando do almirante Pascual Cervera, a sair para o mar em 3 de julho, onde é destruída pela Marinha dos EUA. Em 17 de julho, a Espanha se rende.

No Tratado de Paris, assinado em 10 de dezembro de 1898, a Espanha reconhece a independência de Cuba e cede as Filipinas, Guam e Porto Rico aos EUA.

Em 1975, um inquérito da Marinha dos EUA conclui que o Maine explodiu acidentalmente por causa de um curto-circuito.

GAROTA IT

    Em 1927, o filme mudo It estreia nos cinemas dos Estados Unidos e lança Clara Bow como a primeira Garota It, a garota com algo mais, com carisma, personalidade e estilo próprios, capaz de influenciar o modo de vestir, pensar e agir, a primeira influenciadora da história do cinema.

Clara Bow nasce em 29 de julho de 1905 no bairro do Brooklyn, em Nova York, numa família pobre. É abusada sexualmente pelo pai e negligenciada pela mãe, que tem problemas mentais. É estudante do segundo grau quando se torna uma atriz de Hollywood. Começa com um papel pequeno em Além do Arco-Íris (1922) e faz outros filmes até estourar as bilheterias com Garota It.

Ela faz a transição para o cinema sonoro com The Wild Party (1929), o primeiro filme sonoro da Paramount. Ao todo, faz 46 filmes mudos e 11 sonoros. Campeã de bilheteria em 1928, recebe mais de 45 mil cartas em janeiro de 1929.

RETIRADA SOVIÉTICA

    Em 1989, a União Soviética, sob a presidência de Mikhail Gorbachev, retira suas últimas tropas do Afeganistão pouco mais de oito anos depois da invasão, no Natal de 1979.

A invasão do Afeganistão acaba com a détente, o degelo na Guerra Fria nos anos 1970 depois das visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à China e à URSS, em 1972. Os EUA boicotam a Olimpíada de 1980 em Moscou e articulam uma aliança com a Arábia, Saudita, a China e o Paquistão para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

É o início da Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à Secretaria-Geral do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

Com lançadores portáteis de mísseis antiaéreos, guerrilheiros muçulmanos resistem aos soviéticos, que nunca controlam o Afeganistão muito além da capital, Cabul. A rede terrorista Al Caeda, fundada em 1988 pelo egípcio Ayman al-Zawahiri e o saudita Ossama ben Laden, é fruto da invasão soviética ao Afeganistão. 

Os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS. Mais de 15 mil soviéticos morrem no Afeganistão, bem menos do que os 58,2 mil norte-americanos mortos no Vietnã.

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Fevereiro

 USS MAINE EXPLODE EM HAVANA

    Em 1898, o navio de guerra encouraçado USS Maine explode no porto de Havana, onde protegia os interesses norte-americanos durante a luta pela independência de Cuba, o que serve de pretexto para a Guerra Hispano-Americana, um marco na expansão imperialista dos Estados Unidos, que conquistam as Filipinas e Porto Rico e tornam Cuba num protetorado. É o fim do Império Espanhol, 406 anos depois de Descoberta da América pelos europeus.

O Maine era um navio de 6 mil toneladas e US$ 2 milhões. Um inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst convence a opinião pública e parte do Congresso.

Na Guerra da Independência de Cuba, surgem os campos de concentração para isolar as famílias camponesas. A indignação diante da violenta repressão espanhola e a manipulada explosão do Maine deflagram a guerra.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força.

Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA, que fazem o mesmo no dia seguinte. É uma guerra unilateral. Em 1º de maio, em duas horas, os norte-americanos vencem a Batalha da Baía de Manila. Em agosto, os EUA tomam a capital das Filipinas.

A frota espanhola em Cuba estava ancorada em Santiago. Os norte-americanos invadem por terra a pressionam a armada espanhola, sob o comando do almirante Pascual Cervera, a sair para o mar em 3 de julho, onde é destruída pela Marinha dos EUA. Em 17 de julho, a Espanha se rende.

No Tratado de Paris, assinado em 10 de dezembro de 1898, a Espanha reconhece a independência de Cuba e cede as Filipinas, Guam e Porto Rico aos EUA.

Em 1975, um inquérito da Marinha dos EUA conclui que o Maine explodiu acidentalmente por causa de um curto-circuito.

GAROTA IT

    Em 1927, o filme mudo It estreia nos cinemas dos Estados Unidos e lança Clara Bow como a primeira Garota It, a garoto com algo mais, com carisma, personalidade e estilo próprios, capaz de influenciar o modo de vestir, pensar e agir, a primeira influenciadora da história do cinema.

Clara Bow nasce em 29 de julho de 1905 no bairro do Brooklyn, em Nova York, numa família pobre. É abusada sexualmente pelo pai e negligenciada pela mãe, que tem problemas mentais. É estudante do segundo grau quando se torna uma atriz de Hollywood. Começa com um papel pequeno em Além do Arco-Íris (1922) e faz outros filmes até estourar as bilheterias com Garoto It.

Ela faz a transição para o cinema sonoro com The Wild Party (1929), o primeiro filme sonoro da Paramount. Ao todo, faz 46 filmes mudos e 11 sonoros. Campeã de bilheteria em 1928, recebe mais de 45 mil cartas em janeiro de 1929.

RETIRADA SOVIÉTICA

    Em 1989, a União Soviética, sob a presidência de Mikhail Gorbachev, retira suas últimas tropas do Afeganistão pouco mais de oito anos depois da invasão, no Natal de 1979.

A invasão do Afeganistão acaba com a détente, o degelo na Guerra Fria nos anos 1970 depois das visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à China e à URSS, em 1972. Os EUA boicotam a Olimpíada de 1980 em Moscou e articulam uma aliança com a Arábia, Saudita, a China e o Paquistão para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

É o início da Segunda Guerra Fria, até a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à Secretaria-Geral do Partido Comunista da URSS.

Com lançadores portáteis de mísseis antiaéreos, guerrilheiros muçulmanos resistem aos soviéticos, que nunca controlam muito além da capital, Cabul. A rede terrorista Al Caeda, fundada em 1988 pelo egípcio Ayman al-Zawahiri e o saudita Ossama ben Laden, é fruto da invasão soviética ao Afeganistão. 

Os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS. Mais de 15 mil soviéticos morrem no Afeganistão, bem menos do que os 58,2 mil norte-americanos mortos no Vietnã.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 15 de Fevereiro

USS MAINE EXPLODE EM HAVANA

    Em 1898, o navio de guerra encouraçado USS Maine explode no porto de Havana, onde protegia os interesses norte-americanos durante a luta pela independência de Cuba, o que serve de pretexto para a Guerra Hispano-Americana, um marco na expansão imperialista dos Estados Unidos, que conquistam as Filipinas e Porto Rico e tornam Cuba num protetorado. É o fim do Império Espanhol, 406 anos depois de Descoberta da América pelos europeus.

O Maine era um navio de 6 mil toneladas e US$ 2 milhões. Um inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst convence a opinião pública e parte do Congresso.

Na Guerra da Independência de Cuba, surgem os campos de concentração para isolar as famílias camponesas. A indignação diante da violenta repressão espanhola e a manipulada explosão do Maine deflagram a guerra.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força.

Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA, que fazem o mesmo no dia seguinte. É uma guerra unilateral. Em 1º de maio, em duas horas, os norte-americanos vencem a Batalha da Baía de Manila. Em agosto, os EUA tomam a capital das Filipinas.

A frota espanhola em Cuba estava ancorada em Santiago. Os norte-americanos invadem por terra a pressionam a armada espanhola, sob o comando do almirante Pascual Cervera, a sair para o mar em 3 de julho, onde é destruída pela Marinha dos EUA. Em 17 de julho, a Espanha se rende.

No Tratado de Paris, assinado em 10 de dezembro de 1898, a Espanha reconhece a independência de Cuba e cede as Filipinas, Guam e Porto Rico aos EUA.

Em 1975, um inquérito da Marinha dos EUA conclui que o Maine explodiu acidentalmente por causa de um curto-circuito. 

RETIRADA SOVIÉTICA

    Em 1989, a União Soviética, sob a presidência de Mikhail Gorbachev, retira suas últimas tropas do Afeganistão pouco mais de oito anos depois da invasão, no Natal de 1979.

A invasão do Afeganistão acaba com a détente, o degelo na Guerra Fria nos anos 1970 depois das visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à China e à URSS, em 1972. Os EUA boicotam a Olimpíada de 1980 em Moscou e articulam uma aliança com a Arábia, Saudita, a China e o Paquistão para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

Com lançadores portáteis de mísseis antiaéreos, guerrilheiros muçulmanos resistem aos soviéticos, que nunca controlam muito além da capital, Cabul. A rede terrorista Al Caeda, fundada em 1988 pelo egípcio Ayman al-Zawahiri e o saudita Ossama ben Laden, é fruto da invasão soviética ao Afeganistão. 

Mais de 15 mil soviéticos morrem no Afeganistão, bem menos do que os 58,2 mil norte-americanos mortos no Vietnã.

quarta-feira, 29 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 29 de Março

 EUA SE RETIRAM DO VIETNÃ

    Em 1973, dois meses depois de assinar um acordo de paz com o Vietnã do Norte,  o Vietnã do Sul e os guerrilheiros do Viet Cong, os Estados Unidos retiram suas últimas forças de combate do Vietnã do Sul, pondo fim a uma intervenção militar de 12 anos em que morreram 58.220 norte-americanos.

Depois de mais de uma década de ajuda militar indireta, em 1961, o presidente John Kennedy envia 2,8 mil assessores militares para ajudar a ditadura corrupta do Vietnã do Sul na guerra contra o Vietnã do Norte, comunista.

Três anos depois, o presidente Lyndon Johnson manda bombardear o Norte e forja o Incidente do Golfo de Tonquim para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao regime norte-vietnamita.

Diante da ofensiva do Norte e dos guerrilheiros aliados do Viet Cong, Johnson aumenta gradualmente a presença militar dos EUA, que chega a mais de 300 mil soldados.

O grande número de baixas, os crimes de guerra como o Massacre de My Lai e a Ofensiva de Tet, no Ano Novo Lunar chinês em 1968, mostram que a vitória será penosa. Nos EUA, a opinião pública se volta contra a guerra . 

Em março de 1968, Johnson desiste de concorrer à reeleição, vencida pelo republicano e oposicionista Richard Nixon com a promessa de acabar com a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75). 

Na primavera de 1969, o total de soldados dos EUA na guerra chega a 550 mil. Nixon amplia e intensifica os bombardeios aéreos, atacando os vizinhos Laos e Camboja.

Em 27 de janeiro de 1973, é assinado em Paris o Acordo para Acabar com a Guerra e Restaurar a Paz no Vietnã. A guerra recomeça em 1974 e só acaba em 30 de abril de 1975, quando as forças do Norte tomam a capital do Vietnã do Sul, Saigon, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh, o comunista que liderou a luta pela independência do país. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morreram na guerra.

Ao aceitar a rendição do Sul, o coronel nortista Bui Tin declara: "Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas, não há vencedores nem vencidos. Só os americanos foram derrotados."

Mais de 130 mil sul-vietnamitas que trabalhavam para o regime depois e a intervenção norte-americana saem do país. De 1975 a 1995, 800 mil vietnamitas fogem de barco e conseguem chegar a outro país em segurança, mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados estima que entre 200 e 400 mil pessoas do povo dos barcos, como são chamados, morrem no mar.

domingo, 13 de novembro de 2022

Retirada de Kherson é terceira grande derrota russa na Ucrânia

 Um mês e meio depois de ser declarada território da Rússia a ser defendido com armas nucleares, o Exército da Ucrânia retomou a cidade de Kherson sem enfrentar qualquer oposição. É mais uma humilhação para o ditador Vladimir Putin.

O ditador fez o discurso triunfal da anexação, mas encarregou o ministro da Defesa, Serguei Choigu, e o comandante militar russo, Serguei Surovikin, de dar a má notícia. A Rússia está perdendo a guerra que esperava ganhar em uma semana e as perspectivas são cada vez piores. Meu comentário:

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Hoje na História do Mundo: 11 de Agosto

 PRISÃO DE SEGURANÇA MÁXIMA 

    Em 1934, o primeiro grupo de prisioneiros perigosos chega à Ilha de Alcatraz, na Baía de São Francisco, na Califórnia, convertida de prisão militar em prisão federal de segurança máxima dos Estados Unidos. 

A ilha rochosa de 8,9 quilômetros quadrados fica a 2,4 km da cidade de São Francisco.

INDEPENDÊNCIA DO CHADE

    Em 1960, o Chade se torna independente da França sob a liderança de François Tombalbaye, primeiro presidente, mas não consegue paz e estabilidade, e enfrenta cerca de 40 anos de guerra civil e violência, além de um conflito com a vizinha Líbia de 1978 a 1987. 

É um dos países mais pobres do mundo até descobrir petróleo.

REVOLTA DE WATTS

    Em 1965, a tensão racial explode no bairro de maioria negra Watts, em Los Angeles, quando dois policiais brancos lutam para submeter e prender um motorista negro suspeito de dirigir bêbado. 

Uma multidão se reúne na esquina do Avalon Boulevard com a Rua 116 para ver o que acontece e se revolta. Vê a cena como mais um abuso de poder de caráter racista.

A rebelião se espalha por uma área de 130 quilômetros quadrados no Centro-Sul da segunda maior cidade dos Estados Unidos, com saques de lojas, incêndio de prédios e tiroteio com a polícia. Com a intervenção da Guarda Nacional, a violência é controlada em 16 de agosto.

Em cinco dias, 34 pessoas são mortas, 1.032 feridas e cerca de 4 mil presas. O prejuízo material é de US$ 40 milhões.

RETIRADA DO VIETNÃ

    Em 1972, a última unidade de combate terrestre dos Estados Unidos, que defendia a base de Da Nang, deixa o Vietnã do Sul, depois do acordo de paz com o Vietnã do Norte, comunista. 

Ainda ficam no país 43,5 mil assessores militares, aviadores e tropas de apoio dos EUA. Este número não conta os marinheiros da 7ª Frota estacionados no Mar do Sul da China nem o pessoal das bases aéreas na Tailândia e na ilha de Guam.

A Guerra do Vietnã termina em 30 de abril, quando o Vietnã do Norte toma Saigon, a capital do Vietnã do Sul, e reunifica o país sob um regime comunista no poder até hoje.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

EUA têm responsabilidade na tragédia do Afeganistão

Ao defender a decisão equivocada de retirar as forças dos Estados Unidos e abandonar quem apoiou o regime instalado pela intervenção militar, o presidente Joe Biden alegou que nunca foi intenção construir uma nação no Afeganistão e que o momento ideal para sair não chega nunca. 

Biden ignorou a responsabilidade americana na tragédia afegã quando criou um exército guerrilheiro muçulmano para combater a invasão do país pela União Soviética, em 1979.

A rede terrorista Al Caeda e a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) são filhos dos chamados árabes afegãos, entre eles Ossama ben Laden, e das madraças, as escolas religiosas só para homens e que só ensinam o Corão.

É difícil imaginar que grupos que almejam recriar o mundo à imagem da Arábia do tempo do profeta Maomé, no século 7, tenham evoluído nos últimos 20 anos. Sua ideologia e seus objetivos são os mesmos, continuar a jihad (guerra santa) até impor a lei islâmica do mundo inteiro. 

As imagens do aeroporto de Cabul e de um avião militar lotado com 640 pessoas amontoadas mostram claramente que o povo afegão teme a volta da tirania. Meu comentário:

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Acordo EUA-Talebã tenta acabar com a guerra no Afeganistão

Depois de uma semana de "redução da violência", os Estados Unidos e a milícia fundamentalista sunita dos Talebã (Estudantes) assinaram hoje um acordo para a retirada das forças internacionais do Afeganistão em um ano e dois meses. É o primeiro de muitos passos para acabar com a Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana.

A próxima etapa será a negociação direta entre a milícia e o regime instalado no poder depois da intervenção militar dos Estados Unidos e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em reação aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Os extremistas dos dois lados vão tentar impedir um acordo.

As questões centrais são a retirada dos EUA e aliados e o compromisso dos Talebã de não deixar o território afegão ser usado por grupos extremistas muçulmanos como Al Caeda e o Estado Islâmico para fazer ataques terroristas.

Um ponto crucial será o tamanho do contingente americano que vai ficar no Afeganistão para combater o terrorismo. Os Talebã exigem uma retirada total das forças estrangeiras. É provável que as alas mais radicais rejeitem o acordo e continuem a luta armada.

Se a retirada for total, é provável que se repita o que aconteceu no Vietnã, onde o governo-fantoche instalado por Washington não resistiu à ofensiva do Vietnã do Norte, que tomou o Sul e reunificou, em 1975, o país, dividido em 1954, quando terminou a dominação colonial francesa.

Neste caso, as potências vizinhas, a China, a Rússia e o Paquistão devem entrar no vácuo deixado pelos EUA.

Não há garantia alguma de que os Talebã pretendam ou possam cortar os laços com Al Caeda e o Estado Islâmico. Todos seguem a mesma ideologia, o jihadismo salafista, chamado de deobandismo no Afeganistão. O grupo Khorasan, a versão afegã do Estado Islâmico, foi criada por dissidentes dos Talebã, mas os EUA e o Ocidente são inimigos comuns.

Por outro lado, o atual regime afegão não conseguem nem fazer eleições. Seis meses depois da votação, realizada em setembro, as autoridades eleitorais anunciaram a vitória do presidente Achraf Ghani Ahmadzai. Seu principal adversário, o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, rejeitou a derrota e anunciou a criação de um governo paralelo.

Ghani é do povo pachtun, o mesmo dos talebã, o maior do Afeganistão, 42% da população, estimada em 38 milhões de pessoas. Abdullah é um tajique, segundo maior grupo étnico, com 27% da população.

A falta de um governo central que controle todo o território, a disseminação de armas e explosivos e o estado de guerra, que vem desde a queda do rei Mohamed Zahir Shah, em julho de 1973, contribuem para a continuação da insurgência e da guerra civil.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Talebã admitem reduzir ataques para retomar negociações com os EUA

A milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) está pronto para "reduzir" as ações militares para retomar as negociações de paz e assinar um acordo para retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, anunciou o principal porta-voz do grupo, Suhail Shashin, em entrevista ao jornal paquistanês Dawn.

"É uma questão de dias", afirmou o porta-voz, revelando uma autoconfiança talvez injustificada. As negociações com Washington começaram em julho de 2018 e foram interrompidas pelo governo Donald Trump em setembro de 2019 por causa das ações dos Talebã, retomadas e suspensas de novo em dezembro, depois de um ataque ao Aeródromo de Bagram, a maior base militar dos EUA no país.

Os Talebã surgiram em 1994 para combater a anarquia que tomou conta ao Afeganistão depois da retirada da União Soviética e tomaram o poder em 1996, com o apoio do Paquistão, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA.

Quando extremistas muçulmanos realizaram atentados contra as embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia, e Dar-es-Salam, na Tanzânia, em agosto de 1998, o então presidente Bill Clinton ordenou bombardeios às bases da rede terrorista Al Caeda, acolhida pelos Talebã no Afeganistão.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram a vingança de Ossama ben Laden e sua gangue de fanáticos. Mataram 2.996 pessoas.

Menos de um mês depois, os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) invadiram o Afeganistão. Antes do fim do mês, o regime dos Talebã caiu, mas a maior parte da cúpula d'al Caeda, inclusive Ben Laden, escapou na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001.

No ano seguinte, o presidente George W. Bush desviou atenção e recursos para invadir o Iraque e depor Saddam Hussein. Os Talebã se rearticularam e o frágil governo instalado pelos EUA nunca foi capaz de controlar nem metade do território do Afeganistão.

Cerca de 65 mil rebeldes, 63 mil soldados afegãos, 3.562 militares das forças internacionais, sendo 2.420 americanos, 3.937 funcionários civis contratados pelos militares e 38.480 civis foram mortos no Afeganistão.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Provável retirada dos EUA fortalece posição do Irã no Iraque

Com a morte do principal general do Irã, talvez seu principal objetivo seja atingido: a retirada total das forças dos Estados Unidos do Iraque, o que aumenta a influência iraniana no país vizinho, ex-inimigo numa guerra que durou oito anos e matou cerca de 1 milhão de pessoas.

O presidente Donald Trump afirma que mandou matar o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, a tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, para acabar com uma guerra e não para iniciar outra.

A lógica seria escalar para desescalar, amedrontando o Irã com o poderio militar dos Estados Unidos para evitar novos ataques, mas no momento o que se espera é a retaliação iraniana, como virá, onde e com que intensidade? É preciso observar todas as áreas Oriente Médio e na Ásia Central. Mas o risco é maior no Iraque, onde há 5 mil soldados americanos e várias milícias xiitas sustentadas pelo Irã. 

O discurso do líder do Hesbolá, o Partido de Deus xiita libanês, xeique Hassan Nasrallah, foi especialmente agressivo. Sob o comando do general Suleimani, morto pelos Estados Unidos no dia 2 de janeiro, o Irã exportou sua revolução islâmica e criou uma rede de grupos armados que o apoiam.

O Hesbolá, do Líbano, é o mais poderoso. Foi decisivo para sustentar a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria, que completa dez anos em março, com um total de mortos estimado em pelo menos 380 mil pessoas. Meu comentário:

domingo, 5 de janeiro de 2020

Assembleia Nacional aprova a retirada das forças dos EUA do Iraque

Por 170 a 0, com a abstenção de curdos e sunitas, a Assembleia Nacional do Iraque, de maioria xiita, aprovou hoje uma medida para exigir que o governo peça a saída do país das forças dos Estados Unidos, acusadas de violar a soberania nacional iraquiana ao lançaram o ataque de drones que matou o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém), tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana.

Ao reagir à decisão, o presidente Donald Trump declarou que os EUA gastaram bilhões de dólares numa "base aérea extraordinariamente cara" no Iraque. Se não forem indenizados, vão impor sanções "como nunca se viu" à economia iraquiana, muito mais duras que as que impõem ao Irã, cuja economia deve ter recuado 8,7% em 2019, pela estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sem dúvida, o Iraque deve usar todos os meios legais possíveis para forçar a saída das tropas americanas nos próximos meses. O próprio primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi redigiu o projeto aprovado hoje pelo parlamento.

Como Abdel Mahdi pediu demissão depois de uma onda de manifestações de protestos com mais de 500 mortes, não está certo se tem autoridade para sancionar a lei. Entre os alvos do protesto, estava a influência do Irã. Agora, a maré mudou.

No Líbano, o líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, declarou que a morte de Suleimani marca uma nova etapa porque ele era o coordenador da "resistência", palavra usada para falar contra Israel. Em tom triunfalista, disse que eles ganham mesmo quando são mortos porque viram mártires e "o martírio é a glória".

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mais uma negociação internacional de Trump fracassa

O presidente Donald Trump rompeu as negociações de paz com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã sob o argumento de que mais um soldado americano foi morto, mas a verdadeira razão é outra: a milícia exige a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão e os Estados Unidos pretendem manter uma força antiterrorista de 8,6 mil homens no país.

Depois de um ano de negociações de paz e do quinto encontro em Doha, no Catar, representantes do governo americano e da milícia fundamentalista sunita que governou o Afeganistão como um emirado islâmico de 1996 a 2001 estavam perto de um acordo. 

Uma reunião secreta estava marcada para sábado na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos em Camp David entre Trump, o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, e delegados dos Talebã. 

O objetivo é acabar com a guerra que já dura quase 18 anos e é a mais longa da história dos Estados Unidos. Começou em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos. 

O regime fundamentalista dos Talebã dava refúgio à rede terrorista Al Caeda, responsável pelo pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos. Meu comentário:

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

China instala base militar perto da fronteira com o Afeganistão

A China transformou um posto militar no no Leste do Tajiquistão, perto da fronteira com o Afeganistão, numa base militar permanente. A presença militar chinesa na região tem três a quatro anos. O quartel tem pouco mais de 20 prédios e uma torre de vigia, revelou o jornal The Washington Post.

Nem o regime comunista chinês nem o governo tajique confirmou oficialmente a presença da base militar, quem a sustenta e quem a controla. Se a notícia for confirmada, será uma indicação do aumento da presença militar da China na Ásia Central, no momento em que os Estados Unidos planejam retirar suas forças do Afeganistão.

Entre outras razões, o governo chinês se preocupa com o contrabando e as ações de terroristas muçulmanos ao longo da fronteira entre o Afeganistão e o Tajiquistão. A polícia chinesa patrulha a área e fez várias incursões do lado afegão.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Ataque suicida reivindicado pelo Estado Islâmico mata 15 pessoas na Síria

Pelo menos 19 pessoas morreram, inclusive quatro soldados dos Estados Unidos, num atentado terrorista suicida na cidade de Manbij, o Norte da Síria, semanas depois que o presidente Donald Trump ordenou uma retirada dos 2 mil soldados americanos do país. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do ataque, noticiou o jornal The New York Times.

O alvo foi um restaurante frequentado por soldados americanos quando patrulham a área. Depois da explosão, vários americanos foram retirados do local de helicóptero. O quartel-general dos EUA para a guerra contra o Estado Islâmico, com sede em Bagdá, a capital do Iraque, declarou que o atentado ocorreu quando as tropas patrulhavam a área. Não divulgou o número de americanos mortos ou feridos.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o presidente recebeu um relato sobre a tragédia. O vice-presidente Mike Pence afirmou que a retirada será mantida, mas os EUA "vão continuar na luta para garantir que o EI não erga sua face horrenda de novo".

Manbij esteve sob o controle de diferentes grupos desde o início da guerra civil na Síria, em 2011. Em meados de 2016, foi tomada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda que foi a força terrestre aliada aos EUA na guerra contra o Estado Islâmica.

A retirada americana "em 30 dias", anunciada em dezembro por Trump, ameaça deixar as FDS desprotegidas diante do Exército da Turquia, que acusa os curdos de terrorismo. Eles já pediram proteção ao ditador sírio, Bachar Assad, o que aumentaria a influência de inimigos dos EUA como a Rússia e do Irã na Síria. Por este motivo, o general James Mattis deixou a chefia do Departamento da Defesa.

Na semana passada, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, falou numa retirada mais lenta, que deve deixar soldados dos EUA na região por meses, talvez anos.

"A batalha contra o EI está longe de acabar", observou Charles Lister, especialista em terrorismo do Middle East Institute e autor de livros sobre o grupo. "Não só os EUA e aliados continuam engajados na guerra aberta contra o EI no Leste da Síria, mas há sinais claros há meses de que o EI mantém a capacidade de realizar pequenos ataques guerrilheiros como o de hoje."

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Putin elogia Trump por retirar tropas dos EUA da Síria

Os aliados e os departamentos de seu próprio governo deploram. O secretário da Defesa , James Mattis, pede demissão por discordar da retirada da Síria. Mas o ditador da Rússia, Vladimir Putin, suspeitíssimo de ter ajudado a eleger o presidente Donald Trump, gostou. A saída faz parte do recuo estratégico dos Estados Unidos, que diminui sua presença no Oriente Médio e abre espaço para inimigos como a Rússia e o Irã.

Putin é o inimigo que Trump trata como aliado. A Rússia não perde oportunidade para fustigar e diminuir os EUA. O elogio do ditador russo é um sinal inequívoco que o presidente americano tomou mais uma vez a decisão errada.

"Não acredito que sejam necessárias. Não devemos esquecer que a presença das tropas dos EUA é ilegítima. Os EUA estão lá sem autorização das Nações Unidas nem convite do governo da Síria. A Rússia está lá porque foi convidada pelo governo sírio. Se os EUA decidiram se retirar, isso é bom", declarou Putin com o cinismo habitual.

A Rússia interveio militarmente na guerra civil da Síria em apoio ao ditador Bachar Assad em 30 de setembro de 2015. Em aliança com o Irã, garantiram a vitória do aliado e agora dominam as negociações de paz, de que os EUA não participam.

Os EUA iniciaram sua intervenção no governo Barack Obama, em agosto de 2014, para evitar o genocídio do povo yazidi e em seguida para combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante depois que o grupo passou a sequestrar e matar americanos.

Ao anunciar a retirada, Trump declarou que o Estado Islâmico está derrotado. Por isso, a presença militar americana não seria mais necessária. Mas o líder do grupo, Abu Baker al-Baghdadi, está foragido e os serviços secretos ocidentais estimam que ainda haja cerca de 35 mil milicianos do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

No fim do dia, Trump anunciou a retirada da metade dos soldados americanos do Afeganistão, cerca de 7 mil tropas. A medida por marcar o início do fim da guerra mais longa da história dos EUA, mas deve provocar caos no país.

Os EUA atacaram o Afeganistão em 7 de outubro de 2001, para derrubar o regime da milícia extremista muçulmana dos Talebã, que abrigava a rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano. Até hoje, o país não foi pacificado.

Enquanto na Síria o risco é de reagrupamento do Estado Islâmico, no Afeganistão é de um colapso total do regime instalado pela intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A retirada expõe as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda formada para dar combate ao Estado Islâmico em terra. Sem a presença militar americana, vão ficar sob a ameaça de duas forças hostis, o Exército da ditadura de Bachar Assad e seus aliados iranianos, de um lado, e o Exército da Turquia, que teme o separatismo curdo. Abandonar uma força que lutou pelos EUA é algo totalmente inaceitável para o secretário da Defesa.

O general James Cachorro Louco Mattis ainda tentou convencer Trump a desistir da retirada da Síria. Em sua carta de demissão, afirmou que o presidente merece ter um secretário da Defesa alinhado com suas ideias. Ele considera a China e a Rússia adversários e acredita que a segurança dos EUA depende de parcerias e alianças.

Um dos maiores danos de Trump é o ataque ao sistema multilateral criado no pós-guerra sob a inspiração do presidente Franklin Roosevelt, baseado em alianças. O recuo estratégico de Trump ameaça aliados e fortalece os inimigos dos EUA, no caso sírio, a Rússia e o Irã.

Com a saída no fim do ano do chefe da Casa Civil, general John Kelly, Mattis era o último adulto na Casa Branca, um líder com competência, força e prestígio para se opor à megalomania delirante do presidente e controlar seus arroubos. Sai em fevereiro.

Por dois anos, o general da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais viajou pelo mundo tentando convencer os aliados dos EUA de que nada havia mudado fundamentalmente. Desistiu. Seus amigos entendem que ele deveria ter pedido demissão em outubro, quando Trump mandou 5,3 mil soldados para a fronteira com o México a pretexto de contar uma caravana de miseráveis da América Central que não representam qualquer ameaça à segurança nacional dos EUA.

O grupo de adultos da Casa Branca era formado pelo secretário de Estado, Rex Tillerson, demitido e acusado publicamente por Trump, pelo ex-assessor de Segurança Nacional Herbert McMaster, pelo general Kelly e por James Mattis.

A história política dos EUA mostra que militares não pedem demissão. Cumprem uma missão. Saem quando consideram impossível cumprir a missão que lhes foi confiada. A credibilidade de Trump sofre mais um duro golpe. A rotatividade dos altos funcionários do governo é um reflexo da instabilidade e do total despreparo do presidente para liderar o país mais rico e poderoso do mundo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

EUA anunciam retirada total da Síria

Os Estados Unidos estão preparando uma retirada completa das forças enviadas à Síria para combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, num total de 2 mil soldados, informou hoje a agência Reuters.

A saída americana abre o caminho para a Síria e a Turquia entrarem no território atualmente controlado pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda apoiada pelos EUA, que ficaria totalmente desprotegida.

Com a decisão, o governo Donald Trump reduz ainda mais a influência do país na Síria e sua participação nas negociações de paz. Ganham a Rússia, a Síria, a Turquia e o Irã.

"Derrotamos o Estado Islâmico na Síria, minha única razão para estar lá na presidência de Trump", declarou o presidente no Twitter. Ainda há bolsões de resistência na fronteira entre a Síria e o Iraque, estimada em 35 mil milicianos ligados ao Estado Islâmico.

Trump já havia tentado retirar as forças dos EUA da Síria. Recuou diante da pressão dos Departamentos da Defesa e de Estado. O anúncio de hoje veio depois de uma conversa telefônica entre Trump e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que ameaçou várias vezes atacar as FDS a leste do Rio Eufrates.

Os dois departamentos protestaram, assim como deputados e senadores dos dois partidos. Depois de conquistar a área dominada pelo Estado Islâmico na Síria, os militares americanos entendem ser necessário um trabalho de estabilização de longo prazo.