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terça-feira, 2 de maio de 2023

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), a maioria doutrinados nas madraças, as escolas religiosas paquistanesas onde só se ensina o Corão. Eles tomam o poder em Cabul em 1996 e abrigam acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio norte-americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia. 

domingo, 11 de setembro de 2016

Terror aumentou nos 15 anos desde 11 de setembro

Era uma terça-feira linda de verão, de sol e céu tão azul em Londres quanto em Nova York. Eu tinha de gravar às 14h um programa de rádio no London Radio Service. Desci na estação de metrô de Warren Street cinco minutos antes e liguei o rádio no Serviço Mundial da BBC para chegar na sala de redação sabendo das últimas. O repórter noticiava um acidente em Nova York. Um pequeno avião teria batido em uma das Torres Gêmeas do World Trade Center.
Cheguei na redação e comecei a ler o texto que teria de gravar. As TVs mostravam imagens de Nova York ao vivo. Pouco depois das 14h, um avião bate numa torre. Minha primeira reação foi: já tem imagens do acidente?
Ao olhar bem, o terror ficou evidente. Era outro avião na outra torre. Não era acidente. Era o atentado terrorista mais espetacular da história. Um jornalista inglês que tinha trabalhado nos Emirados Árabes Unidos matou a charada no ato: "Só pode ter sido Ben Laden."
Gravamos assim mesmo, mas o clima era de pânico. Por causa da aliança estratégica com os Estados Unidos, os britânicos estavam certos de que Londres seria o próximo alvo. Foi o Pentágono. Um quarto avião caiu na Pensilvânia quando ia para Washington. Os alvos poderiam ser a Casa Branca ou o Congresso.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, faria um discurso numa conferência do Congresso dos Sindicatos, sempre interessados em empurrar o neotrabalhismo mais para a esquerda. Mudou de ideia imediatamente. Tratou de fortalecer a "relação especial" entre os dois países, sempre mais especial para os britânicos. Selava a parceria com George W. Bush que o levaria à invasão do Iraque e à desgraça política.
Um tinha um evento na sede do Ministério do Exterior britânico, no coração do poder em Londres, o lançamento de um atlas de recifes de coral da ONU, às 18h. Cheguei um tanto desarvorado e me perguntei: o que estou fazendo aqui?
Comprei o atlas e fui para casa. Escrevi para o No.com um dos melhores textos da minha carreira jornalística, que tentei resgatar hoje, mas não consegui.
Com 2.977 mortes, começava o que se poderia chamar de Quarta Guerra Mundial, se considerarmos que a terceira foi a Guerra Fria. Ben Laden foi morto há cinco anos. A milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante herdou o manto do extremismo muçulmanos e elevou o terror a um nível de crueldade jamais visto.
Não houve mais atentados espetaculares como os de 11 de setembro de 2001, mas o número de mortes em atentados terroristas continua aumentando ano após ano. Em 2014, o aumento foi de 80%.
Prestes a perder seus territórios no Oriente Médio sob pressão dos EUA e da Rússia, o Estado Islâmico regride a grupo terrorista e precisa de ações como os atentados de 13 de novembro de 2015 para continuar atraindo voluntários para o martírio.
Além da derrota militar nos campos de batalha do Oriente Médio, o jihadismo precisa ser vencido política e ideologicamente, precisa ser isolado e repudiados pela imensa maioria dos muçulmanos que acreditam que sua religião é uma religião de paz.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Obama fala em raiar de um novo dia no Afeganistão

Em discurso transmitido ao vivo para os Estados Unidos da base militar de Bagram, o presidente Barack Obama aproveitou o primeiro aniversário da morte de Ossama ben Laden para reafirmar suas credenciais de comandante em chefe num ano eleitoral. Ele garantiu que a derrota da rede terrorista Al Caeda está ao alcance e acenou com o fim das guerras da era Bush.

"Viajamos durante uma década sob a nuvem escura da guerra. Mas aqui, antes do amanhecer no Afeganistão, podemos ver a luz de um novo dia no horizonte", declarou Obama. "A Guerra do Iraque acabou. O número de nossos soldados em risco no exterior caiu pela metade, e mais estarão voltando para casa em breve. Temos um caminho claro para completar nossa missão no Afeganistão, enquanto fazemos justiça com Al Caeda."

O presidente americano disse que a derrota da rede terrorista responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001 está ao alcance. Não é o que dizem diversas análises.

Um ano depois da morte de Ben Laden, Al Caeda está derrotada militarmente e dispersa. Sua capacidade de concentrar forças e cometer grandes atos terroristas está diminuída. Por outro lado, o número de tentativas de atentado pode se multiplicar.

Quanto ao Afeganistão, dez anos depois do início da guerra, o presidente dos EUA tem de fazer uma visita inesperada. Isso diz tudo. A luz do novo dia de Obama pode ser mais uma bomba dos talebã e seus aliados paquistaneses.

Obama se esforça para acabar com a "guerra contra o terrorismo" declarada por George W. Bush, mas não consegue. A promessa de campanha de fechar o centro de detenção ilegal instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, está fora dos planos para este governo.

Menos de duas horas depois da saída de Obama, um ataque terrorista matou seis pessoas em Cabul, mostrando que a guerra está longe de acabar.

domingo, 15 de abril de 2012

Talebã lançam ofensiva de primavera

Com o fim do rigoroso inverno no Afeganistão, a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) lançou neste fim de semana sua ofensiva de primavera em uma série de ataques coordenados realizados por terroristas suicidas e atiradores na capital e em três províncias. Pelo menos 19 rebeldes foram mortos, informou o governo afegão.

Vinte e quatro horas depois do início dos combates, as autoridades anunciaram agora há pouco que a situação está sob controle. Oficialmente, só o Exército do Afeganistão enfrentou os Talebã, deixando as forcas internacionais lideradas pelos Estados Unidos num papel de aconselhamento e proteção de suas próprias instalações .

Em Cabul, os principais alvos eram as embaixadas dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha, e o quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Isso mostra a capacidade e a ousadia dos rebeldes.

A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história americana. Começou em 7 de outubro de 2001 para destruir as bases e os centros de treinamento da rede terrorista Al Caeda e derrubar o governo da milícia dos Talebã, que a acobertava. Mas, depois da Batalha de Tora Bora, em dezembro daquele ano, quando Ossama ben Laden e a liderança da Al Caeda fugiram para o Paquistão, o então presidente George W. Bush desviou a maior parte dos recursos para invadir o Iraque e derrubar Saddam Hussein.

Ao ordenar um reforço de tropas que elevou o contingente americano no Afeganistão para cerca de 100 mil soldados, o presidente Barack Obama pretendia reassumir o controle da situação, treinar o Exército afegão e forçar os Talebã ou pelo menos parte dos inimigos a negociar numa posição mais fraca, preparando assim a retirada dos EUA.

Apesar do primitivismo, inclusive militar, dos Talebã, eles têm o fervor ideológico e o apoio dos serviços secretos do Paquistão. Como os EUA e as outras potências ocidentais manifestaram claramente a intenção de sair do Afeganistão, quem vai ficar prepara-se para testar as forças de segurança treinadas pela OTAN para sustentar o governo atualmente presidido por Hamid Karzai, alvo de inúmeras denúncias da corrupção.

Como a maior parte do Exército do Paquistão se concentra na outra fronteira, com a Índia, inimiga histórica com que começou uma nova reaproximação, no Oeste, os serviços secretos paquistaneses usam a maioria pachtum dos dois lados de uma fronteira incerta traçada pelo Império Britânico, a Linha Durand, para criar uma zona de segurança povoada de extremistas muçulmanos.

Outros vizinhos poderosos como a Rússia e o Irã também tem interesses nesta encruzilhada do mundo antigo que se tornou um campo de batalha de interesses externos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Viúvas de Ben Laden são condenadas por imigração ilegal

Três mulheres e duas filhas do líder terrorista saudita Ossama ben Laden foram condenadas a 45 dias de prisão pela Justiça do Paquistão por imigração ilegal. Como estão presas desde 3 de março, elas devem sair da prisão daqui a duas semanas, quando serão deportadas para seus países de origem. Duas são da Arábia Saudita e a outra do Iêmen.

Seus depoimentos confirmaram que Ben Laden se refugiou no Paquistão desde que escapou do cerco dos Estados Unidos às montanhas de Tora Bora, no Afeganistão, em dezembro de 2001, até ser morto por um comando de elite da Marinha americana, em maio de 2011.

As autoridades paquistanesas tiveram cuidado especial de não revelar informações que indiquem quem protegeu o terrorista mais procurado do mundo em seu exílio. Poderiam azedar ainda mais as relações com os EUA, abaladas pela invasão do país para matar Ben Laden sem aviso prévio e pela convicção de que o terrorista não teria escapado durante tanto tempo sem ajuda do país onde se escondia, observa a agência Reuters.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ben Laden mandou matar Obama e general Petraeus

O terrorista mais caçado do mundo queria matar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o comandante militar americano, general David Petraeus, revelam documentos encontrados no esconderijo onde Ossama ben Laden foi morto por um comando de elite da Marinha dos EUA em 1º de maio do ano passado, em Abotabade, no Paquistão.

Ben Laden instruiu seus seguidores da rede terrorista Al Caeda a criar células especiais no Afeganistão e no Paquistão para atacar Obama e Petraeus.

"A razão para se concentrar neles", diz um documento, "é que Obama é o chefe da infidelidade e matá-lo vai levar [o vice-presidente Joe] Biden à Presidência... Biden é totalmente despreparado para o cargo, o que vai provocar uma crise nos EUA. Quanto a Petraeus, é o homem do momento... e matá-lo vai alterar o rumo da guerra no Afeganistão".

O chefe da rede Al Caeda indicou o terrorista Ilyas Kashmiri para realizar a tarefa. Um mês depois da morte de Ben Laden, Kashmiri foi morto por um bombardeio de um avião não tripulado dos EUA.

Em uma carta de 48 páginas a seu lugar-tenente, Atiyah Abdel Rahman, Ben Laden pediu a Al Caeda que concentrasse "todos os esforços em ataques nos EUA", em vez de realizar ataques em países muçulmanos: "Pergunte a todos os irmãos de todas as regiões se eles têm um irmão capaz de operar nos EUA, que viva lá e possa viajar para lá com facilidade".

Noutro trecho, Ben Laden criticou as "falhas" e "erros de cálculo" cometidos aliados d'al Caeda no Iraque e em outros países que levaram à morte de muçulmanos, inclusive dentro de mesquitas. Ele disse para Atiyah orientar os emires e líderes regionais da rede terrorista a evitar "vítimas civis desnecessárias".

Para analistas americanos ouvidos pelo jornal The Washington Post, a conspiração não avançou: "A organização não tem mais capacidade de planejar, organizar e executar ataques complexos e catastróficos, mas a ameaça persiste".


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

EUA admitem erro na morte de 26 paquistaneses

Os Estados Unidos reconheceram ontem haver errado no incidente em que 26 militares do Paquistão foram mortos quando forças americanas realizavam uma operação contra extremistas muçulmanos da Milícia dos Talebã (Estudantes) perto da fronteira com o Afeganistão, em 25 de novembro de 2011, mas acusaram os paquistaneses de atirar primeiro.

Ao que tudo indica, os EUA não sabiam da presença de forças paquistanesas na região e as tomaram como inimigas. O Paquistão rejeitou o resultado do inquérito,

As mortes agravaram ainda mais a tensão entre EUA e Paquistão. Suas relações tinham sido abaladas por causa da invasão do país por comandos americanos para matar o líder terrorista Ossama ben Laden, em 1º de maio.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

EUA encerram invasão do Iraque

Depois de oito anos e nove meses, e das mortes de 4.484 mil soldados americanos, 179 britânicos, 139 de outros países aliados e mais de 100 mil civis iraquianos, os Estados Unidos encerraram hoje a invasão do Iraque, ordenada em março de 2003 pelo então presidente George W. Bush sob a alegação de que a ditadura de Saddam Hussein estaria desenvolvendo armas de destruição em massa.

A ditadora genocida de Saddam caiu em 9 de abril daquele ano, mas as armas químicas, biológicas e nucleares proibidas nunca foram encontradas. Foi uma guerra ilegal, por não ter sido autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, e ilegítima porque o motivo alegado era falso.

Bush esperava uma guerra rápida. Chegou a declarar vitória, em 1º de maio de 2003, a bordo do porta-aviões americano Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.

Com a anarquia desencadeada pela queda da ditadura, logo os EUA precisaram da ajuda da ONU, que haviam humilhado ao ignorar a oposição do Conselho de Segurança à ação militar. Em agosto de 2003, um ataque terrorista suicida contra a sede da ONU em Bagdá matou o chefe da missão, o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Diante do vácuo de poder e da desmobilização da polícia e das Forças Armadas do antigo regime, milhares de homens com armas e treinamento militar iniciaram uma revolta contra a ocupação. Ao não opor resistência à invasão, o regime preservou homens e armas para uma longa guerra de guerrilha.

O caos alimentou o conflito sectário entre sunitas e xiitas.

Em 31 de março de 2004, quatro americanos contratados pelo Departamento da Defesa dos EUA foram alvo de uma embosca em Faluja, conhecida como a cidade das mais de 200 mesquitas, à beira do Rio Eufrates. Como represália, os EUA atacaram a cidade, matando mais de 600 pessoas, uma ferida aberta até hoje nas relações americano-iraquianas.

Prisioneiro com fios para tortura
Um mês depois, foram reveladas as fotos de torturas praticadas por americanos na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá. O centro de detenção e tortura de Saddam tinha se tornado centro de tortura para os EUA.

Quando o então secretário de Estado, general Colin Powell, se opôs à guerra, defendida pelos neoconservadores do governo Bush, disse ao presidente que, ao derrubar Saddam, os EUA se tornariam donos do destino de 25 milhões de habitantes de um país com profundas diferenças culturais.

Soldada Lynndie England arrasta preso
Entre as principais questões sobre o delirante projeto neoconservador de usar a democratização à força do Iraque como modelo para o resto do Oriente Médio, era saber se o Iraque era um produto de Saddam e assim poderia ser democratizado, ou se Saddam era um produto do Iraque.

Neste caso, os EUA seriam o novo Saddam. Teriam de impor sua própria ditadura a um país criado artificialmente pelas potências ocidentais depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial.

O ditador foi condenado por suas campanhas contra xiitas e curdos e enforcado em 30 de novembro de 2006. Mas o novo Iraque emergiu das urnas profundamente dividido entre suas etnias e religiões.

Enquanto árabes xiitas e curdos, perseguidos por Saddam, apoiavam a nova ordem, os sunitas boicotaram as primeiras votações e formavam o grosso da insurgência, onde logo entrou a rede terrorista Al Caeda, abrindo uma nova frente de batalha para enfrentar seus arqui-inimigos americanos.

A maioria xiita, com sua ligação natural com o vizinho Irã, sabia que dependia dos EUA, mas não mostrava muita confiança no invasor, enquanto os curdos tinham consciência de sua total dependência dos americanos para terem alguma chance.

Diante da impossibilidade de acordo entre os diferentes grupos, Al Caeda, sunita, aliada aos antigos partidários de Saddam, apostou no conflito sectário com os xiitas. Quase levou o país a uma guerra civil capaz de envolver vizinhos poderosos como a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, a partir do ataque à mesquita xiita de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006.

Com a violência generalizada, os EUA chegaram a cogitar uma retirada imediata que deixaria o Iraque numa guerra civil e até mesmo a divisão do país entre seus grupos étnicos e religiosos, tese defendida pelo atual vice-presidente, Joe Biden, durante a campanha eleitoral de 2008. Só revelou sua profunda ignorância.

Bush optou por um reforço de tropas. Sob o comando do general David Petraeus, os EUA criaram um perímetro de segurança na superfortificada Zona Verde, no centro de Bagdá, e a partir daí começaram a expandi-la. Tiveram apoio decisivo dos líderes tribais sunitas, que não queriam viver sob o extremismo que os salafistas d'al Caeda queriam impor ao país. Com armas e treinamento americanos, eles derrotaram os seguidores de Ossama ben Laden.

Quando o presidente Barack Obama assumiu, em janeiro de 2009, tinha a preocupação de acabar com uma guerra que ele sempre foi contra, como mostram seus pronunciamentos e votos da época da invasão. Ele anunciou a retirada que está terminando agora.

A Guerra do Iraque derrubou os governos da Espanha, Portugal e Reino Unido, que participaram da invasão. Bush não elegeu seu sucessor muito mais pela crise econômica.

Há poucos dias, Obama recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki. Com cautela, Obama afirmou que o Iraque é hoje um país melhor do que na era Saddam, tentando desculpar os EUA pela invasão sem dar munição à direita republicana, que o acusa de ser fraco em defesa e segurança nacional, apesar da morte de Ben Laden e da queda e morte do ditador líbio Muamar Kadafi.

Mas há sérias dúvidas sobre as credenciais democráticas de Maliki. Aliado do Irã, onde viveu exilado, ele não mostrou sinal de dar o menor apoio ao cerco diplomático que os EUA querem impor para pressionar a república islâmica a desistir de fabricar armas atômicas. Também não se manifestou quanto à guerra civil na vizinha Síria, aliada do Irã.

No plano interno, o vice-primeiro-ministro sunita, Saleh al-Mutlaq, deixou claro nos últimos dias que não confia em Maliki, a quem acusa de não querer dividir o poder. Além da proximidade com o Irã, o governo de maioria xiita teria lançado numa nova perseguição aos partidários do antigo regime e do partido Baath, de Saddam Hussein.

Quanto às causas da invasão, o chefe da missão de inspetores da ONU para armas químicas e biológicas no Iraque, o embaixador sueco Hans Blix, está convencido de que o verdadeiro motivo foi o petróleo do Iraque, argumento considerado mais provável ou até evidente por analistas de esquerda.

Talvez a questão seja mais complicada. As armas de destruição em massa foram apenas um pretexto. O senador John Kerry, que perdeu a eleição presidencial de 2004 para Bush, argumentou num debate da campanha, com base nas informações secretas a que tinha acesso, que pelo menos 34 países representavam uma ameaça maior à segurança dos EUA do que o Iraque de Saddam Hussein.

Em 12 de setembro de 2001, um dia depois dos atentados terroristas contra Nova York e o Pentágono, o subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, talvez o principal articulador da guerra, propunha a invasão do Iraque como parte da resposta, embora não houvesse qualquer indício de ligação de Saddam com extremistas muçulmanos.

Os EUA precisavam mostrar ao mundo e aos árabes, e especialmente aos islamitas radicais, que estavam prontos para ir à guerra e matar ou morrer pela pátria, que não eram covardes governados por mulheres como dizia Ben Laden. Queriam dar uma demonstração de força tomando um país árabe.

Até 10 de setembro de 2001, Saddam era o maior inimigo dos EUA no mundo árabe. A possibilidade de uma aliança de Saddam com Al Caeda era remota porque ele sabe que seria engolido pelo jihadismo.

Uma hipótese conjuga a necessidade de reafirmar sua presença militar no Oriente Médio com o interesse em garantir o suprimento de petróleo, motivo da importância geopolítica da região.

Ao escolher sauditas como 15 dos 19 terroristas suicidas do 11 de Setembro, Ben Laden queria abrir uma brecha nas relações entre os EUA e a Arábia Saudita, sua pátria, berço do Islã e sede das cidades sagradas de Meca e Medina, um país conspurcado, na visão salafista, pela presença de forças militares americanas.

A inesperada força d'al Caeda trouxe o fantasma de uma revolução islâmica na Arábia Saudita, que detém mais de 25% das reservas mundiais conhecidas de petróleo. Ao invadir o Iraque, os EUA teriam um novo país para onde remover suas forças sem retirá-las do Oriente Médio e acesso às que eram consideradas na época as segundas maiores reservas mundiais de petróleo.

Os contratos assinados pelo governo do Iraque com a companhias de petróleo da China derrubam a hipótese de que um dos motivos por trás da invasão seria restringir o acesso chinês às fontes de energia de que necessita para manter seu extraordinário crescimento econômico. A Exxon e a Shell têm enfrentado dificuldades. Estão ameaçadas de ter de sair do Iraque, o que indicaria que não há privilégios para empresas dos EUA e do Reino Unido.

Uma cerimônia em Bagdá marcou hoje o fim de uma guerra que custou mais de US$ 1 trilhão ao povo americano, contribuindo para aumentar o déficit e a dívida pública do país.

Com a presença do secretário de Defesa, Leon Panetta, que viajou secretamente a Bagdá, a bandeira americana foi retirada do aeroporto da capital iraquiana como símbolo da retirada final, reporta a TV pública britânica BBC. Ficam apenas cerca de 160 soldados para proteger a Embaixada dos EUA.

Os americanos deixam o Iraque sem honra nem glória, depois de uma guerra desastrosa. Chegaram em 20 de março de 2003, com um bombardeio devastador para chocar e apavorar os iraquianos. Deixam um país arrasado, com um conflito sectário e um sistema político que não funciona, adverte o jornal The New York Times. Saem praticamente em silêncio.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ataque da OTAN mata 25 no Paquistão

O Paquistão bloqueou hoje todas as rotas de suprimento das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Afeganistão, em retaliação a um ataque de helicópteros contra um posto militar paquinstanês na fronteira entre os dois países. Pelo menos 25 soldados morreram, reporta o jornal The New York Times.

O ataque, considerado "inaceitável" pelo Paquistão piora ainda mais as relações do país com os Estados Unidos, abaladas pela operação para matar o líder terrorista Ossama ben Laden, em 1º de maio passado e pelos frequentes bombardeios americanos com aviões não tripulados contra regiões tribais paquistanesas vistas como reduto de extremistas muçulmanos.

"É um ataque contra a soberania do Paquistão", reagiu indignado o primeiro-ministro Youssef Raza Gilani. O embaixador americano em Islamabade foi convocado para dar explicações.

Já houve casos anteriores em que as forças internacionais que intervém no Sul da Ásia erraram alvos e mataram inocentes, mas nunca com tantos mortos, observa o sítio da companhia jornalística americana McClatchy, editoria do jornal Miami Herald.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ex-agente diz que 11/9 poderia ter sido evitado

NOVA YORK - Em um livro de memórias, um ex-policial federal dos Estados Unidos acusa a competição entre os diferentes serviços secretos americanos de ter impedido de evitar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, noticiou nessa segunda-feira o jornal americano The New York Times.

As Bandeiras Negras: a história secreta do 11/9 e da guerra contra Al Caeda, lançado nessa segunda-feira, foi escrito pelo ex-agente do FBI, a polícia federal americana, Ali Soufan. Ele denuncia uma sucessão de erros que teriam sido cometidos nas investigações sobre os atentados contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e no ataque contra o contratorpedeiro USS Cole, no Iêmen.

Soufan, um agente antiterrorista que fala árabe, acusa a CIA (Agência Central de Inteligência) de ter retido intencionalmente documentos e fotografias de militantes da Caeda que só foram repassados ao FBI depois de 11 de setembro de 2001, apesar de três pedidos formais por escrito.

Uma das alegações mais fortes do livro é a descrição de uma cena na Embaixada dos EUA no Iêmen. Poucas horas depois dos ataques contra Nova York e o Pentágono, a CIA entregou os documentos requisitados meses antes, inclusive as fotos de dois dos 19 terroristas suicidas responsáveis pela tragédia.

"Por cerca de um minuto, olhei atônito para as fotos e o relatório, quase não conseguindo acreditar no que tinha em mãos", afirma o autor. Ele correu para o banheiro e vomitou. "Todo o meu corpo tremia."

O relatório documentava uma reunião d'al Caeda na Malásia em janeiro de 2000. Soufan acredita que essas informações e o resultado da investigação sobre o USS Cole teriam permitido desarmar a conspiração.

Numa ocasião, o ex-agente estava interrogando Abdullah Tabarak no centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba. Quando achava que poderia obter dados importantes, os militares o proibiram de falar com o prisioneiro, que foi enviado para o Marrocos e libertado.

Em outro momento, Soufan interrogou um militante conhecido como Batar, que levou o dote de Ossama ben Laden para o casamento do líder terrorista com uma jovem iemenita. Batar teria pedido para telefonar para a família. Os militares americanos rejeitaram o pedido. Soufan acredita que poderia ter conseguido uma pista capaz de levar a Ben Laden.

Para o autor, o maior erro foi a adoção pela CIA de técnicas brutais de interrogatório e tortura, sob ordens diretas da Casa Branca no governo George W. Bush.

Um porta-voz da CIA rejeitou as alegações de que a agência se negou a compartilhar informações antes dos atentados e defendeu os métodos de interrogatório, dizendo que permitiram "salvar vidas e desarmar conspirações inúmeras vezes" nos EUA e no exterior.


domingo, 11 de setembro de 2011

Guerra contra o terror entra para a História

NOVA YORK - Esta cidade traumatizada pelo atentado terrorista mais espetacular da História lembrou hoje as vítimas da tragédia de 11 de setembro de 2001. Seus nomes foram lidos um a um no marco zero, em cerimônia presidida pelo presidente Barack Obama.

Perto de 3 mil pessoas foram mortas: 2.753 em Nova York, 184 no Pentágono e 40 no avião que caiu em Shanksville, na Pensilvânia, quando passageiros enfrentar os sequestradores e tentaram retomar o controle  da situação. Obama esteve nos três lugares para prestar homenagens.

Dez anos depois, com a morte de Ossama ben Laden, a malfadada "guerra contra o terror" declarada naquele dia pelo então presidente George W. Bush perde cada vez mais seu significado e "dissolve-se na História", como afirma a revista The Economist.

É claro que os terroristas da rede Al Caeda continuam mais determinados do que nunca a atacar os EUA. Gostariam de vingar a morte do xeque. Se não conseguiram nos últimos dez anos, têm menos chance. Os Estados Unidos acreditam que a maior ameaça hoje seja um ataque com armas químicas ou biológicas, mas o esconderijo de Ben Laden revelou uma Caeda muito mais pobre e primitiva do que se imaginava

O 11 de Setembro não mudou o mundo. Pode ser um marco do início do século 21, mas não se compara à queda do Muro de Berlim, que acabou com a ordem mundial da Guerra.

Ao deflagrar a Grande Recessão, o colapso do banco Lehman Brothers, em 14 de setembro de 2008, foi muito mais importante. Acelerou o declínio das potências do Ocidente e a ascensão da Ásia.

 O século 21 não será o século do terrorismo. Será o Século da Ásia. Com o terrorismo de Estado de Hitler, Stalin e Mao, além dos grupos guerrilheiros que tornaram essa tática de guerra endêmica no Oriente Médio, na América Latina, na África, na Ásia e na Europa, o século 20 foi o século do terrorismo.

Desde 2001, a dúvida era se os atentados eram a última guerra do século 20 ou a primeira do século 21. Como a rede Al Caeda nasceu no Afeganistão em 1988, ainda sob a ocupação soviética, talvez tenha sido mesmo a última guerra do século passado.

Antes de tudo, a guerra contra o terrorismo foi um equívoco semântico. Em primeiro lugar, não se pode fazer guerra contra uma tática de guerra. Em segundo lugar, várias vezes os EUA cometeram atos terroristas ou apoiaram aliados que fizeram isso, por exemplo, nas ditaduras militares latino-americanas durante a Guerra Fria.

A operação para matar Ben Laden mostrou que o terror não estatal se combate com mais eficiência com inteligência e ações de comandos

sábado, 10 de setembro de 2011

"Só pode ter sido Ben Laden"

Eram cinco para as duas da tarde de terça-feira, 11 de setembro de 2001, em Londres, quando saí do metrô de Warren St. Trabalhava numa produtora de rádio e tinha de gravar um programa semanal às 14h. Liguei o rádio do meu walkman no Serviço Mundial da BBC para chegar na redação sabendo das últimas notícias.

Um avião havia se chocado contra uma das torres do World Trade Center, em Nova York. A informação inicial é de seria um avião pequeno. Afinal, grandes aviões não poderia entrar no espaço aéreo da cidade a baixa altitude.

Já estava na redação e as TVs já mostravam imagens ao vivo, às 14h04 pelo horário londrino, quando o segundo avião se chocou contra a Torre Sul. No primeiro momento, pensei que tinham conseguido a imagem do primeiro avião. Mas as duas torres estavam pegando fogo.

Naquele momento, a ficha caiu. Estávamos diante do atentado terrorista mais espetacular da História, com cobertura ao vivo e em cores. Imediatamente, Steve, um jornalista inglês do London Radio Service.  que tinha trabalhado no Oriente Médio, matou a charada: "Só pode ter sido Ben Laden".

O líder da rede terrorista Al Caeda era conhecido há pelo menos cinco anos do público britânico, desde que o laureado correspondente de Oriente Médio do Independent, Robert Fisk, o entrevistou.

A partir daí, a redação entrou em polvorosa. Com a queda das Torres Gêmeas, a sombra do terror pairou sobre Londres. Por causa do alinhamento automático do Reino Unido com os Estados Unidos, os londrinos temiam que a cidade fosse o próximo alvo.

Bateu o horror. A produtora decidiu cancelar a gravação. Foram todos trabalhar nos atentados.

O então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que seria um discurso num encontro de sindicatos, mudou o texto. Falando de improviso, deu total solidariedade aos Estados Unidos.

Eu tinha um lançamento de livro, um atlas da ONU sobre corais e biodiversidade, no Ministério do Exterior britânico, um possível alvo. Fui lá, comprei o livro e caí fora. Fui para casa, onde escrevi para o No.com um dos que considero melhores textos da miha carreira jornalística.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ben Laden já não liderava mais Al Caeda

Em seu exílio, o líder terrorista Ossama ben Laden não liderava mais a rede Al Caeda. Uma nova geração de jihadistas não seguia mais sua orientação quando ele foi morto, em Abotabade, no Paquistão, em 1º de maio de 2011, concluíram os Estados Unidos e o Paquistão.

"Ele era como aquele tio velho que ninguém ouve mais", comentou um alto funcionário dos serviços secretos americanos, citado no sítio da companhia jornalística americana McClatchy Newspapers, editora do Miami Herald.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Celular liga Ben Laden ao Paquistão

Um telefone celular do correio de Ossama ben Laden revela uma  possível ligação do líder terrorista com o grupo Harakat-ul-Mujahedin, apoiado há 20 anos pelo serviço secreto militar do Paquistão, revela o jornal The New York Times.

O aparelho foi apreendido pelos comandos de elite dos Estados Unidos que mataram o terrorista em 1º de maio de 2011.

A descoberta indica que Ben Laden usava o grupo extremista paquistanês como parte de sua rede de sustentação no país onde passou seus últimos anos de vida.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Comandante do Exército paquistanês é pressionado a sair por apoiar os EUA

O general Ashfaq Kayani, considerado o homem mais poderoso do Paquistão, está sob intensa pressão de suas oficiais para deixar o cargo desde a morte do líder terrorista Ossama ben Laden por causa de suas boas relações com os Estados Unidos, revela o jornal The New York Times.

A História registra vários golpes militares. Só tiveram sucesso os dados pelo comandante do Exército, mas agora, mais uma vez, se fala na possibilidade de um golpe de coronéis.

Comandante do Exército desde 2007, Kayani substituiu o general Pervez Musharraf, que na época acumulava a Presidência com o comando do Exército, depois de depor em 1999 o então primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Paquistão detém agentes que ajudaram a pegar Ben Laden

Em mais um sinal da instabilidade das relações entre os Estados Unidos e o Paquistão, o serviço secreto militar paquistanês prendeu cinco informantes da CIA (Agência Central de Inteligência) que ajudaram a rastrear o líder terrorista Ossama ben Laden, revela o jornal The New York Times.

Entre os presos, há um major paquistanês que copiou os números das placas dos carros que chegavam até a mansão de Ben Laden e entregou-os aos americanos.

O problema acontece no momento em que os EUA contam com a ajuda do Paquistão para pacificar o vizinho Afeganistão para permitir a retirada de uma força internacional de 130 mil soldados.

Na semana passada, ao depor na Comissão de Inteligência do Senado, o subdiretor da CIA, Michael Morell, deu nota 3 para a cooperação paquistanesa no combate ao terrorismo.

Desde a morte de Ben Laden, o Exército paquistanês tenta se descolar das operações de inteligência e contraterrorismo dos EUA no país.

Quando um agente contratado temporariamente pela CIA matou dois paquistaneses num conflito em Lahore, os americanos reclamaram que o serviço secreto do Paquistão não queria mais fazer operações de vigilância para os EUA, que tinham de usar seus próprios homens.

O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara, deputado Mike Rogers, afirmou ontem estar convencido de que os militares e os serviços secretos do Paquistão ajudaram a acobertar Ben Laden nos últimos anos de sua vida.


É verdade que interessa ao Paquistão manter um clima tenso, especialmente no Afeganistão, para manter a atenção dos EUA e ganhar bilhões de dólares com isso. Mas a relação bilateral vive um de seus piores momentos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ben Laden quis fazer acordo com Paquistão

O líder terrorista Ossama ben Laden queria fazer um acordo com o Paquistão para garantir proteção aos chefes da rede Al Caeda. Em troca, eles evitariam atacar o país, revela a CNN.

Houve uma discussão do assunto entre os terroristas, mas não há provas de que a chantagem tenha sido proposta a militares paquistaneses.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Retaliação dos Talebã mata 80 no Paquistão

Dois atentatos terroristas mataram pelo menos 80 pessoas hoje numa academia militar de Charsada, no Norte do Paquistão, informa a agência de notícias Reuters. A milícia fundamentalista dos Talebã reivindicou a autoria do ataque e prometeu mais, em vingança pela morte do líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden.

A morte de Ben Laden por um esquadrão de elite da Marinha dos Estados Unidos gerou uma crise entre os dois países. Os EUA estão certos de que autoridades paquistanesas estavam protegendo Ben Laden. Já o Paquistão denuncia a invasão de seu território pelos soldados americanos.

Ben Laden estava refugiado em Abotabade, onde fica a principal academia militar paquistanesa, o que alimentou suspeitas de cumplicidade entre o terrorista e o serviço secreto militar do Paquistão.

Em depoimento no Congresso dos EUA na semana passada, o diretor geral da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espiogem americano, Leon Panetta, admitiu que houve conivência ou incompetência do lado paquistanês. E conclui: “Nos dois casos, nós saímos perdendo.”

terça-feira, 10 de maio de 2011

Filhos de Ben Laden acusam EUA de assassinato

Os filhos adultos de Ossama ben Laden acusaram os Estados Unidos de violar a lei internacional ao matar seu pai quando ele estava desarmado, em vez de prendê-lo para levá-lo a julgamento.

Em nota divulgada hoje pelo jornal The New York Times, a família cita os julgamentos de Saddam Hussein e Slobodan Milosevic. Afirma que “este assassinato viola a lei internacional”.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paquistão nega cumplicidade e incompetência

Em discurso no Parlamento, o primeiro-ministro Yussuf Raza Gilani defendeu hoje o Paquistão das críticas de cumplicidade e incompetência por causa da presença no país do terrorista mais procurado do mundo e seu próprio governo das acusações internas porque um comando de elite dos Estados Unidos invadiu o território paquistanês sem autorização e matou Ossama ben Laden.

Gilani anunciou a abertura de inquérito para examinar o possível envolvimento de funcionários paquistaneses com a proteção ao líder terrorista.