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domingo, 12 de setembro de 2021

Quem ganhou e quem perdeu a Guerra contra o Terror

O colapso da ordem internacional liberal no mundo pós-Guerra Fria

Sob o céu de puríssimo azul de uma manhã de verão em Manhattan, dois aviões de passageiros transformados em mísseis guiados por pilotos suicidas da rede terrorista Al Caeda destruíram, em 11 de setembro de 2001, muito mais do que os maiores prédios de Nova York matando 2.606 pessoas, sem contar os passageiros e tripulantes dos aviões-bomba. 

Outro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento da Defesa, símbolo do poderio militar incontrastável dos Estados Unidos, e matou 125 pessoas. Estavam feridos o orgulho e a glória da única superpotência, que reinava soberana há uma década como única superpotência, desde o desaparecimento da União Soviética no fim da Guerra Fria, em 1991. 

Um quarto avião caiu numa zona rural da Pensilvânia, matando as 69 pessoas a bordo ao ser derrubado pelos passageiros quando ia sequestrado rumo a Washington para atingir a Casa Branca ou o Capitólio. Ao todo, foram 2.977 mortes nos atentados, excluindo os 19 terroristas.

O século 21 nasce num mundo mais autoritário, com mais restrições às liberdades individuais e o medo do terrorista suicida que se infiltra na multidão ou num avião disposto a dar a vida por sua causa, de voluntários do martírio em busca da graça divina eterna e de um lugar no paraíso para desfrutar 72 virgens. 

Junto com as Torres Gêmeas do World Trade Center, cai a ordem internacional liberal do mundo pós-Guerra Fria, que prometia uma era de paz e prosperidade, com o triunfo da democracia liberal e da economia na confrontação estratégica das superpotências que dominaram o mundo na segunda metade do século 20. Ruiu a tese do “fim da história” como confronto ideológico. 

Vinte anos, US$ 8 trilhões e 900 mil mortes depois, inclusive de 6.892 militares americanos, com a caótica retirada do Afeganistão, os Estados Unidos declaram vitória. Mas a fuga desesperada nos últimos dias de estrangeiros e afegãos aliados das forças internacionais lembra a queda de Saigon no fim da Guerra do Vietnã, em 30 de abril de 1975, ou a retirada do Líbano depois de atentados terroristas de extremistas muçulmanos em Beirute que mataram 241 fuzileiros navais americanos e 58 soldados franceses, em 23 de outubro de 1983, ou da Somália depois de mortes de 18 americanos na Batalha de Mogadíscio, em 3 a 4 de outubro de 1993. Três derrotas humilhantes. 

QUEM GANHOU? 
Quem venceu então a Guerra contra o Terror? O nome em si é um equívoco. O terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo (de jihad = guerra santa), o terrorismo dos extremistas islâmicos que pregam a luta armada para converter ou matar os infiéis: “A bolsa, a vida ou o Corão.” 

No passado, na expansão do islamismo pela Europa, dava para comprar lealdade, o que aconteceu com os muçulmanos da Bósnia, que pagavam menos impostos ao Império Otomano se aderissem ao islamismo. Isso praticamente sumiu na Guerra contra o Terror. 

O jihadismo é de certa forma um populismo político. Pesca no mar do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, elementos para criar e justificar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Não pode ser vencida com armas. 

Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. Tem uma base religiosa. Sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo do profeta Maomé. Ao mesmo tempo, usa os recursos tecnológicos do século 21. Criou um califado digital que divulga atrocidades e recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então os militantes se reúnem nas mesquitas.

Inicialmente a vitória foi dos terroristas, que na visão de seu líder, Ossama ben Laden, romperam a aura de invencibilidade dos EUA ao mostrar capacidade de atacar os centros do poder econômico, político e militar da superpotência, ao levar as guerras do Oriente Médio para dentro do território americano e a qualquer lugar do planeta, numa globalização do terrorismo. 

PAQUISTÃO 
No Afeganistão, a grande vitória foi do Paquistão. O serviço secreto militar paquistanês apoia a Milícia dos Talebã (Estudantes) desde um mês depois de sua fundação, em setembro de 1996, quando o Afeganistão vivia um período de anarquia depois da retirada da União Soviética, em 1989. 
 
O ministro do Exterior paquistanês foi a Cabul pacificar as diferentes correntes dos talebã, se encontrou com as lideranças da milícia fundamentalista sunita e com o novo ministro do Interior afegão, Sirajuddin Hakkani, que está na lista de terroristas procurados pelos EUA. Ele é filho de Jalaluddin Hakkani, que foi recebido pelo presidente Ronald Reagan na Casa Branca quando lutava conta a invasão soviética (1979-89), embora haja quem diga que esse encontro nunca ocorreu. 

Antes de se tornar chefe de governo do Paquistão, o atual primeiro-ministro, Imran Khan, admitiu que a Rede Hakkani é o braço do Exército do Paquistão na guerra civil afegã. O ministro do Interior do Afeganistão tem boas relações com a rede Al Caeda. 

Está recriado o ambiente onde floresceram os terroristas que atacaram o World Trade Center. O atentado contra o aeroporto de Cabul em que morreram 13 militares americanos e 170 civis afegãos, em 26 e agosto, cometido pelo Estado Islâmico do Coração (Khorasan) mostra que os talebã dificilmente terão controle absoluto sobre o território afegão, que pode servir da base para ataques aos países vizinhos, aos EUA e aliados, à China, à Rússia ou à Europa. 

Como 43% do produto interno bruto do Afeganistão vêm de ajuda externa, os talebã precisam de reconhecimento, ajuda e financiamento internacionais, um forte estímulo para a moderação. Mas a ideologia não mudou, voltaram as restrições às mulheres, jornalistas foram espancados ao cobrir manifestações de protesto e os primeiros milicianos do grupo ouvidos por jornalistas estrangeiros nas ruas de Cabul enquanto festejavam a vitória foram claros: “A guerra santa continua até converter todos os infiéis no mundo inteiro.” 

IRà
Na Guerra do Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein, que nada teve a ver com os atentados de 11 de setembro, o grande vencedor foi o Irã. Há hoje um arco muçulmano xiita que vai do Irã ao Mar Mediterrâneo passando pelo Iêmen, o Irã o Iraque, a Síria e o Líbano. 

Ao fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a aliança vencedora (EUA, França e Reino Unido) prometeu aos curdos, maior povo do mundo sem um Estado Nacional, fundar o Curdistão. 

O subsecretário de Estado para o Oriente Médio do Império Britânico, Winston Churchill, quebrou a promessa. Criou o Iraque artificialmente, juntando a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às províncias de Bagdá e Bássora do Império Otomano (turco), vencido e dissolvido. 

Churchill queria um Iraque suficientemente poderoso para conter o Irã. Depois da vitória da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1979, os EUA, a URSS, a Europa e os países árabes apoiaram Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque na expectativa de acabar com a revolução iraniana. Sem sucesso, com um enormes perdas para os dois lados e pelo menos 500 mil mortes. A guerra terminou num impasse, mas ajudou a conter a exportação da revolução islâmica. 

Ao invadir o Iraque, depor Saddam e tentar impor um regime democrático, em 2003, os EUA entregaram o poder à maioria xiita depois de séculos de dominação sunita. A revolta sunita e a infiltração d’al Caeda forjaram o Estado Islâmico, um novo inimigo para o Ocidente e para os regimes do Oriente Médio. E os xiitas têm uma afinidade com o Irã, que controla várias milícias no país e mais de 60 no Oriente Médio. 

Isso leva o governo Trump a matar o principal general iraniano, Kassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, num ataque de mísseis ao aeroporto de Bagdá, em 3 de janeiro de 2020, quase incendiando o Oriente Médio. 

Os EUA saem do Iraque em 2011, quando o primeiro-ministro Nuri al-Maliki se nega a dar imunidade aos soldados americanos por crimes cometidos no país. Voltam em agosto de 2014, no governo Barack Obama (2009-17), para combater o Estado Islâmico depois da degola de cidadãos americanos. 

O Irã também ganha porque seu maior rival no mundo muçulmano, a Arábia Saudita, sai chamuscada. Dos 19 terroristas em ação no 11 de Setembro, 15 eram sauditas, escolhidos a dedo por Ben Laden para tentar romper a aliança EUA-Arábia Saudita. 

Documentos desclassificados recentemente publicados pelo jornal digital The Intercept sugerem que possa haver uma conexão maior dos sauditas com os atentados. Desde que a crise do petróleo de 1973 multiplicou os preços do produto, a Arábia Saudita exporta o wahabismo, sua versão ultraconservadora, reacionária, ascética, moralista e puritana do islamismo, que está na raiz do salafismo, a ideologia do fundamentalismo sunita. 

CHINA 
A China também ganhou, à medida que a Guerra contra o Terror erodiu o poderio e o prestígio dos EUA. Em 2001, a China aderiu à Organização Mundial do Comércio, dando um impulso a seu desenvolvimento econômico, com taxas de crescimento acima de 10% ao ano até a Grande Recessão de 2008. Com o impacto da pandemia, a China deve ultrapassar os EUA e se tornar a maior economia do mundo em produto interno bruto nomina em 2028, cinco anos antes do previsto. 

A intenção de Trump e do atual presidente Joe Biden era e é acabar com a Guerra contra o Terror para reorientar a defesa dos EUA para competidores e potenciais inimigos estratégicos como a China e a Rússia. 

Ao mesmo tempo, a ascensão do autoritarismo e as medidas de exceção adotadas para combater o terrorismo fortaleceram a ditadura militar chinesa no duelo ideológico com a democracia ocidental. O regime comunista chinês, que mantém 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação comparados a campos de concentração na região de Xinjiang, foi o primeiro a oferecer ajuda aos talebã para tentar neutralizar a ameaça jihadista. 

SOLIDARIEDADE 
No primeiro momento após os atentados, os EUA receberam a solidariedade internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a intervenção militar no Afeganistão e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar criada para enfrentar a URSS na Guerra Fria, lutaram ao lado dos americanos com base no princípio de que “um ataque contra um é um ataque contra todos”. Era uma guerra legítima e legal. 

Depois de cercar a cúpula d’al Caeda na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e deixar Ben Laden fugir para o Paquistão, o governo George W. Bush reorientou seus principais esforços na Guerra contra o Terror para invadir o Iraque em 20 de março de 2003, sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa. 

ABUSO DE PODER 
A invasão do Iraque – ilegítima porque os EUA não haviam sido agredidos pelos iraquianos, ilegal porque não teve autorização da ONU e fracassada – racha a aliança transatlântica que foi a base da ordem mundial no pós-Segunda Guerra Mundial no Ocidente e deflagra uma crise no sistema internacional que mudou o mundo. 

A ordem internacional liberal prometida no fim da Guerra Fria entra em colapso e deixa de ser inexorável. Os EUA perdem a autoridade moral como defensores da democracia liberal e minam o poder suave do país, a força do exemplo, da persuasão e da influência cultural. 

Os EUA cometem graves violações dos direitos humanos na Guerra contra o Terror. A partir de janeiro de 2002, começam a transferir prisioneiros para uma prisão instalada na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, onde eles são submetidos a tortura, maus tratos e privações. 

Assim, os EUA lhes negavam os direitos garantidos pela lei americana e na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, alegando, entre outras razões, que eram “combatentes ilegais” por não pertencerem a um exército regular, com uma cadeia de comando. 

Em 20 anos, as “comissões judiciais”, os tribunais militares de Guantânamo, só condenaram dois acusados. Dez aguardam julgamento. 

Hoje, restam 39 dos 780 prisioneiros levados para Guantânamo. Os outros foram transferidos para outros países e alguns libertados. Pelo menos 12 são acusados pelos EUA de fazer parte da cúpula d’al Caeda, inclusive Khaled Cheikh Mohammed, considerado o idealizador dos atentados de 2001. 

Regimes antiliberais como os do Egito, da Líbia, da Rússia, da Mauritânia e do Usbequistão começam a tachar seus adversários políticos como terroristas, se tornam aliados dos EUA na Guerra contra o Terror e conseguem aceitação para suas práticas autoritárias. 

Os americanos usam essas alianças para torturar suspeitos em países onde isto é permitido, até mesmo na Líbia no antes inimigo Muamar Kadafi, que entrega suas armas de destruição em massa. Outro escândalo é a revelação de imagens de tortura na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, em 28 de abril de 2004, com prisioneiros amontoados obrigados a simular atos sexuais. 

Preso e desmoralizado na areia movediça do Iraque, os EUA não apoiam as revoltas da Primavera Árabe, a não ser na intervenção militar da OTAN na guerra civil da Líbia, sob pressão da França, que não foi seguida de um processo de país. Deixou a Líbia num estado de anarquia que continua até hoje e ajuda a desestabilizar a África Subsaariana, especialmente na região do Sahel. 

MORTE DO XEIQUE 
Talvez o melhor momento para cantar vitória e bater em retirada tenha sido na morte de Ben Laden, caçado por um comando de elite da Marinha dos EUA em Abotabade, perto da principal academia militar do Paquistão, em 2 de maio de 2011. 

Na época, o presidente Obama sai do Iraque, uma guerra que nunca apoiou, mas reforça as tropas no Afeganistão na expectativa de consolidar o regime fantoche instalado pela intervenção militar. 

Uma década depois da sua morte, Ben Laden, o Xeique, continua sendo a figura central e o maior exemplo para o movimento jihadista. Com a retirada dos EUA do Afeganistão, reabre-se o terreno para Al Caeda e outros grupos terroristas como o Estado Islâmico. 

O projeto de construir uma democracia fracassa por falta de recursos e de entender a cultura dos povos afegãos, que no interior do país confundiam os americanos com os soviéticos. Construir o Estado e a nação custa muito caro. Os EUA ajudaram a reconstruir a Europa e o Japão com o Plano Marshall depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) porque precisavam de aliados fortes na Guerra Fria contra a URSS.

EUROPA 
Além dos EUA e da democracia liberal, perde a Europa, alvo de vários atentados terroristas de muçulmanos fanáticos, em Madri, Londres, Paris, Nice, Berlim, Bruxelas e Moscou, além de Báli, na Indonésia, onde os principais alvos era australianos. 

Na capital francesa, começou na semana passado o julgamento dos acusados pelos atentados de 13 de novembro de 2015, que mataram 130 pessoas, 10 meses depois do massacre dos jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo, que publicara charges do profeta Maomé. 

A Rússia inicia sua guerra contra o terror antes dos EUA, quando o então primeiro-ministro Vladimir Putin lança a Segunda Guerra da Chechênia, em agosto de 1999, para se cacifar no poder como sucessor de Boris Yeltsin. Também foi uma boa desculpa para aumentar a repressão interna. 

ÁFRICA 
Quando o califado do Estado Islâmico é derrotado na Síria e no Iraque, em 23 de março de 2019, a África passa a ser o principal foco do jihadismo, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, numa faixa que vai da Mauritânia à Somália, passando pelo Mali, Burkina Fasso, Níger, Norte da Nigéria, Camarões, Chade, República Centro-Africana, Sudão e Somália, onde populações miseráveis são alvos fáceis de recrutadores d’al Caeda e do Estado Islâmica. 

Também houve ataques recentes do Estado Islâmico na rica província mineral de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, onde fica a maior reserva de gás natural da África e há ouro, rubis, grafite, mármore e várias madeiras valiosas. 

Países pobres, com recursos escassos, precisam de investimento internacional para desenvolver a economia e de ajuda militar para combater o terrorismo. 

No fim do governo Donald Trump (2017-21), em janeiro, os EUA retiraram as forças que combatiam o jihadismo na Somália e agora cogitam voltar, depois de realizar alguns bombardeios aéreos contra a miícia jihadista Al Chababe (A Juventude), aliada a Al Caeda. Mantêm 1,2 mil soldados na África Ocidental. 

Em junho, o presidente Emmanuel Macron anunciou a retirada de 2 mil dos 5 mil soldados que a França tem no Norte do Mali, onde intervém há oito anos para combater uma ofensiva jihadista. Mas quer que os EUA, que tem cerca de 800 soldados numa missão quase secreta no Níger, mantenha sua presença militar na região. A tríplice fronteira entre Burkina Fasso, Mali e Níger é hoje um dos lugares mais perigosos do mundo. 

ATENTADOS NOS EUA 
Nos EUA, houve 15 atentados terroristas cometidos por jihadistas depois de 11 de setembro de 2001. Os mais graves foram: 
• em 5 de novembro de 2009, o major e médico psiquiatra Nidal Hasan mata 13 soldados desarmados e fere outros 30 em Forte Hood, no Texas, no pior massacre a tiros numa base militar americana; 
• em 15 de abril de 2013, os irmãos de origem chechena Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev explodem duas bombas caseiras na chegada da tradicional Maratona de Boston, uma das mais antigas do mundo, matando três e aleijando outras 17 (Dzhokhar, o único sobrevivente dos irmãos, era colega da minha filha no ensino médio em Cambridge, Massachusetts); 
• em 2 de dezembro de 2015, um casal mata 14 colegas na festa de fim de ano da empresa, em São Bernardino, na Califórnia; e 
• em 12 de junho de 2016, quando Omar Mateen fuzila e mata 49 pessoas e fere outras 58 num ataque a uma discoteca gay em Orlando na Flórida. 

MILITARIZAÇÃO 
A Guerra contra o Terror criou uma sociedade sob constante vigilância do Estado sobre as telecomunicações, inclusive através das grandes empresas da Internet, como revelou o analista de sistema da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden, em junho de 2013, ao “vazar” milhares de documentos secretos para jornalistas. 

Também houve uma militarização das polícias, equipadas blindados e outras armas de guerra para combater o terrorismo. Este aparato bélico é usado hoje para conter manifestações, por exemplo, do movimento Vidas Negras Importam, quando ativistas mais exaltados cometem atos de violência. 

Como observou nas solenidades de ontem o ex-presidente George W. Bush (2001-9), que iniciou a guerra contra o terror, a maior ameaça terrorista hoje nos EUA vem do inimigo interno, da extrema direita, como os grupos aliados de Trump que assaltaram o Congresso em 6 de janeiro, responsáveis por dois terços dos atentados. 

Em comum com os jihadistas, têm o desdém pelo pluralismo, o repúdio à diversidade, o desrespeito à vida e o ódio aos que não compartilham de suas ideologias. 

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS 
Por fim, os atentados de 11 de setembro de 2001 geram uma onda de teorias conspiratórias, por exemplo, de que foi um “serviço interno” das agências de segurança nacional para criar um pretexto para o governo federal impor um Estado totalitário de segurança máxima e reprimir as liberdades individuais. 

Mesmo com vídeo de Ben Laden comentando os atentados e dizendo que não esperava que as torres caíssem, apenas que incendiassem a partir do ponto de impacto, há relatos falsos de explosão de bombas na base dos prédios segundos ambos do desabamento ou de que os judeus não foram trabalhar naquele dia porque sabiam do plano. 

As teorias conspiratórias viram um elemento central do debate político nos EUA, da hipótese de que Obama é muçulmano e não nasceu nos EUA, difundida por Trump, entre outros; ao suposto envolvimento do bilionário George Soros, da ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton e de outros líderes do Partido Democrata numa grande cabala de pedófilos; que Trump foi vítima de uma fraude maciça na eleição de 2020, o que a maioria dos republicanos acredita; que a pandemia do coronavírus é parte de uma conspiração chinesa para dominar o mundo; e que as vacinas contra a covid-19 podem alterar o código genético ou inserir um chip para controlar o cidadão. 

Outro dia, no debate sobre o uso obrigatório de máscaras nas escolas, um negacionista que é contra vacinas e medidas sanitárias alegou que as máscaras, ao esconder o rosto das crianças, facilitam a ação de sequestradores pedófilos. 

O 11 de Setembro traumatizou e radicalizou os EUA, que nunca mais reencontraram a paz interior.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Estado Islâmico ataca aeroporto de Cabul e mata 13 militares dos EUA

 O atentado terrorista anunciado ontem pelos serviços secretos dos Estados Unidos e do Reino Unido se concretizou hoje. Um terrorista suicida se detonou na área do aeroporto de Cabul, a capital do Afeganistão, matando cerca de 170 civis afegãos 13 fuzileiros navais americanos. 

Outros 15 militares dos EUA foram feridos. O Estado Islâmico da Província do Coração (Khorasan) reivindicou a autoria do atentado, mais uma desmoralização para a desastrada retirada dos EUA.

Em entrevista neste momento, o presidente Joe Biden declarou se sentir "ultrajado", com o "coração partido", e prometeu "não perdoar nem esquecer. Vamos caçar vocês e fazê-los pagar" pelos crimes cometidos. É um líder fragilizado, com a política externa que pretende defender a democracia e os direitos humanos duramente abalada.

O erro fundamental da retirada foi abandonar antes da hora a base aérea de Bagram, que poderia ser usada como alternativa ao aeroporto de Cabul, criticou o senador republicano Lindsay Graham. Os EUA simplesmente abandonaram a base durante a noite e foram embora. Não avisaram o governo afegão e nem mesmo os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A ação terrorista viola várias cláusulas do acordo de paz firmado em fevereiro de 2020 pelo governo Donald Trump e o Emirado Islâmico do Afeganistão, que os EUA dizem não reconhecer em todas as cláusulas.

Pelo acordo, a Milicía dos Talebã (Estudantes) se comprometeu a não atacar a retirada as forças internacionais que bombardearam e invadiram o Afeganistão a partir de 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados de 11 de setembro, realizado pela rede terrorista Al Caeda, que tinha bases no país. Também prometeu não deixar o território afegão ser usado como base para ataques a americanos e aliados.

O próprio nome Estado Islâmico da Província do Coração implica uma reivindicação sobre o Grande Coração, uma região que inclui parte do Nordeste do Irã, que tem províncias com este nome, a maior parte do Norte do Afeganistão e o Sul do Turcomenistão, do Tajiquistão e do Usbequistão. Existe desde 2015, depois que o Estado Islâmico proclamou, em 2014, a fundação de um califado nas terras que ocupava no Iraque e na Síria. Não pretende se limitar ao território afegão, cujas fronteiras não reconhece.

O acordo previa uma redução das hostilidades, não um cessar-fogo definitivo. Deveria ser complementado por um acordo de paz entre os Talebã e o governo-fantoche instalado pelos EUA, mas este governo nunca foi reconhecido pela maioria do povo afegão. Na última eleição presidencial, em 2020, votaram 1,8 milhões de eleitores num país de 39 milhões de habitantes. 

A pseudodemocracia imposta pela guerra, em aliança dos EUA com senhores da guerra notoriamente corruptos como o ex-vice-presidente Rachid Dostum, não melhorou a vida do povo afegão no interior do país, onde vivem 75% da população. O povo não está preocupado com o regime político, mas com as condições de vida.

As milícias extremistas muçulmanas sabiam que os EUA e aliados iriam sair. Assim, seria apenas uma questão de tempo até os Talebã retomarem o poder. E a história recente mostra que o acontece no Afeganistão não fica no Afeganistão.

Dias atrás, o presidente Joe Biden ameaçou retaliar se os americanos fossem atacados durante a caótica retirada vista desde que os talebã entraram na capital afegã, em 15 de agosto. O problema é que a multidão que tenta desesperadamente sair do país através do aeroporto de Cabul é extremamente vulnerável a retaliações, o que amarra as mãos dos americanos. É praticamente impossível barrar um terrorista suicida no meio da multidão. Seria necessário montar várias barreiras de segurança a caminho do aeroporto.

Depois de 43 anos de guerra, desde que oficiais ligados ao Partido Comunista deram um golpe em 27 e 28 de abril de 1978, o Afeganistão precisa de paz a estabilidade para reconstruir o país miserável, extremamente dependente do exterior. Cerca de 43% do orçamento nacional vêm de ajuda internacional.

Com a Embaixada Americana em Cabul fechada, a China e a Rússia entram no vácuo de poder deixado pela retirada dos EUA. A Índia perde porque os Talebã são aliados do arqui-inimigo Paquistão, que pode usar os jihadistas afegãos na luta contra o domínio indiano sobre a Caxemira. A China reconheceu tacitamente o governo dos talebã ao receber no Grande Salão do Povo, em Beijim, o líder político da milícia, Abdul Ghani Baradar.

A China usa sua diplomacia econômica para conquistar apoio, especialmente de países em desenvolvimento, com o megaprojeto Um Cinturão Uma Rota, a Nova Reta da Seda, com orçamento de US$ 4 a 8 trilhões (R$ 21 a 42 trilhões), entre outras iniciativas. Pode investir centenas de milhões ou até bilhões de dólares na reconstrução do país em busca da estabilidade e negociar concessões para explorar os vastos recursos minerais do Afeganistão. 

Tanto a China quanto a Rússia, e também a Índia, têm problemas com revoltas muçulmanas, a Rússia no Sul do Cáucaso, nas repúblicas da Chechênia, da Inguchétia e do Daguestão. 

A China mantém cerca de 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação comparados a campos de concentração na província de Xinjiang. 

Na Índia, o primeiro-ministro fundamentalista hindu Narendra Modi acabou com a autonomia da Caxemira, em 5 de agosto de 2019, e impôs uma administração direta que governa sob estado de emergência

Há usbeques e uigures lutando ao lado dos talebã no Afeganistão. É provável que grupos jihadistas tentem usar o Afeganistão para lançar ataques contra a China. Os Talebã têm várias facções. Muitas são contra fazer concessões.

Quanto aos EUA, a superpotência derrotada e humilhada, se a Guerra contra o Terror que começou em 11 de setembro de 2001 com os ataques a Nova York e ao Pentágono termina assim, com o caos e a morte de fuzileiros navais americanos em Cabul, elevando o total de militares dos EUA mortos no Afeganistão para 2.460, sofreram uma derrota dupla. 

Tudo indica que a guerra não acabou. A vitória dos talebã dá nova vida aos grupos jihadistas no mundo inteiro. E o Estado Islâmico entende que os talebã não são suficientemente radicais. Afinal, negociaram com os EUA.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Obama envia ao Congresso plano para fechar prisão de Guantânamo

A onze meses do fim de seu governo, o presidente Barack Obama enviou ao Congresso um plano para fechar o centro de detenção ilegal instalado pelo então presidente George W. Bush na base naval de Guantânamo, um enclave dos Estados Unidos em Cuba para negar aos presos na "guerra contra o terrorismo" os direitos previstos na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Durante a campanha eleitoral de 2008, Obama prometeu fechar a prisão em um ano, mas enfrentou resistência da oposição, que temia que os detentos se tornassem ou voltassem a ser terrorismo. O presidente declarou que "Guantânamo é uma mancha na reputação dos EUA" e "um poderoso instrumento de propaganda para os terroristas".

Para Obama, Guantânamo atrapalha a luta contra o terrorismo. Dos 91 presos restantes, alguns seriam enviados a seus países de origem e os outros para uma nova prisão a ser construída nos EUA a um custo de US$ 475 milhões. O fim da prisão representaria uma economia de US$ 85 milhões por ano para o Departamento da Defesa, o Pentágono.

Num ano eleitoral, é altamente improvável que a oposição republicana coopere com a proposta do presidente. Obama não pretende fechar a prisão por decreto. No momento, o Congresso proíbe a transferência de presos em Guantânamo para o território americano.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Senado dos EUA aprova espionagem telefônica com limites

Por 67-32, o Senado dos Estados Unidos aprovou há pouco um projeto de lei da Câmara dos Representantes que acaba com a coleta maciça de dados de ligações telefônicas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) e deixa a armazenagem a cargo das companhias de telecomunicações.

O presidente Barack Obama deve sancionar a lei, que restaura instrumentos da espionagem da Lei Patriótica, aprovada dentro da "guerra contra o terrorismo" deflagrada pelos atentados de 11 de setembro de 2001, que expiraram em 31 de maio de 2015.

Há dois anos, o analistas de sistemas subcontratado pela NSA Edward Snowden revelou um amplo programa de espionagem que coletava as dados de todas as ligações telefônicas além de usar as grandes empresas de informática dos EUA, como Apple, Google, Microsoft, Skype e Yahoo para espionar os cidadãos americanos e de outros países do mundo.

As pesquisas de opinião indicam que a maioria da opinião pública dos EUA é contra a espionagem de americanos, mas não de estrangeiros. Com a nova lei, a polícia precisa pedir autorização à Justiça para investigar as telecomunicações de suspeitos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Homem esfaqueia patrulha antiterrorista na França

Um homem armado com uma faca atacou hoje três soldados que patrulhavam um centro comunitário judaico na cidade de Nice, na França, noticiou o jornal israelense Haaretz citando fontes policiais.

O agressor foi preso e identificado como Moussa Coulibaly. Não está claro se ele é parente de Amédy Coulibaly, o terrorista que matou uma policial e quatro reféns num supermercado judaico em Paris no mês passado. Como seria um sobrenome comum no Mali, eles não seriam parentes.

Mais de 10 mil soldados e 5,5 mil policiais foram mobilizados depois dos atentados terroristas do mês passado para a guerra da França contra o terrorismo. Eles vigiam aeroportos, portos, centros comerciais, locais de grande concentração de pessoas, sinagogas, mesquitas e centros comunitários judaicos e muçulmanos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Senado dos EUA acusa CIA de tortura

A Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço secreto da Presidência dos Estados Unidos, usou técnicas de interrogatório que caracterizam tortura na luta contra o terrorismo deflagrada pelos atentados de 11 de setembro de 2001 sem obter informações relevantes sobre ataques iminentes por causa disso, está denunciando neste momento em Washington a senadora Dianne Feinstein, do Partido Democrata, presidente da Comissão de Inteligência do Senado. Os abusos foram mais amplos e mais brutais do que divulgado anteriormente, sem qualquer supervisão crítica.

O relatório de 6 mil páginas, resultado de cinco anos de investigações, teve trechos vazados com antecedência e foi objeto de espionagem da CIA contra o próprio Senado dos EUA. "Não podemos apagar esta mancha, mas podemos mostrar que o país aprende com seus erros, é uma sociedade justa e legalista", observou Dianne Feinstein.

Em 1999, o Senado dos EUA havia ratificado a Convenção Internacional contra a Tortura, comprometendo-se a não recorrer à tortura como método de interrogação não importa que tipo de desafios enfrentasse. O ataque às Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono levaram ao emprego de "técnicas coercitivas e robustas de interrogatório", na descrição pasteurizada do governo George Walker Bush.

O programa incluiu a detenção e o transporte ilegal de suspeitos para países que toleram a tortura, onde eles foram submetidos a interrogatórios violentos com nudez, sufocamento com jatos d'água, proibição de dormir, frio, posições estressantes e outros métodos de tortura. Empresas privadas e psicólogo foram contratados para torturar  a um custo de milhões de dólares. Das 119 detenções examinadas, pelo menos 26 prisões foram consideradas ilegais pela própria agência.

A CIA não só deteve muito mais suspeitos do que revelado anteriormente. Usou métodos "muito piores" do que admitiu e não teria conseguido informações relevantes dos presos torturados: "Os métodos muitas vezes levaram os interrogados a forjar respostas falsas", diz o relatório, e a agência acabou seguindo pistas erradas. Esta conclusão é contestada por alguns deputados e senadores republicanos.

O próprio presidente Bush, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, teriam sido enganados sobre a extensão das práticas. Bush teria sentido "desconforto" ao conhecer detalhes sobre a tortura. Várias gravações de interrogatórios foram apagadas para evitar que fossem divulgadas publicamente.

Alguns presos reclamaram que não puderam dormir durante uma semana. "Múltiplas técnicas de torturas foram usadas repetidamente sem parar contra determinados suspeitos durante dias e até semanas", afirmou a senadora. Ela citou o caso de Abu Zubaida, um saudita preso no Paquistão em 2002 e levado para o centro de detenção ilegal na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

Zubaida, diretor de um campo de treinamento da rede terrorista Al Caeda no Afeganistão, foi sufocado com jatos d'água pelo menos 83 vezes, foi deixado nu, impedido de dormir, não recebeu alimentos sólidos e foi obrigado a ficar em posições estressantes. As gravações de seu interrogatório foram destruídas em 2005. Dois anos depois, o tribunal militar que examinou seu caso concluiu ele não era um líder importante como a CIA supunha.

A CIA alardeou ter evitado atos terroristas com base em informações obtidas sob tortura, mas a comissão parlamentar de inquérito do Senado não identificou um único caso capaz de confirmar a alegação. Essa conclusão, contestada por republicanos, foi apoiada pelo senador John McCain, candidato derrotado pelo presidente Barack Obama na eleição de 2008, que ocupou a tribuna depois de senadora Feinstein.

McCain desprezou a alegação de que a divulgação do relatório agora, quando os EUA estão em guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, incentivaria novos ataques a americanos: "Eles não precisam de desculpas para nos atacar."

Na opinião do senador, um veterano de guerra que ficou cinco anos e meio preso no Vietnã, o que está em jogo é a imagem dos EUA e o compromisso com o respeito à dignidade humana: "Nossos inimigos agem sem consciência. Nós não podemos fazer isso."

ESTADO DE ALERTA
No mundo inteiro, embaixadas, consulados, bases militares e até mesmo empresas dos EUA estão em estado de alerta temendo retaliações por causa das denúncias de tortura.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Total de mortes por terrorismo cresceu 5 vezes desde 11 de setembro

CAMBRIDGE-MA, EUA - Apesar da "guerra contra o terror" declarada pelo então presidente George Walker Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o total de mortes por terrorismo aumentou cinco vezes, chegando a um total de 18 mil mortos em 2013, uma alta de 60% em relação ao ano anterior, adverte um relatório divulgado hoje, informa o jornal inglês The Guardian.

Quatro grupos terroristas são responsáveis pela maioria das mortes, aponta o Índice do Terrorismo Global: o Estado Islâmico, no Iraque e na Síria; Boko Haram, na Nigéria; a milícia dos Talebã (Estudantes), no Afeganistão; e a rede terrorista Al Caeda em várias regiões do planeta.

Só 5% das mortes aconteceram em países desenvolvidos. Cerca de 80% foram registradas em cinco países: Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria e Síria. Houve aumento de casos em Bangladesh, Burúndi, Costa do Marfim, Etiópia, Israel, Irã, Mali, México, República Centro-Africana e Uganda.

O relatório só trata do terrorismo de grupos irregulares. Ignora o terrorismo de Estado, cometido pelos Estados Unidos, a Rússia e muitos outros países na luta contra vários tipos de rebeldes armados. Mas desnuda o fracasso da estratégia antiterrorista adotada por Bush, que consumiu US$ 4,4 trilhões nas guerras no Afeganistão e no Iraque e em outras operações.

De 3.361 mortes em 2000, o número subiu para 11.133 em 2012 e 17.958 no ano passado. Ao todo, nos últimos 14 anos, foram 107 mil mortes. A expectativa é de um aumento neste ano por causa da ofensiva do Estado Islâmico.

Houve uma queda a partir de 2007, com o reforço das tropas americanas na guerra do Iraque, e um forte aumento desde 2011 devido principalmente à guerra civil na Síria, causada pela Primavera Árabe e não por uma intervenção militar americana. Mas o Estado Islâmico é filho do caos e da anarquia gerados pela invasão do Iraque.

Além da repressão aos crimes cometidos pelos terroristas, o relatório recomenda uma ação política para integrar as populações alienadas como os sunitas do Iraque, excluídos desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003. A mesma fórmula foi empregada para acabar com o terrorismo nos anos 1960s e 1970s.

"Mais de 80% das organizações terroristas pararam de operar", afirma o relatório. "Só 10% dos grupos terroristas atingiram seus objetivos políticos e só 7% foram eliminados militarmente."

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Comissão desclassifica denúncia de tortura contra CIA

A Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos aprovou ontem a liberação parcial do relatório de 6,3 mil páginas em que a Agência Central de Inteligência (CIA) é acusada de tentar esconder do governo e da opinião pública o uso sistemático de tortura nos interrogatórios, o sequestro de suspeitos de terrorismo transportados em voos cladestinos e a criação de uma rede de prisões clandestinas no exterior onde a maior parte do trabalho sujo era feito.

Agora, cabe ao presidente Barack Obama liberar ou não os trechos desclassificados pelos senadores.

Os métodos violentos de interrogatório, inclusive espancamento, afogamento e coação com o uso de cães e outros animais, foram adotados com a conivência do governo George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro. Em 2009, foram proibidos pelo presidente Barack Obama.

No mês passado, a presidente comissão, a senadora democrata Dianne Feinstein, acusou a CIA de invadir o sistema de computadores do Senado para destruir provas que incriminavam a agência pelos crimes cometidos na era Bush.

A maior acusação ao governo Obama é o assassinato de inimigos políticos com ataques de aviões não tripulados, os drones, controlados dos EUA, uma espécie de videogame da guerra muito usada para atacar os talebã no Paquistão e no Afeganistão, assim como extremistas muçulmanos no Yêmen.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CIA enganou governo e opinião pública sobre tortura

Durante anos, a CIA (Agência Central de Inteligência) enganou o governo e a opinião pública dos Estados Unidos para esconder seus métodos de interrogatório que configuravam tortura, aumentando a importância de conspirações e indivíduos, e atribuindo o sucesso de operações a informações obtidas mediante tortura. As conclusões de uma investigação da Comissão de Inteligência do Senado foram reveladas pelo jornal The Washington Post.

De 2001 a 2008, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001 a ao longo de quase todo o governo George W. Bush e sua Guerra contra o Terror, a tortura foi tolerada e a CIA criou uma rede de prisões clandestinas pelo mundo em países onde a tortura é usada regularmente como método de interrogatório, diz o relatório de 6,3 mil páginas.

O documento conta como agentes deixaram o serviço de espionagem da Presidência dos EUA depois de passarem mal diante do que viram na prisão clandestina da CIA na Tailândia. No Afeganistão, um suspeito de terrorismo foi mergulhado sucessivas vezes num tanque de água gelada. Outros trechos descrevem torturas como bater com a cabeça do preso na parede.

No caso dos líderes da rede terrorista Al Caeda, mesmo quem se dispôs a contar tudo o que sabia foi torturado várias vezes, na expectativa de que tivesse muito mais a dizer, a um nível que caracteriza o sadismo.

Em março de 2014, a presidente da Comissão de Inteligência do Senado, senadora Dianne Feinstein, acusou a CIA de abuso de poder ao invadir o sistema de computadores para apagar provas e retirar documentos comprometedores obtidos durante a investigação.

Logo após tomar posse, em 2009, o presidente Barack Obama desmantelou o programa de prisões clandestinas da CIA e aboliu, ao menos oficialmente, o uso da tortura como método para extrair a verdade de suspeitos de terrorismo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Talebã suspendem negociações com os EUA

A milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) suspendeu o diálogo com os Estados Unidos, e o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, pediu a retirada dos soldados americanos das cidades e vilas do país. Eles ficariam confinados nos quartéis no momento em que começa a ofensiva de primavera dos extremistas muçulmanos.

Os Talebã alegam que os EUA não cumpriram compromissos como libertar seus militantes presos no centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

Para o jornal americano The Washington Post, não está claro se a morte de 16 civis inocentes no último fim de semana por um sargento dos EUA e a queima de cópias do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, em bases militares americanas pesaram na decisão dos rebeldes.

Ontem, houve uma tentativa de atentado frustrada contra o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta. Ele caminhava na pista de pouso de uma uma base militar britânica, quando um carro roubado explodiu em chamas a apenas 75 metros de distância, informa o jornal inglês The Independent.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bush torturava; Obama mata

Logo depois de maio de 2004, quando foram divulgadas as fotos dos porões da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, uma série de memorandos e documentos secretos comprovou: o governo George W. Bush estava usando tortura na sua guerra contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, em desrespeito a leis nacionais e internacionais.

A tortura não acabou oficialmente até a posse do presidente Barack Obama, em 20 de janeiro de 2009. Obama arquivou a expressão "guerra contra o terror" e revogou as medidas que permitiam a tortura como heranças malditas de Bush. Passou a encarar a luta contra o terrorismo com operações policiais e de comandos de elite das Forças Armadas, e bombardeios com aviões não tripulados.

Mary Ellen O'Connell
Se Bush torturava, Obama mata, argumenta a professora de direito Mary Ellen O'Connel, da Universidade Notre Dame, nos EUA.

Obama adotou uma política de "assassinatos seletivos", a exemplo do que faz Israel desde 1950, escolhendo a dedo os principais inimigos para eliminar, como aconteceu com o líder histórico do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeque Ahmed Yassin, em março de 2004.

O serviço secreto israelense chegou a envenenar seu sucessor, Khaled Mechal. Foi obrigado a revelar qual o veneno e o antídoto sob pressão da Jordânia, que ameaçou romper o acordo de paz com Israel.

Desde a posse de Obama, os EUA mataram mais de 2,2 mil pessoas em operações policiais e de comandos na luta contra o terrorismo, inclusive seu maior inimigo, Ossama ben Laden, morto em 1º de maio de 2011 pela tropa de elite da Marinha conhecida com Seals (Focas).

A maioria morreu em ataques de aviões não tripulados, especialmente em regiões tribais do Noroeste do Paquistão e no Afeganistão. Quando Ben Laden foi morto, o governo americano alegou que era um inimigo que havia declarado guerra aos EUA. Assim, seria legítimo matá-lo em combate, sem necessidade de prendê-lo e levá a um tribunal que seria uma tribuna para pregação de sua ideologia assassina.

Nada indica que tenha havido combate na morte de Ben Laden. O debate sobre a legalidade da ação ainda está em aberto. Num bombardeio com aviões não tripulados, em 30 de setembro de 2011, morreu Anwar al-Awlaki, um americano convertido ao fundamentalismo muçulmano que liderava a rede terrorista Al Caeda no Iêmen.

Com a morte de um americano, a discussão voltou, mas Al-Awlaki era um jihadista, o inimigo execrado dos EUA. Não deve aparecer muita gente para defendê-lo na campanha eleitoral americana. Obama manteve a política de assassinatos seletivos.

Os cortes de gastos impostos pelo endividamento excessivo do governo federal americano obrigam Obama e seus sucessores a fazer uma reengenharia das Forças Armadas dos EUA. A ênfase é em alta tecnologia, comandos e aviões não tripulados, com o objetivo de fazer intervenções "cirúrgicas" para reduzir as perdas de soldados americanos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ex-prisioneiro revela pesadelo de Guantânamo

Há dez anos, Moazzam Begg foi sequestrado em casa no Paquistão por agentes secretos americanos e paquistaneses e levado para a base naval de Guantânamo, um enclave dos Estados Unidos em Cuba onde o governo George W. Bush instalou um centro de detenção ilegal para negar aos presos na sua "guerra contra o terror" os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Em 31 de janeiro de 2002, a polícia invadiu sua casa. Begg foi preso diante da família. Antes de chegar a Cuba, passou por várias prisões clandestinas e militares, inclusive em Kandahar e na base de Bagram, no Afeganistão.

"Você agora é propriedade dos Estados Unidos e não tem direitos", anunciou o carcereiro de Guantânamo. Dez anos depois, nada mudou.

Durante a campanha eleitoral, o presidente Barack Obama prometeu fechar o centro de detenção. Em seu primeiro dia de governo, assinou uma ordem autorizando isso. Mas, no único caso julgado até agora de um suspeito de terrorismo na Justiça civil dos EUA, o juiz rejeitou 384 acusações porque as provas teriam sido obtidas por métodos ilegais, inclusive tortura.

"Depois de três anos de uma saga que incluiu ser espancado e chutado, despido à força, depilado, violado, cuspido; de suportar abusos raciais e religiosos, preso incomunicável numa cela menor do que o banheiro de uma casa comum; de ser submetido a mais de 300 interrogatórios - algumas vezes com os pulsos algemados nas costas por baixo dos joelhos; de ver o Corão ser profanado; de ser ameaçado de tortura no Egito ou na Síria; de ser submetido ao barulho de gritos que me disseram ser da minha família e de ver dois prisioneiros serem espancados até a morte, fui finalmente devolvido ao Reino Unido e à minha família - que tinha um novo membro, meu filho de três anos, que eu nunca tinha visto", conta ele no sítio da televisão árabe Al Jazira.

Moazzam Begg é hoje porta-voz da organização humanitária Cageprisioners. Nunca foi denunciado formalmente por nenhum crime.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Luz Brilhante era centro de tortura da CIA na Romênia

O interior de uma prisão clandestina usada pelos Estados Unidos para torturar suspeitos em sua guerra contra o terrorismo é finalmente revelado. Ficava no porão de um prédio público situado num bairro residencial de Bucareste, a capital da Romênia.

Durante anos, o edifício chamado de Luz Brilhante pelos torturadores da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem do governo americano, foi o mais importante centro do programa de sequestro e transporte em voos clandestinos dos suspeitos caçados pelo governo George W. Bush.

Quando a ditadura Muamar Kadafi caiu, foram descobertas as prisões usadas na colaboração dos serviços secretos ocidentais com o coronel que acabara de sair da lista de um dos maiores patrocinadores do terrorismo internacional. O Ocidente e Kadafi tinham um inimigo comum: o extremismo muçulmano.

Agora, o jornal digital The Huffington Post revela o interior podre da Luz Brilhante da CIA.

domingo, 9 de outubro de 2011

Memorando secreto autoriza assassinatos seletivos dos EUA

O memorando secreto do governo Barack Obama que autorizou a morte do clérigo radical americano-iemenita Anwar al-Awlaki, atingido no Iêmen por mísseis disparados por um avião não tripulado, conclui que sua morte seria legal se não fosse possível prendê-lo vivo para levá-lo a julgamento, revela o jornal The New York Times.

No texto, redigido no ano passado depois de um intenso debate entre diferentes ministérios e agências do governo dos Estados Unidos, são examinadas a lei federal sobre assassinatos, as declarações de direitos e legislações internacionais. O memorando se concentra no caso de Awlaki. Não estabelece regras gerais para esse tipo de ação.

Uma das alegações é que a lei que proíbe aos americanos matar americanos no exterior não se aplica no caso porque matar um inimigo em tempo de guerra não é assassinato. Mas a Quinta Emenda à Constituição dos EUA proíbe tirar a vida de uma pessoa "sem o devido processo legal".

Apesar de todas as promessas, na chamada "guerra contra o terror", expressão que o atual presidente evita, na prática, Obama não é muito diferente de George W. Bush.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Paquistão perde seu maior aliado nos EUA

Um dos maiores defensores da aliança entre os Estados Unidos e o Paquistão, o almirante Mike Mullen, que está deixando o comando do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, acusou o serviço secreto militar paquistanês de apoiar o grupo terrorista que atacou recentemente a Embaixada dos EUA em Cabul e o Quartel-General da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Afeganistão.

Em depoimento no Congresso, Mullen acusou na semana passada a rede Haqqani pelos ataques. Foi mais um estremecimento nas relações bilaterais que os EUA consideravam chave para sua luta contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos, entre outras razões porque o Paquistão é o único país muçulmano com a bomba atômica.

O Paquistão foi o país-chave na luta contra a invasão soviética no Afeganistão (1979-89). Canalizou dinheiro e armas dos EUA, China e Arábia Saudita para os mujahedin que fizeram do Afeganistão o Vietnã da União Soviética.

Naquela época, os extremistas muçulmanos foram saudados como heróis da luta contra o comunismo. Jalaluddin Haqqani chegou a ser recebido na Casa Branca pelo então presidente Ronald Reagan.

Os tempos e as alianças mudaram. Depois de expulsar os soviéticos, os chamados árabes afegãos formaram a rede terrorista Al Caeda, sob a liderança de Ossama ben Laden, e se voltaram contra o Ocidente depois que os EUA enviaram tropas para a Arábia Saudita, em agosto de 1990, para protegê-la de um possível ataque de Saddam Hussein, que invadira o Iraque.

Com a morte de Ben Laden e o declínio d'al Caeda, a expectativa no Paquistão é que as potências ocidentais retirem suas tropas do Afeganistão, que voltaria a ser um barril de pólvora e palco de lutas de países e interesses vizinhos.

Por sua vez, os EUA acreditam que os serviços secretos paquistaneses acobertaram Ben Laden, inclusive para manter o interesse americano pela região e ganhar dinheiro com isso, recebendo ajuda a pretexto de combater o terrorismo.

Neste ambiente explosivo, o Paquistão precisa de um "cão de guarda", alega o ex-capitão da seleção paquistanesa de críquete, Imran Khan, líder de um novo partido político que ainda não chegou a fazer a diferença em eleições, mas é intimamente ligado aos militares que governaram o país durante a maior parte de sua história independente.

Em artigo publicado em blogue da TV árabe Al Jazira, Khan adverte que é preciso desarmar os espíritos e resolver logo as desavenças entre os EUA e o Paquistão para evitar uma escalada perigosa nas tensões entre aliados com interesses tão distintos.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Netanyahu afirma que "Israel sempre quis a paz"

NOVA YORK - Diante do reconhecimento da Palestina independente pela maioria dos países-membros das Nações Unidas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste em que a mão de Israel sempre esteve estendida para negociar a paz, como fez com o Egito e a Jordânia. Ele pediu uma reunião ainda hoje com os palestinos nas Nações Unidas para retomar as negociações.

Em discurso na ONU neste momento, ele apresenta Israel como vítima de sucessivas condenações pela Assembleia Geral da organização, da resolução condenando sionismo como uma forma de racismo, em 1975, à denúncia do histórico acordo de paz como o Egito, em 1980.

Netanyahu afirmou que os regimes de Muamar Kadafi e de Saddam Hussein tiveram posições importantes na ONU e que o governo do Líbano, dominado pela milícia fundamentalista Hesbolá (Partido de Deus), preside o Conselho de Direitos Humanos.

"Como primeiro-ministro de Israel, não venho aqui pedir aplausos, mas falar a verdade. A verdade é que Israel quer a paz. Eu quero a paz, mas a paz deve ser ancorada na segurança. Não pode ser atingida por resolução, mas de negociações diretas", acrescentou, acusando os palestinos de quererem um Estado sem paz.

Depois de falar nas extraordinárias transformações do mundo desde o fim da Guerra Fria, Netanyahu apontou o novo inimigo: o extremismo dos fundamentalistas muçulmanos. Criticou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por apresentar os atentados de 11 de setembro de 2001 como "uma conspiração americana".

Em uma tentativa de inserir o conflito árabe-israelense na lógica da "guerra contra o terrorismo", ele comparou os atentados em Nova York, Londres, Madri e tantas outras cidades aos ataques de extremistas contra Israel. Afirmou em seguida que a grande ameaça é que os terroristas consigam armas nucleares e acusou o Irã de estar desenvolvendo a bomba atômica.

O líder israelense declarou que o fundamentalismo islâmico já controla a Faixa de Gaza e o Líbano, e quer destruir o acordo de paz entre Israel e o Egito: "Eles não são contra as polícias de Israel, são contra a existência de Israel".

Para justificar sua posição, declarou que Israel deu "as chaves de Gaza a Abbas, num gesto aplaudido internacionalmente, mas não conseguimos a paz. Com o apoio do Irã, o [Movimento de Resistência Islâmica] Hamas afastou a Autoridade Nacional Palestina".

"Israel está preparado para ter um Estado palestino na Cisjordânia, mas não uma nova Faixa de Gaza, e a ANP não está preparada para oferecer novas garantias de segurança", afirmou. "Queremos mantar o crocodilo do extremismo muçulmano à distância. Em negociações sérias, essas necessidades podem ser atendidas."

Sem a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, em um ponto Israel tem apenas 14 quilômetros de largura: "Com um inimigo armado pelo Irã, Israel seria indefensável. Por isso, a Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU fala não fala na retirada dos territórios ocupados na guerra de 1967, mas de territórios", uma antiga alegação da direita israelense de que essas áreas não estão definidas.

"Quando um acordo de paz for atingido, Israel não será o último país a reconhecer a independência palestina. Será o primeiro", prometeu o primeiro-ministro.

Ele denunciou a prisão do sargento Gilad Shalit pelo Hamas há cinco anos em território israelense como uma violação do direito internacional. Mas a guerra de conquista e a ocupação e colonização de territórios ocupados também violam a lei internacional.

Numa indicação de que não pretende retirar todas as colônias construídas ilegalmente nos territórios árabes ocupados, repudiou a ideia de que um estado palestino não possa ter judeus. Insinuou ainda que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, não vai parar em Gaza e na Cisjordânia porque teria dito recentemente que Israel ocupa territórios palestinos há 63 anos: "Ele não falou em 1967".

Em seguida, afirmou que "o maior problema do conflito não é a colonização, é o não reconhecimento de Israel", negando validade às repetidas declarações da Organização para a Libertação da Palestina reconhecendo o inimigo histórico desde 1988.

Para explicar a política de expulsão sistemática de árabes do setor oriental de Jerusalém, o primeiro-ministro invocou milhares de anos de História, dizendo que "querem alegar que o Muro das Lamentações não é parte de Israel".

Netanyahu acusou Abbas de não responder a seus apelos para negociar. Os palestinos se recusam a negociar sem o congelamento da construção nos territórios ocupados, o que todos os governos de Israel fazem, ignorando as resoluções da ONU e o direito internacional.

"Estamos junto no mesmo edifício. Vamos nos encontrar hoje para retomar as negociações de paz aqui na ONU", concluiu o chefe do governo israelense.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Talebã atacam embaixada dos EUA no Afeganistão

NOVA YORK - Depois de um ataque que deixou 77 feridos em 11 de setembro deste ano, a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) realizou uma série de ações coordenadas contra a embaixada dos Estados Unidos no Afeganistão e o quartel-general da Organização do Atlântico Norte (OTAN) em Cabul. Pelo menos nove pessoas - três civis, quatro policiais e dois militantes - morreram.

O ataque mostra que os Talebã ainda resistem, na mais longa guerra da História dos EUA, prejudicada pela desastrada decisão do então presidente George W. Bush de invadir o Iraque em 2003, apesar deste país não ter nenhuma relação com os atentados de 11 de setembro de 2001.

domingo, 11 de setembro de 2011

Guerra contra o terror entra para a História

NOVA YORK - Esta cidade traumatizada pelo atentado terrorista mais espetacular da História lembrou hoje as vítimas da tragédia de 11 de setembro de 2001. Seus nomes foram lidos um a um no marco zero, em cerimônia presidida pelo presidente Barack Obama.

Perto de 3 mil pessoas foram mortas: 2.753 em Nova York, 184 no Pentágono e 40 no avião que caiu em Shanksville, na Pensilvânia, quando passageiros enfrentar os sequestradores e tentaram retomar o controle  da situação. Obama esteve nos três lugares para prestar homenagens.

Dez anos depois, com a morte de Ossama ben Laden, a malfadada "guerra contra o terror" declarada naquele dia pelo então presidente George W. Bush perde cada vez mais seu significado e "dissolve-se na História", como afirma a revista The Economist.

É claro que os terroristas da rede Al Caeda continuam mais determinados do que nunca a atacar os EUA. Gostariam de vingar a morte do xeque. Se não conseguiram nos últimos dez anos, têm menos chance. Os Estados Unidos acreditam que a maior ameaça hoje seja um ataque com armas químicas ou biológicas, mas o esconderijo de Ben Laden revelou uma Caeda muito mais pobre e primitiva do que se imaginava

O 11 de Setembro não mudou o mundo. Pode ser um marco do início do século 21, mas não se compara à queda do Muro de Berlim, que acabou com a ordem mundial da Guerra.

Ao deflagrar a Grande Recessão, o colapso do banco Lehman Brothers, em 14 de setembro de 2008, foi muito mais importante. Acelerou o declínio das potências do Ocidente e a ascensão da Ásia.

 O século 21 não será o século do terrorismo. Será o Século da Ásia. Com o terrorismo de Estado de Hitler, Stalin e Mao, além dos grupos guerrilheiros que tornaram essa tática de guerra endêmica no Oriente Médio, na América Latina, na África, na Ásia e na Europa, o século 20 foi o século do terrorismo.

Desde 2001, a dúvida era se os atentados eram a última guerra do século 20 ou a primeira do século 21. Como a rede Al Caeda nasceu no Afeganistão em 1988, ainda sob a ocupação soviética, talvez tenha sido mesmo a última guerra do século passado.

Antes de tudo, a guerra contra o terrorismo foi um equívoco semântico. Em primeiro lugar, não se pode fazer guerra contra uma tática de guerra. Em segundo lugar, várias vezes os EUA cometeram atos terroristas ou apoiaram aliados que fizeram isso, por exemplo, nas ditaduras militares latino-americanas durante a Guerra Fria.

A operação para matar Ben Laden mostrou que o terror não estatal se combate com mais eficiência com inteligência e ações de comandos

sábado, 3 de setembro de 2011

EUA e RU cooperaram com ditadura líbia

Várias provas encontradas nos porões da ditadura do coronel Muamar Kadafi revelam que os serviços secretos dos Estados Unidos e do Reino Unido não só usaram a Líbia para prender e torturar suspeitos na guerra contra o terrorismo como cooperaram com a brutal repressão do regime líbio, informa o jornal The New York Times.

Em 2003, diante da ameaça representada pela invasão para derrubar a ditadura de Saddam Hussein no Iraque, Kadafi fez um acordo com as potências ocidentais, abrindo mão de seus programas de armas de destruição em massa. Começou aí uma cooperação entre os serviços secretos na luta contra os extremistas muçulmanos, que também ameaçavam o coronel.

Agora, documentos abandonados com o colapso da ditadura revelam que a colaboração era muito maior do que se imaginava.

Os voos clandestinos da CIA transportando suspeitos de terrorismo sequestrados e levados para países onde a tortura é permitido foram um dos grandes escândalos da guerra movida pelo presidente George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2011.

domingo, 10 de julho de 2011

EUA adiam ajuda ao Paquistão

Diante da deterioração das relações bilaterais por causa da morte de Ossama ben Laden e da expulsão de vários assessores militares americanos do país, os Estados Unidos suspenderam o envio de US$ 800 milhões de dólares de ajuda ao Paquistão, revela hoje o jornal The New York Times. É um terço da ajuda anual.


Os EUA estão certos de que Ben Laden recebeu apoio de militares do serviço secreto paquistanês nos cinco anos em que ficou refugiado no país. Isso causou um profundo mal-estar em Washington. O principal aliado dos americanos na guerra contra o terrorismo faz jogo duplo.

Enquanto recebe uma ajuda bilionária dos EUA para combater os extremistas muçulmanos, o Paquistão mantém o apoio a uma série de grupos armados radicais para usá-los no seu conflito estratégico com a Índia e manter o interesse americano na região.

Quando a União Soviética se retirou do Afeganistão, em 1989, esse país e o vizinho Paquistão foram virtualmente abandonados pelos EUA.

Nesse jogo duplo, o Paquistão denunciou a violação de sua soberania pela operação militar dos EUA para matar Ben Laden, que também ao que tudo indica precisou de apoio interno ou conivência de ao menos parte das Forças Armadas paquistanesas.

A aliança vive um momento de crise e indefinição. A acusação do pai da bomba paquistanesa, Abdul Kadir Khan, de que militares do país venderam tecnologia nuclear à Coreia do Norte foi outro torpedo nas relações bilaterais.