A Guerra do Iraque persegue a dinastia Bush. Ao fazer palestra hoje na Universidade de Nevada em Reno, o ex-governador Jeb Bush enfrentou um daqueles confrontos a que está sujeito quem concorre à Presidência dos Estados Unidos: "Teu irmão criou o ISIS" (sigla em inglês do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, gritou uma estudante do fundo da sala.
Depois da palestra, Jeb dava autógrafos quando Ivy Ziedrich, de 19 anos, uma estudante de ciência política e militante do Partido Democrata, perguntou: "Governador Bush, você responderia a uma pergunta de uma estudante?"
Durante o evento, ao criticar a política externa do governo Barack Obama, Jeb atribuiu o poderio do Estado Islâmico à retirada dos EUA do Iraque. A jovem atribuiu à decisão do então presidente George W. Bush de dissolver o Exército de Saddam Hussein.
"Foi quando 30 mil homens das Forças Armadas do Iraque foram dispensados. Eles ficaram sem emprego, sem renda e tinham acesso a armas", argumentou Ziedrich, citada pelo jornal The New York Times. E disparou: "Teu irmão criou o ISIS."
Jeb Bush foi irônico: "Tudo bem. Isto é uma pergunta?"
Ivy manteve o tom de desafio: "Você não precisa ser pedante comigo."
"Pedante? Uau!", reagiu Bush.
A menina apresentou sua perguntas: "Por que você diz que o ISIS foi criado por não termos uma presença no Oriente Médio quando são guerras sem sentido onde enviamos jovens americanos para morrer em nome do excepcionalismo dos EUA? Por que você usa uma retórica nacionalista para nos envolver em mais guerras?"
Jeb respondeu: "Discordamos respeitosamente. Temos uma divergência. Quando deixamos o Iraque, a segurança estava organizada, Al Caeda estava fora de combate. Havia um sistema frágil que poderia ser fortalecido para combater a violência sectária."
Ele acrescentou: "Tínhamos um acordo que o presidente poderia ter assinado para manter 10 mil soldados, menos do que temos na Coreia, que poderia ter criado a estabilidade para permitir o progresso do Iraque. O resultado é que ocorreu o contrário. Imediatamente, o vazio foi preenchido."
E concluiu: "Olha, você pode reescrever a história como quiser, mas o fato é que é um lugar muito mais instável porque os EUA se retiraram."
Dias atrás, Jeb Bush afirmou que com base nos relatórios de inteligência a que o irmão tinha acesso em 2003 tanto ele quanto a candidata democrata Hillary Clinton teriam invadido o Iraque. Agora, declarou que com as informações de que dispõe hoje não teria ido à guerra.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
terça-feira, 10 de junho de 2014
Jihadistas tomam segunda maior cidade do Iraque
Centenas de extremistas muçulmanos do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, do inglês) tomaram durante a noite a cidade de Mossul, na provícia de Nínive, no Norte do Iraque, ocupando o aeroporto, bases militares, prisões, outros prédios públicos, e estações de rádio e televisão. Cerca de 1,4 mil presos foram soltos. Soldados e policiais abandonaram suas armas e fugiram, assim como mais de 4,8 mil famílias.
Dez anos depois da invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque se afunda na anarquia e no conflito sectário entre sunitas e xiitas.
O presidente do Parlamento, Ossama Nujaifi, admitiu que o governo perdeu o controle da cidade para "terroristas", enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki decretou estado de emergência e pediu ajuda aos Estados Unidos, aos líderes tribais sunitas e às milícias curdas.
As milícias sunitas inspiradas pela rede terrorista Al Caeda ganharam força no Oriente Médio com a guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos. O líder global d'al Caeda, Ayman al-Zawahiri, já declarou que a Frente al-Nusra é a representante da rede no conflito sírio.
Analistas temem que a disputa entre as duas facções pela liderança do movimento jihadista leve a novos atentados contra alvos ocidentais. O ISIS quer criar um regime fundamentalista muçulmano unindo Síria, Líbano e Iraque.
Pelo menos 3.577 pessoas foram mortas pela violência política no Iraque desde o início de 2014, sendo 534 até ontem neste mês. O sítio americano Iraq Body Count (Contagem de Corpos no Iraque) estima que o total esteja em torno de 5,5 mil mortes.
O ISIS é uma dissidência da rede Al Caeda. Virou um grupo independente em abril de 2013. Seus ataques contra Faluja e Ramadi, na província da Ambar, meses atrás tinham os mesmos objetivos: diminuir a capacidade de resistência das forças de segurança iraquianas, misturar-se à população local, especialmente aos simpatizantes do islamismo radical, e reduzir a confiança na polícia e no Exército, que parecem estar sempre na defensiva, reagindo em vez de tomar a iniciativa do combate contra os jihadistas.
As eleições parlamentares realizadas no fim de abril polarizaram ainda mais o Iraque em torno do conflito sectário entre sunitas e xiitas. Com o baixo comparecimento às urnas dos sunitas nas províncias mais conflagradas, a maioria xiita ampliou sua bancada parlamentar para 181 dos 328 deputados da Assembleia Nacional. A coalizão entre árabes sunitas e xiitas moderados liderada pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi recuou de 101 para 91 cadeiras. O bancada curda ganhou mais cinco deputados e agora tem 72.
Dez anos depois da invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque se afunda na anarquia e no conflito sectário entre sunitas e xiitas.
O presidente do Parlamento, Ossama Nujaifi, admitiu que o governo perdeu o controle da cidade para "terroristas", enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki decretou estado de emergência e pediu ajuda aos Estados Unidos, aos líderes tribais sunitas e às milícias curdas.
As milícias sunitas inspiradas pela rede terrorista Al Caeda ganharam força no Oriente Médio com a guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos. O líder global d'al Caeda, Ayman al-Zawahiri, já declarou que a Frente al-Nusra é a representante da rede no conflito sírio.
Analistas temem que a disputa entre as duas facções pela liderança do movimento jihadista leve a novos atentados contra alvos ocidentais. O ISIS quer criar um regime fundamentalista muçulmano unindo Síria, Líbano e Iraque.
Pelo menos 3.577 pessoas foram mortas pela violência política no Iraque desde o início de 2014, sendo 534 até ontem neste mês. O sítio americano Iraq Body Count (Contagem de Corpos no Iraque) estima que o total esteja em torno de 5,5 mil mortes.
O ISIS é uma dissidência da rede Al Caeda. Virou um grupo independente em abril de 2013. Seus ataques contra Faluja e Ramadi, na província da Ambar, meses atrás tinham os mesmos objetivos: diminuir a capacidade de resistência das forças de segurança iraquianas, misturar-se à população local, especialmente aos simpatizantes do islamismo radical, e reduzir a confiança na polícia e no Exército, que parecem estar sempre na defensiva, reagindo em vez de tomar a iniciativa do combate contra os jihadistas.
As eleições parlamentares realizadas no fim de abril polarizaram ainda mais o Iraque em torno do conflito sectário entre sunitas e xiitas. Com o baixo comparecimento às urnas dos sunitas nas províncias mais conflagradas, a maioria xiita ampliou sua bancada parlamentar para 181 dos 328 deputados da Assembleia Nacional. A coalizão entre árabes sunitas e xiitas moderados liderada pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi recuou de 101 para 91 cadeiras. O bancada curda ganhou mais cinco deputados e agora tem 72.
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