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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Acordo de paz com Talebã no Afeganistão mais parece rendição

Os Estados Unidos e a milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) anunciam um acordo para acabar com a Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana. O acordo deve ser assinado até o fim do mês, anunciou ontem a agência de notícias Bloomberg. 

Mas será mesmo a paz ou vai se repetir o que aconteceu no Vietnã, de onde os Estados Unidos saíram para ver o frágil governo que deixaram no poder no Vietnã do Sul desabar dois anos depois? 

Acabar com o que chamou de “guerras intermináveis” no Afeganistão e no Iraque foi uma das promessas de campanha do presidente Donald Trump. Ele retirou parte dos soldados americanos do Iraque e traiu as Forças Democráticas da Síria, uma milícia árabe-curda que fez o trabalho pesado da operação terrestre na guerra contra o Estado Islâmico, deixando os curdos à mercê do Exército da Turquia. 

As negociações de paz entre os Estados Unidos e os Talebã começaram no fim de 2018 e foram interrompidas várias vezes. Na última, em setembro do ano passado, por causa da morte de um soldado americano num ataque rebelde. Meu comentário:

domingo, 22 de dezembro de 2019

Ashraf Ghani é reeleito presidente do Afeganistão sob protestos

O presidente do Afeganistão, Achraf Ghani Ahmadzai, foi reeleito com 50,64% dos votos contra 39,52% para o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, de acordo com resultados preliminares das eleições de 28 de setembro divulgados hoje pela comissão eleitoral independente. O adversário não aceitou a derrota.

"Queremos dizer mais uma vez a nosso povo, a nossos partidários, à comissão eleitoral e aos nossos aliados internacionais que nossa equipe não aceitará os resultados desta votação fraudulenta se nossas demandas não foram levadas em conta", declarou um comunidade do comitê da campanha de Abdullah.

Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro reiterou sua posição: "Infelizmente, a comissão eleitoral está próxima aos fraudadores. Não há nenhuma dúvida de que somos os vencedores desta eleição, com base nos verdadeiros votos do povo."

O anúncio oficial dos resultados estava previsto para 19 de outubro. Primeiro, foi adiado para 14 de novembro. Abdullah pediu a suspensão das apurações, mas não apresentou nenhum indício concreto de fraude. Sua campanha alega que cerca de 300 mil boletins de seções eleitorais validados pela comissão eleitoral apresentam problemas.

Ao defender o processo democrático, o embaixador dos Estados Unidos em Cabul, John Bass, argumentou que estes são resultados preliminares: "Faltam muitos passos ainda para o resultado final da eleição ser certificado para garantir que o povo afegão tenha confiança nos resultados.

O Afeganistão vive em guerra desde a invasão soviética de 1979, ferozmente combatida por uma guerrilha muçulmana apoiada pelos EUA, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão. Dez anos mais tarde, depois das mortes de pelo menos 25 mil soldados, no Vietnã da União Soviética, o líder Mikhail Gorbachev ordenou a retirada.

Em 1992, os rebeldes muçulmanos derrubaram o governo fantoche de Mohamed, instalado no poder pela URSS. O país entrou num estado de anarquia, o que levou ao surgimento da milícia dos Talebã (Estudantes), formada por mulás e estudantes das escolas religiosas, as madrassas, em 1994.

Dois anos depois, os Talebã tomaram o poder em Cabul e deram refúgio à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, que chegara ao país como um agente saudita para coordenar a resistência contra a invasão soviética.

Depois de atentados terroristas contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, o presidente Bill Clinton ordenou um bombardeio às bases da Caeda no Afeganistão. A reação viria nos atentados de 11 de setembro de 2001, que foram os primeiros ataques ao centro do poder nos EUA desde as guerras da independência contra o Império Britânico e deixaram quase 3 mil mortos.

Em 7 de outubro de 2001, os EUA começaram a bombardear o Afeganistão para em seguida invadir o país junto com seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que invocaram o artigo 5 da Carta da OTAN, que diz que um ataque contra um é um ataque contra todos.

O governo fundamentalista islâmico dos Talebã caiu em menos de um mês. Com a fuga de Ben Laden e de parte da liderança da Caeda depois da Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, o governo George Walker Bush desviou o foco para o Iraque.

Dezoito anos depois, a Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA, que tentam assinar um acordo de paz com os Talebã para se retirar com alguma honra, já que o governo criado pela invasão americana não se sustenta sem as forças internacionais.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Afeganistão anuncia vitória sobre o Estado Islâmico

O Exército do Afeganistão capturou centenas de milicianos do grupo Khorasan, o braço da organização terrorista Estado Islâmico numa batalha na província de Nangarhar, anunciou o presidente Achraf Ghani Ahmadzai, citado pela agência de notícias Reuters.

Ghani apresentou a vitória como um grande avanço na guerra contra o Estado Islâmico, uma grande ameaça à segurança pública no país. Mas o grupo pode se rearticular num futuro próximo.

O grupo Khorasan tem uma base pequena, mas até agora sólida, na província de Nangarhar. É uma ameaça ao Afeganistão, aos países vizinhos e até mesmo à milícia fundamentalista islâmica dos Talebã (Estudantes), maior inimiga do governo afegão.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mais uma negociação internacional de Trump fracassa

O presidente Donald Trump rompeu as negociações de paz com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã sob o argumento de que mais um soldado americano foi morto, mas a verdadeira razão é outra: a milícia exige a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão e os Estados Unidos pretendem manter uma força antiterrorista de 8,6 mil homens no país.

Depois de um ano de negociações de paz e do quinto encontro em Doha, no Catar, representantes do governo americano e da milícia fundamentalista sunita que governou o Afeganistão como um emirado islâmico de 1996 a 2001 estavam perto de um acordo. 

Uma reunião secreta estava marcada para sábado na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos em Camp David entre Trump, o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, e delegados dos Talebã. 

O objetivo é acabar com a guerra que já dura quase 18 anos e é a mais longa da história dos Estados Unidos. Começou em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos. 

O regime fundamentalista dos Talebã dava refúgio à rede terrorista Al Caeda, responsável pelo pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos. Meu comentário:

domingo, 8 de setembro de 2019

Trump suspende encontro com Talebã e é criticado pelo convite inicial

O presidente Donald Trump está sendo duramente criticado por ter convidado terroristas para negociações de paz que seriam realizadas neste domingo na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos, em Camp David. Trump cancelou o encontro até então secreto sob a alegação que a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) matou um soldado americano no Afeganistão.

Em uma série de mensagens pelo Twitter no sábado à noite, o presidente americano anunciou que não haveria o encontro porque os Talebã assumiram a responsabilidade por atentado com carro-bomba em Cabul com 12 mortos, inclusive um soldado americano, na quinta-feira.

Foi o 16º militar americano morto neste ano na Guerra do Afeganistão, que completa 18 anos em outubro e é a mais longa da história dos EUA. As outras 15 mortes não mereceram a mesma reação.

"Que tipo de gente mata tantos para, aparentemente, fortalecer seu poder de barbanha?", indagou Trump. "Se não podem concordar com um cessar-fogo durante negociações tão importantes, e até mesmo matam 12 pessoas inocentes, então provavelmente nem tenham poder para negociar um acordo significativo."

A Milícia dos Talebã lamentou o cancelamento da reunião, que também incluiria o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, dias depois que o enviado especial dos EUA, o embaixador americano Zalmy Khalilzad, ter anunciado que chegou a um esboço de acordo de paz. O encontro em Camp David serviria para Trump aprovar o acordo.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, defendeu o convite ao grupo terrorista sob o argumento de que "temos a obrigação de fazer tudo o que pudermos", mas afirmou que as negociações estão paralisadas "no momento".

domingo, 5 de junho de 2016

Talebã matam sete em ataque a tribunal no Afeganistão

Pelo menos sete pessoas morreram e mais de 20 saíram feridas quando a milícia dos Talebã (Estudantes) atacou um tribunal em Puli Alam, capital da província de Logar, no Afeganistão. Na capital, um depoutado e outras três pessoas foram mortas com a explosão de uma bomba.

Até agora, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo atentado em Cabul. O ataque ao tribunal foi uma resposta à execução de seis talebã no mês passado.

Depois de um ataque a Cabul em que 64 pessoas foram mortas em abril, o presidente Achrafi Ghani prometeu uma reação mais dura. As negociações de paz estagnaram. Os Talebã se negam a negociar com o governo.

A situação piorou com a morte do líder da milícia, mulá Akhtar Mansur, num bombardeio de drones dos Estados Unidos em 21 de maio de 2016.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Afeganistão aprova extensão da intervenção militar dos EUA

O presidente Achraf Ghani elogiou hoje a decisão dos Estados Unidos de manter 5,5 mil soldados no Afeganistão depois do fim de 2016, informou a Agência France Presse (AFP), embora seja um sinal evidente de fraqueza de seu governo.

Depois de concluir que as forças de segurança afegãs são incapazes de proteger o país, o presidente Barack Obama prometeu ontem manter 9,8 mil militares americanos no Afeganistão até o fim do próximo e 5,5 mil em 2017, quando termina seu mandato. Pelo plano anterior, ficariam apenas mil soldados para defender a embaixada dos EUA e colaborar no treinamento das forças locais.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também aprovou a decisão. A breve queda da cidade de Kunduz, no Norte do Afeganistão, diante uma ofensiva da Milícia dos Talebã (Estudantes) e da presença cada vez maior do Estado Islâmico do Iraque e do Levante mudaram a estratégia de Obama.

Como os jihadistas ficaram empolgados com a perspectiva de uma retirada das forças internacionais, o presidente americano deixou claro que a intervenção continua até que haja um acordo de paz entre o governo e os Talebã.

Também pesou o avanço do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Obama se elegeu prometendo acabar com as duas guerras iniciadas por seu antecessor, George Walker Bush. Em 2011, concluiu a retirada americana do Iraque, deixando apenas um pequeno contingente para defender a embaixada dos EUA.

A ofensiva do EI em junho de 2014, quando tomou Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, e proclamou a fundação de um califado, e a degola de reféns americanos provocaram a mudança de posição de Obama. Assim, o presidente vai deixar a Casa Branca em janeiro de 2017 sem cumprir a promessa.

sábado, 22 de agosto de 2015

Atentado terrorista suicida mata 10 pessoas no Afeganistão

Um homem-bomba matou dez pessoas e feriu outras 60 hoje em Cabul, a capital do Afeganistão, informou a agência de notícias Afghan Islamic Press. Entre os feridos, há cinco mulheres e cinco crianças.

Os ataques seguidos a Cabul deterioraram as relações entre o governo Achraf Ghani e o Paquistão, acusado pelas autoridades afegãs de proteger a milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes).

Na província de Fariabe, quatro milicianos foram mortos e 11 presos durante uma operação realizada neste sábado. Três rebeldes mortos eram estrangeiros, dois usbeques e um paquistanês.

Historicamente o Afeganistão é um país fragmentado por seus vários povos que serviu como campo de batalha para diferentes civilizações e impérios, de Alexandre, o Grande, da Macedônia, na Antiguidade; e Gêngis Khan, na Idade Média; aos impérios russo e britânico, no século 19; à União Soviética, no século 20; e aos EUA e seus aliados na guerra contra o terrorismo, no século 21. Não há uma unidade nacional, um senso de nação. Prevalecem as lealdades étnicas e tribais.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Talebã atacam o Parlamento do Afeganistão

A  milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) reivindicou a autoria de um ataque ao Parlamento do Afeganistão. Pelo menos nove pessoas morreram, entre eles sete terroristas, uma mulher e uma criança, e 31 saíram feridas, informou o Ministério do Interior afegão.

Num claro desafio ao governo, o ataque comecou às 10h30 pela hora local de Cabul com um atentado terrorista suicida que abalou o plenário, que discutia a indicação do novo ministro da Defesa. Em seguida, seis milicianos tentaram invadir a sede do Parlamento. A polícia resistiu. Depois de uma hora, conseguiu matar todos os talebã.

"Todos os deputados e senadores foram resgatados e estão bem", declarou o chefe de polícia de Cabul, Abdul Rahman Rahimi.

O presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, nomeou recentemente Mohammad Massoom Stanekzai para ministro da Defesa, um cargo que exige aprovação do Parlamento. Ghani condenou o ataque descrevendo-o como "um ato claro de hostilidade contra a religião do Islã", numa tentativa de minar a credibilidade dos Talebã, que se apresentam como os únicos representantes legítimos do verdadeiro islamismo.

Com esse ataque ao coração do poder em Cabul, os Talebã mostram a determinar de obter vitórias e realizar ações espetaculares em sua ofensiva anual de verão, que começou antes do início oficial da estação, quando o fim do rigoroso inverno e o degelo permitem aos rebeldes intensificar a luta.

Este é o primeiro ano depois da retirada do grosso das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, que atacaram o Afeganistão a partir de 7 de outubro de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro em Nova York e no Pentágono. O governo dos talebã acolhia na época as principais bases da rede terrorista Al Caeda.

A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história dos EUA. Desde sua primeira eleição para a Casa Branca, em 2008, o presidente Barack Obama promete acabar com a participação americana.

Diante da ofensiva da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Iraque um ano atrás, Obama decidiu manter 9,8 mil soldados americanos no Afeganistão em vez dos 5 mil anteriormente previstos. Além de treinar a polícia e o Exército locais, eles podem participar de operações especiais antiterrorismo.

terça-feira, 24 de março de 2015

EUA vão manter 9,8 mil soldados no Afeganistão

Os Estados Unidos vão manter 9,8 mil soldados no Afeganistão até o fim de 2015, desacelerando a retirada, anunciou o presidente Barack Obama há pouco, em entrevista coletiva na Casa Branca ao lado do presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai.

A expectativa anterior era que ficassem 5,5 mil soldados e não em missões de combate, apenas para treinar as forças de segurança locais. A retirada total fica adiada para 2017.

O principal motivo é a infiltração do Estado Islâmico, que estabeleceu uma base no Oeste do Afeganistão em janeiro para agir neste país e no Paquistão. Ontem, foi anunciado um acordo entre a Milícia dos Talebã e a minoria xiita hazara para proteger os xiitas do EI.

Obama destacou que o Afeganistão está assumindo a responsabilidade pelos combates, citando como prova o número de soldados e policiais mortos e feridos: "Queremos ter certeza de que estamos fazendo todo o possível para treinar as forças afegãs. Assim, não teremos de voltar."

A Guerra do Afeganistão, iniciada em 7 de outubro de 2001 para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano, é a mais longa da história dos EUA.

Talebã vão proteger xiitas do Estado Islâmico no Afeganistão

A Milícia dos Estudantes (Talebã) do Afeganistão concordou em proteger a minoria hazara, que é xiita, do grupo terrorista Estado Islâmico, declarou Abdul Khalik Yakubi, um dos anciões da comunidade hazara, depois de um encontro no leste da província de Ghasni, noticiou ontem a agência Reuters.

O acordo revela a preocupação dos Talebã com a penetração do Estado Islâmico no Afeganistão em sua disputa com a rede terrorista Al Caeda para conquistar a lealdade dos jihadistas do mundo inteiro.

Em 13 de janeiro de 2015, um vídeo divulgado na Internet anunciou o estabelecimento do Estado Islâmico do Afeganistão e do Paquistão na região de Coraçone, no oeste afegão. Na gravação, um ex-porta-voz dos Talebã do Paquistão, Chahidullah Chahid, apresentou os nomes dos comandantes do EI responsáveis pelas ações nos dois países.

Na época, os Talebã afegãos denunciaram infiltração do EI como um golpe publicitário do governo do Afeganistão e das potênciais ocidentais. A guerra interna enfraquece os principais grupos jihadistas, mas aumenta a tentação de realizar ataques espetaculares na Europa e nos Estados Unidos como parte da luta.

O presidente Barack Obama recebeu hoje na Casa Branca o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, para discutir a segurança no país. Ghani deve pedir que os EUA mantenham uma força maior do que anunciado anteriormente para evitar o que aconteceu no Iraque depois da retirada americana.

Os EUA devem manter uma força de 9,8 mil soldados até o fim de 2015 e talvez uma força especial de combate ao terrorismo de 2 mil homens que já está em atuação.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Forças Armadas do Afeganistão assumem guerra contra os Talebã

Com a retirada das forças internacionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e seus aliados, os 350 mil soldados das Forças Armadas do Afeganistão passam a ser os únicos responsáveis pela guerra contra a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes). Ficam no país cerca de 13 mil soldados estrangeiros, a maioria dos Estados Unidos, para missões de treinamento e, se necessário, de combate ao terrorismo.

Nos últimos dois anos, as forças de segurança afegãs estavam na linha de frente. A retirada do Afeganistão, a mais longa guerra da história dos EUA, era uma promessa da primeira campanha eleitoral do presidente Barack Obama, em 2008.

O Afeganistão foi desestabilizado pela invasão soviética de 26 de dezembro de 1979. A União Soviética só conseguiu controlar as grandes cidades. Logo, teve de enfrentar guerrilheiros árabes armados, treinados e financiados pelos EUA, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão.

Dez anos depois, a retirada soviética deixa um vácuo de poder que se acentuou com a queda e execução sumária de Mohamed Najibullah, o último dirigente instalado por Moscou, em 1992. Em meio à total anarquia e violência, com o país disputado entre senhores da guerra, surgiu em 1994 a Milícia dos Talebã, com o apoio do serviço secreto das Forças Armadas do Paquistão.

Em 1996, os Talebã tomaram o poder em Cabul e instalaram seu emirado islâmico, que acolhia a rede terrorista Al Caeda, nascida em 1988 entre as forças que lutaram contra a invasão soviética. Depois dos atentados terroristas contras as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, o presidente Bill Clinton bombardeou as bases d'al Caeda no Afeganistão, mas não foi além disso.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA seriam a resposta da rede liderada por Ossama ben Laden aos bombardeios americanos. Menos de um mês depois, em 7 de outubro, começava a mais longa guerra da história dos EUA.

Com a fuga dos líderes d'al Caeda que conseguiram escapar do cerco de Tora Bora e se refugiar no Paquistão, em dezembro de 2011, o então presidente George W. Bush desviou a atenção e os recursos para a invasão do Iraque. Isso permitiu a rearticulação dos Talebã.

Quando Obama chegou à Casa Branca, primeiro aumentou o contingente americano para cerca de 130 mil soldados numa tentativa de fortalecer o governo afegão para negociar uma paz definitiva com setores islamitas mais moderados.

A negociação com os Talebã não prosperou, mas agora tem um governo de união nacional entre os dois candidatos mais votados nas eleições presidenciais de 2014, o presidente Achraf Ghani Ahmadzai e o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, uma base política sólida para enfrentar os jihadistas. Os EUA e seus aliados vão continuar financiando as forças de segurança do Afeganistão.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

EUA deixarão 9,8 mil soldados no Afeganistão

Um dia depois da posse do presidente Achraf Ghani Ahmadzai, os Estados Unidos e o Afeganistão assinaram um pacto de segurança para manter 9,8 mil soldados americanos no país depois do fim de 2014, quando o grosso das forças internacionais vai se retirar. Não houve acordo com o presidente anterior, Hamid Karzai.

Os militares americanos não devem entrar em combate. Em princípio, vão apenas treinar, equipar e orientar as forças de segurança afegãs.

A retirada prometida pelo presidente Barack Obama desde a campanha eleitoral de 2008 marca o fim da Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos EUA. No momento, há no país 41.124 soldados estrangeiros, sendo 28.970 americanos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Achraf Ghani toma posse como presidente do Afeganistão

Em uma cerimônia em Cabul transmitida ao vivo pela BBC, Achraf Ghani Ahmadzai está tomando posse neste momento como novo presidente do Afeganistão em meio a um recrudescimento na guerra contra a milícia dos Talebã e às vésperas da retirada do grosso das tropas de combate dos Estados Unidos, no fim de 2014.

É a primeira transferência de poder democrática da história do país. Achraf Ghani sucede Hamid Karzai depois de uma recontagem de votos e uma longa negociação com o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah, que será o primeiro-ministro.

O Afeganistão, que nunca foi um Estado nacional moderno e integrado, vai precisar um governo de união nacional para resistir aos Talebã e às pressões de vizinhos poderosos como o Paquistão, a Rússia e o Irã depois da retirada americana, um compromisso de campanha do presidente Barack Obama.

A Guerra do Afeganistão, iniciada em outubro de 2001 para punir a rede terrorista Al Caeda e o governo da milícia fundamentalista dos Talebã, que a acolhia, pelos atentados de 11 de setembro, é a mais longa da história dos EUA.

"Somos agora uma equipe. Estamos unidos por um futuro melhor para o Afeganistão", declarou o primeiro-ministro Abdullah.

Neste momento, fala o novo presidente, dizendo que, apesar de todos os problemas, há mais oportunidades sociais: "A nação quer mudança e desenvolvimento. Eu me comprometo a realizar estas mudanças. As mulheres, crianças e nosso povo querem uma 'guerra santa' pela paz neste país. Queremos ajudar cada órfão desta terra. Pagamos um alto preço pelo extremismo muçulmano."

Em alguns anos, prometeu Achraf Ghani, teremos uma "era de ouro" no Afeganistão e lembrou que há países implodindo no Oriente Médio. "Queremos paz e justiça social. Sem justiça social, não teremos uma paz duradoura. Precisamos aceitar uns aos outros e não ter governos paralelos para termos uma paz duradoura e estável." Fazia uma referência aos senhores da guerra

Ter um governo significa ter uma Constituição, acrescentou o presidente. As reformas necessárias precisam ser feitas dentro da lei: "Todo ministro deve se reportar à Assembleia Nacional, que terá o papel de controlar suas atividades", acrescentou, numa promessa de transparência.

O Afeganistão é um dos países mais corruptos do mundo por causa do atraso e da guerra permanente em que vive há pelo menos 35 anos.

domingo, 21 de setembro de 2014

Candidatos anunciam união nacional no Afeganistão

Depois de meses de acusações mútuas e de uma recontagem nos votos da eleição presidencial, os dois candidatos que disputaram o segundo, Abdullah Abdullah e Achraf Ghani, anunciaram um acordo para formar um governo de união nacional no Afeganistão. Achraf Ghani foi declarado presidente eleito pela Comissão Nacional Eleitoral. Abdullah vai indicar o primeiro-ministro.

O maior desafio do novo governo será manter o controle do país depois da retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos que invadiram o Afeganistão em outubro de 2001 em resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e o Pentágono, sede do Departamento da Defesa. Na época, o país era governado pela milícia fundamentalista dos Talebã e lá ficavam as bases da rede terrorista Al Caeda.

Acabar com a Guerra do Afeganistão, que já é a mais longa da história dos EUA, é uma das promessas de campanha do presidente Barack Obama de 2008. A partir de 2015, devem ficar no país menos de 10 mil soldados americanos para treinar e assessorar as forças de segurança afegãs, sem entrar em combate.

Com a ofensiva do Estado Islâmico nas regiões sunitas e curdas do Iraque, há um debate nos EUA sobre a conveniência de manter uma contingente maior no Afeganistão.

domingo, 13 de julho de 2014

EUA fazem acordo entre candidatos no Afeganistão

Diante de denúncias de fraude de parte a parte e do risco de um impasse político, o secretário de Estado americano, John Kerry, mediou um acordo entre os dois candidatos que disputaram o segundo turno da eleição presidencial no Afeganistão um mês atrás para uma auditoria de todos os votos.

"Será a primeira vez que todos os votos serão auditados", afirmou Achraf Ghani Ahmadzai, segundo colocado no primeiro turno, apontado como líder na apuração preliminar do segundo turno. Seu adversário é o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah, derrotado nas eleições anteriores pelo atual presidente, Hamid Karzai.

Achraf Ghani é da etnia pachtum, maioria relativa no Afeganistão, à qual também pertencem Karzai e a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que boicotou a votação. Os Talebã querem recriar o emirado islâmico que se beneficiou do caos deixado pela derrota da invasão soviética (1979-89) para impor um regime extremista muçulmano de 1996 até a invasão americana de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Naquela época, a rede terrorista Al Caeda mantinha suas bases e sua liderança no Afeganistão, sob a proteção dos Talebã. Como esta é a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, desde sua primeira campanha presidencial, em 2008, o presidente Barack Obama prometeu retirar os soldados americanos do Afeganistão. A data marcada é o fim deste ano.

Se a frágil democracia imposta depois da invasão americana fracassar, o Afeganistão não vai conseguir se livrar de uma guerra que já dura mais de 35 anos, arrasou o país e o transformou em terreno fértil para o jihadismo e centro de treinamento de terroristas.

O futuro presidente deverá negociar a manutenção de uma força militar dos EUA para treinar as forças de segurança locais e assessorá-las no combate ao terrorismo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ex-chanceler denuncia fraude eleitoral no Afeganistão

Depois de ser considerado favorito, o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah perdeu pela terceira vez a eleição presidencial no Afeganistão, desta vez para Achraf Ghani Ahmadzai, declarado vencedor pelo resultado preliminar divulgado ontem. Ghani teve 55% dos votos contra 45% para Abdullah, que não aceitou a derrota.

Achraf Ghani é da etnia pachtum, maioria relativa no país com cerca de 40% da população, a mesma do atual presidente, Hamid Karzai, e da milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que governou o Afeganistão de 1996 a 2001, sendo derrubada pela invasão americana para punir os responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

Abdullah era ligado à Aliança do Norte, que reúne outras etnias e lutava contra o regime fundamentalista dos Talebã.

sábado, 5 de julho de 2014

Talebã incendeiam 400 caminhões-tanque no Afeganistão

A milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) tocou fogo hoje no distrito de Paghman, na periferia de Cabul, em cerca de 400 caminhões-tanque com combustíveis para suprir as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), informou a agência de notícias Reuters.

O Afeganistão deve anunciar na segunda-feira os resultados preliminares do segundo turno da eleição presidencial. Os dois candidatos, Achraf Ghani Ahmadzai e Abdullah Abdullah, se acusam mutuamente de fraude e descartam a possibilidade de formar um governo de união nacional.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Favorito escapa de atentado no Afeganistão

Pelo menos quatro pessoas morreram e várias outras saíram feridas hoje de um atentado terrorista contra o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah, favorito para vencer o segundo turno da eleição presidencial no Afeganistão, marcado para 15 de junho. O candidato escapou sem ferimentos.

O presidente Hamid Karzai e o outro candidato que vai disputar o segundo turno, Achraf Ghani Ahmadzai, condenaram o atentado, atribuído à milícia fundamentalista dos Talebã.

sábado, 26 de abril de 2014

Eleição presidencial no Afeganistão terá segundo turno

O ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah ficou em primeiro lugar na eleição presidencial de 5 de abril de 2014 no Afeganistão, mas obteve apenas 45% dos votos. Sem maioria absoluta, terá de disputar um segundo turno contra o ex-ministro das Finanças Achraf Ghani Ahmadzai.

O resultado preliminar oficial sai em 14 de maio, depois de um primeiro exame das denúncias de irregularidades. A segunda votação está prevista para 28 de maio.

Para a empresa americana de estudos estratégicos e militares Stratfor, o combate à milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) exige cooperação e coordenação diplomática e militar. Isso será mais difícil com Abdullah e Ahmadzai, que o Paquistão considera mais hostis do que o atual governo, de Hamid Karzai, que é da etnia pachtun, maioria relativa nos dois países.