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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Primeiro-ministro do Iraque cai em meio a revolta com 350 mortes

Sob pressão do principal líder religioso do Iraque, o grão-aiatolá Ali al-Sistani, por causa de uma revolta popular com 350 mortes, o primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi vai apresentar amanhã sua renúncia à Assembleia Nacional. 

Sua queda atende a uma das exigências dos manifestantes que saem às ruas desde 1º de outubro em protesto contra a corrupção, o desemprego, a miséria, a péssima qualidade dos serviços públicos e a crescente influência do Irã.

Com a repressão violenta das forças de segurança e o grande número de mortos, o governo perdeu toda legitimidade. Depois de mais 35 mortes ontem, a situação se tornou insustentável. 

A declaração do aiatolá foi o empurrão final num governo medíocre que durou um ano e um mês. Ontem, a violência começou com um ataque ao Consulado Iraniano na cidade de Najaf e logo se espalhou pelo Sul do Iraque, onde a grande maioria da população é muçulmana xiita. Meu comentário:

terça-feira, 30 de maio de 2017

Morre ex-ditador do Panamá Manuel Noriega

O general Manuel Antonio Noriega, ditador do Panamá de 1983 a 1989, quando foi deposto e preso como traficante de drogas numa invasão dos Estados Unidos, morreu ontem aos 83 anos na Cidade do Panamá de complicações de uma cirurgia para remoção de um tumor cerebral.

Agente da Agência Central de Inteligência (CIA) desde os anos 1950s e contratado oficialmente em 1967, Noriega chegou a ser acusado pelo acidente aéreo que matou o ditador Omar Torrijos, a quem apoiara, em 1981. Torrijos negociou em 1977 com o então presidente americano Jimmy Carter a devolução do Canal do Panamá, em 1999. Os americanos não queriam deixar o canal nas mãos de Noriega.

Em 1984, Noriega fraudou uma eleição presidencial. No ano seguinte, foi acusado pela morte do líder oposicionista Hugo Spadafora. Por ligações com as máfias colombianas do tráfico de cocaína, foi denunciado em 1988 em tribunais dos EUA.

A mando do presidente George Herbert Walker Bush, o pai, 27,7 mil soldados dos EUA invadiram o Panamá em 20 de dezembro de 1989 a pretexto de defender a democracia e vidas de americanos que estariam em perigo, e combater o tráfico de drogas.

Noriega refugiou-se na Embaixada do Vaticano no quinto dia da invasão, a véspera do Natal. O prédio foi cercado pelos americanos, que o rodearam por enormes alto-falantes que tocavam rock'n'roll a todo o volume 24 por dia até o general se render, em 3 de janeiro.

A invasão acabou em 31 de janeiro de 1990. Pelo menos 236 soldados e 500 civis panamenhos e 26 soldados americanos morreram. Preso e levado para os EUA, Noriega foi condenado em 16 de setembro de 1992 a 40 anos de cadeia.

Sua pena nos EUA foi reduzida. Quando terminou, em setembro de 2007, havia pedidos de extradição da França e do Panamá. Ele chegou a Paris em abril de 2010, onde foi condenado a sete anos de prisão por assassinato e lavagem de dinheiro. Em 11 de dezembro de 2011, foi enviado ao Panamá para cumprir mais 20 anos de pena.

O general Cara de abacaxi, como era chamado por causa das espinhas, morreu segunda-feira à noite no Hospital São Tomás, na Cidade do Panamá, de uma hemorragia cerebral resultante depois de uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral benigno, sob custódia policial.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Iraque suspende ofensiva em Faluja para poupar civis

O Exército do Iraque e milícias aliadas, sunitas e xiitas, deram uma trégua na ofensiva para retomar Faluja, em poder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde janeiro de 2014, para proteger civis que não fugiram da cidade, anunciou hoje o primeiro-ministro Haider al-Abadi, citado pela agência Reuters.

As Nações Unidas estima que haja cerca de 50 mil civis em Faluja. Os milicianos do Estado Islâmico dificultam a fuga para usá-los como escudos humanos. Depois de meses de cerco por forças governistas, há uma escassez de comida e medicamentos na cidade

Faluja fica a meia hora de carro de Bagdá, a capital iraquiana. Durante a invasão americana, duas grandes batalhas foram travadas na cidade em 2004 entre os Estados Unidos e a rede terrorista Al Caeda no Iraque, que se transformou no Estado Islâmico do Iraque e, com a guerra civil na Síria, no Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A Segunda Batalha de Faluja durou de 7 de novembro a 23 de dezembro de 2004 foi uma das mais sangrentas da invasão americana. Terminou com as mortes 107 soldados da aliança liderada pelos EUA e de pelo menos 1,2 mil rebeldes e civis iraquianos.

Desde a Batalha de Hué, na Guerra do Vietnã, em 1968, os fuzileiros navais dos EUA não enfrentavam um combate urbano tão intenso.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Exportação de petróleo do Iraque é a maior desde 1980s

As exportações de petróleo bruto do Iraque atingiram em abril de 2015 o mais alto nível desde os anos 1980s, quando o país travou uma guerra com o Irã que deixou um milhão de mortos, anunciou hoje o Ministério do Petróleo iraquiano. O total exportado foi de 92,3 milhões de barris, o que rendeu ao país US$ 4,8 bilhões.

Depois da Guerra Irã-Iraque (1980-88), onde teve o apoio do resto do mundo contra a república islâmica fundada pelo aiatolá Khomeini depois da Revolução Islâmica (1979), invadiu e anexou o Kuwait, em agosto de 1990, perdendo o apoio das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos Estados Unidos, que lideraram uma ampla aliança para expulsar os iraquianos do Kuwait no início de 1991.

Derrotado, o Iraque foi submetido a sanções internacionais pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas até a invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush em 2003. Só agora a indústria do petróleo retoma a produção anterior a todas essas guerras.

O petróleo é fundamental para reconstruir o Iraque, onde o Estado policial da ditadura de Saddam Hussein foi desmobilizado e o novo Exército enfrenta dificuldades para combater a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, onde lutam vários ex-militares e ex-policiais de Saddam.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Iraque lança ofensiva para tomar terra natal de Saddam Hussein

Com 30 mil homens, o apoio de milícias xiitas e sunitas, e da Guarda Revolucionária do Irã, o Exército do Iraque lançou hoje uma ofensiva contra o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante para retomar a cidade de Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, deposto e morto depois da invasão americana de 2003.

É um passo importante para retomar o controle do Norte do país. Por ironia do destino, boa parte dos voluntários iraquianos do EI, inclusive dois subcomandantes, faziam parte das forças de segurança de Saddam, dissolvidas pelos Estados Unidos. Devido à presença do Irã, a Força Aérea dos EUA não participa da ofensiva.

Em pronunciamento ontem à noite na televisão, o primeiro-ministro do Iraque, Heidar al-Abadi, fez um apelo aos militantes do Estado Islâmico para que "se rendam para evitar uma punição maior". Horas depois do início da operação, as autoridades iraquianas admitiram ainda não ter conseguido entrar no perímetro urbano, sinal de que a batalha será longa.

O general Abdul Wahab al-Saadi, comandante militar iraquiano na província de Saladino, declarou à televisão estatal que a operação "segue como planejado, mas ainda não entramos na cidade. Se Deus quiser, vamos entrar, mas precisamos de tempo, como planejado. Se Deus quiser, vamos conquistar uma grande vitória e Saladino será um cemitério para todos os grupos terroristas."

O Estado Islâmico conquistou Tikrit, que fica a 130 quilômetros ao norte de Bagdá, em junho de 2014, na mesma ofensiva em que tomou a segunda maior cidade do Iraque, Mossul, origem do termo muçulmano.

A retomada de Tikrit seria um teste importante para uma ofensiva muito maior contra Mossul a ser realizadas nos próximos meses, depois do fim do inverno no Hemisfério Norte. Tikrit está na rota para Mossul.

domingo, 13 de julho de 2014

EUA fazem acordo entre candidatos no Afeganistão

Diante de denúncias de fraude de parte a parte e do risco de um impasse político, o secretário de Estado americano, John Kerry, mediou um acordo entre os dois candidatos que disputaram o segundo turno da eleição presidencial no Afeganistão um mês atrás para uma auditoria de todos os votos.

"Será a primeira vez que todos os votos serão auditados", afirmou Achraf Ghani Ahmadzai, segundo colocado no primeiro turno, apontado como líder na apuração preliminar do segundo turno. Seu adversário é o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah, derrotado nas eleições anteriores pelo atual presidente, Hamid Karzai.

Achraf Ghani é da etnia pachtum, maioria relativa no Afeganistão, à qual também pertencem Karzai e a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que boicotou a votação. Os Talebã querem recriar o emirado islâmico que se beneficiou do caos deixado pela derrota da invasão soviética (1979-89) para impor um regime extremista muçulmano de 1996 até a invasão americana de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Naquela época, a rede terrorista Al Caeda mantinha suas bases e sua liderança no Afeganistão, sob a proteção dos Talebã. Como esta é a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, desde sua primeira campanha presidencial, em 2008, o presidente Barack Obama prometeu retirar os soldados americanos do Afeganistão. A data marcada é o fim deste ano.

Se a frágil democracia imposta depois da invasão americana fracassar, o Afeganistão não vai conseguir se livrar de uma guerra que já dura mais de 35 anos, arrasou o país e o transformou em terreno fértil para o jihadismo e centro de treinamento de terroristas.

O futuro presidente deverá negociar a manutenção de uma força militar dos EUA para treinar as forças de segurança locais e assessorá-las no combate ao terrorismo.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

EUA enviam armas e mísseis ao Iraque

Os Estados Unidos vão enviar ao Iraque 300 mísseis Hellfire (Fogo do Inferno), helicópteros de combate e milhões de armas leves e médias para o combate ao terrorismo, anunciou hoje a Casa Branca, diante da ofensiva da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que luta para unir Iraque, Síria e Líbano num califado fundamentalista muçulmano.

Na declaração, o governo americano faz um apelo a todos os líderes iraquianos para que busquem soluções conjuntas para os problemas do país, ignorando que o colapso do Estado e das Forças Armadas do Iraque é resultado da invasão ordenada pelo então presidente George W. Bush, em 2003.

Como não houve acordo para dar imunidade aos militares americanos depois da retirada das forças de combate no fim de 2011, os EUA treinam as forças especiais do Iraque na Jordânia e devem entregar os primeiros caças-bombardeiros F-16 ainda em 2014.

O EIIL tomou hoje Tikrit, terra natal de Saddam Hussein, o ditador deposto e executado na invasão americana. Está a apenas 150 km de Bagdá.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Jornalista iraquiano joga sapatos em Bush

Na sua última visita ao Iraque como presidente dos Estados Unidos, feita de surpresa neste domingo por razões de segurança, George Walker Bush também teve uma surpresa.

Bush chegou pela manhã. Pela primeira vez, foi recebido com honras de chefe de Estado, com direito aos hinos nacionais dos dois países, um sinal de que a segurança em Bagdá melhorou.

Ao lado do presidente Jalal Talabani, defendeu a necessidade de derrubar Saddam Hussein. Mas depois de assinar o pacto de segurança que prorroga a ocupação americana até o fim de 2011, Bush foi alvo de dois sapatos jogados pelo jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi aos gritos: "Este é um beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro".

Tanto o cachorro quanto sapatos são tidos como sujos e impuros. No mundo árabe, há uma recomendação de não cruzar as pernas para não mostrar a sola do sapato aos interlocutores. É deselegante.

Al-Zaidi, repórter da TV iraquiana Al-Baghdaddia, com emissora no Egito, foi preso e torturado na situação de caos e anarquia em que a invasão americana jogou o país.