Com seu estilo autoritário, na véspera das eleições regionais na Bolívia, o presidente Evo Morales considerou "impossível" dialogar com governadores, prefeitos e deputados departamentais da oposição, que chamou de "conspiradores".
Serão eleitos nove governadores, 267 deputados departamentais, sendo 23 representantes indígenas, 337 prefeitos e 1.889 vereadores para cumprir mandatos de cinco anos.
A oposição é favorita para vencer as eleições para governador em Santa Cruz, Beni e Pando.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Morales. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Morales. Mostrar todas as postagens
sábado, 3 de abril de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
Morales inaugura Estado plurinacional na Bolívia
Ao tomar posse para um novo mandato, o presidente Evo Morales deu ontem por inaugurado o "Estado plurinacional da Bolívia".
Morales foi reeleito em 6 de dezembro de 2009, com 64% dos votos. "Desde sua chegada ao poder, um Estado integral e socialista substituiu na Bolívia uma república colonialista, liberal e racista", declarou o vice-presidente Álvaro García Linera.
Estavam presentes os presidentes do Chile, do Equador, do Paraguai e da Venezuela, o príncipe Felipe da Espanha e os vice-presidentes de Cuba e da Colômbia.
Morales foi reeleito em 6 de dezembro de 2009, com 64% dos votos. "Desde sua chegada ao poder, um Estado integral e socialista substituiu na Bolívia uma república colonialista, liberal e racista", declarou o vice-presidente Álvaro García Linera.
Estavam presentes os presidentes do Chile, do Equador, do Paraguai e da Venezuela, o príncipe Felipe da Espanha e os vice-presidentes de Cuba e da Colômbia.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Morales é reeleito com 63% dos votos
Pelas pesquisas de boca de urna, o presidente Evo Morales foi reeleito hoje na Bolívia para um mandato de cinco anos, com 63% dos votos. Seu Movimento ao Socialismo lidera a apuração para a primeira Assembleia Plurinacional (130 deputados e 36 senadores) e pode conquistar a maioria de dois terços necessárias para mudar a Constituição.
Nos primeiros quatro anos, o governo Morales foi marcados por denúncias de abuso de poder e corrupção, mas melhorou a situação da maioria indígena boliviana. Morales nacionalizou os setores de gás e petróleo em 2006, mas a empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) teve cinco presidentes, todos afastados por corrupção.
Com má gestão e escassez de investimentos, a produção de hidrocarbonetos caiu e as exportações de gás e petróleo diminuíram quase 50%.
A oposição rica e branca, de origem espanhola, se rebelou e passou a lutar por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país, justamente os mais ricos do Sul e do Leste. Mas não conseguiu articular uma candidatura à Presidência.
O principal candidato da oposição hoje foi o ex-governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, afastado do cargo no ano passado por um referendo revogatório. Não tinha, portanto, apoio nem em seu próprio departamento. Pelas pesquisas de boca de urna, teve 23% dos votos.
Morales ganhou em seis dos nove departamentos em que se divide a Bolívia, mas cinco - Beni, Chuquissaca, Pando, Santa Cruz e Tarija - aprovaram sua autonomia regional em referendos, o que pode ser uma fonte de conflitos com o governo central.
Em maio de 2010, haverá eleições para governadores departamentais.
Nos primeiros quatro anos, o governo Morales foi marcados por denúncias de abuso de poder e corrupção, mas melhorou a situação da maioria indígena boliviana. Morales nacionalizou os setores de gás e petróleo em 2006, mas a empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) teve cinco presidentes, todos afastados por corrupção.
Com má gestão e escassez de investimentos, a produção de hidrocarbonetos caiu e as exportações de gás e petróleo diminuíram quase 50%.
A oposição rica e branca, de origem espanhola, se rebelou e passou a lutar por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país, justamente os mais ricos do Sul e do Leste. Mas não conseguiu articular uma candidatura à Presidência.
O principal candidato da oposição hoje foi o ex-governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, afastado do cargo no ano passado por um referendo revogatório. Não tinha, portanto, apoio nem em seu próprio departamento. Pelas pesquisas de boca de urna, teve 23% dos votos.
Morales ganhou em seis dos nove departamentos em que se divide a Bolívia, mas cinco - Beni, Chuquissaca, Pando, Santa Cruz e Tarija - aprovaram sua autonomia regional em referendos, o que pode ser uma fonte de conflitos com o governo central.
Em maio de 2010, haverá eleições para governadores departamentais.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Morales quer proibir bases estrangeiras
Ao receber em La Paz o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a intenção de apresentar um projeto de resolução à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) proibindo a instalação de bases militares estrangeiras no subcontinente.
Uribe viaja pela América do Sul para explicar a decisão de oferecer sete bases militares aos Estados Unidos. Morales, um aliado próximo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é um dos principais opositores à ampliação da presença militar americana no subcontinente.
O presidente colombiano já avisou que não vai à próxima reunião da Unasul.
Uribe viaja pela América do Sul para explicar a decisão de oferecer sete bases militares aos Estados Unidos. Morales, um aliado próximo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é um dos principais opositores à ampliação da presença militar americana no subcontinente.
O presidente colombiano já avisou que não vai à próxima reunião da Unasul.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Lula é o interlocutor de Raúl Castro na cúpula
Com interesse em melhorar as relações com os Estados Unidos, maior risco para a segurança de Cuba, o presidente Raúl Castro conta mais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que no colega venezuelano, Hugo Chávez, para levar sua mensagem a Barack Obama na 5ª Conferência de Cúpula das Américas, que será realizada no fim de semana, de 17 a 19 de abril de 2009, em Trinidad-Tobago.
Raúl teme que a retórica inflamada de Chávez e seus aliados bolivaristas, o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o nicaraguense Daniel Ortega, atrapalhem a reaproximação iniciada timidamente com o governo Barack Obama, que hoje anunciou o fim das restrições a viagens e de remessas de dinheiro e de presentes.
Obama se adiantou aos bolivaristas, que vão cobrar o fim do embargo econômico imposto em 1962. Ao mesmo tempo, os EUA anunciaram uma abertura para empresas de telecomunicações americanas com a intenção de dar um banho de informação numa sociedade censurada.
Neste contexto complicado das relações dos EUA com a América Latina, Lula é o interlocutor privilegiado de Obama, que o chamou de "o cara". Por sua moderação e busca de consensos, é também o porta-voz mais confiável para Raúl.
O Brasil qualifica-se como o principal mediador entre os EUA e Cuba na transição pós-Fidel Castro.
Raúl teme que a retórica inflamada de Chávez e seus aliados bolivaristas, o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o nicaraguense Daniel Ortega, atrapalhem a reaproximação iniciada timidamente com o governo Barack Obama, que hoje anunciou o fim das restrições a viagens e de remessas de dinheiro e de presentes.
Obama se adiantou aos bolivaristas, que vão cobrar o fim do embargo econômico imposto em 1962. Ao mesmo tempo, os EUA anunciaram uma abertura para empresas de telecomunicações americanas com a intenção de dar um banho de informação numa sociedade censurada.
Neste contexto complicado das relações dos EUA com a América Latina, Lula é o interlocutor privilegiado de Obama, que o chamou de "o cara". Por sua moderação e busca de consensos, é também o porta-voz mais confiável para Raúl.
O Brasil qualifica-se como o principal mediador entre os EUA e Cuba na transição pós-Fidel Castro.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Morales muda comandantes militares
Em uma medida inesperada, o presidente Evo Morales mudou hoje os principais comandantes militares da Bolívia, a três semanas do referendo que deve aprovar uma nova Constituição para implantar suas reformas socializantes.
Morales estaria insatisfeito com o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Luis Trigo, que criticou a "influência estrangeira" durante o conflito do governo central com os departamentos governados pela oposição, que lutam por autonomia regional, no ano passado.
Na época, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ofereceu ajuda militar a Morales, caso o conflito degenerasse numa guerra civil. O general Trigo declarou que qualquer força estrangeira seria considerada inimiga.
Sem admitir qualquer problema, o presidente agradeceu às Forças Armadas por defenderem a unidade nacional e a soberania da Bolívia diante do que chamou de "provocações e agressões internas e externas".
O novo comandante, contra-almirante José Luis Cabas Villegas, jurou lealdade ao governo e ao país. Ele vem da Marinha, a arma mais fraca, já que o país não tem saída para o mar, mantendo apenas uma força naval simbólica estacionada no Lago Titicaca.
Morales estaria insatisfeito com o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Luis Trigo, que criticou a "influência estrangeira" durante o conflito do governo central com os departamentos governados pela oposição, que lutam por autonomia regional, no ano passado.
Na época, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ofereceu ajuda militar a Morales, caso o conflito degenerasse numa guerra civil. O general Trigo declarou que qualquer força estrangeira seria considerada inimiga.
Sem admitir qualquer problema, o presidente agradeceu às Forças Armadas por defenderem a unidade nacional e a soberania da Bolívia diante do que chamou de "provocações e agressões internas e externas".
O novo comandante, contra-almirante José Luis Cabas Villegas, jurou lealdade ao governo e ao país. Ele vem da Marinha, a arma mais fraca, já que o país não tem saída para o mar, mantendo apenas uma força naval simbólica estacionada no Lago Titicaca.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Congresso da Bolívia convoca referendos
Depois de meses de conflito e negociações, e de 17 horas de debate parlamentar, o Congresso da Bolívia aprovou hoje a realização, em 25 de janeiro, de dois referendos: um sobre a nova Constituição e outro sobre a reforma agrária.
Dezenas de milhares de índios que marcharam 200 quilômetros durante oito dias e chegaram ontem a La Paz fizeram uma vigília durante toda a noite na Praça Murillo, diante do Congresso, ao lado do presidente Evo Morales, à espera da aprovação do projeto, o que só aconteceu no início da tarde de hoje.
O projeto de Constituição aprovado no final do ano passado em uma reunião da Assembléia Constituinte dentro de um quartel em Sucre, recebeu pelo menos 150 modificações e 1,2 mil correções. Morales terá direito a apenas uma reeleição e as autonomias regionais reivindicadas pela oposição foram incluídas na nova Carta.
"Uma parte substancial da Constituição apoiada pelo governo foi alterada", declarou o deputado oposicionista Alejandro Conlazi. "É imperfeita porque tem muitos artigos que o pessoal do MAS (Movimento ao Socialismo) colocou lá que na minha opinião são ruins para o país, mas a tentativa de abrir o caminho para a hegemonia do poder na Bolívia foi controlada".
Sob a presidência do vice-presidente Álvaro García Linera, o Congresso aprovou os dois referendos. Do lado de fora do parlamento, os manifestantes cantavam o Hino Nacional da Bolívia.
Imediatamente, García Linera levou o projeto para ser assinado em praça pública pelo presidente Morales. Emocionado, ele disse aos manifestantes, quase todos índios: "Missão cumprida, meus irmãos e irmãs!"
Dezenas de milhares de índios que marcharam 200 quilômetros durante oito dias e chegaram ontem a La Paz fizeram uma vigília durante toda a noite na Praça Murillo, diante do Congresso, ao lado do presidente Evo Morales, à espera da aprovação do projeto, o que só aconteceu no início da tarde de hoje.
O projeto de Constituição aprovado no final do ano passado em uma reunião da Assembléia Constituinte dentro de um quartel em Sucre, recebeu pelo menos 150 modificações e 1,2 mil correções. Morales terá direito a apenas uma reeleição e as autonomias regionais reivindicadas pela oposição foram incluídas na nova Carta.
"Uma parte substancial da Constituição apoiada pelo governo foi alterada", declarou o deputado oposicionista Alejandro Conlazi. "É imperfeita porque tem muitos artigos que o pessoal do MAS (Movimento ao Socialismo) colocou lá que na minha opinião são ruins para o país, mas a tentativa de abrir o caminho para a hegemonia do poder na Bolívia foi controlada".
Sob a presidência do vice-presidente Álvaro García Linera, o Congresso aprovou os dois referendos. Do lado de fora do parlamento, os manifestantes cantavam o Hino Nacional da Bolívia.
Imediatamente, García Linera levou o projeto para ser assinado em praça pública pelo presidente Morales. Emocionado, ele disse aos manifestantes, quase todos índios: "Missão cumprida, meus irmãos e irmãs!"
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Governo e oposição fazem acordo na Bolívia
O governo e a oposição da Bolívia chegaram a um acordo hoje para que o Congresso convoque um referendo para aprovar a nova Constituição em 25 de janeiro de 2009.
Se a Constituição for aprovada, o presidente Evo Morales vai convocar eleições gerais para dezembro do próximo ano. Morales se comprometeu a só concorrer a uma reeleição.
Depois de oito dias percorrendo 200 quilômetros em uma marcha de apoio ao presidente, dezenas de milhares de pessoas foram até o Congresso Nacional, na Praça Murillo, no centro de La Paz. Morales se juntou à marcha na cidade-satélite de El Alto e chegou a multidão.
Durante o fim de semana, não houvera acordo entre o Movimento ao Socialismo (MAS), o partido do presidente, e a aliança Poder Democrático e Social (Podemos), maior grupo de oposição. Uma deputada do MAS ameaçava fechar o Senado, onde a oposição é maioria.
Se a Constituição for aprovada, o presidente Evo Morales vai convocar eleições gerais para dezembro do próximo ano. Morales se comprometeu a só concorrer a uma reeleição.
Depois de oito dias percorrendo 200 quilômetros em uma marcha de apoio ao presidente, dezenas de milhares de pessoas foram até o Congresso Nacional, na Praça Murillo, no centro de La Paz. Morales se juntou à marcha na cidade-satélite de El Alto e chegou a multidão.
Durante o fim de semana, não houvera acordo entre o Movimento ao Socialismo (MAS), o partido do presidente, e a aliança Poder Democrático e Social (Podemos), maior grupo de oposição. Uma deputada do MAS ameaçava fechar o Senado, onde a oposição é maioria.
domingo, 5 de outubro de 2008
Diálogo na Bolívia não chega a solução
Mais de dez horas de reunião não foram suficientes hoje para romper o impasse entre o presidente da Bolívia, Evo Morales, e os governadores de oposição, que exigem autonomia regional para seus departamentos e não aceitam a nova Constituição proposta por Morales para implantar o socialismo no país.
A próxima batalha será travada em torno do referendo para aprovar uma nova Constituição. Sem maioria no Senado, Morales precisa barganhar para garantir a aprovação no Congresso. Mas seus partidários do Movimento ao Socialismo rejeitam a possibilidade de deputados e senadores emendarem a Constituição.
A próxima batalha será travada em torno do referendo para aprovar uma nova Constituição. Sem maioria no Senado, Morales precisa barganhar para garantir a aprovação no Congresso. Mas seus partidários do Movimento ao Socialismo rejeitam a possibilidade de deputados e senadores emendarem a Constituição.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Oposição diz que diálogo "agoniza" na Bolívia
O diálogo entre o governo e a oposição na Bolívia "não está morto mas agoniza", advertiu hoje o governador do departamento de Tarija, Mario Cossío, representante dos governadores que lutam por autonomia regional nas negociações com o presidente Evo Morales.
As conversas foram suspensas por causa da prisão do governador do departamento de Pando, que faz fronteira com o estado brasileiro do Acre. Leopoldo Fernández é acusado de genocídio. Ele é suspeito de contratar pistoleiros que teriam massacrado 16 índios em Pando na semana passada.
Cossío responsabilizou o governo pelo fracasso no diálogo ao decretar estado de sítio em Pando, onde soldados do Exército prenderam Fernández hoje.
Em La Paz, o presidente defendeu a prisão e convocou os movimentos sociais para fortalecer sua posição negociadora. Morales alega que de nada adianta fazer um acordo, se ele não for acatado por todas as partes.
O primeiro presidente indígena da História da Bolívia convocou um referendo para aprovar, em 7 de dezembro, uma nova Constituição com o objetivo de implantar o socialismo, reduzir a miséria e dar cidadania à maioria indígena.
Ontem, Morales recebeu apoio de uma reunião de cúpula de emergência da União das Nações da América do Sul (Unasul), criada há quatro meses em Brasília. Mas parece que a medida o tornou mais relutante em fazer concessões.
As conversas foram suspensas por causa da prisão do governador do departamento de Pando, que faz fronteira com o estado brasileiro do Acre. Leopoldo Fernández é acusado de genocídio. Ele é suspeito de contratar pistoleiros que teriam massacrado 16 índios em Pando na semana passada.
Cossío responsabilizou o governo pelo fracasso no diálogo ao decretar estado de sítio em Pando, onde soldados do Exército prenderam Fernández hoje.
Em La Paz, o presidente defendeu a prisão e convocou os movimentos sociais para fortalecer sua posição negociadora. Morales alega que de nada adianta fazer um acordo, se ele não for acatado por todas as partes.
O primeiro presidente indígena da História da Bolívia convocou um referendo para aprovar, em 7 de dezembro, uma nova Constituição com o objetivo de implantar o socialismo, reduzir a miséria e dar cidadania à maioria indígena.
Ontem, Morales recebeu apoio de uma reunião de cúpula de emergência da União das Nações da América do Sul (Unasul), criada há quatro meses em Brasília. Mas parece que a medida o tornou mais relutante em fazer concessões.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Unasul tenta pacificar a Bolívia
A reunião de cúpula da União de Nações da América do Sul (Unasul) realizada nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2008, em Santiago do Chile para discutir uma solução ao conflito político na Bolívia, terminou após seis horas de reunião com o apoio unânime ao governo constitucional boliviano, rejeitando qualquer tentativa de divisão do país.
Por conenso, os nove presidentes presentes em Santiago aprovaram a Declaração do Palácio de La Moneda. Uma comissão aberta a todos os países da Unasul será presidida pelo Chile, que ocupa a presidência rotativa do bloco. Vai acompanhar o processo de negociação iniciado em La Paz.
No texto, os líderes da região dão "seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratificado por ampla maioria".
O documento é assinado pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Kirchner; da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Michelle Bachelet; da Colômbia, Álvaro Uribe; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Fernando Lugo; do Uruguai, Tabaré Vázquez; e da Venezuela, Hugo Chávez; e pelo ministro das Relações Exteriores do Peru, que representou o presidente Alan García, único chefe de Estado ausente.
Por conenso, os nove presidentes presentes em Santiago aprovaram a Declaração do Palácio de La Moneda. Uma comissão aberta a todos os países da Unasul será presidida pelo Chile, que ocupa a presidência rotativa do bloco. Vai acompanhar o processo de negociação iniciado em La Paz.
No texto, os líderes da região dão "seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratificado por ampla maioria".
O documento é assinado pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Kirchner; da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Michelle Bachelet; da Colômbia, Álvaro Uribe; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Fernando Lugo; do Uruguai, Tabaré Vázquez; e da Venezuela, Hugo Chávez; e pelo ministro das Relações Exteriores do Peru, que representou o presidente Alan García, único chefe de Estado ausente.
Exército da Bolívia ocupa Cobija
O Exército da Bolívia ocupou esta noite a cidade de Cobija, capital do departamento de Pando, onde o presidente Evo Morales decretou estado de sítio depois de conflitos entre governistas e oposicionistas que causaram 30 mortes. Há uma ordem de prisão contra o governador do departamento (equivalente a um estado brasileiro), Leopoldo Fernández, por não cumprir o estado de sítio.
É a primeira que o Exército boliviano entra em ação desde 2003, quando a chamada Guerra do Gás provocou a queda do presidente Gonzalo Sánchez de Losada.
Leia mais no jornal espanhol El País.
É a primeira que o Exército boliviano entra em ação desde 2003, quando a chamada Guerra do Gás provocou a queda do presidente Gonzalo Sánchez de Losada.
Leia mais no jornal espanhol El País.
Morales teria pedido ajuda à Unasul
O próprio presidente da Bolívia, Evo Morales, teria pedido à presidente do Chile, Michelle Bachelet, a convocação de uma reunião de cúpula de emergência da União das Nações da América do Sul (Unasul), diante do temor de um golpe de Estado na sexta-feira à noite.
Naquele dia, o comandante do Exército, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não iriam tolerar uma intervenção estrangeira, rechaçando o apoio militar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O general ameaçou intervir no conflito interno para manter a ordem, acabar com a violência política, e proteger prédios públicos e instalações de gás e petróleo.
Pelo menos 30 pessoas morreram na Bolívia nos confrontos de rua dos últimos dias entre partidários do Movimento ao Socialismo, do presidente Morales, e da oposição que luta por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país.
O presidente Lula estaria insatisfeito com a polarização provocada pela crise interna boliviana e a expulsão dos embaixados dos Estados Unidos da Bolívia e da Venezuela, e pela rejeição de Morales da oferta de mediação brasileira. Vai ao encontro, mas há uma preocupação de que Chávez e Morales tentem incluir referências aos EUA que não interessam à maioria dos outros países do subcontinente. A exceção é Rafael Correa, do Equador, aliado de Chávez e Morales.
Naquele dia, o comandante do Exército, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não iriam tolerar uma intervenção estrangeira, rechaçando o apoio militar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O general ameaçou intervir no conflito interno para manter a ordem, acabar com a violência política, e proteger prédios públicos e instalações de gás e petróleo.
Pelo menos 30 pessoas morreram na Bolívia nos confrontos de rua dos últimos dias entre partidários do Movimento ao Socialismo, do presidente Morales, e da oposição que luta por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país.
O presidente Lula estaria insatisfeito com a polarização provocada pela crise interna boliviana e a expulsão dos embaixados dos Estados Unidos da Bolívia e da Venezuela, e pela rejeição de Morales da oferta de mediação brasileira. Vai ao encontro, mas há uma preocupação de que Chávez e Morales tentem incluir referências aos EUA que não interessam à maioria dos outros países do subcontinente. A exceção é Rafael Correa, do Equador, aliado de Chávez e Morales.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Exército da Bolívia rejeita ajuda de Chávez
Em um recado claro e direto ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o comandante do Exército da Bolívia, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não vão tolerar nenhuma intervenção militar estrangeiras. Chávez ofereceu ajuda a Morales em caso de tentativa de golpe ou de guerra civil.
O general também alertou os manifestantes para que parem com atos de violência, ataques a prédios públicos e a instalações de petróleo e gás. Caso contrário, o Exército será obrigado a intervir.
O general também alertou os manifestantes para que parem com atos de violência, ataques a prédios públicos e a instalações de petróleo e gás. Caso contrário, o Exército será obrigado a intervir.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Morales expulsa embaixador dos EUA
Em meio à maior crise política em dois anos e meio de governo, o presidente Evo Morales decretou ontem a expulsão do embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, insinuando que ele é um dos responsáveis por uma tentativa de dividir o país.
Goldberg trabalhou na independência do Kossovo e Morales juntou as duas coisas.
Sem que o governo boliviano apresente indícios concretos da participação americana na conspiração oposicionista, fica difícil de julgar a atitude do presidente da Bolívia. Afinal, a independência do Kossovo foi resultado de uma violenta campanha de repressão deflagrada pelo ditador sérvio Slobodan Milosevic e não de uma conspiração internacional para enfraquecer a Sérvia.
Goldberg trabalhou na independência do Kossovo e Morales juntou as duas coisas.
Sem que o governo boliviano apresente indícios concretos da participação americana na conspiração oposicionista, fica difícil de julgar a atitude do presidente da Bolívia. Afinal, a independência do Kossovo foi resultado de uma violenta campanha de repressão deflagrada pelo ditador sérvio Slobodan Milosevic e não de uma conspiração internacional para enfraquecer a Sérvia.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Morales se reúne com comando do Exército da Bolívia
O presidente Evo Morales está reunido a portas fechadas com seu ministério e os comandantes do Exército e da Polícia Nacional da Bolívia. Eles examinam medidas para acabar com a violência em Santa Cruz de la Sierra e outras regiões do país governadas pela oposição.
Morales fez uma reforma ministerial ontem à noite. Trocou cinco ministros e declarou que está aberto ao diálogo para resolver a crise entre o governo central e cinco departamentos que lutam por autonomia regional.
Não foi suficiente para conter a fúria dos oposicionistas do departamento de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia.
Desde a manhã de hoje, os autonomistas enfrentam a Polícia e o Exército numa verdadeira batalha campal nas ruas de Santa Cruz de la Sierra. A oposição tomou a Empresa Nacional de Telecomunicações, a Receita Federal e o Instituto Nacional de Reforma Agrária da Bolívia.
Os oposicionistas também ocuparam aeroportos nos departamentos de Bêni e Pando, e a Superintendência de Hidrocarbonetos do departamento de Tarija, responsável por 85% da produção de gás da Bolívia. Eles ameaçaram cortar o fornecimento para o Brasil e a Argentina.
Em nota distribuída hoje à tarde, a Petrobrás informa que até o momento não houve nenhuma interrupção no recebimento de gás boliviano.
Morales fez uma reforma ministerial ontem à noite. Trocou cinco ministros e declarou que está aberto ao diálogo para resolver a crise entre o governo central e cinco departamentos que lutam por autonomia regional.
Não foi suficiente para conter a fúria dos oposicionistas do departamento de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia.
Desde a manhã de hoje, os autonomistas enfrentam a Polícia e o Exército numa verdadeira batalha campal nas ruas de Santa Cruz de la Sierra. A oposição tomou a Empresa Nacional de Telecomunicações, a Receita Federal e o Instituto Nacional de Reforma Agrária da Bolívia.
Os oposicionistas também ocuparam aeroportos nos departamentos de Bêni e Pando, e a Superintendência de Hidrocarbonetos do departamento de Tarija, responsável por 85% da produção de gás da Bolívia. Eles ameaçaram cortar o fornecimento para o Brasil e a Argentina.
Em nota distribuída hoje à tarde, a Petrobrás informa que até o momento não houve nenhuma interrupção no recebimento de gás boliviano.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Morales convoca referendo constitucional
Em um desafio à oposição, o presidente Evo Morales convocou por Decreto Supremo um referendo para aprovar a nova Constituição da Bolívia em 7 de dezembro. A decisão foi tomada numa reunião do governo boliviano que levou 10 horas.
Cinco dos nove departamentos do país, dominados pela oposição que luta por autonomia regional, prometem não realizar o referendo constitucional.
Morales chegou ao poder no início de 2006 prometendo reformas profundas para refundar a Bolívia e dar cidadania à maioria indígena.
A nova Constituição é a peça-chave desse projeto. Proíbe os futuros governos de "ceder" os recursos naturais do país a empresas transnacionais e a instalação de bases militares estrangeiras.
Sem a concordância da oposição, Morales recorreu ao chamado Decreto Supremo. Em Sucre, o presidente do Comitê Cívico do Departamento de Chuquisaca perguntou para que serve o Congresso se o Executivo não o obedece. Ele acusou Morales de ser um ditador e prometeu defender a democracia com o sangue e a vida, se necessário.
Cinco dos nove departamentos do país, dominados pela oposição que luta por autonomia regional, prometem não realizar o referendo constitucional.
Morales chegou ao poder no início de 2006 prometendo reformas profundas para refundar a Bolívia e dar cidadania à maioria indígena.
A nova Constituição é a peça-chave desse projeto. Proíbe os futuros governos de "ceder" os recursos naturais do país a empresas transnacionais e a instalação de bases militares estrangeiras.
Sem a concordância da oposição, Morales recorreu ao chamado Decreto Supremo. Em Sucre, o presidente do Comitê Cívico do Departamento de Chuquisaca perguntou para que serve o Congresso se o Executivo não o obedece. Ele acusou Morales de ser um ditador e prometeu defender a democracia com o sangue e a vida, se necessário.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Evo Morales se refugia no Brasil por uma hora
O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi cercado por oposicionistas durante visita ao departamento de Bêni, na Amazônia, um dos quatro que lutam por autonomia, como noticiou a TV Brasil no encerramento do Repórter Brasil desta noite.
Com os dois aeroportos próximos de Guayaramerín, onde ele estava, bloqueados, os oposicionistas impediram a chegada de combustível para reabastecer o helicóptero venezuelano cedido pelo presidente Hugo Chávez a seu colega boliviano
Morales foi para uma base militar brasileira na cidade vizinha de Guajará Mirim, em Rondônia, até que um avião da Força Aérea Boliviana o resgatasse.
A tensão é cada vez maior na Bolívia. Esgotou-se o prazo para o presidente convocar um referendo para aprovar a nova Constituição. As oposições exigem autonomia regional, o repasse do imposto direto sobre hidrocarbonetos (gás e petróleo) para as regiões produtoras e aumento no preço do gás vendido ao Brasil e à Argentina.
Com os dois aeroportos próximos de Guayaramerín, onde ele estava, bloqueados, os oposicionistas impediram a chegada de combustível para reabastecer o helicóptero venezuelano cedido pelo presidente Hugo Chávez a seu colega boliviano
Morales foi para uma base militar brasileira na cidade vizinha de Guajará Mirim, em Rondônia, até que um avião da Força Aérea Boliviana o resgatasse.
A tensão é cada vez maior na Bolívia. Esgotou-se o prazo para o presidente convocar um referendo para aprovar a nova Constituição. As oposições exigem autonomia regional, o repasse do imposto direto sobre hidrocarbonetos (gás e petróleo) para as regiões produtoras e aumento no preço do gás vendido ao Brasil e à Argentina.
domingo, 17 de agosto de 2008
Oposição convoca greve contra Morales
Cinco governadores de oposição - de Santa Cruz, Rubén Costas; de Chuquisaca, Savina Cuéllar; de Tarija, Mario Cossío; de Beni, Ernesto Suárez; e de Pando, Leopoldo Fernández - convocaram para terça-feira uma greve geral de protesto contra o governo central do presidente Evo Morales.
A oposição exige o reinício do repasse do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos. Diante do conflito com os governadores que quatro províncias que lutam por autonomia em relação a La Paz, Morales desviou o dinheiro para financiar um abono para aposentados.
Em comunicado conjunto, os governadores advertiram que, "enquanto continue o confisco do IDH, a presença de autoridades nacionais em nossas regiões será considerada non grata".
A oposição exige o reinício do repasse do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos. Diante do conflito com os governadores que quatro províncias que lutam por autonomia em relação a La Paz, Morales desviou o dinheiro para financiar um abono para aposentados.
Em comunicado conjunto, os governadores advertiram que, "enquanto continue o confisco do IDH, a presença de autoridades nacionais em nossas regiões será considerada non grata".
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Morales vence mas oposicionistas também
O presidente Evo Morales foi reconfirmado no cargo com 63% dos votos no referendo revogatório realizado domingo, 10 de agosto de 2008, na Bolívia. Mas os quatro governadores dos departamentos que aprovaram autonomia administrativa - Beni, Pando, Santa Cruz e Tarija - também receberam o apoio da maioria dos seus eleitorados.
Rubén Costas, de Santa Cruz, teria entre 66% de votos favoráveis; Ernesto Suárez, de Beni, teve 61,2% de aprovação; Leopoldo Fernández, de Pando, 56,3%; e Mario Cossío, de Tarija, 64,5%.
Todos fizeram discursos duros reafirmando a intenção de liderar governos departamentais autônomos com base nas vitórias em referendos realizados nos meses de maio e junho.
O governo central não reconhece a legimitidade destas consultas populares e convocou o referendo revogatório para se fortalecer politicamente. Mas a oposição também se fortaleceu.
Agora é hora de negociar. É essa a capacidade que mais tem feito falta até agora a Morales como líder democraticamente eleito e agora reeleito pela ampla maioria dos bolivianos.
Rubén Costas, de Santa Cruz, teria entre 66% de votos favoráveis; Ernesto Suárez, de Beni, teve 61,2% de aprovação; Leopoldo Fernández, de Pando, 56,3%; e Mario Cossío, de Tarija, 64,5%.
Todos fizeram discursos duros reafirmando a intenção de liderar governos departamentais autônomos com base nas vitórias em referendos realizados nos meses de maio e junho.
O governo central não reconhece a legimitidade destas consultas populares e convocou o referendo revogatório para se fortalecer politicamente. Mas a oposição também se fortaleceu.
Agora é hora de negociar. É essa a capacidade que mais tem feito falta até agora a Morales como líder democraticamente eleito e agora reeleito pela ampla maioria dos bolivianos.
Assinar:
Postagens (Atom)