Mostrando postagens com marcador Tikrit. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tikrit. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2016

Iraque executa 36 condenados pelo massacre no Campo Speicher

O Iraque enforcou hoje 36 condenados pelo massacre de 1,7 mil recrutas do Exército iraquiano na antiga base americana de Campo Speicher, perto da cidade de Tikrit, em 2014, quando a região foi tomada pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A maioria dos cadetes do Exército do Iraque era xiita. O massacre mobilizou as milícias xiitas para a luta contra o Estado Islâmico.

"As execuções dos 36 condenados pelos crime de Speicher foram realizadas nesta manhã na prisão de Nassíria", declarou um porta-voz do governo da província de Dicar, onde Nassíria é a capital.

Cerca de 400 mortos pelo Estado Islâmico eram da província. Quando a região foi reconquistada, no ano passado, foram descobertos os cemitérios clandestinos onde os recrutas mortos foram enterrados em covas rasas.

Depois de um atentado terrorista atribuído ao Estado Islâmico com mais de 300 mortes em Bagdá no início de julho de 2016, o primeiro-ministro Haider el-Abadi decidiu acelerar as execuções de terroristas condenados.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Governo do Iraque promete acabar com Estado Islâmico em 2016

Em visita a Ramadi, a capital da província de Ambar libertada ontem, o primeiro-ministro Heidar al-Abadi prometeu expulsar do Iraque em 2016 a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a Agência France Presse (AFP).

Seu próximo objetivo é reconquistar Mossul, tomada pelo Estado Islâmico em 10 de junho de 2014. Mas analistas estratégicos advertem que ainda há muitos obstáculos no caminho.

É prematuro esperar que Mossul possa cair como Tikrit, Sinjar e Ramadi, três cidades iraquianas de onde o Estado Islâmico foi expulso. Mossul, de onde nasceu a palavra muçulmano, é a segunda maior cidade do Iraque e a maior em poder da milícia jihadista.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Exército do Iraque retoma sede do governo de Ramadi

Com a cobertura aérea dos Estados Unidos, o Exército do Iraque entrou hoje no complexo governamental de Ramadi, capital da província de Ambar, que estava sob o controle do Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde maio de 2015, noticiou a televisão pública britânica BBC citando fontes locais.

As forças de segurança iraquianas acreditam que os jihadistas fugiram para um bairro do Nordeste da cidade. Se a reconquista se confirmar, será a segunda grande cidade do Iraque retomada do Estado Islâmico, depois de Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, deposto na invasão americana de 2003.

Quando a retoma for concluída, o controle de Ramadi deve ser entregue à polícia local e a milícias tribais sunitas aliadas ao governo de Bagdá. A ofensiva do Exército deve avançar em direção a Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, em poder do Estado Islâmico desde 10 de junho de 2014.

A operação para recapturar Ramadi começou no início de novembro e avançou lentamente. O governo preferiu não usar milícias xiitas para evitar um agravamento do conflito sectário.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Exército do Iraque corta suprimento do Estado Islâmico em Ramadi

Com a cobertura da Força Aérea dos Estados Unidos e o apoio de milícias xiitas treinadas pelo Irã, o Exército do Iraque conseguiu cortar a linha de suprimento para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Ramadi, capital da província de Ambar, tomada pelo grupo em maio de 2015.

Ramadi foi a última conquista militar importante do Estado Islâmico no Iraque. É uma cidade sunita de cerca de 1 milhão de habitantes onde o governo central predominantemente xiita de Bagdá é visto com suspeita.

"Cortamos a linha de suprimento do Daech [acrônimo árabe do EI] entre Ramadi e a Síria", declarou um oficial do comando militar iraquiano em Ambar. "Agora as forças iraquianas podem sufocar os terroristas dentro da cidade e devemos vencer em alguns dias."

O mesmo otimismo no passado não se confirmou no campo de batalha. "As forças iraquianas têm dificuldades em operações urbanas. Ramadi vai ser difícil depois de entrar na cidade", observou um assessor militar ocidental do governo autônomo regional do Curdistão citado pela companhia jornalística americana McClatchy Newspapers, editora do jornal The Miami Herald.

A retomada de Ramadi não será fácil como a reconquista de Tikrit, a terra natal de Saddam Hussein, o ditador deposto pelos EUA em 2003, acrescenta o oficial: "Eles só foram capazes de assumir o controle de Tikrit, uma cidade muito menor e vazia, por causa do bombardeio aéreo pesado da coalizão" de 65 países liderada por Washington.

Agora, raciocina o assessor ocidental, "isso não será possível porque o Daech não deixou muita gente fugir quando tomou Ramadi. O combate casa a casa é duro para exército bem treinados, e o Exército do Iraque está longe disso."

O cerco a Ramadi começou na quarta-feira passada. Desde então, houve pelo menos sete bombardeios aéreos diários, principalmente nos arredores da cidade para dificultar a mobilidade do EI.

Na estratégia do presidente Barack Obama para "degradar e destruir" o Estado Islâmico, a Força Aérea dos EUA ataca unidades militares, mas evita ataques onde haja populações civis. Até há pouco, antes dos atentados terroristas em Paris, não bombardeava nem as exportações de petróleo, principal fonte de renda do EI.

O primeiro-ministro do Iraque, Heidar al-Abadi, critica os EUA por não fazer ataques aéreos contra áreas povoadas.

"Eles transformaram Ramadi numa bomba gigantesca desde maio. O número de bombas, minas e homens-bomba torna o avanço muito lento", admitiu um oficial do comando iraquiano em Ambar. "Alguns só avançamos 50 metros e temos de desarmar dez bombas nesse avanço."

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Iraque lança ofensiva para recapturar a província de Ambar

Depois da vitória na Batalha de Tikrit na semana passada, o Exército do Iraque e milícias aliadas iniciaram ontem uma ofensiva para libertar a província de Ambar do controle da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a agência de notícias Reuters.

"Nossa próxima batalha será libertar Ambar", declarou o primeiro-ministro Heidar al-Abadi. "Vamos prevalecer em Ambar como prevalecemos em Tikrit." Oficiais do Exército anunciaram que o EI recuou em Sijaria, perto de Ramadi, a capital da província, cujas defesas foram bombardeadas pelos Estados Unidos.

Grandes regiões de Ambar, um dos principais focos da revolta contra a invasão americana de 2003, foram tomadas pelo EI antes mesmo da ofensiva que conquistou Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, em junho de 2014. Depois de Ambar, Mossul deve ser o próximo alvo das forças de segurança iraquianas e milícias aliadas.

Para o ataque a Ambar, o governo iraquiano decidiu armar milícias tribais sunitas. Um ataque com milícias xiitas e guerrilheiros curdos poderia ser interpretado pela população local como uma invasão e não uma libertação.

No Norte do país, o Estado Islâmico libertou mais de 200 pessoas da minoria étnica yazidi capturadas há meses, informaram guerrilheiros curdos. "Recebemos 227 yazidis, inclusive mulheres e crianças", declarou o general Westa Rassul na província de Kirkuk, citado pelo sítio Middle East Eye.

terça-feira, 31 de março de 2015

Iraque anuncia retomada de Tikrit do Estado Islâmico

Com o apoio das forças áereas dos Estados Unidos e aliados e de milícias xiitas, as forças de segurança do Iraque recapturaram hoje a cidade de Tikrit, terra natal do falecido ditador Saddam Hussein, depois de uma batalha de quatro semanas contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, anunciou hoje em Bagdá o governo iraquiano.

Em pronunciamento na televisão estatal, o primeiro-ministro Heidar al-Abadi afirmou que as forças governistas chegaram ao centro da cidade, onde hastearam a bandeira do Iraque no quartel-general, enquanto suas tropas continuam atacando os bolsões de resistência dos jihadistas nos bairros da periferia.

Se a reconquista se confirmar, será a maior vitória do governo iraquiano desde que uma ofensiva do Estado Islâmico tomou Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, em junho de 2014, e proclamou a fundação de um califado nos territórios tomados no Iraque e na Síria.

"A experiência de sucesso em Tikrit será repetida em outras áreas", previu o chefe de governo. Tikrit era a segunda maior cidade iraquiana em poder dos terroristas. Fica na estrada entre Bagdá e Mossul. Sua retomada é essencial para uma ofensiva para libertar Mossul prevista para os próximos meses.

Desde setembro do ano passado, os Estados Unidos entraram na guerra atacando o EI com bombardeios aéreos, sem usar tropas terrestres. Os combates em terra são realizados pelas forças de segurança do Iraque, guerrilheiros curdos, milícias tribais sunitas e milícias xiitas iraquianas coordenadas pela Guarda Revolucionária do Irã.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Deputados americanos querem armar curdos contra Estado Islâmico

Deputados da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei para que os Estados Unidos armem diretamente os guerrilheiros curdos que estão combatendo a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a agência Associated Press.

Na opinião dos membros da comissão, os curdos estão em nítida inferioridade em relação aos jihadistas. Ontem, a pedido do governo do Iraque, os EUA e aliados fizeram bombardeios aéreos contra posições do Estado Islâmico na cidade de Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, deposto e morto por uma invasão americana.

Desde setembro, os EUA lideram uma aliança de 60 países contra o Estado Islâmico, mas nenhuma grande potência ofereceu soldados para a operação terrestre necessária para retomar os territórios ocupados pelos jihadistas. O Egito falou em organizar um exército de países árabes, mas a proposta ainda não evoluiu.

sábado, 21 de março de 2015

EUA e aliados fazem dez ataques aéreos contra o Estado Islâmico

Os Estados Unidos e seus aliados fizeram hoje dez bombardeios aéreos contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, três na Síria e sete no Iraque, anunciou a ForçaTarefa Conjunta.

Na Síria, os três ataques foram contra posições dos jihadistas perto da cidade curda de Kobane, palco de uma batalha de meses vencida pelos guerrilheiros curdos com a cobertura aérea da aliança liderada pelos EUA. No Iraque, os alvos foram Kirkuk, Mossul e Ramadi.

As missões aéreas visam a enfraquecer o Estado Islâmico no momento em que o Exército do Iraque e milícias xiitas tentam retomar a cidade de Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, deposto e morto pela invasão americana de 2003. Como é um reduto sunita e a batalha agora se trava casa a casa dentro da cidade, não há ataques aéreos para não jogar a população local contra o governo central, majoritariamente xiita.

Tikrit fica no caminho entre a capital, Bagdá, e Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, tomada pelo Estado Islâmico em junho do ano passado. Uma ofensiva para reconquistar Mossul é esperada ainda nesta primavera que começa hoje no Hemisfério Norte.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Exército do Iraque avança em Saladino e Estado Islâmico contra-ataca

As forças de segurança do Iraque tomaram hoje com o apoio de milícias e voluntários curdos, sunitas e xiitas uma prisão do grupo terrorista Estado Islâmico nos Montes Hamrin, entre as províncias de Kirkuk e de Saladino, libertando 34 civis detidos lá. Vários jihadistas foram presos na operação, inclusive dois somalianos.

Outro ataque foi lançado pelo governo iraquiano para reconquistar o centro da cidade de Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, deposto e morto durante a invasão americana. Ela fica no caminho entre a capital, Bagdá, e Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, ocupada pelo Estado Islâmico desde junho de 2014. A vitória em Tikrit é essencial para retomar Mossul.

O Estado Islâmico contra-atacou em áreas controladas pelo governo da cidade de Ramadi, onde detonou sete carros-bomba simultaneamente, matando pelo menos dez pessoas e ferindo outras 30. A retaliação veio depois de uma semana da encarniçada batalha de Tikrit. A milícia jihadista se apresenta no Iraque como defensora da minoria árabe sunita.

Para ultraje do resto do mundo, o EI divulgou novo vídeo de uma execução, desta vez com um menino de 12 anos dando quatro tiros num jovem palestino acusado de ser espião de Israel.

quinta-feira, 5 de março de 2015

EUA e Irã chegam a entendimento sobre ações militares no Iraque

Os Estados Unidos e o Irã trocaram informações para evitar o agravamento das tensões sectárias entre sunitas e xiitas em suas operações militares contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas não estão coordenado as ações, informou hoje o jornal árabe Ashraq al-Awsat.

Desde setembro, as forças aéreas dos EUA e de países aliados bombardeiam posições da milícia jihadista, mas não participam da ofensiva terrestre lançada nesta semana pelo Exército do Iraque e milícias xiitas, com o apoio da Guarda Revolucionária Iraniana, contra a cidade de Tikrit e a província de Saladino.

Como as milícias xiitas iraquianas não têm o apoio das tribos sunitas que vivem na região, os iranianos terão um papel importante na batalha pela cidade de Nínive. Sob a orientação do Irã, as milícias xiitas formaram uma aliança chamada Mobilização Popular. As milícias sunitas, por sua vez, receberam a promessa de serem integradas à Guarda Nacional do Iraque.

A negociação para evitar que o programa nuclear iraniano faça a bomba atômica reaproximou os EUA e o Irã, e a luta contra o Estado Islâmico é mais um fator para reforçar essa reaproximação.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Estado Islâmico prega uma guerra santa sem limites

.Ao decapitar diante da câmera o jornalista americano James Foley, a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante mostrar estar disposta a violar todas as regras na sua guerra santa medieval contra os infiéis.

O terrorismo é também um teatro macabro para fazer propaganda, observa o analista político Robert Kaplan, em comentário no sítio de estudos estratégicos americano Stratfor. Ele observa que Foley estava vestido com um macacão laranja, como os prisioneiros do centro de detenção ilegal instalado na base naval de Guantânamo, em Cuba, para escapar da jurisdição americana.

É uma retribuição. O Estado Islâmico está dizendo que há um preço a pagar pelos prisioneiros de Guantânamo.

Foley fez uma confissão bem ensaiada, seguido de um pronunciamento também ensaiado, em inglês com sotaque britânico, levantando a suspeita de que o executor fosse um jihadista do Reino Unido. Estima-se que haja mais voluntários da jihad britânicos lutando na Síria e no Iraque do que no Exército Real.

A degola é um elemento central do docudrama do terror, calibrado para maior impacto midiático e propagandístico. É um convite sádico a terroristas do mundo inteiro. De um lado, primitivo e cruel; do outro, explorando as modernas técnicas da revolução nas comunicações.

O recado é claro: a guerra santa não tem limites. Os jihadistas não respeitam as leis da guerra da civilização ocidental, aliás, violadas em Guantânamo. Querem destruir os Estados Unidos, a Europa, os infiéis e os muçulmanos que não aceitam sua interpretação do Corão.

Com essa mistura de ideologia medieval, uma disciplina militar rígida e o marketing revolucionário do século 21, "o EIIL controla hoje um volume de recursos e território sem precedentes na história das organizações extremistas", observa o ex-assessora do Pentágono Janine Davidson, hoje pesquisadora do Conselho de Relações Exteriores dos EUA.

Mais do que um grupo terrorista como Al Caeda, o Estado Islâmico quer ser um país. Seu califado vai da fronteira da Síria com a Turquia, passa por Raca, no Norte da Síria, sua capital de fato, atropela a fronteira com o Iraque e vai até Faluja, Tikrit, os arredores de Mossul, de onde os jihadistas foram repelidos por milícias curdas com apoio aéreo dos EUA, e zonas rurais ao sul de Bagdá.

Para se financiar, o EIIL explora todos os campos de gás e petróleo e saqueia os bancos nas áreas ocupadas. Chegou a tomar a maior refinaria do Iraque, em Baiji, e a maior hidrelétrica do Norte, em Mossul, retomada pelos curdos. Faz extorsão mediante sequestro e cobra "impostos" de quem não se submete à sua ideologia assassina.

A execução sumária do czar Nicolau II e toda a sua família pelo governo liderado por Lenin depois da revolução comunista na Rússia, em 1918, mostrou que os bolcheviques eram capazes de matar. Para Kaplan, foi um prenúncio do terrorismo de Estado que atingiria o auge sob Stalin.

Da mesma forma, o assassinato do rei Faissal II e sua família no golpe militar de 1958 no Iraque e a mutilação do corpo do primeiro-ministro Nuri Said por uma turba enfurecida em Bagdá levaram à criação de um Estado policial que culminou com a ascensão de Saddam Hussein, em 1979, e seu reinado do terror até a invasão americana de 2003.

Assim, a degola de Foley é o presságio de novas tragédias no Oriente Médio.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Meio milhão de iraquianos foge de Mossul

Pelo menos 500 mil iraquianos fugiram de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, tomada por terroristas muçulmanos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que lutam para criar um emirado extremista unindo Iraque, Síria e Líbano, depois de quatro dias de combate. As forças de segurança iraquianas abandonaram a cidade.

Com armas leves montadas em picapes que dão alta mobilidade, os jihadistas avançam. Tomaram Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, derrubado e executado depois de uma intervenção militar dos Estados Unidos, há dez anos, e já controlam cerca de metade do território iraquiano, afirmou há pouco em entrevista à televisão pública britânica BBC o professor Fawaz Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics.

O caos e a guerra sem fim no Iraque são consequências da invasão americana de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein. Ao assumir o controle do país, os Estados Unidos destruíram a máquina do Estado. Dissolveram o Exército e a polícia, jogando milhares de pessoas com treinamento militar, na maioria sunitas, que compunham o núcleo central do regime, na clandestinidade e na luta armada.

A discriminação às pessoas ligadas ao antigo regime e a ascensão ao poder da maioria xiita (60% da população) marginalizaram os sunitas, estimulando a dissidência armada. O colapso da ordem estabelecida gerou anarquia, facilitando a infiltração de extremistas muçulmanos inspirados pela rede terrorista Al Caeda.

Depois de um ataque contra uma mesquita e santuário xiita na cidade de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o conflito sectário entre sunitas e xiitas quase virou uma guerra civil total. Isso levou o então presidente americano George W. Bush a reforçar as tropas dos EUA, que conseguiram controlar a situação com o apoio de líderes tribais sunitas que não queriam ser governados pelo islamismo fundamentalista pregado pela Caeda.

Em 2008, Barack Obama, que foi contra a invasão do Iraque desde o início, elegeu-se presidente dos EUA prometendo acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão. Sem um acordo com o governo Maliki para garantir a imunidade dos soldados americanos, Obama retirou no fim de 2011 todos os militares americanos do Iraque, com a exceção de um contingente de 160 encarregados que garantir a segurança da embaixada em Bagdá.

Assim, se alguém é culpado pela situação no Iraque, não é mais culpado do que os EUA, que destruíram um Estado nacional e não o reconstruíram, deixando para trás um país arrasado, caótico e anárquico, à beira da guerra civil e da autodestruição.

A guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos, fomentou ainda mais a atuação de jihadistas em busca de uma "guerra santa", atraindo muçulmanos radicais do mundo inteiro, inclusive da Europa e dos EUA, que ao voltar para casa vão criar problemas. Com a relutância das potências ocidentais de apoiar os rebeldes moderados, os terroristas ganharam preeminência e passaram a ser as forças mais efetivas na guerra contra a ditadura de Bachar Assad.

Uma das desculpas furadas de Bush para invadir o Iraque, além das armas de destruição em massa nunca encontradas, foi uma suposta ligação entre Saddam e a rede terrorista Al Caeda, que havia atacado Nova York e o Pentágono em 11 de setembro de 2001. Saddam pode ter ajudado grupos terroristas palestinos, mas sempre perseguiu o fundamentalismo muçulmano.

Al Caeda e os outros grupos jihadistas nascidos em seu rastro não tinham nenhuma atuação no Iraque. Hoje, controlam a metade do território nacional e se aproximam de Bagdá. No momento, os jihadistas são os defensores dos sunitas no Iraque. Uma guerra civil entre sunitas e xiitas se alastra do Líbano, no Mar Mediterrâneo, até as cercanias da capital iraquiana. A invasão de Bush acabou tendo o resultado oposto ao pretendido.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Caminhão-tanque-bomba mata nove no Iraque

Um terrorista suicida jogou hoje um caminhão-tanque cheio de gasolina contra a chefiatura de polícia de em Tikrit, no Iraque, a cidade natal do ditador Saddam Hussein, derrubado há dez anos por uma invasão americana e enforcado no fim de 2006. Pelo menos nove pessoas morreram, inclusive sete policiais, e outras 30 saíram feridas da explosão, que abriu uma grande cratera.

Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado. As maiores suspeitas recaem sobre o Estado Islâmico do Iraque, o ramo da rede terrorista Al Caeda no país, que intensificou os ataques contra o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, reporta a agência Reuters.

A guerra civil na vizinha Síria, que completou dois anos em 15 de março, também contribui para acirrar o conflito sectário entre sunitas e xiitas no Iraque, onde pelo menos 271 foram mortas em março, o maior número desde agosto de 2012, informa a agência France Presse.

Com o afastamento do presidente curdo Jalal Talabani, há um temor cada vez maior da divisão do país por causa dos conflitos étnicos e religiosos, observa a televisão pública britânica BBC.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Terrorista mata mais 52 pessoas no Iraque

Um atentado terrorista suicida contra uma fila de candidatos a entrar para a polícia do Iraque mata pelo menos 52 pessoas e fere outras cem em Tikrit, a terra natal do ditador Saddam Hussein, deposto em 2003 pela invasão militar dos Estados Unidos