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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Janeiro

 DIA DOS REIS MAGOS

    No século 4 depois de Cristo, os cristãos do Ocidente, que festejam o nascimento de Jesus desde 354, passam a comemorar nesta data a visita dos Reis Magos, enquanto os cristãos ortodoxos celebram o nascimento de Jesus, o batismo de Jesus por São João Batista e seu primeiro milagre.

A tradição nos países de língua espanhola é dar presentes no Dia dos Reis porque foram eles que levaram presentes ao Menino Jesus. O período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro é conhecido como os 12 dias do Natal. 

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

Samuel Finley Breese Morse nasce em  Charlestown em 27 de abril de 1791 numa família protestante puritana. Ele estuda na Academia Phillips e na Universidade de Yale. Torna-se pintor, físico e inventor. Desde os 14 anos, se interesse pela eletricidade. Fabrica o primeiro telégrafo em 1832.

Outra grande invenção é o Código Morse (1839), a linguagem do telégrafo, uma combinação de traços, pontos e pausas para transmitir mensagens telegráficas.

QUATRO LIBERDADES

    Em 1941, no Discurso sobre o Estado da União, antevendo a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt apresenta sua visão sobre os objetivos políticos e sociais do país ao falar em quatro liberdades: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de não passar necessidades e liberdade de viver sem medo.

Com a guerra na Europa, na África e na Europa, Roosevelt percebe que mais cedo ou mais tarde os EUA entrarão na guerra e prepara o povo norte-americano para romper a política de não intervencionismo. O discurso termina com uma promessa e aspiração: "Devemos ser o grande arsenal da democracia."

Os EUA entraram na guerra 11 meses depois, com o ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

As quatro liberdades estão implícitas na Carta das Nações Unidas, aprovada em 26 de junho de 1945 em São Francisco da Califórnia, a na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em Nova York em 10 de dezembro de 1948. Eleanor Roosevelt, a viúva de FDR, preside a comissão de redação.

ASSALTO AO CAPITÓLIO

    Em 2021, partidários do presidente Donald Trump invadem a sede do Congresso dos Estados Unidos para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não reconhece a derrota na eleição de 3 de novembro de 2020. Proclama sua própria vitória na noite da votação, quando o resultado ainda está indefinido, principalmente por causa do grande número de votos enviados pelo correio por causa da pandemia.

Biden vence com 81.283.501 votos (51,3%) contra 74.223.975 votos (46,8%) para Trump no voto popular e por 306 a 232 no Colégio Eleitoral.

A invasão do Congresso acontece pouco depois de um comício em que o presidente derrotado incita seus seguidores a marchar até o Capitólio para impedir o último ato para confirmar a vitória da oposição.

Durante 3 horas e 7 minutos, Trump assiste à insurreição pela TV antes de pedir a seus partidários que voltem para casa. Cinco pessoas morrem. Desde então, mais de 1.200 pessoas foram processadas e mais de 900 condenadas pelo ataque ao Congresso.

A comissão especial da Câmara dos Representantes que investiga a revolta dos trumpistas acusa o agora ex-presidente de quatro crimes:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

Como não tem poder para indiciar Trump, os deputados encaminharam o relatório ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação. 

O procurador especial Jack Smith denuncia Trump em 1º de agosto de 2023 com quatro acusações:

• conspiração para fraudar os EUA pelos esforços repetidos para divulgar falsas alegações de fraude na eleição presidencial de 2020 mesmo sabendo que não era verdade e por tentar ilegalmente anular votos legítimos com o objetivo de mudar o resultado da eleição;

• conspiração para obstruir um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021;

• obstrução e tentativa de obstruir um procedimento oficial depois da eleição de 3 de novembro 2020 até 7 de janeiro de 2021 para bloquear a certificação da vitória de Biden:

• e conspiração contra direitos por "oprimir, ameaçar e intimidar" o direito de voto do cidadão numa eleição.

Ao todo, Trump enfrenta 91 acusações em quatro processos criminais. É condenado pela Justiça de Nova York por 34 acusações de fraude e falsificação de documentos para encobrir um pagamento de US$ 130 mil para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, com que teve um caso. O juiz deve sentenciá-lo em 10 de janeiro de 2024. Como Trump é reeleito presidente, não corre risco de ser preso, mas deve ficar com a condenação.

Os dois processos movidos na Justiça Federal pelo procurador especial são arquivados, e a promotora do processo por tentar fraudar a eleição no estado da Geórgia é afastada do caso. Assim, a vitória nas urnas na prática garante a impunidade do único presidente dos EUA que não aceita a derrota e tenta dar um golpe para ficar no poder, e mesmo assim é reeleito.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 6 de Janeiro

 DIA DOS REIS MAGOS

    No século 4 depois de Cristo, os cristãos do Ocidente, que festejam o nascimento de Jesus desde 354, passam a comemorar nesta data a visita dos Reis Magos, enquanto os cristãos ortodoxos celebram o nascimento de Jesus, o batismo de Jesus por São João Batista e seu primeiro milagre.

A tradição nos países de língua espanhola é dar presentes no Dia dos Reis porque foram eles que levaram presentes ao Menino Jesus. O período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro é conhecido como os 12 dias do Natal. 

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

Samuel Finley Breese Morse nasce em  Charlestown em 27 de abril de 1791 numa família protestante puritana. Ele estuda na Academia Phillips e na Universidade de Yale. Torna-se pintor, físico e inventor. Desde os 14 anos, se interesse pela eletricidade. Fabrica o primeiro telégrafo em 1832.

Outra grande invenção é o Código Morse (1839), a linguagem do telégrafo, uma combinação de traços, pontos e pausas para transmitir mensagens telegráficas.

QUATRO LIBERDADES

    Em 1941, no Discurso sobre o Estado da União, antevendo a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt apresenta sua visão sobre os objetivos políticos e sociais do país ao falar em quatro liberdades: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de não passar necessidades e liberdade de viver sem medo.

Com a guerra na Europa, na África e na Europa, Roosevelt percebe que mais cedo ou mais tarde os EUA entrarão na guerra e prepara o povo norte-americano para romper a política de não intervencionismo. O discurso termina com uma promessa e aspiração: "Devemos ser o grande arsenal da democracia."

Os EUA entraram na guerra 11 meses depois, com o ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

As quatro liberdades estão implícitas na Carta das Nações Unidas, aprovada em 26 de junho de 1945 em São Francisco da Califórnia, a na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em Nova York em 10 de dezembro de 1948. Eleanor Roosevelt, a viúva de FDR, preside a comissão de redação.

ASSALTO AO CAPITÓLIO

    Em 2021, partidários do presidente Donald Trump invadem a sede do Congresso dos Estados Unidos para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não reconhece a derrota na eleição de 3 de novembro de 2020. Proclama sua própria vitória na noite da votação, quando o resultado ainda está indefinido, principalmente por causa do grande número de votos enviados pelo correio por causa da pandemia.

Biden vence com 81.283.501 votos (51,3%) contra 74.223.975 votos (46,8%) para Trump no voto popular e por 306 a 232 no Colégio Eleitoral.

A invasão do Congresso acontece pouco depois de um comício em que o presidente derrotado incita seus seguidores a marchar até o Capitólio para impedir o último ato para confirmar a vitória da oposição.

Durante 3 horas e 7 minutos, Trump assiste à insurreição pela TV antes de pedir a seus partidários que voltem para casa. Cinco pessoas morrem. Desde então, mais de 1.200 pessoas foram processadas e mais de 900 condenadas pelo ataque ao Congresso.

A comissão especial da Câmara dos Representantes que investiga a revolta dos trumpistas acusa o agora ex-presidente de quatro crimes:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

Como não tem poder para indiciar Trump, os deputados encaminharam o relatório ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação. 

O procurador especial Jack Smith denuncia Trump em 1º de agosto de 2023 com quatro acusações:

• conspiração para fraudar os EUA pelos esforços repetidos para divulgar falsas alegações de fraude na eleição presidencial de 2020 mesmo sabendo que não era verdade e por tentar ilegalmente anular votos legítimos com o objetivo de mudar o resultado da eleição;

• conspiração para obstruir um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021;

• obstrução e tentativa de obstruir um procedimento oficial depois da eleição de 3 de novembro 2020 até 7 de janeiro de 2021 para bloquear a certificação da vitória de Biden:

• e conspiração contra direitos por "oprimir, ameaçar e intimidar" o direito de voto do cidadão numa eleição.

Ao todo, Trump enfrenta 91 acusações em quatro processos criminais. É condenado pela Justiça de Nova York por 34 acusações de fraude e falsificação de documentos para encobrir um pagamento de US$ 130 mil para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, com que teve um caso. O juiz deve sentenciá-lo em 10 de janeiro de 2024. Como Trump foi reeleito presidente, não corre risco de ser preso, mas deve ficar com a condenação.

Os dois processos movidos na Justiça Federal pelo procurador especial devem ser arquivados, e a promotora do processo por tentar fraudar a eleição no estado da Geórgia foi afastada do caso. Assim, a vitória nas urnas na prática garante impunidade do único presidente dos EUA que não aceita a derrota e tenta dar um golpe para ficar no poder.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 6 de Janeiro

DIA DOS REIS MAGOS

    No século 4 depois de Cristo, os cristãos do Ocidente, que festejam o nascimento de Jesus desde 354, passam a comemorar nesta data a visita dos Reis Magos, enquanto os cristãos ortodoxos celebram o nascimento de Jesus, o batismo de Jesus por São João Batista e seu primeiro milagre.

A tradição nos países de língua espanhola é dar presentes no Dia dos Reis porque foram eles que levaram presentes ao Menino Jesus. O período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro é conhecido como os 12 dias do Natal. 

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

QUATRO LIBERDADES

    Em 1941, no Discurso sobre o Estado da União, antevendo a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt apresenta sua visão sobre os objetivos políticos e sociais do país ao falar em quatro liberdades: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de não passar necessidades e liberdade de viver medo.

Com a guerra na Europa, na África e na Europa, Roosevelt percebe que mais cedo ou mais tarde os EUA entrarão na guerra e prepara o povo norte-americano para romper a política de não intervencionismo. O discurso termina com uma promessa e aspiração: "Devemos ser o grande arsenal da democracia."

Os EUA entraram na guerra 11 meses depois, com o ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí.

As quatro liberdades estão implícitas na Carta das Nações Unidas, aprovada em 26 de junho de 1945 em São Francisco da Califórnia, a na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em Nova York em 10 de dezembro de 1948. Eleanor Roosevelt, a viúva de FDR, preside a comissão de redação.

ASSALTO AO CAPITÓLIO

    Em 2021, partidários do presidente Donald Trump invadem a sede do Congresso dos Estados Unidos para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não reconhece a derrota na eleição de 3 de novembro de 2020. Proclama sua própria vitória na noite da votação, quando o resultado ainda está indefinido, principalmente por causa do grande número de votos enviados pelo correio por causa da pandemia.

Biden vence com 81.283.501 votos (51,3%) contra 74.223.975 votos (46,8%) para Trump no voto popular e por 306 a 232 no Colégio Eleitoral.

A invasão do Congresso acontece pouco depois de um comício em que o presidente derrotado incita seus seguidores a marchar até o Capitólio para impedir o último ato para confirmar a vitória da oposição.

Durante 3 horas e 7 minutos, Trump assiste à insurreição pela TV antes de pedir a seus partidários que voltem para casa. Cinco pessoas morrem. Desde então, mais de 1.200 pessoas foram processadas e mais de 900 condenadas pelo ataque ao Congresso.

A comissão especial da Câmara dos Representantes que investigou a revolta dos trumpistas acusou o agora ex-presidente de quatro crimes:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

Como não tem poder para indiciar Trump, os deputados encaminharam o relatório ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação. 

O procurador especial Jack Smith denuncia Trump em 1º de agosto de 2023 por quatro acusações:

• conspiração para fraudar os EUA pelos esforços repetidos para divulgar falsas alegações de fraude na eleição presidencial de 2020 mesmo sabendo que não era verdade e por tentar ilegalmente anular votos legítimos com o objetivo de mudar o resultado da eleição;

• conspiração para obstruir um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021;

• obstrução e tentativa de obstruir um procedimento oficial depois da eleição de 3 de novembro 2020 até 7 de janeiro de 2021 para bloquear a certificação da vitória de Biden:

• e conspiração contra direitos por "oprimir, ameaçar e intimidar" o direito de voto do cidadão numa eleição.

Ao todo, Trump enfrenta 91 acusações em quatro processos criminais.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Jornalistas ganham Nobel da Paz por luta pela liberdade de expressão

 A jornalista filipina Maria Ressa e o jornalista russo Dimitri Andreievich Muratov ganharam hoje o Prêmio Nobel da Paz de 2021 "por seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão, precondição para a democracia a uma paz duradoura", anunciou há pouco em Oslo o Comitê Norueguês do Nobel. O prêmio da paz é o único que não é atribuído pela Academia da Suécia.

Os dois jornalistas "ganham o prêmio por sua luta corajosa pela liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia. Ao mesmo tempo, representam todos os jornalistas do mundo que defendem estes ideias em locais onde a imprensa enfrenta condições crescentemente adversas", declarou a presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen.

"Maria Ressa usa a liberdade de expressão para expor o abuso de poder e a violência, o uso da força e o crescente autoritarismo nas Filipinas. Em 2012, ela fundou uma empresa de jornalismo digital dedicada ao jornalismo investigativo que chefia até hoje, Rappler", justificou a porta-voz do Nobel, o que lhe rendeu sete processos e acusações de calúnia, sonegação de impostos e financiamento ilegal do exterior.

Hoje, o Rappler recebe 40 milhões de visitas de 12 milhões de leitores diferentes por mês, números que dobram durante campanhas eleitorais. Em entrevista, ela atribuiu o prêmio ao "reconhecimento de como é difícil ser jornalista hoje." Antes, foi correspondente da CNN norte-americana nas Filipinas.

"Como jornalista e diretora-executiva, Ressa mostrou ser uma defensora destemida da liberdade de expressão, com foco na campanha controvertida e assassina de combate às drogas do presidente Rodrigo Duterte", lançada em 2016, explicou a presidente do comitê. É a 18ª mulher a receber o Nobel da Paz. 

"O número de mortes é tão grande", estimado pela organização direitos humanos Human Rights Watch como 8 mil até o ano passado, "que parece uma guerra civil contra seu próprio povo", comentou Reiss-Andersen. "Ressa documenta como as redes sociais são usadas para divulgar notícias falsas, intimidar oposicionistas e manipular a opinião pública.

Na Rússia, "Dimitri Muravot defende a liberdade de expressão em condições cada vez mais desafiadores. Em 1993, foi um dos fundadores do jornal independente Novaya Gazeta, que tem o último líder soviético, Mikhail Gorbachev como um dos donos, ao lado do ex-agente secreto Alexander Lebedev e dos jornalistas. 

Muratov é  editor-chefe há 24 anos do jornal, "o mais independente da Rússia hoje, com uma atitude fundamentalmente crítica diante do poder", elogiou o comitê do Nobel da Paz. 

"O jornalismo baseado em fatos e sua integridade profissional tornaram o jornal numa fonte de informação importante sobre aspectos censurados da sociedade russa raramente mencionados em outros meios. Desde sua fundação, em 1993, Novaya Gazeta publicou artigos críticos sobre temas importantes como corrupção, violência policial, prisões ilegais, fraude eleitoral, fábricas de trolagem e o uso de força militar dentro e fora da Rússia", destacou a norueguesa.

A resposta da ditadura de Vladimir Putin foi violenta: "Os adversários da Novaya Gazeta responderam com intimidações, ameaças de violência e mortes. Seis de seus jornalistas foram mortos, inclusive Anna Politkovskaya, que escreveu reportagens reveladoras sobre a Guerra da Chechênia", observou o comitê norueguês.

O jornalismo resiste, enfatizou Reiss-Andersen: "Apesar das ameaças e das mortes, o editor-chefe Muratov se nega a mudar a política de independência do jornal. Ele defende os direitos de jornalistas de escreverem como quiserem sobre o que quiserem desde que respeitem os padrões éticos e profissionais do jornalismo.

"Um jornalismo livre, independente e baseado em fatos serve para proteger contra abusos de poder, mentiras e propaganda de guerra. O Comitê Norueguês do Nobel está convencido de que a liberdade de expressão e a liberdade de informação ajudam a criar uma opinião pública informada, um pré-requisito essencial à democracia e uma proteção contra a guerra e o conflito", disse sua presidente.

"A concessão do prêmio a Maria Ressa e Dimitri Muratov tem a intenção de proteger e defender estes direitos fundamentais. Sem liberdade de expressão e liberdade de imprensa, será difícil promover com sucesso a fraternidade entre as nações, o desarmamento e uma melhor ordem internacional no nosso tempo", concluiu Reiss-Andersen. 

Na entrevista coletiva, ela sintetizou o espírito da premiação. "Não há democracia sem liberdade de expressão nem liberdade de imprensa." E refletiu sobre o paradoxo do jornalismo atual: "No mundo de hoje, temos mais informação do que nunca. Ao mesmo tempo, vemos o abuso e a manipulação da imprensa livre e do discurso público com notícias falsas."

Maria Ressa e Dimitri Muratov dividem o prêmio de 10 milhões e coroas suecas, cerca de US$ 1,15 milhão ou R$ 6,35 milhões. Na segunda-feira, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Economia, que é sempre o último.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

França protesta contra terrorista após degola de professor que usou charges de Maomé

 Curso sobre liberdade de expressão e Estado laico deflagrou crime hediondo

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Paris e de outras cidades da França neste domingo em defesa da liberdade de expressão e para homenagear o professor Samuel Paty, degolado a 300 metros da escola em Conflans-Sainte-Honorine, nos arredores da capital, na sexta-feira por Abdouallakh Abouyezidvitch Anzorov, um refugiado russo de origem chechena de 18 anos, por discutir em sala de aula as charges do profeta Maomé.

O assassino não estava na lista de 10 mil suspeitos de extremismo no país e foi morto pela polícia com nove tiros. Ele pagou centenas de euros a alunos para identificar o professor e descobrir seus horários de trabalho. Publicou na Internet uma foto da cabeça cortada e uma ameaça ao presidente Emmanuel Macron: "Em nome de Alá, o todo misericordioso, muito misericordioso, para Macron, o dirigente dos infiéis, matei um dos cães do inferno que ousaram rebaixar Maomé."

Leia mais em Quarentena News.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Morte de médico que deu alerta abala regime comunista da China

Em 30 de dezembro, o médico Li Wenliang deu o alerta sobre o risco de uma epidemia do novo coronavírus. Em 3 de janeiro, foi preso, interrogado e acusado de "propagar rumores falsos". Só em 20 de janeiro, o regime comunista da China admitiu que a doença se transmite de pessoa para pessoa. Sua morte ontem aos 34 anos provocou uma revolta nas redes sociais.

Agora, o ditador Xi Jinping fala numa "guerra popular", uma "guerra contra o demônio", e mobiliza todos os quadros do partido para combater o vírus. Mas, como é comum em ditaduras, no primeiro momento o governo tentou conter a má notícia. Até 24 de janeiro, a mídia oficial do Partido Comunista minimiza a gravidade do problema.

Quando o prefeito de Wuhan foi cobrado em entrevista de rádio por não avisar a população imediatamente, ele alegou que é contra a lei. Num regime em que tudo funciona de cima para baixo, a partir das ordens da cúpula, o tempo perdido significou que cerca de 5 milhões de pessoas saíram da província de Hubei, onde o surto começou, no mercado da capital, que vende carnes de 114 espécies animais, inclusive ratos, morcegos, iguanas e coalas.

Hoje, os cientistas acreditam que o novo coronavírus saiu de um morcego. Depois de infectar seres humanos, sofreu uma mutação que permite a transmissão de pessoa para pessoa.

A propagação está sendo muito mais rápida do que da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), também conhecida como gripe asiática, que matou quase 10% dos doentes em 2002 e 2003. Mas a letalidade do novo coronavírus é bem menor, 2,2% dos pacientes morreram até agora.

A morte do Dr. Li adquiriu uma dimensão política. Em 10 de janeiro, ele sentiu os primeiros sintomas. No dia 28, as autoridades reconheceram o erro o reabilitaram. Ao dar o alerta, ser punido e morrer da doença, Li virou um herói popular, causando embaraço ao regime que o perseguiu.

Centenas de milhões de chineses criticaram o regime e manifestaram sua frustração nas redes sociais. Muitos pediram o fim da censura, a liberdade de expressão.

Na manhã de domingo pelo horário chinês, as autoridades do país deram um novo balanço. Ontem, morreram 89 pessoas na China, mais do que as 86 da sexta-feira. O total de casos no mundo subiu para 37.047, com 813 mortes no mundo inteiro, sendo uma en Hong Kong e outra nas Filipinas. Já superou o número de mortes da SARS.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Crise das redes sociais ameaça futuro da liberdade na Internet

A desinformação, a censura, a manipulação e a perseguição política nas redes sociais ameaçam o futuro da liberdade de expressão na Internet, adverte um relatório divulgado ontem pela organização não governamental americana Freedom House. Pelo nono ano consecutivo, houve declínio da liberdade na rede mundial de computadores.

Dos 65 países onde a pesquisa foi realizada, em 33 houve declínio da liberdade na Internet. O recuo foi maior no Brasil, em Bangladesh, no Casaquistão e no Zimbábue. 

A revolução tecnológica gerou um autoritarismo digital. Governos autoritários vigiam os cidadãos nas redes sociais. 

Em 47 dos 65 países examinados, houve prisões por divulgar “conteúdo político, social ou religioso” que desagradou aos donos do poder. 

O mundo tem hoje 7 bilhões 742 milhões de pessoas. Quase metade, 3 bilhões e 800 milhões, tem acesso à Internet. Mas isto não as torna mais livres. Do universo da pesquisa:

• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgar conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde existe censura na rede;
• 46% vivem em países onde governos desligaram a Internet e cortaram as telecomunicações por telefone por motivos políticos; e
• 46% vivem em países onde o acesso às redes sociais é restrito temporária ou permanentemente.

A desinformação sempre foi uma arma da luta política, mas o impacto hoje é muitíssimo maior. Em 38 dos 65 países estudados, líderes políticos empregam indivíduos para formar sub-repticiamente a opinião na rede. 

Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de extrema direita coincidiu com o surgimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quando contas falsas e robôs, constata o relatório intitulado A Crise das Redes Sociais. Meu comentário:

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Oposições resistem a nova lei de partidos na Tanzânia

Em protesto contra o autoritarismo do presidente John Mugufuli, os partidos de oposição da Tanzânia, um país do Leste da África, resistem a uma nova lei de partidos políticos que dá imunidade ao responsável pelo registro dos partidos, nomeado pelo chefe de estado, noticiou ontem o boletim Africa News.

O projeto de lei foi apresentado pouco depois que a União Europeia decidiu rever suas relações com a Tanzânia com base numa resolução do Parlamento Europeu de 13 de dezembro de 2018 condenando violações dos direitos humanos cometidas no país.

A UE é a maior aliada da Tanzânia na promoção do desenvolvimento. Qualquer decisão de reduzir os direitos e a autonomia dos partidos políticos será repudiada pelo bloco europeu, agravando a crise nas relações com o país africano.

Desde que chegou ao poder, em 2015, o presidente Mugufuli faz uma campanha de combate à corrupção. Ao mesmo tempo, mostrou-se autoritário. Não aceita o dissenso. As liberdades sexual, de expressão e de imprensa foram reduzidas.

domingo, 12 de agosto de 2018

Intelectuais se mobilizam para salvar cineasta ucraniano preso na Rússia

Um grupo de cineastas e intelectuais, entre eles a ministra da Cultura da França, Françoise Nyssen, e os diretores Jean-Luc Godard, David Cronenberg e Ken Loach, fez hoje um apelo pela libertação e para salvar a vida do cineasta ucraniano Oleg Sentsov. Condenado a 20 anos de prisão na Rússia, ele está em greve de fome há três meses. Sua vida corre perigo.


Sentsov foi detido em sua casa na península da Crimeia em maio de 2014, dois meses depois da anexação ilegal da região pela Rússia, e denunciado por terrorismo e suposta cumplicidade com o grupo paramilitar neonazista ucraniano Setor de Direita, organização de grupo terrorista e tráfico de armas, acusações forjadas para justificar a prisão. Veja abaixo a nota dos intelectuais:

"Artesãos da imagem e do imaginário, os cineastas nos movem e nos maravilham, capturam nossa época e nos cativam", declarou em nota o grupo. "Através de suas obras, eles compartilham suas visões e despertam as nossas. Eles fazem ouvir suas vozes - vozes às vezes dissidentes: em todo o mundo, constituem contrapesos essenciais ao poder e constroem novos pensamentos. A diversidade de opiniões, os debates, desacordos e discussões que os artistas alimentam são uma chance para a democracia, a liberdade e o progresso.

"Porque a arte não conhece fronteiras, porque a arte é universal, os direitos daqueles que lhe dão vida deve ser igualmente. A liberdade de expressão e a liberdade de criação não devem parar onde começa a dissidência. No entanto, hoje, um cineasta está à morte porque é um dissidente. Ameaçado por causa de suas ideias, como Vassili Grossman, Alexander Soljenitsyn e outros sob o regime comunista.

"Oleg Sentsov está preso na Rússia há mais de quatro anos. Sua condenação a 20 anos de reclusão por um tribunal militar russo, no fim de um processo que manifestamente não respeitou o direito de defesa, é uma violação do direito internacional e das regras fundamentais da justiça. Seu único "erro" real não seria ter exercido sua liberdade de expressão? Seu único crime não seria poder exprimir seu engajamento político através da arte?

"Enfermo, no Norte da Sibéria, em condições horríveis e desumanas, ele perdeu mais de 30 quilos desde o início da greve de fome que faz há quase três meses. Como seu estado de saúde parece se degradar perigosamente dia após dia, é preciso agir. E é preciso agir com rapidez.

"Não agir seria deixar Oleg Sentsov morrer. Seria renunciar a nossos valores e princípios, renunciar ao que defendemos e ao que somos. Seria tolerar que alguém possa ser morto por suas ideias, suas opiniões, suas tomadas de posição. O tratamento de que é objeto é um atentado à liberdade de pensamento e à liberdade de criação.

"Não podemos aceitar. É urgente e necessário que a Rússia encontre uma solução não só humanitária mas política para esta situação. Não somente a França - o presidente Emmanuel Macron fez vários apelos ao presidente Vladimir Putin -, mas o conjunto da comunidade internacional, da União Europeia à ONU, devem se mobilizar por Oleg Sentsov e para obter respostas.

"Os artistas do mundo inteiro sabem que o presidente russo tem o poder de parar com esta tragédia humana e democrática. Em todo o mundo, no mundo do cinema, da cultura e muito além, uma mobilização internacional deve se fazer ouvir em defesa do cineasta. Em nome da liberdade artística e de expressão, nós apelamos de novo pela libertação imediata de Oleg Sentsov", conclui o comunicado.

O texto é assinado pela Sociedade dos Autores e Compositores Dramáticos, a Sociedade Civil dos Autores Multimídia, a Sociedade Civil dos Autores, Realizadores e Produtores, a Sociedade dos Realizadores de Filmes, a Associação dos Realizadores e Realizadoras Francófonos e o Théâtre du Soleil.

quarta-feira, 30 de março de 2016

EUA cortam ajuda à Tanzânia por causa de fraude eleitoral

A Corporação Desafio do Milênio, uma agência de ajuda internacional do governo dos Estados Unidos cortou uma ajuda de US$ 472 milhões para um projeto de eletrificação na Tanzânia depois de uma fraude na eleição presidencial do arquipélago semiautônomo de Zanzibar, informou a televisão pública britânica BBC.

O presidente Ali Mohamed Shein foi reeleito com 91% dos votos na contagem oficial. A agência americana alega que as eleições não foram inclusivas nem representativas.

Os EUA também manifestaram preocupação com a Lei de Crimes Cibernéticos da Tanzânia, de 2015. A pretexto de combater o terrorismo, é um instrumento de repressão a dissidentes e à liberdade de expressão.

A Tanzânia é um país do Leste da África ou África Oriental, situado entre a região dos grandes lagos do centro da África e o Oceano Índico. Foi colônia alemã e passou ao Império Britânico depois da Primeira Guerra Mundial.

Depois da independência, Tanganica, a parte continental do país, e o arquipélago de Zanzibar se uniram para formar da República Unida da Tanzânia, em 1964. É hoje um país de 52 milhões de habitantes com renda média por pessoa inferior a mil dólares por ano.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

China processa maior defensora dos direitos humanos

O regime comunista chinês formalizou a prisão da advogada Wang Yu, considerada a maior defensora dos direitos humanos no país, acusando-a de "subversão", como parte de uma campanha contra ativistas dos direitos civis, revelou ontem sua advogada, Li Yuhan.

Wang foi presa em julho e denunciada em agosto por "incitar à subversão da ordem contra a autoridade do Estado" e "provocar perturbações". É a mais conhecida entre as centenas de advogados presos na China nos últimos meses por defender os direitos humanos.

A formalização da prisão e da denúncia geralmente levam à condenação na China, onde a Justiça está sob o controle do Partido Comunista. A pena máxima por subversão é a morte.

A acusação de subversão é típica de ditaduras militares que não toleram qualquer tipo de crítica. Foi muito usada no Brasil para justificar a perseguição de adversários políticos da ditadura militar.

"Wang Yu deu assistência jurídica a pessoas das camadas mais baixas da sociedade", declarou Li. "Nunca pensei que seria acusada de subverter a autoridade do Estado."

Nos últimos seis meses, a polícia impediu sete tentativas de Li de se encontrar com Wang sob o argumento de que o caso "ameaçava a segurança do Estado", outro discurso característico de ditaduras.

Entre os clientes importantes de Wang, estavam Wu Gan, um defensor da liberdade de expressão na Internet; Li Tingting, um ativista dos direitos humanos; e Cao Shunli, que morreu na prisão por falta de assistência médica.

No ano passado, depois de ser atacada pela mídia oficial por "blablablá sobre o Estado de Direito e os direitos humanos", Wang admitiu à agência Reuters que sua prisão era inevitável.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Mais um blogueiro secularista é assassinado em Bangladesh

O blogueiro Niloy Neel, conhecido por ser ateu, foi assassinado por uma gangue de homens armados com facões na sua cidade natal, Gorã, nesta sexta-feira, informou a televisão pública britânica BBC. É o quarto blogueiro secularista morto em Bangladesh neste ano. Os suspeitos são militantes islamitas.

A polícia contou que seis homens invadiram a casa de Neel alegando que procuravam um apartamento para alugar.

Em maio, o blogueiro Ananta Bijoy Das foi morto com facões por homens mascarados na cidade de Silhete. Ele estava recebendo ameaças de morte de extremistas muçulmanos.

Em março, Washiqur Rahman foi assassinado em Daca, a capital bengalesa. Além de ser ateu, Avijit Roy abordava temas tabus como o homossexualismo até ser morto em fevereiro.

Oficialmente, Bangladesh é uma república secularista. Os críticos acusam o governo de indiferença em relação aos ataques de islamitas radicais.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Terrorista morto em Copenhague era dinamarquês

A Dinamarca revelou que o suspeito de dois ataques terroristas cometidos ontem em Copenhague, morto pela polícia na manhã de hoje, era Omar Abdel Hamid el-Hussein, um jovem muçulmano de 22 anos de origem palestina nascido no país.

Hussein era conhecido das autoridades. Tinha antecedentes criminais por violência, mas nenhuma ligação aparentemente com grupos terroristas. Há duas semanas, saiu da cadeia, onde teria aderido ao jihadismo.

A investigação tenta descobrir se ele agiu sozinho, noticiou o jornal inglês The Guardian. Dois suspeitos de colaborar com o criminoso foram presos.

Por volta das três e meia da tarde de ontem, ele invadiu um café onde havia um debate sobre liberdade de imprensa depois do ataque terrorista contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo, em que 12 pessoas foram mortas, no mês passado, em Paris, e saiu atirando. Seu alvo seria o cartunista sueco Lars Vilks, autor de uma caricatura do profeta Maomé como um cachorro.

O cineasta Finn Norgaard, de 55 anos, que participava da discussão, foi morto. Três policiais foram feridos. Vilks saiu ileso.

Dez horas depois, já na madrugada deste domingo, o terrorista abriu fogo diante da principal Sinagoga da capital dinamarquesa, matando um civil e ferindo dois policiais.

A Europa enfrenta uma onda de atentados terroristas, vários deles contra alvos israelitas. Em 24 de maio do ano passado, o Museu Judaico foi atacado em Bruxelas. No mês passado, dois dias depois do atentado ao Charlie Hebdo, um terrorista ocupou um supermercado judaico em Paris e matou quatro pessoas. Ontem e hoje, os alvos estavam na capital da Dinamarca. Também hoje, a cidade alemã de Braunschweig suspendeu o desfile de carnaval diante de "uma ameaça terrorista específica".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

França prende sete suspeitos e tem outros incidentes suspeitos

Sete pessoas ligadas aos suspeitos de atacar ontem o jornal humorístico Charlie Hebdo em Paris, matando 12 pessoas, foram presas, anunciou hoje de manhã o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, mas não os principais suspeitos, Chérif e Saïd Kouachi, que teriam sido vistos num posto de gasolina no Norte do país.

Uma policial foi morta a tiros num subúrbio da periferia da capital francesa. O caso está sendo tratado como terrorismo. Também houve a explosão de uma bomba perto de um restaurante especializado em kebabs no interior do país.

Os franceses acordaram num pesadelo já comparado aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Paris, uma cidade-símbolo da cultura e da civilização ocidental está sitiada. E os jornalistas têm consciência de que alguém os espreita pela mira de fuzis Kalashnikov.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Plantu: cartunistas são mais fortes do que terroristas

Em entrevista ao telejornal 20 Heures, da TV France 2, o cartunista mais famoso da França, Plantu, do jornal Le Monde, acabar de prestar sua homenagem aos "grandes cartunistas mortos" hoje no atentado terrorista contra o jornal semanal humorístico Charlie Hebdo: "Os cartunistas são muito maiores e muito mais fortes do que os assassinos que os mataram hoje de manhã."

Plantu concluiu: "Não é um problema de cartunistas ou jornalista. É de cidadãos do mundo lutando por sua liberdade."

Um objetivo imediato é manter vivo o Charlie Hebdo.

Milhares de pessoas estão se concentrando neste momento na Praça da República, em Paris, numa grande manifestação de repúdio ao atentado terrorista, que se repete em várias cidades do mundo, Berlim, Amsterdã, Nova York e Rio de Janeiro, e continua na Internet em #JeSuisCharlie (Eu sou Charlie).

domingo, 14 de dezembro de 2014

Turquia prende jornalistas a pretexto de combater terrorismo

Cerca de 25 pessoas foram presas numa operação nacional de "combate ao terrorismo" na Turquia, inclusive o editor-chefe do jornal Zaman, Ekrem Dumanli, sob a alegação de ter ligações com o movimento Gulen, liderado pelo imã exilado nos Estados Unidos Fethulla Gulen.

A oposição acusa o presidente Recep Tayyip Erdogan de tentar, na verdade, suprimir a liberdade de imprensa. O presidente do Samanyolu Broadcastring Group, uma importante empresa de rádio e televisão, também foi preso.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Liberdade de imprensa cai ao menor nível numa década

Com a regressão das esperanças suscitadas pela Primavera Árabe e as tentativas do governo dos Estados Unidos de abafar o escândalo de megaespionagem em telefones e na Internet, a liberdade de imprensa caiu em 2013 ao menor nível em uma década, afirmou hoje a organização não governamental Freedom House ao divulgar seu relatório anual.

Só 14% da população mundial vivem em países com liberdade de imprensa, onde a cobertura política pode criticar o governo, a segurança dos jornalistas é garantida, a intervenção estatal nos meios de comunicação é mínima e a cobertura jornalística não está submetida pressões legais e econômicas onerosas.

O Brasil é considerado parcialmente livre por causa dos assassinatos e constrangimentos legais e ilegais a jornalistas, especialmente na cobertura da corrupção política, do crime organizado e dos conflitos de terra no interior do país.

Entre 197 países e territórios, a Suécia, a Noruegia e a Holanda dividiram o primeiro lugar, seguidos pela Finlândia, Bélgica, Suíça, Dinamarca, Islândia e Luxemburgo. A censura é maior na Coreia do Norte, no Turcomenistão, no Usbequistão, na Eritreia, na Bielorrússia, em Cuba, na Guiné Equatorial, no Irã e na Síria. O Brasil ficou em 90º lugar ao lado de Moçambique.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Malala ganha prêmio do Parlamento Europeu

A adolescente paquistanesa Malala Yussafzai, baleada há um ano pelos talebã do Paquistão por defender a educação para mulheres, ganhou hoje o Prêmio Andrei Sakharov, a principal homenagem do Parlamento Europeu a defensores dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Ela é favorita para ganhar amanhã o Prêmio Nobel da Paz 2013.

Depois de criar um blogue defendendo a educação feminina, Malala foi alvo de uma tentativa de assassinato. Baleada na cabeça, foi levada para tratamento na Inglaterra, onde se recuperou, tornando-se o símbolo da resistência inocente contra o totalitarismo das milícias fundamentalistas muçulmanas.

Sua voz virou um símbolo poderoso da luta pela educação de jovens e especialmente de meninas, a ponto de receber novas ameaças de morte. Em entrevista à CNN, ela contou o que diria aos líderes dos Talebã, com quem defende um diálogo pela paz: "Eu falaria sobre os benefícios que a educação traria para os filhos deles e terminaria dizendo: a decisão é de vocês".

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cristina sofre nova derrota na guerra contra o Clarín

Em mais uma derrota da presidente Cristina Kirchner em sua obsessão de desmantelar o maior grupo de mídia da Argentina, a Corte Suprema rejeitou um pedido do governo para anular uma decisão da Câmara Civil e Comercial que adia a aplicação da Lei de Meios de Comunicação até uma decisão final da Justiça sobre sua constitucionalidade.

Pelo texto atual da lei, o grupo Clarín seria obrigado a se desfazer de mais de 200 licenças de exploração de rádio e televisão. Isso reduziria sua participação no mercado de 47% para 35%. A Casa Rosada queria aplicar a medida em 7 de dezembro de 2012.

O Clarín alega que dois artigos da lei violam o direito adquirido e o direito de propriedade. Luta na Justiça para derrubar esses artigos

A Lei de Meios, de 2009, proíbe, por exemplo, a mesma empresa de ter televisão aberta e fechada na mesma base territorial. Se fosse assim no Brasil, a TV Globo não poderia ter a GloboNews, a Record não poderia ter a Record News nem a TV Bandeirantes a BandNews.

Outro dispositivo, a pretexto de impedir o monopólio, proíbe uma TV de atingir mais de 35% do mercado. Na Argentina, como a maior parte da população está concentrada na capital e na provincia de Buenos Aires, isso impediria a formação de redes nacionais privadas.

O monopólio é nocivo à democracia e à liberdade de expressão, mas o objetivo do governo Cristina Kirchner é atacar os meios de comunicação que considera oposicionistas e forçar sua venda para empresários governistas. Sete dos nove canais de TV de Buenos Aires são governistas.

Além da Lei de Meios, a Casa Rosada usa a publicidade oficial para calar as oposições e construir uma mídia governista, no momento em que enfrenta forte rejeição da classe média, que fez um grande panelaço no mês passado, e até mesmo do sindicalismo, aliado histórico do peronismo.

No governo Néstor Kirchner (2003-7), o Clarín era aliado do governo. A ruptura veio no início do primeiro governo de Cristina, em 2008. Com o agravamento da crise financeira mundial, diante da escassez de dólares, o governo argentino aumentou a alíquota do imposto sobre exportações de grãos em grandes volumes para mais de 35%.

Durante mais de cem dias, os produtores rurais fizeram um locaute (greve patronal), a chamada "greve do campo", e o Clarín apoiou os ruralistas.

Reeleita em outubro de 2011 no primeiro turno com 54% num momento de expansão da economia, Cristina sofreu uma forte queda de popularidade para pouco mais de 30% com o agravamento da crise. Abandonada pela classe média e pelos sindicatos, apoia-se sobretudo na Cámpora, um movimento da ala jovem do peronismo coordenado por seus filhos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Mursi cede poderes mas mantém referendo constitucional

Sob intensa pressão das ruas, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, revogou parcialmente o decreto que lhe dava poderes excepcionais, mas manteve o referendo convocado para aprovar, no próximo sábado, 15 de dezembro de 2012, uma nova Constituição. O projeto foi repudiado pelas oposições liberais, que exigem proteção à liberdade de expressão, aos direitos das mulheres e das minorias.

O decreto, de 22 de novembro, tirava do Poder Judiciário o direito de examinar as decisões do presidente. Na prática, Mursi se colocou acima da lei. As multidões que fizeram a revolução egípcia e derrubaram o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011 voltaram às ruas contra o novo candidato a ditador.

A revogação parcial do decreto atende a uma das principais reivindicações da multidão concentrada na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, mas a Constituição proposta também é inaceitável, reporta o jornal The Washington Post.