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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Iraque e Líbano se rebelam contra sectarismo religioso

Além da estagnação econômica, da miséria e do desemprego, as manifestações de protestos das últimas semanas em países árabes querem mudar sistemas constitucionais que institucionalizam o sectarismo religioso.

No Iraque, as manifestações de massa das últimas semanas partiram principalmente da classe operária num país onde um quarto da população vive na miséria. No Líbano, os protestos começaram pela classe média alta. No centro de Beirute na semana passada, havia mulheres com óculos e roupas de grife. 

Apesar deste contraste evidente, há algo em comum além da questão econômica. O Iraque e o Líbano enfrentam a paralisia, a corrupção e a incompetência de sistemas políticos que dividem o poder entre os principais grupos étnico-religiosos, observa um artigo de Anchal Vohra na revista Foreign Policy.

Os protestos no Líbano começaram em dezembro do ano passado. Com a paralisia do sistema político, o país estava sem governo enquanto as condições de vida da população pioravam. Faltam empregos, faltam 100 milhões de empregos nos países árabes, os cortes de energia elétrica são frequentes e a dívida pública chegou a 150% do produto interno bruto. Proporcionalmente, é a terceira maior do mundo. O Líbano está falido.

Desde que tomou posse, o atual primeiro-ministro, o sunita Saad Hariri, tentou cortar gastos, mas recuou diante de greves. Quando o governo anunciou a cobrança de impostos pelo uso do WhatsApp, uma multidão de até 1 milhão de pessoas, um sexto da população total do Líbano, saiu às ruas.Meu comentário:

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Arábia Saudita executa 37 homens por crimes políticos

A monarquia absolutista da Arábia Saudita executou 37 homens por vários crimes políticos, noticiou hoje a televisão americana CNN. O Ministério do Interior revelou que um foi crucificado.

As execuções em massa têm por objetivo impedir a atividade política dentro do reino, uma monarquia feudal com características medievais, especialmente dos xiitas da Província Oriental. Ao mesmo tempo, mostram o desrespeito aos direitos humanos fundamentais e aumentam as preocupações de empresários e investidores ao fazerem negócios com o regime saudita.

O país raramente usa a crucificação para aplicar a pena de morte. O último caso era do ano passado, com um condenado por assassinato e estupro. Muitos executados foram presos entre 2012 e 2014, durante uma onda de protestos de muçulmanos xiitas na Província Oriental, rica em petróleo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Curdos voltam a patrulhar cidade de Kirkuk

Em um sinal de alívio da tensão, o governo federal do Iraque e a região semiautônoma do Curdistão chegaram a um acordo para que os curdos voltem a patrulhar a cidade de Kirkuk, substituindo as Forças de Mobilização Popular Xiitas, noticiou a companhia jornalística Rudaw, ligada ao Partido Democrático do Curdistão (KDP).

O policiamento ficará a carga de peshmerga, os guerreiros curdos, ligados ao KDP. A notícia foi confirmada pela União Patriótica do Curdistão (PUK), o outro grande partido da região curda iraquiana. Mas não pela milícia xiita nem por Bagdá.

De qualquer maneira, há um entendimento entre o governo central e o governo regional curdo, com capital em Arbil. Isso pode levar a acordos em outros setores, como produção de energia, cooperação na guerra contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante e conflitos territoriais.

Hoje, os moradores curdos de Kirkuk veem a presença da milícia xiita como um sinal da influência indesejada xiita e iraniana sobre sua comunidade. O governo curdo tenta reassumir o controle político da cidade com a substituição das forças federais pelos peshmerga.

A província de Kirkuk, riquíssima em petróleo, foi anexada as províncias de Bagdá e de Bássora pelo então subsecretário de Estado do Reino Unido para o Oriente Médio, Winston Churchill, depois do fim da Primeira Guerra Mundial, enterrando a promessa de independência do Curdistão.

Agora, é um mosaico das comunidades iraquianas (árabes sunitas, árabes xiitas e curtos). Por este motivo, é uma das regiões mais conflituosas do Iraque, com disputas políticas e militares pelo poder e pelo petróleo.

Em outubro de 2017, o governo central de Bagdá enviou tropas à província em resposta ao plebiscito sobre a independência do Curdistão organizado pelo governo regional, especialmente pelo KDP. Desde então, o KDP foi excluído do Conselho Provincial.

Assim, a volta dos peshmerga do KDP ao patrulhamento das ruas de Kirkuk, se confirmado, marcará uma reconciliação entre os curdos e com as autoridades de Bagdá. A cooperação vai aumentar a estabilidade e a prosperidade do Curdistão iraquiano.

sábado, 8 de setembro de 2018

Parlamento do Iraque discute revolta em Bássora em sessão extraordinária

O Parlamento do Iraque realizou uma sessão extraordinária hoje em Bagdá para discutir medidas de emergência para conter uma revolta popular em Bássora, a maior cidade da região de maioria xiita no Sul do país, onde o governo impôs um toque de recolher noturno, noticiou a Agência France Presse.

As manifestações foram provocadas pela deficiência dos serviços públicos essenciais como o fornecimento de água e de energia elétrica. Desde o início do mês, pelo menos 15 rebeldes morreram em confrontos com as forças de segurança.

Nesta semana, os rebeldes incendiaram o Consulado do Irã e atacaram o aeroporto local com três foguetes Katiúcha. Os ataques a grupos apoiados e financiados pelo Irã mostra um claro repúdio, mesmo em regiões de maioria xiita, à interferência iraniana nos assuntos internos do Iraque.

A violência tende a continuar enquanto os manifestantes não acreditarem nas promessas do governo central de Bagdá. A longo prazo, a consequência pode ser um movimento federalista para dividir o país em regiões com ampla autonomia, como já acontece na região curda no Norte do país.

sábado, 21 de julho de 2018

Rebeldes matam guardas iranianos na fronteira com o Iraque

Pelo menos 10 soldados da Guarda Revolucionária Iraniana, a tropa de choque da ditadura teocrática do Irã, foram mortos num ataque na fronteira do Iraque, noticiou a agência Reuters citando como fonte uma agência iraniana, que atribuiu a ação a rebeldes do Partido da Vida Livre do Curdistão.

Foi o maior número de tropas iranianas num único ataque na fronteira com o Iraque em anos. Vários grupos armados curdos atuam na região.

Com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003, a maioria xiita tomou o poder político no Iraque, aumentando a influência do Irã, um país de maioria xiita governado por um regime de aiatolás onde a Guarda Revolucionária é cada vez mais a força dominante. Mas há pouca coordenação entre as forças de segurança dos dois países para controlar a fronteira comum.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Coalizão saudita ataca importante porto do Iêmen

A aliança sunita liderada pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU) atacou hoje os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, no porto de Hodeida, uma cidade de 60 mil habitantes por onde entra a maior parte da ajuda humanitária internacional para a população civil atingida pela guerra civil do país.

A coalizão sunita apoia o governo do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, exilado na Arábia Saudita, e acusa os rebeldes de usar o porto para contrabandear armas. Quer tomar a cidade.

Os Estados Unidos tinham bases militares no Iêmen para combater a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica. Com o avanço dos hutis, retiraram suas tropas do país. Agora, apoiam a aliança sunita.

A Arábia Saudita entrou na guerra em 25 de março de 2015 com bombardeios aéreos aos rebeldes, com a esperança de obter uma vitória rápida sobre os hutis. Ao atacar Hodeida, o objetivo é isolar os rebeldes, cortando o suprimento de armas, munição, comida e outros utensílios necessários.

Em vez de encorajar a volta ao diálogo e à negociação, a batalha vai "aprofundar ainda mais o que já é a pior tragédia humanitária hoje no mundo", advertiu o International Crisis Group, uma organização não governamental dedicada à paz mundial.

A polarização entre sunitas e xiitas, Arábia Saudita e Irã, sempre cria o risco de uma conflagração maior no Oriente Médio.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Hutis fazem exigências para entregar o porto de Hodeida

Os rebeldes que dominam parte do Iêmen apresentaram ao mediador das Nações Unidas uma série de exigências para a rendição de suas forças no porto de Hodeida e entrega do controle do porto à ONU, noticiou ontem a televisão saudita Al Arabiya.

Para entregar Hodeida, os hutis querem que o governo do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi pague os salários de funcionários públicos civis e militares iemenitas, reabra o aeroporto da capital, Saná, acabe com os bombardeios aéreos às forças rebeldes e o fim do bloqueio aos portos do país.

O governo Hadi, apoiado pela Arábia Saudita e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, rejeitou as demandas dos hutis, apoiados pelo Irã, no momento em que a coalizão liderada pelos sauditas está prestes a tomar Hudaida. A cidade é o início de uma linha de suprimento vital para Saná e o principal porto de entrada de ajuda humanitária.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Hesbolá acusa Arábia Saudita de declarar guerra ao Líbano

A Arábia Saudita declarou guerra ao Líbano, detém o primeiro-ministro Saad Hariri e está pressionando Israel a atacar a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), acusou hoje o líder do grupo, xeique Hassan Nasrallah.

Em pronunciamento na televisão al-Manar, do Hesbolá, o xeique considerou o que chamou de prisão de Hariri um insulto ao povo libanês. Hariri anunciou sua demissão em discurso na TV durante visita à Arábia Saudita no sábado e acusou o Irã e o Hesbolá de tentar assassiná-lo. Ainda não voltou ao Líbano.

Ontem, a Arábia Saudita pediu a seus súditos que deixem o Líbano. O Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait fizeram o mesmo.

Hoje, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez uma visita de surpresa à Arábia Saudita, onde se reuniu com o príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman ou MbS, o novo homem-forte do país. A crise do Líbano é vista como mais uma manobra do príncipe numa guerra indireta contra o Irã, patrocinador do Hesbolá.

"Vamos falar as coisas como são: o homem está detido na Arábia Saudita e proibido até o momento de voltar ao Líbano", protestou o xeque Nasrallah, denunciando uma "intervenção saudita sem precedentes" no Líbano. "Está claro que a Arábia Saudita declarou guerra ao Hesbolá e ao Líbano."

Na sua opinião, o governo Hariri ainda é legítimo porque a renúncia "forçada" foi obtida "sob coação". Nasrallah desafiou os rivais: "Os sauditas devem fracassar no Líbano como têm fracassado em todas as frentes." Ele não acredita que Israel aproveite a oportunidade para atacar o Hesbolá.

Israel teme que o Hesbolá tenha se tornado uma força mais temível depois de ser a principal força terrestre ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria. Desde o início deste conflito, bombardeou várias vezes em território sírio comboios e depósitos de armas que supostamente iriam para o Hesbolá.

Mohamed ben Salman passou de segundo para primeiro príncipe herdeiro em junho do ano passado num golpe palaciano dentro do regime saudita. Como ministro da Defesa, é o principal responsável pela intervenção militar na guerra civil do Iêmen, uma tragédia humanitária.

O bloqueio saudita a regiões sob o controle dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, está provocando fome em massa. Seis dias atrás, a defesa antiaérea da Arábia Saudita interceptou um míssil que ia rumo à capital saudita, Riade, e o país acusou o Irã, que forneceu o míssil aos hutis, de um "ato de guerra".

Com o apoio do presidente Donald Trump, MbS impôs um boicote ao Catar por causa das boas relações deste emirado com o Irã, dividindo o Conselho de Cooperação do Golfo, até agora sem qualquer resultado positivo.

A demissão de Hariri no Líbano é mais um lance muito criticado do príncipe herdeiro, que promete modernizar a Arábia Saudita até 2030 para preparar o país para a era pós-petróleo, depois da intervenção no Iêmen e da tentativa de isolar o Catar. A modernização conservadora quer recriar o país à imagem dos Emirados Árabes Unidos.

Na semana passada, o governo saudita prendeu mais de 500 pessoas, inclusive 11 príncipes e quatro ministros, numa campanha anticorrupção suspeita de ser uma jogada para consolidar o poder do novo homem-forte do país.

O conflito entre a monarquia da Arábia Saudita, sunita, e a República Islâmica do Irã, xiita, se manifesta no Bahrein, no Iraque, no Líbano e na Síria. O Irã domina o governo iraquiano de maioria xiita, apoia a ditadura de Bachar Assad na Síria e controla o Hesbolá, que faz parte do governo de união nacional do Líbano e é a maior força armada do país, mais poderoso que o próprio Exército.

Por causa do avanço do Irã, que é persa, sobre o mundo árabe nos últimos anos, o jovem príncipe quer dar o troco. Afoito e apressado no xadrez da política internacional, MbS ataca em várias frentes. Pode ficar vulnerável.

Arábia Saudita pede a seus súditos que deixem o Líbano

Em mais um lance de sua guerra indireta contra o Irã, a Arábia Saudita pediu ontem a seus súditos que deixem o Líbano. No sábado passado, durante visita a Riade, a capital saudita, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, renunciou denunciando tentativas de assassiná-lo. Ele acusou o Irã e a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), que faz parte do governo do Líbano.

O ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, fez um apelo à comunidade internacional em entrevista ao canal americano de notícias econômicas CNBC pela aprovação de "sanções contra o Irã por seu apoio ao terrorismo e por violar resoluções das Nações Unidas sobre mísseis balísticos".

Cinco dias atrás, a defesa antiaérea da Arábia Saudita interceptou um míssil com destino a Riade disparado do Iêmen, onde os rebeldes hutis, xiitas zaiditas sustentados pelo Irã, lutam contra o governo apoiado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O governo saudita considerou o ataque um "ato de guerra".

Desde 25 de março de 2015, a Arábia Saudita intervém na guerra civil do Iêmen. Sua Força Aérea é acusada de vários ataques com mortes de civis. No momento, os sauditas apoiam um cerco que está causando fome em massa em populações sitiadas.

Al-Jubeir descreveu a situação do Líbano como "desafortunada". Acusou o Hesbolá de "sequestrar o sistema" e de bloquear a ação de Hariri na chefia do governo.

"Devido às circunstâncias na República do Líbano, o reino pede a seus cidadãos que estejam visitando o país ou nele residindo" para saírem o mais rapidamente possível, declarou em nota o Ministério do Exterior saudita.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Catar restabelece relações plenas com o Irã

Numa medida que deve irritar ainda mais a Arábia Saudita e as outras monarquias petroleiras do Oriente Médio, o Catar restabeleceu hoje relações diplomáticas plenas com o Irã. O Ministério do Exterior catarino anunciou o envio de um embaixador a Teerã depois de um ano e dez meses.

O Catar havia retirado seu embaixador de Teerã em janeiro de 2016 em resposta a ataques contra instalações diplomáticas sauditas no Irã. A retirada do embaixador é o último passo antes do rompimento total

Não houve explicação oficial para o reatamento. É uma retaliação ao boicote ao Catar declarado em junho pela Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, sob a alegação de que o Catar apoia o terrorismo e é próximo do Irã, o arqui-inimigo das monarquias petroleiras sunitas do Golfo Pérsico.

Esses países cortaram as ligações com o Catar por terra, mar e ar. A Alemanha, os Estados Unidos e o Kuwait tentaram intermediar um acordo, sem sucesso. O Catar rejeitou as 13 exigências dos vizinhos, que incluíam uma ruptura total com o Irã e o fechamento do canal de telejornalismo Al Jazira.

A crise se agravou com a visita de um membro do ramo da família real do Catar derrubado num golpe de Estado em 1972 à mansão do sultão da Arábia Saudita perto de Tânger, no Marrocos. O encontro foi visto como um possível desafio aos atuais governantes catarinos.

domingo, 20 de novembro de 2016

Esperança de cessar-fogo no Iêmen se esvai

A visita de dois dias do secretário de Estado americano, John Kerry, a Omã na semana passada gerou uma esperança de trégua na guerra civil do Iêmen, o país mais pobre do Oriente Médio, em caos desde a Primavera Árabe. Foi em vão.

O grupo do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, apoiado pela Arábia Saudita e monarquias petroleiras aliados, está profundamente dividido e os combates contra os rebeldes hutis, xiitas zaiditas financiados pelo Irã.

Depois de horas de encontro com os rebeldes, Kerry anunciou um acordo para cessar fogo e iniciar um diálogo para formar um governo de reconciliação nacional. Mas a tentativa de iniciar a trégua à meia-noite de 17 de novembro fracassou.

De acordo com o ministro do Exterior do governo no exílio, Abdulmalik al Mekhlafi, não houve acordo nem planos de abrir um diálogo para formar um governo de união nacional. Na visão do governo, seria uma cessão de poder sem garantias de que os hutis entregariam as armas e os territórios conquistados.

O governo deposto também questiona a legitimidade do Conselho Político Supremo formado pelos hutis e o ex-presidente Ali Abdullah Saleh. Depois de quatro meses de protestos em 2011, Saleh renunciou. Estava no poder há 32 anos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Forças de segurança da Nigéria matam dez pessoas

Cerca de dez pessoas foram mortas hoje em confrontos entre as forças de segurança da Nigéria e muçulmanos xiitas no estado de Kaduna, no Norte do país. O conflito começou quando uma multidão de xiitas se concentrou para participar da festa religiosa da Achura, proibida pelas autoridades locais.

A polícia e soldados do Exército tentaram dispersar a manifestação com gás lacrimogênio. Como não conseguiram, começaram a dar tiros. As autoridades não confirmaram as mortes, mas admitiram ter ordenado a dispersão da multidão.

No meio da confusão, um grupo de pessoas cercou, atacou e tocou fogo na casa de um líder xiita em Kaduna. Há pouco menos de um ano, o Exército na Nigéria matou centenas de xiitas em três dias de confrontos no estado do Norte do país, onde a maioria é muçulmana.

sábado, 10 de setembro de 2016

Cerca de 1,5 milhão de muçulmanos peregrinam a Meca

Cerca de 1,5 milhões de muçulmanos de 180 países participam da peregrinação anual à cidade sagrada de Meca, realizada em 2016 de 9 a 14 de setembro. A maior preocupação das autoridades da Arábia Saudita é evitar tumultos e correrias como os que esmagaram, sufocaram e causaram a morte de pelo menos 2.236 peregrinos no ano passado.

Peregrinar a Meca pelo menos uma vez na vida é obrigação de todo muçulmano que tiver condições financeiras e de saúde para fazer isso. As outras são: crer que Alá é o único deus e Maomé seu profeta; rezar cinco vezes por dia voltado para Meca; fazer caridade; e jejuar durante o dia no mês sagrado do Ramadã.

A peregrinação anual a Meca é em princípio uma maneira de dar unidade à umma, o conjunto de todos os muçulmanos, mas às vezes serve para aprofundar as divisões.

Há hoje uma crescente rivalidade entre a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, que alimenta os conflitos sectários entre as duas correntes do islamismo no Bahrein, no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen.

No fim de semana passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, acusou as autoridades sauditas de "homicídio" por causa da morte de 474 iranianos atropelados e sufocados em meio ao tumulto.

A resposta veio nesta semana. O Grande Múfti, a maior autoridade no direito islâmico na Arábia Saudita, declarou que os iranianos não são muçulmanos, são "filhos de Mago", numa referência ao zoroastrismo, uma religião anterior ao Islã praticada no Irã.

A meta das autoridades sauditas é aumentar o número de peregrinos em 13% ao ano até chegar a 2,5 milhões em 2020. Quando a família real saudita assumiu o controle das cidades sagradas de Meca e Medina, depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial, a Grande Mesquita de Meca tinha capacidade para 50 mil pessoas. Com a ampliação, hoje cabem um milhão de pessoas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Estado Islâmico reivindica autoria de atentado com 71 mortes no Iêmen

Pelo menos 71 pessoas foram mortas hoje num atentado terrorista suicida no quartel-general de uma milícia leal ao presidente deposto do Iêmen, Abed Rabbo Mansur Hadi, na cidade de Áden. A organização terrorista Estado Islâmico do Estado e do Levante assumiu a responsabilidade pelo ataque.

O suicida dirigiu um veículo carregado de explosivos até o setor de treinamento dos recrutas dos Comitês Populares, apoiados pela Arábia Saudita e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, e os detonou.

Hadi foi derrubado pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, que tomaram a capital, Saná, em setembro de 2014, e fugiu para a Arábia Saudita em fevereiro de 2015. Desde 25 de março daquele ano, os sauditas e aliados intervêm militarmente no Iêmen sem conseguir acabar com a guerra civil.

As milícias jihadistas se aproveitam da situação caótica para fazer ataques terroristas.

domingo, 21 de agosto de 2016

Iraque executa 36 condenados pelo massacre no Campo Speicher

O Iraque enforcou hoje 36 condenados pelo massacre de 1,7 mil recrutas do Exército iraquiano na antiga base americana de Campo Speicher, perto da cidade de Tikrit, em 2014, quando a região foi tomada pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A maioria dos cadetes do Exército do Iraque era xiita. O massacre mobilizou as milícias xiitas para a luta contra o Estado Islâmico.

"As execuções dos 36 condenados pelos crime de Speicher foram realizadas nesta manhã na prisão de Nassíria", declarou um porta-voz do governo da província de Dicar, onde Nassíria é a capital.

Cerca de 400 mortos pelo Estado Islâmico eram da província. Quando a região foi reconquistada, no ano passado, foram descobertos os cemitérios clandestinos onde os recrutas mortos foram enterrados em covas rasas.

Depois de um atentado terrorista atribuído ao Estado Islâmico com mais de 300 mortes em Bagdá no início de julho de 2016, o primeiro-ministro Haider el-Abadi decidiu acelerar as execuções de terroristas condenados.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Iraque suspende ofensiva em Faluja para poupar civis

O Exército do Iraque e milícias aliadas, sunitas e xiitas, deram uma trégua na ofensiva para retomar Faluja, em poder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde janeiro de 2014, para proteger civis que não fugiram da cidade, anunciou hoje o primeiro-ministro Haider al-Abadi, citado pela agência Reuters.

As Nações Unidas estima que haja cerca de 50 mil civis em Faluja. Os milicianos do Estado Islâmico dificultam a fuga para usá-los como escudos humanos. Depois de meses de cerco por forças governistas, há uma escassez de comida e medicamentos na cidade

Faluja fica a meia hora de carro de Bagdá, a capital iraquiana. Durante a invasão americana, duas grandes batalhas foram travadas na cidade em 2004 entre os Estados Unidos e a rede terrorista Al Caeda no Iraque, que se transformou no Estado Islâmico do Iraque e, com a guerra civil na Síria, no Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A Segunda Batalha de Faluja durou de 7 de novembro a 23 de dezembro de 2004 foi uma das mais sangrentas da invasão americana. Terminou com as mortes 107 soldados da aliança liderada pelos EUA e de pelo menos 1,2 mil rebeldes e civis iraquianos.

Desde a Batalha de Hué, na Guerra do Vietnã, em 1968, os fuzileiros navais dos EUA não enfrentavam um combate urbano tão intenso.

domingo, 29 de maio de 2016

Curdos lançam ofensiva contra o Estado Islâmico perto de Mossul

Cerca de 5,5 mil guerrilheiros curdos iniciaram uma nova ofensiva hoje no Norte do Iraque para retomar vilas a leste à cidade de Mossul dominadas pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informou a agência Reuters.

Num sinal de envolvimento crescente com as operações terrestres contra o Estado Islâmico, soldados da aliança liderada pelos Estados Unidos foram visto perto da linha de frente.

Mossul, que está na origem da palavra muçulmano, é a segunda maior cidade do Iraque e a maior em poder do Estado Islâmico. Foi tomada há dois anos, em 10 de junho de 2014.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, espera reconquistar Mossul ainda em 2016, mas o comando militar americano não compartilha este otimismo. Os recentes protestos em Bagdá do aiatolá xiita Muktada al-Sader enfraqueceram a coalizão de governo, abalando a união necessária na luta contra os extremistas sunitas.

Enquanto isso, o Exército do Iraque e milícias aliadas, com o apoio da coalizão aérea liderada pelos EUA, está fechando o cerco sobre a cidade de Faluja, iniciado em 23 de maio, noticiou hoje a televisão estatal. Quando o cerco estiver fechado, forças antiterroristas devem desfechar ataques dentro da cidade.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Aiatolá xiita retira milícia das ruas de Bagdá

O aiatolá xiita Muktada al-Sader ordenou hoje a retirada de centenas de milicianos das ruas da capital do Iraque, um dia depois do início de patrulhas para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, responsável por uma série de ataques terroristas suicidas que deixaram centenas de mortos nas últimas semanas.

Com metralhadoras montadas em veículos, combatentes da milícia Saraya al-Salam, o antigo Exército Mehdi, saíram às ruas do bairro conhecido como Cidade de Sáder e outras áreas de maioria xiita de Bagdá revistando veículos e pessoas que faziam compras em mercados públicos.

Em comunicado a seus seguidores, Muktada afirmou que os atentados terroristas comprovam que o governo do Iraque não consegue proteger os civis dos ataques do Estado Islâmico.

Sob pressão nos campos de batalha, perdendo territórios, o Estado Islâmico regride cada vez mais a grupo terrorista. Os ataques contra os xiitas visam a fomentar um conflito sectário para se apresentar como defensor dos sunitas.

domingo, 15 de maio de 2016

Estado Islâmico mata 25 recrutas em ataque à polícia no Iêmen

Pelo menos 25 recrutas foram mortos por um terrorista suicida da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante que se explodiu dentro de uma academia da polícia na cidade de Mukalla, no Sul do Iêmen.

Mukalla era um antro da rede terrorista Al Caeda, tomada depois do colapso do governo central iemenita na guerra civil contra os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, em fevereiro de 2015. 

Desde 25 de março do ano passado, a Arábia Saudita lidera uma coalizão de países majoritariamente sunitas para tentar conter o avanço dos aliados do Irã, Em abril, as forças governistas retomaram a cidade com o apoio da coalizão saudita.

No momento, aliados do presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, e os hutis negociam a paz no Kuwait.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Carros-bomba do Estado Islâmico matam 93 em Bagdá

Três atentados a bomba deixaram pelo menos 93 mortos e 165 feridos hoje na capital do Iraque. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria dos ataques.

Com a perda de territórios no Iraque e na Síria, o protoestado está encolhendo e a milícia volta cada vez mais a ser apenas um grupo terrorista. Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris foram um sinal de fraqueza.

Mais de 1,7 mil pessoas foram mortas em março e abril de 2016 pela estimativa das Nações Unidas. No atentado mais violento, uma caminhonete bomba deixou 63 mortos e 85 feridos ao explodir perto de um salão de beleza da Cidade de Sader, no Sul de Bagdá, onde havia várias noivas que se preparavam para casar.

O segundo alvo foi uma delegacia no distrito de Kadimia, no Noroeste da cidade, onde 18 pessoas morreram e outras 34 saíram feridas. Um terceiro-carro bomba explodiu em Jamia, no Norte da capital, matando 12 pessoas e feriu outras 46.

O Estado Islâmico é sunita e ataca sistematicamente os xiitas, que considera infiéis, para fomentar um conflito sectário.