Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
domingo, 12 de setembro de 2021
Quem ganhou e quem perdeu a Guerra contra o Terror
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Estado Islâmico ataca aeroporto de Cabul e mata 13 militares dos EUA
O atentado terrorista anunciado ontem pelos serviços secretos dos Estados Unidos e do Reino Unido se concretizou hoje. Um terrorista suicida se detonou na área do aeroporto de Cabul, a capital do Afeganistão, matando cerca de 170 civis afegãos 13 fuzileiros navais americanos.
Outros 15 militares dos EUA foram feridos. O Estado Islâmico da Província do Coração (Khorasan) reivindicou a autoria do atentado, mais uma desmoralização para a desastrada retirada dos EUA.
Em entrevista neste momento, o presidente Joe Biden declarou se sentir "ultrajado", com o "coração partido", e prometeu "não perdoar nem esquecer. Vamos caçar vocês e fazê-los pagar" pelos crimes cometidos. É um líder fragilizado, com a política externa que pretende defender a democracia e os direitos humanos duramente abalada.
O erro fundamental da retirada foi abandonar antes da hora a base aérea de Bagram, que poderia ser usada como alternativa ao aeroporto de Cabul, criticou o senador republicano Lindsay Graham. Os EUA simplesmente abandonaram a base durante a noite e foram embora. Não avisaram o governo afegão e nem mesmo os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A ação terrorista viola várias cláusulas do acordo de paz firmado em fevereiro de 2020 pelo governo Donald Trump e o Emirado Islâmico do Afeganistão, que os EUA dizem não reconhecer em todas as cláusulas.
Pelo acordo, a Milicía dos Talebã (Estudantes) se comprometeu a não atacar a retirada as forças internacionais que bombardearam e invadiram o Afeganistão a partir de 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados de 11 de setembro, realizado pela rede terrorista Al Caeda, que tinha bases no país. Também prometeu não deixar o território afegão ser usado como base para ataques a americanos e aliados.
O próprio nome Estado Islâmico da Província do Coração implica uma reivindicação sobre o Grande Coração, uma região que inclui parte do Nordeste do Irã, que tem províncias com este nome, a maior parte do Norte do Afeganistão e o Sul do Turcomenistão, do Tajiquistão e do Usbequistão. Existe desde 2015, depois que o Estado Islâmico proclamou, em 2014, a fundação de um califado nas terras que ocupava no Iraque e na Síria. Não pretende se limitar ao território afegão, cujas fronteiras não reconhece.
O acordo previa uma redução das hostilidades, não um cessar-fogo definitivo. Deveria ser complementado por um acordo de paz entre os Talebã e o governo-fantoche instalado pelos EUA, mas este governo nunca foi reconhecido pela maioria do povo afegão. Na última eleição presidencial, em 2020, votaram 1,8 milhões de eleitores num país de 39 milhões de habitantes.
A pseudodemocracia imposta pela guerra, em aliança dos EUA com senhores da guerra notoriamente corruptos como o ex-vice-presidente Rachid Dostum, não melhorou a vida do povo afegão no interior do país, onde vivem 75% da população. O povo não está preocupado com o regime político, mas com as condições de vida.
As milícias extremistas muçulmanas sabiam que os EUA e aliados iriam sair. Assim, seria apenas uma questão de tempo até os Talebã retomarem o poder. E a história recente mostra que o acontece no Afeganistão não fica no Afeganistão.
Dias atrás, o presidente Joe Biden ameaçou retaliar se os americanos fossem atacados durante a caótica retirada vista desde que os talebã entraram na capital afegã, em 15 de agosto. O problema é que a multidão que tenta desesperadamente sair do país através do aeroporto de Cabul é extremamente vulnerável a retaliações, o que amarra as mãos dos americanos. É praticamente impossível barrar um terrorista suicida no meio da multidão. Seria necessário montar várias barreiras de segurança a caminho do aeroporto.
Depois de 43 anos de guerra, desde que oficiais ligados ao Partido Comunista deram um golpe em 27 e 28 de abril de 1978, o Afeganistão precisa de paz a estabilidade para reconstruir o país miserável, extremamente dependente do exterior. Cerca de 43% do orçamento nacional vêm de ajuda internacional.
Com a Embaixada Americana em Cabul fechada, a China e a Rússia entram no vácuo de poder deixado pela retirada dos EUA. A Índia perde porque os Talebã são aliados do arqui-inimigo Paquistão, que pode usar os jihadistas afegãos na luta contra o domínio indiano sobre a Caxemira. A China reconheceu tacitamente o governo dos talebã ao receber no Grande Salão do Povo, em Beijim, o líder político da milícia, Abdul Ghani Baradar.
A China usa sua diplomacia econômica para conquistar apoio, especialmente de países em desenvolvimento, com o megaprojeto Um Cinturão Uma Rota, a Nova Reta da Seda, com orçamento de US$ 4 a 8 trilhões (R$ 21 a 42 trilhões), entre outras iniciativas. Pode investir centenas de milhões ou até bilhões de dólares na reconstrução do país em busca da estabilidade e negociar concessões para explorar os vastos recursos minerais do Afeganistão.
Tanto a China quanto a Rússia, e também a Índia, têm problemas com revoltas muçulmanas, a Rússia no Sul do Cáucaso, nas repúblicas da Chechênia, da Inguchétia e do Daguestão.
A China mantém cerca de 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação comparados a campos de concentração na província de Xinjiang.
Na Índia, o primeiro-ministro fundamentalista hindu Narendra Modi acabou com a autonomia da Caxemira, em 5 de agosto de 2019, e impôs uma administração direta que governa sob estado de emergência
Há usbeques e uigures lutando ao lado dos talebã no Afeganistão. É provável que grupos jihadistas tentem usar o Afeganistão para lançar ataques contra a China. Os Talebã têm várias facções. Muitas são contra fazer concessões.
Quanto aos EUA, a superpotência derrotada e humilhada, se a Guerra contra o Terror que começou em 11 de setembro de 2001 com os ataques a Nova York e ao Pentágono termina assim, com o caos e a morte de fuzileiros navais americanos em Cabul, elevando o total de militares dos EUA mortos no Afeganistão para 2.460, sofreram uma derrota dupla.
Tudo indica que a guerra não acabou. A vitória dos talebã dá nova vida aos grupos jihadistas no mundo inteiro. E o Estado Islâmico entende que os talebã não são suficientemente radicais. Afinal, negociaram com os EUA.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Obama envia ao Congresso plano para fechar prisão de Guantânamo
Durante a campanha eleitoral de 2008, Obama prometeu fechar a prisão em um ano, mas enfrentou resistência da oposição, que temia que os detentos se tornassem ou voltassem a ser terrorismo. O presidente declarou que "Guantânamo é uma mancha na reputação dos EUA" e "um poderoso instrumento de propaganda para os terroristas".
Para Obama, Guantânamo atrapalha a luta contra o terrorismo. Dos 91 presos restantes, alguns seriam enviados a seus países de origem e os outros para uma nova prisão a ser construída nos EUA a um custo de US$ 475 milhões. O fim da prisão representaria uma economia de US$ 85 milhões por ano para o Departamento da Defesa, o Pentágono.
Num ano eleitoral, é altamente improvável que a oposição republicana coopere com a proposta do presidente. Obama não pretende fechar a prisão por decreto. No momento, o Congresso proíbe a transferência de presos em Guantânamo para o território americano.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Senado dos EUA aprova espionagem telefônica com limites
O presidente Barack Obama deve sancionar a lei, que restaura instrumentos da espionagem da Lei Patriótica, aprovada dentro da "guerra contra o terrorismo" deflagrada pelos atentados de 11 de setembro de 2001, que expiraram em 31 de maio de 2015.
Há dois anos, o analistas de sistemas subcontratado pela NSA Edward Snowden revelou um amplo programa de espionagem que coletava as dados de todas as ligações telefônicas além de usar as grandes empresas de informática dos EUA, como Apple, Google, Microsoft, Skype e Yahoo para espionar os cidadãos americanos e de outros países do mundo.
As pesquisas de opinião indicam que a maioria da opinião pública dos EUA é contra a espionagem de americanos, mas não de estrangeiros. Com a nova lei, a polícia precisa pedir autorização à Justiça para investigar as telecomunicações de suspeitos.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Homem esfaqueia patrulha antiterrorista na França
O agressor foi preso e identificado como Moussa Coulibaly. Não está claro se ele é parente de Amédy Coulibaly, o terrorista que matou uma policial e quatro reféns num supermercado judaico em Paris no mês passado. Como seria um sobrenome comum no Mali, eles não seriam parentes.
Mais de 10 mil soldados e 5,5 mil policiais foram mobilizados depois dos atentados terroristas do mês passado para a guerra da França contra o terrorismo. Eles vigiam aeroportos, portos, centros comerciais, locais de grande concentração de pessoas, sinagogas, mesquitas e centros comunitários judaicos e muçulmanos.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Senado dos EUA acusa CIA de tortura
O relatório de 6 mil páginas, resultado de cinco anos de investigações, teve trechos vazados com antecedência e foi objeto de espionagem da CIA contra o próprio Senado dos EUA. "Não podemos apagar esta mancha, mas podemos mostrar que o país aprende com seus erros, é uma sociedade justa e legalista", observou Dianne Feinstein.
Em 1999, o Senado dos EUA havia ratificado a Convenção Internacional contra a Tortura, comprometendo-se a não recorrer à tortura como método de interrogação não importa que tipo de desafios enfrentasse. O ataque às Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono levaram ao emprego de "técnicas coercitivas e robustas de interrogatório", na descrição pasteurizada do governo George Walker Bush.
O programa incluiu a detenção e o transporte ilegal de suspeitos para países que toleram a tortura, onde eles foram submetidos a interrogatórios violentos com nudez, sufocamento com jatos d'água, proibição de dormir, frio, posições estressantes e outros métodos de tortura. Empresas privadas e psicólogo foram contratados para torturar a um custo de milhões de dólares. Das 119 detenções examinadas, pelo menos 26 prisões foram consideradas ilegais pela própria agência.
A CIA não só deteve muito mais suspeitos do que revelado anteriormente. Usou métodos "muito piores" do que admitiu e não teria conseguido informações relevantes dos presos torturados: "Os métodos muitas vezes levaram os interrogados a forjar respostas falsas", diz o relatório, e a agência acabou seguindo pistas erradas. Esta conclusão é contestada por alguns deputados e senadores republicanos.
O próprio presidente Bush, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, teriam sido enganados sobre a extensão das práticas. Bush teria sentido "desconforto" ao conhecer detalhes sobre a tortura. Várias gravações de interrogatórios foram apagadas para evitar que fossem divulgadas publicamente.
Alguns presos reclamaram que não puderam dormir durante uma semana. "Múltiplas técnicas de torturas foram usadas repetidamente sem parar contra determinados suspeitos durante dias e até semanas", afirmou a senadora. Ela citou o caso de Abu Zubaida, um saudita preso no Paquistão em 2002 e levado para o centro de detenção ilegal na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
Zubaida, diretor de um campo de treinamento da rede terrorista Al Caeda no Afeganistão, foi sufocado com jatos d'água pelo menos 83 vezes, foi deixado nu, impedido de dormir, não recebeu alimentos sólidos e foi obrigado a ficar em posições estressantes. As gravações de seu interrogatório foram destruídas em 2005. Dois anos depois, o tribunal militar que examinou seu caso concluiu ele não era um líder importante como a CIA supunha.
A CIA alardeou ter evitado atos terroristas com base em informações obtidas sob tortura, mas a comissão parlamentar de inquérito do Senado não identificou um único caso capaz de confirmar a alegação. Essa conclusão, contestada por republicanos, foi apoiada pelo senador John McCain, candidato derrotado pelo presidente Barack Obama na eleição de 2008, que ocupou a tribuna depois de senadora Feinstein.
McCain desprezou a alegação de que a divulgação do relatório agora, quando os EUA estão em guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, incentivaria novos ataques a americanos: "Eles não precisam de desculpas para nos atacar."
Na opinião do senador, um veterano de guerra que ficou cinco anos e meio preso no Vietnã, o que está em jogo é a imagem dos EUA e o compromisso com o respeito à dignidade humana: "Nossos inimigos agem sem consciência. Nós não podemos fazer isso."
ESTADO DE ALERTA
No mundo inteiro, embaixadas, consulados, bases militares e até mesmo empresas dos EUA estão em estado de alerta temendo retaliações por causa das denúncias de tortura.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Total de mortes por terrorismo cresceu 5 vezes desde 11 de setembro
Quatro grupos terroristas são responsáveis pela maioria das mortes, aponta o Índice do Terrorismo Global: o Estado Islâmico, no Iraque e na Síria; Boko Haram, na Nigéria; a milícia dos Talebã (Estudantes), no Afeganistão; e a rede terrorista Al Caeda em várias regiões do planeta.
Só 5% das mortes aconteceram em países desenvolvidos. Cerca de 80% foram registradas em cinco países: Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria e Síria. Houve aumento de casos em Bangladesh, Burúndi, Costa do Marfim, Etiópia, Israel, Irã, Mali, México, República Centro-Africana e Uganda.
O relatório só trata do terrorismo de grupos irregulares. Ignora o terrorismo de Estado, cometido pelos Estados Unidos, a Rússia e muitos outros países na luta contra vários tipos de rebeldes armados. Mas desnuda o fracasso da estratégia antiterrorista adotada por Bush, que consumiu US$ 4,4 trilhões nas guerras no Afeganistão e no Iraque e em outras operações.
De 3.361 mortes em 2000, o número subiu para 11.133 em 2012 e 17.958 no ano passado. Ao todo, nos últimos 14 anos, foram 107 mil mortes. A expectativa é de um aumento neste ano por causa da ofensiva do Estado Islâmico.
Houve uma queda a partir de 2007, com o reforço das tropas americanas na guerra do Iraque, e um forte aumento desde 2011 devido principalmente à guerra civil na Síria, causada pela Primavera Árabe e não por uma intervenção militar americana. Mas o Estado Islâmico é filho do caos e da anarquia gerados pela invasão do Iraque.
Além da repressão aos crimes cometidos pelos terroristas, o relatório recomenda uma ação política para integrar as populações alienadas como os sunitas do Iraque, excluídos desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003. A mesma fórmula foi empregada para acabar com o terrorismo nos anos 1960s e 1970s.
"Mais de 80% das organizações terroristas pararam de operar", afirma o relatório. "Só 10% dos grupos terroristas atingiram seus objetivos políticos e só 7% foram eliminados militarmente."
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Comissão desclassifica denúncia de tortura contra CIA
Agora, cabe ao presidente Barack Obama liberar ou não os trechos desclassificados pelos senadores.
Os métodos violentos de interrogatório, inclusive espancamento, afogamento e coação com o uso de cães e outros animais, foram adotados com a conivência do governo George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro. Em 2009, foram proibidos pelo presidente Barack Obama.
No mês passado, a presidente comissão, a senadora democrata Dianne Feinstein, acusou a CIA de invadir o sistema de computadores do Senado para destruir provas que incriminavam a agência pelos crimes cometidos na era Bush.
A maior acusação ao governo Obama é o assassinato de inimigos políticos com ataques de aviões não tripulados, os drones, controlados dos EUA, uma espécie de videogame da guerra muito usada para atacar os talebã no Paquistão e no Afeganistão, assim como extremistas muçulmanos no Yêmen.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
CIA enganou governo e opinião pública sobre tortura
De 2001 a 2008, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001 a ao longo de quase todo o governo George W. Bush e sua Guerra contra o Terror, a tortura foi tolerada e a CIA criou uma rede de prisões clandestinas pelo mundo em países onde a tortura é usada regularmente como método de interrogatório, diz o relatório de 6,3 mil páginas.
O documento conta como agentes deixaram o serviço de espionagem da Presidência dos EUA depois de passarem mal diante do que viram na prisão clandestina da CIA na Tailândia. No Afeganistão, um suspeito de terrorismo foi mergulhado sucessivas vezes num tanque de água gelada. Outros trechos descrevem torturas como bater com a cabeça do preso na parede.
No caso dos líderes da rede terrorista Al Caeda, mesmo quem se dispôs a contar tudo o que sabia foi torturado várias vezes, na expectativa de que tivesse muito mais a dizer, a um nível que caracteriza o sadismo.
Em março de 2014, a presidente da Comissão de Inteligência do Senado, senadora Dianne Feinstein, acusou a CIA de abuso de poder ao invadir o sistema de computadores para apagar provas e retirar documentos comprometedores obtidos durante a investigação.
Logo após tomar posse, em 2009, o presidente Barack Obama desmantelou o programa de prisões clandestinas da CIA e aboliu, ao menos oficialmente, o uso da tortura como método para extrair a verdade de suspeitos de terrorismo.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Talebã suspendem negociações com os EUA
Os Talebã alegam que os EUA não cumpriram compromissos como libertar seus militantes presos no centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
Para o jornal americano The Washington Post, não está claro se a morte de 16 civis inocentes no último fim de semana por um sargento dos EUA e a queima de cópias do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, em bases militares americanas pesaram na decisão dos rebeldes.
Ontem, houve uma tentativa de atentado frustrada contra o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta. Ele caminhava na pista de pouso de uma uma base militar britânica, quando um carro roubado explodiu em chamas a apenas 75 metros de distância, informa o jornal inglês The Independent.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Bush torturava; Obama mata
A tortura não acabou oficialmente até a posse do presidente Barack Obama, em 20 de janeiro de 2009. Obama arquivou a expressão "guerra contra o terror" e revogou as medidas que permitiam a tortura como heranças malditas de Bush. Passou a encarar a luta contra o terrorismo com operações policiais e de comandos de elite das Forças Armadas, e bombardeios com aviões não tripulados.
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| Mary Ellen O'Connell |
Obama adotou uma política de "assassinatos seletivos", a exemplo do que faz Israel desde 1950, escolhendo a dedo os principais inimigos para eliminar, como aconteceu com o líder histórico do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeque Ahmed Yassin, em março de 2004.
O serviço secreto israelense chegou a envenenar seu sucessor, Khaled Mechal. Foi obrigado a revelar qual o veneno e o antídoto sob pressão da Jordânia, que ameaçou romper o acordo de paz com Israel.
Desde a posse de Obama, os EUA mataram mais de 2,2 mil pessoas em operações policiais e de comandos na luta contra o terrorismo, inclusive seu maior inimigo, Ossama ben Laden, morto em 1º de maio de 2011 pela tropa de elite da Marinha conhecida com Seals (Focas).
A maioria morreu em ataques de aviões não tripulados, especialmente em regiões tribais do Noroeste do Paquistão e no Afeganistão. Quando Ben Laden foi morto, o governo americano alegou que era um inimigo que havia declarado guerra aos EUA. Assim, seria legítimo matá-lo em combate, sem necessidade de prendê-lo e levá a um tribunal que seria uma tribuna para pregação de sua ideologia assassina.
Nada indica que tenha havido combate na morte de Ben Laden. O debate sobre a legalidade da ação ainda está em aberto. Num bombardeio com aviões não tripulados, em 30 de setembro de 2011, morreu Anwar al-Awlaki, um americano convertido ao fundamentalismo muçulmano que liderava a rede terrorista Al Caeda no Iêmen.
Com a morte de um americano, a discussão voltou, mas Al-Awlaki era um jihadista, o inimigo execrado dos EUA. Não deve aparecer muita gente para defendê-lo na campanha eleitoral americana. Obama manteve a política de assassinatos seletivos.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Ex-prisioneiro revela pesadelo de Guantânamo
Em 31 de janeiro de 2002, a polícia invadiu sua casa. Begg foi preso diante da família. Antes de chegar a Cuba, passou por várias prisões clandestinas e militares, inclusive em Kandahar e na base de Bagram, no Afeganistão.
"Você agora é propriedade dos Estados Unidos e não tem direitos", anunciou o carcereiro de Guantânamo. Dez anos depois, nada mudou.
Durante a campanha eleitoral, o presidente Barack Obama prometeu fechar o centro de detenção. Em seu primeiro dia de governo, assinou uma ordem autorizando isso. Mas, no único caso julgado até agora de um suspeito de terrorismo na Justiça civil dos EUA, o juiz rejeitou 384 acusações porque as provas teriam sido obtidas por métodos ilegais, inclusive tortura.
"Depois de três anos de uma saga que incluiu ser espancado e chutado, despido à força, depilado, violado, cuspido; de suportar abusos raciais e religiosos, preso incomunicável numa cela menor do que o banheiro de uma casa comum; de ser submetido a mais de 300 interrogatórios - algumas vezes com os pulsos algemados nas costas por baixo dos joelhos; de ver o Corão ser profanado; de ser ameaçado de tortura no Egito ou na Síria; de ser submetido ao barulho de gritos que me disseram ser da minha família e de ver dois prisioneiros serem espancados até a morte, fui finalmente devolvido ao Reino Unido e à minha família - que tinha um novo membro, meu filho de três anos, que eu nunca tinha visto", conta ele no sítio da televisão árabe Al Jazira.
Moazzam Begg é hoje porta-voz da organização humanitária Cageprisioners. Nunca foi denunciado formalmente por nenhum crime.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Luz Brilhante era centro de tortura da CIA na Romênia
Durante anos, o edifício chamado de Luz Brilhante pelos torturadores da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem do governo americano, foi o mais importante centro do programa de sequestro e transporte em voos clandestinos dos suspeitos caçados pelo governo George W. Bush.
Quando a ditadura Muamar Kadafi caiu, foram descobertas as prisões usadas na colaboração dos serviços secretos ocidentais com o coronel que acabara de sair da lista de um dos maiores patrocinadores do terrorismo internacional. O Ocidente e Kadafi tinham um inimigo comum: o extremismo muçulmano.
Agora, o jornal digital The Huffington Post revela o interior podre da Luz Brilhante da CIA.
domingo, 9 de outubro de 2011
Memorando secreto autoriza assassinatos seletivos dos EUA
No texto, redigido no ano passado depois de um intenso debate entre diferentes ministérios e agências do governo dos Estados Unidos, são examinadas a lei federal sobre assassinatos, as declarações de direitos e legislações internacionais. O memorando se concentra no caso de Awlaki. Não estabelece regras gerais para esse tipo de ação.
Uma das alegações é que a lei que proíbe aos americanos matar americanos no exterior não se aplica no caso porque matar um inimigo em tempo de guerra não é assassinato. Mas a Quinta Emenda à Constituição dos EUA proíbe tirar a vida de uma pessoa "sem o devido processo legal".
Apesar de todas as promessas, na chamada "guerra contra o terror", expressão que o atual presidente evita, na prática, Obama não é muito diferente de George W. Bush.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Paquistão perde seu maior aliado nos EUA
Em depoimento no Congresso, Mullen acusou na semana passada a rede Haqqani pelos ataques. Foi mais um estremecimento nas relações bilaterais que os EUA consideravam chave para sua luta contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos, entre outras razões porque o Paquistão é o único país muçulmano com a bomba atômica.
O Paquistão foi o país-chave na luta contra a invasão soviética no Afeganistão (1979-89). Canalizou dinheiro e armas dos EUA, China e Arábia Saudita para os mujahedin que fizeram do Afeganistão o Vietnã da União Soviética.
Naquela época, os extremistas muçulmanos foram saudados como heróis da luta contra o comunismo. Jalaluddin Haqqani chegou a ser recebido na Casa Branca pelo então presidente Ronald Reagan.
Os tempos e as alianças mudaram. Depois de expulsar os soviéticos, os chamados árabes afegãos formaram a rede terrorista Al Caeda, sob a liderança de Ossama ben Laden, e se voltaram contra o Ocidente depois que os EUA enviaram tropas para a Arábia Saudita, em agosto de 1990, para protegê-la de um possível ataque de Saddam Hussein, que invadira o Iraque.
Com a morte de Ben Laden e o declínio d'al Caeda, a expectativa no Paquistão é que as potências ocidentais retirem suas tropas do Afeganistão, que voltaria a ser um barril de pólvora e palco de lutas de países e interesses vizinhos.
Por sua vez, os EUA acreditam que os serviços secretos paquistaneses acobertaram Ben Laden, inclusive para manter o interesse americano pela região e ganhar dinheiro com isso, recebendo ajuda a pretexto de combater o terrorismo.
Neste ambiente explosivo, o Paquistão precisa de um "cão de guarda", alega o ex-capitão da seleção paquistanesa de críquete, Imran Khan, líder de um novo partido político que ainda não chegou a fazer a diferença em eleições, mas é intimamente ligado aos militares que governaram o país durante a maior parte de sua história independente.
Em artigo publicado em blogue da TV árabe Al Jazira, Khan adverte que é preciso desarmar os espíritos e resolver logo as desavenças entre os EUA e o Paquistão para evitar uma escalada perigosa nas tensões entre aliados com interesses tão distintos.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Netanyahu afirma que "Israel sempre quis a paz"
Em discurso na ONU neste momento, ele apresenta Israel como vítima de sucessivas condenações pela Assembleia Geral da organização, da resolução condenando sionismo como uma forma de racismo, em 1975, à denúncia do histórico acordo de paz como o Egito, em 1980.
Netanyahu afirmou que os regimes de Muamar Kadafi e de Saddam Hussein tiveram posições importantes na ONU e que o governo do Líbano, dominado pela milícia fundamentalista Hesbolá (Partido de Deus), preside o Conselho de Direitos Humanos.
"Como primeiro-ministro de Israel, não venho aqui pedir aplausos, mas falar a verdade. A verdade é que Israel quer a paz. Eu quero a paz, mas a paz deve ser ancorada na segurança. Não pode ser atingida por resolução, mas de negociações diretas", acrescentou, acusando os palestinos de quererem um Estado sem paz.
Depois de falar nas extraordinárias transformações do mundo desde o fim da Guerra Fria, Netanyahu apontou o novo inimigo: o extremismo dos fundamentalistas muçulmanos. Criticou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por apresentar os atentados de 11 de setembro de 2001 como "uma conspiração americana".
Em uma tentativa de inserir o conflito árabe-israelense na lógica da "guerra contra o terrorismo", ele comparou os atentados em Nova York, Londres, Madri e tantas outras cidades aos ataques de extremistas contra Israel. Afirmou em seguida que a grande ameaça é que os terroristas consigam armas nucleares e acusou o Irã de estar desenvolvendo a bomba atômica.
O líder israelense declarou que o fundamentalismo islâmico já controla a Faixa de Gaza e o Líbano, e quer destruir o acordo de paz entre Israel e o Egito: "Eles não são contra as polícias de Israel, são contra a existência de Israel".
Para justificar sua posição, declarou que Israel deu "as chaves de Gaza a Abbas, num gesto aplaudido internacionalmente, mas não conseguimos a paz. Com o apoio do Irã, o [Movimento de Resistência Islâmica] Hamas afastou a Autoridade Nacional Palestina".
"Israel está preparado para ter um Estado palestino na Cisjordânia, mas não uma nova Faixa de Gaza, e a ANP não está preparada para oferecer novas garantias de segurança", afirmou. "Queremos mantar o crocodilo do extremismo muçulmano à distância. Em negociações sérias, essas necessidades podem ser atendidas."
Sem a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, em um ponto Israel tem apenas 14 quilômetros de largura: "Com um inimigo armado pelo Irã, Israel seria indefensável. Por isso, a Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU fala não fala na retirada dos territórios ocupados na guerra de 1967, mas de territórios", uma antiga alegação da direita israelense de que essas áreas não estão definidas.
"Quando um acordo de paz for atingido, Israel não será o último país a reconhecer a independência palestina. Será o primeiro", prometeu o primeiro-ministro.
Ele denunciou a prisão do sargento Gilad Shalit pelo Hamas há cinco anos em território israelense como uma violação do direito internacional. Mas a guerra de conquista e a ocupação e colonização de territórios ocupados também violam a lei internacional.
Numa indicação de que não pretende retirar todas as colônias construídas ilegalmente nos territórios árabes ocupados, repudiou a ideia de que um estado palestino não possa ter judeus. Insinuou ainda que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, não vai parar em Gaza e na Cisjordânia porque teria dito recentemente que Israel ocupa territórios palestinos há 63 anos: "Ele não falou em 1967".
Em seguida, afirmou que "o maior problema do conflito não é a colonização, é o não reconhecimento de Israel", negando validade às repetidas declarações da Organização para a Libertação da Palestina reconhecendo o inimigo histórico desde 1988.
Para explicar a política de expulsão sistemática de árabes do setor oriental de Jerusalém, o primeiro-ministro invocou milhares de anos de História, dizendo que "querem alegar que o Muro das Lamentações não é parte de Israel".
Netanyahu acusou Abbas de não responder a seus apelos para negociar. Os palestinos se recusam a negociar sem o congelamento da construção nos territórios ocupados, o que todos os governos de Israel fazem, ignorando as resoluções da ONU e o direito internacional.
"Estamos junto no mesmo edifício. Vamos nos encontrar hoje para retomar as negociações de paz aqui na ONU", concluiu o chefe do governo israelense.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Talebã atacam embaixada dos EUA no Afeganistão
O ataque mostra que os Talebã ainda resistem, na mais longa guerra da História dos EUA, prejudicada pela desastrada decisão do então presidente George W. Bush de invadir o Iraque em 2003, apesar deste país não ter nenhuma relação com os atentados de 11 de setembro de 2001.
domingo, 11 de setembro de 2011
Guerra contra o terror entra para a História
Perto de 3 mil pessoas foram mortas: 2.753 em Nova York, 184 no Pentágono e 40 no avião que caiu em Shanksville, na Pensilvânia, quando passageiros enfrentar os sequestradores e tentaram retomar o controle da situação. Obama esteve nos três lugares para prestar homenagens.
Dez anos depois, com a morte de Ossama ben Laden, a malfadada "guerra contra o terror" declarada naquele dia pelo então presidente George W. Bush perde cada vez mais seu significado e "dissolve-se na História", como afirma a revista The Economist.
É claro que os terroristas da rede Al Caeda continuam mais determinados do que nunca a atacar os EUA. Gostariam de vingar a morte do xeque. Se não conseguiram nos últimos dez anos, têm menos chance. Os Estados Unidos acreditam que a maior ameaça hoje seja um ataque com armas químicas ou biológicas, mas o esconderijo de Ben Laden revelou uma Caeda muito mais pobre e primitiva do que se imaginava
O 11 de Setembro não mudou o mundo. Pode ser um marco do início do século 21, mas não se compara à queda do Muro de Berlim, que acabou com a ordem mundial da Guerra.
Ao deflagrar a Grande Recessão, o colapso do banco Lehman Brothers, em 14 de setembro de 2008, foi muito mais importante. Acelerou o declínio das potências do Ocidente e a ascensão da Ásia.
O século 21 não será o século do terrorismo. Será o Século da Ásia. Com o terrorismo de Estado de Hitler, Stalin e Mao, além dos grupos guerrilheiros que tornaram essa tática de guerra endêmica no Oriente Médio, na América Latina, na África, na Ásia e na Europa, o século 20 foi o século do terrorismo.
Desde 2001, a dúvida era se os atentados eram a última guerra do século 20 ou a primeira do século 21. Como a rede Al Caeda nasceu no Afeganistão em 1988, ainda sob a ocupação soviética, talvez tenha sido mesmo a última guerra do século passado.
Antes de tudo, a guerra contra o terrorismo foi um equívoco semântico. Em primeiro lugar, não se pode fazer guerra contra uma tática de guerra. Em segundo lugar, várias vezes os EUA cometeram atos terroristas ou apoiaram aliados que fizeram isso, por exemplo, nas ditaduras militares latino-americanas durante a Guerra Fria.
A operação para matar Ben Laden mostrou que o terror não estatal se combate com mais eficiência com inteligência e ações de comandos
sábado, 3 de setembro de 2011
EUA e RU cooperaram com ditadura líbia
Os voos clandestinos da CIA transportando suspeitos de terrorismo sequestrados e levados para países onde a tortura é permitido foram um dos grandes escândalos da guerra movida pelo presidente George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2011.
domingo, 10 de julho de 2011
EUA adiam ajuda ao Paquistão
Os EUA estão certos de que Ben Laden recebeu apoio de militares do serviço secreto paquistanês nos cinco anos em que ficou refugiado no país. Isso causou um profundo mal-estar em Washington. O principal aliado dos americanos na guerra contra o terrorismo faz jogo duplo.
Enquanto recebe uma ajuda bilionária dos EUA para combater os extremistas muçulmanos, o Paquistão mantém o apoio a uma série de grupos armados radicais para usá-los no seu conflito estratégico com a Índia e manter o interesse americano na região.
Quando a União Soviética se retirou do Afeganistão, em 1989, esse país e o vizinho Paquistão foram virtualmente abandonados pelos EUA.
Nesse jogo duplo, o Paquistão denunciou a violação de sua soberania pela operação militar dos EUA para matar Ben Laden, que também ao que tudo indica precisou de apoio interno ou conivência de ao menos parte das Forças Armadas paquistanesas.
A aliança vive um momento de crise e indefinição. A acusação do pai da bomba paquistanesa, Abdul Kadir Khan, de que militares do país venderam tecnologia nuclear à Coreia do Norte foi outro torpedo nas relações bilaterais.
