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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Militares da Bolívia marcham contra baixos salários

Numa onda de transportes sem precedentes, militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea da Bolívia protestaram hoje pelo terceiro dia consecutivo nas ruas de La Paz exigindo aumentos salariais e benefícios sociais. O movimento ainda é pequeno, mas revela desunião e insatisfação nas Forças Armadas seis meses antes da eleição presidencial de outubro de 2014.

Várias centenas de militares fizeram as primeiras marchas no dia 22 de abril em La Paz e Santa Cruz de la Sierra, e grupos menores nos departamentos (equivalentes aos estados no Brasil) de Beni, Chuquisaca, Potosí, Oruro e Tarija.

Os manifestantes exigem a reabilitação de quatro oficiais removidos de seus postos há três por liderar o movimento por salários maiores e melhoria nas condições de habitação, assistência médica, além de oportunidades para estudar e ascender dentro da carreira militar. Também querem uma lei para proibir a discriminação racial nas Forças Armadas da Bolívia.

A Bolívia tem uma história trágica marcada por 192 tentativas de golpe de Estado. Depois do sangrento golpe de 1982, naquele mesmo ano, com a redemocratização do país, foi eleito Hernán Siles Suazo, que não conseguiu completar o mandato por causa da quarta maior hiperinflação da história, de 27.000% ao ano.

No início do século 21, o esgotamento das políticas econômicas liberais usadas para controlar a inflação, que não produziram o desenvolvimento social prometido, levaram a uma onda de manifestações de protesto e à queda, em 2003, do presidente Gonzalo Sánchez de Losada, acusado de fazer um acordo com o Chile para vender gás boliviano para os Estados Unidos. O Chile é o inimigo histórico que tomou a saída da Bolívia para o mar, na Guerra do Pacífico (1879-83).

Desde então, o país viveu uma era de instabilidade até a eleição, em dezembro de 2005, de Evo Morales, o primeiro indígena a governar um país da América Latina desde Benito Juárez, no México (1858-64).

Aliado do então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Morales estatizou o petróleo e o gás natural bolivianos, chegando a ocupar militarmente instalações da Petrobrás para isso, sem maior reação do governo brasileiro. Sem a riqueza do petróleo da Venezuela, Evo faz uma política econômica austera para manter o equilíbrio das contas públicas. Os militares estão cobrando sua parte.

Diante da repressão ao movimento, os manifestantes exigem a demissão do ministro da Defesa e dos comandantes das três armadas e a abertura de uma negociação direta com o presidente. Não há nenhum sinal de ameaça imediata a Morales, mas ele terá de dar uma resposta antes da eleição de outubro, quando será candidato à reeleição. Até agora, o governo se nega a iniciar um diálogo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Oposição convoca greve contra Morales

Cinco governadores de oposição - de Santa Cruz, Rubén Costas; de Chuquisaca, Savina Cuéllar; de Tarija, Mario Cossío; de Beni, Ernesto Suárez; e de Pando, Leopoldo Fernández - convocaram para terça-feira uma greve geral de protesto contra o governo central do presidente Evo Morales.

A oposição exige o reinício do repasse do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos. Diante do conflito com os governadores que quatro províncias que lutam por autonomia em relação a La Paz, Morales desviou o dinheiro para financiar um abono para aposentados.

Em comunicado conjunto, os governadores advertiram que, "enquanto continue o confisco do IDH, a presença de autoridades nacionais em nossas regiões será considerada non grata".

domingo, 16 de dezembro de 2007

Departamentos proclamam autonomia na Bolívia

Quatro departamentos da Bolívia (Beni, Pando, Santa Cruz de la Sierra e Tarija) declararam-se autônomos em relação ao governo central do presidente Evo Morales, aumentando a tensão no país mais pobre da América do Sul. Outros dois dos nove departamentos bolivianos, Chuquisaca e Cochabamba, devem seguir o exemplo.

Os departamentos ricos rejeitam a reolução indígena liderada pelo presidente Evo Morales e exigem autonomia como têm a Catalunha, a Galícia e o País Basco, na Espanha.