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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Primeiro-ministro do Paquistão propõe diálogo depois de contra-atacar a Índia

O primeiro-ministro Imran Khan propôs diálogo hoje, horas depois que a Força Aérea do Paquistão atacou alvos militares em território indiano. Foi uma resposta a um bombardeio aéreo da Índia contra um acampamento do grupo terrorista Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), responsável por um atentado terrorista que matou 49 policiais militares indianos na região da Caxemira em 14 de fevereiro.

As Forças Armadas do Paquistão derrubaram dois aviões de guerra da Índia e capturaram um piloto. Dois caças-bombardeiros paquistaneses alvejaram um arsenal indiano perto da "linha de controle", o nome da fronteira entre os dois países.

Na primeira batalha aérea entre os dois países desde a guerra de 1971, os dois caças-bombardeiros MiG-21 mandados pela Força Aérea da Índia para interceptar os aviões do Paquistão foram abatidos.

"Todas as grandes guerras começam por erro de cálculo. Ninguém sabe como a guerra pode acabar. Minha pergunta para a Índia é, dadas as armas que temos, podemos correr o risco de um erro de cálculo?", declarou o primeiro-ministro Khan. Os dois países são potências nucleares.

A Índia deplorou a "exposição vulgar de um soldado ferido", acusando o Paquistão de violar "o direito internacional humanitário e as Convenções de Genebra". O comandante Abhinandan Varthaman, piloto de aviões de combate há 16 anos, deu entrevista à televisão dizendo estar sendo bem tratado pelo Exército do Paquistão. Ele é filho de um marechal da reserva da Força Aérea, informou o jornal Hindustan Times.

"Apertem as mãos, sentem-se e resolvam isso", disse a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, a estudante paquistanesa Malala Youssafzai, citada pelo jornal paquistanês Dawn, ao fazer um apelo no Twitter aos primeiros ministros Imran Khan e Narendra Modi.

A escritora paquistanesa Fatima Bhutto, neta do primeiro-ministro Ali Bhutto e sobrinha da primeira-ministra Benazir Bhutto, ambos falecidos, pediu a libertação do piloto como um gesto de paz.

O ministro do Exterior do Irã, Mohamad Javad Zarif, reconduzido ao cargo depois de pedir demissão, se ofereceu como mediador. A União Europeia e o Reino Unido pediram contenção às duas partes.

Desde que se tornaram independentes do Império Britânico e se dividiram, a Índia e o Paquistão disputam a região da Caxemira, de maioria muçulmana. Em 1947, as províncias de maioria hindu formaram a Índia e as de maioria muçulmana, o Paquistão. Houve uma migração em massa, de 14 milhões de pessoas, e 2 milhões morreram.

Na Caxemira, o marajá Hari Singh optou por aderir à Índia, gerando este conflito histórico. Desde então, os dois países travaram três guerras, em 1947, 1965 e 1971, antes de desenvolveram armas nucleares.

A Índia tem a bomba atômica desde 1974 e o Paquistão desde 1975. Em maio de 1998, os dois países realizaram testes nucleares e assumiram oficialmente o status de potências nucleares. Outra guerra, em Cargil, em 1999, ficou limitada à região das montanhas do Himalaia.

Para o vice-presidente do Centro de Ásia do Instituto da Paz dos Estados Unidos, Moeed Yussuf, é preciso criar com urgência uma ponte aérea diplomática. Ele adverte que esta é a maior ameaça de guerra nuclear desde a Crise dos Mísseis em Cuba, entre EUA e União Soviética, em 1962.

O Paquistão reivindica a realização de um plebiscito sob supervisão internacional. A Índia considera o conflito na Caxemira uma questão interna.

sábado, 9 de setembro de 2017

Terrorista do ataque a Malala é morto no Paquistão

Um dos terroristas que tentaram matar a estudante paquistanesa Malala Youssafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2014, foi morto numa ação da polícia do Paquistão durante esta semana, quando os muçulmanos fazem a Festa do Sacrifício (Eid al-Adha), logo depois da peregrinação anual a Meca. 

O terrorista, identificado apenas como Khursheed, era primo de Fazal Hayat, mais conhecido como o mulá Fazlullah, um dos comandantes dos Talebã do Paquistão, considerado o mandante da tentativa do assassinato de Malala. Khursheed foi um dos quatro jihadistas que tentaram matar a menina. Também era acusado de atacar uma delegacia de polícia em Caráchi, a maior cidade paquistanesa.

Malala Youssafzai tinha um blogue onde escrevia com pseudônimo para a televisão pública britânica BBC. Desde os 11 anos, contava detalhes da vida na vale do Swat, onde seu pai dirigia uma rede de escolas, sob pressão dos fundamentalistas. Defendia o direito das meninas à educação, rejeitado pelos extremistas muçulmanos.

Quando o Exército paquistanês interveio na região, o jornal americano The New York Times, um dos mais importantes do mundo, fez um documentário sobre ela. Malala deu várias entrevistas e foi nomeada pelo arcebispo sul-africano Desmond Tutu, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime racista do apartheid na África do Sul para o Prêmio Internacional da Criança.

Em 9 de outubro de 2012, quando tinha 15 anos, quatro terroristas invadiram o ônibus escolar onde ela estava e dispararam três tiros. Ela foi atingida na cabeça. Ficou vários dias em coma e depois foi transferida para um hospital em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido.

Vítima de uma brutal tentativa de assassinato, Malala sobreviveu num milagre da medicina e se tornou, nas palavras da rádio Voz da Alemanha, "a adolescente mais famosa do mundo". Em 2014, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Talebã que atacaram Malala pegam prisão perpétua

Um tribunal antiterrorismo do Paquistão condenou hoje dez homens pela tentativa de assassinato, em 2012, da jovem Malala Yussafzai, que desafiava os extremistas muçulmanos defendendo a educação da mulher, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2014 por sua luta.

Aos 11 anos, Malala criou um blogue para defender o direito das meninas à educação. Tinha 15 anos quando pistoleiros invadiram o ônibus escolar onde ela estava, no vale do Swat, uma área dominada por jihadistas, e dispararam na tentativa de matá-la. Outras duas meninas saíram feridas.

Gravemente ferida, Malala foi levada para tratamento na Inglaterra, onde vive exilada. Recuperada, passou a viajar pelo mundo para ampliar sua luta e escreveu um livro que liderou as listas de mais vendidos, Eu sou Malala, contando sua história. Foi a pessoa mais jovem a ganhar um prêmio Nobel.

No julgamento, os réus admitiram pertencer à milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) do Paquistão, mas o suspeito de comandar o ataque e o pistoleiro que teria disparado não estão entre os condenados. Eles teriam fugido para o Afeganistão.

Hoje, aos 17 anos, ela criou o Fundo Malala para "dar poder à mulher através da educação". A emancipação da mulher é um aspecto fundamental no combate ao fundamentalismo islâmico.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Talebã atacam escola e matam 149 pessoas no Paquistão

Pelo menos 149 pessoas foram mortas, sendo 137 adolescentes de 12 a 16 anos, depois que seis terroristas da milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) invadiram uma escola secundária frequentada por filhos de militares, com granadas, metralhadoras e homens-bomba na cidade de Peshawar, no Paquistão. Outras 200 pessoas saíram feridas.

O Exército do Paquistão anunciou há pouco que as operações na escola foram concluídas e se concentram agora nos arredores de Peshawar na busca de outros elementos da milícia jihadista.

A jovem Malala Youssafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano por sua defesa da educação feminina, condenou o atentado, declarando estar com "o coração partido pelo ato de terror de sangue frio e sem sentido". Ela ficou famosa depois de ser baleada na cabeça pelos Talebã do Paquistão numa tentativa de assassiná-la, em outubro de 2012. O primeiro-ministro Nawaz Sharif considerou o ataque à escola uma "tragédia nacional".

A Milícia dos Talebã justificou o ataque como uma resposta à ofensiva do governo nas regiões tribais do Noroeste do Paquistão, refúgio para vários grupos extremistas muçulmanos e alvo constante do bombardeio de drones dos Estados Unidos.

Uma granada foi explodida na entrada da escola. Em seguida, terroristas suicidas invadiram o prédio, alguns pulando o muro e detonaram suas bombas, enquanto outros milicianos disparavam suas metralhadoras.

Em entrevista à televisão britânica BBC, o general Athar Abbas, ex-porta-voz do Exército, advertiu que o país precisa parar de ignorar que está em guerra civil.

O poderoso serviço secreto militar do Paquistão apoia grupos extremistas como os Talebã do Afeganistão para usá-los no conflito histórico com a Índia, caso, por exemplo, dos Talebã do Punjab. Para vencer esta guerra, as Forças Armadas paquistaneses terão de esclarecer suas relações ambíguas com esses grupos.

O ataque deve aumentar a determinação do Exército de combater o terrorismo, descrito por muitos paquistaneses como "uma guerra que nos foi imposta" por causa da invasão dos Estados Unidos ao vizinho Afeganistão para vingar os atentados de 11 de setembro de 2001.

Na prática, os extremistas muçulmanos mataram a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto quando ela fazia campanha eleitoral para voltar ao poder, em 27 de dezembro de 2007, e tentar matar seu marido, Assif Ali Zardari, quando ele foi eleito presidente, em 2008. A guerra contra o terrorismo é, portanto, uma guerra do Paquistão.

O Movimento dos Talebã (Estudantes) do Paquistão existe oficialmente desde 2007. É uma coalizão de 30 milícias forjada pela invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão, em 2001, para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro, que levou os talebã afegãos a se refugiar no Paquistão.

A milícia dos Talebã do Afeganistão surgiu em 1994, com o apoio do Paquistão, dos Estados Unidos e da Arábia Saudita, prometendo colocar ordem no caos deixado pela retirada soviética, em 1989 e estabilizar as rotas comerciais. Em 1996, tomou o poder no Afeganistão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Malala e engenheiro indiano ganham Prêmio Nobel da Paz

A jovem paquistanesa Malala Yussafzai baleada na cabeça há dois anos pela milícia terrorista dos Talebã por defender a educação feminina, e o engenheiro indiano Kailash Satyarthi, que luta contra o trabalho infantil e a escravidão de adultos, ganharam hoje o Prêmio Nobel da Paz, anunciou hoje de manhã em Oslo o comitê norueguês do Nobel.

"As crianças devem frequentar a escola e não serem exploradas financeiramente", declarou o presidente do comitê, Thorbjorn Jagland. "O Comitê do Nobel considera importante que um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa participem da luta comum pela educação e contra o extremismo." Agraciou-os por "sua luta contra a opressão de criança e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação".

Com apenas 17 anos, Malala é a pessoas mais jovem a receber um prêmio Nobel até hoje. Ao agradecer o prêmio, neste momento, ela lembrou que "a luta está apenas começando" porque ainda há milhões de crianças sem escola e defende a plena liberdade para as mulheres e a paz.

Malala recebeu a notícia da professora de química, em Birmingham, no Reino Unido, para onde foi levada para tratamento e descreveu a vida na terra onde nasceu, no Noroeste do Paquistão, como um reino do terror, onde os mulheres não podiam estudar nem sair de casa sozinhas.

Aos 11 anos, ela começou a escrever um blogue defendendo a educação feminina. Por isso, virou alvo dos talebã. Em outubro de 2012, terroristas invadiram um ônibus escolar e perguntaram: "Quem é Malala?" Identificada, a menina levou um tiro na cabeça.

O primeiro-ministro Nawaz Sharif disse que ela é um orgulho para o Paquistão. É a primeira pessoa do país a ganhar um prêmio Nobel.

Satyarthi, de 60 anos, foi agraciado por salvar 80 mil menores da escravidão. Ele dedicou o prêmio às crianças escravas e agradeceu ao Comitê do Nobel por "reconhecer o sofrimento de milhões de crianças", considerando-o "uma homenagem a todas as crianças que ainda sofrem com a escravidão, os trabalhos forçados e o tráfico de pessoas". E acrescentou: "Estima-se que 168 milhões de crianças trabalhem hoje em todo no mundo. No ano 2000, eram 78 milhões a mais. O mundo está mais perto de eliminar o trabalho infantil."

Eles vão dividir o prêmio de US$ 1,1 milhão a ser entregue em Oslo, na Noruega, em 10 dezembro, data da morte de Alfred Nobel, o inventor da dinamite, que deixou parte de sua fortuna para financiar o prêmio.

A Índia e o Paquistão travaram três guerras desde que se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, e vivem em estado de guerra. Neste mês, pelo menos 17 soldados foram mortos em trocas de tiros ao longo da "linha de controle" como é chamada a fronteira estabelecida num armistício. Ao dividir o prêmio entre os dois países, o Comitê do Nobel manda também um recado sobre um dos conflitos mais intratáveis do mundo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Paquistão prende talebã que atacaram Malala

O Exército do Paquistão anunciou hoje a prisão de dez suspeitos de atirar na adolescente Malala Youssafzai, que faz campanha em defesa da educação feminina. Para calar a menina, a milícia dos Talebã (Estudantes) invadiu um ônibus escolar e disparou contra as estudantes, em 2012.

Aos 11 anos, em 2009, ela começou a escrever um blogue na língua urdu sobre sua vida no vale do Swat, no Paquistão, uma região dominada por milícias tribais e grupos jihadistas. Isso irritou os extremistas muçulmanos, que decidiram matá-la.

Malala levou um tiro no rosto e passou por longo tratamento na Inglaterra. Sobreviveu e se tornou um símbolo da luta pelo direito das mulheres à educação. Outras duas meninas foram feridas.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Malala ganha prêmio do Parlamento Europeu

A adolescente paquistanesa Malala Yussafzai, baleada há um ano pelos talebã do Paquistão por defender a educação para mulheres, ganhou hoje o Prêmio Andrei Sakharov, a principal homenagem do Parlamento Europeu a defensores dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Ela é favorita para ganhar amanhã o Prêmio Nobel da Paz 2013.

Depois de criar um blogue defendendo a educação feminina, Malala foi alvo de uma tentativa de assassinato. Baleada na cabeça, foi levada para tratamento na Inglaterra, onde se recuperou, tornando-se o símbolo da resistência inocente contra o totalitarismo das milícias fundamentalistas muçulmanas.

Sua voz virou um símbolo poderoso da luta pela educação de jovens e especialmente de meninas, a ponto de receber novas ameaças de morte. Em entrevista à CNN, ela contou o que diria aos líderes dos Talebã, com quem defende um diálogo pela paz: "Eu falaria sobre os benefícios que a educação traria para os filhos deles e terminaria dizendo: a decisão é de vocês".

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Menina baleada pelos Talebã tem alta na Inglaterra

Malala Yussafzai, a menina paquistanesa de 14 anos baleada pela milícia fundamentalista dos Talebã no Paquistão por defender o direito das mulheres à educação, recebeu alta do Hospital Santa Elizabeth, em Birmingham, na Inglaterra, onde estava internada.

O caso chocou o mundo inteiro. A milícia prometeu tentar matá-la de novo porque ela estaria difundindo princípios e estilos de vida ocidentais.

Desde os 11 anos, Malala mantinha um blogue na Internet dizendo como gostava da escola e como é importante a educação da mulher. Baleada na cabeça, será submetida a nova cirurgia para reconstituição do crânio.