O aiatolá xiita Muktada al-Sader ordenou hoje a retirada de centenas de milicianos das ruas da capital do Iraque, um dia depois do início de patrulhas para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, responsável por uma série de ataques terroristas suicidas que deixaram centenas de mortos nas últimas semanas.
Com metralhadoras montadas em veículos, combatentes da milícia Saraya al-Salam, o antigo Exército Mehdi, saíram às ruas do bairro conhecido como Cidade de Sáder e outras áreas de maioria xiita de Bagdá revistando veículos e pessoas que faziam compras em mercados públicos.
Em comunicado a seus seguidores, Muktada afirmou que os atentados terroristas comprovam que o governo do Iraque não consegue proteger os civis dos ataques do Estado Islâmico.
Sob pressão nos campos de batalha, perdendo territórios, o Estado Islâmico regride cada vez mais a grupo terrorista. Os ataques contra os xiitas visam a fomentar um conflito sectário para se apresentar como defensor dos sunitas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Primeiro-ministro do Iraque pede armas nos EUA
Durante uma visita de três dias a Washington em que irá à Casa Branca na sexta-feira, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki vai pedir aos Estados Unidos armas para combater a crescente onda de violência sectária decorrente da guerra civil na vizinha Síria. Já enfrenta resistências.
Um grupo de senadores dos dois partidos enviou carta ao presidente Barack Obama acusando o governo Maliki de ser dominado pelo Irã e e discriminar a minoria sunita, contribuindo assim para agravar o conflito entre sunitas e xiitas.
Desde abril, atentados a bomba e tiroteios causaram a morte de mais de 5,5 mil pessoas. Há pelo menos dois atentados por semana contra espaços abertos cheios de gente como feiras livres, cafés, estações de ônibus, mesquitas e locais sagrados para os xiitas.
A maior responsabilidade pela violência é atribuída à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu aliado. Em resposta, os xiitas organizam "comitês populares" de vigilantes para se proteger e cobrar do governo uma resposta mais dura e eficiente contra o terror, além de apelar a suas milícias.
Depois do ataque contra um santuário xiita em Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o Iraque caiu numa espiral de violência que chegou à beira da guerra civil entre as duas principais corrente do islamismo. No início de 2007, o então presidente americano George W. Bush ordenou um reforço de 30 mil homens no contingente dos EUA no país.
Um cessar-fogo entre os EUA e a milícia xiita liderada pelo aiatolá rebelde Muktada al-Sader, e a revolta de sunitas moderadas contra o extremismo d'al Caeda reduziram significativamente a violência, permitindo uma retirada honrosa para os americanos no fim de 2011.
A guerra civil na Síria reacendeu o conflito sectário no Iraque, que serve de corredor de passagem da ajuda do Irã à ditadura aliada de Bachar Assad e dos jihadistas recrutados pela Caeda para a "guerra santa" no país vizinho.
Um grupo de senadores dos dois partidos enviou carta ao presidente Barack Obama acusando o governo Maliki de ser dominado pelo Irã e e discriminar a minoria sunita, contribuindo assim para agravar o conflito entre sunitas e xiitas.
Desde abril, atentados a bomba e tiroteios causaram a morte de mais de 5,5 mil pessoas. Há pelo menos dois atentados por semana contra espaços abertos cheios de gente como feiras livres, cafés, estações de ônibus, mesquitas e locais sagrados para os xiitas.
A maior responsabilidade pela violência é atribuída à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu aliado. Em resposta, os xiitas organizam "comitês populares" de vigilantes para se proteger e cobrar do governo uma resposta mais dura e eficiente contra o terror, além de apelar a suas milícias.
Depois do ataque contra um santuário xiita em Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o Iraque caiu numa espiral de violência que chegou à beira da guerra civil entre as duas principais corrente do islamismo. No início de 2007, o então presidente americano George W. Bush ordenou um reforço de 30 mil homens no contingente dos EUA no país.
Um cessar-fogo entre os EUA e a milícia xiita liderada pelo aiatolá rebelde Muktada al-Sader, e a revolta de sunitas moderadas contra o extremismo d'al Caeda reduziram significativamente a violência, permitindo uma retirada honrosa para os americanos no fim de 2011.
A guerra civil na Síria reacendeu o conflito sectário no Iraque, que serve de corredor de passagem da ajuda do Irã à ditadura aliada de Bachar Assad e dos jihadistas recrutados pela Caeda para a "guerra santa" no país vizinho.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Carros-bomba contra sunitas matam 50 no Líbano
Pelo menos 50 pessoas foram mortas e outras 500 saíram feridas com a explosão de dois carros-bomba diante de mesquitas sunitas em Trípoli, a segunda maior cidade do Líbano, numa reverberação da guerra civil na vizinha Síria e da violência política no Iraque.
Há uma escalada da violência política entre sunitas e xiitas, num conflito sectário capaz de conflagrar todo o Oriente Médio. Já atinge uma área que vai do Mar Mediterrâneo ao leste de Bagdá.
A milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) luta na Síria ao lado da ditadura de Bachar Assad. Suas bases no Sul de Beirute foram atacadas. A última vez foi na semana passada.
Eram 13h38 da tarde de hoje quando as explosões atingiram as mesquisas de Takwa e Al-Salam, situadas em lados opostos de Trípoli.
Há uma escalada da violência política entre sunitas e xiitas, num conflito sectário capaz de conflagrar todo o Oriente Médio. Já atinge uma área que vai do Mar Mediterrâneo ao leste de Bagdá.
A milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) luta na Síria ao lado da ditadura de Bachar Assad. Suas bases no Sul de Beirute foram atacadas. A última vez foi na semana passada.
Eram 13h38 da tarde de hoje quando as explosões atingiram as mesquisas de Takwa e Al-Salam, situadas em lados opostos de Trípoli.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Atentados matam 65 pessoas em Bagdá
Uma série de explosões de 11 carros-bomba abalou hoje a capital do Iraque, matando 65 pessoas e ferindo outras 150, informam as agências de notícias internacionais citando como fontes hospitais e a polícia. Os alvos foram feiras livres e zonas de comércio de bairros de maioria xiita.
Nenhum grupo reivindicou a autoria dos atentados. As principais suspeitas recaem sobre grupos fundamentalistas muçulmanos sunitas ligados à rede terrorista Al Caeda interessados em acirrar o conflito sectário com os xiitas no momento em que a guerra civil na vizinha Síria aprofunda a divisão entre as duas principais correntes do islamismo, capaz de levar a uma conflagração geral no Oriente Médio.
Nenhum grupo reivindicou a autoria dos atentados. As principais suspeitas recaem sobre grupos fundamentalistas muçulmanos sunitas ligados à rede terrorista Al Caeda interessados em acirrar o conflito sectário com os xiitas no momento em que a guerra civil na vizinha Síria aprofunda a divisão entre as duas principais correntes do islamismo, capaz de levar a uma conflagração geral no Oriente Médio.
domingo, 28 de abril de 2013
Iraque suspende TVs por incitar à violência
A Comissão de Mídia e Comunicações do Iraque suspendeu as licenças de 10 canais de televisão, inclusive da rede Al Jazira, acusando-as de promover a violência e o sectarismo no momento em que aumentou os conflitos entra árabes sunitas e árabes xiitas, acirrados pela guerra civil na vizinha Síria.
Há cinco dias, houve um violento confronto entre manifestantes sunitas e as forças de segurança do governo predominantemente xiita do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Ele tenta resolver o conflito alternando repressão com apaziguamento. Até agora, não conseguiu.
Há cinco dias, houve um violento confronto entre manifestantes sunitas e as forças de segurança do governo predominantemente xiita do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Ele tenta resolver o conflito alternando repressão com apaziguamento. Até agora, não conseguiu.
domingo, 9 de setembro de 2012
Vice-presidente sunita do Iraque é condenado à morte
Em um sinal da divisão entre xiitas e sunitas no Iraque, o vice-presidente sunita, Tarik al-Hachimi, foi condenado à morte à revelia por seu suposto envolvimento com grupos armados responsáveis por duas mortes.
Hachimi é acusado de chefiar esquadrões da morte. Está refugiado na Turquia desde que teve sua prisão pedida, em 19 de dezembro de 2011, um dia depois da retirada das forças dos Estados Unidos.
O governo é liderado pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um xiita. Hachimi o acusa de estar por trás da condenação para afastar os sunitas dos círculos do poder em Bagdá.
Hachimi é acusado de chefiar esquadrões da morte. Está refugiado na Turquia desde que teve sua prisão pedida, em 19 de dezembro de 2011, um dia depois da retirada das forças dos Estados Unidos.
O governo é liderado pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um xiita. Hachimi o acusa de estar por trás da condenação para afastar os sunitas dos círculos do poder em Bagdá.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Carros-bomba contra xiitas e curdos matam 65 no Iraque
Uma onda de atentados terroristas com 11 carros-bomba visando alvos xiitas e curdos matou pelo menos 65 pessoas hoje em várias cidades do Iraque. Só em Bagdá cinco carros-bomba foram detonados. A maior suspeita é a rede terrorista Al Caeda, que é sunita e tenta reinflamar o conflito sectário no país.
A maioria dos ataques foi contra peregrinos xiitas que se concentravam em Bagdá para celebrar o aniversário do imã Moussa al-Kadhim, no século 8. Duas explosões atingiram sedes de partidos políticos da minoria curda.
Os ataques aumentaram desde a retirada, no fim de 2012, das forças americanas que invadiram o Iraque em março de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein sob a alegação de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
A tensão cada vez maior entre os xiitas, os sunitas e os curdos deixa o país à beira da guerra civil. Dividido, o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki está processando o vice-presidente sunita Tarik al-Hachemi. Assim, não consegue conter a violência política.
A maioria dos ataques foi contra peregrinos xiitas que se concentravam em Bagdá para celebrar o aniversário do imã Moussa al-Kadhim, no século 8. Duas explosões atingiram sedes de partidos políticos da minoria curda.
Os ataques aumentaram desde a retirada, no fim de 2012, das forças americanas que invadiram o Iraque em março de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein sob a alegação de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
A tensão cada vez maior entre os xiitas, os sunitas e os curdos deixa o país à beira da guerra civil. Dividido, o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki está processando o vice-presidente sunita Tarik al-Hachemi. Assim, não consegue conter a violência política.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Terror mata mais 68 iraquianos
Dois atentados a bomba mataram pelo menos 24 pessoas em dois bairros xiitas de Bagdá, enquanto outras 44 foram mortas no Sul do Iraque, num aumento de tensão capaz de deflagrar uma guerra civil sectária entre sunitas e xiitas.
O país esteve à beira de uma guerra civil generalizada depois de um ataque a uma mesquita xiita em Samarra em 22 de fevereiro de 2006, levando o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a reforçar o contingente americano.
Com a retirada total das forças de combate dos EUA no fim do ano passado, uma série de atentados tenta reincendiar o Iraque, reporta o jornal The New York Times.
O país esteve à beira de uma guerra civil generalizada depois de um ataque a uma mesquita xiita em Samarra em 22 de fevereiro de 2006, levando o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a reforçar o contingente americano.
Com a retirada total das forças de combate dos EUA no fim do ano passado, uma série de atentados tenta reincendiar o Iraque, reporta o jornal The New York Times.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
EUA encerram invasão do Iraque
Depois de oito anos e nove meses, e das mortes de 4.484 mil soldados americanos, 179 britânicos, 139 de outros países aliados e mais de 100 mil civis iraquianos, os Estados Unidos encerraram hoje a invasão do Iraque, ordenada em março de 2003 pelo então presidente George W. Bush sob a alegação de que a ditadura de Saddam Hussein estaria desenvolvendo armas de destruição em massa.
A ditadora genocida de Saddam caiu em 9 de abril daquele ano, mas as armas químicas, biológicas e nucleares proibidas nunca foram encontradas. Foi uma guerra ilegal, por não ter sido autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, e ilegítima porque o motivo alegado era falso.
Bush esperava uma guerra rápida. Chegou a declarar vitória, em 1º de maio de 2003, a bordo do porta-aviões americano Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.
Com a anarquia desencadeada pela queda da ditadura, logo os EUA precisaram da ajuda da ONU, que haviam humilhado ao ignorar a oposição do Conselho de Segurança à ação militar. Em agosto de 2003, um ataque terrorista suicida contra a sede da ONU em Bagdá matou o chefe da missão, o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
Diante do vácuo de poder e da desmobilização da polícia e das Forças Armadas do antigo regime, milhares de homens com armas e treinamento militar iniciaram uma revolta contra a ocupação. Ao não opor resistência à invasão, o regime preservou homens e armas para uma longa guerra de guerrilha.
O caos alimentou o conflito sectário entre sunitas e xiitas.
Em 31 de março de 2004, quatro americanos contratados pelo Departamento da Defesa dos EUA foram alvo de uma embosca em Faluja, conhecida como a cidade das mais de 200 mesquitas, à beira do Rio Eufrates. Como represália, os EUA atacaram a cidade, matando mais de 600 pessoas, uma ferida aberta até hoje nas relações americano-iraquianas.
Um mês depois, foram reveladas as fotos de torturas praticadas por americanos na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá. O centro de detenção e tortura de Saddam tinha se tornado centro de tortura para os EUA.
Quando o então secretário de Estado, general Colin Powell, se opôs à guerra, defendida pelos neoconservadores do governo Bush, disse ao presidente que, ao derrubar Saddam, os EUA se tornariam donos do destino de 25 milhões de habitantes de um país com profundas diferenças culturais.
Entre as principais questões sobre o delirante projeto neoconservador de usar a democratização à força do Iraque como modelo para o resto do Oriente Médio, era saber se o Iraque era um produto de Saddam e assim poderia ser democratizado, ou se Saddam era um produto do Iraque.
Neste caso, os EUA seriam o novo Saddam. Teriam de impor sua própria ditadura a um país criado artificialmente pelas potências ocidentais depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial.
O ditador foi condenado por suas campanhas contra xiitas e curdos e enforcado em 30 de novembro de 2006. Mas o novo Iraque emergiu das urnas profundamente dividido entre suas etnias e religiões.
Enquanto árabes xiitas e curdos, perseguidos por Saddam, apoiavam a nova ordem, os sunitas boicotaram as primeiras votações e formavam o grosso da insurgência, onde logo entrou a rede terrorista Al Caeda, abrindo uma nova frente de batalha para enfrentar seus arqui-inimigos americanos.
A maioria xiita, com sua ligação natural com o vizinho Irã, sabia que dependia dos EUA, mas não mostrava muita confiança no invasor, enquanto os curdos tinham consciência de sua total dependência dos americanos para terem alguma chance.
Diante da impossibilidade de acordo entre os diferentes grupos, Al Caeda, sunita, aliada aos antigos partidários de Saddam, apostou no conflito sectário com os xiitas. Quase levou o país a uma guerra civil capaz de envolver vizinhos poderosos como a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, a partir do ataque à mesquita xiita de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006.
Com a violência generalizada, os EUA chegaram a cogitar uma retirada imediata que deixaria o Iraque numa guerra civil e até mesmo a divisão do país entre seus grupos étnicos e religiosos, tese defendida pelo atual vice-presidente, Joe Biden, durante a campanha eleitoral de 2008. Só revelou sua profunda ignorância.
Bush optou por um reforço de tropas. Sob o comando do general David Petraeus, os EUA criaram um perímetro de segurança na superfortificada Zona Verde, no centro de Bagdá, e a partir daí começaram a expandi-la. Tiveram apoio decisivo dos líderes tribais sunitas, que não queriam viver sob o extremismo que os salafistas d'al Caeda queriam impor ao país. Com armas e treinamento americanos, eles derrotaram os seguidores de Ossama ben Laden.
Quando o presidente Barack Obama assumiu, em janeiro de 2009, tinha a preocupação de acabar com uma guerra que ele sempre foi contra, como mostram seus pronunciamentos e votos da época da invasão. Ele anunciou a retirada que está terminando agora.
A Guerra do Iraque derrubou os governos da Espanha, Portugal e Reino Unido, que participaram da invasão. Bush não elegeu seu sucessor muito mais pela crise econômica.
Há poucos dias, Obama recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki. Com cautela, Obama afirmou que o Iraque é hoje um país melhor do que na era Saddam, tentando desculpar os EUA pela invasão sem dar munição à direita republicana, que o acusa de ser fraco em defesa e segurança nacional, apesar da morte de Ben Laden e da queda e morte do ditador líbio Muamar Kadafi.
Mas há sérias dúvidas sobre as credenciais democráticas de Maliki. Aliado do Irã, onde viveu exilado, ele não mostrou sinal de dar o menor apoio ao cerco diplomático que os EUA querem impor para pressionar a república islâmica a desistir de fabricar armas atômicas. Também não se manifestou quanto à guerra civil na vizinha Síria, aliada do Irã.
No plano interno, o vice-primeiro-ministro sunita, Saleh al-Mutlaq, deixou claro nos últimos dias que não confia em Maliki, a quem acusa de não querer dividir o poder. Além da proximidade com o Irã, o governo de maioria xiita teria lançado numa nova perseguição aos partidários do antigo regime e do partido Baath, de Saddam Hussein.
Quanto às causas da invasão, o chefe da missão de inspetores da ONU para armas químicas e biológicas no Iraque, o embaixador sueco Hans Blix, está convencido de que o verdadeiro motivo foi o petróleo do Iraque, argumento considerado mais provável ou até evidente por analistas de esquerda.
Talvez a questão seja mais complicada. As armas de destruição em massa foram apenas um pretexto. O senador John Kerry, que perdeu a eleição presidencial de 2004 para Bush, argumentou num debate da campanha, com base nas informações secretas a que tinha acesso, que pelo menos 34 países representavam uma ameaça maior à segurança dos EUA do que o Iraque de Saddam Hussein.
Em 12 de setembro de 2001, um dia depois dos atentados terroristas contra Nova York e o Pentágono, o subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, talvez o principal articulador da guerra, propunha a invasão do Iraque como parte da resposta, embora não houvesse qualquer indício de ligação de Saddam com extremistas muçulmanos.
Os EUA precisavam mostrar ao mundo e aos árabes, e especialmente aos islamitas radicais, que estavam prontos para ir à guerra e matar ou morrer pela pátria, que não eram covardes governados por mulheres como dizia Ben Laden. Queriam dar uma demonstração de força tomando um país árabe.
Até 10 de setembro de 2001, Saddam era o maior inimigo dos EUA no mundo árabe. A possibilidade de uma aliança de Saddam com Al Caeda era remota porque ele sabe que seria engolido pelo jihadismo.
Uma hipótese conjuga a necessidade de reafirmar sua presença militar no Oriente Médio com o interesse em garantir o suprimento de petróleo, motivo da importância geopolítica da região.
Ao escolher sauditas como 15 dos 19 terroristas suicidas do 11 de Setembro, Ben Laden queria abrir uma brecha nas relações entre os EUA e a Arábia Saudita, sua pátria, berço do Islã e sede das cidades sagradas de Meca e Medina, um país conspurcado, na visão salafista, pela presença de forças militares americanas.
A inesperada força d'al Caeda trouxe o fantasma de uma revolução islâmica na Arábia Saudita, que detém mais de 25% das reservas mundiais conhecidas de petróleo. Ao invadir o Iraque, os EUA teriam um novo país para onde remover suas forças sem retirá-las do Oriente Médio e acesso às que eram consideradas na época as segundas maiores reservas mundiais de petróleo.
Os contratos assinados pelo governo do Iraque com a companhias de petróleo da China derrubam a hipótese de que um dos motivos por trás da invasão seria restringir o acesso chinês às fontes de energia de que necessita para manter seu extraordinário crescimento econômico. A Exxon e a Shell têm enfrentado dificuldades. Estão ameaçadas de ter de sair do Iraque, o que indicaria que não há privilégios para empresas dos EUA e do Reino Unido.
Uma cerimônia em Bagdá marcou hoje o fim de uma guerra que custou mais de US$ 1 trilhão ao povo americano, contribuindo para aumentar o déficit e a dívida pública do país.
Com a presença do secretário de Defesa, Leon Panetta, que viajou secretamente a Bagdá, a bandeira americana foi retirada do aeroporto da capital iraquiana como símbolo da retirada final, reporta a TV pública britânica BBC. Ficam apenas cerca de 160 soldados para proteger a Embaixada dos EUA.
Os americanos deixam o Iraque sem honra nem glória, depois de uma guerra desastrosa. Chegaram em 20 de março de 2003, com um bombardeio devastador para chocar e apavorar os iraquianos. Deixam um país arrasado, com um conflito sectário e um sistema político que não funciona, adverte o jornal The New York Times. Saem praticamente em silêncio.
A ditadora genocida de Saddam caiu em 9 de abril daquele ano, mas as armas químicas, biológicas e nucleares proibidas nunca foram encontradas. Foi uma guerra ilegal, por não ter sido autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, e ilegítima porque o motivo alegado era falso.
Bush esperava uma guerra rápida. Chegou a declarar vitória, em 1º de maio de 2003, a bordo do porta-aviões americano Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.
Com a anarquia desencadeada pela queda da ditadura, logo os EUA precisaram da ajuda da ONU, que haviam humilhado ao ignorar a oposição do Conselho de Segurança à ação militar. Em agosto de 2003, um ataque terrorista suicida contra a sede da ONU em Bagdá matou o chefe da missão, o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
Diante do vácuo de poder e da desmobilização da polícia e das Forças Armadas do antigo regime, milhares de homens com armas e treinamento militar iniciaram uma revolta contra a ocupação. Ao não opor resistência à invasão, o regime preservou homens e armas para uma longa guerra de guerrilha.
O caos alimentou o conflito sectário entre sunitas e xiitas.
Em 31 de março de 2004, quatro americanos contratados pelo Departamento da Defesa dos EUA foram alvo de uma embosca em Faluja, conhecida como a cidade das mais de 200 mesquitas, à beira do Rio Eufrates. Como represália, os EUA atacaram a cidade, matando mais de 600 pessoas, uma ferida aberta até hoje nas relações americano-iraquianas.
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| Prisioneiro com fios para tortura |
Quando o então secretário de Estado, general Colin Powell, se opôs à guerra, defendida pelos neoconservadores do governo Bush, disse ao presidente que, ao derrubar Saddam, os EUA se tornariam donos do destino de 25 milhões de habitantes de um país com profundas diferenças culturais.
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| Soldada Lynndie England arrasta preso |
Neste caso, os EUA seriam o novo Saddam. Teriam de impor sua própria ditadura a um país criado artificialmente pelas potências ocidentais depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial.
O ditador foi condenado por suas campanhas contra xiitas e curdos e enforcado em 30 de novembro de 2006. Mas o novo Iraque emergiu das urnas profundamente dividido entre suas etnias e religiões.
Enquanto árabes xiitas e curdos, perseguidos por Saddam, apoiavam a nova ordem, os sunitas boicotaram as primeiras votações e formavam o grosso da insurgência, onde logo entrou a rede terrorista Al Caeda, abrindo uma nova frente de batalha para enfrentar seus arqui-inimigos americanos.
A maioria xiita, com sua ligação natural com o vizinho Irã, sabia que dependia dos EUA, mas não mostrava muita confiança no invasor, enquanto os curdos tinham consciência de sua total dependência dos americanos para terem alguma chance.
Diante da impossibilidade de acordo entre os diferentes grupos, Al Caeda, sunita, aliada aos antigos partidários de Saddam, apostou no conflito sectário com os xiitas. Quase levou o país a uma guerra civil capaz de envolver vizinhos poderosos como a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, a partir do ataque à mesquita xiita de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006.
Com a violência generalizada, os EUA chegaram a cogitar uma retirada imediata que deixaria o Iraque numa guerra civil e até mesmo a divisão do país entre seus grupos étnicos e religiosos, tese defendida pelo atual vice-presidente, Joe Biden, durante a campanha eleitoral de 2008. Só revelou sua profunda ignorância.
Bush optou por um reforço de tropas. Sob o comando do general David Petraeus, os EUA criaram um perímetro de segurança na superfortificada Zona Verde, no centro de Bagdá, e a partir daí começaram a expandi-la. Tiveram apoio decisivo dos líderes tribais sunitas, que não queriam viver sob o extremismo que os salafistas d'al Caeda queriam impor ao país. Com armas e treinamento americanos, eles derrotaram os seguidores de Ossama ben Laden.
Quando o presidente Barack Obama assumiu, em janeiro de 2009, tinha a preocupação de acabar com uma guerra que ele sempre foi contra, como mostram seus pronunciamentos e votos da época da invasão. Ele anunciou a retirada que está terminando agora.
A Guerra do Iraque derrubou os governos da Espanha, Portugal e Reino Unido, que participaram da invasão. Bush não elegeu seu sucessor muito mais pela crise econômica.
Há poucos dias, Obama recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki. Com cautela, Obama afirmou que o Iraque é hoje um país melhor do que na era Saddam, tentando desculpar os EUA pela invasão sem dar munição à direita republicana, que o acusa de ser fraco em defesa e segurança nacional, apesar da morte de Ben Laden e da queda e morte do ditador líbio Muamar Kadafi.
Mas há sérias dúvidas sobre as credenciais democráticas de Maliki. Aliado do Irã, onde viveu exilado, ele não mostrou sinal de dar o menor apoio ao cerco diplomático que os EUA querem impor para pressionar a república islâmica a desistir de fabricar armas atômicas. Também não se manifestou quanto à guerra civil na vizinha Síria, aliada do Irã.
No plano interno, o vice-primeiro-ministro sunita, Saleh al-Mutlaq, deixou claro nos últimos dias que não confia em Maliki, a quem acusa de não querer dividir o poder. Além da proximidade com o Irã, o governo de maioria xiita teria lançado numa nova perseguição aos partidários do antigo regime e do partido Baath, de Saddam Hussein.
Quanto às causas da invasão, o chefe da missão de inspetores da ONU para armas químicas e biológicas no Iraque, o embaixador sueco Hans Blix, está convencido de que o verdadeiro motivo foi o petróleo do Iraque, argumento considerado mais provável ou até evidente por analistas de esquerda.
Talvez a questão seja mais complicada. As armas de destruição em massa foram apenas um pretexto. O senador John Kerry, que perdeu a eleição presidencial de 2004 para Bush, argumentou num debate da campanha, com base nas informações secretas a que tinha acesso, que pelo menos 34 países representavam uma ameaça maior à segurança dos EUA do que o Iraque de Saddam Hussein.
Em 12 de setembro de 2001, um dia depois dos atentados terroristas contra Nova York e o Pentágono, o subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, talvez o principal articulador da guerra, propunha a invasão do Iraque como parte da resposta, embora não houvesse qualquer indício de ligação de Saddam com extremistas muçulmanos.
Os EUA precisavam mostrar ao mundo e aos árabes, e especialmente aos islamitas radicais, que estavam prontos para ir à guerra e matar ou morrer pela pátria, que não eram covardes governados por mulheres como dizia Ben Laden. Queriam dar uma demonstração de força tomando um país árabe.
Até 10 de setembro de 2001, Saddam era o maior inimigo dos EUA no mundo árabe. A possibilidade de uma aliança de Saddam com Al Caeda era remota porque ele sabe que seria engolido pelo jihadismo.
Uma hipótese conjuga a necessidade de reafirmar sua presença militar no Oriente Médio com o interesse em garantir o suprimento de petróleo, motivo da importância geopolítica da região.
Ao escolher sauditas como 15 dos 19 terroristas suicidas do 11 de Setembro, Ben Laden queria abrir uma brecha nas relações entre os EUA e a Arábia Saudita, sua pátria, berço do Islã e sede das cidades sagradas de Meca e Medina, um país conspurcado, na visão salafista, pela presença de forças militares americanas.
A inesperada força d'al Caeda trouxe o fantasma de uma revolução islâmica na Arábia Saudita, que detém mais de 25% das reservas mundiais conhecidas de petróleo. Ao invadir o Iraque, os EUA teriam um novo país para onde remover suas forças sem retirá-las do Oriente Médio e acesso às que eram consideradas na época as segundas maiores reservas mundiais de petróleo.
Os contratos assinados pelo governo do Iraque com a companhias de petróleo da China derrubam a hipótese de que um dos motivos por trás da invasão seria restringir o acesso chinês às fontes de energia de que necessita para manter seu extraordinário crescimento econômico. A Exxon e a Shell têm enfrentado dificuldades. Estão ameaçadas de ter de sair do Iraque, o que indicaria que não há privilégios para empresas dos EUA e do Reino Unido.
Uma cerimônia em Bagdá marcou hoje o fim de uma guerra que custou mais de US$ 1 trilhão ao povo americano, contribuindo para aumentar o déficit e a dívida pública do país.
Com a presença do secretário de Defesa, Leon Panetta, que viajou secretamente a Bagdá, a bandeira americana foi retirada do aeroporto da capital iraquiana como símbolo da retirada final, reporta a TV pública britânica BBC. Ficam apenas cerca de 160 soldados para proteger a Embaixada dos EUA.
Os americanos deixam o Iraque sem honra nem glória, depois de uma guerra desastrosa. Chegaram em 20 de março de 2003, com um bombardeio devastador para chocar e apavorar os iraquianos. Deixam um país arrasado, com um conflito sectário e um sistema político que não funciona, adverte o jornal The New York Times. Saem praticamente em silêncio.
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