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segunda-feira, 30 de abril de 2007

Chávez oferece energia a Cuba, Bolívia e Nicarágua

Na abertura da reunião de cúpula da sua Alternativa Bolavarista para as Américas (Alba), o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu anteontem suprir todas as necessidades energéticas de seus aliados, Bolívia, Cuba e Nicarágua, e de financiar a metade das vendas de petróleo venezuelano a estes países, em mais um gesto ousado de sua "diplomacia dos petrodólares".

"Chegou a hora de que o petróleo sirva para o desenvolvimento de nossos povos", declarou o caudilho venezuelano, proclamando o "nascimento de um novo mundo".

Outra alegação: a Alba está crescendo, enquanto a proposta americana de criar uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca) está morta. Mas enquanto a Alba reúne apenas Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela, com Equador e Haiti participando da conferência como observadores, os Estados Unidos fecharam acordos de livre comércio com Chile, Colômbia, Peru e seis países da América Central; Uruguai e Panamá estão na fila.

A reunião acontece no momento em que Chávez está sob grande pressão interna e externa por ter decidido não renovar a concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV), no ar desde 1953, acusando-a de apoiar o golpe de 12 de abril de 2002. O líder venezuelano ameaçou deixar a Organização dos Estados Americanos: "Se a OEA, depois de tudo o que ocorreu aqui, condenar a Venezuela, a Venezuela sairá da OEA. Cuba saiu e não morreu".

Veja como Chávez usa seus petrodólares para cimentar suas alianças políticas antiamericanas:
• Argentina: o governo venezuelano já comprou mais de US$ 4 bilihões em títulos da dívida pública argentina.
• Bolívia: a empresa estatal Petroleos de Venezuela S. A. (PdVSA) anunciou no ano passado investimentos de US$ 1,5 bilhão no setor energético boliviano para compensar uma possível saída da Petrobrás, expropriada há um ano pelo presidente boliviano, Evo Morales.
• Caribe: por meio de um acordo regional, o Petrocaribe, fornece petróleo a 14 países caribenhos, financiando 40% de suas importações.
• China: um amplo acordo energético visa a reduzir a dependência da Venezuela do mercado americano. A China prometeu investir US$ 5 bilhões no setor na Venezuela.
• Cuba: fornece 92 mil barris diários em condições especiais.
• Irã: os dois países firmaram 11 acordos de cooperação, sobretudo na área de petróleo.
• Rússia: ao comprar 24 caças-bombardeiros, 35 helicópteros e 100 mil rifles Kalachnikov, Chávez transformou este país no maior fornecedor de armas para a Venezuela.

domingo, 29 de outubro de 2006

Amorim: relações com EUA nunca foram tão boas

Apesar de não ter havido acordo para criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), as relações do Brasil com os Estados Unidos nunca foram tão boas, afirma o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, candidatíssimo a permanecer no cargo no segundo governo Lula.

Em entrevista ao jornal O Globo deste domingo, o chanceler declarou que "a Alca realmente acabou. A Alca, como foi concebida, acabou. Isso não significa um fracasso. Se fosse do jeito que estava, a indústria naval brasileira não estaria produzindo plataformas de petróleo, as indústrias farmacêuticas brasileiras estariam sofrendo mais pressão do que ainda sofrem, por causa da lei de patentes, os subsídios continuariam e seríamos obrigados a comprar produtos americanos subsidiados como aconteceu no TLC (Tratado de Livre Comércio) firmado entre os EUA e a Colômbia. Esta Alca não servia. Os prejuízos de uma Alca, tal como estava concebida, eram infinitamente maiores do que os benefícios. O Brasil não pode perder a prerrogativa de usar o seu mercado e as compras do Estado como instrumento de política industrial".

O chanceler negou que o Brasil esteja ficando isolado, ao lado da Argentina e da Venezuela. Seriam os três países que não fariam acordos bilaterais de comércio com os EUA, afirmando que as exportações cresceram, no primeiro semestre de 2006, em comparação com o primeiro semestre de 2002, 258% para a América do Sul, 220% para o conjunto da América Latina e 332% para o Mercosul: "Um país que fez um acordo com os EUA, como o Peru, importou 139% mais do Brasil este ano. No caso da Colômbia, que é muito ligada aos americanos, o aumento foi de 95%. É claro que não estamos ficando isolados. Ao contrário."

Outro argumento do embaixador Celso Amorim: "Vocês já viram alguma vez tantas autoridades americanas vindo ao Brasil? Somente a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, esteve aqui duas vezes em cinco semanas. Temos boas relações com o presidente George W. Bush, pragmáticas e diretas. Falo com [a secretária de Estado americana] Condoleezza Rice com grande freqüência. Em diversas ocasiões, é ela quem me telefona e não é para falar de abobrinha. Conversamos sobre Haiti, américa do sul, Coréia do Norte, Líbano".

Celso Amorim confia numa conclusão da Rodada Doha de negociações de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC), mesmo que demore: "Conseguimos, por exemplo, uma data final para os subsídios à exportação agrícola, em 2013. Além disso, está consagrado o princípio de que os subsídios internos têm de cair em termos reais".

Ele admite que é preciso "aprofundar" as relações com os EUA, e uma das principais críticas à política externa do primeiro governo Lula era o antiamericanismo, uma certa ideologização para reforçar as credenciais de esquerda de um governo conservador em política econômica: "É preciso aprofundar as relações com os EUA mas nunca de forma unidirecional, é com todo o mundo. Vivemos em um mundo multipolar e temos que aproveitar esta multipolaridade tanto econômica como politicamente".

Entre os novos parceiros de quem o Brasil pretende se aproximar, Amorim citou o Sudeste da Ásia, o Pacífico, a Austrália e a Europa Oriental. Entre as áreas prioritárias para cooperação internacional, biocombustíveis, defesa e eletroeletrônica.

O ministro admitiu que há problemas no Mercosul e na região: "Com exceção da Bolívia, por causa do gás, o Brasil tem superávit com todos os países da América do Sul." E defendeu o reconhecimento da China como uma economia de mercado: "Não teríamos vendido aviões da Embraer se não tivéssemos reconhecido a China como uma economia de mercado. Também não teríamos resolvido o problema da soja. (...) Você não pode esperar vender US$ 8 bilhões para a China e fechar totalmente o nosso mercado."