Pelo menos 19 pessoas morreram, inclusive quatro soldados dos Estados Unidos, num atentado terrorista suicida na cidade de Manbij, o Norte da Síria, semanas depois que o presidente Donald Trump ordenou uma retirada dos 2 mil soldados americanos do país. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do ataque, noticiou o jornal The New York Times.
O alvo foi um restaurante frequentado por soldados americanos quando patrulham a área. Depois da explosão, vários americanos foram retirados do local de helicóptero. O quartel-general dos EUA para a guerra contra o Estado Islâmico, com sede em Bagdá, a capital do Iraque, declarou que o atentado ocorreu quando as tropas patrulhavam a área. Não divulgou o número de americanos mortos ou feridos.
A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o presidente recebeu um relato sobre a tragédia. O vice-presidente Mike Pence afirmou que a retirada será mantida, mas os EUA "vão continuar na luta para garantir que o EI não erga sua face horrenda de novo".
Manbij esteve sob o controle de diferentes grupos desde o início da guerra civil na Síria, em 2011. Em meados de 2016, foi tomada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda que foi a força terrestre aliada aos EUA na guerra contra o Estado Islâmica.
A retirada americana "em 30 dias", anunciada em dezembro por Trump, ameaça deixar as FDS desprotegidas diante do Exército da Turquia, que acusa os curdos de terrorismo. Eles já pediram proteção ao ditador sírio, Bachar Assad, o que aumentaria a influência de inimigos dos EUA como a Rússia e do Irã na Síria. Por este motivo, o general James Mattis deixou a chefia do Departamento da Defesa.
Na semana passada, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, falou numa retirada mais lenta, que deve deixar soldados dos EUA na região por meses, talvez anos.
"A batalha contra o EI está longe de acabar", observou Charles Lister, especialista em terrorismo do Middle East Institute e autor de livros sobre o grupo. "Não só os EUA e aliados continuam engajados na guerra aberta contra o EI no Leste da Síria, mas há sinais claros há meses de que o EI mantém a capacidade de realizar pequenos ataques guerrilheiros como o de hoje."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Turquia invade a Síria para combater curdos e o Estado Islâmico
O Exército da Turquia, a Força Aérea dos Estados Unidos e rebeldes se uniram numa grande operação através da fronteira com a Síria para tomar a cidade de Jarabulus, último reduto da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na região da fronteira.
Com bombardeios aéreos e terrestres, a Operação Escudo no Eufrates atacou 100 alvos do Estado Islâmico, abrindo caminho para os rebeldes invadirem Jarabulus. Depois de horas de combate com armas leves, os rebeldes venceram.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que o objetivo é impedir ataques terroristas articulados na Síria e cometidos na Turquia, mas o momento do ataque coincidiu tanto com a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a primeira de um líder estrangeiro depois do fracassado golpe de 15 de julho, quando com a queda de Manbij para as Forças Democráticas Sírias.
As FDS, apoiadas pelos EUA, reúnem árabes sunitas, cristãos sírios e guerrilheiros curdos. Há muito, Washington pressiona Ancara para que o Exército da Turquia seja a principal força terrestre na guerra contra o Estado Islâmico. Até agora, Erdogan resistia.
Sem alternativa, os EUA passaram a apoiar guerrilheiros ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), de ideologia marxista-leninista, que tanto EUA quanto Turquia consideram um grupo terrorista.
A maior preocupação de Erdogan é a possibilidade de união de vários redutos curdos do outro lado da fronteira. Os curdos são o maior povo do mundo sem um Estado Nacional e a maior parte vive na Turquia.
Depois do golpe fracassado, Erdogan acusou o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, autoexilado nos EUA e o próprio governo americano pela conspiração, ameaçando vetar o uso da base aérea de Incirlik, essencial para a campanha aérea contra o Estado Islâmico.
Diante da reação negativa da Europa e dos EUA ao amplo expurgo promovido por Erdogan aproveitando-se do golpe para se livrar de adversários políticos nas Forças Armadas, no Poder Judiciário, no setor público e na academia, Erdogan se reaproximou da Rússia. Superou a crise provocada pelo abate de um bombardeiro russo por um caça turco em 24 de novembro de 2015.
Para os EUA, a Turquia, sócia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), é uma aliada estratégica fundamental no Oriente Médio. Por um momento, os interesses se alinharam. Uma das exigências de Erdogan é reagrupar os guerrilheiros curdos a leste do Rio Eufrates. Biden ameaçou retirar o apoio dos EUA se eles não fizerem isso.
sábado, 13 de agosto de 2016
Mais de 2 mil reféns do Estado Islâmico são libertados na Síria
Ao retomar a cidade de Manbij, as Forças Democráticas da Síria libertaram hoje mais de 2 mil civis sequestrados pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante para serem usados como escudos humanos.
Nas ruas de Manbij, o clima é de festa. Os homens cortam as barbas e algumas mulheres queimam os véus que foram obrigados a usar nos últimos dois anos pelos extremistas muçulmanos, mostrou a televisão pública britânica BBC.
"A cidade está agora totalmente sob nosso controle, mas ainda estamos fazendo operações de varredura", declarou Charfan Darwish, do comando militar das FDS.
Manbij tem grande importância estratégica. Sua queda corta a principal rota de suprimento entre as áreas controladas pelo Estado Islâmico no Norte da Síria e a Turquia.
Para reconquistar a cidade, as FDS, formadas por guerrilheiros curdos, árabes sunitas e assírios cristãos, contaram com o apoio da coalizão das forças aéreas de mais de 60 países liderada pelos Estados Unidos.
Nas ruas de Manbij, o clima é de festa. Os homens cortam as barbas e algumas mulheres queimam os véus que foram obrigados a usar nos últimos dois anos pelos extremistas muçulmanos, mostrou a televisão pública britânica BBC.
"A cidade está agora totalmente sob nosso controle, mas ainda estamos fazendo operações de varredura", declarou Charfan Darwish, do comando militar das FDS.
Manbij tem grande importância estratégica. Sua queda corta a principal rota de suprimento entre as áreas controladas pelo Estado Islâmico no Norte da Síria e a Turquia.
Para reconquistar a cidade, as FDS, formadas por guerrilheiros curdos, árabes sunitas e assírios cristãos, contaram com o apoio da coalizão das forças aéreas de mais de 60 países liderada pelos Estados Unidos.
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sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Estado Islâmico sequestra 2 mil civis no Norte da Síria
Durante a fuga da cidade de Manbij, no Norte da Síria, a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante sequestrou cerca de 2 mil civis, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra civil no país, citando como fonte rebeldes apoiados pelos Estados Unidos.
Com o apoio da coalizão aérea liderada pelos EUA, as Forças Democráticas da Síria, que reúnem guerrilheiros curdos, árabes sunitas e milícias assírias cristãs, lutam para retomar Manbij. A queda da cidade cortaria a linha de suprimento dos milicianos do Estado Islâmico com a Turquia.
Hoje um porta-voz anunciou a ofensiva final para retomar Manbij. Será mais uma grande perda para o Estado Islâmico, que não obtém nenhuma vitória militar importante há mais de um ano.
Com o apoio da coalizão aérea liderada pelos EUA, as Forças Democráticas da Síria, que reúnem guerrilheiros curdos, árabes sunitas e milícias assírias cristãs, lutam para retomar Manbij. A queda da cidade cortaria a linha de suprimento dos milicianos do Estado Islâmico com a Turquia.
Hoje um porta-voz anunciou a ofensiva final para retomar Manbij. Será mais uma grande perda para o Estado Islâmico, que não obtém nenhuma vitória militar importante há mais de um ano.
sábado, 23 de julho de 2016
Estado Islâmico rejeita ultimato para deixar Manbij
A milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante ignorou o ultimato de 48 horas para se retirar da cidade de Manbij, no Norte da Síria, e voltou a atacar hoje as Forças Democráticas da Síria, um grupo curdo-árabe apoiado pelos Estados Unidos.
As FDS deram aos milicianos do Estado Islâmico a possibilidade de sair da cidade levando armas leves. Os terroristas não aceitaram porque Manbij, situada no Norte da província de Alepo, é uma cidade estratégica localizada na principal rota de suprimento do grupo entre a Síria e a Turquia.
"Até onde nos interessa, a situação não mudou, declarou Sharfan Darwish, do Conselho Militar das FDS. "Estamos avançando para libertar Manbij."
Depois da morte de civis na terça-feira num bombardeio da coalizão aérea liderada pelos EUA, as FDS acusaram o EI de usar a população de Manbij como escudos humanos para minar o apoio ao grupo.
"O Estado Islâmico resiste ferozmente à penetração das FDS na cidade e está colocando crianças na linha de frente", afirmou Rami Abdel Rahman, diretor da organização não governamental de oposição Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra civil no país.
É uma batalha mais feroz do que em Ramadi e Faluja, duas cidades de onde os jihadistas foram expulsos neste ano, comparou o porta-voz da aliança liderada pelos EUA, coronel Chris Garver. "É um combate como não vimos antes."
Garver alegou que o bombardeio da terça-feira foi pedido pelas FDS. Os rebeldes sírios aliados dos EUA teriam visto "um grande comboio de milicianos do Estado Islâmico que pareciam estar preparando um contra-ataque". Um inquérito foi aberto para investigar a morte dos civis.
As FDS deram aos milicianos do Estado Islâmico a possibilidade de sair da cidade levando armas leves. Os terroristas não aceitaram porque Manbij, situada no Norte da província de Alepo, é uma cidade estratégica localizada na principal rota de suprimento do grupo entre a Síria e a Turquia.
"Até onde nos interessa, a situação não mudou, declarou Sharfan Darwish, do Conselho Militar das FDS. "Estamos avançando para libertar Manbij."
Depois da morte de civis na terça-feira num bombardeio da coalizão aérea liderada pelos EUA, as FDS acusaram o EI de usar a população de Manbij como escudos humanos para minar o apoio ao grupo.
"O Estado Islâmico resiste ferozmente à penetração das FDS na cidade e está colocando crianças na linha de frente", afirmou Rami Abdel Rahman, diretor da organização não governamental de oposição Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra civil no país.
É uma batalha mais feroz do que em Ramadi e Faluja, duas cidades de onde os jihadistas foram expulsos neste ano, comparou o porta-voz da aliança liderada pelos EUA, coronel Chris Garver. "É um combate como não vimos antes."
Garver alegou que o bombardeio da terça-feira foi pedido pelas FDS. Os rebeldes sírios aliados dos EUA teriam visto "um grande comboio de milicianos do Estado Islâmico que pareciam estar preparando um contra-ataque". Um inquérito foi aberto para investigar a morte dos civis.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Estado Islâmico sequestra centenas de civis curdos em Manbij
Sob pressão de uma ofensiva das Forças Democráticas da Síria para retomar a cidade de Manbij, a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante sequestrou cerca de 900 de civis curdos na província de Alepo, no Norte de Síria, informou a agência Associated Press, citando como fonte o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
De acordo com relatos colhidos pelo Estado Islâmico, os sequestros ocorreram nas últimas três semanas em áreas sob o controle da milícia nos arredores de Manbij. Os reféns estão sendo forçados a cavar trincheiras e erguer defesas para o grupo, assediado por guerrilheiros árabes e curdos apoiados pelos Estados Unidos.
Mais de 20 reféns foram mortos por se recusar a cumprir as ordens dos terroristas, declarou um ativista curdo. A queda de Manbij vai cortar a linha de suprimento entre Rakka, a capital do Estado Islâmico, e a Turquia, por onde entram armas, suprimentos e voluntários.
De acordo com relatos colhidos pelo Estado Islâmico, os sequestros ocorreram nas últimas três semanas em áreas sob o controle da milícia nos arredores de Manbij. Os reféns estão sendo forçados a cavar trincheiras e erguer defesas para o grupo, assediado por guerrilheiros árabes e curdos apoiados pelos Estados Unidos.
Mais de 20 reféns foram mortos por se recusar a cumprir as ordens dos terroristas, declarou um ativista curdo. A queda de Manbij vai cortar a linha de suprimento entre Rakka, a capital do Estado Islâmico, e a Turquia, por onde entram armas, suprimentos e voluntários.
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