Diante do temor de perder parte de seu mercado com a saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 29 de março, as empresas britânicos aumentaram seus investimentos no exterior, aplicando na Europa US$ 10,7 bilhões que seriam destinados ao país, concluiu o estudo Votando com seu Dinheiro: Brexit e o investimento externo de empresas do RU, do Centro de Performance Econômica da London School of Economics (LSE).
Ao mesmo tempo, as companhias europeias cortaram investimentos diretos no Reino Unido estimados em mais de US$ 13 bilhões.
De acordo com a pesquisa, a Brexit (saída britânica) levou a um aumento de 12% nos investimentos externos diretos de empresas britânicas na UE. Este dinheiro seria aplicado no país, se o Reino Unido tivesse pleno acesso ao mercado europeu. Não houve crescimento nas inversões foram da UE.
Por outro lado, os novos investimentos de empresas do continente no Reino Unido caíram 11%. As perdas serão muito maiores caso a saída da UE ocorra sem acordo.
Os autores do relatório acreditam que as empresas britânicas estão aumentando a produção no exterior na expectativa de que o Reino Unido vai aumentar as barreiras ao comércio e à imigração, tornando-se "um lugar menos atraente para fazer negócios".
Na semana passada, a economista Rain Newton Smith, da Confederação da Indústria Britânica, observou que a ameaça de uma saída em acordo está "esfriando o investimento e estrangulando o crescimento".
"Sem acordo", acrescentou, "as empresas internacionais terão grandes questões que só poderão ser evitadas, na maioria dos casos, levando empregos e investimentos do Reino Unido para a Europa."
Na segunda-feira, noticiou o jornal The Guardian, o Escritório Nacional de Estatísticas revelou que o país cresceu 1,4% em 2018, em contraste com 1,8% em 2017, já sob o impacto da saída da UE, aprovada em plebiscito em 23 de junho de 2016. A pior notícia foi uma contração de 0,4% em dezembro do ano passado.
"O risco econômico da Brexit é maior no Reino Unido do que do outro lado do canal. As empresas britânicas sentem-se compelidas a investir mais na UE, mas o mesmo não acontece no outro sentido", comentou Dennis Novy, um dos autores do relatório da pesquisa da LSE.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Chomsky adere a boicote a conferência sobre marxismo na China
O linguista Noam Chomsky e mais de 30 acadêmicos do mundo inteiro decidiram boicotar uma conferência sobre marxismo a ser realizada em Beijim pelo regime comunista da China em protesto contra a prisão de estudantes que defendiam o direito de trabalhadores de se organizarem em sindicatos.
A maioria dos acadêmicos envolvidos no boicote é de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido. Chomsky, professor da Universidade do Arizona, escreveu a seguinte declaração: "Continuar participando de eventos sobre marxismo patrocinados oficialmente significaria ser cúmplice do jogo do governo chinês. Acadêmicos de esquerda do mundo inteiro devem aderir ao boicote destas conferências e eventos."
Nos últimos quatro meses, a ditadura de Xi Jinping prendeu estudantes de várias universidades importantes por apoiarem um movimento de trabalhadores para criar um sindicato livre na fábrica da empresa Jasic Technology, na cidade de Shenzhen, um dos principais polos industriais surgiram com as reformas e a abertura econômica lançadas há 40 pelo líder Deng Xiaoping.
Sob a ditadura de Xi, líder do partido desde 2012 e presidente do país desde 2013, o regime comunista se mostra cada mais intolerante com movimentos de base, especialmente de uma possível aliança entre operários e estudantes, que está na origem do Partido Comunista.
Há duas semanas, em mais uma onda repressiva, estudantes foram presos ou sequestrados, inclusive Zhang Shengye, empurrado à força para dentro de um carro por homens vestidos de preto dentro do campus da Universidade de Beijim.
"Com base nas informações que recebemos, mais estudantes estão em perigo", declarou um grupo de acadêmicos, entre eles Elaine Hui, professora adjunta da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, que lançou o apelo inicial para boicotar o Congresso Mundial sobre Marxismo promovido pela ditadura comunista chinesa e "conferências similares".
Num sinal de endurecimento, o regime comunista chinês nomeou no mês passado o ex-agente de segurança do Estado Qiu Shiping como secretário do partido dentro da Universidade de Beijim para realizar "inspeções disciplinares" e de "gerenciamento e controle", jargão utilizado para justificar a repressão.
O professor emérito de sociologia na London School of Economics (LSE) Leslie Sklair pediu a seus colegas que investiguem as relações entre suas universidades e as universidades chinesas cúmplices na repressão governamental. Várias universidades americanas e europeias estão rompendo acordos acadêmicos com a China por causa do controle crescente da ditadura de Xi Jinping sobre as atividades intelectuais e de pesquisa.
A maioria dos acadêmicos envolvidos no boicote é de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido. Chomsky, professor da Universidade do Arizona, escreveu a seguinte declaração: "Continuar participando de eventos sobre marxismo patrocinados oficialmente significaria ser cúmplice do jogo do governo chinês. Acadêmicos de esquerda do mundo inteiro devem aderir ao boicote destas conferências e eventos."
Nos últimos quatro meses, a ditadura de Xi Jinping prendeu estudantes de várias universidades importantes por apoiarem um movimento de trabalhadores para criar um sindicato livre na fábrica da empresa Jasic Technology, na cidade de Shenzhen, um dos principais polos industriais surgiram com as reformas e a abertura econômica lançadas há 40 pelo líder Deng Xiaoping.
Sob a ditadura de Xi, líder do partido desde 2012 e presidente do país desde 2013, o regime comunista se mostra cada mais intolerante com movimentos de base, especialmente de uma possível aliança entre operários e estudantes, que está na origem do Partido Comunista.
Há duas semanas, em mais uma onda repressiva, estudantes foram presos ou sequestrados, inclusive Zhang Shengye, empurrado à força para dentro de um carro por homens vestidos de preto dentro do campus da Universidade de Beijim.
"Com base nas informações que recebemos, mais estudantes estão em perigo", declarou um grupo de acadêmicos, entre eles Elaine Hui, professora adjunta da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, que lançou o apelo inicial para boicotar o Congresso Mundial sobre Marxismo promovido pela ditadura comunista chinesa e "conferências similares".
Num sinal de endurecimento, o regime comunista chinês nomeou no mês passado o ex-agente de segurança do Estado Qiu Shiping como secretário do partido dentro da Universidade de Beijim para realizar "inspeções disciplinares" e de "gerenciamento e controle", jargão utilizado para justificar a repressão.
O professor emérito de sociologia na London School of Economics (LSE) Leslie Sklair pediu a seus colegas que investiguem as relações entre suas universidades e as universidades chinesas cúmplices na repressão governamental. Várias universidades americanas e europeias estão rompendo acordos acadêmicos com a China por causa do controle crescente da ditadura de Xi Jinping sobre as atividades intelectuais e de pesquisa.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Meio milhão de iraquianos foge de Mossul
Pelo menos 500 mil iraquianos fugiram de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, tomada por terroristas muçulmanos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que lutam para criar um emirado extremista unindo Iraque, Síria e Líbano, depois de quatro dias de combate. As forças de segurança iraquianas abandonaram a cidade.
Com armas leves montadas em picapes que dão alta mobilidade, os jihadistas avançam. Tomaram Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, derrubado e executado depois de uma intervenção militar dos Estados Unidos, há dez anos, e já controlam cerca de metade do território iraquiano, afirmou há pouco em entrevista à televisão pública britânica BBC o professor Fawaz Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics.
O caos e a guerra sem fim no Iraque são consequências da invasão americana de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein. Ao assumir o controle do país, os Estados Unidos destruíram a máquina do Estado. Dissolveram o Exército e a polícia, jogando milhares de pessoas com treinamento militar, na maioria sunitas, que compunham o núcleo central do regime, na clandestinidade e na luta armada.
A discriminação às pessoas ligadas ao antigo regime e a ascensão ao poder da maioria xiita (60% da população) marginalizaram os sunitas, estimulando a dissidência armada. O colapso da ordem estabelecida gerou anarquia, facilitando a infiltração de extremistas muçulmanos inspirados pela rede terrorista Al Caeda.
Depois de um ataque contra uma mesquita e santuário xiita na cidade de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o conflito sectário entre sunitas e xiitas quase virou uma guerra civil total. Isso levou o então presidente americano George W. Bush a reforçar as tropas dos EUA, que conseguiram controlar a situação com o apoio de líderes tribais sunitas que não queriam ser governados pelo islamismo fundamentalista pregado pela Caeda.
Em 2008, Barack Obama, que foi contra a invasão do Iraque desde o início, elegeu-se presidente dos EUA prometendo acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão. Sem um acordo com o governo Maliki para garantir a imunidade dos soldados americanos, Obama retirou no fim de 2011 todos os militares americanos do Iraque, com a exceção de um contingente de 160 encarregados que garantir a segurança da embaixada em Bagdá.
Assim, se alguém é culpado pela situação no Iraque, não é mais culpado do que os EUA, que destruíram um Estado nacional e não o reconstruíram, deixando para trás um país arrasado, caótico e anárquico, à beira da guerra civil e da autodestruição.
A guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos, fomentou ainda mais a atuação de jihadistas em busca de uma "guerra santa", atraindo muçulmanos radicais do mundo inteiro, inclusive da Europa e dos EUA, que ao voltar para casa vão criar problemas. Com a relutância das potências ocidentais de apoiar os rebeldes moderados, os terroristas ganharam preeminência e passaram a ser as forças mais efetivas na guerra contra a ditadura de Bachar Assad.
Uma das desculpas furadas de Bush para invadir o Iraque, além das armas de destruição em massa nunca encontradas, foi uma suposta ligação entre Saddam e a rede terrorista Al Caeda, que havia atacado Nova York e o Pentágono em 11 de setembro de 2001. Saddam pode ter ajudado grupos terroristas palestinos, mas sempre perseguiu o fundamentalismo muçulmano.
Al Caeda e os outros grupos jihadistas nascidos em seu rastro não tinham nenhuma atuação no Iraque. Hoje, controlam a metade do território nacional e se aproximam de Bagdá. No momento, os jihadistas são os defensores dos sunitas no Iraque. Uma guerra civil entre sunitas e xiitas se alastra do Líbano, no Mar Mediterrâneo, até as cercanias da capital iraquiana. A invasão de Bush acabou tendo o resultado oposto ao pretendido.
Com armas leves montadas em picapes que dão alta mobilidade, os jihadistas avançam. Tomaram Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, derrubado e executado depois de uma intervenção militar dos Estados Unidos, há dez anos, e já controlam cerca de metade do território iraquiano, afirmou há pouco em entrevista à televisão pública britânica BBC o professor Fawaz Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics.
O caos e a guerra sem fim no Iraque são consequências da invasão americana de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein. Ao assumir o controle do país, os Estados Unidos destruíram a máquina do Estado. Dissolveram o Exército e a polícia, jogando milhares de pessoas com treinamento militar, na maioria sunitas, que compunham o núcleo central do regime, na clandestinidade e na luta armada.
A discriminação às pessoas ligadas ao antigo regime e a ascensão ao poder da maioria xiita (60% da população) marginalizaram os sunitas, estimulando a dissidência armada. O colapso da ordem estabelecida gerou anarquia, facilitando a infiltração de extremistas muçulmanos inspirados pela rede terrorista Al Caeda.
Depois de um ataque contra uma mesquita e santuário xiita na cidade de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o conflito sectário entre sunitas e xiitas quase virou uma guerra civil total. Isso levou o então presidente americano George W. Bush a reforçar as tropas dos EUA, que conseguiram controlar a situação com o apoio de líderes tribais sunitas que não queriam ser governados pelo islamismo fundamentalista pregado pela Caeda.
Em 2008, Barack Obama, que foi contra a invasão do Iraque desde o início, elegeu-se presidente dos EUA prometendo acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão. Sem um acordo com o governo Maliki para garantir a imunidade dos soldados americanos, Obama retirou no fim de 2011 todos os militares americanos do Iraque, com a exceção de um contingente de 160 encarregados que garantir a segurança da embaixada em Bagdá.
Assim, se alguém é culpado pela situação no Iraque, não é mais culpado do que os EUA, que destruíram um Estado nacional e não o reconstruíram, deixando para trás um país arrasado, caótico e anárquico, à beira da guerra civil e da autodestruição.
A guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos, fomentou ainda mais a atuação de jihadistas em busca de uma "guerra santa", atraindo muçulmanos radicais do mundo inteiro, inclusive da Europa e dos EUA, que ao voltar para casa vão criar problemas. Com a relutância das potências ocidentais de apoiar os rebeldes moderados, os terroristas ganharam preeminência e passaram a ser as forças mais efetivas na guerra contra a ditadura de Bachar Assad.
Uma das desculpas furadas de Bush para invadir o Iraque, além das armas de destruição em massa nunca encontradas, foi uma suposta ligação entre Saddam e a rede terrorista Al Caeda, que havia atacado Nova York e o Pentágono em 11 de setembro de 2001. Saddam pode ter ajudado grupos terroristas palestinos, mas sempre perseguiu o fundamentalismo muçulmano.
Al Caeda e os outros grupos jihadistas nascidos em seu rastro não tinham nenhuma atuação no Iraque. Hoje, controlam a metade do território nacional e se aproximam de Bagdá. No momento, os jihadistas são os defensores dos sunitas no Iraque. Uma guerra civil entre sunitas e xiitas se alastra do Líbano, no Mar Mediterrâneo, até as cercanias da capital iraquiana. A invasão de Bush acabou tendo o resultado oposto ao pretendido.
terça-feira, 16 de abril de 2013
BBC usa LSE para entrar na Coreia do Norte
A London School of Economics acusa a televisão pública britânica BBC (British Braodcasting Corporation) de ter infiltrado três jornalistas numa visita de estudos organizada pelo Grimshaw Club, de seu prestigiado Departamento de Relações Internacionais, para conseguir entrar na Coreia do Norte, colocando em risco os verdadeiros estudantes do grupo.
Os jornalistas produziram material sobre o país, um dos mais fechados do mundo, apresentados num programa que foi ao ar ontem. A LSE lamenta "enganada deliberadamente", noticia o jornal The New York Times, e protesta contra a identificação de um dos jornalistas como doutorando.
Se a infiltração dos jornalistas no país tivesse sido percebida pela ditadura comunista de Pionguiangue, todo o grupo poderia ter sido preso por um dos regimes mais fechados do mundo, onde seu direito de defesa não estaria garantido.
Os jornalistas produziram material sobre o país, um dos mais fechados do mundo, apresentados num programa que foi ao ar ontem. A LSE lamenta "enganada deliberadamente", noticia o jornal The New York Times, e protesta contra a identificação de um dos jornalistas como doutorando.
Se a infiltração dos jornalistas no país tivesse sido percebida pela ditadura comunista de Pionguiangue, todo o grupo poderia ter sido preso por um dos regimes mais fechados do mundo, onde seu direito de defesa não estaria garantido.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
LSE cancela conferência nos Emirados Árabes Unidos
Por causa de restrições que "ameaçavam a liberdade acadêmica, a London School of Economics and Political Science (LSE) cancelou uma conferência sobre a chamada Primavera Árabe e suas consequências intitulada Oriente Médio: transição no mundo árabe, que seria realizada nos Emirados Árabes Unidos (EAU).
O codiretor do programa sobre Kuwait da LSE, Kristian Coates Ulrichsen, foi preso e deportado no aeroporto de Dubai quando chegava com colegas para a conferência, organizada em cooperação com a Universidade Americana de Sharjah, um dos EAU, reporta a televisão pública britânica BBC.
A LSE, a faculdade de economia e ciências políticas da Universidade de Londres, é especialmente sensível porque foi acusada, em 2011, de receber dinheiro do ditador líbio Muamar Kadafi, contrariando pareceres de seus próprios especialistas em mundo árabe, e de dar um título de doutor a seu filho Seif al-Islam al-Kadafi.
Seu programa de Oriente Médio recebeu US$ 8,5 milhões da Fundação Emirados, que afirma não impor nenhum tipo de censura.
O codiretor do programa sobre Kuwait da LSE, Kristian Coates Ulrichsen, foi preso e deportado no aeroporto de Dubai quando chegava com colegas para a conferência, organizada em cooperação com a Universidade Americana de Sharjah, um dos EAU, reporta a televisão pública britânica BBC.
A LSE, a faculdade de economia e ciências políticas da Universidade de Londres, é especialmente sensível porque foi acusada, em 2011, de receber dinheiro do ditador líbio Muamar Kadafi, contrariando pareceres de seus próprios especialistas em mundo árabe, e de dar um título de doutor a seu filho Seif al-Islam al-Kadafi.
Seu programa de Oriente Médio recebeu US$ 8,5 milhões da Fundação Emirados, que afirma não impor nenhum tipo de censura.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Morre o professor Fred Halliday
Morreu de câncer aos 64 anos o professor Fred Halliday, grande fera do Departamento de Relações Internacionais da London School of Economics e meu orientador quando passei por lá, nos anos 90. Acabo de ler no Guardian.
Católico e irlandês, Fred nasceu em Dublin e foi criado em Dandalk, perto da fronteira com Irlanda do Norte. Ele contava que sua babá era alinhada ideologicamente com o Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda.
Cedo, Fred aprendeu a desconfiar de nacionalismos, impérios e religiões. Era radical, de esquerda. Foi editor da New Left Review, a grande publicação intelecual da esquerda britânica, foi assessor da Câmara da Grande Londres sob Ken Livingstone, antes dela ser dissolvida pela primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher.
Internacionalista e cosmpolita, Fred Halliday falava oito línguas (inglês, francês, espanhol, português, italiano, alemão, russo, árabe e persa). Na LSE, foi catedrático das cadeiras de Política Internacional, Oriente Médio desde 1914, Revoluções e o Sistema Internacional e a Mulher no Sistema Internacional, no Mestrado em Relações Internacionais.
Especialista em Oriente Médio e na Guerra Fria, fez tese de doutorado sobre a revolução marxista no Iêmen. Foi autor de mais de 20 livros, entre eles Arábia sem Sultões, Segunda Guerra Fria, Islã: o Mito da Confrontação (rebatendo a tese do choque de civilizações), Duas Horas que Abalaram o Mundo (sobre os atentados de 11 de setembro).
Foi um grande polemista. Suas análises e entrevistas o transformaram num intelectual bastante consultado pela mídia britânica.
Em sua aula de despedida na LSE, Fred terminou com Quem Nunca Viveu uma Paixão, de Vinicius de Moraes e Toquinho, lamentando não ter usado mais música nas aulas.
Internacionalista e cosmpolita, Fred Halliday falava oito línguas (inglês, francês, espanhol, português, italiano, alemão, russo, árabe e persa). Na LSE, foi catedrático das cadeiras de Política Internacional, Oriente Médio desde 1914, Revoluções e o Sistema Internacional e a Mulher no Sistema Internacional, no Mestrado em Relações Internacionais.
Especialista em Oriente Médio e na Guerra Fria, fez tese de doutorado sobre a revolução marxista no Iêmen. Foi autor de mais de 20 livros, entre eles Arábia sem Sultões, Segunda Guerra Fria, Islã: o Mito da Confrontação (rebatendo a tese do choque de civilizações), Duas Horas que Abalaram o Mundo (sobre os atentados de 11 de setembro).
Foi um grande polemista. Suas análises e entrevistas o transformaram num intelectual bastante consultado pela mídia britânica.
Em sua aula de despedida na LSE, Fred terminou com Quem Nunca Viveu uma Paixão, de Vinicius de Moraes e Toquinho, lamentando não ter usado mais música nas aulas.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Ex-chefe do programa do Irã fala em apartheid nuclear
LONDRES - O chefe do programa nuclear do Irã no governo do xá Reza Pahlevi denunciou hoje aqui as pressões internacionais para impedir que o país desenvolva o ciclo completo da energia atômica de apartheid nuclear.
Em palestra na London School of Economics, promovida pela organização Iranianos pela Paz, o Dr. Akbar Eternad admitiu que o Irã descumpriu obrigações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e alegou que o estágio de desenvolvimento do programa nuclear iraniano ainda precisa de 10 anos para fazer a bomba. Mas não explicou como um exilado político que não confia no regime de seu país pode ter tanta certeza de que ele não seria irresponsável de posse de armas atômicas.
"O Irã não é uma democracia, mas o Paquistão também não é tem armas nucleares e é aliado dos Estados Unidos", argumentou. "A Arábia Saudita não é uma democracia e é aliada dos EUA."
A palavra apartheid (nome do regime segragacionista que governava a África do Sul até 1884) foi usada em relação ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de 1968, que cria duas categorias de países, as potências nucleares que tinha a bomba atômica na época e os demais países, que foram proibidos de desenvolver armas nucleares.
Em troca, os países não-nucleares militarmente teriam o direito de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, alegação usada pelo governo iraniano para se justificar, e as potências nucleares se comprometeram a negociar o totalmente desarmamento nuclear. Isso nunca ocorreu.
Em palestra na London School of Economics, promovida pela organização Iranianos pela Paz, o Dr. Akbar Eternad admitiu que o Irã descumpriu obrigações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e alegou que o estágio de desenvolvimento do programa nuclear iraniano ainda precisa de 10 anos para fazer a bomba. Mas não explicou como um exilado político que não confia no regime de seu país pode ter tanta certeza de que ele não seria irresponsável de posse de armas atômicas.
"O Irã não é uma democracia, mas o Paquistão também não é tem armas nucleares e é aliado dos Estados Unidos", argumentou. "A Arábia Saudita não é uma democracia e é aliada dos EUA."
A palavra apartheid (nome do regime segragacionista que governava a África do Sul até 1884) foi usada em relação ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de 1968, que cria duas categorias de países, as potências nucleares que tinha a bomba atômica na época e os demais países, que foram proibidos de desenvolver armas nucleares.
Em troca, os países não-nucleares militarmente teriam o direito de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, alegação usada pelo governo iraniano para se justificar, e as potências nucleares se comprometeram a negociar o totalmente desarmamento nuclear. Isso nunca ocorreu.
domingo, 16 de março de 2008
Prof. Fred Halliday invoca Vinicius de Moraes
Um dos mais prestigiados acadêmicos e uma das mentes mais brilhantes que conheci, o professor Fred Halliday, encerrou sua carreira como professor da London School of Economics em 30 de janeiro falando sobre As Relações Internacionais na Era Pós-Hegemômica.
Foi uma palestra cheia de referências históricas e teóricas, como Fred costumava fazer, com requintes de teatralidade e do humor desse irlandês nascido a poucos quilômetros ao sul da turbulenta fronteira com a Irlanda do Norte, em Dandalk, uma área de intensa atividade do Exército Republicano Irlandês (IRA).
Filho daquele ambiente revolucionário, criado com a ajuda de uma babá ideologicamente orientada pelo IRA, desde cedo Fred aprendeu a desconfiar de impérios, nacionalismos e religiões, de dogmas, de certezas e de idéias pré-concebidas.
Sem analisar o conjunto da palestra, o que me obrigaria a ouvi-la mais de uma vez atentamente, fiquei particularmente comovido ao ouvir meu orientador dizer que, se tivesse de começar de novo, usaria mais filmes e músicas em suas aulas, ilustrando-a com uma música brasileira.
Para se despedir, em sua mensagem final, invocou o poeta e diplomata Vinicius de Moraes, citando-a como exemplo de como reinterpretar temas clássicos - a música original é do compositor barroco Tomaso Albinoni - à luz de modernidade com fidelidade ao original. E concluiu com os versos do poetinha: "Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não".
Obrigado, Vinicius! Obrigado, Fred Halliday!
Ouça a íntegra da última aula do professor Halliday no site da LSE , onde também está o texto completo.
Foi uma palestra cheia de referências históricas e teóricas, como Fred costumava fazer, com requintes de teatralidade e do humor desse irlandês nascido a poucos quilômetros ao sul da turbulenta fronteira com a Irlanda do Norte, em Dandalk, uma área de intensa atividade do Exército Republicano Irlandês (IRA).
Filho daquele ambiente revolucionário, criado com a ajuda de uma babá ideologicamente orientada pelo IRA, desde cedo Fred aprendeu a desconfiar de impérios, nacionalismos e religiões, de dogmas, de certezas e de idéias pré-concebidas.
Sem analisar o conjunto da palestra, o que me obrigaria a ouvi-la mais de uma vez atentamente, fiquei particularmente comovido ao ouvir meu orientador dizer que, se tivesse de começar de novo, usaria mais filmes e músicas em suas aulas, ilustrando-a com uma música brasileira.
Para se despedir, em sua mensagem final, invocou o poeta e diplomata Vinicius de Moraes, citando-a como exemplo de como reinterpretar temas clássicos - a música original é do compositor barroco Tomaso Albinoni - à luz de modernidade com fidelidade ao original. E concluiu com os versos do poetinha: "Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não".
Obrigado, Vinicius! Obrigado, Fred Halliday!
Ouça a íntegra da última aula do professor Halliday no site da LSE , onde também está o texto completo.
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