O linguista Noam Chomsky e mais de 30 acadêmicos do mundo inteiro decidiram boicotar uma conferência sobre marxismo a ser realizada em Beijim pelo regime comunista da China em protesto contra a prisão de estudantes que defendiam o direito de trabalhadores de se organizarem em sindicatos.
A maioria dos acadêmicos envolvidos no boicote é de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido. Chomsky, professor da Universidade do Arizona, escreveu a seguinte declaração: "Continuar participando de eventos sobre marxismo patrocinados oficialmente significaria ser cúmplice do jogo do governo chinês. Acadêmicos de esquerda do mundo inteiro devem aderir ao boicote destas conferências e eventos."
Nos últimos quatro meses, a ditadura de Xi Jinping prendeu estudantes de várias universidades importantes por apoiarem um movimento de trabalhadores para criar um sindicato livre na fábrica da empresa Jasic Technology, na cidade de Shenzhen, um dos principais polos industriais surgiram com as reformas e a abertura econômica lançadas há 40 pelo líder Deng Xiaoping.
Sob a ditadura de Xi, líder do partido desde 2012 e presidente do país desde 2013, o regime comunista se mostra cada mais intolerante com movimentos de base, especialmente de uma possível aliança entre operários e estudantes, que está na origem do Partido Comunista.
Há duas semanas, em mais uma onda repressiva, estudantes foram presos ou sequestrados, inclusive Zhang Shengye, empurrado à força para dentro de um carro por homens vestidos de preto dentro do campus da Universidade de Beijim.
"Com base nas informações que recebemos, mais estudantes estão em perigo", declarou um grupo de acadêmicos, entre eles Elaine Hui, professora adjunta da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, que lançou o apelo inicial para boicotar o Congresso Mundial sobre Marxismo promovido pela ditadura comunista chinesa e "conferências similares".
Num sinal de endurecimento, o regime comunista chinês nomeou no mês passado o ex-agente de segurança do Estado Qiu Shiping como secretário do partido dentro da Universidade de Beijim para realizar "inspeções disciplinares" e de "gerenciamento e controle", jargão utilizado para justificar a repressão.
O professor emérito de sociologia na London School of Economics (LSE) Leslie Sklair pediu a seus colegas que investiguem as relações entre suas universidades e as universidades chinesas cúmplices na repressão governamental. Várias universidades americanas e europeias estão rompendo acordos acadêmicos com a China por causa do controle crescente da ditadura de Xi Jinping sobre as atividades intelectuais e de pesquisa.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Chomsky adere a boicote a conferência sobre marxismo na China
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Suprema Corte proíbe sindicatos do setor público de fazer cobrança obrigatória
Num duro golpe nos sindicatos do serviço público, por 5 a 4, a maioria conservadora da Suprema Corte dos Estados Unidos proibiu a cobrança de mensalidades e taxas obrigatórias, decidindo que só deve pagar quem quiser.
"Os empregados devem escolher apoiar o sindicato antes de qualquer coisa ser cobrada deles", escreveu o relator, ministro Samuel Alito. Caso contrário, estariam financiando as mensagens oficiais do sindicato mesmo sem concordar com elas, numa violação dos direitos de liberdade de expressão e de livre associação para fins pacíficos garantidos na Emenda nº 1 à Constituição dos EUA.
Na Casa Branca, o presidente Donald Trump festejou "uma grande perda para os cofres do Partido Democrata".
A decisão deve abalar ainda mais o movimento sindical americano, que está em declínio há décadas, com queda no número de trabalhadores associados, especialmente no setor privado.
"O caso é uma manobra política para eliminar o poder das pessoas que trabalham de sustentar suas famílias e o poder de seus sindicatos", protestou Harold Schaitberger, presidente da Associação Internacional de Bombeiros, que representa 85% dos bombeiros e paramédicos dos EUA.
Os atuais ministros revogaram uma decisão da Suprema Corte de 1977, que autorizava os sindicatos do setor público a cobrar taxas. Esse dinheiro poderia cobrir despesas administrativas, mas não ser empregado em atividades políticas dos sindicatos.
"Os empregados devem escolher apoiar o sindicato antes de qualquer coisa ser cobrada deles", escreveu o relator, ministro Samuel Alito. Caso contrário, estariam financiando as mensagens oficiais do sindicato mesmo sem concordar com elas, numa violação dos direitos de liberdade de expressão e de livre associação para fins pacíficos garantidos na Emenda nº 1 à Constituição dos EUA.
Na Casa Branca, o presidente Donald Trump festejou "uma grande perda para os cofres do Partido Democrata".
A decisão deve abalar ainda mais o movimento sindical americano, que está em declínio há décadas, com queda no número de trabalhadores associados, especialmente no setor privado.
"O caso é uma manobra política para eliminar o poder das pessoas que trabalham de sustentar suas famílias e o poder de seus sindicatos", protestou Harold Schaitberger, presidente da Associação Internacional de Bombeiros, que representa 85% dos bombeiros e paramédicos dos EUA.
Os atuais ministros revogaram uma decisão da Suprema Corte de 1977, que autorizava os sindicatos do setor público a cobrar taxas. Esse dinheiro poderia cobrir despesas administrativas, mas não ser empregado em atividades políticas dos sindicatos.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Salário mínimo de Portugal sobe para 557 euros em janeiro
O governo esquerdista de Portugal chegou a um acordo na semana passada com sindicatos patronais e trabalhistas para fixar a remuneração mínima mensal em 557 euros, cerca de R$ 2,2 mil, por mês a partir de janeiro de 2017. Em contrapartida, as empresas vão pagar 1,25 ponto percentual a menos na taxa social única.
É um reajuste de 5%. O salário mínimo nacional português em 2016 foi de 530 euros mensais. Em nota, curta, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) declarou estar satisfeita.
Portugal tem um dos salários mínimos mais baixos da Zona do Euro. Quando o país estava submetido a um programa de ajuste fiscal imposto pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional, de 2011 a 2014, o salário mínimo ficou congelado em 485 euros.
Até 2019, o salário mínimo português deve chegar a 600 euros por mês.
É um reajuste de 5%. O salário mínimo nacional português em 2016 foi de 530 euros mensais. Em nota, curta, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) declarou estar satisfeita.
Portugal tem um dos salários mínimos mais baixos da Zona do Euro. Quando o país estava submetido a um programa de ajuste fiscal imposto pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional, de 2011 a 2014, o salário mínimo ficou congelado em 485 euros.
Até 2019, o salário mínimo português deve chegar a 600 euros por mês.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
62 bilionários têm tanta riqueza quanto 3,6 bilhões mais pobres
A crise econômica internacional aumentou ainda mais a concentração da riqueza. Hoje o 1% mais rico tem mais do que os outros 99% e 62 bilionários têm tanta riqueza quanto o conjunto dos 3,6 bilhões mais pobres, adverte relatório divulgado hoje pela organização não governamental britânica Oxfam (Comitê de Oxford para o Alívio da Fome).
Os números são impressionantes: "Uma rede global de paraísos fiscais permite aos indivíduos mais ricos esconder US$ 7,6 trilhões" das autoridades fiscais, mais do que toda a riqueza produzida anualmente na Alemanha e no Reino Unido juntos, denuncia o estudo. A receita perdida é estimada em US$ 190 bilhões por ano. "A luta contra a pobreza não será vencida enquanto a desigualdade não for atacada."
Em 2015, os 62 mais ricos acumulavam tanta riqueza quanto a metade mais pobre da humanidade. Em 2010, era necessário juntar as fortunas dos 388 mais ricos para tanto, alerta o documento, divulgado dois dias antes antes do início da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
A riqueza dos 62 mais ricos aumentou 44% nos últimos cinco anos. Eles ganharam em conjunto mais US$ 542 bilhões. A metade mais pobre ganhou 41% menos do antes, uma perda de US$ 1 trilhão.
Desde o início do século, a metade mais pobre levou apenas 1% do aumento da renda mundial, enquanto metade foi para o 1% mais rico.
"No Brasil, onde a desigualdade de renda permanece extremamente alta, a renda dos 50% mais pobres mais do que dobrou em termos reais entre 1988 e 2011, aumentando um pouco mais rápido do que a dos 10% mais ricos", observa a Oxfam. "Mas o aumento da renda dos 10% mais ricos representou muito mais dólares em termos absolutos, tanto que a diferença entre as rendas médias dos dois grupos também quase dobrou", de US$ 113 bilhões para US$ 194 bilhões.
O relatório reconhece que o número de pessoas vivendo na miséria caiu pela metade entre 1990 e 2010, quando 1 bilhão de pessoas saíram da pobreza absoluta, mas faz uma ressalva: mais 200 milhões teriam saído da miséria se a concentração da riqueza não tivesse aumentado.
Se os pobres houvessem recebido uma fatia maior do crescimento do que os ricos, seriam 700 milhões a mais, afirma a Oxfam.
Pelos cálculos do Banco Mundial, 700 milhões de pessoas ainda vivem na pobreza absoluta, ganhando menos de US$ 1,90 (R$ 7,66) por dia. Neste ritmo, se não houver um crescimento que beneficie os mais pobres, a pobreza absoluta não será erradicada e, em 2030, ainda haverá 500 milhões de miseráveis.
O Fundo Monetário Internacional constatou que países com maior desigualdade de renda também revelam maior desigualdade entre homens e mulheres, em saúde, educação, participação no mercado de trabalho e representação parlamentar.
Em quase todos os países ricos e na maior parte dos países em desenvolvimento, a fatia da renda nacional que remunera o trabalho diminui enquanto os ganhos do capital (juros, dividendos, lucros e aluguéis) avançam em ritmo superior ao crescimento da economia.
A sonegação de impostos e a redução dos impostos sobre estes ganhos ampliam a desigualdade. Como observou o bilionário e megainvestidor americano Warren Buffett, no país mais rico do mundo, ele paga impostos numa alíquota menor do que todos os outros em seu escritório, inclusive a faxineira e a secretária.
Cerca de 30% da riqueza dos africanos mais ricos, num total de US$ 500 bilhões, estão guardados em paraísos fiscais. Isso implica uma perda de receita de US$ 14 bilhões no continente mais pobre do mundo. Esse dinheiro seria suficiente para evitar a morte de 4 milhões de crianças e empregar professores suficientes para educar todas as crianças da África.
Desde 2009, a remuneração dos diretores-presidentes das grandes empresas dos Estados Unidos subiu 54,3%, enquanto os salários reais ficaram praticamente estagnados. Na Índia, os diretores-presidentes de empresas de informática recebem em média 416 vezes mais do que o salário médio dos empregados.
"No Brasil e no México, os povos indígenas são desproporcionalmente afetados pela destruição de suas terras ancestrais quando florestas são derrubadas para abrir espaço para a mineração e a agricultura", afirma a Oxfam. As privatizações, "como aconteceu na Rússia depois da queda do comunista, por exemplo, geraram enormes fortunas da noite para o dia para um pequeno grupo de indivíduos."
O setor financeiro, amplamente beneficiado pelo sigilo bancário, a desregulamentação, as privatizações e a globalização da economia, é responsável hoje por um em cada cinco bilionários. Um estudo recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que os países com setores financeiros maiores sofrem com maior instabilidade econômica e desigualdade.
No setor têxtil, grandes empresas abusam de seu poder de mercado para pagar salários de fome, diz o relatório. De 2001 a 2011, os salários dos tecelões nos 15 maiores exportadores de tecidos caíram em termos reais, em parte pela aceitação de salários menores pelas mulheres, uma estratégia para aumentar os lucros.
Para atacar o problema, que agrava a crise econômica mundial, a Oxfam faz uma série de propostas:
• Aumentar os salários mínimos para níveis que garantam uma vida digna, aumentar a transparência para revelar as desigualdades entre assalariados e executivos, e proteger o direito do trabalhador de se organizar em sindicatos e fazer greve.
• Promover os direitos das mulheres e salários iguais para homens e mulheres na mesma função, e dar os mesmos direitos às mulheres na divisão de heranças entre a família.
• Controlar a influência de elites econômicas fiscalizando lobistas e criando regras rígidas para evitar conflitos de interesses; garantir o acesso do público a informações sobre orçamentos e gastos públicos; evitar o financiamento eleitoral por empresas; e tomar medidas para evitar a circulação em portas giratórias entre grandes empresas e o governo.
• Mudar o sistema global de pesquisa e desenvolvimento da indústria farmacêutica para garantir a todos o acesso a medicamentos apropriados a preços módicos, excluindo as regras sobre propriedade intelectual de acordos comerciais.
• Mudar a carga fiscal sobre o trabalho e o consumo para impostos sobre a riqueza, o capital e a renda; aumentar a transparência sobre incentivos fiscais; e introduzir impostos nacionais sobre a riqueza.
• Orientar os gastos públicos para combater a desigualdade, priorizando investimentos em saúde e educação gratuitas, aumentando a participação do setor público na oferta de serviços essenciais.
De imediato, a Oxfam desafia os líderes mundiais a acabar com os paraísos fiscais.
Os números são impressionantes: "Uma rede global de paraísos fiscais permite aos indivíduos mais ricos esconder US$ 7,6 trilhões" das autoridades fiscais, mais do que toda a riqueza produzida anualmente na Alemanha e no Reino Unido juntos, denuncia o estudo. A receita perdida é estimada em US$ 190 bilhões por ano. "A luta contra a pobreza não será vencida enquanto a desigualdade não for atacada."
Em 2015, os 62 mais ricos acumulavam tanta riqueza quanto a metade mais pobre da humanidade. Em 2010, era necessário juntar as fortunas dos 388 mais ricos para tanto, alerta o documento, divulgado dois dias antes antes do início da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
A riqueza dos 62 mais ricos aumentou 44% nos últimos cinco anos. Eles ganharam em conjunto mais US$ 542 bilhões. A metade mais pobre ganhou 41% menos do antes, uma perda de US$ 1 trilhão.
Desde o início do século, a metade mais pobre levou apenas 1% do aumento da renda mundial, enquanto metade foi para o 1% mais rico.
"No Brasil, onde a desigualdade de renda permanece extremamente alta, a renda dos 50% mais pobres mais do que dobrou em termos reais entre 1988 e 2011, aumentando um pouco mais rápido do que a dos 10% mais ricos", observa a Oxfam. "Mas o aumento da renda dos 10% mais ricos representou muito mais dólares em termos absolutos, tanto que a diferença entre as rendas médias dos dois grupos também quase dobrou", de US$ 113 bilhões para US$ 194 bilhões.
O relatório reconhece que o número de pessoas vivendo na miséria caiu pela metade entre 1990 e 2010, quando 1 bilhão de pessoas saíram da pobreza absoluta, mas faz uma ressalva: mais 200 milhões teriam saído da miséria se a concentração da riqueza não tivesse aumentado.
Se os pobres houvessem recebido uma fatia maior do crescimento do que os ricos, seriam 700 milhões a mais, afirma a Oxfam.
Pelos cálculos do Banco Mundial, 700 milhões de pessoas ainda vivem na pobreza absoluta, ganhando menos de US$ 1,90 (R$ 7,66) por dia. Neste ritmo, se não houver um crescimento que beneficie os mais pobres, a pobreza absoluta não será erradicada e, em 2030, ainda haverá 500 milhões de miseráveis.
O Fundo Monetário Internacional constatou que países com maior desigualdade de renda também revelam maior desigualdade entre homens e mulheres, em saúde, educação, participação no mercado de trabalho e representação parlamentar.
Em quase todos os países ricos e na maior parte dos países em desenvolvimento, a fatia da renda nacional que remunera o trabalho diminui enquanto os ganhos do capital (juros, dividendos, lucros e aluguéis) avançam em ritmo superior ao crescimento da economia.
A sonegação de impostos e a redução dos impostos sobre estes ganhos ampliam a desigualdade. Como observou o bilionário e megainvestidor americano Warren Buffett, no país mais rico do mundo, ele paga impostos numa alíquota menor do que todos os outros em seu escritório, inclusive a faxineira e a secretária.
Cerca de 30% da riqueza dos africanos mais ricos, num total de US$ 500 bilhões, estão guardados em paraísos fiscais. Isso implica uma perda de receita de US$ 14 bilhões no continente mais pobre do mundo. Esse dinheiro seria suficiente para evitar a morte de 4 milhões de crianças e empregar professores suficientes para educar todas as crianças da África.
Desde 2009, a remuneração dos diretores-presidentes das grandes empresas dos Estados Unidos subiu 54,3%, enquanto os salários reais ficaram praticamente estagnados. Na Índia, os diretores-presidentes de empresas de informática recebem em média 416 vezes mais do que o salário médio dos empregados.
"No Brasil e no México, os povos indígenas são desproporcionalmente afetados pela destruição de suas terras ancestrais quando florestas são derrubadas para abrir espaço para a mineração e a agricultura", afirma a Oxfam. As privatizações, "como aconteceu na Rússia depois da queda do comunista, por exemplo, geraram enormes fortunas da noite para o dia para um pequeno grupo de indivíduos."
O setor financeiro, amplamente beneficiado pelo sigilo bancário, a desregulamentação, as privatizações e a globalização da economia, é responsável hoje por um em cada cinco bilionários. Um estudo recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que os países com setores financeiros maiores sofrem com maior instabilidade econômica e desigualdade.
No setor têxtil, grandes empresas abusam de seu poder de mercado para pagar salários de fome, diz o relatório. De 2001 a 2011, os salários dos tecelões nos 15 maiores exportadores de tecidos caíram em termos reais, em parte pela aceitação de salários menores pelas mulheres, uma estratégia para aumentar os lucros.
Para atacar o problema, que agrava a crise econômica mundial, a Oxfam faz uma série de propostas:
• Aumentar os salários mínimos para níveis que garantam uma vida digna, aumentar a transparência para revelar as desigualdades entre assalariados e executivos, e proteger o direito do trabalhador de se organizar em sindicatos e fazer greve.
• Promover os direitos das mulheres e salários iguais para homens e mulheres na mesma função, e dar os mesmos direitos às mulheres na divisão de heranças entre a família.
• Controlar a influência de elites econômicas fiscalizando lobistas e criando regras rígidas para evitar conflitos de interesses; garantir o acesso do público a informações sobre orçamentos e gastos públicos; evitar o financiamento eleitoral por empresas; e tomar medidas para evitar a circulação em portas giratórias entre grandes empresas e o governo.
• Mudar o sistema global de pesquisa e desenvolvimento da indústria farmacêutica para garantir a todos o acesso a medicamentos apropriados a preços módicos, excluindo as regras sobre propriedade intelectual de acordos comerciais.
• Mudar a carga fiscal sobre o trabalho e o consumo para impostos sobre a riqueza, o capital e a renda; aumentar a transparência sobre incentivos fiscais; e introduzir impostos nacionais sobre a riqueza.
• Orientar os gastos públicos para combater a desigualdade, priorizando investimentos em saúde e educação gratuitas, aumentando a participação do setor público na oferta de serviços essenciais.
De imediato, a Oxfam desafia os líderes mundiais a acabar com os paraísos fiscais.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Três centrais sindicais fazem greve geral na Argentina
Três das cinco centrais sindicais da Argentina lideram hoje uma greve geral contra a política econômica do governo Cristina Kirchner. Com ônibus, trens, metrô e aeroportos praticamente parados, e piquetes dificultando o acesso à capital, muitas lojas de Buenos Aires não abriram. Quinze voos entre Brasil e Argentina foram cancelados.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT) declarou que "milhões de trabalhadores aderiram à paralisação". O governo tentou minimizar o protesto, descrevendo-o como uma "greve dos transportes". Para o Clarín, jornal de maior circulação na Argentina, o movimento é forte.
Os sindicalistas acusam a presidente de "trair os ideias trabalhistas do peronismo". Com a manipulação das estatísticas, inclusive dos índices de inflação, nos últimos anos, as centrais sindicais se afastaram do governo.
Enquanto institutos privados acreditam que a inflação de 2013 tenha superado os 28%, o governo anunciou uma inflação oficial de 10,9%, prejudicando os sindicatos nas negociações salariais. Seus líderes perderam postos no kirchnerismo, que substituiu os sindicatos pelo movimento jovem peronista La Cámpora, dirigido pelos filhos de Cristina, como sua principal base de apoio.
Diante de uma expectativa de inflação de 40% a 50% em 2014, os trabalhadores estão exigindo reajustes salariais de 30% a 50% para recompor o poder de compra, enquanto aumenta o número de linchamentos em reação à criminalidade crescente.
É o fracasso total do populismo kirchnerista - e a Argentina ainda terá de aguentar Cristina Kirchner por mais um ano e oito meses.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT) declarou que "milhões de trabalhadores aderiram à paralisação". O governo tentou minimizar o protesto, descrevendo-o como uma "greve dos transportes". Para o Clarín, jornal de maior circulação na Argentina, o movimento é forte.
Os sindicalistas acusam a presidente de "trair os ideias trabalhistas do peronismo". Com a manipulação das estatísticas, inclusive dos índices de inflação, nos últimos anos, as centrais sindicais se afastaram do governo.
Enquanto institutos privados acreditam que a inflação de 2013 tenha superado os 28%, o governo anunciou uma inflação oficial de 10,9%, prejudicando os sindicatos nas negociações salariais. Seus líderes perderam postos no kirchnerismo, que substituiu os sindicatos pelo movimento jovem peronista La Cámpora, dirigido pelos filhos de Cristina, como sua principal base de apoio.
Diante de uma expectativa de inflação de 40% a 50% em 2014, os trabalhadores estão exigindo reajustes salariais de 30% a 50% para recompor o poder de compra, enquanto aumenta o número de linchamentos em reação à criminalidade crescente.
É o fracasso total do populismo kirchnerista - e a Argentina ainda terá de aguentar Cristina Kirchner por mais um ano e oito meses.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Setor público faz greve de protesto na Turquia
A Confederação dos Sindicatos do Setor Público entrou em greve ao meio-dia de hoje pelo horário da Turquia. Amanhã, membros da Confederação dos Sindicatos Progressistas devem parar de trabalhar e ir para a Praça Taksim, centro das manifestações contra o governo, que tiveram ontem a segunda morte.
Um estudante havia morrido ao ser atropelado por um táxi em Istambul. Ontem à noite, outro jovem morreu ao ser baleado por um atirador não identificado na cidade de Antáquia.
Com a viagem ao Norte da África que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan preferiu não adiar para dar uma falsa aparência de normalidade, o vice-primeiro-ministro Bulent Arinc pediu desculpas pela violência policial e acusou "elementos terroristas" pelos confrontos. Talvez seja tarde demais. Os manifestantes exigem a renúncia do governo.
Hoje é o oitavo dia de uma onda de protestos que começou em 28 de maio de 2013 com menos de cem pessoas contrárias a uma reforma para construir um centro comercial, privatizando um espaço público usado historicamente para manifestações. Cerca de 3,2 mil pessoas saíram feridas e 2 mil foram presas.
Depois do pedido de desculpas do governo, a polícia parou de usar gás lacrimogênio e disse aos manifestantes que não os atacaria se não for atacada. Pela primeira vez, este foi um dia de protestos pacíficos.
Erdogan foi eleito primeiro-ministro três vezes. Está no poder há mais de dez anos. Como não pode concorrer a um quarto mandato, está manobrando para aprovar uma reforma constitucional, trocar o parlamentarismo pelo presidencialismo, eleger-se presidente e governar a Turquia por mais dez anos.
A Bolsa de Valores sofreu uma forte queda, abalando a imagem de estabilidade política, poderio econômico crescente e liberdades públicas promovida pelo governo. Se a violência política afastar os turistas do país durante o verão no Hemisfério Norte, a crise vai se agravar ainda mais.
Como o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, do turco), islamita moderado, tem apoio da "maioria silenciosa", especialmente na conservadora região da Anatólia, os analistas não esperam a queda do governo, mas temem uma repressão ainda mais violenta para acabar com os protestos.
Os manifestantes são na maioria estudantes e profissionais jovens. Várias universidades com direção crítica ao governo Erdogan adiaram os exames do fim do ano letivo para liberar os estudantes para participar dos protestos.
Assim, as atenções estão voltadas para a Praça Taksim, mas os manifestantes não representam a maioria da população turca e as oposições estão divididas. Eles vêm principalmente da classe média urbana secularista que teme a islamização da Turquia e do Partido Popular Republicano, o maior da oposição. Incluem jovens ambientalistas, esquerdistas veteranos, membros mais liberais do partido do governo preocupados com o autoritarismo de Erdogan, empresários revoltados com a corrupção, curdos do Partido da Paz e Democracia, militantes do movimento islamita moderado Gulen e ultradireitistas do Partido Movimento Nacionalista.
Com esta salada ideológica, é improvável a unidade das oposições.
As manifestações já afetam a economia turca, especialmente o setor turístico. Se os protestos se tornarem mais violentos, com ataques a prédios e incêndio de carros, a opinião pública pode se voltar contra os manifestantes e aprovar medidas mais duras do governo, que no momento aposta no esgotamento do protesto por fadiga.
Um estudante havia morrido ao ser atropelado por um táxi em Istambul. Ontem à noite, outro jovem morreu ao ser baleado por um atirador não identificado na cidade de Antáquia.
Com a viagem ao Norte da África que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan preferiu não adiar para dar uma falsa aparência de normalidade, o vice-primeiro-ministro Bulent Arinc pediu desculpas pela violência policial e acusou "elementos terroristas" pelos confrontos. Talvez seja tarde demais. Os manifestantes exigem a renúncia do governo.
Hoje é o oitavo dia de uma onda de protestos que começou em 28 de maio de 2013 com menos de cem pessoas contrárias a uma reforma para construir um centro comercial, privatizando um espaço público usado historicamente para manifestações. Cerca de 3,2 mil pessoas saíram feridas e 2 mil foram presas.
Depois do pedido de desculpas do governo, a polícia parou de usar gás lacrimogênio e disse aos manifestantes que não os atacaria se não for atacada. Pela primeira vez, este foi um dia de protestos pacíficos.
Erdogan foi eleito primeiro-ministro três vezes. Está no poder há mais de dez anos. Como não pode concorrer a um quarto mandato, está manobrando para aprovar uma reforma constitucional, trocar o parlamentarismo pelo presidencialismo, eleger-se presidente e governar a Turquia por mais dez anos.
A Bolsa de Valores sofreu uma forte queda, abalando a imagem de estabilidade política, poderio econômico crescente e liberdades públicas promovida pelo governo. Se a violência política afastar os turistas do país durante o verão no Hemisfério Norte, a crise vai se agravar ainda mais.
Como o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, do turco), islamita moderado, tem apoio da "maioria silenciosa", especialmente na conservadora região da Anatólia, os analistas não esperam a queda do governo, mas temem uma repressão ainda mais violenta para acabar com os protestos.
Os manifestantes são na maioria estudantes e profissionais jovens. Várias universidades com direção crítica ao governo Erdogan adiaram os exames do fim do ano letivo para liberar os estudantes para participar dos protestos.
Assim, as atenções estão voltadas para a Praça Taksim, mas os manifestantes não representam a maioria da população turca e as oposições estão divididas. Eles vêm principalmente da classe média urbana secularista que teme a islamização da Turquia e do Partido Popular Republicano, o maior da oposição. Incluem jovens ambientalistas, esquerdistas veteranos, membros mais liberais do partido do governo preocupados com o autoritarismo de Erdogan, empresários revoltados com a corrupção, curdos do Partido da Paz e Democracia, militantes do movimento islamita moderado Gulen e ultradireitistas do Partido Movimento Nacionalista.
Com esta salada ideológica, é improvável a unidade das oposições.
As manifestações já afetam a economia turca, especialmente o setor turístico. Se os protestos se tornarem mais violentos, com ataques a prédios e incêndio de carros, a opinião pública pode se voltar contra os manifestantes e aprovar medidas mais duras do governo, que no momento aposta no esgotamento do protesto por fadiga.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Ex-primeira-ministra Margaret Thatcher morre aos 87 anos
A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979-90) morreu hoje aos 87 anos em Londres de um acidente vascular cerebral. Mais importante chefe de governo do Reino Unido desde Winston Churchill, ela se aliou ao presidente americano Ronald Reagan para promover uma contrarrevolução conservadora na última década da Guerra Fria.
"Foi a maior líder britânica em tempos de paz", declarou o primeiro-ministro conservador David Cameron. Em Washington, o presidente Barack Obama comentou que o mundo perdeu "uma grande defensora da liberdade, e uma grande amiga dos Estados Unidos", reporta a televisão pública britânica BBC.
Margaret Hilda Thatcher foi a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefiou o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chegou ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.
A Dama de Ferro, apelido que ganhou da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista quando era líder da oposição, prometia resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.
Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras foi a privatização de empresas estatais, que ela considerava mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher queria transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começou esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.
Estavam lançadas as bases do thatcherismo, que incluíam recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.
Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".
O total de desempregados no Reino Unido subiu para 3 milhões, e o número de pobres aumentou quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher contou com uma ajuda inesperada.
A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 foi um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa foi deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas foram retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.
Humilhada, a ditadura militar argentina caiu. Fortalecida, Thatcher obteve sua maior vitória eleitoral em 1983. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, partiu para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixou o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.
Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassou. Os mineiros e o sindicalismo em geral perderam força.
Também em 1984, Margaret Thatcher sobreviveu a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. Foi uma tentativa de vingar as mortes de militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.
No mesmo ano, Thatcher convidou o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. Foi a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".
Naquela época, ela considerava o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.
Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. Foram mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizaram a Grã-Bretanha, mas aprofundaram a desigualdade.
A ex-primeira-ministra também foi uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chegou a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.
"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.
Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se tornou ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.
Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, foi repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017.
O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selou sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafiou a liderança da Margaret Thacher.
Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pediu demissão. Virou Baronesa Thatcher e foi para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permitiu, influenciou a vida política do país.
O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abriu uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.
Talvez seu maior legado tenha sido a profunda reforma política e econômica, que foi muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.
Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista fez uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que foram excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa foi a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.
Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Reagan foi a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, foi a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9, que ainda não terminou.
Acima de tudo, Thatcher ajudou a acabar com a Guerra Fria, resgatou o prestígio da economia de mercado e recuperou o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que dividiu o país, aumentou a desigualdade social e o afastou do resto da Europa.
"Foi a maior líder britânica em tempos de paz", declarou o primeiro-ministro conservador David Cameron. Em Washington, o presidente Barack Obama comentou que o mundo perdeu "uma grande defensora da liberdade, e uma grande amiga dos Estados Unidos", reporta a televisão pública britânica BBC.
Margaret Hilda Thatcher foi a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefiou o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chegou ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.
A Dama de Ferro, apelido que ganhou da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista quando era líder da oposição, prometia resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.
Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras foi a privatização de empresas estatais, que ela considerava mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher queria transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começou esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.
Estavam lançadas as bases do thatcherismo, que incluíam recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.
Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".
O total de desempregados no Reino Unido subiu para 3 milhões, e o número de pobres aumentou quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher contou com uma ajuda inesperada.
A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 foi um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa foi deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas foram retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.
Humilhada, a ditadura militar argentina caiu. Fortalecida, Thatcher obteve sua maior vitória eleitoral em 1983. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, partiu para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixou o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.
Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassou. Os mineiros e o sindicalismo em geral perderam força.
Também em 1984, Margaret Thatcher sobreviveu a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. Foi uma tentativa de vingar as mortes de militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.
No mesmo ano, Thatcher convidou o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. Foi a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".
Naquela época, ela considerava o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.
Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. Foram mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizaram a Grã-Bretanha, mas aprofundaram a desigualdade.
A ex-primeira-ministra também foi uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chegou a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.
"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.
Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se tornou ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.
Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, foi repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017.
O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selou sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafiou a liderança da Margaret Thacher.
Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pediu demissão. Virou Baronesa Thatcher e foi para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permitiu, influenciou a vida política do país.
O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abriu uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.
Talvez seu maior legado tenha sido a profunda reforma política e econômica, que foi muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.
Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista fez uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que foram excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa foi a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.
Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Reagan foi a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, foi a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9, que ainda não terminou.
Acima de tudo, Thatcher ajudou a acabar com a Guerra Fria, resgatou o prestígio da economia de mercado e recuperou o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que dividiu o país, aumentou a desigualdade social e o afastou do resto da Europa.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
Americanos são a favor dos sindicatos
A maioria dos americanos é a favor de que os trabalhadores se organizem em sindicatos para negociar coletivamente seus salários e condições de trabalho, indica uma pesquisa feita para a agência de notícias Bloomberg.
Cerca de 64% dos entrevista defendem a participação em sindicato, e 63% querem que os estados mantenham as promessas de seus programas de aposentadoria.
O tema entrou em discussão depois que o governador republicano do estado de Wisconsin propôs uma lei para proibir a participação dos sindicatos em negociações salariais do setor público. Vários outros governadores republicanos querem fazer o mesmo.
Em Wisconsin, os senadores democratas do Senado Estadual (nos EUA, há senados estaduais, seguindo a estrutura política do governo federal) deixaram o estado para negar quórum à votação da proposta, mas os republicanos conseguiram aprovar a lei.
"Dezoito senadores destruíram em meia hora 50 anos de conquistas", protestou o líder da oposição democrata, Mark Miller.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Greves aperto cerco sobre regime militar do Egito
Cerca de 6 mil trabalhadores de cinco empresas do Canal de Suez pararam de trabalhar na terça-feira à noite. Mais de 2 mil operários da indústria têxtil também pararam. São sinais de adesão dos sindicatos ao movimento pela democracia.
Esses dois setores são, ao lado do turismo, que está paralisado pela crise política, os mais importantes da economia egípcia.
O trânsito no Canal de Suez não foi afetado, mas aumenta a pressão sobre o regime militar do Egito.
Esses dois setores são, ao lado do turismo, que está paralisado pela crise política, os mais importantes da economia egípcia.
O trânsito no Canal de Suez não foi afetado, mas aumenta a pressão sobre o regime militar do Egito.
domingo, 26 de setembro de 2010
Velho trabalhismo ganha com Ed Miliband
Num duelo de irmãos, o ex-ministro do Meio Ambiente Ed Miliband venceu o ex-ministro do Exterior David Miliband, favorito da ala blairista, no duelo pela liderança do Partido Trabalhista do Reino Unido.
Ed Miliband teve 50,65% dos votos contra 49,35% recebidos pelos irmão David.
A vitória, com o apoio decisivo dos sindicatos, empurra os trabalhistas mais para a esquerda, tornando-o menos elegível na medida em que o afasta do eleitorado independente que votou nos partidos conservador e liberal-democrata, que no momento formam a coligação de governo.
Ed Miliband teve 50,65% dos votos contra 49,35% recebidos pelos irmão David.
A vitória, com o apoio decisivo dos sindicatos, empurra os trabalhistas mais para a esquerda, tornando-o menos elegível na medida em que o afasta do eleitorado independente que votou nos partidos conservador e liberal-democrata, que no momento formam a coligação de governo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Grandes protestos marcam greve geral na França
Entre 1,1 milhão e 2,5 milhões de pessoas marcharam hoje em várias cidades da França, durante uma greve geral de protesto contra o aumento da idade mínima para aposentadoria de 60 para 62 anos, estimam as centrais sindicais francesas.
No dia de protesto anterior contra a reforma previdenciária do presidente Nicolas Sarkozy, 24 de junho, a participação popular tinha sido estimada entre 800 mil e 2 milhões de pessoas.
No dia de protesto anterior contra a reforma previdenciária do presidente Nicolas Sarkozy, 24 de junho, a participação popular tinha sido estimada entre 800 mil e 2 milhões de pessoas.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Centrais convocam greve geral na Espanha
Duas centrais sindicais convocaram ontem uma greve geral para 2 de junho na Espanha em protesto contra a redução de 5% nos salários dos servidores públicos e outras medidas para equilibrar as contas públicas.
É a primeira reação forte contra as medidas anunciadas na terça-feira, 12 de maio de 2010, pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero para economizar 15 bilhões de euros nos próximos dois anos e reduzir o déficit público de 11% para 4% do produto interno bruto.
Na saída de um encontro com Rodríguez Zapatero no Palácio da Moncloa, os secretários-gerais da União Geral dos Trabalhadores, Cándido Méndez, e das Comissões Operárias, Ignacio Fernández Toxo, repudiaram as medidas.
"Esse sacrifício será imposto e os problemas não serão resolvidos", advertiu Méndez". Ao contrário, vão ficar muito piores.
É a primeira reação forte contra as medidas anunciadas na terça-feira, 12 de maio de 2010, pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero para economizar 15 bilhões de euros nos próximos dois anos e reduzir o déficit público de 11% para 4% do produto interno bruto.
Na saída de um encontro com Rodríguez Zapatero no Palácio da Moncloa, os secretários-gerais da União Geral dos Trabalhadores, Cándido Méndez, e das Comissões Operárias, Ignacio Fernández Toxo, repudiaram as medidas.
"Esse sacrifício será imposto e os problemas não serão resolvidos", advertiu Méndez". Ao contrário, vão ficar muito piores.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Gregos apoiam ajuste e são contra greves
Mais de 60% dos gregos aprovam o programa de ajuste das contas públicas do governo e são contra as greves já convocadas no setor público.
Os sindicatos convocaram várias greves de protesto contra o ajuste fiscal do governo, inclusive uma greve geral marcada para 24 de janeiro.
sábado, 8 de março de 2008
Dama de Ferro é hospitalizada no Reino Unido
A Baronesa Margaret Thatcher, primeira mulher a se tornar primeira-ministra do Reino Unido, foi internada para exames aos 82 anos. Seu estado de saúde é considerado estável.
Thatcher ganhou o apelido de Dama de Ferro da imprensa soviética por causa de um discurso anticomunista em 1976, quando era líder da oposição conservadora.
No poder, de 1979 a 1990, honrou a alcunha aplicando a linha dura contra sindicalistas para impor uma política econômica neoliberal destinada a fazer "recuar as fronteiras do Estado". Ela cortou impostos e gastos públicos, privatizou empresas estatais e exigiu uma dedução do dinheiro britânico dado à Comunidade Européia.
Sua política econômica aumentou o desemprego que a ajudara a se eleger em 4 de maio de 1979 de 1 para 3 milhões de trabalhadores. Thatcher enfrentou um ano de uma greve dos mineiros de carvão que prejudicou a geração de energia na Grã-Bretanha.
Também adotou a linha dura contra o Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Uma greve de fome matou em 1981 o lendário Bobby Sands, um dos líderes do grupo terrorista que desafiou a determinação da Dama de Ferro.
Em 1984, um atentado do IRA contra um hotel em Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador quase a matou.
Antes disso, em 1982, Thatcher foi inflexível diante da invasão argentina às Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands. Depois de uma guerra curta em que quase mil pessoas foram mortas, os argentinos foram expulsos das ilhas do Sul do Oceano Atlântico.
A derrota nas Malvinas desmoralizou a junta militar argentina liderada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, um dos grandes delinqüentes da história recente do país, acelerando o fim da ditadura militar, que viria em 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.
Só então, Thatcher obteve a segunda vitória eleitoral, em 1983, conquistando uma ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que permitiu a aplicação de seu programa radical de privatização. A economia britânica, sufocada por uma carga fiscal com alíquotas de até 89%, reagiu.
Hoje, o Reino Unido tem a quinta maior economia do mundo. Superou a França mas foi ultrapassado pela China.
Em agosto de 1990, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait e o anexou ao Iraque, Thatcher teria sido decisiva para convencer o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, a enviar tropas para proteger a Arábia Saudita, na Operação Escudo no Deserto. Ela teria dito: "Não é hora de amolecer, George".
Durante a Operação Tempestade no Deserto, que expulsou os iraquianos do Kuwait, de 17 de janeiro a 28 de fevereiro de 1991, ela tinha deixado a residência oficial de 10 Downing Street.
O thatcherismo sobreviveu ao governo Thatcher. Em outubro de 1990, por causa de sua tenaz oposição à maior integração européia e da proposta de introdução de um imposto predial e territorial baseado no número de moradores de uma propriedade imobiliária e não no seu valor, a Dama de Ferro foi derrubada por seu próprio partido.
Esse regicídio até hoje dilacera o Partido Conservador britânico, que se considerava o mais bem-sucedido da História do Ocidente.
Sucessor de Thatcher, o moderado John Major completou seu mandato e conquistou mais um, em 1992, contrariando as pesquisas de opinião. Mas jamais conseguiu unir o partido, sendo fragorosamente derrotado por Tony Blair em 1º de maio de 1997.
Ao prometer durante a campanha não aumentar as alíquotas do imposto de renda, entre outras medidas copiadas da plataforma conservadora, Blair incorporou políticas da Dama de Ferro a seu Neotrabalhismo, além da eliminar a Cláusula 4 do estatuto do Partido Trabalhista, que falava em estatização dos meios de produção. Foi uma ruptura com o socialismo que ajudou a levar o partido de volta ao poder depois de 18 anos.
Com essas propostas, o Neotrabalhismo chegou a ser definido como "o thatcherismo com face humana", por causa dos investimentos em serviços públicos como educação, saúde e transportes, talvez a principal razão das três vitórias consecutivas de Blair, que cairia em 2007 devido à sua participação na invasão do Iraque.
Só agora, no governo Gordon Brown, depois de uma sucessão de líderes fracassados, sob a liderança do jovem David Cameron, os conservadores voltaram a estar na frente dos trabalhistas nas pesquisas de opinião. Daí até retomarem o poder vai uma grande distância.
Lady Thatcher ainda é a figura dominante do conservadorismo britânico, tendo inspirado líderes direitistas do mundo inteiro, de Ronald Reagan, nos EUA, a Václav Klaus, reeleito presidente da República Tcheca.
Thatcher ganhou o apelido de Dama de Ferro da imprensa soviética por causa de um discurso anticomunista em 1976, quando era líder da oposição conservadora.
No poder, de 1979 a 1990, honrou a alcunha aplicando a linha dura contra sindicalistas para impor uma política econômica neoliberal destinada a fazer "recuar as fronteiras do Estado". Ela cortou impostos e gastos públicos, privatizou empresas estatais e exigiu uma dedução do dinheiro britânico dado à Comunidade Européia.
Sua política econômica aumentou o desemprego que a ajudara a se eleger em 4 de maio de 1979 de 1 para 3 milhões de trabalhadores. Thatcher enfrentou um ano de uma greve dos mineiros de carvão que prejudicou a geração de energia na Grã-Bretanha.
Também adotou a linha dura contra o Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Uma greve de fome matou em 1981 o lendário Bobby Sands, um dos líderes do grupo terrorista que desafiou a determinação da Dama de Ferro.
Em 1984, um atentado do IRA contra um hotel em Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador quase a matou.
Antes disso, em 1982, Thatcher foi inflexível diante da invasão argentina às Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands. Depois de uma guerra curta em que quase mil pessoas foram mortas, os argentinos foram expulsos das ilhas do Sul do Oceano Atlântico.
A derrota nas Malvinas desmoralizou a junta militar argentina liderada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, um dos grandes delinqüentes da história recente do país, acelerando o fim da ditadura militar, que viria em 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.
Só então, Thatcher obteve a segunda vitória eleitoral, em 1983, conquistando uma ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que permitiu a aplicação de seu programa radical de privatização. A economia britânica, sufocada por uma carga fiscal com alíquotas de até 89%, reagiu.
Hoje, o Reino Unido tem a quinta maior economia do mundo. Superou a França mas foi ultrapassado pela China.
Em agosto de 1990, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait e o anexou ao Iraque, Thatcher teria sido decisiva para convencer o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, a enviar tropas para proteger a Arábia Saudita, na Operação Escudo no Deserto. Ela teria dito: "Não é hora de amolecer, George".
Durante a Operação Tempestade no Deserto, que expulsou os iraquianos do Kuwait, de 17 de janeiro a 28 de fevereiro de 1991, ela tinha deixado a residência oficial de 10 Downing Street.
O thatcherismo sobreviveu ao governo Thatcher. Em outubro de 1990, por causa de sua tenaz oposição à maior integração européia e da proposta de introdução de um imposto predial e territorial baseado no número de moradores de uma propriedade imobiliária e não no seu valor, a Dama de Ferro foi derrubada por seu próprio partido.
Esse regicídio até hoje dilacera o Partido Conservador britânico, que se considerava o mais bem-sucedido da História do Ocidente.
Sucessor de Thatcher, o moderado John Major completou seu mandato e conquistou mais um, em 1992, contrariando as pesquisas de opinião. Mas jamais conseguiu unir o partido, sendo fragorosamente derrotado por Tony Blair em 1º de maio de 1997.
Ao prometer durante a campanha não aumentar as alíquotas do imposto de renda, entre outras medidas copiadas da plataforma conservadora, Blair incorporou políticas da Dama de Ferro a seu Neotrabalhismo, além da eliminar a Cláusula 4 do estatuto do Partido Trabalhista, que falava em estatização dos meios de produção. Foi uma ruptura com o socialismo que ajudou a levar o partido de volta ao poder depois de 18 anos.
Com essas propostas, o Neotrabalhismo chegou a ser definido como "o thatcherismo com face humana", por causa dos investimentos em serviços públicos como educação, saúde e transportes, talvez a principal razão das três vitórias consecutivas de Blair, que cairia em 2007 devido à sua participação na invasão do Iraque.
Só agora, no governo Gordon Brown, depois de uma sucessão de líderes fracassados, sob a liderança do jovem David Cameron, os conservadores voltaram a estar na frente dos trabalhistas nas pesquisas de opinião. Daí até retomarem o poder vai uma grande distância.
Lady Thatcher ainda é a figura dominante do conservadorismo britânico, tendo inspirado líderes direitistas do mundo inteiro, de Ronald Reagan, nos EUA, a Václav Klaus, reeleito presidente da República Tcheca.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Condutores de trem ganham 11% na Alemanha
Os condutores de trens da Alemanha conseguiram um aumento de 11% nas negociações com a empresa ferroviária estatal Deutsche Bahn. É um indicador das grandes pressões por aumento de salários esperadas este ano na maior economia da Europa.
Agora, o público espera o fim das greves que prejudicaram o sistema de transportes ferroviários alemão nos últimos 10 meses. Mas Margret Suckale, chefe de pessoal da empresa considerou o aumento excessivo, além do que seria "razoável economicamente".
Na semana passada, o sindicato dos funcionários públicos pediu 8%. Os médicos do setor público iniciaram negociações salariais ontem querendo 10%.
O Banco Central da Europa adverte para o efeito inflacionário dos aumentos de salários acima da inflação, que está em pouco acima de 3% ao ano. Mas os sindicatos aproveitam a boa situação econômica do momento. Com o aperto de crédito, pode não durar o ano inteiro.
Agora, o público espera o fim das greves que prejudicaram o sistema de transportes ferroviários alemão nos últimos 10 meses. Mas Margret Suckale, chefe de pessoal da empresa considerou o aumento excessivo, além do que seria "razoável economicamente".
Na semana passada, o sindicato dos funcionários públicos pediu 8%. Os médicos do setor público iniciaram negociações salariais ontem querendo 10%.
O Banco Central da Europa adverte para o efeito inflacionário dos aumentos de salários acima da inflação, que está em pouco acima de 3% ao ano. Mas os sindicatos aproveitam a boa situação econômica do momento. Com o aperto de crédito, pode não durar o ano inteiro.
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Sindicatos entram na era da globalização
A era dos sindicatos globalizados para responder à internacionalização das grandes empresas está começando. Uma delegação de sete sindicatos americanos da aliança Mudar para Vencer, que representa 6 milhões de trabalhadores, concluiu ontem uma visita de cinco dias à China dizendo ter encontrado muitos pontos em comuns com a Federação dos Sindicato da China, a única autorizada pelo regime comunista chinês, com 150 milhões de trabalhadores afiliados.
Os sindicalistas americanos concluíram que a única maneira de barganhar com empresas transnacionais que operam internacionalmente é organizar os trabalhadores na mesma escala: "Acredito que haverá sindicatos globais dentro de cinco a dez anos", previu o presidente do Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços, Andy Stern, falando a The Wall St. Journal.
Com as diferenças salariais, a lógica do mercado faz as empresas saírem dos países ricos e procurarem países como a China. Os trabalhadores da fábrica da General Motors em Xangai precisam mais ou menos do mesmo número de horas para fazer um automóvel do que os das melhores fábricas nos EUA. Ou seja: a produtividade é mais ou menos a mesma. Só que em Xangai a GM paga US$ 9 por hora, enquanto cada operário americano custa mais de US$ 60 por hora, entre salário e encargos sociais.
Os sindicalistas americanos concluíram que a única maneira de barganhar com empresas transnacionais que operam internacionalmente é organizar os trabalhadores na mesma escala: "Acredito que haverá sindicatos globais dentro de cinco a dez anos", previu o presidente do Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços, Andy Stern, falando a The Wall St. Journal.
Com as diferenças salariais, a lógica do mercado faz as empresas saírem dos países ricos e procurarem países como a China. Os trabalhadores da fábrica da General Motors em Xangai precisam mais ou menos do mesmo número de horas para fazer um automóvel do que os das melhores fábricas nos EUA. Ou seja: a produtividade é mais ou menos a mesma. Só que em Xangai a GM paga US$ 9 por hora, enquanto cada operário americano custa mais de US$ 60 por hora, entre salário e encargos sociais.
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