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sábado, 3 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

 MARTINHO LUTERO EXCOMUNGADO

    Em 1521, o Papa Leão X excomunga o monge alemão que questiona as práticas da Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante.

Lutero nasce em Eisleben, na Saxônia, hoje parte da Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Na primavera de 1488, ele começa seus estudos na Escola Latina de Mansfield, onde aprende latim e tem os primeiros ensinamentos religiosos. Vai para Magdeburgo, em 1497. Em 1501, entra para a Universidade de Erfurt, onde se forma bacharel em artes liberais no ano seguinte. Três anos depois, conclui um mestrado.

Por influência do pai, começa a estudar direito. Menos de seis semanas depois, em 17 de julho de 1505, abandona o curso e entra para o Mosteiro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt, que obriga a fazer voto de pobreza.

Lutero começa a fazer doutorado em teologia em Erfurt e Wittenberg. Interrompe os estudos ao ser nomeado pelo Papa Júlio II observador da ordem dos agostinianos alemães em Roma. A experiência romana o marca profundamente. Ele vê uma falta de espiritualidade no coração da Igreja Católica. De volta a Wittenberg, conclui o doutorado em teologia em 1512 e se torna professor.

Quando vê o frei dominicano Johann Tetzel aconselhar fiéis a comprar uma carta de indulgência para espiar seus pecados, Lutero faz uma série de proposições para provocar um debate acadêmico sobre a venda de indulgências e envia cópia a Albert, Arcebispo de Mogúncia.

Em 21 de outubro de 1517, prega um texto com suas 95 teses na porta da catedral do Castelo de Wittenberg. Ele critica o poder do papa e protesta contra o comércio de indulgências. 

Na Tese 86, pergunta: "Por que o Papa, cuja riqueza hoje é maior do que a do milionário Crasso [o homem mais rico da Roma Antiga], não constrói a Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro e, sim, com o de crentes pobres?"

Um de seus adversários no debate é o Cardel Cajetan, que acusa Lutero de negar que a Igreja tenha o poder de distribuir o infinito "tesouro de méritos". O primeiro exame das alegações pela Cúria Romana conclui que as teses de Lutero são "escandalosas e ofensivas a ouvidos pios", mas não heréticas.

No segundo exame, em 15 de junho de 1520, uma bula do Papa Leão X afirma que 41 frases de Lutero são "heréticas, escandalosas e ofensivas a ouvidos pios". O monge rebelde responde com um texto intitulado Contra a Bula Execrável do Anticristo. Em 10 de dezembro de 1520, vai até uma fogueira acesa por seus alunos e joga a bula papal no fogo.

MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

ALASCA VIRA ESTADO

    Em 1959, o Alasca se torna o 49º estado dos Estados Unidos.

O Alasca é habitado desde 10 mil anos antes de Cristo. Durante a Era Glacial, o Mar de Bering era mais baixo. Uma ponte terrestre ligava a Sibéria à América. Por lá o homem chega ao continente americano.

A Rússia implanta a primeira colônia europeia em 1784 na Baía dos Três Santos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), a Rússia mostra interesse em vender o Alasca aos EUA. O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward". 

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

FIDEL EXCOMUNGADO

    Em 1962, o Papa João XXIII excomunga o primeiro-ministro Fidel Castro por impor o regime comunista a Cuba.

Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, foge para o México. Volta em 2 de dezembro de 1956 a bordo do iata Granma com um grupo de 83 homens que inclui seu irmão Raúl Castro, Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara. Eles iniciam uma guerrilha na Sierra Maestra que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Na Segunda Declaração de Havana, em dezembro de 1961, Fidel proclama o caráter marxista-leninista da Revolução Cubana e convoca a América Latina a se rebelar.

GEN. NORIEGA SE RENDE

    Em 1990, depois de 10 dias de uma guerra psicológica que inclui música de grandes alto-falantes em volume máximo tocando rock and roll heavy metal diante da Embaixada do Vaticano, onde está refugiado, o general Manuel Noriega se rende as forças dos Estados Unidos que invadem o Panamá em 20 de dezembro de 1989 na Operação Justa Causa.

Noriega nasce na Cidade do Panamá em 11 de fevereiro de 1934. Estuda na Academia Militar de Chorrillos e na Escolas das Américas, a escola de ditadores latino-americanos instalada na Zona do Canal do Panamá, um enclave norte-americano no país.

Quando o coronel Omar Torrijos derruba o presidente Arnulfo Arias, em 1968, nomeia Noriega para chefe do serviço secreto.

 Como chefe da inteligência do Panamá, Noriega vira agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) em 1971 e distribui armas para grupos paramilitares apoiados pelos EUA na América Latina. Com a morte de Torrijos, em 1981, ele consolida o poder e se torna comandante militar e ditador em 1983.

Os EUA se voltam contra ele após a morte brutal do líder guerrilheiro Hugo Spadafora, que lutara ao lado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução Nicaraguense. Acusado de extorsão e de cooperar com as máfias colombianas do tráfico de drogas, passa a ser alvo dos EUA.

Em 1988, Noriega é denunciado nos EUA por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Preso na invasão do Panamá, é condenado a 40 anos de prisão. Cumpre 17 anos. A pena acaba em 2007, mas ele é extraditado para a França em 2010 e condenado a sete anos de reclusão por lavagem de dinheiro. 

A França o extradita para o Panamá, onde fica preso pelos crimes cometidos quando ditador até morrer de câncer no cérebro em 29 de maio de 2017.

COMANDANTE IRIANIANO ELIMINADO

    Em 2020, um míssil disparado pelos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, mata o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, o general mais importante do Irã, principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, responsável por mais de 60 milícias.

Suleimani nasce em 11 de março de 1957 na Província de Carmânia, no Irã. Começa sua carreira militar na Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando morreram um milhão de muçulmanos, onde chega a comandar a 41ª Divisão de Exército. Depois, passa a comandar ações do Irã no exterior, inclusive nas revoltas de curdos e xiitas contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante a guerra civil da Síria, a partir de 2012, ele ajuda diretamente a ditadura de Bachar Assad a resistir aos grupos rebeldes sunitas. Coordena a luta de milícia xiitas contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O bombardeio que o mata, autorizado pelo presidente Donald Trump (2017-21), é uma resposta a um ataque de uma milícia xiita iraquiana à Embaixada dos EUA em Bagdá. 

Poucos mais de um ano atrás, a Guarda Revolucionária Iraniana declara que o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel é uma resposta à morte de Suleimani porque a inteligência de Israel teria orientado os EUA. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nega. Afirma que é uma ação palestina contra a ocupação israelense.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

 MARTINHO LUTERO EXCOMUNGADO

    Em 1521, o Papa Leão X excomunga o monge alemão que questiona as práticas da Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante.

Lutero nasce em Eisleben, na Saxônia, hoje parte da Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Na primavera de 1488, ele começa seus estudos na Escola Latina de Mansfield, onde aprende latim e tem os primeiros ensinamentos religiosos. Vai para Magdeburgo, em 1497. Em 1501, entra para a Universidade de Erfurt, onde se forma bacharel em artes liberais no ano seguinte. Três anos depois, conclui um mestrado.

Por influência do pai, começa a estudar direito. Menos de seis semanas depois, em 17 de julho de 1505, abandona o curso e entra para o Mosteiro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt, que obriga a fazer voto de pobreza.

Lutero começa a fazer doutorado em teologia em Erfurt e Wittenberg. Interrompe os estudos ao ser nomeado pelo Papa Júlio II observador da ordem dos agostinianos alemães em Roma. A experiência romana o marca profundamente. Ele vê uma falta de espiritualidade no coração da Igreja Católica. De volta a Wittenberg, conclui o doutorado em teologia em 1512 e se torna professor.

Quando vê o frei dominicano Johann Tetzel aconselhar fiéis a comprar uma carta de indulgência para espiar seus pecados, Lutero faz uma série de proposições para provocar um debate acadêmico sobre a venda de indulgências e envia cópia a Albert, Arcebispo de Mogúncia.

Em 21 de outubro de 1517, prega um texto com suas 95 teses na porta da catedral do Castelo de Wittenberg. Ele critica o poder do papa e protesta contra o comércio de indulgências. 

Na Tese 86, pergunta: "Por que o Papa, cuja riqueza hoje é maior do que a do milionário Crasso [o homem mais rico da Roma Antiga], não constrói a Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro e, sim, com o de crentes pobres?"

Um de seus adversários no debate é o Cardel Cajetan, que acusa Lutero de negar que a Igreja tenha o poder de distribuir o infinito "tesouro de méritos". O primeiro exame das alegações pela Cúria Romana conclui que as teses de Lutero são "escandalosas e ofensivas a ouvidos pios", mas não heréticas.

No segundo exame, em 15 de junho de 1520, uma bula do Papa Leão X afirma que 41 frases de Lutero são "heréticas, escandalosas e ofensivas a ouvidos pios". O monge rebelde responde com um texto intitulado Contra a Bula Execrável do Anticristo. Em 10 de dezembro de 1520, vai até uma fogueira acesa por seus alunos e joga a bula papal no fogo.

MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

ALASCA VIRA ESTADO

    Em 1959, o Alasca se torna o 49º estado dos Estados Unidos.

O Alasca é habitado desde 10 mil anos antes de Cristo. Durante a Era Glacial, o Mar de Bering era mais baixo. Uma ponte terrestre ligava a Sibéria à América. Por lá o homem chega ao continente americano.

A Rússia implanta a primeira colônia europeia em 1784 na Baía dos Três Santos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), a Rússia mostra interesse em vender o Alasca aos EUA. O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward". 

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

FIDEL EXCOMUNGADO

    Em 1962, o Papa João XXIII excomunga o primeiro-ministro Fidel Castro por impor o regime comunista a Cuba.

Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, foge para o México. Volta em 2 de dezembro de 1956 a bordo do iata Granma com um grupo de 83 homens que inclui seu irmão Raúl Castro, Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara. Eles iniciam uma guerrilha na Sierra Maestra que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Na Segunda Declaração de Havana, em dezembro de 1961, Fidel proclama o caráter marxista-leninista da Revolução Cubana e convoca a América Latina a se rebelar.

GEN. NORIEGA SE RENDE

    Em 1990, depois de 10 dias de uma guerra psicológica que inclui música de grandes alto-falantes em volume máximo tocando rock and roll heavy metal diante da Embaixada do Vaticano, onde está refugiado, o general Manuel Noriega se rende as forças dos Estados Unidos que invadem o Panamá em 20 de dezembro de 1989 na Operação Justa Causa.

Noriega nasce na Cidade do Panamá em 11 de fevereiro de 1934. Estuda na Academia Militar de Chorrillos e na Escolas das Américas, a escola de ditadores latino-americanos instalada na Zona do Canal do Panamá, um enclave norte-americano no país.

Quando o coronel Omar Torrijos derruba o presidente Arnulfo Arias, em 1968, nomeia Noriega para chefe do serviço secreto.

 Como chefe da inteligência do Panamá, Noriega vira agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) em 1971 e distribui armas para grupos paramilitares apoiados pelos EUA na América Latina. Com a morte de Torrijos, em 1981, ele consolida o poder e se torna comandante militar e ditador em 1983.

Os EUA se voltam contra ele após a morte brutal do líder guerrilheiro Hugo Spadafora, que lutara ao lado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução Nicaraguense. Acusado de extorsão e de cooperar com as máfias colombianas do tráfico de drogas, passa a ser alvo dos EUA.

Em 1988, Noriega é denunciado nos EUA por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Preso na invasão do Panamá, é condenado a 40 anos de prisão. Cumpre 17 anos. A pena acaba em 2007, mas ele é extraditado para a França em 2010 e condenado a sete anos de reclusão por lavagem de dinheiro. 

A França o extradita para o Panamá, onde fica preso pelos crimes cometidos quando ditador até morrer de câncer no cérebro em 29 de maio de 2017.

COMANDANTE IRIANIANO ELIMINADO

    Em 2020, um míssil disparado pelos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, mata o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, o general mais importante do Irã, principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, responsável por mais de 60 milícias.

Suleimani nasce em 11 de março de 1957 na Província de Carmânia, no Irã. Começa sua carreira militar na Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando morreram um milhão de muçulmanos, onde chega a comandar a 41ª Divisão de Exército. Depois, passa a comandar ações do Irã no exterior, inclusive nas revoltas de curdos e xiitas contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante a guerra civil da Síria, a partir de 2012, ele ajuda diretamente a ditadura de Bachar Assad a resistir aos grupos rebeldes sunitas. Coordena a luta de milícia xiitas contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O bombardeio que o mata, autorizado pelo presidente Donald Trump (2017-21), é uma resposta a um ataque de uma milícia xiita iraquiana à Embaixada dos EUA em Bagdá. 

Poucos mais de um ano atrás, a Guarda Revolucionária Iraniana declara que o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel é uma resposta à morte de Suleimani porque a inteligência de Israel teria orientado os EUA. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nega. Afirma que é uma ação palestina contra a ocupação israelense.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

MARTINHO LUTERO EXCOMUNGADO

    Em 1521, o Papa Leão X excomunga o monge alemão que questiona as práticas da Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante.

Lutero nasce em Eisleben, na Saxônia, hoje parte da Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Na primavera de 1488, ele começa seus estudos na Escola Latina de Mansfield, onde aprende latim e tem os primeiros ensinamentos religiosos. Vai para Magdeburgo, em 1497. Em 1501, entra para a Universidade de Erfurt, onde se forma bacharel em artes liberais no ano seguinte. Três anos depois, conclui um mestrado.

Por influência do pai, começa a estudar direito. Menos de seis semanas depois, em 17 de julho de 1505, abandona o curso e entra para o Mosteiro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt, que obriga a fazer voto de pobreza.

Lutero começa a fazer doutorado em teologia em Erfurt e Wittenberg. Interrompe os estudos ao ser nomeado pelo Papa Júlio II observador da ordem dos agostinianos alemães em Roma. A experiência romana o marca profundamente. Ele vê uma falta de espiritualidade no coração da Igreja Católica. De volta a Wittenberg, conclui o doutorado em teologia em 1512 e se torna professor.

Quando vê o frei dominicano Johann Tetzel aconselhar fiéis a comprar uma carta de indulgência para espiar seus pecados, Lutero faz uma série de proposições para provocar um debate acadêmico sobre a venda de indulgências e envia cópia a Albert, Arcebispo de Mogúncia.

Em 21 de outubro de 1517, prega um texto com suas 95 teses na porta da catedral do Castelo de Wittenberg. Ele critica o poder do papa e protesta contra o comércio de indulgências. 

Na Tese 86, pergunta: "Por que o Papa, cuja riqueza hoje é maior do que a do milionário Crasso [o homem mais rico da Roma Antiga], não constrói a Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro e, sim, com o de crentes pobres?"

Um de seus adversários no debate é o Cardel Cajetan, que acusa Lutero de negar que a Igreja tenha o poder de distribuir o infinito "tesouro de méritos". O primeiro exame das alegações pela Cúria Romana conclui que as teses de Lutero são "escandalosas e ofensivas a ouvidos pios", mas não heréticas.

No segundo exame, em 15 de junho de 1520, uma bula do Papa Leão X afirma que 41 frases de Lutero são "heréticas, escandalosas e ofensivas a ouvidos pios". O monge rebelde responde com um texto intitulado Contra a Bula Execrável do Anticristo. Em 10 de dezembro de 1520, vai até uma fogueira acesa por seus alunos e joga a bula papal no fogo.

MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

ALASCA VIRA ESTADO

    Em 1959, o Alasca se torna o 49º estado dos Estados Unidos.

O Alasca é habitado desde 10 mil anos antes de Cristo. Durante a Era Glacial, o Mar de Bering era mais baixo. Uma ponte terrestre ligava a Sibéria à América. Por lá o homem chega ao continente americano.

A Rússia implanta a primeira colônia europeia em 1784 na Baía dos Três Santos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), a Rússia mostra interesse em vender o Alasca aos EUA. O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward". 

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

FIDEL EXCOMUNGADO

    Em 1962, o Papa João XXIII excomunga o primeiro-ministro Fidel Castro por impor o regime comunista a Cuba.

Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, foge para o México. Volta em 2 de dezembro de 1956 a bordo do iata Granma com um grupo de 83 homens que inclui seu irmão Raúl Castro, Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara. Eles iniciam uma guerrilha na Sierra Maestra que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Na Segunda Declaração de Havana, em dezembro de 1961, Fidel proclama o caráter marxista-leninista da Revolução Cubana e convoca a América Latina a se rebelar.

GEN. NORIEGA SE RENDE

    Em 1990, depois de 10 dias de uma guerra psicológica que inclui música de grandes alto-falantes em volume máximo tocando rock'n'roll heavy metal diante da Embaixada do Vaticano, onde está refugiado, o general Manuel Noriega se rende as forças dos Estados Unidos que invadem o Panamá em 20 de dezembro de 1989 na Operação Justa Causa.

Noriega nasce na Cidade do Panamá em 11 de fevereiro de 1934. Estuda na Academia Militar de Chorrillos e na Escolas das Américas, a escola de ditadores latino-americanos instalada na Zona do Canal do Panamá, um enclave norte-americano no país.

Quando o coronel Omar Torrijos derruba o presidente Arnulfo Arias, em 1968, nomeia Noriega para chefe do serviço secreto.

 Como chefe da inteligência do Panamá, Noriega vira agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) em 1971 e distribui armas para grupos paramilitares apoiados pelos EUA na América Latina. Com a morte de Torrijos, em 1981, ele consolida o poder e se torna comandante militar e ditador em 1983.

Os EUA se voltam contra ele após a morte brutal do líder guerrilheiro Hugo Spadafora, que lutaram ao lado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução Nicaraguense. Acusado de extorsão e de cooperar com as máfias colombianas do tráfico de drogas, passa a ser alvo dos EUA.

COMANDANTE IRIANIANO ELIMINADO

    Em 2020, um míssil disparado pelos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, mata o general Kassem Sulaimani, comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, o general mais importante do Irã, principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, responsável por mais de 60 milícias.

Suleimani nasce em 11 de março de 1957 na Província de Carmânia, no Irã. Começa sua carreira militar na Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando morreram um milhão de muçulmanos, onde chega a comandar a 41ª Divisão de Exército. Depois, passa a comandar ações do Irã no exterior, inclusive nas revoltas de curdos e xiitas contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante a guerra civil da Síria, a partir de 2012, ele ajuda diretamente a ditadura de Bachar Assad a resistir aos grupos rebeldes sunitas. Coordena a luta de milícia xiitas contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O bombardeio que o mata, autorizado pelo presidente Donald Trump (2017-21), é uma resposta a um ataque de uma milícia xiita iraquiana à Embaixada dos EUA em Bagdá. 

Poucos dias atrás, a Guarda Revolucionária Iraniana declara que o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel é uma resposta à morte de Suleimani porque a inteligência de Israel teria orientado os EUA. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nega. Afirma que é uma ação palestina contra a ocupação israelense.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

 MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

sexta-feira, 1 de março de 2019

Família Warmbier repudia elogios de Trump ao ditador da Coreia do Norte

A família do estudante americano Otto Warmbier, que morreu depois de ficar preso um ano e cinco meses na Coreia do Norte, onde foi torturado, repudiou a declaração do presidente Donald Trump elogiando Kim Jong Un e alegando que o ditador não sabia de nada.

Fred e Cindy Warmbier, pais do estudante morto, declararam que foram "respeitosos" durante o encontro de cúpula entre os dois líderes, mas "nenhuma desculpa ou elogio vai mudar" o fato de que "Kim e seu regime diabólico" mataram seu filho, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Otto Warmbier foi detido em Pyongyang sob a acusação de roubar um cartaz de propaganda da ditadura comunista norte-coreana em janeiro de 2016. Condenado a 15 anos de trabalhos forçados, foi solto em junho de 2017 e devolvido aos Estados Unidos em estado vegetativo. Ele morreu dias depois, em Cincinnati, no estado de Ohio, onde morava.

Durante entrevista em Hanói, no Vietnã, no fim do encontro de cúpula fracassado, Trump afirmou: "Ele me disse que não sabia de nada e acreditei em sua palavra." Em entrevista ao canal de notícias Fox News, que o apoia incondicionalmente, o presidente dos EUA chamou o ditador de "afiado" e "verdadeiro líder".

"Algumas pessoas dizem que eu não deveria gostar dele", disse Trump ao apresentador Sean Hannity, um dos maiores defensores do presidente nos meios de comunicação dos EUA. "Por que eu não deveria gostar dele? Ele é um personagem. Ele é uma verdadeira personalidade. Ele é muito inteligente."

Hannity defendeu a posição de Trump de se retirar das negociações, comparando ao que fez o então presidente Ronald Reagan com o líder soviético Mikhail Gorbachev nos anos 1980s, nas conversações que levaram ao fim da Guerra Fria.

Trump tem uma paixão indiscreta por ditadores sanguinários como Kim, o chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, acusado pelo assassinato brutal e cruel do jornalista Jamal Khashoggi, que vivia nos EUA.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Venezuela de Maduro rompe relações com os EUA

O ditador Nicolás Maduro anunciou hoje o rompimento de relações diplomáticas de seu governo com os Estados Unidos e deu 72 horas para os diplomatas americanos deixarem a Venezuela. O governo Donald Trump repudiou a decisão e declarou que não vai retirar seus representantes.

Horas antes, o presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, Juan Guaidó, prestou juramento público diante de milhares de manifestantes em Caracas como presidente interino para "conseguir o fim da usurpação".

A oposição considera ilegítimo o governo de Maduro, reeleito fraudulentamente em maio do ano passado, e afirma que a Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015, nas últimas eleições democráticas na Venezuela, é o único poder legítimo no país.

Imediatamente, os EUA reconheceram o governo interino e o mesmo fizeram Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Canadá e Reino Unido.

Maduro pediu à Justiça que tome providências contra Guaidó. O ministro da Defesa, general Padrino López, e o comando das Forças Armadas apoiam Maduro como "presidente legítimo" da Venezuela. Sem uma cisão dentro do regime e entre os militares, o ditador não cai.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Ditador de Camarões conquista sétimo mandato presidencial

Com 71,3% dos votos válidos numa eleição em que só a metade da população adulta votou, o ditador Paul Biya foi reeleito no domingo para um sétimo mandato como presidente da República dos Camarões, um país pobre da África Ocidental. No poder desde 1982, ele fica mais sete anos no cargo.

As regiões do país que falam inglês estão rebeladas há anos. Os confrontos frequentes entre os separatistas e as forças de segurança causaram a fuga de milhares de pessoas para a vizinha e mais rica Nigéria.

Como a oposição denuncia fraude eleitoral mais uma vez, é provável que a violência política aumente. Em meio a uma grande abstenção, nas regiões anglófonas só 5% do eleitorado votou, de acordo com o International Crisis Group.

domingo, 5 de agosto de 2018

Grupo desconhecido reivindica suposto atentado contra Maduro

Através de uma conta no Twitter, um grupo desconhecido que se apresenta como Soldados de Camiseta reivindicou a autoria da Operação Fênix, como chamaram o suposto atentado contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Sete policiais da Guarda Nacional foram feridos. O ditador saiu ileso.

“A operação era sobrevoar dois drones com [explosivo] C4 até o objetivo, o palco presidencial. Franco-atiradores da guarda presidencial derrubaram os drones antes de chegar ao objetivo. Demonstramos que são vulneráveis, não conseguimos, mas é uma questão de tempo”, diz um tuíte.

Os Soldados de Camiseta se apresentam como um grupo de “militares e civis patriotas e leais ao povo da Venezuela” e “baseados em argumentos legais e constitucionais”.  São “oficiais, suboficiais e soldados...dispostos a dar suas vidas.”

“Hoje, não pudemos, mas seguiremos em nossa luta porque a Força Armada Nacional Bolivarista (FANB) tem por funções garantir a independência, a soberania da nação, a integridade territorial e a ordem pública”, acrescentou o grupo.

Os supostos rebeldes acusam boa parte dos órgãos do Estado de “ignorar a Constituição”. Falando em nome da FANB, “decidiram empreender uma luta para restabelecer sua efetiva vigência e evitar que seja derrogada por meios distintos dos que ela expressamente consagra”.

A guerra ao madurismo está declarada: “Os objetivos que seguiremos perseguindo são a volta da paz, a democracia, a Constituição, eleições limpas, a prosperidade e o progresso. (...) É contra a honra militar manter no poder aqueles que fizeram da função pública uma maneira obscena de enriquecer e envilecer.”

Depois do incidente, o ditador Maduro denunciou uma “tentativa de assassinato” em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão. Sem apresentar qualquer prova, ele acusou a oposição venezuelana e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de participar de uma conspiração, financiada com dinheiro vindo do estado da Flórida, nos Estados Unidos.

sábado, 9 de junho de 2018

Suprema Corte do Paquistão permite candidatura de ex-ditador

A Suprema Corte do Paquistão autorizou o registro da candidatura do ex-ditador e ex-comandante do Exército general Pervez Musharraf às eleições parlamentares de 25 de julho desde que ele compareça pessoalmente ao tribunal em 13 de junho, noticiou ontem o jornal paquistanês Dawn.

Musharraf está no exílio em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde março de 2006. Do exílio, lidera a Liga Muçulmana de Todo o Paquistão. Em 2013, uma decisão da Justiça o desqualificou para exercer cargos públicos pelo resto da vida por ter decretado estado de emergência em 2007, suspendido a Constituição e mandado prender vários juízes.

A decisão da Suprema Corte é um sinal de que um Judiciário cada vez mais independente está disposto a processar um ex-presidente e ex-comandante do Exército. O presidente do supremo tribunal, Mian Sakib Nissar, declarou que Musharraf não será preso se voltar ao país.

O então comandante do Exército voltava de uma viagem ao Sri Lanka quando seu avião teve permissão negada para aterrissar no aeroporto internacional de Caráchi, a maior cidade paquistanesa, em 12 de outubro de 1999, enquanto o primeiro-ministro Nawaz Sharif nomeava outro chefe para as Forças Armadas. Às 2h50 da madrugada, o general fez pronunciamento à nação confirmando o golpe.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Ditador do Egito é reeleito com 97% dos votos

Antes do fim da apuração de três dias, a imprensa governamental havia antecipado o resultado. Agora, é oficial: com 97,08% dos votos válidos, o ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe de Estado de 3 de julho de 2013, foi reeleito presidente do Egito para um segundo mandato de quatro anos.

Sem qualquer adversário de oposição, o marechal gostaria de superar o índice de comparecimento às urnas de 2014 (47%), mas a eleição sem qualquer disputa desestimulou o eleitorado. Só 41,5% dos eleitores egípcios foram às urnas.

O ditador foi logo cumprimentado pelo Departamento de Estado americano, em mais um sinal do pouco apreço do governo Donald Trump pela democracia. A agora subsecretária de Estado para Diplomacia e Questões Públicas, Heather Nauert, declarou que os Estados Unidos "estão impacientes para continuar a trabalhar com o presidente Abdel Fattah al-Sissi" e manter "sua parceria forte com o Egito".

Depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, nas revoltas da chamada Primavera Árabe, a única oposição organizada do Egito, a Irmandade Muçulmana, venceu as eleições democráticas e tentou consolidar com uma série de manobras denunciadas pelos movimentos que derrubaram Mubarak.

No golpe de 2013, diante de uma série de manifestações de protesto contra o crescente autoritarismo da Irmandade Muçulmana, o então comandante do Exército, general Al-Sissi depôs Mohamed Mursi, o primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. Em 2014, foi eleito presidente com 96,9% dos votos válidos

Foi a volta do controle absoluto do chamado Estado profundo, uma aliança entre as Forças Armadas, os serviços de segurança e o empresariado, que governa o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que depôs o rei Faruk em 1952. Suas forças sempre estiveram prontas para reassumir o controle.

domingo, 11 de março de 2018

Congresso da China confirma fim dos limites à reeleição presidencial

Como esperado, o Congresso Nacional do Povo aprovou hoje uma emenda constitucional acabando com os limites à reeleição do presidente da China, em vigor há 35 anos. Na prática, Xi Jinping deve virar presidente perpétuo e ditador vitalício, praticamente um imperador.

A proposta teria sido lançada pelo próprio Xi numa reunião do Comitê Central do Partido Comunista em 29 de setembro, antes mesmo de ser oficialmente reconduzido à liderança do partido, em outubro. Para não parecer um ditador, Xi deixou a iniciativa para dirigentes municipais e provinciais do partido.

Quando o então presidente Hu Jintao propôs reformas constitucionais, os projetos de emenda circularam nos órgãos do partido dois meses antes da sessão anual do Congresso. A proposta de reeleição ilimitada surgiu apenas oito dias antes, deixando pouco tempo para uma possível contestação, que não aconteceu.

Ao que tudo indica, Xi Jinping tem hoje amplo controle da máquina do partido e do governo. Os ex-presidentes Jiang Zemin e Hu Jintao, os únicos capazes de articular alguma reação, poderiam ser atingidos pela campanha anticorrupção usada por Xi para consolidar o poder. Numa ditadura, todos os líderes fazem seus negócios sujos.

Dos 2.964 delegados, 2.958 aprovaram a entronização de Xi como imperador praticamente por unanimidade. Só dois votaram contra. Houve três abstenções e um voto nulo.

Além da reeleição sem limites, o parlamento chinês votou a favor de outras 20 propostas de mudanças na Constituição, inclusive a que coloca o pensamento de Xi em seu preâmbulo.

Com seus superpoderes, o ditador está desmantelando as estruturas de poder criadas pelo dirigente Deng Xiaoping, o grande arquiteto das reformas econômicas, para evitar o culto da personalidade da era Mao Tsé-tung, que levou a grandes erros e catástrofes históricas como o Grande Salto para a Frente (1958-61) e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A China volta a viver o dilema do bom imperador ou mau imperador, observou o jornal inglês Financial Times. Em comparação, Xi tem hoje muito mais poder. Mao era o líder da um país pobre, uma potência nuclear introvertida com uma turba de fanáticos que carregava seu livrinho vermelho. Xi preside um país que marcha para se tornar a maior economia do mundo sob um regime político cada vez mais totalitário.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Ditador da Guiné Equatorial anuncia prisão de 20 oposicionistas

Pelo menos 20 opositores da ditadura de Teodoro Obiang na Guiné Equatorial foram presos durante a semana. Desde as eleições de 12 de novembro de 2017, em que o governo conquistou 99 das 100 cadeiras no Parlamento, mais de 200 militantes do principal partido de oposição foram presos, noticiou a Agência France Presse (AFP).

Na segunda-feira passada, os Cidadãos para a Inovação (CI) anunciaram a morte do dissidente Santiago Ebee Ela, preso em 2 de janeiro, depois de ter sido torturado na sede central da Polícia de Malabo.

Teodoro Obiang, no poder desde 1979, financiou com R$ 10 milhões o carnaval da escola de samba Beija-Flor em 2015. Seu filho Teodorin Obiang alugou sete suítes do Hotel Copacabana Palace para hospedar sua gangue.

Obiang, o oitavo governante mas rico do mundo é um dos ditadores africanos amigos do ex-presidente Lula, que foi a Malabo em 13 de março de 2013 em jato fretado pela construtora Odebrecht, como ex-presidente, depois de ter se encontrado com Obiang quando era presidente, em 2010. Na época, os dois países divulgaram nota conjunta comprometendo-se com "o respeito à democracia e aos direitos humanos".

Esses contatos com ditadores odiosos que massacram seus povos foram uma marca da política externa descrita com "ativa, altiva e soberana" pelo embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores no governo Lula.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Morre ex-ditador do Panamá Manuel Noriega

O general Manuel Antonio Noriega, ditador do Panamá de 1983 a 1989, quando foi deposto e preso como traficante de drogas numa invasão dos Estados Unidos, morreu ontem aos 83 anos na Cidade do Panamá de complicações de uma cirurgia para remoção de um tumor cerebral.

Agente da Agência Central de Inteligência (CIA) desde os anos 1950s e contratado oficialmente em 1967, Noriega chegou a ser acusado pelo acidente aéreo que matou o ditador Omar Torrijos, a quem apoiara, em 1981. Torrijos negociou em 1977 com o então presidente americano Jimmy Carter a devolução do Canal do Panamá, em 1999. Os americanos não queriam deixar o canal nas mãos de Noriega.

Em 1984, Noriega fraudou uma eleição presidencial. No ano seguinte, foi acusado pela morte do líder oposicionista Hugo Spadafora. Por ligações com as máfias colombianas do tráfico de cocaína, foi denunciado em 1988 em tribunais dos EUA.

A mando do presidente George Herbert Walker Bush, o pai, 27,7 mil soldados dos EUA invadiram o Panamá em 20 de dezembro de 1989 a pretexto de defender a democracia e vidas de americanos que estariam em perigo, e combater o tráfico de drogas.

Noriega refugiou-se na Embaixada do Vaticano no quinto dia da invasão, a véspera do Natal. O prédio foi cercado pelos americanos, que o rodearam por enormes alto-falantes que tocavam rock'n'roll a todo o volume 24 por dia até o general se render, em 3 de janeiro.

A invasão acabou em 31 de janeiro de 1990. Pelo menos 236 soldados e 500 civis panamenhos e 26 soldados americanos morreram. Preso e levado para os EUA, Noriega foi condenado em 16 de setembro de 1992 a 40 anos de cadeia.

Sua pena nos EUA foi reduzida. Quando terminou, em setembro de 2007, havia pedidos de extradição da França e do Panamá. Ele chegou a Paris em abril de 2010, onde foi condenado a sete anos de prisão por assassinato e lavagem de dinheiro. Em 11 de dezembro de 2011, foi enviado ao Panamá para cumprir mais 20 anos de pena.

O general Cara de abacaxi, como era chamado por causa das espinhas, morreu segunda-feira à noite no Hospital São Tomás, na Cidade do Panamá, de uma hemorragia cerebral resultante depois de uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral benigno, sob custódia policial.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Usbequistão confirma morte do ditador Islam Karimov

O governo da ex-república soviética do Usbequistão confirmou hoje a morte do ditador Islam Karimov, um antigo líder comunista que mandou no país durante quase 27 anos com um regime totalitário e brutal.

Em 29 de agosto, sua filha havia anunciado que o pai sofrera uma hemorragia cerebral. Desde então, há boatos de que teria morrido. Hoje de manhã, o governo admitiu que Karimov estava em "estado crítico".

Horas depois, foi confirmada morte, que gera um período de incerteza neste país neutro da Ásia Central, que tenta se equilibrar entre a Rússia, a China e os EUA.

Há uma luta pelo poder entre os clãs de Tachkent, a capital, e Samarcanda, uma cidade histórica que fica na Rota da Seda, que a China pretende modernizar como via para seu comércio com a União Europeia.

O adiamento do anúncio da morte de líderes supremos era comum na antiga União Soviética enquanto era trava uma luta interna pela sucessão. Quem presidisse o funeral seria o novo líder. O favorito é o primeiro-ministro Chavkat Mirziyoyev.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Derrame do ditador abre luta pela sucessão no Usbequistão

O ditador do Usbequistão, Islam Karimov, presidente desde 1990, sofreu uma hemorragia cerebral há dois dias e está hospitalizado em estado grave, deixando uma situação de incerteza nesta ex-república soviética da Ásia Central. Há boatos de que o presidente morreu.

Sob seu comando, o país de 30 milhões de habitantes se tornou independente da União Soviética, em 1991, mas continuou refém do autoritarismo. Karimov, nomeado primeiro-secretário do Partido Comunista no Usbequistão em 1989, manteve a censura aos meios de comunicação e a repressão brutal às oposições políticas. Sua polícia política foi acusada de matar dissidente mergulhando-os em água fervendo.

O primeiro-ministro Chavkat Mirziyoyev é um forte candidato. Ele lidera o chamado clã de Samarcanda, uma das cidades históricas do país, que fica na Rota da Seda.

É provável que o clã de Tachkent, a capital do país, tente emplacar seu candidato. Seu líder é o chefe dos serviços secretos usbeques, Rustam Inoyatov, sempre um cargo fundamental na ex-URSS. Era considerado o homem mais poderoso do país depois do presidente.

"Todo o mundo tem medo dele, mas ele não quer ser presidente", declarou o analista Alexei Malachenko, do Centro Carnagie de Moscou.

Gulnara Karimova, a filha mais velha de Karimov, ex-diplomata e agora estrela pop, já foi vista como forte candidata à sucessão do pai, mas o enriquecimento em negócios suspeitos a queimou politicamente.

A disputa de poder abre espaço para um terceiro candidato, que pode ser o vice-primeiro-ministro Rustam Azimov, ou para uma divisão de poder entre as duas principais facções. Também é uma grande oportunidade para a Rússia tentar reafirmar sua influência.

Em política externa, Karimov mantinha uma política de neutralidade em relação a China, Rússia e Estados Unidos, resistindo às pressões do Kremlin para fazer alianças que atrelem o Usbequistão à esfera de influência russa. Também queria apresentar o país como um baluarte na luta contra o extremismo muçulmano.

A Rússia quer manter sua esfera de influência nas ex-repúblicas soviéticas. A China está interessada em revitalizar o Caminho da Seda para fortalecer seu comércio internacional. E os EUA querem apoio na guerra contra o terrorismo no Afeganistão e no Paquistão.

Mirziyoyev é considerado o candidato em potencial mais próximo de Moscou. Haverá pressões para manter a neutralidade. Uma possível disputa sucessória fragiliza o Usbequistão em meio à instabilidade geopolítica na região.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Trump elogia Saddam Hussein por matar terroristas

Mesmo admitindo que o ditador Saddam Hussein "era um cara mau", o pré-candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, o magnata imobiliário Donald Trump, elogiou ontem o ditador iraquiano derrubado por uma invasão americana em 2003, condenado e executado dois anos depois.

"Ele era um cara mau, um cara realmente mau", afirmou Trump. "Mas, sabem, de uma coisa? Ele fazia o bem. Ele matava terroristas. E fazia isso tão bem!"

Saddam Hussein era acusado de financiar o terrorismo internacional. Quando foi atacado pelos EUA na Guerra do Golfo, em 1991, não recorreu ao terrorismo, mas pagava US$ 25 mil às famílias dos terroristas suicidas palestinos na luta contra a ocupação israelense.

A campanha da pré-candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, respondeu rapidamente através do assessor Jake Sullivan: "A admiração de Trump por ditadores brutais aparentemente não têm limites. Os comentários elogiosos de Trump a ditadores brutais e as lições distorcidas que ele parece ter aprendido com sua história demonstram mais uma vez como ele seria perigoso como comandante-em-chefe e como ele é indigno do cargo que pleiteia."

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Último ditador da Europa é reeleito em estilo soviético

O ditador da ex-república soviética da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, considerado o último stalinista da Europa, no poder desde 1994, venceu a eleição presidencial de domingo com 83,5% dos votos, conquistando um quinto mandato de cinco anos.

Como seu aliado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Lukachenko é um típico homem da antiga União Soviética. Putin subiu como agente do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a temida polícia política soviética.

Lukachenko, hoje com 61 anos, foi diretor de uma fazenda coletiva e agente do KGB encarregado do patrulhamento de fronteiras. Também serviu no Exército Vermelho. Como deputado do Parlamento da Bielorrússia, foi o único a votar contra a independência do país. Agora, obteve sua maior votação.

Em segundo lugar, ficou a oposicionista Tatiana Korotkevich, com 4,4%, seguida pelo governista Serguei Gaidukevich, com 3,3%. Os brancos e nulos bateram os adversários do ditador.

Aliada de Moscou, a Bielorrússia formava com Rússia e Ucrânia o núcleo central eslavo da extinta URSS. Lukachenko chegou a propor uma união com a Rússia. Mantém a dependência política e financeira, mas fez gesto de abertura à União Europeia neste momento de grave crise na economia russa.

A UE está pronta a suspender sanções econômicas, financeiras e proibições de viagem dependendo de um relatório sobre a lisura das eleições a ser apresentado nesta segunda-feira pela Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Depois de votar ontem, Lukachenko declarou que a Bielorrússia não precisa de uma base aérea da Rússia: "Não precisamos de bases. A questão não está nas bases. Vamos nos erguer e nos unir ao povo russo e a qualquer que nos defenda na Bielorrússia até a morte, como já aconteceu", disse o ditador, lembrando a Segunda Guerra Mundial.

"A Rússia é um país fraternal e o mais próximo de nós, não se deve duvidar disso", acrescentou Lukachenko. Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, preferiu a neutralidade para "não alimentar as chamas. Queremos uma vida pacífica".

Depois da eleição anterior, em 2010, milhares saíram às ruas para protestar e enfrentar a polícia de choque. Ontem, cerca de 200 pessoas se reuniram, mas pouco depois se dispersaram.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Rússia estaciona aviões de caça em base na Síria

Os satélites dos Estados Unidos detectaram a presença de aviões de caça da Rússia numa base militar no litoral da Síria que comprova o envolvimento cada vez maior do Kremlin na guerra civil da Síria para sustentar seu aliado, o ditador Bachar Assad, que controla menos de 15% do território do país.

Hoje os ministros da Defesa dos EUA e da Rússia tiveram seu primeiro contato direto em mais de um ano. A crise e a intervenção militar de Moscou na Ucrânia deixaram as relações entre a Rússia e o Ocidente no pior estado desde o fim da Guerra, com a dissolução da União Soviética, em 1991.

A retomada do diálogo reflete a preocupação de Washington com a escalada militar russa na Síria a pretexto de combater a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que hoje domina quase metade da Síria.

Durante 50 minutos, o secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter, e o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Choigu, discutiram a intervenção militar russa na Síria. Com o campo de batalha dominado por extremistas muçulmanos, fracassou a tentativa americana de armar e financiar rebeldes moderados.

Os EUA e a União Europeia defendem uma ampla negociação entre diferentes forças políticas, mas exigem o afastamento do ditador como precondição para um acordo capaz de pôr fim à guerra civil síria, iniciada há quatro anos e meio com a repressão de Assad às manifestações pacíficas da Primavera Árabe.

Como o atrito com o Ocidente faz a Rússia resgatar o status de grande potência nuclear, o protoditador Vladimir Putin parece disposto a jogar em todos os tabuleiros para fustigar os EUA e a Europa, reconquistando parte do espaço geopolítico perdido com o colapso da URSS.

Putin está na Síria porque pode. Usou a mesma lógica para anexar a Crimeia e provocar a rebelião no Leste da Ucrânia, certo de que ninguém vai entrar numa guerra possivelmente nuclear com a Rússia.

Quando discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas no fim deste mês, Putin vai apresentar a intervenção como a contribuição russa à guerra contra o Estado Islâmico. Mas sua preocupação maior é impedir a formação de um futuro governo sírio aliado do Ocidente. Ao lado do Irã, é hoje o aliado mais importante de Assad.

Afinal, a Rússia tem na Síria sua única base militar no Mar Mediterrâneo e Putin não está disposto a aceitar um recuo estratégico.

"Temos duas grandes tarefas na Síria: uma é chegar a um acordo diplomático e o outro é derrotar o Estado Islâmico", declarou ao jornal The Washington Post Julianne Smith, ex-funcionária da Casa Branca, hoje pesquisadora do Centro para uma nova Segurança Americana. "Ambas nos levam à Rússia."

domingo, 26 de julho de 2015

Ditador convoca sírios para a guerra

Mais sírios precisam entrar para o Exército para derrotar as forças rebeldes na guerra civil que já dura quatro anos e quatro meses, declarou hoje o ditador Bachar Assad em pronunciamento pela televisão, noticiou a agência Bloomberg.

Um dia depois de anunciar uma anistia para desertores, Assad afirmou que, embora mais gente esteja se alistando no Exército, o que é de se duvidar, o número de soldados não é suficiente para lutar em várias frentes.

O ditador insistiu em que seu apelo não é um sinal de que as Forças Armadas da Síria estão à beira do colapso, mas as principais vitórias recentes das forças leais ao regime sírio foram atribuídas à milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada pelo Irã.