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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Novembro

 MASSACRE DO DIA DE SÃO BRICE

    Em 1002, acontece um massacre de dinamarqueses na Inglaterra ordenado pelo rei Etelredo II, também conhecido como Etelredo, o Despreparado. Em resposta à invasão e aos frequentes ataques dos vikings, o rei ordena a execução de todos os dinamarqueses que vivem no país.

Etelredo nasce em 968, filho do rei Edgar (959-975). Ascende ao trono em 978 com o assassinato de seu meio-irmão, o rei Eduardo, o Mártir. Sob suspeita de ter participado da morte do irmão, é alvo de desconfiança e deslealdade que minam sua autoridade. Assim, quando os vikings dinamarqueses invadem, em 980, não há uma defesa unificada do país.

Com quase todo o país arrasado, seus esforços de paz fracassam e o invasor cada mais mais feroz e ousado, Etelredo ordena o massacre. No fim de 1013, o rei dinamarquês Sweyn I é reconhecido como rei da Inglaterra. Etelredo foge para a Normandia. Ele recupera o trono em 1014 e governa até a morte, em 23 de abril de 1016.

Etelredo tem 16 filhos de dois casamentos, com Elgiva de York e Ema da Normandia, tia-avó de Guilherme, Duque da Normandia, que reivindica a coroa, invade a Inglaterra em 1066 e entra para a história como Guilherme I, o Conquistador.

A Conquista Normanda é um marco na história da Inglaterra. Está na origem de séculos de guerras e reivindicações de soberania entre a França e a Inglaterra que só acabam com a aliança na Entente Cordiale, em 1904, para fazer frente à ascensão da Alemanha.

ILHA DO TESOURO

    Em 1850, nasce em Edimburgo, na Escócia, o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de clássicos da literatura como  A Ilha do Tesouro O Médico e o Monstro.

Um dos escritores britânicos mais importantes do século 19 e um dos autores mais traduzidos do mundo, é também um ativista político, crítico social e humanista.

Filho de um engenheiro civil de sucesso, ele tem problemas de saúde. Aos 17 anos, entra para a Universidade de Edimburgo para estudar direito. Depois de se formar, em 1873, ele se muda para Londres para fugir do círculo familiar e da moral puritana.

Em 1876, Stevenson conhece na França uma norte-americana 10 anos mais velha, Fany Van de Grift Osbourne, com quem se casa em São Francisco da Califórnia em 1880. Publica sem primeiro livro, uma narrativa de viagem, em 1878.

Com tuberculose, é internado em 1881 em Davos, na Suíça. O sucesso vem em 1886, com o lançamento de O Médico e o Monstro. Em 1888, aventura-se com a mulher e o enteado numa viagem de veleiro pelo Sul do Oceano Pacífico, onde se apaixona pela natureza tropical e decide morar em Apia, nas Ilhas Samoa. Em 1894, publica Noites das Ilhas, um de meus livros favoritos, e morre prematuramente em 3 de dezembro.

ERUPÇÃO DO NEVADO DEL RUIZ

    Em 1985, uma erupção do Nevado del Ruiz, o vulcão mas ativo da Cordilheira dos Andes na Colômbia, gera uma avalanche de lava, lama e gelo da neve do topo da montanha que vai até 100 quilômetros de distância e mata mais de 23 mil pessoas. É a segunda erupção vulcânica mais mortal do século 20.

Uma chuva torrencial piora a situação e causa enchentes. A cidade mais atingida é Armero, onde morrem três quartos dos 28,7 mil habitantes.

O Nevado del Ruiz, de 5.370 metros de altura, dá os primeiros sinais de que vai entrar em erupção um ano antes. A maioria dos moradores dos vales sobreviveria se morasse em lugares mais altos.

QUEDA DE CABUL

    Em 2001, depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro, a Aliança do Norte toma o poder em Cabul.

Quando fica evidente que a rede terrorista Al Caeda é responsável pelos ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos EUA, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA atacam o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001. 

Os objetivos são caçar os terroristas d'al Caeda e derrubar o regime da milícia fundamentalista dos Talebã, que acolhia os campos de treinamento do terror. O regime cai em 28 de ourubro. A Aliança do Norte, inimiga dos Talebã, é usada como força terrestre aliada para tomar Cabul.

TERROR EM PARIS

    Em 2015, o grupo terrorista Estado Islâmico comete uma série de atentados que matam 132 pessoas e ferem outras 416 em Paris e na cidade-satélite de St.-Denis, no maior ataque à França depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Às 21h15 pela hora local, três terroristas suicidas se detonam do lado de fora depois de não conseguir entrar no Estádio da França, em St.-Denis, onde jogam Alemanha e França, com o presença do presidente francês, François Hollande.

Outro grupo ataca bares, cafés e restaurantes, enquanto um terceiro comando terrorista invade o teatro Bataclan, onde há um concerto de rock. Os jihadistas tomam reféns, enfrentam a polícia e se explodem como homens-bomba, matando 90 pessoas.

O Estado Islâmico nasce como Al Caeda no Iraque, depois da intervenção militar dos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e da alienação da minoria sunita. Na guerra civil da Síria, vira Estado Islâmico do Iraque e do Levante, rompe com a rede terrorista Al Caeda, toma Mossul, uma das maiores cidades iraquianas, e proclama a fundação de um califado de jurisdição universal, em 2014.

Quando o Estado Islâmico começa a matar reféns ocidentais, os EUA, a França e o Reino Unido passam a bombardear o califado. Os atentados em Paris são a retaliação dos jihadistas.

A capital francesa é alvo do terrorismo de extremistas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015, quando é atacado o jornal satírico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, e mais ações nos dias seguintes, com um total de 16 mortes. Esses ataques são de jihadistas ligada a Al Caeda.

Desde então, a França, que tem a maior população muçulmana da Europa depois da Rússia, cerca de 5 milhões de habitantes, é alvo de atentados terroristas. Em outubro de 2020, três pessoas, inclusive a brasileira Simone Barreto Silva, são mortas num ataque a uma igreja. Em 2022, o professor Samuel Paty é degolado depois de ser acusado de islamofobia por uma estudante de 13 anos que depois confessa a mentira.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Novembro

MASSACRE DO DIA DE SÃO BRICE

    Em 1002, acontece um massacre de dinamarqueses na Inglaterra ordenado pelo rei Etelredo II, também conhecido como Etelredo, o Despreparado. Em resposta à invasão e aos frequentes ataques dos vikings, o rei ordena a execução de todos os dinamarqueses que vivem no país.

Etelredo nasce em 968, filho do rei Edgar (959-975). Ascende ao trono em 978 com o assassinato de seu meio-irmão, o rei Eduardo, o Mártir. Sob suspeita de ter participado da morte do irmão, é alvo de desconfiança e deslealdade que minam sua autoridade. Assim, quando os vikings dinamarqueses invadem, em 980, não há uma defesa unificada do país.

Com quase todo o país arrasado, seus esforços de paz fracassam e o invasor cada mais mais feroz e ousado, Etelredo ordena o massacre. No fim de 1013, o rei dinamarquês Sweyn I é reconhecido como rei da Inglaterra. Etelredo foge para a Normandia. Ele recupera o trono em 1014 e governa até a morte, em 23 de abril de 1016.

Etelredo tem 16 filhos de dois casamentos, com Elgiva de York e Ema da Normandia, tia-avó de Guilherme, Duque da Normandia, que reivindica a coroa, invade a Inglaterra em 1066 e entra para a história como Guilherme I, o Conquistador.

A Conquista Normanda é um marco na história da Inglaterra. Está na origem de séculos de guerras e reivindicações de soberania entre a França e a Inglaterra que só acabam com a aliança na Entente Cordiale, em 1904, para fazer frente à ascensão da Alemanha.

ILHA DO TESOURO

    Em 1850, nasce em Edimburgo, na Escócia, o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de clássicos da literatura como  A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro.

Um dos escritores britânicos mais importantes do século 19 e um dos autores mais traduzidos do mundo, é também um ativista político, crítico social e humanista.

Filho de um engenheiro civil de sucesso, ele tem problemas de saúde. Aos 17 anos, entra para a Universidade de Edimburgo para estudar direito. Depois de se formar, em 1873, ele se muda para Londres para fugir do círculo familiar e da moral puritana.

Em 1876, Stevenson conhece na França uma norte-americana 10 anos mais velha, Fany Van de Grift Osbourne, com quem se casa em São Francisco da Califórnia em 1880. Publica sem primeiro livro, uma narrativa de viagem, em 1878.

Com tuberculose, é internado em 1881 em Davos, na Suíça. O sucesso vem em 1886, com o lançamento de O Médico e o Monstro. Em 1888, aventura-se com a mulher e o enteado numa viagem de veleiro pelo Sul do Oceano Pacífico, onde se apaixona pela natureza tropical e decide morar em Apia, nas Ilhas Samoa. Em 1894, publica Noites das Ilhas, um de meus livros favoritos, e morre prematuramente em 3 de dezembro.

ERUPÇÃO DO NEVADO DEL RUIZ

    Em 1985, uma erupção do Nevado del Ruiz, o vulcão mas ativo da Cordilheira dos Andes na Colômbia, gera uma avalanche de lava, lama e gelo da neve do topo da montanha que vai até 100 quilômetros de distância e mata mais de 23 mil pessoas. É a segunda erupção vulcânica mais mortal do século 20.

Uma chuva torrencial piora a situação e causa enchentes. A cidade mais atingida é Armero, onde morrem três quartos dos 28,7 mil habitantes.

O Nevado del Ruiz, de 5.370 metros de altura, dá os primeiros sinais de que vai entrar em erupção um ano antes. A maioria dos moradores dos vales sobreviveria se morasse em lugares mais altos.

QUEDA DE CABUL

    Em 2001, depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro, a Aliança do Norte toma o poder em Cabul.

Quando fica evidente que a rede terrorista Al Caeda é responsável pelos ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos EUA, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA atacam o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001. 

Os objetivos são caçar os terroristas d'al Caeda e derrubar o regime da milícia fundamentalista dos Talebã, que acolhia os campos de treinamento do terror. O regime cai em 28 de ourubro. A Aliança do Norte, inimiga dos Talebã, é usada como força terrestre aliada para tomar Cabul.

TERROR EM PARIS

    Em 2015, o grupo terrorista Estado Islâmico comete uma série de atentados que matam 130 pessoas e ferem outras 416 em Paris e na cidade-satélite de St.-Denis, no maior ataque à França depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Às 21h15 pela hora local, três terroristas suicidas se detonam do lado de fora depois de não conseguir entrar no Estádio da França, em St.-Denis, onde jogam Alemanha e França, com o presença do presidente francês, François Hollande.

Outro grupo ataca bares, cafés e restaurantes, enquanto um terceiro comando terrorista invade o teatro Bataclan, onde há um concerto de rock. Os jihadistas tomam reféns, enfrentam a polícia e se explodem como homens-bomba, matando 89 pessoas.

O Estado Islâmico nasce como Al Caeda no Iraque, depois da intervenção militar dos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e da alienação da minoria sunita. Na guerra civil da Síria, vira Estado Islâmico do Iraque e do Levante, rompe com a rede terrorista Al Caeda, toma Mossul, uma das maiores cidades iraquianas, e proclama a fundação de um califado de jurisdição universal, em 2014.

Quando o Estado Islâmico começa a matar reféns ocidentais, os EUA, a França e o Reino Unido começam a bombardear o califado. Os atentados em Paris são a retaliação dos jihadistas.

A capital francesa é alvo do terrorismo de extremistas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015, quando é atacado o jornal satírico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, e mais ações nos dias seguintes, com um total de 16 mortes. Esses ataques são de jihadistas ligada a Al Caeda.

Desde então, a França, que tem a maior população muçulmana da Europa depois da Rússia, cerca de 5 milhões de habitantes, é alvo de atentados terroristas. Em outubro de 2020, três pessoas, inclusive a brasileira Simone Barreto Silva, são mortas num ataque a uma igreja. Em 2022, o professor Samuel Paty é degolado depois de ser acusado de islamofobia por uma estudante de 13 anos que depois confessa a mentira.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Estado Islâmico ataca aeroporto de Cabul e mata 13 militares dos EUA

 O atentado terrorista anunciado ontem pelos serviços secretos dos Estados Unidos e do Reino Unido se concretizou hoje. Um terrorista suicida se detonou na área do aeroporto de Cabul, a capital do Afeganistão, matando cerca de 170 civis afegãos 13 fuzileiros navais americanos. 

Outros 15 militares dos EUA foram feridos. O Estado Islâmico da Província do Coração (Khorasan) reivindicou a autoria do atentado, mais uma desmoralização para a desastrada retirada dos EUA.

Em entrevista neste momento, o presidente Joe Biden declarou se sentir "ultrajado", com o "coração partido", e prometeu "não perdoar nem esquecer. Vamos caçar vocês e fazê-los pagar" pelos crimes cometidos. É um líder fragilizado, com a política externa que pretende defender a democracia e os direitos humanos duramente abalada.

O erro fundamental da retirada foi abandonar antes da hora a base aérea de Bagram, que poderia ser usada como alternativa ao aeroporto de Cabul, criticou o senador republicano Lindsay Graham. Os EUA simplesmente abandonaram a base durante a noite e foram embora. Não avisaram o governo afegão e nem mesmo os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A ação terrorista viola várias cláusulas do acordo de paz firmado em fevereiro de 2020 pelo governo Donald Trump e o Emirado Islâmico do Afeganistão, que os EUA dizem não reconhecer em todas as cláusulas.

Pelo acordo, a Milicía dos Talebã (Estudantes) se comprometeu a não atacar a retirada as forças internacionais que bombardearam e invadiram o Afeganistão a partir de 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados de 11 de setembro, realizado pela rede terrorista Al Caeda, que tinha bases no país. Também prometeu não deixar o território afegão ser usado como base para ataques a americanos e aliados.

O próprio nome Estado Islâmico da Província do Coração implica uma reivindicação sobre o Grande Coração, uma região que inclui parte do Nordeste do Irã, que tem províncias com este nome, a maior parte do Norte do Afeganistão e o Sul do Turcomenistão, do Tajiquistão e do Usbequistão. Existe desde 2015, depois que o Estado Islâmico proclamou, em 2014, a fundação de um califado nas terras que ocupava no Iraque e na Síria. Não pretende se limitar ao território afegão, cujas fronteiras não reconhece.

O acordo previa uma redução das hostilidades, não um cessar-fogo definitivo. Deveria ser complementado por um acordo de paz entre os Talebã e o governo-fantoche instalado pelos EUA, mas este governo nunca foi reconhecido pela maioria do povo afegão. Na última eleição presidencial, em 2020, votaram 1,8 milhões de eleitores num país de 39 milhões de habitantes. 

A pseudodemocracia imposta pela guerra, em aliança dos EUA com senhores da guerra notoriamente corruptos como o ex-vice-presidente Rachid Dostum, não melhorou a vida do povo afegão no interior do país, onde vivem 75% da população. O povo não está preocupado com o regime político, mas com as condições de vida.

As milícias extremistas muçulmanas sabiam que os EUA e aliados iriam sair. Assim, seria apenas uma questão de tempo até os Talebã retomarem o poder. E a história recente mostra que o acontece no Afeganistão não fica no Afeganistão.

Dias atrás, o presidente Joe Biden ameaçou retaliar se os americanos fossem atacados durante a caótica retirada vista desde que os talebã entraram na capital afegã, em 15 de agosto. O problema é que a multidão que tenta desesperadamente sair do país através do aeroporto de Cabul é extremamente vulnerável a retaliações, o que amarra as mãos dos americanos. É praticamente impossível barrar um terrorista suicida no meio da multidão. Seria necessário montar várias barreiras de segurança a caminho do aeroporto.

Depois de 43 anos de guerra, desde que oficiais ligados ao Partido Comunista deram um golpe em 27 e 28 de abril de 1978, o Afeganistão precisa de paz a estabilidade para reconstruir o país miserável, extremamente dependente do exterior. Cerca de 43% do orçamento nacional vêm de ajuda internacional.

Com a Embaixada Americana em Cabul fechada, a China e a Rússia entram no vácuo de poder deixado pela retirada dos EUA. A Índia perde porque os Talebã são aliados do arqui-inimigo Paquistão, que pode usar os jihadistas afegãos na luta contra o domínio indiano sobre a Caxemira. A China reconheceu tacitamente o governo dos talebã ao receber no Grande Salão do Povo, em Beijim, o líder político da milícia, Abdul Ghani Baradar.

A China usa sua diplomacia econômica para conquistar apoio, especialmente de países em desenvolvimento, com o megaprojeto Um Cinturão Uma Rota, a Nova Reta da Seda, com orçamento de US$ 4 a 8 trilhões (R$ 21 a 42 trilhões), entre outras iniciativas. Pode investir centenas de milhões ou até bilhões de dólares na reconstrução do país em busca da estabilidade e negociar concessões para explorar os vastos recursos minerais do Afeganistão. 

Tanto a China quanto a Rússia, e também a Índia, têm problemas com revoltas muçulmanas, a Rússia no Sul do Cáucaso, nas repúblicas da Chechênia, da Inguchétia e do Daguestão. 

A China mantém cerca de 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação comparados a campos de concentração na província de Xinjiang. 

Na Índia, o primeiro-ministro fundamentalista hindu Narendra Modi acabou com a autonomia da Caxemira, em 5 de agosto de 2019, e impôs uma administração direta que governa sob estado de emergência

Há usbeques e uigures lutando ao lado dos talebã no Afeganistão. É provável que grupos jihadistas tentem usar o Afeganistão para lançar ataques contra a China. Os Talebã têm várias facções. Muitas são contra fazer concessões.

Quanto aos EUA, a superpotência derrotada e humilhada, se a Guerra contra o Terror que começou em 11 de setembro de 2001 com os ataques a Nova York e ao Pentágono termina assim, com o caos e a morte de fuzileiros navais americanos em Cabul, elevando o total de militares dos EUA mortos no Afeganistão para 2.460, sofreram uma derrota dupla. 

Tudo indica que a guerra não acabou. A vitória dos talebã dá nova vida aos grupos jihadistas no mundo inteiro. E o Estado Islâmico entende que os talebã não são suficientemente radicais. Afinal, negociaram com os EUA.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

EUA fogem do cemitério dos impérios

O Afeganistão é o “cemitério dos impérios”. Desde Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos, que morreu aos 33 anos em 323 antes de Cristo, ninguém conquista o Afeganistão. 

O Império Mongol, de Gêngis Khan, tomou a metade do país do Império Corásmio (persa) numa guerra brutal de 1219 a 1221. Na cidade de Herat, onde o sobrinho favorito do Grande Khan foi morto, de 150 mil habitantes, sobreviveram 60. A brutalidade e as políticas de extermínio dos mongóis são comparáveis ao nazismo. 

GRANDE JOGO 
No século 19, o Afeganistão é enquadrado no Grande Jogo entre o Império Britânico, que dominava a Índia, e o Império Russo, na disputa geopolítica por influência na Ásia Central. O país era um Estado-tampão entre os dois impérios. 

A Linha Durand, a fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, foi traçada por Sir Mortimer Durand, secretário de Estado do governo colonial britânico na Índia, em 1893. Divide artificialmente as tribos pastós, que são 42% da população do Afeganistão e a etnia da maioria dos talebã, e são 15% da população do Paquistão, com a mesma cultura, o mesmo idioma e a mesma organização social dos dois lados da fronteira. 

Depois da Terceira Guerra Anglo-Afegã, em 1919, o Afeganistão recupera a independência como uma monarquia até a queda do rei Zahrir Shah, em 17 de julho de 1973, quando um golpe branco do ex-primeiro-ministro Mohamed Daud Khan, primo e cunhado do rei, proclama a República. Daud Khan governa cinco anos até a Revolução de Saur, o segundo mês do calendário persa. 

INVASÃO SOVIÉTICA 
Num golpe sangrento, em 27 e 28 de abril de 1978, os comunistas do Partido Popular Democrático tomam o poder, instalam um regime soviético sob a liderança do secretário-geral Nur Muhamad Taraki e iniciam uma série de reformas que enfrentam forte oposição em zonas rurais do interior do país. 

Em setembro de 1979, um golpe dentro do regime mata Taraki. O primeiro-ministro Hafizullah Amin assume a Secretaria-Geral do partido. A União Soviética não aceita o golpe e invade o Afeganistão em 26 de dezembro de 1979. Amin é deposto e morto. Babrak Karmal é o novo líder. Começa a Segunda Guerra Fria, depois da détente do início da década, quando o presidente americano Richard Nixon foi à China e à URSS, em 1972. 

Logo se forma uma aliança para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS: os EUA, governados por Ronald Reagan (1981-89); o Paquistão, dominado pelo ditador Zia ul-Haq, aliado americano na Guerra Fria e maior responsável pelo extremismo muçulmano no país; a China, inimiga da URSS no mundo comunista; e a Arábia Saudita, rica em petrodólares, exportadora do wahabismo, sua versão ortodoxa, ultraconservadora, extremista, austera, fundamentalista e puritana do islamismo. 

Os EUA dão armas e treinamento, a Arábia Saudita entra com dinheiro e voluntários, o Paquistão com os centros de treinamento e a China, aliada do Paquistão, com apoio político e diplomático. Ossama ben Laden é um dos enviados pela monarquia saudita para a guerra de guerrilhas contra o Exército Vermelho. É um dos ‘árabes afegãos’. 

As armas decisivas são os mísseis antiaéreos portáteis Stinger, disparados com apoio no ombro, lançados pelos EUA em 1981. Ao derrubar os aviões inimigos, acabam com a superioridade aérea dos soviéticos, que, como os americanos, nunca controlaram o interior de um país inóspito e montanhoso, próprio para a resistência de quem conhece o terreno. 

A invasão soviética dura nove anos e um mês. Mata de 562 mil a 2 milhões de afegãos e mais de 25 mil soldados soviéticos. Seis milhões fogem de casa, 2 a 3 milhões vão para o Paquistão e cerca de 1 milhão para o Irã. Deixa o país arrasado e em situação de anarquia, com os diferentes grupos armados que expulsaram os soviéticos brigando entre si. 

O último líder instalado pelo soviéticos, Mohamed Najibullah, é deposto em 16 de abril 1992, quando o Afeganistão cai num estado de anarquia geral.Vira uma terra sem lei onde vale a lei do mais forte e existe todo tipo de abuso. 

MILÍCIA DOS ESTUDANTES 
Neste ambiente selvagem de anarquia e guerra civil, a Milícia dos Talebã (Estudantes), nasce em setembro de 1994, fundada em Kandahar pelo mulá Mohamed Omar e 50 estudantes, todos oriundos das madraças, as escolas religiosas do Paquistão só para homens e que só ensinam o Corão, o livro sagrado do islamismo. 

Com financiamento saudita para difundir o wahabismo, elas se multiplicaram no governo Zia e foram importantes para os refugiados afegãos porque oferecem casa e comida para os alunos. Hoje, são 30 mil no Paquistão, com mais de 2,5 milhões de alunos. 

Omar estava insatisfeito porque o comunismo soviético não fora substituído pela lei corânica. Estava decidido a impor o deobandismo, sua corrente radical do Islã, como fonte de todo o poder no país. Começou dando enterro digno a menores vítimas de abuso sexual para conquistar a confiança da comunidade. 

Como a anarquia no Afeganistão criava insegurança e roubos e assaltos constantemente nas rotas de comércio que passavam pelo país, o poderoso serviço secreto militar do Paquistão, então governado pela primeira-ministra Benazir Bhutto, apoiou o movimento. De acordo com o jornalista Ahmed Rashid, de 1994 a 1999, 80 a 100 mil paquistaneses lutaram ao lado dos talebã no Afeganistão. 

Além do Paquistão, a milícia fundamentalista recebeu ajuda da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, e um apoio discreto dos EUA, que chegaram a dar dinheiro ao governo dos Talebã para combater a produção e o tráfico de opiáceos. 

EMIRADO ISLÂMICO 
No início de 1995, os talebã iniciam a marcha rumo a Cabul, mas sofrem uma grande derrota para as forças do governo sob o comando de Ahmed Shah Massoud. Mas, em 5 de setembro de 1995, conquistam Herat, a terceira maior cidade do país, na região de maioria xiita próxima ao Irã. Em 27 de setembro de 1996, tomam Cabul e fundam o Emirado Islâmico do Afeganistão. Massoud continua a luta como líder da Aliança do Norte. 

Num país arrasado por quase duas décadas de guerra, faltam água e energia. Poucos telefones funcionam. Poucas estradas são transitáveis. Os laços de clã e família estão desgastados pela guerra sem fim. A mortalidade infantil é a maior do mundo. Um quarto das crianças não chega aos 5 anos. 

O Afeganistão depende da ajuda de organizações internacionais, mas o regime talebânico vê com suspeita as atividades de organizações não governamentais e o trabalho de mulheres. A ONU sai do país em setembro de 1997, depois que o mulá Omar decide que as mulheres só viagem no país acompanhadas de um homem com que tenham laços familiares. 

Sob a ditadura teocrática dos talebã, eram proibidos: 
• a homossexualidade, passível de pena de morte; 
• toda forma de sexo que não entre pessoas casadas; 
• televisão, considerada um insulto ao Islã por reproduzir a figura humana; 
• fazer a barba, porque estaria no Corão e nos ditos do profeta Maomé, que também usaria barba; 
• ouvir música; 
• ter pássaros em gaiola, que eram mortos em vez de libertados; 
• ler livros suspeitos: literatura considera anti-islâmica dava até pena de morte; 
• a Internet, para afegãos e estrangeiros; • mulheres saírem de casa sozinhas, mesmo num país há décadas em guerra; e 
• o Dia do Trabalho, visto como um feriado comunista. 

DETRITO DA GUERRA FRIA 
Depois de vencer a URSS, os ‘árabes afegãos’ fundam em 1988 a rede terrorista Al Caeda (A Base), sob a liderança de Ben Laden e do médico egípcio Ayman al-Zawahiri, envolvido no assassinato do presidente egípcio Anuar Sadat, em 1981. A rede Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria, um instrumento usado para combater a URSS que se volta contra os EUA. 

Quando os EUA mandam forças para a Arábia Saudita após a invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein, em agosto de 1990, com mulheres dirigindo caminhões no solo sagrado do Islã, os jihadistas encontram um novo inimigo, com quem já tinha diferenças pela questão de Israel e das intervenções militares ocidentais no Oriente Médio. 

Em 7 de agosto de 1998, dois atentados terroristas com caminhões-bomba contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia matam 224 pessoas, entre elas 12 americanos. O presidente Bill Clinton retália. Manda bombardear uma companhia farmacêutica no Sudão e centros de treinamento da Caeda no Afeganistão, mas fica nisso. Não leva à frente as consequências de suas ações. 

GLOBALIZAÇÃO DO TERRORISMO 
A resposta fulminante vem em 11 de setembro de 2001, surpreende o mundo e muda a história. Ben Laden é considerado o homem que mais influenciou o mundo no início do século 21. Numa globalização do terrorismo, leva as guerras do Oriente Médio para dentro do território dos EUA. Nem ele esperava que as Torres Gêmeas desabassem, com a estrutura amolecida pelo fogo. 

O pior ataque da história ao território dos EUA matou 2.977 pessoas, mais do que as 2.403 mortes do bombardeio japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que levou os EUA à Segunda Guerra Mundial (1939-45). O território continental dos EUA não era atacado desde a Batalha do Álamo, de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836, um cerco de 13 dias do Exército do México sob o comando do presidente, general Antonio López de Santa Anna, que combatia a Revolução do Texas, em que todos os texanos morreram. E o Texas ainda não era parte dos EUA. Só adere em 1845.

Como o regime afegão se nega a entregar Ben Laden e Al Caeda, em 7 de outubro de 2001, começa a Guerra do Afeganistão com um bombardeio aéreo, a autorização do Conselho de Segurança da ONU e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com base no princípio de que um ataque contra um é um ataque contra todos. 

Três semanas depois, cai o regime extremista dos talebã. Os EUA e aliados chegam a cercar Ben Laden e a cúpula da rede terrorista nas cavernas do Nordeste do Afeganistão na Batalha de Tora Bora (Caverna Negra na língua pastó), de 6 a 17 de dezembro de 2001. Duzentos jihadistas morrem e 60 são presos. Ben Laden escapa pelas Montanhas Brancas e se refugia em regiões tribais do Paquistão, perto de Abotabade, onde é localizado e morto em 2 de maio de 2011. 

Depois da frustração em Tora Bora, o governo George W. Bush abandona o Afeganistão e muda o foco da “guerra contra o terror” (uma contradição, porque o terror é uma tática de guerra, não um inimigo) para a invasão do Iraque, que não tinha relação alguma com os atentados de 11 de setembro e se tornaria em novo celeiro de jihadistas. 

EIXO DO MAL 
Em 29 de janeiro de 2002, Bush faz no Congresso o Discurso sobre o Estado da União e fala num “eixo do mal” formado por Irã, Iraque e Coreia do Norte. Logo, manifesta a intenção de invadir o Iraque. Os outros países dois aceleram seus programas nucleares. Como observou o ministro da Defesa da Índia que explodiu a bomba atômica em maio de 1998, Jaswant Singh, para enfrentar os EUA é preciso ter armas nucleares. 

A invasão do Iraque divide a aliança militar ocidental. A França e a Alemanha estão prontas a votar contra no Conselho de Segurança da ONU, mas a questão não é colocada em votação. Ao alienar a minoria sunita, que estava no poder há séculos, desde que a região passou a ser dominada pelo Império Otomano no século 16, e dissolver as forças de segurança, os EUA jogaram na clandestinidade e no desemprego centenas de milhares de homens com formação militar, alguns armados, porque Saddam Hussein não enfrentou os EUA e os sunitas guardaram as armas. 

A revolta sunita é dominada pelo que viria a ser a rede Al Caeda no Iraque, que ataca o complexo da ONU em Bagdá em 19 de agosto de 2003 e mata 22 pessoas, inclusive o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado especial do secretário-geral da ONU ao país. Em 15 de outubro de 2006, Al Caeda no Iraque forma com outros grupos jihadistas o Estado Islâmico do Iraque. Em 2007, Bush envia reforço de tropas negligenciando ainda mais o Afeganistão. 

Se o objetivo maior era caçar Ben Laden, foi atingido em 2 de maio de 2011. O cemitério dos impérios vira uma pedra na bota imperial dos EUA, uma guerra sem fim numa terra estranha e desconhecida sem ameaça direta ao país. Os talebã sempre estiveram presentes e atacaram nos verões. 

GUERRAS SEM FIM 
As “guerras eternas” do Iraque e do Afeganistão deixam uma lição: não basta ganhar a guerra, é preciso conquistar a paz, construir ou reconstruir o Estado e a nação. Caso contrário, o esforço costuma ser inútil porque as causas do conflito continuam lá. 

Os governos-fantoches afegãos foram minados pela corrupção. As forças de segurança nunca foram capazes de defender o país. Nos últimos dias, abandonaram a luta. Os EUA e o fracasso Exército afegão deixaram armas, equipamentos e munições para o inimigo, que tem hoje 66 helicópteros de combate, mais do que a Austrália. 

Os EUA reconstruíram Estados e nações no Plano Marshall, quando investiram US$ 13 bilhões (US$ 114 bilhões de 2020) na recuperação da Europa Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Estavam preocupados com a influência da URSS na Guerra Fria. Era parte de uma nova guerra.

RENDIÇÃO E TRAIÇÃO 
Ao entregar o Afeganistão a quem o aterrorizava 20 anos atrás, o presidente Joe Biden comete seu primeiro grande erro de política externa. Trai a confiança de quem cooperou com os EUA e aliados todos estes anos, as mulheres, os LGBTs, as minorias étnicas e religiosas, os artistas e intelectuais... 

Há mais de 1,4 milhão de refugiados afegãos no Paquistão e 800 mil no Irã, e meio milhão de deslocados internamente. Estes números só tendem a aumentar. 

As cenas no aeroporto de Cabul, onde sete pessoas morreram, lembram a fuga desesperada da Embaixada Americana em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, no fim da Guerra do Vietnã, em 30 de abril de 1975, são dantescas. Centenas de civis queriam parar um gigantesco avião dos EUA como se pudessem pegar uma carona, com alguns que se agarraram do lado de fora caindo logo depois da decolagem.  

Em entrevista nesta segunda-feira, o presidente Biden declarou que os EUA não estavam no Afeganistão para construir a nação. Era exatamente o que deveriam ter feito: derrotar os talebã e reconstruir o país arrasado por décadas de guerra. Se "a guerra é a continuação da política por outros meios", como definiu o estrategista alemão Carl von Clausewitz, quando acaba a guerra é necessária uma solução política. 

Os jihadistas costumam documentar suas atrocidades e podem começar a divulgar em breve os julgamentos sumários e execuções com base no direito corânico. São imagens que vão atormentar Biden e manchar seu governo, desmoralizar sua campanha de promoção da democracia e o suposto compromisso dos EUA com os direitos fundamentais do homem.

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domingo, 1 de março de 2020

Presidente do Afeganistão rejeita libertação de talebã presos

Já enfrenta problemas o acordo dos Estados Unidos com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) para a retirada das forças americanas do Afeganistão, assinado ontem. O presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, rejeita a libertação de 5 mil mil inimigos presos.

"O governo do Afeganistão não se comprometeu a libertar 5 mil prisioneiros dos Talebã. O presidente Donald Trump não me pediu isso. Esta é uma decisão soberana do Afeganistão que só será tomada dentro de um amplo acordo de paz", declarou Ghani em pronunciamento na televisão.

A segunda etapa do acordo é uma negociação direta entre o regime instalado depois da invasão americana iniciada em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados de 11 de setembro, perpetrados pela rede terrorista Al Caeda, que tinha suas principais bases no Afeganistão, sob a proteção do governo dos Talebã.

Em três semanas, os EUA derrubaram o regime dos Talebã. Depois da fuga de Ossama ben Laden e da cúpula d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, o então presidente americano George W. Bush citou um suposto "eixo do mal" no Discurso sobre o Estado da União de 2002 e concentrou recursos na invasão do Iraque, em março de 2003.

Com a perda de importância, a Guerra do Afeganistão ficou em segundo plano, o que permitiu a reorganização dos Talebã. O governo-fantoche imposto pelos EUA nunca controlou todo o território afegão e nem mesmo a capital, Cabul, alvo de inúmeros atentados terroristas.

Hoje a Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Desde 2001, cerca de 157 mil pessoas morreram nesta guerra, sendo 43 mil civis e quase 3,5 mil soldados das forças internacionais, sendo 2.440 americanos.

Tudo aponta para uma situação semelhante à do Vietnã, onde o governo-fantoche instalado por Washington no Vietnã do Sul caiu em 30 de abril de 1975, dois anos depois do acordo de paz que levou à retirada dos soldados americanos.

Em troca da retirada americana, os Talebã devem se comprometer a não abrigar mais grupos terroristas como Al Caeda e o Estado Islâmico. Dada a identidade ideológica entre eles, é promessa difícil de cumprir.

Vinte e dois senadores republicanos e democratas enviaram carta aos secretários da Defesa, Mark Esper, e de Estado, Mike Pompeo, advertindo que "os talebã não são de fato parceiros na luta contra o terrorismo, e imaginar que sejam é ignorar sua longa história de ações e missões jihadistas. Eles nunca denunciaram Al Caeda, não entregaram os líderes d'al Caeda vivendo sob sua proteção, nem pediram desculpas por abrigar os terroristas que realizaram os ataques de 11 de setembro."

No século 19, o Afeganistão expulsou o Império Britânico, que perdeu 4,5 mil homens no país, conhecido como cemitério de impérios. A União Soviética invadiu em 1979 e saiu em 1989 depois da morte de 25 mil soldados. Chegou a vez dos EUA.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Talebã admitem reduzir ataques para retomar negociações com os EUA

A milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) está pronto para "reduzir" as ações militares para retomar as negociações de paz e assinar um acordo para retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, anunciou o principal porta-voz do grupo, Suhail Shashin, em entrevista ao jornal paquistanês Dawn.

"É uma questão de dias", afirmou o porta-voz, revelando uma autoconfiança talvez injustificada. As negociações com Washington começaram em julho de 2018 e foram interrompidas pelo governo Donald Trump em setembro de 2019 por causa das ações dos Talebã, retomadas e suspensas de novo em dezembro, depois de um ataque ao Aeródromo de Bagram, a maior base militar dos EUA no país.

Os Talebã surgiram em 1994 para combater a anarquia que tomou conta ao Afeganistão depois da retirada da União Soviética e tomaram o poder em 1996, com o apoio do Paquistão, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA.

Quando extremistas muçulmanos realizaram atentados contra as embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia, e Dar-es-Salam, na Tanzânia, em agosto de 1998, o então presidente Bill Clinton ordenou bombardeios às bases da rede terrorista Al Caeda, acolhida pelos Talebã no Afeganistão.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram a vingança de Ossama ben Laden e sua gangue de fanáticos. Mataram 2.996 pessoas.

Menos de um mês depois, os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) invadiram o Afeganistão. Antes do fim do mês, o regime dos Talebã caiu, mas a maior parte da cúpula d'al Caeda, inclusive Ben Laden, escapou na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001.

No ano seguinte, o presidente George W. Bush desviou atenção e recursos para invadir o Iraque e depor Saddam Hussein. Os Talebã se rearticularam e o frágil governo instalado pelos EUA nunca foi capaz de controlar nem metade do território do Afeganistão.

Cerca de 65 mil rebeldes, 63 mil soldados afegãos, 3.562 militares das forças internacionais, sendo 2.420 americanos, 3.937 funcionários civis contratados pelos militares e 38.480 civis foram mortos no Afeganistão.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Analistas apontam maiores riscos de conflitos internacionais em 2020


Todos os anos o Centro para Ação Preventiva do Conselho de Relações Exteriores pede a especialistas em política externa, segurança e defesa para fazerem uma lista dos piores conflitos armados em andamento ou em potencial, as possibilidades de escalada no próximo ano e o impacto internacional. 

Para 2020, foram citados 13 conflitos, com  destaque para o risco de um grande atentado terrorista contra os Estados Unidos cometido ou inspirado por uma organização estrangeira como Al Caeda ou Estado Islâmico, um ataque cibernético à infraestrutura do país, inclusive ao sistema eleitoral, que pode partir da China, da Rússia, do Irã ou da Coreia do Norte, e um confronto entre os Estados Unidos e o Irã ou seus aliados. Meu comentário: