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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Presidentes centro-americanos fazem reunião de emergência

O presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, do Partido Liberal, já está em Manágua, onde participa de uma reunião de cúpula de emergência com os presidentes da região para condenar o golpe militar e exigir a restauração da democracia em Honduras, depois de ter sido mandado para a Costa Rica pelos golpistas.

Em Tegucigalpa, o Congresso deu posse a seu presidente, Roberto Micheletti, como presidente interino, alegando estar cumprindo a Constituição. Em São José da Costa Rica, Zelaya afirmou que ainda é o presidente de Honduras porque foi eleito pelo povo e só o povo pode levá-lo de volta ao poder.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), o Brasil, os Estados Unidos e a Venezuela, entre outros países, repudiaram a ruptura da democracia, deixando o movimento golpista virtualmente isolado. Isso torna muito difícil o sucesso do golpe a longo prazo.

Tanto o presidente dos EUA, Barack Obama, quanto o da Venezuela, Hugo Chávez, rejeitaram o golpe, prometendo não reconhecer qualquer outro governo hondurenho, a não ser o eleito democraticamente.

Durante a Guerra Fria, Honduras era o porta-aviões dos EUA, na América Central. Serviu como base de apoio para o governo de El Salvador durante a guerra civil salvadorenha e também para os contras da Nicarágua. Seus militares tem uma forte aliança ideológica com os EUA.

Zelaya foi eleito pelo Partido Liberal, que está à esquerda do Partido Nacional mas não deixa de ser conservador. No poder, se aliou a Chávez na Aliança Bolivarista para as Américas (Alba). Parecia mais interessado nos petrodólares venezuelanos, que tem um peso enorme para os países pobres da América Central e do Caribe.

É uma fonte de dinheiro importante para uma região tão pobre. Vem acompanhada de um preço político.

Os petrodólares e o discurso chavista desafiam a oligarquia hondurenha. Zelaya tentava realizar uma consulta popular para propor a reeleição, que atualmente não é permitida pela Constituição de Honduras.

Foi o limite para os donos do poder em Honduras. Mas o tiro vai sair pela culatra. Com a condenação do golpe, isolado, o novo governo não tem a menor chance.

No mundo globalizado, um pequeno país centro-americano de cerca de 8 milhões de habitantes não tem como se fechar. Não é a Coreia do Norte nem a Birmânia, que tem o apoio da China.

sábado, 26 de janeiro de 2008

ALBA cria banco de desenvolvimento

Cuba, Bolívia, Nicarágua e Venezuela fundaram neste sábado em Caracas o Banco da Alba, a Alternativa Bolivarista para os Povos da América, lançada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, como um contraponto ao projeto americano da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

"O Banco da Alba tomará decisões políticas, não estará preso a definições econômicas e financeiras, o que o diferencia do sistema financeiro internacional", afirmou o ministro venezuelano das Finanças, Rafael Isea. Terá um capital inicial de US$ 1 bilhão.

A 6ª reunião de cúpula do bloco, criado em 14 de dezembro de 2004 por Chávez e o presidente cubano, Fidel Castro, aprovou ainda a entrada da ilha caribenha de Dominica.

Chávez aproveitou a reunião de cúpula para atacar os Estados Unidos e a Colômbia, denunciando uma conspiração americana para atacar a Venezuela. Recebeu o apoio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), um antigo inimigo dos EUA.

Ortega afirmou que a Colômbia está "ocupada militarmente pelos EUA", que "tratam de acabar com este espaço que a ALBA está abrindo na América Latina".

Já o presidente boliviano, Evo Morales, somou-se às acusações ao "império" alegando que, "por trás da luta contra o narcotráfico, estão os interesses dos EUA". Sob este pretexto, afirmou, os americanos "tratam de intervir" em países do continente.

Morales disse que é preciso acabar com o consumo de cocaína, mas insistiu em que a luta contra as drogas ilegais é "um grande instrumento do império para o controle geopolítico".

Em mais uma de suas provocações, Chávez mascou folhas de coca ao lado de Morales, que começou na política liderando o movimento dos produtores de coca contra a política de erradicação imposta pelos EUA.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Chávez oferece energia a Cuba, Bolívia e Nicarágua

Na abertura da reunião de cúpula da sua Alternativa Bolavarista para as Américas (Alba), o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu anteontem suprir todas as necessidades energéticas de seus aliados, Bolívia, Cuba e Nicarágua, e de financiar a metade das vendas de petróleo venezuelano a estes países, em mais um gesto ousado de sua "diplomacia dos petrodólares".

"Chegou a hora de que o petróleo sirva para o desenvolvimento de nossos povos", declarou o caudilho venezuelano, proclamando o "nascimento de um novo mundo".

Outra alegação: a Alba está crescendo, enquanto a proposta americana de criar uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca) está morta. Mas enquanto a Alba reúne apenas Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela, com Equador e Haiti participando da conferência como observadores, os Estados Unidos fecharam acordos de livre comércio com Chile, Colômbia, Peru e seis países da América Central; Uruguai e Panamá estão na fila.

A reunião acontece no momento em que Chávez está sob grande pressão interna e externa por ter decidido não renovar a concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV), no ar desde 1953, acusando-a de apoiar o golpe de 12 de abril de 2002. O líder venezuelano ameaçou deixar a Organização dos Estados Americanos: "Se a OEA, depois de tudo o que ocorreu aqui, condenar a Venezuela, a Venezuela sairá da OEA. Cuba saiu e não morreu".

Veja como Chávez usa seus petrodólares para cimentar suas alianças políticas antiamericanas:
• Argentina: o governo venezuelano já comprou mais de US$ 4 bilihões em títulos da dívida pública argentina.
• Bolívia: a empresa estatal Petroleos de Venezuela S. A. (PdVSA) anunciou no ano passado investimentos de US$ 1,5 bilhão no setor energético boliviano para compensar uma possível saída da Petrobrás, expropriada há um ano pelo presidente boliviano, Evo Morales.
• Caribe: por meio de um acordo regional, o Petrocaribe, fornece petróleo a 14 países caribenhos, financiando 40% de suas importações.
• China: um amplo acordo energético visa a reduzir a dependência da Venezuela do mercado americano. A China prometeu investir US$ 5 bilhões no setor na Venezuela.
• Cuba: fornece 92 mil barris diários em condições especiais.
• Irã: os dois países firmaram 11 acordos de cooperação, sobretudo na área de petróleo.
• Rússia: ao comprar 24 caças-bombardeiros, 35 helicópteros e 100 mil rifles Kalachnikov, Chávez transformou este país no maior fornecedor de armas para a Venezuela.

domingo, 29 de abril de 2007

Morales diz que Fidel volta em 1º de maio

Quando distribuía terras a índios no departamento de Pando, horas antes de embarcar para a Venezuela, onde participa da 5ª Reunião de Cúpula da Alternativa Bolivarista para as Américas (Alba), o presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou ontem estar "certo de que no 1º de maio o campanheiro Fidel vai se reintegrar e continuar governando Cuba e a América Latina".

Morales não falou nos últimos dias com o dirigente cubano, afastado desde 31 de julho, por motivo de saúde, de suas funções de presidente, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e líder do Partido Comunista. Mas disse ter ficado sabendo de uma "grande mobilização" em Cuba.

A Alba, um projeto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em oposição à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) está completando três anos; reúne hoje Cuba, Venezuela, Bolívia e Nicarágua.