Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
Guerra entre Israel e Hamas é a mais mortal da história recente
sábado, 22 de janeiro de 2022
Média de casos novos bate recorde com onda da ômicron subindo
Com mais 396 mortes e 168.820 diagnósticos positivos da doença do coronavírus notificados nesta sexta-feira, o Brasil chegou a 23.757.741 casos confirmados e 622.647 vidas perdidas na pandemia.
O número de novas infecções é o segundo maior até agora. Elevou a média de casos novos dos últimos sete dias para novo recorde (118.840), com alta de 296% em duas semanas. A média diária de mortes dos últimos sete dias aumentou 114% em duas semanas para 257.
No mundo, o total de casos confirmados está em 347.506.972, com 5.588.405 mortes. Cerca 276,5 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 63 milhões enfrentam casos leves ou médios e 95.931 estão em estado grave.
Os Estados Unidos registraram mais 891.059 casos e 3.707 mortes na sexta-feira. É o país com mais casos confirmados (70.289.750) e mais mortes (864.934) na pandemia. A média diária de casos novos dos últimos sete dias subiu 11% em duas semanas para 720.354. O total de pacientes hospitalizados cresceu 30% em duas semanas para 159.190. A média diária de mortes avançou 43% em duas semanas para 2.155.
Os idosos não vacinados correm 50 vezes mais risco de hospitalização do que os que tomaram a dose de reforço, concluiu um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. A terceira dose de vacinas de RNA mensageiro, da Pfizer ou da Moderna, tem efetividade de 90 por cento para prevenir a hospitalização e de 82 por cento para evitar a internação em unidades de terapia intensiva com a variante ômicron.quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
EUA têm recorde de mais de 3 mil mortes num dia
Enquanto o presidente Donald Trump insiste em roubar a eleição de 3 de novembro, os Estados Unidos batem novo recorde de mortes num dia pela pandemia do coronavírus de 2019: 3.011 mortes foram notificadas nesta quarta-feira, mais do que nos dias da infâmia, nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e no ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que levou o país a entrar na Segunda Guerra Mundial.
Um dia antes, na terça-feira, dia 8, os EUA registraram 221.480 casos novos da Covid-19, o segundo maior número num dia, depois de 229.243 em 4 de dezembro. Até agora, os EUA tiveram 15,384 milhões de casos confirmados e mais de 289 mil mortes.
O total se aproxima do número de soldados americanos mortos em combate na Segunda Guerra Mundial, a segunda pior guerra da história do país: 291.557. Em uma semana, as mortes por Covid-19 devem chegar a 300 mil.
No mundo, já são 68,9 milhões de casos confirmados e 1,569 milhão de mortes. Um pouco menos de 48 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 18 milhões apresentam sintomas leves e 106,9 mil estão em estado crítico.
Aqui no Brasil, houve mais 848 mortes e 52.203 casos novos em 24 horas. Os totais subiram para 179.032 óbitos e 6,73 milhões de casos confirmados. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu para 643, com alta de 34%. É a maior desde 6 de outubro. O número de mortes está crescendo em 21 estados e no Distrito Federal.
Sob pressão dos governadores, depois de anunciar o início da vacinação em março, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou na quarta-feira que pode começar no fim deste mês ou no início de janeiro, se o governo fechar negócio com o laboratório americano Pfizer e a empresa de biotecnologia alemã BioNTech, que disseram ao governo dos EUA que só poderão entregar novas encomendas em junho.
O Reino Unido adverte que a vacina do laboratório americano Pfizer e a empresa de biotecnologia BioNTech pode causar reações adversas em pessoas alérgicas. Meu comentário:
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
62 bilionários têm tanta riqueza quanto 3,6 bilhões mais pobres
Os números são impressionantes: "Uma rede global de paraísos fiscais permite aos indivíduos mais ricos esconder US$ 7,6 trilhões" das autoridades fiscais, mais do que toda a riqueza produzida anualmente na Alemanha e no Reino Unido juntos, denuncia o estudo. A receita perdida é estimada em US$ 190 bilhões por ano. "A luta contra a pobreza não será vencida enquanto a desigualdade não for atacada."
Em 2015, os 62 mais ricos acumulavam tanta riqueza quanto a metade mais pobre da humanidade. Em 2010, era necessário juntar as fortunas dos 388 mais ricos para tanto, alerta o documento, divulgado dois dias antes antes do início da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
A riqueza dos 62 mais ricos aumentou 44% nos últimos cinco anos. Eles ganharam em conjunto mais US$ 542 bilhões. A metade mais pobre ganhou 41% menos do antes, uma perda de US$ 1 trilhão.
Desde o início do século, a metade mais pobre levou apenas 1% do aumento da renda mundial, enquanto metade foi para o 1% mais rico.
"No Brasil, onde a desigualdade de renda permanece extremamente alta, a renda dos 50% mais pobres mais do que dobrou em termos reais entre 1988 e 2011, aumentando um pouco mais rápido do que a dos 10% mais ricos", observa a Oxfam. "Mas o aumento da renda dos 10% mais ricos representou muito mais dólares em termos absolutos, tanto que a diferença entre as rendas médias dos dois grupos também quase dobrou", de US$ 113 bilhões para US$ 194 bilhões.
O relatório reconhece que o número de pessoas vivendo na miséria caiu pela metade entre 1990 e 2010, quando 1 bilhão de pessoas saíram da pobreza absoluta, mas faz uma ressalva: mais 200 milhões teriam saído da miséria se a concentração da riqueza não tivesse aumentado.
Se os pobres houvessem recebido uma fatia maior do crescimento do que os ricos, seriam 700 milhões a mais, afirma a Oxfam.
Pelos cálculos do Banco Mundial, 700 milhões de pessoas ainda vivem na pobreza absoluta, ganhando menos de US$ 1,90 (R$ 7,66) por dia. Neste ritmo, se não houver um crescimento que beneficie os mais pobres, a pobreza absoluta não será erradicada e, em 2030, ainda haverá 500 milhões de miseráveis.
O Fundo Monetário Internacional constatou que países com maior desigualdade de renda também revelam maior desigualdade entre homens e mulheres, em saúde, educação, participação no mercado de trabalho e representação parlamentar.
Em quase todos os países ricos e na maior parte dos países em desenvolvimento, a fatia da renda nacional que remunera o trabalho diminui enquanto os ganhos do capital (juros, dividendos, lucros e aluguéis) avançam em ritmo superior ao crescimento da economia.
A sonegação de impostos e a redução dos impostos sobre estes ganhos ampliam a desigualdade. Como observou o bilionário e megainvestidor americano Warren Buffett, no país mais rico do mundo, ele paga impostos numa alíquota menor do que todos os outros em seu escritório, inclusive a faxineira e a secretária.
Cerca de 30% da riqueza dos africanos mais ricos, num total de US$ 500 bilhões, estão guardados em paraísos fiscais. Isso implica uma perda de receita de US$ 14 bilhões no continente mais pobre do mundo. Esse dinheiro seria suficiente para evitar a morte de 4 milhões de crianças e empregar professores suficientes para educar todas as crianças da África.
Desde 2009, a remuneração dos diretores-presidentes das grandes empresas dos Estados Unidos subiu 54,3%, enquanto os salários reais ficaram praticamente estagnados. Na Índia, os diretores-presidentes de empresas de informática recebem em média 416 vezes mais do que o salário médio dos empregados.
"No Brasil e no México, os povos indígenas são desproporcionalmente afetados pela destruição de suas terras ancestrais quando florestas são derrubadas para abrir espaço para a mineração e a agricultura", afirma a Oxfam. As privatizações, "como aconteceu na Rússia depois da queda do comunista, por exemplo, geraram enormes fortunas da noite para o dia para um pequeno grupo de indivíduos."
O setor financeiro, amplamente beneficiado pelo sigilo bancário, a desregulamentação, as privatizações e a globalização da economia, é responsável hoje por um em cada cinco bilionários. Um estudo recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que os países com setores financeiros maiores sofrem com maior instabilidade econômica e desigualdade.
No setor têxtil, grandes empresas abusam de seu poder de mercado para pagar salários de fome, diz o relatório. De 2001 a 2011, os salários dos tecelões nos 15 maiores exportadores de tecidos caíram em termos reais, em parte pela aceitação de salários menores pelas mulheres, uma estratégia para aumentar os lucros.
Para atacar o problema, que agrava a crise econômica mundial, a Oxfam faz uma série de propostas:
• Aumentar os salários mínimos para níveis que garantam uma vida digna, aumentar a transparência para revelar as desigualdades entre assalariados e executivos, e proteger o direito do trabalhador de se organizar em sindicatos e fazer greve.
• Promover os direitos das mulheres e salários iguais para homens e mulheres na mesma função, e dar os mesmos direitos às mulheres na divisão de heranças entre a família.
• Controlar a influência de elites econômicas fiscalizando lobistas e criando regras rígidas para evitar conflitos de interesses; garantir o acesso do público a informações sobre orçamentos e gastos públicos; evitar o financiamento eleitoral por empresas; e tomar medidas para evitar a circulação em portas giratórias entre grandes empresas e o governo.
• Mudar o sistema global de pesquisa e desenvolvimento da indústria farmacêutica para garantir a todos o acesso a medicamentos apropriados a preços módicos, excluindo as regras sobre propriedade intelectual de acordos comerciais.
• Mudar a carga fiscal sobre o trabalho e o consumo para impostos sobre a riqueza, o capital e a renda; aumentar a transparência sobre incentivos fiscais; e introduzir impostos nacionais sobre a riqueza.
• Orientar os gastos públicos para combater a desigualdade, priorizando investimentos em saúde e educação gratuitas, aumentando a participação do setor público na oferta de serviços essenciais.
De imediato, a Oxfam desafia os líderes mundiais a acabar com os paraísos fiscais.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
1% mais rico terá mais da metade da riqueza do mundo em 2016
O objetivo da Oxfam é pressionar a elite política e econômica reunida na estação de esqui na Suíça a tomar medidas para reduzir a desigualdade, informa o jornal inglês The Guardian.
Desde a Grande Recessão de 2008-9, a renda do 1% mais rico passou de 44% em 2009 para 48% em 2005, enquanto os 80% mais pobres levaram apenas 5,5% do bolo. Com esta tendência, no próximo ano, os ultrarricos terão mais do que todo o resto do mundo.
"A mensagem é que o crescimento da desigualdade é perigoso. É ruim para a economia e para a governabilidade. Vemos a riqueza concentrada tomando o poder e deixando a pessoa comum sem voz nem ninguém que defenda seus interesses", declarou Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam e co-presidente do Fórum de Danos neste ano.
No ano passado, a Oxfam revelou que 85 bilionários tinham a mesma riqueza do que 3,5 bilhões de pessoas, a metade da população mundial mundial. Em 2010, os 388 mais ricos tinham tanto quanto a metade mais pobre. Hoje, bastam os 80 mais ricos para igualar os 3,5 bilhões.
"Queremos viver num mundo em que 1% ganham mais do que todo o resto?", questionou a diretora da ONG. "A escala da desigualdade global é assustadora. Apesar do tema estar cada vez mais em evidência na agenda global, a distância entre os mais ricos e o resto aumenta rapidamente."
O livro O Capital no Século 21, do economista francês Thomas Picketty, publicado em 2013, relançou o debate em termos científicos ao comparar a evolução da distribuição da riqueza em 20 países desde a Revolução Industrial do século 18.
Sua conclusão, baseada na mais ampla análise de dados realizada até hoje, derruba a tese da mão invisível do mercado, do britânico Adam Smith, considerado o pai da ciência econômica e do liberalismo econômico.
Smith acreditava que a longo prazo o livre mercado corrigiria suas próprias distorções naturalmente e chegaria a posições de equilíbrio. Picketty alega o contrário. Quando o mercado funciona como prevê a ciência econômica, a concentração da riqueza aumenta simplesmente porque uns têm mais sucesso do que os outros e ganham mais dinheiro.
Como o trabalho é mais abundante do que o capital, pela lei da oferta e da procura a remuneração do capital (rendas, juros e lucros) é maior do que a remuneração do trabalho (salário), sempre pressionada pela existência de uma massa de desempregados dispostos a trabalhar ganhando menos.
Pelo raciocínio do economista francês, a única maneira de combater a concentração da riqueza é taxar mais fortemente o capital, especialmente as heranças e as transações financeiras, o que também ajudaria a combater a especulação financeira.
Em 1972, o economista americano James Tobin propôs a cobrança de um imposto sobre operações cambiais para conter a especulação, sugerindo que a alíquota poderia ser de 0,5%.
A proposta foi encampada pela organização não governamental Associação pela Taxação das Transações Financeiras e Ajuda ao Cidadão (ATTAC), criado em 1998 para defender a cobrança de 1% sobre todas as transações financeiras internacionais. O dinheiro arrecadado seria investido em programas de desenvolvimento social para compensar os efeitos perversos da globalização econômica.
Logo depois da crise de 2008, agravada pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers, nas primeiras reuniões do Grupo dos Vinte (19 países mais rico do mundo e a União Europeia), a sugestão voltou à pauta. Com a recuperação, cada país do G-20 passou a cuidar de seus próprios interesses. Mais uma vez, o Imposto Tobin foi abandonado.
Amanhã, no discurso sobre o Estado da União, o presidente Barack Obama vai propor aumentos de impostos para os ricos e para os bancos. É praticamente impossível que o conservador Partido Republicano, que controla a Câmara e o Senado dos Estados Unidos, dominado pelos lobbies de grandes empresas e do centro financeiro de Wall Street, concorde.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Oxfam demite Scarlett Johansson
A bela Scarlett, de 29 anos, favorita do diretor Woody Allen, uma das estrelas mais famosas do cinema internacional, acaba de firmar um contrato com a companhia israelense de máquinas e garrafas para fazer refrigerantes caseiros SodaStream. A empresa tem uma fábrica na Cisjordânia ocupada onde trabalham 800 judeus e árabes israelenses e 500 palestinos.
Como a ocupação e as colônias israelenses são ilegais à luz do direito internacional, o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) defende um boicote total a atividades econômicas ligadas aos territórios árabes ocupados.
"A Oxfam acredita que empresas como a SodaStream, que operam nas colônias, aumentam a pobreza e negam os direitos das comunidades palestinas que nós apoiamos", justificou a ONG. Como a companhia é uma das maiores empregadoras israelenses de palestinos na Cisjordânia, Johansson alegou que "constrói uma ponte entre Israel e a Palestina".
Para o comitê palestino do BDS, Rafif Ziadah, "Scarlett Johansson abandonou sua reputação de celebridade progressista em troca de um cheque para se tornar a nova face do apartheid israelense. Como os poucos artistas que tocaram em Sun City durante o apartheid na África do Sul, Johansson será lembrada por ter ficado do lado errado da história."
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Scarlett Johansson é alvo de boicote
Scarlett Johansson gravou um comercial para a SodaStream a ser apresentado no domingo, 2 de fevereiro de 2014, no intervalo do SuperBowl, a final do campeonato de futebol americano. São os intervalos comerciais mais caros da história da televisão. Cada propaganda de 30 segundos custa milhões de dólares para ir ao ar e outros tantos para produzir, incluído o polpudo cachê da estrela.
A organização não governamental Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) protestou. As garrafas da SodaStream são produzidas numa antiga fábrica de munições no distrito industrial de Michor Adumin, nos arredores de Jerusalém, numa colônia instalada na Cisjordânia ocupada, o que é ilegal à luz do direito internacional.
Essa ONG está pressionando o Comitê de Oxford para Alívio da Fome (Oxfam) para que destitua Johansson do cargo da embaixadora. Na verdade, defende um boicote comercial para forçar Israel a deixar os territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Massacre ameaça paz no Sul do Sudão
O conflito entre o Norte muçulmano e o Sul cristão e animista começou logo após a independência do Império Britânico, em 1955, e foi até 1972. Depois de 11 anos de trégua, recomeçou em 1985 e durou até 5 de janeiro de 2005, quando foi assinado um acordo de paz no Quênia.
Essa longa guerra civil Norte-Sul não está diretamente relacionada ao genocídio na província de Darfur, no Oeste do maior país da África, onde 300 mil pessoas teriam sido mortas e 2,5 milhões fugido de casa por causa da guerra entre o Exército e a milícia Janjawid contra grupos rebeldes locais ligados a tribos não muçulmanas.
A subcoordenadora das Nações Unidas para Ajuda Humanitária ao Sudão, adverte que "no fim do ano três houve três incidentes graves de violência política no Sul do Sudão. Agora, 140 pessoas da tribo dinka foram mortas por homens armados da tribo nuer.
Pela estimativa da organização não governamental Oxfam (Comitê de Oxford para o Combate à Fome), pelo menos 2,5 mil pessoas foram mortas na região no ano passado. Outras 350 mil tiveram de fugir de suas casas.
O governo islamita sudanês atribui o conflito a uma luta interna no Movimento Popular pela Libertação do Sudão, que reúne cristãos e animistas, seguidores das religiões tradicionais da África.
Um coquetel explosivo de violência, miséria e tensão política ameaça acabar com a paz assinada no Quênia há quatro anos.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Oxfam lança campanha contra a fome na África
Depois de pior seca em 10 anos, cerca de 23 milhões de pessoas estão ameaçadas. Além da Etiópia, onde vive a metade dos famintos, a situação é crítica na Somália, no Sudão, em Djibuti, no Quênia, em Uganda e na Tanzânia.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Famintos do mundo são quase um bilhão
Desde o início do ano, o total de pessoas ameaçada pela fome no mundo subiu 119 milhões por causa da inflação mundial nos preços dos alimentos nos últimos anos, que já começam a baixar por causa da crise econômica global. Mas o total de necessitados de ajuda de emergência chegou a 967 milhões, alerta a organização não-governamental britânica Oxfam (Comitê de Oxford para Alívio da Fome).
A crise de alimentos "força as pessoas a comerem menos e alimentos de menos qualidade, tira crianças da escola e obriga agricultores a migrarem do campo para a cidade, onde vão morar em favelas", adverte o relatório divulgado hoje, Dia Mundial da Alimentação.
Na Somália, os preços do trigo aumentaram 300% nos 15 meses até abril deste ano.
Em Nova Iorque, o relator especial da ONU sobre direito à alimentação, Oliver de Schutter, propôs a adoção de regras internacionais para a produção de biocombustíveis e o congelamento de investimentos para produção de biocombustíveis em grande escala para exportação, alegando que ameaça alguns dos países mais frágeis do mundo.
Schutter defendeu ainda a formação de estoques reguladores nacionais e internacionais para combater a especulação com os preços dos alimentos em função de problemas climáticos e quebras de safras. Assim, os países não precisariam recorrer ao mercado para alimentar suas populações necessitadas.
A Oxfam pede que a mesma determinação usada para resolver a crise financeira global seja aplicada no combate à fome.
Na reunião de cúpula sobre a crise de alimentos, realizada de 3 a 5 de junho deste ano na sede da FAO, em Roma, esta organização pediu US$ 30 bilhões para acabar com a fome. Ouviu promessas de US$ 12 bilhões. Até agora, só recebeu US$ 1 bilhão.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Países ricos não dão muita ajuda aos pobres
Ontem, um relatório da organização não-governamental Oxfam (Oxford Famine Relief) previu que os países do G-8 podem errar o alvo em US$ 30 bilhões.
O jornal inglês The Independent fez então uma série de comparações interessantes:
• Os britânicos gastam duas vezes mais com vinho e champanha do que seu governo dá em ajuda externa.
• As mulheres alemãs gastam mais com sapatos do que seu país gasta para ajudar outros países.
• O orçamento de ajuda da França é inferior ao orçamento das francesas para comprar perfumes.
• O Japão é um dos países que mais dá ajuda externa, mas ainda assim não supera o consumo de artigos de luxo pelos japoneses.
• Os Estados Unidos dão em ajuda externa menos do que o lucro anual da Exxom Mobil, sua maior companhia de petróleo.
• Os italianos gastam mais com sorvete do que seu país dá de ajuda externa.
• O orçamento de ajuda ao exterior do Canadá é metade do que seus cidadãos gastam com cerveja.