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sábado, 23 de janeiro de 2021

Rússia detém 5 mil em protesto contra prisão do líder da oposição

 Dezenas de milhares de manifestantes protestaram hoje em 114 cidades da Rússia contra a prisão do líder da oposição, Alexei Navalny, detido no aeroporto em 17 de janeiro quando chegava da Alemanha, onde se tratou depois de uma tentativa de assassinato atribuída à ditadura de Vladimir Putin. Mais de 5 mil manifestantes foram presos, inclusive a advogada de Navalny.

Navalny é o nome que faz Putin tremer. Em pleno inverno russo, de Kaliningrado, no Ocidente, a Vladivostok, no Oceano Pacífico, os manifestas enfrentaram temperatura de até 53 graus negativos em Irkutsk, para exigir a libertação do líder oposicionista. Na capital, foi a mais importante manifestação não autorizada em 20 anos.

Além de gritos pela libertação de Navalny, os manifestantes gritavam "Putin ladrão" numa referência ao filme Um Palácio para Putin, assistido por 71 milhões de pessoas nesta semana. O documentário revela a construção de um palácio presidencial secreto à margem do Mar Negro financiado por "amigos" do presidente.

Em 20 de agosto de 2020, Navalny passou mal num voo quando ia de Tomsk, na Sibéria, para Moscou. Foi salvo por um pouso de emergência em Omsk. Sob pressão internacional, o governo russo autorizou a remoção para a Alemanha, onde os médicos identificaram o agente nervoso Novichok como responsável pelo envenenamento.

Apesar da ameaça de morte, Navalny, um advogado e blogueiro anticorrupção, decidiu voltar à Rússia, onde chegou seis dias atrás. uma arma química desenvolvida na antiga União Soviética. Em 2018, ele foi impedido de se candidatar à Presidência por processos forjados pelo Kremlin.

Ao voltar ao país, foi detido por não ter se apresentado à polícia, condição imposta pela Justiça de Putin. Quando ele foi envenenado, a União Europeia protestou, mas o então presidente americano Donald Trump, apoiado pelo ditador russo, que ajudou em sua eleição em 2016, ficou em silêncio. 

Desta vez, foi diferente:"Os Estados Unidos condenam fortemente o uso de táticas agressivas contra manifestantes e jornalistas neste fim de semana", declarou o governo Joe Biden. "O direito dos russos de associação pacífica e de participar de eleições livres e justas está consagrado não apenas na Constituição do país mas também no compromisso da Rússia com a OSCE (Organização sobre Segurança e Cooperação na Europa), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

"Apelamos às autoridades da Rússia para libertar todos os detidos por exercer seus direitos universais e pela libertação imediata e incondicional de Alexei Navalny. Exigimos que a Rússia coopere com as investigações internacionais sobre o envenenamento e uma explicação sobre o uso de uma arma química em seu território", acrescenta a nota dos EUA.

Se não houver novas sanções à Rússia, Putin não vai hesitar em continuar abusando do poder. No ano passado, o Parlamento da Rússia aprovou uma reforma constitucional feita sob medida pelo ditador. Pela nova legislação, Putin pode reinar no Kremlin até 2036.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

França recua na lei que proibiria filmar ações policiais

Foi mais uma vitória da democracia, depois das manifestações de protesto contra o racismo e a violência policial no mundo inteiro e das derrotas do presidente Donald Trump e dos candidatos apoiados pelo governo Jair Bolsonaro nas eleições municipais no Brasil. Sob pressão das ruas, o governo Emmanuel Macron decidiu "reescrever completamente" o artigo 24 do projeto da Lei de Segurança Global, que proibia a divulgação de imagens de ações policiais.

Nos Estados Unidos, as gravações, especialmente com telefone celular, têm sido fundamentais para denunciar abusos e assassinatos cometidos pela polícia. Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

França protesta contra terrorista após degola de professor que usou charges de Maomé

 Curso sobre liberdade de expressão e Estado laico deflagrou crime hediondo

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Paris e de outras cidades da França neste domingo em defesa da liberdade de expressão e para homenagear o professor Samuel Paty, degolado a 300 metros da escola em Conflans-Sainte-Honorine, nos arredores da capital, na sexta-feira por Abdouallakh Abouyezidvitch Anzorov, um refugiado russo de origem chechena de 18 anos, por discutir em sala de aula as charges do profeta Maomé.

O assassino não estava na lista de 10 mil suspeitos de extremismo no país e foi morto pela polícia com nove tiros. Ele pagou centenas de euros a alunos para identificar o professor e descobrir seus horários de trabalho. Publicou na Internet uma foto da cabeça cortada e uma ameaça ao presidente Emmanuel Macron: "Em nome de Alá, o todo misericordioso, muito misericordioso, para Macron, o dirigente dos infiéis, matei um dos cães do inferno que ousaram rebaixar Maomé."

Leia mais em Quarentena News.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Hong Kong faz maior manifestação em meses

Centenas de milhares de pessoas marcharam pacificamente neste domingo pelas ruas do centro de Hong Kong. Foi o segundo maior protesto dos últimos seis meses e a a primeira manifestação autorizada pela polícia no centro da cidade desde meados de agosto.

A onda de protestos começou em 9 de junho contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes no território para responder a processos criminais na República Popular da China, onde a Justiça não é independente, está subordinada ao regime comunista.

Apesar do recuo da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, as manifestações cresceram e passaram a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo de Hong Kong, o parlamento do território, que é uma região administrativa especial dentro da China.

Na maior manifestação, 2 milhões de pessoas saíram às ruas de Hong Kong. Houve uma série de confrontos violentos e pedidos da linha dura do Partido Comunista de uma repressão maior. A esmagadora vitória dos partidos que não apoiam a interferência de Beijim no território nas eleições locais confirmou o apoio popular ao movimento pela liberdade e a democracia.

Hoje os organizadores falaram em 800 mil pessoas. Seria a segunda maior de 900 manifestações realizadas desde junho. A estimativa da polícia ficou em menos de 200 mil. Pelo menos 11 pessoas foram presas. A polícia anunciou a apreensão de "grande quantidade de armas", inclusive uma pistola e 100 balas. Desde o início dos protestos, cerca de 6 mil pessoas foram presas.

O protesto de massa é um desafio ao ditador chinês, Xi Jinping, que "indicou decididamente que não haverá qualquer liberdade política, ao contrário", comentou o cientista político Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong. "O cenário para a confrontação está armado."

Quando o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997, havia o compromisso de manter as liberdades democráticas no território por 50 anos, dentro da fórmula um país dois sistemas, formulada pelo líder Deng Xiaoping pensando também na reintegração de Taiwan.

Se o regime comunista chinês reprimir com violência o movimento pela democracia em Hong Kong, estará não só comprometendo a autonomia do território, um dos principais centros financeiros da Ásia. Será o fracasso da fórmula um país, dois sistemas. A reunificação com Taiwan fica ainda mais difícil.

domingo, 24 de novembro de 2019

Candidatos pró-democracia obtêm ampla vitória em Hong Kong

Os candidatos a favor da democracia conquistaram ampla maioria nas eleições distritais em Hong Kong realizadas neste domingo. Antes do final da apuração, tinham 283 cadeiras contra 42 para candidatos apoiados pelo regime comunista da China, de um total de 452 cadeiras em disputa por 1.104 candidatos. Vão controlar 12 das 18 câmaras distritais do território.

As câmaras distritais tratam de questões locais, como poluição sonora e horário de funcionamento de bares e restaurantes. Mesmo assim, este resultado é interpretado como apoio às manifestações de protestos contra a crescente interferência de Beijim no território. que na prática paralisam Hong Kong desde 9 de junho.

Mais de 2,9 milhões de pessoas votaram. O comparecimento às urnas, de 71,2%, foi recorde para todas as eleições em todo o território.

As eleições distritais são as mais democráticas de Hong Kong, um território considerado uma zona administrativa especial dentro da República Popular da China. No Conselho Legislativa, o parlamento de Hong Kong, metade dos deputados são eleitos pelo voto popular e os outros indicados por grupos de interesse, especialmente empresário. O governador é escolhido por uma assembleia de 1,2 mil pessoas, a maioria leal ao regime comunista chinês.

Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental. Logo, cresceram e os manifestantes passaram a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo.

A governadora Carrie Lam, acusada pelos manifestantes por causa da violência policial, ofereceu sua renúncia, mas o governo chinês não aceitou. Entende que a concessão seria uma vitória dos manifestantes. Com mais de 80% de rejeição, Carrie Lam é a governante mais impopular da história de Hong Kong.

sábado, 16 de novembro de 2019

Comissão Interamericana de Direitos Humanos adverte militares da Bolívia

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) alertou o governo interino da Bolívia de que o Decreto Supremo 4.078, que exime de responsabilidade penal os militares que participam da repressão às manifestações de protesto, viola os padrões internacionais de proteção aos direitos humanos, noticiou o jornal boliviano Página Siete.

"O pessoal das Forças Armadas que participar de operações para o restabelecimento da ordem interna e a estabilidade pública está isento de responsabilidade penal quando, no cumprimento de suas funções constitucionais, atue em legitima defesa ou estado de necessidade e proporcionalmente", diz o decreto.

A CIDH também condenou "o uso desproporcional da força policial e militar" e recomendou que "as armas de fogo devem ser eliminadas das operações de controle dos protestos sociais."

O ministro da Defesa, Fernando López, reconheceu que o documento existe: "Tivemos indícios muito sérios de estrangeiros armados no país. E há grupos armados com armas de grosso calibre. Então, isso geraria ações que nos permitam cumprir nossa missão, nada mais." Não apresentou provas de suas alegações.

López acrescentou que o objetivo do governo é "caminhar em direção ao diálogo, à paz e à fé em Deus." O fundamentalismo cristão faz parte de ideologia dos grupos de extrema direita responsáveis por atos de violência antes da renúncia do presidente Evo Morales, no domingo passado.

Embora a Bolívia seja oficialmente um país laico, a vice-presidente do Senado, Jeanine Ánez, levou uma Bíblia e um crucifixo para a cerimônia em que tomou posse como presidente interina do país, depois da renúncia do presidente, do vice, e dos presidentes e vice-presidentes da Câmara e do Senado, todos membros do Movimento ao Socialismo (MaS), partido de Morales.

Esta manobra acabou entregando o poder não ao ex-presidente Carlos Mesa, que seria favorito no segundo turno, mas ao setor mais radical da oposição, branco, racista e fundamentalista cristão. Áñez
nega ter qualquer antepassado indígena. Ela afirma ter 100% de origem europeia. Suas feições sugerem o contrário.

A Bolívia enfrenta sua pior crise política em 14 anos desde que a oposição rejeitou, em 21 de outubro, a proclamação da vitória de Morales no primeiro turno da eleição presidencial do dia anterior. A apuração foi interrompida duas vezes quando tudo indicava que haveria um segundo turno entre Morales e Mesa.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tinha a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não poderia concorrer a um terceiro mandato, mas alegou, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perdeu um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorreu ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales fraudou a eleição e gritou golpe quando a população revoltada saiu às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceitou uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A missão da OEA suspeitou desde a mudança abrupta no resultado depois das interrupções na apuração. A auditoria revelou que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceitou, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomendou a OEA. A oposição exigiu que ele não se candidatasse à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugeriram a renúncia do presidente.

Tecnicamente, foi um golpe de Estado. Na realidade, foi um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e roubar a eleição.

A renúncia coletiva foi o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixou o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fugiu para o exílio no México.

Com dois terços das cadeiras na Assembleia Legislativa Plurinacional, o Congresso boliviano, o MaS é fundamental para dar quórum a qualquer decisão legislativa. Enquanto deputados e senadores do partido querem voltar ao trabalho e preparar o MaS para a próxima eleição presidencial, do exterior, Morales fomenta os protestos.

Seus partidários indígenas, como os conhecidos ponchos vermelhos, estão nas ruas exigindo a volta do seu líder. Não reconhecem a presidente interina, enquanto Morales declara na Cidade do México que é o presidente da Bolívia enquanto a Assembleia Legislativa não aceitar oficialmente a carta de renúncia.

A repressão às marchas indígenas se tornou mais violenta. Antes da renúncia, parte da Polícia e o Exército se negaram a atacar os manifestantes que protestavam contra a fraude eleitoral. O total de mortos desde o início dos protestos chegou a 23, com mais de 700. Só ontem, houve nove mortes.

Do exílio, Morales culpa o governo provisório, formado pela oposição mais linha-dura. Mas é o principal responsável pelo que está acontecendo hoje na Bolívia.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Greve para Hong Kong em protesto contra a interferência da China

Depois do nono fim de semana seguido de manifestações, cerca de 500 mil pessoas de 20 setores da economia aderiram à greve geral convocada para hoje em Hong Kong em protesto contra a interferência crescente do regime comunista chinês na administração do território, considerado uma região administrativa especial dentro da República Popular da China.

Durante a manhã desta segunda-feira, cerca de 230 voos foram cancelados. Com a paralisação dos controladores de voo, uma pista do aeroporto internacional de Hong Kong está fechada até 6h de terça-feira pela horal local (19h de hoje em Brasília). Só 34 voos foram autorizados a decolar, a metade do normal, informou o jornal local South China Morning Post.

As companhias aéreas de Hong Kong (Cathay Pacific, Cathay Dragon, HK Express e Hong Kong Airlines) aconselham os passageiros a se certificar de que seus voos estão confirmados antes de se dirigir ao aeroporto.

Os militantes entraram nas estações de metrô e tentaram impedir o fechamento das portas dos vagões para parar os trens.

Esta é a crise mais greve desde que o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997. Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental.

Agora, os manifestantes também exigem a renúncia da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, e eleições diretas para governador e para o Conselho de Legislativo, o parlamento de Hong Kong. É praticamente impossível que o regime comunista aceite tais demandas. Seria um avanço rumo a uma democracia que não interessa à ditadura militar de Beijim e um sinal para a China, onde não existem liberdade de expressão e de manifestação.

No sábado, houve mais confrontos violentos quando a polícia reprimiu a manifestação popular. Pelo menos 44 pessoas foram presas. Os moradores de Hong Kong travam um duelo com o governo central da China capaz de provocar uma repressão violenta.

A ditadura comunista chinesa não costuma ceder diante de manifestações pela democracia. Hong Kong não quer abrir mão das liberdades democráticas conquistadas como colônia britânica. A China prometeu manter a situação no território durante 50 anos dentro do esquema "um país, dois sistemas", também criado tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Beijim considera uma província rebelde.

Se usar a violência e o Exército Popular de Libertação para reprimir os protestos, como pede a linha dura comunista, a China compromete o prestígio de Hong Kong como centro financeiro internacional, muito importante para canalizar dinheiro para o extraordinário desenvolvimento econômico chinês das últimas. E envia um sinal errado para Taiwan.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Violência tira sindicatos da rua no 1º de Maio em Paris

Os coletes amarelos e os black blocs sequestraram as manifestações do Dia do Trabalho em Paris. Cerca de 165 mil pessoas se manifestaram em toda a França e 40 mil na capital. Houve confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogênio para conter os protestos violentos. Representantes sindicais disseram nunca ter visto nada parecido, "nem em maio de 1968".

Sob pressão dos novos militantes e dos anticapitalistas violentos, as centrais sindicais de dividiram. As mais moderadas se concentraram diante do cine-teatro Odeon, o "teatro da Europa", para defender "uma Europa social e ambiental" ameaçada pelos "populismos que ganham terreno", reportou o jornal Le Monde.

O movimento sindical mais à esquerda, inclusive a Confederação Geral do Trabalho (CGT), historicamente ligada ao Partido Comunista Francês (PCF), e a Força Operária (FO), de orientação trotskista, se concentraram diante da Torre de Montparnasse para "ampliar a batalha para que as urgências climáticas e sociais sejam levadas em conta pelo governo e o patronato".

A passeata da esquerda sindical sairia às 14h30 pela hora de Paris (9h30 em Brasília) em direção à Praça da Itália. Mas os coletes amarelos estavam decididos a assumir o protagonismo da manifestação. Perto do meio-dia, contrariando os sindicalistas, o cortejo começou a se mover lentamente.

Alguns coletes amarelos, que protestam todos sábado há 24 semanas e exigem a renúncia do presidente Emmanuel Macron, falavam que "é a guerra, o pessoal lá está em modo de comando" e "estamos aqui pela revolução".

Esta federação de descontentes, de insatisfeitos com as promessas feitas por Macron em entrevista coletiva em 25 de abril, reúne coletes amarelos, sindicalistas, estudantes, ecologistas e radicais de esquerda que se definem como antifascistas, anarquistas ou autonomistas.

Quando os black blocs emergiram do meio da multidão, as forças de segurança estavam prontas para enfrentá-los. Não eram 2 mil vindos de toda a Europa, como temia o Ministério do Interior; no máximo, uns 500.

Mesmo assim, no início da noite, a polícia havia feito 19.785 ações de controle. A passeata principal, rumo à Praça da Itália, estancou diante do Restaurante La Coupole, no Boulevard Montparnasse 102. A avenida foi fechada por uma barreira de policiais.

Aos gritos de "revolução", cerca de 150 militantes faziam ataques esporádicos, atirando garrafas contra a barreira policial. Quando os black blocs passaram a quebrar vitrines e saquear lojas, a polícia avançou.

A multidão recuou em pânico, em meio a uma nuvem irrespirável de gás lacrimogênio, explosão de granadas de efeito moral e tiros de balas de borracha. Do alto de um carro de som, um ativista da CGT pedia à massa que recuasse.

Depois de meia hora de conflito, a polícia reassumiu o controle da brasserie chic e se colocou diante da fachada para proteger o restaurante. Um sindicalista irritado protestava contra a violência: "Que vão quebrar lá onde está o dinheiro ou no Palácio do Eliseu, mas que nos deixem desfilar."

O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, acusou a polícia de atacar os caminhões da central sindical e festejou a mobilização e o número de manifestantes. Alguns militantes de esquerda aplaudiram a violência em nome do combate "de todos os que sofrem". "A violência das manifestações é uma resposta à violência social."

Por volta das 16h, a polícia havia refeito sua barreira perto da Praça da Itália. A multidão recuou e se dispersou no Boulevard do Hospital, onde fica o Hospital Universitário Pitié-Salpêtrière. No fim deste Dia do Trabalho, como observou o jornal Libération, a Praça da Itália estava deserta, com colunas de fumaça ao fundo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

França cede à pressão das ruas e suspende aumento dos combustíveis

Depois de manifestações violentas e da recusa do movimento dos coletes amarelos de dialogar, o primeiro-ministro da França, Edouard Philippe, suspendeu hoje por seis meses o aumento do imposto sobre combustíveis que entraria em vigor em 1º de janeiro.

De 15 de janeiro a 1º de março, o governo pretende realizar "um grande debate sobre impostos e despesas públicas" para "encontrar soluções concretas". Também prometeu evitar reajustes nos preços da eletricidade até maio de 2019, noticiou o Journal de Dimanche.

Philippe lamentou "a cólera profunda que vem de longe" e admitiu que este é um momento decisivo do governo do presidente Emmanuel Macron.

domingo, 8 de outubro de 2017

Cerca de 350 mil marcham em Barcelona pela unidade da Espanha

Pelo menos 350 mil pessoas se manifestaram hoje nas ruas de Barcelona para defender a unidade da Espanha contra a independência da Catalunha, estimou a Guarda Urbana. Pelos cálculos da Sociedade Civil Catalã, entidade que convocou o protesto, foram 950 mil, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

A marcha começou por volta do meio-dia (7h em Brasília) aos gritos de "Viva Espanha e viva Catalunha!" e "Não somos fachas [fascistas], somos espanhóis!"

No fim do percurso, houve um comício com a participação do escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Ele foi candidato liberal à Presidência do Peru, derrotado por Alberto Fujimori no segundo turno, em 1990. Hoje, Fujimori está preso e condenado por corrupção e violação dos direitos humanos. Vargas Llosa virou um paladino em defesa da democracia liberal.

"Nenhuma conspiração independentista destruirá a democracia", bradou Vargas Llosa do alto do palanque, num discurso publicado na íntegra pelo jornal espanhol El País. O ex-presidente do Parlamento Europeu Josep Borrell, do Partido Socialista da Catalunha (PSC), defendeu a unidade da Espanha e os ideais da integração da Europa.

Borrell foi a exceção entre os socialistas. Nem o Podemos nem o PS participaram da marcha, que teve o apoio explícito do Partido Popular, do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, e do Cidadãos, liberal de centro-direita.

Depois do plebiscito do domingo passado, duramente reprimido pelo governo central espanhol, o governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, prometeu apresentar nesta terça-feira os resultados oficiais ao Parlamento, que  então proclamaria a independência.

Em resposta, o governo central de Madri pode revogar a autonomia da Catalunha, aplicando o artigo 155 da Constituição da Espanha.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Franco-atiradores de Maduro matam mais duas pessoas na Venezuela

Mais duas pessoas foram mortas hoje na Venezuela, elevando para pelo menos 41 o total de mortos desde o início de uma onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro no início do mês passado. Dois jovens manifestantes do estado de Táchira foram atingidos por atiradores leais ao regime chavista.

Luis Alvarez, de 17 anos, foi baleado e morte quando participava de manifestação em Palmira, no município de Guássimo, em Táchira. Diego Hernández, de 32 anos, foi atingido no peito no município de Capacho Nuevo.

A Venezuela se orgulha de possuir as maiores reservas mundiais de petróleo. No momento, vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 20% do produto interno bruto nos últimos dois anos e inflação de 720% ao ano em 2016.

Desde que o Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, tentou cassar os poderes da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, os manifestantes saíram às ruas para exigir o fim do regime e a convocação de eleições diretas para tirar o país da crise.

Em resposta, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte a ser formada por representantes de entidades pelegas fiéis ao chavismo. A oposição rejeitou a medida e tenta forçar o regime a ceder com manifestações de protesto diárias. Várias tentativas de mediação, inclusive do Vaticano, fracassaram.

Além da Guarda Nacional Bolivarista, milícias chavistas conhecidas como coletivos reprimem os protestos. Os milicianos são responsáveis pela maioria das mortes. Acuado, Maduro ameaça armar mais 500 mil pessoas. As Forças Armadas não devem aceitar. Seria um desafio a seu poder. Hoje os militares são o principal sustentáculo do regime chavista.

Hugo Chávez era coronel do Exército quando tentou dar o golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992. Sua revolução bolivarista sempre teve uma inspiração militar. Chávez perdeu militarmente em 1992 e no golpe contra ele, em 2002, mas venceu politicamente. Seu governo tinha menos de 300 militares nomeados para cargos políticos.

Enfraquecido e sem o carisma do caudilho, que morreu em 5 de março de 2013, seu herdeiro Maduro praticamente entregou o poder às Forças Armadas nomeando mais de 900 militares para cargos político-administrativos.

O homem-forte do regime hoje é o general Vladimir Padrino López, chefe do Estado-Maior do Exército sob Chávez e atual ministro da Defesa e comandante estratégico e operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivaristas. Este último cargo foi criado sob medida por Maduro.

sábado, 1 de abril de 2017

Líder da Juventude Liberal é morto pela polícia no Paraguai

O líder do setor jovem do Partido Liberal Radical Autêntico no distrito de La Colmena, Rodrigo Quintana, foi baleado e morto com um tiro na cabeça durante as manifestações de protesto contra a aprovação da reeleição presidencial pelo Senado do Paraguai. O jornal local ABC Color atribuiu o disparo à polícia.

Quintana, de 25 anos, foi atingido quando a polícia tentava invadir a sede do partido oposicionista em Assunção, a capital paraguaia, depois de manifestantes atacarem o Congresso e tocarem fogo em escritórios de parlamentares. Durante os protestos, a Ponte Internacional da Amizade, que liga Cidade do Leste e Foz do Iguaçu, no Brasil, foi fechada durante cinco horas.

Em nota oficial, o presidente Horacio Cartes responsabilizou a oposição e a mídia pela violência, acusando-as de tentar "destruir a democracia e a estabilidade política e econômica do país", e pediu calma à população. Mas o Agrupamento Montado da Polícia Nacional atacou o jornal ABC Color com tiros de balas de borracha e feriu dois funcionários. O jornal abriu sua redação para a mídia estrangeira reportar o conflito.

A emenda constitucional deve agora ser examinada pela Câmara dos Deputados, mas a sessão de hoje foi adiada. Os principais interessados são Cartes, o homem mais rico do país, e o ex-presidente Fernando Lugo, afastado em 2012 por um impeachment relâmpago, sem o menor direito de defesa.

Como o ditador Alfredo Stroessner foi eleito em 1954 e só deixou o poder em 1989, num golpe de Estado liderado por um de seus principais assessores, a Constituição do Paraguai proíbe a reeleição.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Líder da oposição na Rússia é condenado a 15 dias de prisão

Apesar dos protestos internacionais, a Rússia condenou hoje o líder da oposição, Alexei Navalny, a 15 dias de prisão por liderar uma manifestação não autorizada ontem em Moscou e outras cidades russas para denunciar a corrupção governamental e pedir a demissão do primeiro-ministro Dimitri Medvedev.

Mais de mil pessoas foram presas em toda a Rússia, a maioria em Moscou, onde Navalny liderava uma marcha para Rua Tverskaya quando a polícia atacou os manifestantes e prendeu seu líder. Ele é o principal adversário em potencial do presidente Vladimir Putin, candidato à reeleição em 2018.

As manifestações de ontem foram as maiores desde o início de 2012, quando a oposição russa protestava contra fraude nas eleições parlamentares. Desde então, Putin trava uma guerra ideológica contra o Ocidente, tentando desmoralizar a democracia liberal e quem a apoia na Rússia.

No mês passado, Navalny foi condenado por desvio de fundos. É suficiente para torná-lo inelegível.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Dezenas de pessoas morrem em protestos no Congo

Dezenas de civis foram mortos em dois de choques com as forças de segurança durante protestos contra o ditador Joseph Kabila na República Democrática do Congo, noticiou a agência Reuters citando dados da organização não governamental Human Rights Watch.

O Ministério da Informação admite 17 mortes, enquanto as oposições falam em mais de 50 pessoas. Imagens divulgadas na Internet mostraram a polícia atirando nos manifestantes e corpos estendidos no chão.

As manifestações protestam contra o adiamento das eleições previstas para novembro por suposta falta de dinheiro e um sistema de alistamento de eleitores. O segundo mandato de Joseph Kabila termina no fim deste ano, mas o Supremo Tribunal o autorizou a ficar no poder enquanto não houver uma eleição presidencial.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Economia da França estagnou no segundo trimestre

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, ficou estagnada no segundo trimestre de 2016, noticiou hoje o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) Ministério das Finanças, reconhecendo que o desempenho foi "decepcionante". A expectativa era de um crescimento de 0,3%.

No discurso oficial do governo, esse resultado "não coloca em dúvida a previsão de crescimento de 1,5% em 2016. Em nota, o Ministério das Finanças afirmou que "a economia francesa continua numa dinâmica de recuperação.

O crescimento do primeiro trimestre foi revisado para cima, de 0,6% para 0,7%. Pelos cálculos do Instituto de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Insee), mesmo que a economia fique estagnada no segundo semestre, a França cresce 1,1% em 2016.

A principal causa da queda do crescimento foi a estagnação do consumo doméstico e da redução dos gastos com hotéis e restaurantes. Outro fator foi o movimento sindical de protesto contra a reforma na lei trabalhista, especialmente nas refinarias de petróleo e no setor de transportes, com impacto geral sobre a economia.

Depois de uma alta de 0,3% no primeiro trimestre, a construção civil caiu 0,6%. O investimento recuou 0,4% no segundo trimestre depois de subir 1,3% no primeiro. Só o comércio exterior, com queda nas importações de produtos manufaturados e de petróleo, contribuiu positivamente para o produto interno bruto, com avanço de 0,3%.

No segundo semestre, além da ameaça renovada de terrorismo, há as incertezas relativas à saída da União Europeia (UE).

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Protesto contra presidente do Congo tem dois mortos

A polícia da República Democrática do Congo entrou em choque hoje na capital, Kinshasa, e na cidade de Goma, no Leste do país, onde a polícia usou gás lacrimogênio, uma policial apedrejada e um manifestante morreram. 

Os manifestantes protestavam contra a intenção do presidente Joseph Kabila de continuar no poder depois do fim de seu segundo mandato, em dezembro de 2016, noticiou a televisão pública britânica BBC. 

Kabila apela para todos os meios para ficar no cargo. Tenta aprovar uma reforma constitucional para acabar com os limites à reeleição presidencial. Neste mês, obteve uma decisão favorável do Supremo Tribunal do Congo para continuar governando se não houver eleições.

Para colaborar com suas intenções, a Comissão Nacional Eleitoral divulgou estudo sobre os problemas logísticos e orçamentários para organizar as eleições previstas para novembro de 2016.

Joseph Kabila herdou o poder de seu pai, Laurent Kabila, um veterano guerrilheiro que lutou ao lado de Ernesto Che Guevara no Congo nos anos 1960s.

Em 1997, depois de ficar 30 anos refugiado nas Montanhas da Lua, no Centro da África, Laurent Kabila marchou sobre Kinshasa e derrubou o ditador Joseph Mobutu, envolvido no assassinato em 1961 do líder da independência do Congo, Patrice Lumumba, um dos grandes heróis da luta anticolonialista no continente.

Mobutu estava no poder desde 1965 e tinha mudado o nome do país para Zaire. Kabila restaurou o antigo nome acrescentando a expressão "república democrática", usada pelos regimes comunistas durante a Guerra Fria.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Primeiro-ministro da Islândia cai por causa dos Papéis do Panamá

Sob intensa pressão das ruas, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davío Gunnlaugsson, pediu demissão hoje depois que o vazamento dos Papéis do Panamá revelou que ele e a mulher tinham ume empresa de fachada criada pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca.

No maior vazamento de dados da história do jornalismo, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e 109 meios de comunicação de vários países tiveram acesso a 11,5 milhões de documentos comprovando que desde 1977, a Mossack Fonseca criou 214 mil empresas offshore para clientes de 200 países e territórios, inclusive 12 ex-chefes de Estado ou de governo e outros 128 políticos e altos funcionários públicos.

O primeiro-ministro da Islândia é o primeiro a cair no escândalo financeiro. A Islândia e os três maiores bancos do país foram à falência na Grande Recessão.

Gunnlaugsson é acusado de omitir que ele e a mulher tinham uma empresa offshore quando foi eleito em 2009, pouco depois da Islândia quebrar em consequência da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.

Enquanto ele negociava as dívidas dos credores dos bancos falidos, sua companhia tinha direito a somas vultosas dessas dívidas, caracterizando um conflito de interesses.

Na segunda-feira, milhares de pessoas se concentraram diante do Parlamento da Islândia, em Reikjavik, para exigir sua queda. A oposição apresentou uma moção de desconfiança que seria votada na quinta-feira.

Em reunião com o presidente, o primeiro-ministro propôs a convocação de eleições antecipadas, mas foi pressionado a renunciar à chefia do governo.

A criação de empresas offshores é normalmente usada para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio adquirido com dinheiro de negócios ilícitos, mas não é ilegal, desde que declarada às autoridades do imposto de renda.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Moçambique expulsa espanhola que defendia minissaia nas escolas

Em nome dos "bons costumes", o Serviço Nacional de Migração de Moçambique deportou há dois dias a espanhola Eva Anadon Moreno por ter participado de uma manifestação de protesto na capital, Maputo, contra a proibição do uso de minissaias nas escolas.

A manifestação foi convocada por organizações da sociedade civil em protesto contra a exigência de uso de saias abaixo do joelho em escolas primárias e secundárias.

Pela nota oficial do governo, "a cidadã dirigia um grupo de crianças vestidas de uniforme escolar e empunhando dísticos com dizeres ofensivos aos bons costumes da República de Moçambique, violando de forma clara e manifesta a Lei 5/93, que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiros e fixa as respectivas normas de entrada, permanência e saída do país."

Numa contradição com sua própria narrativa, o governo afirma que a manifestação convocada para 28 de março "não chegou a ocorrer pelo fato de ter sido inviabilizada pela polícia da República de Moçambique por se tratar de uma marcha ilegal."

Desde a independência de Portugal, em 1975, o mesmo partido, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) governa o país do Sul da África. Isso levou a uma guerra civil com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que acabou oficialmente em 1992, mas de tempo em tempo ainda há escaramuças no interior do país.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os Desobedientes rejeitam proibição de protestar em Paris

O coletivo Os Desobedientes recusa-se a aceitar a proibição imposta ontem de toda e qualquer manifestação pública durante o estado de emergência decretado pelo presidente François Hollande para combater a onda terrorista na França, noticia o jornal francês Libération.

A Coalizão Clima 21, formada por mais de 130 organizações não governamentais planejava protestar durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CoP-21), a ser realizada em Paris de 29 de novembro a 12 de dezembro de 2015. Os grupos mais radicais se negam a aceitar a decisão do governo francês de proibir todos os atos públicos.

"Nós recusamos a estratégia de choque que consiste em usar os atentados trágicos para restringir as liberdades públicas. Nós convocamos a recusar a suspensão do Estado de Direito que constitui o estado de emergência e a ir se manifestar na Praça da República ao meio-dia de 29 de novembro pela justiça climática, a transição ecológica e alternativas ao capitalismo", declararam em nota Os Desobedientes.

O apelo é para que todos protestem "com calma, sem ódio nem violência". O coletivo admite correr perigo, mas alega que "o risco maior é não se manifestar: quantas secas, inundações, fomes, guerras, quantos milhões de vítimas podemos evitar se afirmarmos a voz dos cidadãos do mundo inteiro?"

No momento, por imposição dos Estados Unidos, a CoP-21 não deve aprovar um tratado de cumprimento obrigatório para que os países controlem e reduzam as emissões de gases carbônicos, que agravam o efeito estufa provocando o aquecimento global.

domingo, 27 de setembro de 2015

Partidos pró-Rússia protestam contra governo da Moldova

Cerca de 20 mil pessoas protestaram hoje contra o governo da ex-republica soviética da Moldova diante da sede do Parlamento, em Chisinau, a capital do país, informou a agência Associated Press (AP). Dois partidos favoráveis a uma aliança com a Rússia organizaram o protesto.

Foi a primeira manifestação desde 6 de setembro, quando dezenas de milhares de oposicionistas protestaram contra o fracasso no combate à corrupção e na realização de reformas. A oposição pede a dissolução do governo e a convocação de eleições antecipadas.

A manifestação de hoje acontece dias depois que o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que não vai negociar um novo empréstimo para o governo moldavo pagar salários e pensões.

Embora não tenha fronteira com a Moldova, a Rússia tenta manter o controle sobre todas as ex-repúblicas soviéticas, o chamado exterior próximo, que considera parte de sua área de influência. A Moldova é étnica e linguisticamente romena e gostaria de aderir à União Europeia (UE).