Diante da espetacular intervenção militar da Rússia na guerra civil da Síria, os Estados Unidos estão recalibrando sua estratégia na guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, deflagrando uma nova ofensiva com o Exército iraquiano e milícias aliadas para retomar a cidade de Ramadi, capital da província de Ambar, conquistada pelos jihadistas em 17 de maio de 2015.
Com cobertura da Força Aérea dos EUA, as forças iraquianas tomaram hoje uma ponte a 14 quilômetros do centro da cidade, anunciou o Comando de Operações do Exército do Iraque em Ambar. Dezenas de milicianos do Estado Islâmico teriam morrido em combates em Faluja e perto de Ramadi, informou a agência iraquiana Shafaq News.
Ontem, o porta-voz do comando militar americano na coalizão aérea contra o Estado Islâmico, coronel Steve Warren, confirmou que o Exército do Iraque estava pronto para reconquistar Ramadi. Hoje, a bandeira iraquiana tremula sobre a ponta Albu Faraj, que liga a cidade ao distrito de Albu Faruj por sobre o Rio Eufrates.
Tanto os EUA quanto o Iraque precisam de uma vitória sobre o Estado Islâmico para recuperar a moral. No caso americano, por causa da intervenção russa na Síria. No Iraque, o primeiro-ministro Heidar al-Abadi enfrenta um movimento de protesto crescente. Há rumores de golpe militar articulado pelo ex-primeiro-ministro Nuri al-Maliki e seus aliados iranianos, e a economia sofre com a queda nos preços internacionais do petróleo.
Dezesseis meses depois da queda de Mossul, a segunda maior cidade do país, a unidade do Iraque está cada vez mais ameaçada. Muitos analistas internacionais consideram inevitável a divisão do país, arrasado pela invasão dos EUA em 2003.
A autonomia da região curda no Norte do país se consolida cada vez mais. Com o apoio dos EUA, os peshmerga (guerrilheiros curdos) são a principal resistência ao Estado Islâmico. O governo dominado pela maioria árabe xiita, aliado do Irã, só controla o Centro e o Sul do Iraque, aprofundando as divisões étnicas e religiosas. A maior parte das áreas de maioria sunita está sob o domínio do Estado Islâmico.
Uma vitória em Ramadi vai melhorar a força moral da tropa, mas não resolve os problemas do país. Os jihadistas devem fugir para o deserto, onde terão a proteção de tribos sunitas que têm mais identidade com eles do que os americanos ou o governo xiita.
Essa divisão interna e a crise econômica enfraquecem o Iraque, complicam as ações militares contra o Estado Islâmico e tornam o país um campo de batalha dos candidatos a potências regionais no Oriente Médio: a Arábia Saudita, o Irã e a Turquia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Irã ameaça tirar apoio à guerra contra o Estado Islâmico
A República Islâmica do Irã ameaça retirar seu apoio à guerra contra a organização terrorista sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante se o ex-primeiro Nuri al-Maliki for processado pela queda de Mossul, tomada pelos jihadistas em junho de 2014.
Maliki chegou ontem a Teerã para encontros com líderes iranianos. No momento, o ex-chefe de governo iraquiano é alvo de várias no relatório final de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a queda de Mossul, segunda maior cidade do Iraque.
Hoje a Assembleia Nacional decidiu encaminhar as conclusões da CPI ao Ministério Público. O escritório do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, fez contato direto com o atual primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, para blindar Maliki, garantindo sua impunidade.
O Irã apoia o governo da maioria xiita no Iraque e tem interesse na preservação da unidade do país vizinho. Milícias xiitas iraquianas treinadas, financiadas e às vezes comandadas pelo Irã lutam ao lado do Exército do Iraque na guerra contra o Estado Islâmico, com a cobertura da Força Aérea dos Estados Unidos e seus aliados.
Maliki chegou ontem a Teerã para encontros com líderes iranianos. No momento, o ex-chefe de governo iraquiano é alvo de várias no relatório final de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a queda de Mossul, segunda maior cidade do Iraque.
Hoje a Assembleia Nacional decidiu encaminhar as conclusões da CPI ao Ministério Público. O escritório do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, fez contato direto com o atual primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, para blindar Maliki, garantindo sua impunidade.
O Irã apoia o governo da maioria xiita no Iraque e tem interesse na preservação da unidade do país vizinho. Milícias xiitas iraquianas treinadas, financiadas e às vezes comandadas pelo Irã lutam ao lado do Exército do Iraque na guerra contra o Estado Islâmico, com a cobertura da Força Aérea dos Estados Unidos e seus aliados.
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Maliki anuncia sua demissão
Sob pressão dos Estados Unidos, do Irã e dos próprios xiitas iraquianos, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki anunciou hoje sua demissão. Ele tentou resistir. Chegou a mobilizar setores das Forças Armadas. Quando perdeu o apoio do partido Dawa, o maior da comunidade xiita do Iraque, sua sorte foi liquidada.
O colapso das forças de segurança diante da ofensiva da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante provocou uma crise política sem precedentes no conturbado Iraque pós-Saddam Hussein. O presidente Barack Obama condicionou o fornecimento de armas à saída de Maliki.
Na segunda-feira, o presidente Fuad Massum nomeou Haider al-Abadi para chefiar o governo. Maliki alegou ter direito a um terceiro mandato. Ontem, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khameni, apoiou Abadi. Sem apoio interno nem externo, Maliki foi obrigado a recuar.
Hoje finalmente Maliki declarou não querer mais nenhum cargo no governo iraquiano. Terá de ficar até a formação de um novo governo.
O colapso das forças de segurança diante da ofensiva da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante provocou uma crise política sem precedentes no conturbado Iraque pós-Saddam Hussein. O presidente Barack Obama condicionou o fornecimento de armas à saída de Maliki.
Na segunda-feira, o presidente Fuad Massum nomeou Haider al-Abadi para chefiar o governo. Maliki alegou ter direito a um terceiro mandato. Ontem, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khameni, apoiou Abadi. Sem apoio interno nem externo, Maliki foi obrigado a recuar.
Hoje finalmente Maliki declarou não querer mais nenhum cargo no governo iraquiano. Terá de ficar até a formação de um novo governo.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
EUA e França vão armar curdos do Iraque
Diante da ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), os Estados Unidos e a França anunciaram a decisão de armar os curdos do Norte do Iraque. Enquanto a França deve fazer isso imediatamente, os EUA promete "acelerar o envio" quando o Iraque tiver um novo governo. Isso implica o afastamento do primeiro-ministro Nuri al-Maliki.
Na segunda-feira, o presidente Fuad Massum, um curdo, nomeou o xiita Haider al-Abadi, com o apoio do Irã e de várias facções xiitas. Hoje, Maliki denunciou "uma conspiração interna e externa" pela manobra.
Hoje, a televisão pública britânica BBC noticiou que o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica no Irã, aiatolá Ali Khamenei, apoia a remoção de Maliki e a nomeação de Abadi.
Na segunda-feira, o presidente Fuad Massum, um curdo, nomeou o xiita Haider al-Abadi, com o apoio do Irã e de várias facções xiitas. Hoje, Maliki denunciou "uma conspiração interna e externa" pela manobra.
Hoje, a televisão pública britânica BBC noticiou que o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica no Irã, aiatolá Ali Khamenei, apoia a remoção de Maliki e a nomeação de Abadi.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Irã apoia primeiro-ministro designado do Iraque
O primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki ficou ainda mais isolado hoje no Iraque com o apoio do Irã ao primeiro-ministro designado Haider al-Abadi, que tem 30 dias para formar um governo. Hoje o presidente do Supremo Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Chamkani
Ontem, Maliki ameaçou resistir à nomeação, alegando ter direito a um terceiro mandato, e mandou tanques saírem às ruas de Bagdá, gerando rumores de golpe de Estado. Quando sua base de apoio ruiu, fez um apelo às forças de segurança para não tomarem partido na crise política.
"A rapidez do apoio internacional e dentro do Iraque mostra como Maliki se tornou impopular", comentou Hoshyar Zebari, um líder político curdo e ex-ministro do Exterior. "Houve um certo alívio do público e dos militares com o recuo, mas não sabemos o que ele tem na manga. Acredito que ele vá criar tantos problemas quanto possível no próximo mês."
Ontem, Maliki ameaçou resistir à nomeação, alegando ter direito a um terceiro mandato, e mandou tanques saírem às ruas de Bagdá, gerando rumores de golpe de Estado. Quando sua base de apoio ruiu, fez um apelo às forças de segurança para não tomarem partido na crise política.
"A rapidez do apoio internacional e dentro do Iraque mostra como Maliki se tornou impopular", comentou Hoshyar Zebari, um líder político curdo e ex-ministro do Exterior. "Houve um certo alívio do público e dos militares com o recuo, mas não sabemos o que ele tem na manga. Acredito que ele vá criar tantos problemas quanto possível no próximo mês."
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Explosões matam nove e geram caos no centro de Bagdá
Pelo menos nove pessoas morreram e outras 54 saíram feridas de duas explosões nos bairros de Karrada e Zafarânia, que ficam na região central da capital do Iraque, informou o Comando de Operações de Bagdá.
A maior bomba explodiu em Karrada, onde mora o primeiro-ministro designado Haider al-Abadi. Oito pessoas morreram e outras 51 foram feridas. Revoltados, civis atacaram a polícia.
A outra bomba era um adesivo explosivo colado num veículo civil.
Abadi, nomeado pelo presidente Fuad Massum, um curdo, enfrenta resistência do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, xiita como ele, que tem apoio de parte das incompetentes Forças Armadas iraquianas, incapazes de deter a ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).
O caos em Bagdá e a ofensiva do EIIL são heranças da invasão do Iraque pelos Estados Unidos por ordem de George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein.
A maior bomba explodiu em Karrada, onde mora o primeiro-ministro designado Haider al-Abadi. Oito pessoas morreram e outras 51 foram feridas. Revoltados, civis atacaram a polícia.
A outra bomba era um adesivo explosivo colado num veículo civil.
Abadi, nomeado pelo presidente Fuad Massum, um curdo, enfrenta resistência do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, xiita como ele, que tem apoio de parte das incompetentes Forças Armadas iraquianas, incapazes de deter a ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).
O caos em Bagdá e a ofensiva do EIIL são heranças da invasão do Iraque pelos Estados Unidos por ordem de George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Primeiro-ministro do Iraque rejeita demissão
Depois de mandar o Exército sair às ruas de Bagdá, o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, rejeitou hoje a nomeação de um novo chefe de governo, o vice-presidente do Parlamento, Haider al-Abadi, para substituí-lo, numa tentativa de golpe militar capaz de agravar ainda mais a trágica situação do país.
Ao colocar os tanques nas ruas da capital, Maliki se revelou um autocrata sem escrúpulos. O vice-presidente americano Joe Biden cumprimentou Abadi por telefone e advertiu Maliki a não atrapalhar a transição neste momento em que o Norte do Iraque é atacado pelos extremistas muçulmanos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
À tarde, um tribunal federal iraquiano declarou que a coligação Estado de Direito, favorável a Maliki, pode ignorar o presidente Fuad Massum e formar seu próprio governo, acirrando ainda mais a crise.
Agorta há pouco, o presidente Barack Obama declarou que os EUA vão continuar cooperando com as forças curdas que tentam defender Erbil, a capital do Curdistão e impedir o genocídio de minoria curda yázidi. Cerca de 50 mil pessoas, talvez 70 mil, estão isoladas no alto das montanhas e ameaçadas pela milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Ao colocar os tanques nas ruas da capital, Maliki se revelou um autocrata sem escrúpulos. O vice-presidente americano Joe Biden cumprimentou Abadi por telefone e advertiu Maliki a não atrapalhar a transição neste momento em que o Norte do Iraque é atacado pelos extremistas muçulmanos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
À tarde, um tribunal federal iraquiano declarou que a coligação Estado de Direito, favorável a Maliki, pode ignorar o presidente Fuad Massum e formar seu próprio governo, acirrando ainda mais a crise.
Agorta há pouco, o presidente Barack Obama declarou que os EUA vão continuar cooperando com as forças curdas que tentam defender Erbil, a capital do Curdistão e impedir o genocídio de minoria curda yázidi. Cerca de 50 mil pessoas, talvez 70 mil, estão isoladas no alto das montanhas e ameaçadas pela milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
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segunda-feira, 28 de julho de 2014
Sunitas formam milícias contra o Estado Islâmico
Alguns líderes tribais sunitas do Norte do Iraque anunciaram ontem a formação de milícias para combater o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
A tribo obeidi está formando uma milícia nas províncias de Kirkuk e Saladino. Também em Saladino, a tribo jaburi faz o mesmo. Ambas se opõem ao governo central do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, acusado de alienar a comunidade sunita com políticas sectárias.
A tribo obeidi está formando uma milícia nas províncias de Kirkuk e Saladino. Também em Saladino, a tribo jaburi faz o mesmo. Ambas se opõem ao governo central do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, acusado de alienar a comunidade sunita com políticas sectárias.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
EUA exigem demissão do primeiro-ministro do Iraque
Os Estados Unidos estão exigindo a demissão do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, chefe do governo que pediu ontem aos americanos que façam bombardeios aéreos para conter uma ofensiva da milícia terrorista sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Há pouco o presidente Barack Obama declarou que os EUA estão preparados para lançar ataques contra alvos específicos no Iraque. Ele anunciou o envio de 300 assessores militares ao país, mas não anunciou nenhuma ação imediata e deixou claro que não está entrando numa nova guerra.
Na visão do Pentágono, Maliki é um dos responsáveis pela situação atual ao discriminar a minoria sunita, que mandava no Iraque há séculos e estava no poder durante a ditadura de Saddam Hussein.
Vários oficiais militares leais a Saddam teriam se associado ao EIIL. Isso explicaria a rapidez com que os rebeldes tomaram Mossul, a segunda maior cidade do país, e Tikrit, terra natal do ditador deposto e morto pela invasão americana, em 2003.
Sem uma verdadeira reconciliação entre os árabes das duas correntes do islamismo, a unidade do Iraque está ameaçada. Na sua conta no Twitter, o jornalista americano Jon Lee Anderson já considera inevitável a desintegração do país entre curdos, sunitas e xiitas.
Ao tomar Kirkuk com sua milícia peshmerga, os curdos reforçaram sua autonomia no Norte do Iraque. Mas a oposição da Turquia e de outros países vizinhos com minorias curdas pode dificultar a independência do Curdistão, uma promessa do fim da Primeira Guerra Mundial.
Em 1916, no Acordo Sykes-Picot, os impérios Britânico e Francês começaram a redesenhar o mapa do Oriente Médio, antecipando a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial.
Uma das promessas do pós-guerra era criar uma pátria para o povo curdo, hoje em dia a maior nação do mundo sem um Estado nacional. Mas, em 1920, o subsecretário de Estado para o Oriente Médio, Winston Churchill, decidiu juntar a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às de Bagdá e Bássora para criar o Iraque na expectativa de que seria um país suficientemente grande e forte para conter o Irã.
O EIIL, em suas declarações públicas, afirma a determinação de acabar com essa ordem imposta pelas potências ocidentais. Anderson acredita que ela não funciona mais no Iraque sem o tirano deposto pelos EUA, enquanto na Síria o ditador Bachar Assad consegue se sustentar com uma guerra civil brutal.
Há pouco o presidente Barack Obama declarou que os EUA estão preparados para lançar ataques contra alvos específicos no Iraque. Ele anunciou o envio de 300 assessores militares ao país, mas não anunciou nenhuma ação imediata e deixou claro que não está entrando numa nova guerra.
Na visão do Pentágono, Maliki é um dos responsáveis pela situação atual ao discriminar a minoria sunita, que mandava no Iraque há séculos e estava no poder durante a ditadura de Saddam Hussein.
Vários oficiais militares leais a Saddam teriam se associado ao EIIL. Isso explicaria a rapidez com que os rebeldes tomaram Mossul, a segunda maior cidade do país, e Tikrit, terra natal do ditador deposto e morto pela invasão americana, em 2003.
Sem uma verdadeira reconciliação entre os árabes das duas correntes do islamismo, a unidade do Iraque está ameaçada. Na sua conta no Twitter, o jornalista americano Jon Lee Anderson já considera inevitável a desintegração do país entre curdos, sunitas e xiitas.
Ao tomar Kirkuk com sua milícia peshmerga, os curdos reforçaram sua autonomia no Norte do Iraque. Mas a oposição da Turquia e de outros países vizinhos com minorias curdas pode dificultar a independência do Curdistão, uma promessa do fim da Primeira Guerra Mundial.
Em 1916, no Acordo Sykes-Picot, os impérios Britânico e Francês começaram a redesenhar o mapa do Oriente Médio, antecipando a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial.
Uma das promessas do pós-guerra era criar uma pátria para o povo curdo, hoje em dia a maior nação do mundo sem um Estado nacional. Mas, em 1920, o subsecretário de Estado para o Oriente Médio, Winston Churchill, decidiu juntar a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às de Bagdá e Bássora para criar o Iraque na expectativa de que seria um país suficientemente grande e forte para conter o Irã.
O EIIL, em suas declarações públicas, afirma a determinação de acabar com essa ordem imposta pelas potências ocidentais. Anderson acredita que ela não funciona mais no Iraque sem o tirano deposto pelos EUA, enquanto na Síria o ditador Bachar Assad consegue se sustentar com uma guerra civil brutal.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Jihadistas tomam segunda maior cidade do Iraque
Centenas de extremistas muçulmanos do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, do inglês) tomaram durante a noite a cidade de Mossul, na provícia de Nínive, no Norte do Iraque, ocupando o aeroporto, bases militares, prisões, outros prédios públicos, e estações de rádio e televisão. Cerca de 1,4 mil presos foram soltos. Soldados e policiais abandonaram suas armas e fugiram, assim como mais de 4,8 mil famílias.
Dez anos depois da invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque se afunda na anarquia e no conflito sectário entre sunitas e xiitas.
O presidente do Parlamento, Ossama Nujaifi, admitiu que o governo perdeu o controle da cidade para "terroristas", enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki decretou estado de emergência e pediu ajuda aos Estados Unidos, aos líderes tribais sunitas e às milícias curdas.
As milícias sunitas inspiradas pela rede terrorista Al Caeda ganharam força no Oriente Médio com a guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos. O líder global d'al Caeda, Ayman al-Zawahiri, já declarou que a Frente al-Nusra é a representante da rede no conflito sírio.
Analistas temem que a disputa entre as duas facções pela liderança do movimento jihadista leve a novos atentados contra alvos ocidentais. O ISIS quer criar um regime fundamentalista muçulmano unindo Síria, Líbano e Iraque.
Pelo menos 3.577 pessoas foram mortas pela violência política no Iraque desde o início de 2014, sendo 534 até ontem neste mês. O sítio americano Iraq Body Count (Contagem de Corpos no Iraque) estima que o total esteja em torno de 5,5 mil mortes.
O ISIS é uma dissidência da rede Al Caeda. Virou um grupo independente em abril de 2013. Seus ataques contra Faluja e Ramadi, na província da Ambar, meses atrás tinham os mesmos objetivos: diminuir a capacidade de resistência das forças de segurança iraquianas, misturar-se à população local, especialmente aos simpatizantes do islamismo radical, e reduzir a confiança na polícia e no Exército, que parecem estar sempre na defensiva, reagindo em vez de tomar a iniciativa do combate contra os jihadistas.
As eleições parlamentares realizadas no fim de abril polarizaram ainda mais o Iraque em torno do conflito sectário entre sunitas e xiitas. Com o baixo comparecimento às urnas dos sunitas nas províncias mais conflagradas, a maioria xiita ampliou sua bancada parlamentar para 181 dos 328 deputados da Assembleia Nacional. A coalizão entre árabes sunitas e xiitas moderados liderada pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi recuou de 101 para 91 cadeiras. O bancada curda ganhou mais cinco deputados e agora tem 72.
Dez anos depois da invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque se afunda na anarquia e no conflito sectário entre sunitas e xiitas.
O presidente do Parlamento, Ossama Nujaifi, admitiu que o governo perdeu o controle da cidade para "terroristas", enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki decretou estado de emergência e pediu ajuda aos Estados Unidos, aos líderes tribais sunitas e às milícias curdas.
As milícias sunitas inspiradas pela rede terrorista Al Caeda ganharam força no Oriente Médio com a guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos. O líder global d'al Caeda, Ayman al-Zawahiri, já declarou que a Frente al-Nusra é a representante da rede no conflito sírio.
Analistas temem que a disputa entre as duas facções pela liderança do movimento jihadista leve a novos atentados contra alvos ocidentais. O ISIS quer criar um regime fundamentalista muçulmano unindo Síria, Líbano e Iraque.
Pelo menos 3.577 pessoas foram mortas pela violência política no Iraque desde o início de 2014, sendo 534 até ontem neste mês. O sítio americano Iraq Body Count (Contagem de Corpos no Iraque) estima que o total esteja em torno de 5,5 mil mortes.
O ISIS é uma dissidência da rede Al Caeda. Virou um grupo independente em abril de 2013. Seus ataques contra Faluja e Ramadi, na província da Ambar, meses atrás tinham os mesmos objetivos: diminuir a capacidade de resistência das forças de segurança iraquianas, misturar-se à população local, especialmente aos simpatizantes do islamismo radical, e reduzir a confiança na polícia e no Exército, que parecem estar sempre na defensiva, reagindo em vez de tomar a iniciativa do combate contra os jihadistas.
As eleições parlamentares realizadas no fim de abril polarizaram ainda mais o Iraque em torno do conflito sectário entre sunitas e xiitas. Com o baixo comparecimento às urnas dos sunitas nas províncias mais conflagradas, a maioria xiita ampliou sua bancada parlamentar para 181 dos 328 deputados da Assembleia Nacional. A coalizão entre árabes sunitas e xiitas moderados liderada pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi recuou de 101 para 91 cadeiras. O bancada curda ganhou mais cinco deputados e agora tem 72.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Jihadistas ameaçam matar quem apoiar governo do Iraque
O Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um ramo da rede terrorista Al Caeda que tomou as cidades de Faluja e Ramadi, na província de Ambar, ameaçou hoje matar os civis que apoiarem a contraofensiva do Exército iraquiano para retomar as duas cidades.
Antes, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki tinha pedido aos moradores de Faluja que expulsassem os extremistas muçulmanos para poupar vidas no contra-ataque à cidade.
Antes, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki tinha pedido aos moradores de Faluja que expulsassem os extremistas muçulmanos para poupar vidas no contra-ataque à cidade.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Jihadistas tomam Faluja e Ramadi no Iraque
Duas importantes cidades de maioria sunita do Iraque foram tomadas hoje por extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda. O Exército contra-ataca com artilharia pesada.
Em sua "guerra santa", os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, fortalecidos pela guerra civil na Síria, ocuparam Faluja e Ramadi, libertaram os presos, tocaram fogo em delegacias de polícia e ocuparam mesquitas. Pelo menos 35 pessoas foram mortas.
O governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, dominado pela maioria xiita, enviou o Exército para tentar controlar a situação nas duas cidades da província de Ambar, um dos principais focos da insurgência sunita que se seguiu à invasão americana para derrubar o ditador Saddam Hussein, em 2003.
Em Faluja, quatro americanos foram mortos e seus cadáveres arrastados pelas ruas em abril de 2004, deflagrando a Primeira Batalha de Faluja, em que os Estados Unidos não conseguiram retomar a cidade mesmo matando cerca de 800 pessoas entre civis e rebeldes, enquanto perderam 27 americanos.
A Segunda Batalha de Faluja, travada de 7 de novembro a 23 de dezembro de 2004, foi o maior combate urbano enfrentado pelos fuzileiros navais dos EUA desde a batalha da cidade de Hué, no Vietnã, em 1968. Mais de 1,1 mil iraquianos e 95 americanos foram mortos.
Mais tarde, uma aliança dos EUA com líderes tribais contrários a Al Caeda levou ao chamado despertar sunita, mas o sectarismo do governo Maliki depois da retirada total dos militares americanos, em 2011, e a guerra civil síria nos últimos anos e nove meses realimentaram o conflito sectário.
A solução de longo prazo é mais democracia e uma melhor divisão do poder entre xiitas, sunitas e curdos. Em curto prazo, o risco é de guerra civil.
Em sua "guerra santa", os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, fortalecidos pela guerra civil na Síria, ocuparam Faluja e Ramadi, libertaram os presos, tocaram fogo em delegacias de polícia e ocuparam mesquitas. Pelo menos 35 pessoas foram mortas.
O governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, dominado pela maioria xiita, enviou o Exército para tentar controlar a situação nas duas cidades da província de Ambar, um dos principais focos da insurgência sunita que se seguiu à invasão americana para derrubar o ditador Saddam Hussein, em 2003.
Em Faluja, quatro americanos foram mortos e seus cadáveres arrastados pelas ruas em abril de 2004, deflagrando a Primeira Batalha de Faluja, em que os Estados Unidos não conseguiram retomar a cidade mesmo matando cerca de 800 pessoas entre civis e rebeldes, enquanto perderam 27 americanos.
A Segunda Batalha de Faluja, travada de 7 de novembro a 23 de dezembro de 2004, foi o maior combate urbano enfrentado pelos fuzileiros navais dos EUA desde a batalha da cidade de Hué, no Vietnã, em 1968. Mais de 1,1 mil iraquianos e 95 americanos foram mortos.
Mais tarde, uma aliança dos EUA com líderes tribais contrários a Al Caeda levou ao chamado despertar sunita, mas o sectarismo do governo Maliki depois da retirada total dos militares americanos, em 2011, e a guerra civil síria nos últimos anos e nove meses realimentaram o conflito sectário.
A solução de longo prazo é mais democracia e uma melhor divisão do poder entre xiitas, sunitas e curdos. Em curto prazo, o risco é de guerra civil.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Primeiro-ministro do Iraque pede armas nos EUA
Durante uma visita de três dias a Washington em que irá à Casa Branca na sexta-feira, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki vai pedir aos Estados Unidos armas para combater a crescente onda de violência sectária decorrente da guerra civil na vizinha Síria. Já enfrenta resistências.
Um grupo de senadores dos dois partidos enviou carta ao presidente Barack Obama acusando o governo Maliki de ser dominado pelo Irã e e discriminar a minoria sunita, contribuindo assim para agravar o conflito entre sunitas e xiitas.
Desde abril, atentados a bomba e tiroteios causaram a morte de mais de 5,5 mil pessoas. Há pelo menos dois atentados por semana contra espaços abertos cheios de gente como feiras livres, cafés, estações de ônibus, mesquitas e locais sagrados para os xiitas.
A maior responsabilidade pela violência é atribuída à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu aliado. Em resposta, os xiitas organizam "comitês populares" de vigilantes para se proteger e cobrar do governo uma resposta mais dura e eficiente contra o terror, além de apelar a suas milícias.
Depois do ataque contra um santuário xiita em Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o Iraque caiu numa espiral de violência que chegou à beira da guerra civil entre as duas principais corrente do islamismo. No início de 2007, o então presidente americano George W. Bush ordenou um reforço de 30 mil homens no contingente dos EUA no país.
Um cessar-fogo entre os EUA e a milícia xiita liderada pelo aiatolá rebelde Muktada al-Sader, e a revolta de sunitas moderadas contra o extremismo d'al Caeda reduziram significativamente a violência, permitindo uma retirada honrosa para os americanos no fim de 2011.
A guerra civil na Síria reacendeu o conflito sectário no Iraque, que serve de corredor de passagem da ajuda do Irã à ditadura aliada de Bachar Assad e dos jihadistas recrutados pela Caeda para a "guerra santa" no país vizinho.
Um grupo de senadores dos dois partidos enviou carta ao presidente Barack Obama acusando o governo Maliki de ser dominado pelo Irã e e discriminar a minoria sunita, contribuindo assim para agravar o conflito entre sunitas e xiitas.
Desde abril, atentados a bomba e tiroteios causaram a morte de mais de 5,5 mil pessoas. Há pelo menos dois atentados por semana contra espaços abertos cheios de gente como feiras livres, cafés, estações de ônibus, mesquitas e locais sagrados para os xiitas.
A maior responsabilidade pela violência é atribuída à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu aliado. Em resposta, os xiitas organizam "comitês populares" de vigilantes para se proteger e cobrar do governo uma resposta mais dura e eficiente contra o terror, além de apelar a suas milícias.
Depois do ataque contra um santuário xiita em Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o Iraque caiu numa espiral de violência que chegou à beira da guerra civil entre as duas principais corrente do islamismo. No início de 2007, o então presidente americano George W. Bush ordenou um reforço de 30 mil homens no contingente dos EUA no país.
Um cessar-fogo entre os EUA e a milícia xiita liderada pelo aiatolá rebelde Muktada al-Sader, e a revolta de sunitas moderadas contra o extremismo d'al Caeda reduziram significativamente a violência, permitindo uma retirada honrosa para os americanos no fim de 2011.
A guerra civil na Síria reacendeu o conflito sectário no Iraque, que serve de corredor de passagem da ajuda do Irã à ditadura aliada de Bachar Assad e dos jihadistas recrutados pela Caeda para a "guerra santa" no país vizinho.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Terror matou pelo menos 460 no Iraque em abril
A violência política matou pelo menos 460 pessoas no Iraque no mês passado, reportou hoje a agência de notícias France Presse citando como fontes médicos e policiais. Pelo menos mais 13 pessoas foram mortas hoje.
Com a guerra civil na vizinha Síria, o conflito entre árabes sunitas e árabes xiitas se agravou. Grupos militantes sunitas descontentes com o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki voltaram a formar milícias.
Com a guerra civil na vizinha Síria, o conflito entre árabes sunitas e árabes xiitas se agravou. Grupos militantes sunitas descontentes com o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki voltaram a formar milícias.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Terror mata mais 35 no Norte do Iraque
Um atentado terrorista suicida com carro-bomba seguido da ação de um atirador contra a chefiatura de polícia da cidade de Kirkuk, no Norte do Iraque, matou pelo menos 35 pessoas e feriu outras dezenas hoje.
Kirkuk fica 240 quilômetros ao norte da capital. É a capital de uma província rica em petróleo disputada por árabes e curdos. No mês passado, dezenas de pessoas foram mortas em ataque contra órgãos públicos.
Com a dissolução do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial, os Impérios Francês e Britânico redesenharam o mapa do Oriente Médio.
O então subsecretário do Exterior britânico Winston Churchill juntou a província de Kirkuk, rica em petróleo às províncias de Bagdá e Bássora, para criar um Iraque forte capaz de se contropor ao Irã. A promessa de criação de uma pátria para o povo curdo, o Curdistão, foi adiada.
Até hoje, os cursos são o maior povo sem pátria, cerca de 40 milhões de pessoas distribuídas entre a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irã. Há pelo menos dois anos, o governo regional autônomo curdo e o governo central disputam o controle sobre as jazidas de petróleo do Curdistão iraquiano.
Em novembro, o governo regional curdo mobilizou tropas e tanques para garantir sua reivindicação sobre Kirkuk, aumentando ainda mais a tensão, observa a televisão americana CNN.
O atual conflito é mais um sinal do sectarismo crescente do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, que se mostra incapaz de resolver os problemas entre os diferentes grupos étnicos e religiosos do Iraque. Está em conflito tanto com os árabes sunitas quanto com os curdos.
Kirkuk fica 240 quilômetros ao norte da capital. É a capital de uma província rica em petróleo disputada por árabes e curdos. No mês passado, dezenas de pessoas foram mortas em ataque contra órgãos públicos.
Com a dissolução do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial, os Impérios Francês e Britânico redesenharam o mapa do Oriente Médio.
O então subsecretário do Exterior britânico Winston Churchill juntou a província de Kirkuk, rica em petróleo às províncias de Bagdá e Bássora, para criar um Iraque forte capaz de se contropor ao Irã. A promessa de criação de uma pátria para o povo curdo, o Curdistão, foi adiada.
Até hoje, os cursos são o maior povo sem pátria, cerca de 40 milhões de pessoas distribuídas entre a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irã. Há pelo menos dois anos, o governo regional autônomo curdo e o governo central disputam o controle sobre as jazidas de petróleo do Curdistão iraquiano.
Em novembro, o governo regional curdo mobilizou tropas e tanques para garantir sua reivindicação sobre Kirkuk, aumentando ainda mais a tensão, observa a televisão americana CNN.
O atual conflito é mais um sinal do sectarismo crescente do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, que se mostra incapaz de resolver os problemas entre os diferentes grupos étnicos e religiosos do Iraque. Está em conflito tanto com os árabes sunitas quanto com os curdos.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Carros-bomba contra xiitas e curdos matam 65 no Iraque
Uma onda de atentados terroristas com 11 carros-bomba visando alvos xiitas e curdos matou pelo menos 65 pessoas hoje em várias cidades do Iraque. Só em Bagdá cinco carros-bomba foram detonados. A maior suspeita é a rede terrorista Al Caeda, que é sunita e tenta reinflamar o conflito sectário no país.
A maioria dos ataques foi contra peregrinos xiitas que se concentravam em Bagdá para celebrar o aniversário do imã Moussa al-Kadhim, no século 8. Duas explosões atingiram sedes de partidos políticos da minoria curda.
Os ataques aumentaram desde a retirada, no fim de 2012, das forças americanas que invadiram o Iraque em março de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein sob a alegação de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
A tensão cada vez maior entre os xiitas, os sunitas e os curdos deixa o país à beira da guerra civil. Dividido, o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki está processando o vice-presidente sunita Tarik al-Hachemi. Assim, não consegue conter a violência política.
A maioria dos ataques foi contra peregrinos xiitas que se concentravam em Bagdá para celebrar o aniversário do imã Moussa al-Kadhim, no século 8. Duas explosões atingiram sedes de partidos políticos da minoria curda.
Os ataques aumentaram desde a retirada, no fim de 2012, das forças americanas que invadiram o Iraque em março de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein sob a alegação de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
A tensão cada vez maior entre os xiitas, os sunitas e os curdos deixa o país à beira da guerra civil. Dividido, o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki está processando o vice-presidente sunita Tarik al-Hachemi. Assim, não consegue conter a violência política.
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