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sábado, 3 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

 MARTINHO LUTERO EXCOMUNGADO

    Em 1521, o Papa Leão X excomunga o monge alemão que questiona as práticas da Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante.

Lutero nasce em Eisleben, na Saxônia, hoje parte da Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Na primavera de 1488, ele começa seus estudos na Escola Latina de Mansfield, onde aprende latim e tem os primeiros ensinamentos religiosos. Vai para Magdeburgo, em 1497. Em 1501, entra para a Universidade de Erfurt, onde se forma bacharel em artes liberais no ano seguinte. Três anos depois, conclui um mestrado.

Por influência do pai, começa a estudar direito. Menos de seis semanas depois, em 17 de julho de 1505, abandona o curso e entra para o Mosteiro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt, que obriga a fazer voto de pobreza.

Lutero começa a fazer doutorado em teologia em Erfurt e Wittenberg. Interrompe os estudos ao ser nomeado pelo Papa Júlio II observador da ordem dos agostinianos alemães em Roma. A experiência romana o marca profundamente. Ele vê uma falta de espiritualidade no coração da Igreja Católica. De volta a Wittenberg, conclui o doutorado em teologia em 1512 e se torna professor.

Quando vê o frei dominicano Johann Tetzel aconselhar fiéis a comprar uma carta de indulgência para espiar seus pecados, Lutero faz uma série de proposições para provocar um debate acadêmico sobre a venda de indulgências e envia cópia a Albert, Arcebispo de Mogúncia.

Em 21 de outubro de 1517, prega um texto com suas 95 teses na porta da catedral do Castelo de Wittenberg. Ele critica o poder do papa e protesta contra o comércio de indulgências. 

Na Tese 86, pergunta: "Por que o Papa, cuja riqueza hoje é maior do que a do milionário Crasso [o homem mais rico da Roma Antiga], não constrói a Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro e, sim, com o de crentes pobres?"

Um de seus adversários no debate é o Cardel Cajetan, que acusa Lutero de negar que a Igreja tenha o poder de distribuir o infinito "tesouro de méritos". O primeiro exame das alegações pela Cúria Romana conclui que as teses de Lutero são "escandalosas e ofensivas a ouvidos pios", mas não heréticas.

No segundo exame, em 15 de junho de 1520, uma bula do Papa Leão X afirma que 41 frases de Lutero são "heréticas, escandalosas e ofensivas a ouvidos pios". O monge rebelde responde com um texto intitulado Contra a Bula Execrável do Anticristo. Em 10 de dezembro de 1520, vai até uma fogueira acesa por seus alunos e joga a bula papal no fogo.

MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

ALASCA VIRA ESTADO

    Em 1959, o Alasca se torna o 49º estado dos Estados Unidos.

O Alasca é habitado desde 10 mil anos antes de Cristo. Durante a Era Glacial, o Mar de Bering era mais baixo. Uma ponte terrestre ligava a Sibéria à América. Por lá o homem chega ao continente americano.

A Rússia implanta a primeira colônia europeia em 1784 na Baía dos Três Santos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), a Rússia mostra interesse em vender o Alasca aos EUA. O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward". 

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

FIDEL EXCOMUNGADO

    Em 1962, o Papa João XXIII excomunga o primeiro-ministro Fidel Castro por impor o regime comunista a Cuba.

Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, foge para o México. Volta em 2 de dezembro de 1956 a bordo do iata Granma com um grupo de 83 homens que inclui seu irmão Raúl Castro, Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara. Eles iniciam uma guerrilha na Sierra Maestra que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Na Segunda Declaração de Havana, em dezembro de 1961, Fidel proclama o caráter marxista-leninista da Revolução Cubana e convoca a América Latina a se rebelar.

GEN. NORIEGA SE RENDE

    Em 1990, depois de 10 dias de uma guerra psicológica que inclui música de grandes alto-falantes em volume máximo tocando rock and roll heavy metal diante da Embaixada do Vaticano, onde está refugiado, o general Manuel Noriega se rende as forças dos Estados Unidos que invadem o Panamá em 20 de dezembro de 1989 na Operação Justa Causa.

Noriega nasce na Cidade do Panamá em 11 de fevereiro de 1934. Estuda na Academia Militar de Chorrillos e na Escolas das Américas, a escola de ditadores latino-americanos instalada na Zona do Canal do Panamá, um enclave norte-americano no país.

Quando o coronel Omar Torrijos derruba o presidente Arnulfo Arias, em 1968, nomeia Noriega para chefe do serviço secreto.

 Como chefe da inteligência do Panamá, Noriega vira agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) em 1971 e distribui armas para grupos paramilitares apoiados pelos EUA na América Latina. Com a morte de Torrijos, em 1981, ele consolida o poder e se torna comandante militar e ditador em 1983.

Os EUA se voltam contra ele após a morte brutal do líder guerrilheiro Hugo Spadafora, que lutara ao lado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução Nicaraguense. Acusado de extorsão e de cooperar com as máfias colombianas do tráfico de drogas, passa a ser alvo dos EUA.

Em 1988, Noriega é denunciado nos EUA por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Preso na invasão do Panamá, é condenado a 40 anos de prisão. Cumpre 17 anos. A pena acaba em 2007, mas ele é extraditado para a França em 2010 e condenado a sete anos de reclusão por lavagem de dinheiro. 

A França o extradita para o Panamá, onde fica preso pelos crimes cometidos quando ditador até morrer de câncer no cérebro em 29 de maio de 2017.

COMANDANTE IRIANIANO ELIMINADO

    Em 2020, um míssil disparado pelos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, mata o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, o general mais importante do Irã, principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, responsável por mais de 60 milícias.

Suleimani nasce em 11 de março de 1957 na Província de Carmânia, no Irã. Começa sua carreira militar na Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando morreram um milhão de muçulmanos, onde chega a comandar a 41ª Divisão de Exército. Depois, passa a comandar ações do Irã no exterior, inclusive nas revoltas de curdos e xiitas contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante a guerra civil da Síria, a partir de 2012, ele ajuda diretamente a ditadura de Bachar Assad a resistir aos grupos rebeldes sunitas. Coordena a luta de milícia xiitas contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O bombardeio que o mata, autorizado pelo presidente Donald Trump (2017-21), é uma resposta a um ataque de uma milícia xiita iraquiana à Embaixada dos EUA em Bagdá. 

Poucos mais de um ano atrás, a Guarda Revolucionária Iraniana declara que o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel é uma resposta à morte de Suleimani porque a inteligência de Israel teria orientado os EUA. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nega. Afirma que é uma ação palestina contra a ocupação israelense.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

 MARTINHO LUTERO EXCOMUNGADO

    Em 1521, o Papa Leão X excomunga o monge alemão que questiona as práticas da Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante.

Lutero nasce em Eisleben, na Saxônia, hoje parte da Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Na primavera de 1488, ele começa seus estudos na Escola Latina de Mansfield, onde aprende latim e tem os primeiros ensinamentos religiosos. Vai para Magdeburgo, em 1497. Em 1501, entra para a Universidade de Erfurt, onde se forma bacharel em artes liberais no ano seguinte. Três anos depois, conclui um mestrado.

Por influência do pai, começa a estudar direito. Menos de seis semanas depois, em 17 de julho de 1505, abandona o curso e entra para o Mosteiro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt, que obriga a fazer voto de pobreza.

Lutero começa a fazer doutorado em teologia em Erfurt e Wittenberg. Interrompe os estudos ao ser nomeado pelo Papa Júlio II observador da ordem dos agostinianos alemães em Roma. A experiência romana o marca profundamente. Ele vê uma falta de espiritualidade no coração da Igreja Católica. De volta a Wittenberg, conclui o doutorado em teologia em 1512 e se torna professor.

Quando vê o frei dominicano Johann Tetzel aconselhar fiéis a comprar uma carta de indulgência para espiar seus pecados, Lutero faz uma série de proposições para provocar um debate acadêmico sobre a venda de indulgências e envia cópia a Albert, Arcebispo de Mogúncia.

Em 21 de outubro de 1517, prega um texto com suas 95 teses na porta da catedral do Castelo de Wittenberg. Ele critica o poder do papa e protesta contra o comércio de indulgências. 

Na Tese 86, pergunta: "Por que o Papa, cuja riqueza hoje é maior do que a do milionário Crasso [o homem mais rico da Roma Antiga], não constrói a Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro e, sim, com o de crentes pobres?"

Um de seus adversários no debate é o Cardel Cajetan, que acusa Lutero de negar que a Igreja tenha o poder de distribuir o infinito "tesouro de méritos". O primeiro exame das alegações pela Cúria Romana conclui que as teses de Lutero são "escandalosas e ofensivas a ouvidos pios", mas não heréticas.

No segundo exame, em 15 de junho de 1520, uma bula do Papa Leão X afirma que 41 frases de Lutero são "heréticas, escandalosas e ofensivas a ouvidos pios". O monge rebelde responde com um texto intitulado Contra a Bula Execrável do Anticristo. Em 10 de dezembro de 1520, vai até uma fogueira acesa por seus alunos e joga a bula papal no fogo.

MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

ALASCA VIRA ESTADO

    Em 1959, o Alasca se torna o 49º estado dos Estados Unidos.

O Alasca é habitado desde 10 mil anos antes de Cristo. Durante a Era Glacial, o Mar de Bering era mais baixo. Uma ponte terrestre ligava a Sibéria à América. Por lá o homem chega ao continente americano.

A Rússia implanta a primeira colônia europeia em 1784 na Baía dos Três Santos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), a Rússia mostra interesse em vender o Alasca aos EUA. O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward". 

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

FIDEL EXCOMUNGADO

    Em 1962, o Papa João XXIII excomunga o primeiro-ministro Fidel Castro por impor o regime comunista a Cuba.

Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, foge para o México. Volta em 2 de dezembro de 1956 a bordo do iata Granma com um grupo de 83 homens que inclui seu irmão Raúl Castro, Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara. Eles iniciam uma guerrilha na Sierra Maestra que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Na Segunda Declaração de Havana, em dezembro de 1961, Fidel proclama o caráter marxista-leninista da Revolução Cubana e convoca a América Latina a se rebelar.

GEN. NORIEGA SE RENDE

    Em 1990, depois de 10 dias de uma guerra psicológica que inclui música de grandes alto-falantes em volume máximo tocando rock and roll heavy metal diante da Embaixada do Vaticano, onde está refugiado, o general Manuel Noriega se rende as forças dos Estados Unidos que invadem o Panamá em 20 de dezembro de 1989 na Operação Justa Causa.

Noriega nasce na Cidade do Panamá em 11 de fevereiro de 1934. Estuda na Academia Militar de Chorrillos e na Escolas das Américas, a escola de ditadores latino-americanos instalada na Zona do Canal do Panamá, um enclave norte-americano no país.

Quando o coronel Omar Torrijos derruba o presidente Arnulfo Arias, em 1968, nomeia Noriega para chefe do serviço secreto.

 Como chefe da inteligência do Panamá, Noriega vira agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) em 1971 e distribui armas para grupos paramilitares apoiados pelos EUA na América Latina. Com a morte de Torrijos, em 1981, ele consolida o poder e se torna comandante militar e ditador em 1983.

Os EUA se voltam contra ele após a morte brutal do líder guerrilheiro Hugo Spadafora, que lutara ao lado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução Nicaraguense. Acusado de extorsão e de cooperar com as máfias colombianas do tráfico de drogas, passa a ser alvo dos EUA.

Em 1988, Noriega é denunciado nos EUA por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Preso na invasão do Panamá, é condenado a 40 anos de prisão. Cumpre 17 anos. A pena acaba em 2007, mas ele é extraditado para a França em 2010 e condenado a sete anos de reclusão por lavagem de dinheiro. 

A França o extradita para o Panamá, onde fica preso pelos crimes cometidos quando ditador até morrer de câncer no cérebro em 29 de maio de 2017.

COMANDANTE IRIANIANO ELIMINADO

    Em 2020, um míssil disparado pelos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, mata o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, o general mais importante do Irã, principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, responsável por mais de 60 milícias.

Suleimani nasce em 11 de março de 1957 na Província de Carmânia, no Irã. Começa sua carreira militar na Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando morreram um milhão de muçulmanos, onde chega a comandar a 41ª Divisão de Exército. Depois, passa a comandar ações do Irã no exterior, inclusive nas revoltas de curdos e xiitas contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante a guerra civil da Síria, a partir de 2012, ele ajuda diretamente a ditadura de Bachar Assad a resistir aos grupos rebeldes sunitas. Coordena a luta de milícia xiitas contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O bombardeio que o mata, autorizado pelo presidente Donald Trump (2017-21), é uma resposta a um ataque de uma milícia xiita iraquiana à Embaixada dos EUA em Bagdá. 

Poucos mais de um ano atrás, a Guarda Revolucionária Iraniana declara que o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel é uma resposta à morte de Suleimani porque a inteligência de Israel teria orientado os EUA. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nega. Afirma que é uma ação palestina contra a ocupação israelense.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 3 de Janeiro

MARTINHO LUTERO EXCOMUNGADO

    Em 1521, o Papa Leão X excomunga o monge alemão que questiona as práticas da Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante.

Lutero nasce em Eisleben, na Saxônia, hoje parte da Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Na primavera de 1488, ele começa seus estudos na Escola Latina de Mansfield, onde aprende latim e tem os primeiros ensinamentos religiosos. Vai para Magdeburgo, em 1497. Em 1501, entra para a Universidade de Erfurt, onde se forma bacharel em artes liberais no ano seguinte. Três anos depois, conclui um mestrado.

Por influência do pai, começa a estudar direito. Menos de seis semanas depois, em 17 de julho de 1505, abandona o curso e entra para o Mosteiro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt, que obriga a fazer voto de pobreza.

Lutero começa a fazer doutorado em teologia em Erfurt e Wittenberg. Interrompe os estudos ao ser nomeado pelo Papa Júlio II observador da ordem dos agostinianos alemães em Roma. A experiência romana o marca profundamente. Ele vê uma falta de espiritualidade no coração da Igreja Católica. De volta a Wittenberg, conclui o doutorado em teologia em 1512 e se torna professor.

Quando vê o frei dominicano Johann Tetzel aconselhar fiéis a comprar uma carta de indulgência para espiar seus pecados, Lutero faz uma série de proposições para provocar um debate acadêmico sobre a venda de indulgências e envia cópia a Albert, Arcebispo de Mogúncia.

Em 21 de outubro de 1517, prega um texto com suas 95 teses na porta da catedral do Castelo de Wittenberg. Ele critica o poder do papa e protesta contra o comércio de indulgências. 

Na Tese 86, pergunta: "Por que o Papa, cuja riqueza hoje é maior do que a do milionário Crasso [o homem mais rico da Roma Antiga], não constrói a Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro e, sim, com o de crentes pobres?"

Um de seus adversários no debate é o Cardel Cajetan, que acusa Lutero de negar que a Igreja tenha o poder de distribuir o infinito "tesouro de méritos". O primeiro exame das alegações pela Cúria Romana conclui que as teses de Lutero são "escandalosas e ofensivas a ouvidos pios", mas não heréticas.

No segundo exame, em 15 de junho de 1520, uma bula do Papa Leão X afirma que 41 frases de Lutero são "heréticas, escandalosas e ofensivas a ouvidos pios". O monge rebelde responde com um texto intitulado Contra a Bula Execrável do Anticristo. Em 10 de dezembro de 1520, vai até uma fogueira acesa por seus alunos e joga a bula papal no fogo.

MUSSOLINI DITADOR

    Em 1925, o líder fascista Benito Mussolini se autoproclama ditador da Itália. 


 Filho de um ferreiro, Benito Amilcare Andrea Mussolini nasce em 29 de julho 1883 em Predápio e se apresenta como "um homem do povo". Desde criança, é desobediente, rebelde e agressivo. Brigão, é expulso da escola depois de esfaquear um colega.

Inteligente, bom orador e leitor voraz, estuda Kant, Spinoza, Nietzsche, Hegel e Kautsky. Entra para o Partido Socialista e vira editor do jornal Avanti!, cuja circulação dobra. Antimilitarista e anti-imperialista, opõe-se à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com base na ideia de Karl Marx de que a guerra levaria à revolução, muda de ideia e passa a fazer propaganda de guerra. Expulso do PS, vira editor do jornal Il Populo di Italia e lança o slogan: "Viva a Itália!", que seria o grito de guerra do fascismo.

Em fevereiro de 1918, defende a ditadura de "um homem suficientemente enérgico e implacável para uma varredura e uma limpeza total". No ano seguinte, funda o Partido Nacional Fascista e chama suas forças, os camisas pretas, de fasci di combattimento.

No fim de 1921, os fascistas dominam grande parte da Itália enquanto as esquerdas entram em colapso. Com a leniência do governo liberal, os fascistas montam uma ampla base de apoio ultranacionalista e anticomunista. Mussolini prepara o assalto ao poder.

Um dia depois da Marcha sobre Roma, em 29 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III convida Mussolini para formar o governo. 

Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Mateotti é morto depois de fazer discursos e lançar o livro Os Fascistas Expostos: um ano de dominação fascista. No início de 1925, Mussolini adquire poderes absolutos.

Sob o regime fascista, a Itália invade a Etiópia em 1935 e se alia à Alemanha de Adolf Hitler para formar o Eixo, derrotado na Segunda Guerra Mundial. Mussolini é deposto depois da invasão dos aliados à Itália em 1943, preso e libertado pelos nazistas, que criam a República Social Italiana na parte do Norte da Itália que dominam.

Com a derrota final, é morto pela resistência italiana em 28 de abril de 1945.

ALASCA VIRA ESTADO

    Em 1959, o Alasca se torna o 49º estado dos Estados Unidos.

O Alasca é habitado desde 10 mil anos antes de Cristo. Durante a Era Glacial, o Mar de Bering era mais baixo. Uma ponte terrestre ligava a Sibéria à América. Por lá o homem chega ao continente americano.

A Rússia implanta a primeira colônia europeia em 1784 na Baía dos Três Santos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), a Rússia mostra interesse em vender o Alasca aos EUA. O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward". 

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

FIDEL EXCOMUNGADO

    Em 1962, o Papa João XXIII excomunga o primeiro-ministro Fidel Castro por impor o regime comunista a Cuba.

Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, foge para o México. Volta em 2 de dezembro de 1956 a bordo do iata Granma com um grupo de 83 homens que inclui seu irmão Raúl Castro, Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara. Eles iniciam uma guerrilha na Sierra Maestra que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Na Segunda Declaração de Havana, em dezembro de 1961, Fidel proclama o caráter marxista-leninista da Revolução Cubana e convoca a América Latina a se rebelar.

GEN. NORIEGA SE RENDE

    Em 1990, depois de 10 dias de uma guerra psicológica que inclui música de grandes alto-falantes em volume máximo tocando rock'n'roll heavy metal diante da Embaixada do Vaticano, onde está refugiado, o general Manuel Noriega se rende as forças dos Estados Unidos que invadem o Panamá em 20 de dezembro de 1989 na Operação Justa Causa.

Noriega nasce na Cidade do Panamá em 11 de fevereiro de 1934. Estuda na Academia Militar de Chorrillos e na Escolas das Américas, a escola de ditadores latino-americanos instalada na Zona do Canal do Panamá, um enclave norte-americano no país.

Quando o coronel Omar Torrijos derruba o presidente Arnulfo Arias, em 1968, nomeia Noriega para chefe do serviço secreto.

 Como chefe da inteligência do Panamá, Noriega vira agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) em 1971 e distribui armas para grupos paramilitares apoiados pelos EUA na América Latina. Com a morte de Torrijos, em 1981, ele consolida o poder e se torna comandante militar e ditador em 1983.

Os EUA se voltam contra ele após a morte brutal do líder guerrilheiro Hugo Spadafora, que lutaram ao lado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução Nicaraguense. Acusado de extorsão e de cooperar com as máfias colombianas do tráfico de drogas, passa a ser alvo dos EUA.

COMANDANTE IRIANIANO ELIMINADO

    Em 2020, um míssil disparado pelos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, mata o general Kassem Sulaimani, comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, o general mais importante do Irã, principal operador da política externa da República Islâmica no Oriente Médio, responsável por mais de 60 milícias.

Suleimani nasce em 11 de março de 1957 na Província de Carmânia, no Irã. Começa sua carreira militar na Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando morreram um milhão de muçulmanos, onde chega a comandar a 41ª Divisão de Exército. Depois, passa a comandar ações do Irã no exterior, inclusive nas revoltas de curdos e xiitas contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante a guerra civil da Síria, a partir de 2012, ele ajuda diretamente a ditadura de Bachar Assad a resistir aos grupos rebeldes sunitas. Coordena a luta de milícia xiitas contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O bombardeio que o mata, autorizado pelo presidente Donald Trump (2017-21), é uma resposta a um ataque de uma milícia xiita iraquiana à Embaixada dos EUA em Bagdá. 

Poucos dias atrás, a Guarda Revolucionária Iraniana declara que o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel é uma resposta à morte de Suleimani porque a inteligência de Israel teria orientado os EUA. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nega. Afirma que é uma ação palestina contra a ocupação israelense.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Fidel alerta para guerra mundial nuclear

Em seu primeiro discurso público em quatro anos, na Universidade de Havana, com uniforme militar, o ex-ditador cubano Fidel Castro denunciou um possível ataque nuclear dos EUA para impedir o Irã de fazer a bomba atômica, "apesar do impacto que isso teria no preço do petróleo e na luta contra a recessão".

Na sua visão delirante, será o início de uma guerra mundial nuclear e "resta muito pouco tempo para evitá-la".

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cuba liberta mais presos políticos

A Igreja Católica de Cuba anunciou, dia do aniversário de 84 anos do ex-ditador Fidel Castro, a libertação de mais seis presos políticos. Outros devem ser soltos em breve.

domingo, 4 de abril de 2010

Raúl: "Cuba prefere desaparecer"

O ditador cubano, general Raúl Castro, afirmou neste domingo que "Cuba prefere desaparecer a ceder à chantagem dos Estados Unidos e da Europa", a quem acusou de manipular a situação dos direitos humanos na ilha.

"Este país jamais será dobrado. Prefere desaparecer, como em 1962", declarou o irmão e herdeiro de Fidel Castro, referindo-se à crise causada pela tentativa da União Soviética de instalar mísseis nucleares em Cuba, o que provocou a maior crise da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear.

Mais uma vez, Raúl insistiu que os presos políticos que fazem greve são "delinquentes comuns" e acusou "a direita espanhola e o império americano" de quererem "acabar com a revolução cubana", que aparentemente não apresenta no momento muitos resultados positivos.

Ao encerrar o 9º Congresso da Juventude Comunista, o atual presidente de Cuba admitiu que a situação econômica do país é critica e alegou que não há como manter subsídios "excessivamente paternalistas". São esses subsídios que mantém a precária economia cubana.

O ditador cubano reconheceu que há "folhas de pagamento inchadas, muito inchadas, terrivelmente inchadas" em quase todos os setores, onde não se pagam salários de acordo com a produção. Gastam-se "milhões e milhões com a importação de alimentos que poderiam ser produzidos em Cuba".

Se a dinastia dos irmãos Castro estivesse disposta a aceitar a introdução da economia de mercado no campo, como fez a China no início de sua reforma econômica, permitindo aos agricultores vender os excedentes, certamente a produção de alimentos aumentaria.

Se as pequenas empresas pudessem operar com um mínimo de condições semelhantes às de uma economia de mercado, gerariam empregos para que o Estado pudesse reduzir sua inflada folha de pagamento.

Mas o que diz Raúl? "Continuar gastando acima da renda significa comermos nosso futuro e ameaçarmos a sobrevivência da revolução".

Em outras palavras, tudo o que os cubanos podem esperar é miséria, escassez e sacrifícios em nome de uma revolução que só olha para o passado e não tem nenhum projeto para o futuro do país.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Damas de Branco desafiam ditadura cubana

Pelo quarto dia seguido, as Damas de Branco marcharam pelas ruas de Havana para protestar contra a prisão de 75 pessoas, há sete anos, na chamada Primavera Negra; 53 continuam presos.

O regime comunista de Cuba atribui a onda de protestos de março de 2003 a uma campanha insuflada pelo então presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush. E chama os dissidentes de "mercenários a serviço dos EUA".

Cerca de 30 mulheres vestidas de branco se reuniram numa igreja. Na saída, com flores nas mãos, marcharam pelas ruas da Velha Havana com determinação.

"Hoje faz sete anos que prenderam meus parentes. Não vamos deixar de marchar, aconteça o que acontecer", declarou a líder do movimento, Laura Pollán. "Estamos aqui para lembrar os 75 dissidentes, jornalistas e bibliotecários presos em 2003."

Logo o grupo foi cercado por uma multidão de partidários da ditadura militar cubana, que gritavam: "Esta rua é de Fidel". Pelo jeito, Fidel Castro é o dono de tudo por lá, da rua, do povo, do país.

As Damas de Branco responderam: "Zapata vive!, Zapata vive!", em homenagem a Orlando Zapata Tamayo, o dissidente morto por uma greve de fome durante a visita do presidente Lula, muito criticado internacionalmente por ter se omitido.

Os defensores do regime contra-atacaram: "O povo unido jamais será vencido". As mulheres não se intimidaram: "Democracia, democracia!"

Em seguida, agentes do povo vestidos a paisana em carros particulares enfiaram uma mulher para dentro do carro diante das câmeras da televisão estrangeira. Foi uma cena típica de um regime fascista.

A massa interrompeu então a marcha, forçando as Damas de Branco a entrarem na casa de uma das mulheres do grupo. Atrás das grades, elas continuaram gritando: "Viva os direitos humanos!" e "Zapata vive!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Fidel deixa presidência de Cuba

O comandante Fidel Castro deixou na terça-feira, 19 de fevereiro, a presidência de Cuba depois de 49 anos. Ele era o chefe de Estado há mais tempo no poder depois da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Mandava no país desde a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959.

Em 31 de julho de 2006, Fidel foi obrigado a transferir temporariamente todos os seus cargos para o irmão, general Raúl Castro, para ser operado com urgência de uma hemorragia gástrica.

No próximo domingo, 24 de fevereiro, a Assembléia Nacional vai eleger um novo presidente e um primeiro-ministro. Raúl será presidente mas continuará acumulando mais cargos, como o irmão?

Fidel chegou ao poder em 1959, com a entrada triunfal em Havana dos revolucionários que lutavam contra a ditadura de Fulgencio Batista, aliado dos Estados Unidos. Colocou os inimigos políticos no paredão.

Desde aquela época, o regime cubano é acusado de violar os direitos humanos, censurar a imprensa e perseguir dissidentes. Em 1960, começou a estatizar as propriedades de americanos e empresas dos EUA.

A tentativa mais notória de derrubar o regime revolucionário foi a invasão da Baía dos Porcos, em 15 de abril de 1961, organizada por exilados cubanos com o apoio meia-bomba dos EUA.

O presidente John Kennedy queria encobrir ao máximo a participação americana, dando a impressão de que se tratava de uma ação cubana. Não deu a cobertura aérea com 48 horas de bombardeio, como queriam os invasores. A invasão fracassou.

Em 7 de fevereiro de 1962, os EUA impuseram o embargo econômico que proíbe empresas americanas de negociar com Cuba, um boicote que até hoje estrangula a economia cubana.

CRISE DOS MÍSSEIS
No mesmo ano, Cuba seria o centro da pior crise da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Em maio de 1962, Fidel teria pedido à sua aliada União Soviética que instalasse mísseis nucleares em Cuba.

Em 14 de outubro de 1962, aviões de espionagem dos EUA fotografaram os silos e os mísseis que seriam instalados neles. Kennedy decretou um bloqueio naval e cercou a ilha com a Marinha dos EUA, ameaçando afundar qualquer navio soviético que tentasse chegar a Cuba sem ser inspecionado para os americanos terem certeza de que não transportava armas nucleares.

Os EUA estavam prontos para invadir Cuba quando um jornalista e agente soviético que trabalhava em Washington advertiu o Kremlin de que o ataque era iminente. Aí o líder soviético Nikita Kruschev recuou, em 27 de outubro, e aceitou em retirar os mísseis. Em troca, os EUA assumiram um compromisso informal de não invadir Cuba.

A Crise dos Mísseis em Cuba levou à queda de Kruschev dois anos depois e à ruptura entre a URSS e a China, que não concordava com a nova política de coexistência pacífica permanente com o mundo capitalista.

Nos anos 60, Cuba recebia uma ajuda equivalente a US$ 5 bilhões anuais, especialmente em petróleo subsidiado, e financiava movimentos guerrilheiros na América Latina, inclusive a revolta na Bolívia onde morreu Che Guevara, em outubro de 1967.

A projeção do poder ou exportação da revolução cubana cruzou o Oceano Atlântico nos anos 70. Fidel enviou tropas para lutar na África, em Angola e na Etiópia, ao lado de regimes comunistas.

NÃO À GLASNOST
Tudo mudou com a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do Partido Comunista soviético, em 11 de março de 1985. Diante da crise econômica que minava a segunda suuperpotência, Gorbachev promoveu uma série de reformas políticas (glasnost) e econômicas (perestroika). Fidel não aderiu.

Com o colapso final da URSS no fim de 1991, o regime cubano enfrentou uma enorme crise econômica. Alguns tipos de atividade privada foram permitidos, assim como investimentos estrangeiros em determinados setores, como hotelaria e turismo.

Duas moedas passaram a circular na ilha, o peso cubano e o dólar. A prostituição, uma das chagas do regime de Batista, voltou. Os grandes orgulhos da revolução são as conquistas em saúde pública e educação. Mas um regime onde uma prostituta ou um garçon ganha por dia, em moeda forte, mais do que um professor e um médico, tem algo errado.

A entrada em cena do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como candidato a herdeiro do manto revolucionário de Fidel, deu nova vida ao regime cubano. Chávez, como a URSS, vende petróleo subsidiado a Cuba. Em troca, Fidel mandou 30 mil médicos de família para trabalhar em projetos sociais na Venezuela e na Bolívia.

Nos últimos anos, Fidel começou a mostrar sinais de velhice. Desmaiou durante um discurso. Tropeçou, caiu e sofreu uma fratura ao descer de um palanque. Mas ainda mantinha a aura do comandante indestrutível, que sobreviveu a inúmeras tentativas de assassinatos dos americanos e dos cubanos exilados em Miami.

Em 31 de julho de 2006, uma forte hemorragia no aparelho digestivo o obrigou a fazer uma operação de emergência. Fidel transferiu provisoriamente todos os seus cargos ao irmão, general Raúl Castro, ministro da Defesa: presidente, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e líder do Partido Comunista.

Era o começo do fim de uma era. A doença e a interinidade de Raúl deram tempo para que a transição fosse suave. Raúl aumentou o debate político interno mas é acusado de reativar os Comitês de Defesa da Revolução que fazem patrulhamento local. Manifestou a intenção de fazer uma reforma econômica no estilo chinês, sem mudar fundamentalmente a natureza ditatorial do regime comunista cubano. Mas prometeu mais democracia.

Neste domingo, a Assembléia Nacional elege o novo presidente e o primeiro-ministro. Será interessante ver como se colocam as figuras mais proeminentes do regime, como o presidente do parlamento, Ricardo Alarcón, o vice-presidente encarregado da reforma econômica, Carlos Lage, e o ministro do Exterior, Felipe Pérez-Roque, ex-secretário particular de Fidel e muitas vezes apontado como seu sucessor preferido.

Fidel passa à História como um guerrilheiro heróico e um revolucionário. Mas vale para ele a mesma observação que o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda fez sobre Che Guevara: lutou com nobreza de espírito e convicção, mas a causa que defendeu, o stalinismo, foi para a lata de lixo da História.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Fidel pediu a Aznar asilo para Chávez

Quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estava entrincheirado no Palácio Miraflores, em Caracas, temendo que o golpe de 11 de abril de 2002 pudesse derrubá-lo, o ditador de Cuba, Fidel Castro, pediu ao então primeiro-ministro conservador da Espanha, José María Aznar, que desse asilo a Chávez.

"Não te imoles!", pediu Castro por telefone, na madrugada de 12 de abril, alarmado pelo colapso emocional de Chávez, que chegou a pensar em suicídio.

Ao mesmo tempo, Fidel negociava com Aznar um asilo político na Espanha para salvar a vida do amigo e aliado, afirma em suas memórias o bispo Baltasar Porras, ex-presidente da Conferência Episcopal Venezolana (CEV).

"Soubemos que, através da Embaixada na Espanha, houve um apelo do próprio Fidel Castro ao chefe do governo espanhol, dom José María Aznar, para que se o recebesse na península, já que o mandatário cubano não queria recebê-lo na ilha caribenha", escreve Porras.

Na madrugada de 12 de abril, pouco depois de falar com Fidel, Chávez chamou o bispo para comunicar que pretendia se render e entregar o governo, e lhe pedir a bênção: "Perdoem-me todas as barbaridades que disse de você. Chamei para lhe perguntar se está disposto a proteger minha vida e dos que estão comigo aqui em Miraflores. Decidi abandonar o poder. Uns estão de acordo; outros, não. Mas é a minha decisão. Não quero mais derramamento de sangue, embora aqui no palácio estejamos suficientemente armados para nos defender de qualquer ataque. Mas não quero chegar a isso."

Nem ele nem os outros iniciados sabia que os pára-quedistas de Maracay não aceitavam o golpe e ameaçavam marchar sobre Caracas no dia 13, se o presidente não fosse reconduzido ao cargo. O povo saía as ruas para defender o mandato de Chávez.

Em 14 de abril de 2002, Chávez retomava o poder.

Fidel compara a situação de Chávez com a do presidente socialista chileno Salvador Allende no Palácio de La Moneda durante o golpe de 11 setembro de 1997. Allende se matou ao perceber que a resistência seria inútil. Não queria ser pego com vida pelos militares liderados pelo general Augusto Pinochet.

"Allende não tinha um só soldado", lembra Fidel. Chávez contava com uma grande parte dos soldados e oficiais do Exército, especialmente os mais jovens".

Cuba fez uma mobilização diplomática frenética para salvar o presidente venezuelano. "Temíamos que o matassem ou que se imolassem em Miraflores", conta o líder cubano.

O embaixador espanhol em Cuba, Jesús Gracia, revela que foi chamado para uma reunião de emergência no Palácio da Revolução. Estavam presentes ainda os embaixadores do Brasil e de outros países europeus.

Era "muito urgente", afirmou o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez-Roque, apontado como um dos possíveis sucessores de Fidel. O líder cubano estava no palácio coordenando uma operação para salvar Chávez.

Pérez-Roque explicou que Chávez estava à beira da morte ou do suicídio. Não se sabia como reagiriai. Queriam proteger sua vida".

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

América Latina entra na era pós-Fidel

A grande expectativa na América Latina em 2008 é sobre a transição em Cuba, agora que Fidel Castro, depois de 52 anos no poder, decidiu não se “apegar” mais a cargos.

Sempre houve uma suposição de que regime revolucionário cubano não sobreviveria a seu líder. O afastamento de Fidel por motivo de saúde com a possibilidade de voltar deu início a um processo controlado de transferência do poder.

Há uma nova geração que nasceu sob o regime comunista mas não tem o compromisso revolucionário dos que fizeram a revolução. “Os cubanos são mito empreendores”, afirma Paulo Wrobel. “O grande medo do regime é a desigualdade. A riqueza privada ainda é intolerável. Mas eles estão loucos para retomar o comércio com os EUA.”

O presidente interino, Raúl Castro, gostaria de fazer uma reforma no estilo chinês, uma abertura econômica sem liberalização política. Mas Cuba assinou documentos das Nações Unidas sobre direito de viajar ao exterior e liberdade de expressão que rejeitara antes.

A derrota da reforma do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para implantar o socialismo do século 21 mostra os limites da chamada “democracia plebiscitária”.

Há uma dissidência no chavismo, representada sobretudo pelo general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa que ficou ao lado do presidente no golpe de abril de 2002. A bola está com a oposição.

Muito mais complicada é a situação da Bolívia, um país muito pobre com uma longa história de instabilidade política, uma fratura social muito grande entre indígenas e europeus, entre o altiplano e o resto do país. Há uma paralisia política perigosa, com quatro dos nove departamentos proclamando autonomia. O presidente Lula recomendou calma a Evo Morales.

Na Argentina, a presidente Cristina Fernández de Kirchner significa sobretudo a continuidade. O governo de seu marido, Néstor Kirchner (2003-07), tirou o país da pior crise de sua história, causada pelo colapso da paridade dólar-peso no final de 2001.

Com o sucesso do agronegócio e dos biocombustíveis, a Argentina garante taxas de crescimento em torno de 9% ao ano. A economia elegeu Cristina, apesar da ameaça de crise energética no rigoroso inverno deste ano. Mas o Brasil deu um salto econômico e industrial à frente. As assimetrias são problemas que dificultam a integração regional da América Latina.

Na Europa, a Alemanha mantém sua posição como maior exportador mundial de bens, superando US$ 1 trilhão em 2007. A chanceler (primeira-ministra) adotou uma posição mais próxima dos EUA e quer a União Européia na liderança do combate ao aquecimento global.

O presidente Nicolas Sarkozy é talvez o mais pró-americano de todos os chefes de Estado da França. Quer reformar o país, enfrentando os sindicatos, para dinamizar a quinta maior economia do mundo. Tem apoio popular para isso.

Mais difícil é a situação do primeiro-ministro britânico. Gordon Brown chegou ao poder sem voto. Sucedeu Tony Blair sem passar pelo teste das urnas como líder do Partido Trabalhista. Com as pesquisas dando a liderança ao Partido Conservador, 2008 é um ano chave para Brown realizar suas reformas e se legitimar como chefe de governo.

A Espanha realiza eleições em 9 de março. Espera-se uma disputa apertada com favoritismo para o Partido Socialista Operário Espanhol do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero e o Partido Popular, de Mariano Rajoy.

Sarkozy e Zapatero se reuniram recentemente com o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, para relançar o projeto de uma União do Mediterrâneo, uma associação com os países do Norte da África e do Oriente Médio com acesso ao mar.

No Japão, novamente à beira da estagdeflação, o governo Yasuo Fukuda precisa mostrar que não é apenas transitório. Moderado, Fukuda quer melhorar as relações com a China, que ainda são muito difíceis, em parte pela falta de reconhecimento pelo Japão dos crimes de guerra do Exército Imperial de 1931 a 1945.

A China tentará evitar o superaquecimento da economia e começa a se preocupar com problemas ambientes. Centenas de projetos de investimento em novas fábricas foram rejeitados nos últimos dois anos. No passado, isso raramente acontecia.

Mais movimentada estará a cena política da África do Sul, com a vitória do ex-vicepresidente Jacob Zuma sobre o presidente Thabo Mbeki na disputa da liderança do Congresso Nacional Africano, partido histórica da maioria negra na luta contra a minoria branca. Em 96 anos de história, o CNA não tinha tido uma convenção tão tumultuada.

Mbeki, um jovem filho da elite que foi estudar na Europa, um esquerdista convertido à economia de mercado, era considerado insensível ao sofrimento da maioria que ainda não tem aquilo que lhes era negado pela regime segregacionista branco do apartheid: terra, casa, trabalho e serviços públicos razoáveis.

Zuma, sem educação formal, era um dos chefes do braço armado do CNA. É acusado de violência sexual e corrupção. O procurador-geral promete processá-lo. Só isso pode barrar sua ascensão à Presidência da África do Sul, o trono de Nelson Mandela.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Futuro de Fidel será definido em janeiro

O presidente interino de Cuba, general Raúl Castro, convocou para 20 de janeiro de 2008 eleições para a Assembléia Nacional, o parlamento unicameral cubano, e as assembléia provinciais. Mas a grande questão é se o presidente Fidel Castro, afastado por motivo de saúde desde 31 de julho de 2006, será candidato.

Desde então, Fidel foi substituído provisoriamente por seu irmão, que já era vice-presidente e ministro da Defesa.

Para conservar suas posições de chefe de Estado e chefe de governo (primeiro-ministro), Fidel precisa ser reeleito deputado. Além disso, ele é comandante das Forças Armadas e líder do Partido Comunista. Todas essas funções estão sendo exercidas por Raúl Castro.

Desde 1976, quando este sistema foi adotado em Cuba, Fidel é eleito deputado e, em seguida, membro do Conselho de Estado e presidente deste órgão.

Fidel Castro não aparece em público desde 26 de julho de 2006, quando participou da comemoração do assalto ao Quartel de Moncada.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Comitês de bairro retomam força em Cuba

Os Comitês de Defesa da Revolução, mecanismo usado pelo regime comunista cubano para controlar a sociedade, perseguir e enquadrar dissidentes, perderam força e prestígio. Mas agora que o comandante Fidel Castro está afastado do poder há mais de um ano, com problemas de saúde, e seu irmão Raúl Castro tenta consolidar sua posição de novo líder, estão sendo reativados, observa hoje o jornal americano The Washington Post.

A polícia tem pressionado os líderes dos CDRs a fornecer mais informações e investigar mais a vida de suspeitos. No começo do ano, a televisão estatal cubana denunciou diversos comitês por não manterem suas rondas de quarteirão 24 horas por dia.

Leia mais em The Washington Post.

sábado, 22 de setembro de 2007

Fidel reaparece alquebrado mas lúcido

Depois de mais de cem dias sem ser visto, o presidente licenciado de Cuba, Fidel Castro, deu entrevista à televisão cubana divulgada na sexta-feira. Com a voz fraca e rouca, o ditador falou mais de uma hora, citando fatos recentes como a chegada do preço do petróleo a US$ 80 por barril, entre outras coisas para desmentir os boatos sobre sua morte.

"Bem estou aqui... dizem que estava moribundo, que morri ou que morreria depois de amanhã. Bem... ninguém sabe que dia se vai morrer", ironizou Fidel.

Vestido com um abrigo esportivo das delegações cubanas, ele atacou a política externa dos Estados Unidos, acusando-a de ter deflagrado "uma guerra de religiões". Mas não quis comentar o futuro de Cuba nem sua possível candidatura à eleição presidencial prevista para março.

Fidel, de 81 anos, está no poder desde a vitória da Revolução Cubana, em 1º de janeiro de 1959. Antes de se submeter a uma operação de emergência para estancar um sangramento abdominal, em 31 de julho de 2006, transferiu interinamente para seu irmão, o vice-presidente e ministro da Defesa, Raúl Castro, todos os seus cargos, inclusive os de presidente, primeiro-ministro, líder do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas de Cuba.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Fidel faz 81 anos após sobreviver a 167 atentados

O ditador cubano, Fidel Castro, completa hoje 81 anos, depois de sobreviver a 467 planos e 167 tentativas de assassiná-lo desde que implantou o regime comunista em Cuba, a partir da vitória da revolução, em 1 de janeiro de 1959.

Um livro publicado em Cuba pelo jornalista Luis Báez, El Mérito de Estar Vivo, faz um balanço dos atentados contra Fidel, o chefe de Estado que está no poder há mais tempo no mundo depois da rainha Elizabeth II. Ele passou os cargos de presidente, primeiro-ministro, líder do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas interinamente a seu irmão, Raúl Castro, em 31 de julho do ano passado.

Desde então, Raúl acenou com a possibilidade de diálogo com os Estados Unidos. Seu objetivo seria promover uma reforma no estilo chinês, abrindo a economia para o sistema capitalista enquanto mantém o regime político ditatorial.

Leia mais detalhes sobre o livro no jornal espanhol El País.

domingo, 29 de abril de 2007

Morales diz que Fidel volta em 1º de maio

Quando distribuía terras a índios no departamento de Pando, horas antes de embarcar para a Venezuela, onde participa da 5ª Reunião de Cúpula da Alternativa Bolivarista para as Américas (Alba), o presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou ontem estar "certo de que no 1º de maio o campanheiro Fidel vai se reintegrar e continuar governando Cuba e a América Latina".

Morales não falou nos últimos dias com o dirigente cubano, afastado desde 31 de julho, por motivo de saúde, de suas funções de presidente, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e líder do Partido Comunista. Mas disse ter ficado sabendo de uma "grande mobilização" em Cuba.

A Alba, um projeto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em oposição à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) está completando três anos; reúne hoje Cuba, Venezuela, Bolívia e Nicarágua.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

"Raúl Castro governa com liderança decisiva"

O vice-presidente Raúl Castro, que substitui interinamente seu irmão, Fidel Castro, como dirigente máximo de Cuba, consolidou sua liderança e terá ampla margem de manobra para conduzir a transição depois da morte de Fidel, afirma em entrevista ao jornal francês Le Monde o ex-agente secreto americano Brian Latell, professor da Universidade de Miami e autor de 'Depois de Fidel: Raúl Castro e o futuro da revolução cubana'.

Seis meses depois da transferência de poder por força da doença de Fidel, não houve críticas internas à liderança de Raúl, observa Latell. "Ele pede conselho a uns 20 altos funcionários da nomenklatura cubana e 'novas reflexões' aos universitários".

Por duas vezes, em agosto e dezembro do ano passado, Raúl propôs a abertura de diálogo para "normalizar as relações com os Estados Unidos".

O ex-espião da CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos EUA, acredita que sua intenção é genuína: "Creio que Fidel compreende melhor a situação do que Fidel. Sabe que deve melhorar a economia do país custe o que custar. Sabe que deve atender aos anseios dos mais jovens, uma geração desencantada que não compartilham, nas palavras de certos dirigentes em Havana, dos valores da revolução".

Para recuperar a economia do país, "Raúl quer diversificar os investimentos estrangeiros, inclusive dos EUA. Quer desenvolver as atividades de pequenas empresas. O setor de turismo, que ele controla, funciona com base em técnicas de gerenciamento capitalistas".

Raúl sonha "em desenvolver uma versão tropical do modelo chinês, combinando abertura econômica com restrições às liberdades individuais e políticas", descreve Latell. "Mas atenção: ele pensa no modelo chinês de Deng Xiaoping no final dos anos 70 e não no atual. Raúl não quer bilionários de Mercedes em Cuba".

Na opinião do ex-espião, Raúl é o grande organizador do regime: "Fidel, o narcisista visionário, é o diretor; Raul é o produtor. É ele que estrutura as Forças Armadas, organiza os serviços de segurança e desenvolve setores inteiros da economia. Mas do que antes, o Partido Comunista está em suas mãos".

As outras instituições cubanas também estariam nas mãos de aliados de Raúl. Ele tende a continuar trabalhando em silêncio, cercado de personagens importantes como o vice-presidente Carlos Lage, encarregado das reformas econômicas.

Com a provável morte de Fidel em breve - ele acaba de reaparecer na televisão, bastante debilitado, junto com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez -, Raúl sairá da sombra que o obscurece: "Haverá festa em Miami e uma transição pacífica em Cuba", prevê o ex-agente da CIA. "Pode haver manifestações mas não acredito que desestabilizem o regime cubano. Será preciso observar as mudanças que Raúl fará depois do funeral. O irmão há tanto reprimido terá finalmente sua catarse, seu momento de libertação, quando exprimirá sua própria política e transformará a revolução na direção que escolher".

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Estado de Fidel é "muito grave"

O estado de saúde do ditador cubano Fidel Castro é "muito grave", afirmou ontem o jornal espanhol El País. Depois de três cirurgias fracassadas, os médicos não consegue controlar uma diverticulite que provoca hemorragias abdominais no comandante da revolução cubana.

A fonte da informação seria o médico espanhol que examinou o dirigente cubano e declarou publicamente que ele não tem câncer.

Fidel não aparece em público desde 26 de julho. Em 31 de julho, transferiu todos os seus cargos para o irmão, vice-presidente e ministro da Defesa, Raúl Castro, que desde então é presidente, primeiro-ministro, líder do partido e comandante das Forças Armadas interinamente.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Médico espanhol diz que Fidel se recupera

O ditador cubano Fidel Castro não tem câncer. Sofre de um "processo benigno que teve várias complicações" mas se encontra em "condição estável", em "um lento processo de recuperação", afirma o médico espanhol José Luis García Sabrido, que foi a Cuba especialmente para examiná-lo. García Sabrido é especialista em tumores digestivos e chefe de cirurgias do Hospital Gregorio Marañón, de Madri.

Fidel foi submetido a uma operação de emergência em 31 de julho. A avaliação do médico é que não precisa ser submetido a uma segunda cirurgia. Naquele dia, Fidel passou todas as suas funções, entre elas as de presidente, primeiro-ministro, líder do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas, a seu irmão, Raúl Castro.

A doença provocou grande especulação. Foi a primeira vez que Fidel deixou o poder desde a vitória da revolução cubana, em 1º de janeiro de 1959. Acredita-se que o líder cubano dificilmente reassumirá todas as suas funções. O médico disse que a decisão cabe ao regime, "se ele tiver uma recuperação completa".

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Raúl Castro sugere que Fidel não volta ao poder

O presidente interino de Cuba, Raúl Castro, apresentou seu governo como baseado na divisão de tarefas e na direção colegiada, sugerindo que seu irmão, Fidel Castro, é um líder "insubstituível" que só o Partido Comunista de Cuba como um todo terá condições de desempenhar todas as suas funções.

Raúl Castro discursou no encerramento do Congresso da Federação de Estudantes Universitários. Em seguida, passou a palavra ao ministro do Exterior e ex-secretário particular de Fidel, Felipe Pérez-Roque, outra figura de destaque na transição em marcha em Cuba.

Fidel cedeu todos os seus cargos, inclusive presidente, primeiro-ministro, líder do partido e comandante das Forças Armadas, a seu irmão, vice-presidente e ministro do Exército, antes de ser submetido a uma cirurgia de emergência para estancar um sangramento abdominal. Os serviços secretos dizem que ele tem câncer terminal e não vai durar muitos meses mais.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Maior delegação de deputados americanos desde 1959 chega a Cuba

O governo interno de Raúl Castro recebeu ontem em Havana um grupo de 10 deputados democratas e republicanos interessados na melhora das relações entre os Estados Unidos e Cuba. É a maior delegação de congressistas americanos a visitar a ilha desde a vitória da revolução comunista, em 1º de janeiro de 1959, e o primeiro contato oficial entre os dois países desde que Fidel Castro foi afastado por motivo de saúde.

Raúl substitui seu irmão, Fidel, como presidente, primeiro-ministro, líder do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas, entre outros cargos, em 31 de julho, quando o líder histórico da revolução cubana foi submetido a uma cirurgia de emergência para estancar um sangramento abdominal.

Como ele não apareceu numa parada militar para festejar seus 80, especula-se que Fidel esteja gravemente doente. Para o chefe dos serviços secretos americanos, o linha-dura John Negroponte, ex-embaixador em Honduras nos anos 80, onde coordenava os contra-revolucionários da Nicarágua, Fidel tem câncer terminal e morrerá em breve.

A notícia foi desmentida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, hoje o maior aliado do ditador cubano. Chávez disse ter falado com Fidel pelo telefone e negou que o dirigente cubano tenha câncer. No seu estilo messiânico, afirmou: "Fidel não vai morrer nunca".

Durante a parada militar, realizada no início de dezembro, Raúl Castro propôs a abertura de um diálogo para melhorar as relações com os EUA.

Os deputados já estiveram com o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, e com o ministro do Exterior, Felipe Pérez Roque, ex-secretário particular de Fidel, considerado hoje um dos homens-fortes do regime comunista cubano. Pediram uma audiência com Raúl e têm boas chances de consegui-la.

Antes da viagem, o subsecretário de Estado para a América Latina, Tom Shannon, advertiu que não haverá reaproximação com Cuba antes de reformas democráticas. Mas os deputados realizam uma missão exploratória que dá mais um passo, ainda que lento, rumo à normalização das relações EUA-Cuba.